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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Multiv&iacute;duo    conectivo: Gregory Bateson</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Massimo Canevacci</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Docente de antropologia    cultural na Universidade de Roma La Sapienza, Faculdade de Ci&ecirc;ncias da    Comunica&ccedil;&atilde;o. Atualmente &eacute; professor na Universidade Federal    de Santa Catarina (UFSC)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O    SUBJETIVA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O meu itiner&aacute;rio    na antropologia cultural &eacute; obl&iacute;quo. Formei-me na Escola de Frankfurt,    com dedica&ccedil;&atilde;o particular &agrave; "dial&eacute;tica do Iluminismo.    Neste sentido, o conceito de cultura, no qual me iniciei, &eacute; aquele de    <i>Kultur</i>, isto &eacute;, a cultura human&iacute;stica, euroc&ecirc;ntrica,    aquela que se inicia com a filosofia grega e chega &agrave; cat&aacute;strofe    dos Estados autorit&aacute;rios. Uma cultura que tem necessidade de misturar    diversas disciplinas e que apresentava ent&atilde;o uma novidade fundamental:    a reflex&atilde;o filos&oacute;fica aplicada na pesquisa emp&iacute;rica. Uma    filosofia social cujo <i>telos</i> - o escopo final - consistia em transformar    o mundo segundo a c&eacute;lebre <i>XI Tese sobre Feuerbach</i>, de Karl Marx.    Depois, por um acaso, logo que me formei, o professor de antropologia cultural    me chamou para colaborar na faculdade de sociologia, pois queria conhecer a    nossa cultura antes de estudar a cultura dos outros. Nesse come&ccedil;o, e    devido a um novo acaso, fui convidado a ensinar no Brasil, em 1984, e o meu    ponto de vista come&ccedil;ou a mudar profundamente. Eu descentralizei a grande    cultura ocidental como uma das culturas e filosofias poss&iacute;veis. Deixei    dolorosamente, diria traumaticamente, a minha forma&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica:    foi um presente precioso que o Brasil me deu. Assim dei in&iacute;cio a uma    pesquisa espont&acirc;nea, e depois mais metodol&oacute;gica, sobre S&atilde;o    Paulo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sempre tive uma    paix&atilde;o irrefre&aacute;vel pelo cinema em particular e pela comunica&ccedil;&atilde;o    e as artes visuais em geral. Por isso, decidi realizar, fazendo uso de diversos    m&eacute;todos, uma pesquisa emp&iacute;rica sobre a comunica&ccedil;&atilde;o    visual na metr&oacute;pole de S&atilde;o Paulo. Utilizei para isso o conceito    de polifonia, que integrei ao t&iacute;tulo final de minha pesquisa: <i>A cidade    polif&ocirc;nica</i> (1) _ uma miscel&acirc;nea de escrita ensa&iacute;sta,    narrativa, etnopo&eacute;tica e imagens. Comecei essa pesquisa fotografando    alguns lugares de S&atilde;o Paulo, seguindo a hip&oacute;tese de quatro centros:    a Faria Lima chegando &agrave; avenida Berrini era uma possibilidade distante    e de interconex&atilde;o necess&aacute;ria e, para mim, ali emergia outro centro    de estilo p&oacute;s-industrial. Depois de fotografar alegorias, est&aacute;tuas    de pedra, seringueiras, trabalhadores da constru&ccedil;&atilde;o suspensos    em andaimes, evang&eacute;licos pregando na rua, elegi os grandes edif&iacute;cios    modernistas, aqueles da arquiteta modernista Lina Bo Bardi, que amo, desmistificando    a pir&acirc;mide da Fiesp na Paulista. Em suma, os trabalhos sobre e com as    imagens eram dial&oacute;gicos com a escrita.