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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"> <b> Mitos, sexualidade    e repress&atilde;o (1)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Paulo Roberto    Ceccarelli</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Psic&oacute;logo,    psicanalista, doutor em psicopatologia fundamental e psican&aacute;lise pela    Universidade de Paris VII, p&oacute;s-doutor pela Universidade de Paris VII;    membro da Associa&ccedil;&atilde;o Universit&aacute;ria de Pesquisa em Psicopatologia    Fundamental; membro da Soci&eacute;t&eacute; de Psychanalyse Freudienne, Paris,    Fran&ccedil;a; membro fundador da Rede Internacional de Psicopatologia Transcultural;    professor adjunto III no Departamento de Psicologia da PUC-MG</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este texto d&aacute;    continuidade a uma pesquisa que venho realizando h&aacute; alguns anos a respeito    das rela&ccedil;&otilde;es entre mitologia, sexualidade e repress&atilde;o (2)    (3). A hip&oacute;tese que desenvolvo neste trabalho pode ser assim enunciada:    ainda que o recalque (<i>Verdr&auml;ngung</i>) da sexualidade seja o movimento    universal que marca o modo de circula&ccedil;&atilde;o pulsional pr&oacute;pria    do humano, sendo a condi&ccedil;&atilde;o primeira para a exist&ecirc;ncia do    estado de cultura (4), a repress&atilde;o (<i>Unterdr&uuml;ckung</i>) da sexualidade    que se seguir&aacute; geradora da moral sexual &eacute; tribut&aacute;ria do    sistema de valores que sustenta o imagin&aacute;rio social. As origens deste    sistema devem ser procuradas nos mitos fundadores da cultura em quest&atilde;o.    E o lugar da sexualidade nos relatos mitol&oacute;gicos - pecado, culpa, respons&aacute;vel    pela queda, fonte de prazer... - marcar&aacute; profundamente as forma&ccedil;&otilde;es    ideais e superegoicas respons&aacute;veis pelo modo como o sujeito vivencia,    consciente e inconscientemente, sua sexualidade. Os princ&iacute;pios estipulados    pela moral sexual introduzem no Eu em forma&ccedil;&atilde;o, via identifica&ccedil;&atilde;o,    regras de conduta que, muitas vezes, est&atilde;o em completa oposi&ccedil;&atilde;o    aos destinos pulsionais. Ainda que alguns sujeitos n&atilde;o se deixem influenciar    pelos mitos de origem, eles n&atilde;o s&atilde;o imunes &agrave;s suas influ&ecirc;ncias    devido &agrave; introje&ccedil;&atilde;o dos ideais sociais. &Eacute;, tamb&eacute;m,    dos mitos de origem que os discursos, ideol&oacute;gico e pol&iacute;tico, tiram    a sua for&ccedil;a ao apresent&aacute;-los como verdades universais e/ou como    revela&ccedil;&otilde;es divinas a serem seguidas sem questionamentos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma outra hip&oacute;tese    que desenvolvo &eacute; que certas manifesta&ccedil;&otilde;es da sexualidade,    definidas pelo referencial psicanal&iacute;tico como perversas, podem ser entendidas    como subprodutos da cultura ocidental. Dito de outra forma: as pervers&otilde;es    seriam o retorno, sob o modo perverso, do reprimido. Lembro mais uma vez: do    reprimido e n&atilde;o do recalcado. O retorno do recalcado gera o sintoma neur&oacute;tico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A moral sexual    &eacute; um fato da cultura. Toda sociedade possui regras a respeito do uso    da libido. A leitura de in&uacute;meros textos, sobretudo os antropol&oacute;gicos,    sugerem que um certo controle em rela&ccedil;&atilde;o ao prazeres da carne    tem sido, em intensidades diferentes e em momentos s&oacute;cio-hist&oacute;ricos    vari&aacute;veis, um elemento constitutivo do humano. Da antiguidade at&eacute;    nossos dias, a regulamenta&ccedil;&atilde;o dos prazeres tem recebido tratamentos    diferentes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As teses freudianas    apresentadas no texto <i>Moral sexual "civilizada" e doen&ccedil;a nervosa moderna</i>    sugerem que a maneira da cultura ocidental lidar com a sexualidade guarda profundas    rela&ccedil;&otilde;es com a forma com que os mitos de origem tratam a sexualidade.    