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Posteriormente,    e de novo por acaso, encontrei um cacique xavante - Domingos Mahoro'e'o -, que    me convidou para visitar sua aldeia. Ent&atilde;o, finalmente comecei a fazer    pesquisas ind&iacute;genas no Mato Grosso, entre os Xavantes e depois entre    os Bororos. Participar nos rituais xavantes de fura&ccedil;&atilde;o das orelhas    e no funeral bororo foram as experi&ecirc;ncias da minha vida. As imagens foram    sempre decisivas, mas, para minha grande surpresa, no come&ccedil;o eram como    um desafio e se transformaram em um prazer. Entre essas duas culturas, havia    pessoas como Divino (xavante) e Paulinho ( bororo) que usaram o v&iacute;deo.    Da&iacute; a minha posi&ccedil;&atilde;o atual com base na autorrepresenta&ccedil;&atilde;o    (2), ou melhor, em uma tens&atilde;o dial&oacute;gica e at&eacute; em conflitos    entre auto e heterorrepresenta&ccedil;&atilde;o. No fim de meu atual projeto,    o pressuposto que considero fundamental para muitos pontos de vista &eacute;    a rela&ccedil;&atilde;o aldeia-metr&oacute;pole. Ou seja, uma etnografia que    transita entre as culturas ind&iacute;genas e urbanas para encontrar pontos    de contato ou de diferen&ccedil;a, de conflito, de sincretismo cultural. Assim,    comunica&ccedil;&atilde;o-cultura-consumo desempenham um papel sempre mais importante    na metr&oacute;pole contempor&acirc;nea e, simetricamente, o conceito de moderno    est&aacute; em evidente decl&iacute;nio.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>BATESON: ETN&Oacute;GRAFO    DA COMPLEXIDADE</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por tudo isso,    meu trabalho &eacute; diretamente influenciado pelo antrop&oacute;logo brit&acirc;nico    Gregory Bateson. Admiro-o e, ao mesmo tempo, tento identificar algumas limita&ccedil;&otilde;es    em seu contexto hist&oacute;rico e cultural. O livro de autoria de Bateson que    mais me impressionou foi <i>Balinese character</i> (3) - na minha opini&atilde;o,    a melhor pesquisa etnogr&aacute;fica j&aacute; realizada com uma c&acirc;mara    de filmar e fotografar. Insuper&aacute;vel. O conceito de uma sequ&ecirc;ncia    que define um tra&ccedil;o cultural (por exemplo, o aleitamento ou o transe)    constitui a base para minha pesquisa e meu ensino. Sempre que o mostro, na sala    de aula forma-se um sil&ecirc;ncio atento para o processo de investiga&ccedil;&atilde;o,    ponto de partida para o desenvolvimento posterior de conceitos fundamentais,    como o duplo v&iacute;nculo (<i>double bind</i>) e a ecologia da mente. O primeiro    conceito - o duplo v&iacute;nculo - foi especialmente aplicado &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o    visual, por meio da publicidade, da internet, do cinema e da pol&iacute;tica.    Trata-se de um conceito que perpassa a psicologia, a etnografia, a comunica&ccedil;&atilde;o,    com um projeto de liberta&ccedil;&atilde;o. Todos os alunos, inclusive eu, est&atilde;o    cheios de duplos v&iacute;nculos. Fix&aacute;-los e tentar dissolv&ecirc;-los    criativamente &eacute; a grande li&ccedil;&atilde;o de Bateson que tento aplicar    nos fetichismos visuais atuais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; <i>Ecologia    da mente</i> (4) &eacute; mais articulado: h&aacute; muitas limita&ccedil;&otilde;es    gen&eacute;ricas que se tornam estilos comuns, como o filme <i>Avatar</i> (2009),    de James Cameron, no qual alguns cr&iacute;ticos (e n&atilde;o s&oacute;) conseguiram    enxergar algo de Bateson. E, talvez, estejam certos, o que se deve tamb&eacute;m    a ele. A trama que liga (<i>patterns which connects</i>) &eacute; sem d&uacute;vida    importante, embora descambe facilmente para um <i>hippie</i> m&iacute;stico    zen, <i>trip-ayuasca</i>, uga-uga e coisas do tipo. Isso me deixa desconfiado    em rela&ccedil;&atilde;o ao seu conceito de hol&iacute;stico, que considero    perigos&iacute;ssimo: a totalidade inclui e explica uma parte ou os diversos    elementos emp&iacute;ricos. Em todo caso, reivindico a subjetividade - de um    novo tipo a que chamo de multiv&iacute;duo - como n&atilde;o unific&aacute;vel    em uma totalidade ecol&oacute;gica. Este &eacute; um erro de Bateson: a ansiedade    de perder a si mesmo ou unific&aacute;-lo holisticamente com o todo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bateson me influenciou    na percep&ccedil;&atilde;o da liga&ccedil;&atilde;o entre etnografia e cultura    digital: a sua participa&ccedil;&atilde;o no nascimento da cibern&eacute;tica,    juntamente com Norbert Wiener, foi muito importante. Da&iacute; a minha pesquisa    sobre a internet e o sincretismo digital. Queria sublinhar que a cultura digital    tem uma hist&oacute;ria que sempre esteve interligada &agrave; antropologia.    E o autor de refer&ecirc;ncia nessa conex&atilde;o &eacute; Bateson.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na entrevista realizada    por Steward Brand, publicada em <i>Per l'amor di Dio, Margaret!</i> (5), Bateson    revela a escolha de colaborar com o fundador da cibern&eacute;tica, Wiener,    no ano de 1946, quando, ent&atilde;o, abandonou a "disciplina" por incluir a    cibern&eacute;tica na &aacute;rea da antropologia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bateson j&aacute;    tinha elaborado nos anos 1930 o conceito de <i>schismogenesis</i> (cismog&ecirc;nese,    que vem do grego: <i>schisma</i> = "divis&atilde;o" + <i>genesis</i> = "nascimento")    durante suas primeiras pesquisas etnogr&aacute;ficas em Nova Guin&eacute;; para    ele, os processos comportamentais e interativos no interior de um grupo em rela&ccedil;&atilde;o    ao <i>ethos</i> (como uma cultura enfrenta e resolve as emo&ccedil;&otilde;es)    podem favorecer a competi&ccedil;&atilde;o ou rivalidade e tamb&eacute;m a inibi&ccedil;&atilde;o    ou submiss&atilde;o. Ambas poderiam ser autodestrutivas devido &agrave; exist&ecirc;ncia    de duas fac&ccedil;&otilde;es internas ao grupo, ou resolver-se numa divis&atilde;o    mais ou menos dram&aacute;tica - por isso criam-se mecanismos de autocorre&ccedil;&atilde;o    que freiam as rela&ccedil;&otilde;es de tipo conflitual. Assim, quero sublinhar    a import&acirc;ncia n&atilde;o s&oacute; conceitual, como tamb&eacute;m pragm&aacute;tica    da rela&ccedil;&atilde;o entre cismog&ecirc;nese e autocorre&ccedil;&atilde;o:    dez anos depois e por outros itiner&aacute;rios epistemol&oacute;gicos, Norbert    Wiener elabora o modelo de retroa&ccedil;&atilde;o - o <i>feedback</i> -, semelhante    ao modelo de autocorre&ccedil;&atilde;o cismogen&eacute;tica. Tudo isso indica    uma alian&ccedil;a profunda, ou conex&otilde;es psicoculturais, entre -<i>feedback</i>    e <i>schismogenesis</i>, na dire&ccedil;&atilde;o de verificar como as tecnologias    podem ser aplicadas na cria&ccedil;&atilde;o de projetos por meio da primeira    intelig&ecirc;ncia artificial. E justamente a cibern&eacute;tica nasce do encontro    entre um pesquisador etnogr&aacute;fico isolado, Bateson, e uma equipe de pesquisadores    inform&aacute;ticos, Wiener. Tal alian&ccedil;a entre as chamadas duas culturas    - cient&iacute;fica e human&iacute;stica, segundo Charles P. Snow torna-se ainda    mais significativa, enquanto Bateson e Wiener criticam os cientistas que isolam    o <i>input-output</i> sem retroa&ccedil;&atilde;o, analisando o "objeto" ficando    fora dele. Wiener e Bateson utilizam a met&aacute;fora da caixa (<i>box</i>):    o cientista precisa ficar dentro da caixa, isto &eacute;, fora da met&aacute;fora,    no interior do <i>fieldwork</i> etnogr&aacute;fico. E esse <i>fieldwork</i>    apresenta afinidades (n&atilde;o identidade!) entre o <i>ethos</i> do Iatmul    na Nova Guin&eacute; e a intelig&ecirc;ncia artificial na cibern&eacute;tica,    baseados na autocorre&ccedil;&atilde;o. Quero novamente ressaltar que essas    metodologias etnogr&aacute;ficas s&atilde;o muito parecidas com aquela da psican&aacute;lise.    O psicanalista precisa ficar dentro da rela&ccedil;&atilde;o com o paciente,    n&atilde;o pode observ&aacute;-lo ou escut&aacute;-lo de fora. A caixa &eacute;    igualmente o <i>setting</i> psicanal&iacute;tico onde se cria uma cont&iacute;nua    retroa&ccedil;&atilde;o autocorretiva entre os dois sujeitos envolvidos. O <i>feedback</i>    envolve n&atilde;o s&oacute; o psicanalista como tamb&eacute;m o paciente, e    as metodologias psicanal&iacute;ticas traduzem esse <i>feedback</i> em seus    pr&oacute;prios conceitos (como, por exemplo, no de transfer&ecirc;ncia e contratransfer&ecirc;ncia).    Rec&iacute;procas autocorre&ccedil;&otilde;es criam um complexo v&iacute;nculo    na dupla durante o "intermin&aacute;vel" processo terap&ecirc;utico, e, assim,    se apresenta o novo conceito, elaborado mais recentemente, que tornou o pensamento    de Bateson fundamental: aquele de complexidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Von Foerster explica:    "O que se precisa agora &eacute; uma descri&ccedil;&atilde;o do descritor; ou,    em outras palavras, precisamos de uma teoria do observador" (6); isso significa    uma alian&ccedil;a necess&aacute;ria e ainda mais profunda e complexa entre    antropologia e psican&aacute;lise, no contexto do desafio transdisciplinar da    complexidade. Descrever, interpretar e transformar o descritor. E, se um cientista    "exato" fala assim, parece-me que essa alian&ccedil;a j&aacute; est&aacute;    profunda e posta em pr&aacute;tica. O que ainda hoje precisa ser colocado na    caixa &eacute; a descri&ccedil;&atilde;o do observador, seja ele etn&oacute;grafo,    psicanalista ou epistem&oacute;logo: isso para mim significa aprender a fazer    pesquisa com (e n&atilde;o sobre) o sujeito envolvido no processo emp&iacute;rico,    seja ele nativo, paciente ou s&iacute;ncrotron (acelerador de part&iacute;culas    nucleares). A descri&ccedil;&atilde;o do descritor &eacute; uma mudan&ccedil;a    de cultura epistemol&oacute;gica, comunicacional e pol&iacute;tica que envolve,    no processo compositivo ou terap&ecirc;utico, cada sujeito da pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tudo isso tem de    ser aplicado tamb&eacute;m na cultura digital. Das conex&otilde;es e infus&otilde;es    entre etnografia, psican&aacute;lise e cibern&eacute;tica - uma psicoetnografia    da <i>web</i> - nascem as possibilidades de transformar a internet em uma "coisa"    ainda mais ampla: a composi&ccedil;&atilde;o do sujeito contempor&acirc;neo.    Assim, agora se apresenta o problema n&atilde;o resolvido - pol&iacute;tico    e epist&ecirc;mico - dos softwares produzidos como resultado de elabora&ccedil;&otilde;es    inform&aacute;ticas. E uma nova elabora&ccedil;&atilde;o de software n&atilde;o    baseada sobre a l&oacute;gica bin&aacute;ria poderia ser produzida a partir    dessa alian&ccedil;a da complexidade transdisciplinar. E ter&iacute;amos o digital    cruzando a etnografia, a psican&aacute;lise e a comunica&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por isso, as disciplinas    teriam de se conectar por meio dos fluxos da comunica&ccedil;&atilde;o digital;    e a alian&ccedil;a com os profissionais da inform&aacute;tica - frequentemente    fechados, como muitos cientistas sociais, em mundos encastelados - poderia favorecer    solu&ccedil;&otilde;es progressivas al&eacute;m da web 2.0, importante pela    <i>social network</i>, mas ainda centralista, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;    web 3.0, um software mais descentrado e pluralista. &Eacute; necess&aacute;rio,    portanto, dissolver os poderes econ&ocirc;micos da web 2.0; envolver cada cibernauta    nos processos de elabora&ccedil;&atilde;o multil&oacute;gicos e multissensoriais;    favorecer um processo de <i>autopoiesi</i> por cada sujeito multividual. A alian&ccedil;a    entre