O pre&ccedil;o a pagar pela "evolu&ccedil;&atilde;o" &eacute; o controle da    sexualidade. "Cada nova conquista foi sancionada pela religi&atilde;o, cada    ren&uacute;ncia do indiv&iacute;duo &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o pulsional    foi oferecida &agrave; divindade como um sacrif&iacute;cio" (5). Nesse texto,    Freud discute n&atilde;o apenas as doen&ccedil;as nervosas dos tempos modernos,    devido &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es impostas &agrave; sexualidade pela    moral sexual civilizada, mas tamb&eacute;m prop&otilde;e solu&ccedil;&otilde;es    que s&atilde;o um verdadeiro projeto pol&iacute;tico, na medida em que dizem    respeito &agrave; sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o em geral. Freud defende    que uma reforma social permitiria mais liberdade sexual, pois neutralizaria    os traumatismos advindos da repress&atilde;o. A conclus&atilde;o final de Freud    sobre a condi&ccedil;&atilde;o humana &eacute; um choque frontal com o livre    arb&iacute;trio agostiniano: dAqueles que desejam ser mais nobres do que suas    constitui&ccedil;&otilde;es lhes permitem, s&atilde;o vitimados pela neurose"    (6). Lembremo-nos que Freud fala de repress&atilde;o (<i>Unterdr&uuml;ckung</i>)    e n&atilde;o de recalque (<i>Verdr&auml;ngung</i>): "a influ&ecirc;ncia prejudicial    da civiliza&ccedil;&atilde;o reduz-se principalmente &agrave; repress&atilde;o    nociva (<i>die Sch&auml;dlich Unterdr&uuml;ckung</i>) da vida sexual dos povos    (ou classes) civilizados atrav&eacute;s da moral sexual 'civilizada' que os    rege" (7).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>QUAIS AS FUN&Ccedil;&Otilde;ES    DOS MITOS?</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os mitos, cujas    origens se confundem com a dos homens, representam o capital fantasm&aacute;tico    de uma cultura. Gra&ccedil;as &agrave; cosmogonia que sustentam, cria-se um    ponto de partida que permite fundar historicamente a origem do homem, dos animais    e das coisas, assegurando a passagem do caos &agrave; ordem, do irrepresent&aacute;vel    &agrave;s representa&ccedil;&otilde;es lingu&iacute;sticas, do gozo ao desejo.    Os relatos m&iacute;ticos balizam o caminho, sempre imagin&aacute;rio, atrav&eacute;s    da barra do recalque ligando o processo prim&aacute;rio ao secund&aacute;rio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O comum entre o    capital fantasm&aacute;tico dos diferentes grupos humanos n&atilde;o &eacute;    o que &eacute; dito, mas o que &eacute; visado: dar sentido &agrave;s quest&otilde;es    que os humanos desde sempre tiveram que afrontar. Ou seja, o fato de nascer,    de viver, de morrer, de como enfrentar o poder e a viol&ecirc;ncia da natureza,    a viol&ecirc;ncia dos outros e a pr&oacute;pria: "este &eacute; o ponto comum    a todas as culturas: as interroga&ccedil;&otilde;es existenciais que ultrapassam    as diferen&ccedil;as" (8).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta perspectiva,    pode-se dizer que do ponto de vista da economia libidinal, os mitos t&ecirc;m    o mesmo estatuto que o da realidade ps&iacute;quica: s&atilde;o relatos que    oferecem representa&ccedil;&otilde;es &agrave;s puls&otilde;es. Da mesma forma    que a cartografia mitol&oacute;gica constru&iacute;da no processo psicanal&iacute;tico    permite ao sujeito resignificar a sua hist&oacute;ria e atribuir representa&ccedil;&otilde;es    a seus afetos, os mitos fundadores de uma cultura fornecem os elementos que    d&atilde;o sentido tanto ao mundo vis&iacute;vel quanto ao fantasm&aacute;tico.    Al&eacute;m disso, os mitos cumprem uma importante fun&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica:    a de apresentar a ordem simb&oacute;lica, que sustenta a social, como sagrada,    universal e imut&aacute;vel, ao inv&eacute;s de uma constru&ccedil;&atilde;o    s&oacute;cio-hist&oacute;rica arbitr&aacute;ria, logo, mut&aacute;vel (9).