etnografia e psican&aacute;lise atual precisa enfrentar tamb&eacute;m    - &agrave;s vezes, principalmente - essa nova composi&ccedil;&atilde;o do multiv&iacute;duo    digital, a rela&ccedil;&atilde;o entre novas patologias e inova&ccedil;&otilde;es    comunicacionais libertadoras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu li <i>Naven</i>    (7), outro livro de Bateson, em 1988 e, desde o in&iacute;cio, essa obra influenciou    minha cidade polif&ocirc;nica: sua concentra&ccedil;&atilde;o de escolha metodol&oacute;gica    foi voltar ao mesmo ritual, com pontos de vista disciplinar e oticamente diferenciados,    numa diferencia&ccedil;&atilde;o epist&ecirc;mica sem fim, enquanto um fato    emp&iacute;rico como um ritual nunca poderia ser compreendido em sua totalidade    atrav&eacute;s de um m&eacute;todo ou uma monoescritura. Em suma, a multiplica&ccedil;&atilde;o    de pontos de vista dos pesquisadores sobre o pr&oacute;prio objeto de pesquisa    tem sido decisiva.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Devo dizer que,    devido a isso, se desenvolveu em mim a necessidade de ver a dimens&atilde;o    subjetiva do objeto, para dar voz &agrave; individualidade que a antropologia    cultural, mesmo que batesoniana, silencia, ignora ou at&eacute; mesmo remove.    Minha inten&ccedil;&atilde;o &eacute; encontrar a individualidade no trabalho    de campo, ainda que sem nome e voz. Neste sentido, o excesso de "objetivismo"    ligado ao excesso de um naturalismo transcendente &eacute; o seu limite. Como    j&aacute; mencionado, o conceito de <i>ethos</i> - de que forma as emo&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o produzidas, fixadas e modificadas culturalmente - &eacute; outra    importante categoria aplicada &agrave; pesquisa e ao pesquisador. O estudo etnogr&aacute;fico    das emo&ccedil;&otilde;es e dos desvios patol&oacute;gicos comunicacionais &eacute;    um dos grandes m&eacute;ritos de Bateson, fato que provocou a dura cr&iacute;tica    de um Malinowski bloqueado no funcionalismo, e que favoreceu a sucessiva pesquisa    sobre o duplo v&iacute;nculo e a esquizofrenia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Naven</i> contribuiu    para a crise da objetividade na pesquisa, para a aproxima&ccedil;&atilde;o constante    a um n&uacute;cleo de verdade etnogr&aacute;fica que sempre foge, que ir&aacute;    se mover cada vez para mais longe, enquanto o mesmo ritual e as pessoas que    o praticam mudam, assim como o sujeito que faz a pesquisa &eacute; sempre diferente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enfim, a etnografia    &eacute; acab&aacute;vel e inacab&aacute;vel, como diria Freud para a psican&aacute;lise.    Talvez se possa afirmar que Bateson se sentisse limitado pela disciplina, motivo    pelo qual teria influenciado muitas pessoas que n&atilde;o se tornaram antrop&oacute;logos    no sentido restrito. Na minha experi&ecirc;ncia, posso dizer que ele me influenciou    profundamente, que a leitura e a vis&atilde;o atenta de <i>Naven</i>, de <i>Balinese    character</i> e de <i>Ecologia da mente</i> me formaram.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Devo mencionar    tamb&eacute;m um autor contempor&acirc;neo de Bateson, totalmente diferente    dele, com o qual nunca se encontrou f&iacute;sica nem cientificamente; refiro-me    a Walter Benjamin. Aqui sinalizo outro aspecto metodol&oacute;gico inerente    a ambos, al&eacute;m de um certo "misticismo imanente". Bateson diz no c&eacute;lebre    posf&aacute;cio de <i>Naven</i> que o m&eacute;todo est&aacute; em colocar junto    os dados - o que &eacute; fundamental em toda pesquisa contempor&acirc;nea,    eu acho. Benjamin, mais sens&iacute;vel ao cinema e &agrave; tecnologia reproduz&iacute;vel,    afirmava que o m&eacute;todo est&aacute; na montagem. Portanto, a composi&ccedil;&atilde;o    &eacute; para mim o conceito mais adequado ao lugar da escrita, a fim de dar    sentido &agrave; pesquisa de campo: uma montagem de fragmentos escritos, ensa&iacute;sticos,    liter&aacute;rios, po&eacute;ticos, ic&ocirc;nicos, s&ocirc;nicos para a qual    uma composi&ccedil;&atilde;o fluida consegue dar um sentido parcial e tempor&acirc;neo,    obl&iacute;quo e profundo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>METR&Oacute;POLE    COMUNICACIONAL</b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O problema transdisciplinar    fundamental da comunica&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea &eacute; verificar    pragm&aacute;tica e etnograficamente a transi&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o    anal&oacute;gica para a digital:</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">a) Na dimens&atilde;o    anal&oacute;gica, o coletivo parece funcionar de maneira parcial e problem&aacute;tica.    A sua composi&ccedil;&atilde;o sociopol&iacute;tica, que reassume a pol&iacute;tica    urbana e a dial&eacute;tica na modernidade industrialista, come&ccedil;ou a    perder significado a partir da mudan&ccedil;a da forma cl&aacute;ssica da cidade    e do crescente desenvolvimento das novas tecnologias produtivas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">b) As dimens&otilde;es    digitais do conectivo caracterizam de modo mais acentuado esse processo, que    numa dimens&atilde;o in&eacute;dita mistura cultura e comunica&ccedil;&atilde;o.    Essa mudan&ccedil;a processual coloca em crise a perspectiva coletiva e, em    consequ&ecirc;ncia, afirma processos conectivos que favorecem a liberta&ccedil;&atilde;o    de uma individualidade tendencialmente fluida. Conectar significa verificar    a hip&oacute;tese de que uma pessoa possa conectar-se no mesmo momento com pessoas    diferenciadas nos espa&ccedil;os-tempos, transitando, apesar de fisicamente    ficar im&oacute;vel, num cron&oacute;topo polif&ocirc;nico e h&iacute;brido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tudo isso significa    que a pol&iacute;tica est&aacute; mudando profundamente e que as formas contempor&acirc;neas    das pol&iacute;ticas t&ecirc;m de incorporar a comunica&ccedil;&atilde;o digital    como constituinte de uma nova cidadania. Uma cidadania transitiva determinada    pelo Estado-Na&ccedil;&atilde;o e flutuante entre os <i>e-spaces</i> - espa&ccedil;os    eletr&ocirc;nicos materiais e imateriais - que nos interconectam nos fragmentos    das metr&oacute;poles comunicacionais, onde as cl&aacute;ssicas taxonomias identit&aacute;rias    de classes sociais, g&ecirc;nero, idade, etnicidade e territ&oacute;rio entram    em crise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse processo,    que se iniciou, mais ou menos nos anos 1970, n&atilde;o s&oacute; no mundo ocidental,    manifesta a transi&ccedil;&atilde;o da cidade industrial para a metr&oacute;pole    comunicacional. Isto &eacute;, a cidade industrial tinha como momento central    a f&aacute;brica, lugar de produ&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do valor de    troca, e tamb&eacute;m de produ&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Centro do    conflito, compunha o contexto em que se desenvolveu a forma mais poderosa da    l&oacute;gica, isto &eacute;, a dial&eacute;tica e a forma&ccedil;&atilde;o    dos partidos e sindicatos. A f&aacute;brica dava, ent&atilde;o, o sentido da    transforma&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, cultural e sociol&oacute;gica da    cidade. E naquela &eacute;poca era poss&iacute;vel entend&ecirc;-la imanentemente    relacionada &agrave; produ&ccedil;&atilde;o industrial. Assistimos nos &uacute;ltimos    trinta anos a um processo lento, um processo que ainda n&atilde;o acabou: a    transforma&ccedil;&atilde;o desse centro num policentro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse conceito indica    que consumo, comunica&ccedil;&atilde;o e cultura assumiram uma import&acirc;ncia    mais interconectada &agrave; tradicional produ&ccedil;&atilde;o. Trata-se de    um tr&iacute;ptico que desenvolve um tipo de p&uacute;blico diferente daquele    homog&ecirc;neo e massificado da era industrial: &eacute; um p&uacute;blico    muito mais pluralizado ou, poder&iacute;amos dizer, s&atilde;o p&uacute;blicos.    