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Resumindo: o mito    fundador est&aacute; para a cultura assim como o mito individual est&aacute;    para o sujeito: uma palavra fundadora de identidade. Sua perda pode ser experimentada    tanto pelo sujeito quanto pela cultura com uma perda das refer&ecirc;ncias identificat&oacute;rias,    pois ela desfaz a circula&ccedil;&atilde;o pulsional, provocando o colapso da    fun&ccedil;&atilde;o imagin&aacute;ria e simb&oacute;lica, fazendo emergir o    real produtor de estados de ang&uacute;stia que podem chegar aos chamados "ataque    de p&acirc;nico", &agrave; desorganiza&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica ou,    nos casos mais dr&aacute;sticos, a epis&oacute;dios psic&oacute;ticos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Posto que "a psicologia    individual (...) &eacute;, ao mesmo tempo, tamb&eacute;m psicologia social"    (10), penso que em todo mito individual existe a participa&ccedil;&atilde;o    do mito coletivo. E &eacute; na constitui&ccedil;&atilde;o das inst&acirc;ncias    ideais e superegoicas que se entrela&ccedil;am os mitos coletivos e os individuais:    o ideal do Eu &eacute; marcado pelos ideais coletivos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os ideais da nossa    cultura, assim como as bases do discurso que define nossa vis&atilde;o de mundo,    encontram suas origens no imagin&aacute;rio da cultura ocidental, cujas fontes    remontam aos mitos fundadores descritos na B&iacute;blia. Tais mitos participam    intensamente na nossa concep&ccedil;&atilde;o do bem e do mal, do verdadeiro    e do falso, do pecado, determinam as rela&ccedil;&otilde;es sexuais aceitas    e as proibidas, ditam as posi&ccedil;&otilde;es sociais dos homens e das mulheres,    as rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, dentre outras coisas. Ou seja, os ideais    sustentam a ideologia e justificam o discurso do poder. As associa&ccedil;&otilde;es    sintagm&aacute;ticas que utilizamos para decodificar o mundo s&atilde;o impregnadas    pelos valores ditados por esse discurso que &eacute; tomado como universal.    Uma das consequ&ecirc;ncias, &agrave;s vezes catastr&oacute;fica, de tal posi&ccedil;&atilde;o    &eacute; o risco que, frente &agrave; outra forma de apreender o mundo, reagir&iacute;amos    de maneira normativa, ou mesmo carregada de preconceitos, pois nossas certezas    s&atilde;o amea&ccedil;adas (11).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A REPRESS&Atilde;O    SEXUAL EM OUTRAS CULTURAS</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Voltemos &agrave;    quest&atilde;o central do texto: a participa&ccedil;&atilde;o dos mitos de origem    nos destinos da repress&atilde;o sexual. A repress&atilde;o sexual que se segue    ao recalque, j&aacute; o dissemos, &eacute; tribut&aacute;ria do sistema de    valores que sustenta o imagin&aacute;rio social que, por sua vez, guarda estreita    resson&acirc;ncia com os mitos de origem da sociedade em quest&atilde;o. Nessa    perspectiva, &eacute; l&iacute;cito supor que "a vida sexual" de uma sociedade    - ou seja, as pr&aacute;ticas sexuais &agrave;s quais os seus membros se entregam,    com os aspectos conscientes e inconscientes, com suas possibilidades, limites    e proibi&ccedil;&otilde;es - ser&aacute; fortemente determinada pelo lugar atribu&iacute;do    &agrave; sexualidade nos mitos de origem. Na cultura ocidental, os mitos fundadores    apresentam a sexualidade, sobretudo, a partir da "sexualiza&ccedil;&atilde;o"    do pecado original feita por Santo Agostinho, como a respons&aacute;vel pela    perda do para&iacute;so, com todos os desdobramentos que se seguem, em particular,    o lugar atribu&iacute;do &agrave;s mulheres.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pois bem, o que    acontece nas culturas nas quais os mitos de origem n&atilde;o apresentam a sexualidade    como um problema, e muito menos como um pecado ou, ainda, quando ela &eacute;    apresentada como fonte de prazer (12)? Encontrar&iacute;amos ali as mesmas manifesta&ccedil;&otilde;es    ditas perversas da sexualidade?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os importantes    estudos de antropologia e psican&aacute;lise feitos por Georges Devereux e G&eacute;za    R&oacute;heim mostram a participa&ccedil;&atilde;o da cultura na estrutura&ccedil;&atilde;o    do sistema regulador das puls&otilde;es (13;14). De forma resumida, podemos    dizer que as observa&ccedil;&otilde;es desses autores confirmam a universalidade    do polimorfismo sexual infantil. Ao mesmo tempo, eles observam que as diferentes    apresenta&ccedil;&otilde;es desse polimorfismo devem-se &agrave;s particularidades    culturais. Ou seja, o que diferencia as express&otilde;es da sexualidade s&atilde;o    "fatores de ordem cultural" (13). Para R&oacute;heim (14), que interpreta a    hist&oacute;ria como um infind&aacute;vel conflito entre Eros e T&aacute;natos,    a utiliza&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise em outras culturas s&oacute;    pode ser feita quando apoiamos o universal da psican&aacute;lise, nas particularidades    do sistema social e nas institui&ccedil;&otilde;es de base da cultura em quest&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, nem    Devereux e nem R&oacute;heim interessaram-se, assim me parece, em compreender    as bases mitol&oacute;gicas que determinam a particularidade de cada uma das    culturas estudadas. Al&eacute;m disso, nessas culturas a sexualidade genital    n&atilde;o &eacute;, como na cultura ocidental, um assunto de ordem divina.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isto n&atilde;o    quer dizer, &eacute; sempre bom lembrar, que a sexualidade nas culturas estudadas    por esses pesquisadores seja sem constrangimentos e que esses povos vivam de    forma libertina, o que corresponderia ao mito do "selvagem feliz", que uma certa    leitura de Bronislaw Malinowski (15) deixaria pensar. No entanto, quando lemos    este &uacute;ltimo, apesar das cr&iacute;ticas que podem ser feitas a essa obra    pioneira, chama-nos a aten&ccedil;&atilde;o o fato que, embora as quest&otilde;es    centrais da psican&aacute;lise estejam presentes, a rela&ccedil;&atilde;o entre    os mitos de origem e a sexualidade n&atilde;o &eacute; central nessa cultura.    Ao contr&aacute;rio: ainda que a sexualidade, sobretudo, na sua vertente incestuosa,    assim como o canibalismo, n&atilde;o esteja ausente da mitologia dessa cultura,    ela n&atilde;o &eacute; a respons&aacute;vel por qualquer forma de puni&ccedil;&atilde;o    participando, al&eacute;m disso, de forma positiva nos mitos fundadores. Ademais,    &eacute; interessante constatar que nas observa&ccedil;&otilde;es de Malinowski    sobre os habitantes das Ilhas Trobriands n&atilde;o existem relatos de comportamentos    sexuais que poderiam ser classificados de pervers&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mesmo observamos    a partir da leitura de alguns mitos ind&iacute;genas da Amaz&ocirc;nia. N&atilde;o    &eacute; nossa inten&ccedil;&atilde;o abordar de maneira exaustiva e sistem&aacute;tica    os relatos mitol&oacute;gicos desses povos, e as conclus&otilde;es &agrave;s    quais chegamos n&atilde;o podem evidentemente ser generalizadas. Posto isso,    nas obras consultadas (12;16;17;18;19;20;21;22;23;24), a sexualidade n&atilde;o    aparece nos mitos de origem como algo "negativo". Embora tabus e proibi&ccedil;&otilde;es    encontrem-se presentes, &agrave;s vezes, de forma bem mais r&iacute;gida que    na sociedade ocidental. O que est&aacute; em jogo, nesse caso, &eacute; o recalque    da sexualidade. No que diz respeito &agrave; repress&atilde;o, esta n&atilde;o    traz a marca do pecado e da transgress&atilde;o, a serem punidos de forma terr&iacute;vel    atrav&eacute;s das gera&ccedil;&otilde;es: o pecado original.