E eles gostam de desempenhar um papel nos contextos que envolvem consumo-comunica&ccedil;&atilde;o-cultura.    Tudo isso tem uma import&acirc;ncia semelhante &agrave; da f&aacute;brica em    plena era industrialista; e &eacute; por isso que precisamos estudar, pesquisar    e, tamb&eacute;m, transformar os espa&ccedil;os do consumo-comunica&ccedil;&atilde;o-cultura    desenvolvidos pela metr&oacute;pole comunicacional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E a comunica&ccedil;&atilde;o    na era digital &eacute; ainda mais importante, seja pelo aspecto produtivo,    seja pelo aspecto de valores, de comportamento, da maneira de falar, de estabelecer    uma rela&ccedil;&atilde;o com o corpo e com a sua identidade. A cultura como    estilo de vida &eacute; cada vez mais parte constituinte da vida cotidiana da    nova metr&oacute;pole. E, para entend&ecirc;-la, &eacute; fundamental olhar    o tipo de reforma empreendida, n&atilde;o somente urban&iacute;stica, mas de    pr&eacute;dio, de loja, de espa&ccedil;os expositivos, de museus que t&ecirc;m    como forma arquitet&ocirc;nica um desenho e, tamb&eacute;m, uma l&oacute;gica    p&oacute;s-euclidiana. Se uma pesquisa lan&ccedil;a seu olhar sobre a grande    &aacute;rea metropolitana do mundo <i>sprawl</i>, conurba&ccedil;&atilde;o,    tem-se um desafio glocal - global e local - que parece estagnado no Brasil,    cujas &aacute;reas metropolitanas, como S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, disp&otilde;em    de uma arquitetura adequada &agrave; contemporaneidade, se comparadas com Xangai,    Chicago, Londres, Berlim, Abu Dhabi, entre outras metr&oacute;poles. A hip&oacute;tese    aqui consiste em verificar as motiva&ccedil;&otilde;es complexas da cultura    visual arquitet&ocirc;nica no Brasil - modernista, brutalista ou minimalista    - e a atual (infeliz!) inexist&ecirc;ncia de fluxos que desenvolvam formas l&oacute;gicas    inovadoras, capazes de favorecer uma percep&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea    da identidade, que permite elaborar configura&ccedil;&otilde;es sensoriais inovadoras.    Esse tipo de transi&ccedil;&atilde;o revela n&atilde;o apenas que o territ&oacute;rio    n&atilde;o &eacute; mais como antes, mas tamb&eacute;m que a etnicidade, a sexualidade,    a fam&iacute;lia, a identidade s&atilde;o muito mais pluralizadas e inst&aacute;veis    do que se percebe. &Eacute; raro que uma pessoa possa executar um tipo de trabalho    por toda a vida, que permane&ccedil;a no mesmo territ&oacute;rio, que tenha    a mesma fam&iacute;lia; e esse tipo de flexibilidade &eacute; parte constitutiva    do conflito e da mudan&ccedil;a contempor&acirc;neos. E a quest&atilde;o da    cultura e da comunica&ccedil;&atilde;o digital &eacute; fundamental nesse processo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, verificar    etnograficamente as modalidades complexas e flutuantes da transi&ccedil;&atilde;o    em dire&ccedil;&atilde;o da metr&oacute;pole comunicacional significa determinar    como o tr&iacute;ptico consumo-comunica&ccedil;&atilde;o-cultura produz valores    tanto no sentido econ&ocirc;mico como no sentido antropol&oacute;gico: vis&atilde;o    do mundo, estilos de vida, linguagem corporal etc. Certamente a dimens&atilde;o    industrial ainda &eacute; significativa, embora n&atilde;o se mostre mais central    como na cidade moderna; o cruzamento entre comunica&ccedil;&atilde;o e tecnologia    digital favorece um tipo de transforma&ccedil;&atilde;o profunda na metr&oacute;pole.    