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Prosseguindo a    minha reflex&atilde;o, pergunto: as pervers&otilde;es est&atilde;o presentes    em todas as culturas? A discuss&atilde;o sobre as organiza&ccedil;&otilde;es    perversas da sexualidade em si s&oacute; mereceriam todo um cap&iacute;tulo.    Para os prop&oacute;sitos deste texto, limitar-me-ei &agrave;s pervers&otilde;es    descritas por Freud nos <i>Tr&ecirc;s ensaios</i> em que ele as define como    uma "fixa&ccedil;&atilde;o da libido", e o subsequente retorno aos pontos de    fixa&ccedil;&atilde;o. Trata-se de um desenvolvimento exagerado de uma puls&atilde;o    parcial: ao inv&eacute;s de encontrar satisfa&ccedil;&atilde;o em um prazer    preliminar como puls&atilde;o componente, ela escapa &agrave; primazia genital    tornando-se a principal forma de satisfa&ccedil;&atilde;o. Ora, embora a din&acirc;mica    pulsional respons&aacute;vel para a fixa&ccedil;&atilde;o da libido em uma forma    de prazer deva ser entendida na particularidade de cada caso, podemos supor    que a repress&atilde;o da sexualidade participe nesse processo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se, como diz Freud    (25) em <i>O mal-estar na cultura</i>, o destino do indiv&iacute;duo n&atilde;o    pode ser estudado fora da comunidade na qual ele se insere, acredito que algumas    formas de pervers&otilde;es sejam consequ&ecirc;n-cia de como a repress&atilde;o    sexual atua na cultura ocidental. Isto &eacute;: quanto mais repressora for    a sociedade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es da    sexualidade, mais ela produz pontos de fixa&ccedil;&atilde;o da puls&atilde;o.    Por exemplo, quando uma crian&ccedil;a, durante o processo de descoberta e erotiza&ccedil;&atilde;o    do corpo pr&oacute;prio, &eacute; informada de que certas partes desse corpo    n&atilde;o podem ser tocadas e, &agrave;s vezes, nem mesmo nomeadas, o risco    de fixa&ccedil;&atilde;o da libido &eacute; grande. A maneira como alguns adultos    traduzem as brincadeiras infantis, devido a problemas com a sua pr&oacute;pria    sexualidade, pode criar pontos de fixa&ccedil;&atilde;o da libido. &Eacute;    assim que, do ponto de vista da din&acirc;mica pulsional, a pedofilia pode ser    entendida como duas "crian&ccedil;as" em plena brincadeira infantil. O que transforma    essa pr&aacute;tica sexual em pervers&atilde;o &eacute; que um dos protagonistas    da cena imp&otilde;e &agrave; crian&ccedil;a algo que n&atilde;o faz parte de    seu universo fantasm&aacute;tico naquele momento, o que pode levar a um excesso    pulsional que provoca no Eu em desenvolvimento um transbordamento de excita&ccedil;&atilde;o    com o qual a crian&ccedil;a n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de lidar.    O mesmo vale para as formas de "educa&ccedil;&atilde;o" que visam alertar os    jovens contra poss&iacute;veis ass&eacute;dios sexuais: o verdadeiro ass&eacute;dio    pode estar na forma de conduzir a quest&atilde;o, no sentido discutido por Sand&oacute;r    Ferenczi (26) em seu texto <i>Confus&atilde;o de l&iacute;nguas entre o adulto    e a crian&ccedil;a</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Max Weber, em seu    trabalho de refer&ecirc;ncia, intitulado <i>&Eacute;tica protestante e o esp&iacute;rito    do capitalismo</i>, nos d&aacute; algumas pistas que confortam a nossa hip&oacute;tese.    Segundo ele, a repress&atilde;o da sexualidade &eacute; necess&aacute;ria para    a produ&ccedil;&atilde;o capitalista: "contra todas as tenta&ccedil;&otilde;es    sexuais, da mesma forma que contra as d&uacute;vidas religiosas ou o sentimento    de indignidade moral, al&eacute;m de uma alimenta&ccedil;&atilde;o frugal e    a supress&atilde;o de carne e banhos frios, temos ainda o preceito: 'trabalhe    com afinco para as suas necessidades'" (27). Em termos psicanal&iacute;ticos:    reprima a sexualidade para que ela seja reutilizada, via sublima&ccedil;&atilde;o,    para a produ&ccedil;&atilde;o capitalista. Para Weber, a interpreta&ccedil;&atilde;o    racional da vida sexual teria gerado uma forma de refinamento, e uma impregna&ccedil;&atilde;o    espiritual e &eacute;tica nas rela&ccedil;&otilde;es do casal, levando ao surgimento    de um cavalheirismo conjugal. Acredito que o cavalheirismo conjugal n&atilde;o    poderia acontecer sem um r&iacute;gido controle da sexualidade via repress&atilde;o.    