A metr&oacute;pole comunicacional n&atilde;o &eacute; mais baseada apenas na    rela&ccedil;&atilde;o entre Estado e Na&ccedil;&atilde;o; ela est&aacute; prioritariamente    interconectada com outras &aacute;reas metropolitanas globalizadas. Fundamentalmente    s&atilde;o grandes &aacute;reas metropolitanas e comunicacionais que competem    entre si e que desenvolvem estilos diferenciados que favorecem esse tipo de    transi&ccedil;&atilde;o profunda.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A metr&oacute;pole    comunicacional individualiza, no contexto transurbano, a possibilidade de experimentar    l&oacute;gicas plurais e conceitos sensoriais numa cultura urbana e num sujeito-multiv&iacute;duo.    A metr&oacute;pole moderna era industrialista e a p&oacute;s-moderna, exemplificada    por Las Vegas, podia s&oacute; "remixar" os signos do passado, porque tudo parecia    j&aacute; ter sido inventado. Por&eacute;m, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas    emergiu a arquitetura p&oacute;s-euclidiana, at&eacute; ent&atilde;o jamais    imaginada (a hist&oacute;ria n&atilde;o acabou), em que &eacute; poss&iacute;vel    executar projetos gra&ccedil;as &agrave; alian&ccedil;a entre tecnologias e    materiais de constru&ccedil;&atilde;o digitais. Assim, o dualismo cl&aacute;ssico    material/imaterial &eacute; superado em face da cultura digital e, &agrave;s    vezes, a arquitetura contempor&acirc;nea consegue antecipar novas sensibilidades:    &eacute; suficiente olhar Dubai ou Xangai, a Concert Hall em Hamburgo ou a Tate    Modern 1 e 2 em Londres, de Herzog &amp; DeMeuron. Simultaneamente, moda, design,    publicidade, m&uacute;sica e, em geral, a comunica&ccedil;&atilde;o visual tornaram-se    elementos determinantes para entender o viver metropolitano. A comunica&ccedil;&atilde;o    devora a sociedade e se mostra mais hegem&ocirc;nica para permitir o entendimento    de processos de muta&ccedil;&atilde;o, de conflitos, de inova&ccedil;&otilde;es.    O significado das prospectivas do transurbanismo consiste em experimentar o    viver contempor&acirc;neo favorecendo um posicionamento fluido e transitivo    de subjetividades, c&oacute;digos, identidades. O multiv&iacute;duo - os "eus"    de uma pessoa internamente plural - nasce nesse contexto (8).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS    BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Canevacci, M.    <i>A cidade polif&ocirc;nica</i>. S&atilde;o Paulo: Studio Nobel. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. Canevacci, M.    <i>Comunica&ccedil;&atilde;o visual</i>. S&atilde;o Paulo: Brasiliense. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. Bateson, G.    &amp; Mead, M. <i>Balinese character. A photographic analysis</i>. New York:    Academy of Sciences. 1942.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. Bateson, G.    <i>Steps to an ecology of mind</i>. New York: Ballantine. 1972.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. Brand, S. "Per    l'amor di Dio, Margaret! Intervista a Bateson e Mead". In: <i>Studi Culturali</i>,    n&#186; 1, 2004.    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6. Brand, S. <i>op.    cit.</i>, p. 152. 2004.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7. Bateson, G.    <i>Naven. A survey of the problems suggested by a compositive picture of the    culture of a New Guinea tribe drawn from three points of views.</i> Standford    University Press. 1936 (1985 ed. italiana).    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8. Bateson, G.    &amp; Mead, M. <i>op. cit</i>., 1942.</font></p>      ]]></body><back>
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