As correntes libidinais reprimidas fazem retorno expressando-se em solu&ccedil;&otilde;es    perversas da sexualidade (28).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; assim    que procuro entender, como tive a oportunidade de discutir em um trabalho anterior    (29), a que ponto a moral sexual civilizada continua em pleno vigor nas in&uacute;meras    vers&otilde;es do "politicamente correto", que transforma atos banais em ass&eacute;dio    sexual.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O</b>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando os mitos    de origem separam "bem" e "mal" de forma clara, a formula&ccedil;&atilde;o do    conceito do normal e do patol&oacute;gico ser&aacute; mais r&iacute;gida, e    os desvios perversos mais frequentes. A dicotomia radical entre "bem" e "mal",    que reflete a efra&ccedil;&atilde;o de Eros e T&acirc;natos, &eacute; retratada    de forma exemplar nas posi&ccedil;&otilde;es fundamentalistas: n&oacute;s somos    o bem e eles o mal (demon&iacute;acos); o bem deve levantar-se contra o "eixo    do mal". As tentativas de fixar as puls&otilde;es em formas ideologicamente    predeterminadas de satisfa&ccedil;&atilde;o servem a T&acirc;natos, na medida    em que uma pretensa liga&ccedil;&atilde;o completa em nome da puls&atilde;o    de vida, leva &agrave; morte, pois nenhum espa&ccedil;o &eacute; deixado para    a circula&ccedil;&atilde;o pulsional (30). A maior ou menor rigidez do sistema    de valores de uma dada sociedade &eacute; tribut&aacute;ria da rigidez pulsional    da mitologia de origem desta sociedade. Uma sociedade na qual os deuses s&atilde;o    mais "humanos" &eacute; menos repressora do que aquela que cobra de seus membros    um alt&iacute;ssimo pre&ccedil;o por terem sido criados "&agrave; imagem e semelhan&ccedil;a    de Deus".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora n&atilde;o    haja como escapar de uma mitologia que nos informe sobre nossas origens, n&atilde;o    podemos nos esquecer que estamos lidando com um relato imagin&aacute;rio que    nos permite falar do antes; falar dos elementos a partir dos quais a ordem simb&oacute;lica    se organizou sem que, no entanto, exista uma forma &uacute;nica de organiza&ccedil;&atilde;o    desta ordem: tratar um determinado arranjo simb&oacute;lico como &uacute;nico    &eacute; esquecer que os elementos que utilizamos para organizar o caos s&atilde;o    sempre mitol&oacute;gicos. Transform&aacute;-lo em verdade impede o nascimento    do pensamento cr&iacute;tico (31). Ouvir o discurso sobre as paix&otilde;es    que amimam a alma humana (<i>seelischer Apparat</i>) dentro de um s&oacute;    modelo &eacute; esquecer que o padecer s&oacute; pode ser totalmente compreendido    quando levamos em conta a particularidade da cultura onde ele emerge, isto &eacute;,    a transculturalidade das formas de subjetiva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS    BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Muito deste    trabalho se deve &agrave;s minhas in&uacute;meras idas &agrave; Bel&eacute;m,    e &agrave;s interlocu&ccedil;&otilde;es transdisciplinares que pude estabelecer    com profissionais de diferentes &aacute;reas. Em todas as idas, sempre tive    o carinhoso acolhimento dos colegas e da cidade. A todas e a todos o meu reconhecimento    e agradecimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. Ceccarelli P.    R.; Lindenmeyer, C. "Traumatisme et sexualit&eacute;". <i>In: Recherches en    psychanalyse.</i> Vol.5. pp.111-118. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Ceccarelli,    P. R. "Mitologia e processos identificat&oacute;rios". <i>In: Tempo psicanal&iacute;tico.</i>    Vol.39. Rio de Janeiro, pp.179-193. Editora: Sociedade de Psican&aacute;lise    Iracy Doyle (SPID) 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_______ "Mythologie    et normalit&eacute;". <i>In: Bulletin du Centre de Recherche in Psychologie.</i>    UBO: Brest. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. Godelier, M.    <i>Au fondement des soci&eacute;t&eacute;s humaines: ce qui nos apprend d'anthropologie.</i>    Paris: Albin Michel, 2007.     Como Godelier, utilizo a palavra "cultura" para designar    "o conjunto de representa&ccedil;&otilde;es e de princ&iacute;pios que organizam    conscientemente os diferentes dom&iacute;nios da vida social assim como os valores    decorrentes dessas maneiras de agir e de pensar", p.96. 2007.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. Freud, S. (1908).    "Moral sexual civilizada e doen&ccedil;a nervosa moderna". <i>Edi&ccedil;&atilde;o    standard brasileira das Obras Completas</i>.Vol. IX. Rio de Janeiro: Imago,    p.192. 1976.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6. Freud, S. <i>op.    cit</i>. p.197. 1908.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7. Freud, S. <i>op.    cit</i>. p.191. 1908.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8. Godelier, M.    <i>op. cit.</i> p.55. 2007.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9. Lemoine, J.    "Mythes d'origine, mythes d'identification".<i> In: L'homme</i>. Vol.27, no.101,    pp.58-85. 1987.     Em muitos mitos, o casal original &eacute; incestuoso, composto    de um indiv&iacute;duo, ou de um grupo, e de um parente pr&oacute;ximo. A quest&atilde;o    central do relato m&iacute;tico &eacute; explicar a passagem da forma de organiza&ccedil;&atilde;o    incestuosa &agrave;s sociedades dominadas pela proibi&ccedil;&atilde;o do incesto.    &Agrave;s vezes, essa passagem &eacute; marcada pelo dil&uacute;vio: a humanidade    morre, com exce&ccedil;&atilde;o de um casal que vai reconstru&iacute;-la. A    fim de evitar que a nova humanidade fosse igualmente incestuosa, posto que o    casal que sobreviveu era incestuoso, o sobrevivente casava-se com uma filha    do c&eacute;u. Na China, o ciclo m&iacute;tico de Fu Xi et N&uuml; Gua oferece    os elementos para a compreens&atilde;o do contrato social.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10. Freud, S. (1921).    "Psicologia de grupo e a an&aacute;lise do ego". <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard    brasileira das Obras Completas</i>.Vol. XVII. Rio de Janeiro: Imago. p.91. 1976.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11. Ao analisarmos    os discursos oriundos de universos diversos, a&iacute; inclu&iacute;do o psicanal&iacute;tico,    que salientam consequ&ecirc;ncias catastr&oacute;ficas no tecido social trazidas    pelas novas organiza&ccedil;&otilde;es familiares, pelas mudan&ccedil;as culturais    relativas aos movimentos das sexualidades e das rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero,    n&atilde;o nos passa despercebida a presen&ccedil;a dos mitos de origem da cultura    ocidental na base dos argumentos apresentados.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">12. Gregor, T.    <i>Anxious pleasures: the sexual lives of an Amazonian people.</i> Illinois:    The University of Chicago Press. 1987.     A vida sexual dos Mehin&aacute;ku, um    grupo ind&iacute;gena que vive &agrave;s margens do rio Xingu no Brasil central,    &eacute; impressionante. Eles falam com entusiasmo e abertamente sobre todos    os aspectos do sexo, com um discurso compartilhado por todos. A realidade cotidiana    desses indiv&iacute;duos e a ordem sobrenatural que os regem - seus mitos -    s&atilde;o erotizados em um grau que chega a ser surpreendente sen&atilde;o    invej&aacute;vel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">13. Devereux, G.&nbsp;<i>Psychoth&eacute;rapie    d'un indien des Plaines</i>. Paris: Fayard. p.157. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">14. R&oacute;heim,    G. <i>Psychanalyse et anthropologie.</i> Paris: Gallimard. 1967.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">15. Malinowski,    B. (1921). <i>La sexualit&eacute; et sa r&eacute;pression dans les soci&eacute;t&eacute;s    primitives.</i> Paris: Payot. 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">16. Jecup&eacute;,    K-W. <i>A terra dos mil povos.</i> S&atilde;o Paulo: Petr&oacute;polis. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">17. Lopes da Silva,    A. "Mitos e cosmologias ind&iacute;genas no Brasil: breve introdu&ccedil;&atilde;o".    <i>In: Grupioni, L. D. B. &Iacute;ndios no Brasil.</i> SMCSP, pp.75-82. 1992.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">18. Lopes da Silva,    A. "Mito, raz&atilde;o, hist&oacute;ria e sociedade: inter-rela&ccedil;&otilde;es    nos universos socioculturais ind&iacute;genas". <i>In:</i> Grupioni, L. D. B.    &amp; Lopes da Silva, A., <i>A tem&aacute;tica ind&iacute;gena na escola.</i>    MEC/Mari-USP/Unesco, pp.317-335. 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">19. Mau&eacute;s,    R. H. <i>A ilha encantada: medicina e xamanismo numa comunidade de pescadores.</i>    Bel&eacute;m: Igarap&eacute;. 1990.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">20. Mindlin, B.    &amp; narradores Suru&iacute;. <i>Vozes da origem.</i> S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.    1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">21. Mindlin, B.    <i>Moqueca de maridos. Mitos er&oacute;ticos.</i> Rio de Janeiro: Rosas dos    Tempos. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">22. _________.    <i>O primeiro homem e outros mitos dos &iacute;ndios brasileiros.</i> S&atilde;o    Paulo: Cosacnaif. 2001.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">23. Mindlin, B.    &amp; narradores ind&iacute;genas. <i>Mitos ind&iacute;genas</i>. S&atilde;o    Paulo: &Aacute;tica. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">24. Ribeiro, D.    <i>Os &iacute;ndios e a civiliza&ccedil;&atilde;o.</i> S&atilde;o Paulo: Companhia    das Letras, 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">25. Freud, S. (1930    &#91;1929&#93;) "O mal-estar na civiliza&ccedil;&atilde;o". <i>Edi&ccedil;&atilde;o    standard brasileira das Obras Completas</i>. Vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago.    1976.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">26. Ferenczi, S.    (1932). "Confus&atilde;o de l&iacute;ngua entre os adultos e a crian&ccedil;a".    <i>In: Obras Completas IV</i>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes. pp.97-108.    1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">27. Weber, M. (1904)    <i>L'&eacute;tique protestante et l'esprit du capitalisme</i>. Paris: Flammarion,    pp.259-60. 2002.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">28. Regularmente    os jornais noticiam esc&acirc;ndalos sexuais, tais como as revela&ccedil;&otilde;es    de pedofilia na Igreja Cat&oacute;lica, que s&atilde;o, dentro da minha hip&oacute;tese,    uma forma de retorno do reprimido. Quanto mais repressora a sociedade, mais    riscos de derrapagens perversas.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">29. Ceccarelli,    P. R. "A nova ordem repressiva". <i>In: Revista Psicologia, Ci&ecirc;ncia e    Profiss&atilde;o</i>. 2010 (no prelo).    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">30. Os EEUU talvez    sejam o pa&iacute;s onde tanto bem e mal, quanto normal e patol&oacute;gico,    estejam mais claramente delimitados. Os DSMs ser&atilde;o um reflexo dessa ideologia?</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">31. Ceccarelli,    P. R. "Don Quixote e a transgress&atilde;o do saber". <i>In: Revista Mal-Estar    e Subjetividade</i> (9-3). Fortaleza, pp.879-899. Set. 2009.    </font></p>      ]]></body><back>
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