<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252012000100017</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252012000100017</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O trabalho do mito: diálogos entre Freud e Lévi-Strauss]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Werneck]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mariza Martins Furquim]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>64</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>45</fpage>
<lpage>47</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252012000100017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252012000100017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252012000100017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="top"></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>O    trabalho do mito: di&aacute;logos entre Freud e L&eacute;vi-Strauss</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Mariza Martins    Furquim Werneck</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Professora de antropologia    na Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUC-SP)    e sua tese de doutorado trata dos operadores est&eacute;ticos na obra de Claude    L&eacute;vi-Strauss</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As rela&ccedil;&otilde;es    entre a psican&aacute;lise e a antropologia sempre foram marcadas por pol&ecirc;micas,    embates e desconfian&ccedil;as m&uacute;tuas. Desenvolveram-se, como em toda    rela&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica, entre o fasc&iacute;nio e a recusa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tudo come&ccedil;ou    quando Freud, na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, interessou-se pela    origem da humanidade e os fundamentos da cultura, para a&iacute; tentar decifrar    o sentido das interdi&ccedil;&otilde;es presentes em todas as sociedades humanas.    <i>Totem e tabu</i> (1) utiliza, entre suas fontes, os trabalhos dos antrop&oacute;logos    James Frazer, Robertson Smith e Edward Tylor, todos eles fortemente marcados    pelas teorias evolucionistas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A rea&ccedil;&atilde;o    dos antrop&oacute;logos anglo-sax&otilde;es, que, nesse momento, j&aacute; teciam    duras cr&iacute;ticas ao evolucionismo, n&atilde;o se fez esperar. A mais contundente    delas foi a de Bronislaw Malinowski que, a partir de observa&ccedil;&otilde;es    obtidas em seu trabalho de campo, nas ilhas Trobriand, situadas na Nova Guin&eacute;,    negou, entre as ideias defendidas por Freud, a universalidade do complexo de    &Eacute;dipo e a origem &uacute;nica da humanidade. Para ele, e bem ao contr&aacute;rio    disso, a organiza&ccedil;&atilde;o matrilinear dos trobriand deixava vazio o    lugar do pai, ao mesmo tempo em que afirmava a diversidade das culturas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse debate n&atilde;o    cessou a&iacute;, mas seria in&uacute;til relat&aacute;-lo por inteiro. O que    interessa ressaltar, nos limites deste artigo, s&atilde;o os desdobramentos    que ganha, a partir do final dos anos 1940, na obra do etn&oacute;logo franc&ecirc;s,    Claude L&eacute;vi-Strauss.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em <i>As estruturas    elementares do parentesco</i> (2), seu livro de estreia, L&eacute;vi-Strauss    retoma essa discuss&atilde;o e interroga os fundamentos da proibi&ccedil;&atilde;o    do incesto para repens&aacute;-lo em novas bases. Para ele, o tabu do incesto    assinala a passagem da natureza para a cultura, argumento que possui um valor    puramente formal, e n&atilde;o hist&oacute;rico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Afirmando, ao mesmo    tempo, tanto a universalidade da proibi&ccedil;&atilde;o do incesto quanto a    diversidade das culturas, L&eacute;vi-Strauss resolve o impasse levantado pelas    cr&iacute;ticas de Malinowski &agrave;s teorias freudianas. Com efeito, argumenta,    se o tabu do incesto est&aacute; presente em todas as sociedades humanas, n&atilde;o    deixa de assumir, em cada uma delas, uma configura&ccedil;&atilde;o particular,    ditada por um regime de trocas matrimoniais regulado por estruturas que escapam    &agrave; consci&ecirc;ncia individual.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse car&aacute;ter    inconsciente das estruturas sociais &eacute; o que interessa fundamentalmente    &agrave; <i>d&eacute;marche</i> levistraussiana: sua antropologia tenta colocar    em cena as regi&otilde;es obscuras, as "leis escondidas" - express&atilde;o    de Goethe, que sempre lhe foi cara - de onde se originam toda organiza&ccedil;&atilde;o    do pensamento humano. Esse interesse primordial &eacute; que vai, desde o in&iacute;cio,    aproxim&aacute;-lo de Freud.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como afirma em    <i>Tristes tr&oacute;picos</i> (3), assim que entrou em contato com a teoria    freudiana, L&eacute;vi-Strauss percebeu que o etn&oacute;logo lidava, no plano    coletivo, com o mesmo elemento que o psicanalista no plano individual, ou seja,    um fen&ocirc;meno aparentemente impenetr&aacute;vel, cujo deciframento n&atilde;o    poderia jamais ser buscado em sua realidade mais evidente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em <i>As estruturas    elementares do parentesco</i> L&eacute;vi-Strauss come&ccedil;a, a partir da    lingu&iacute;stica de Ferdinand de Saussure e de Roman Jackobson, a tematizar    o campo do simb&oacute;lico. A perspectiva que adota vai inovar os estudos sobre    o tema, e constituir-se em uma das contribui&ccedil;&otilde;es definitivas de    seu pensamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para ele, um elemento    da cultura n&atilde;o pode jamais ser interpretado por si mesmo, mas unicamente    enquanto est&aacute; oposto a um, ou a v&aacute;rios outros elementos. Da mesma    forma, n&atilde;o h&aacute; um dom&iacute;nio de interpreta&ccedil;&atilde;o    &uacute;nico, mas um conjunto de dom&iacute;nios, que L&eacute;vi-Strauss chama    de "c&oacute;digos", onde as oposi&ccedil;&otilde;es simb&oacute;licas se interpretam.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mais importante    de tudo - e tamb&eacute;m o mais intrigante - &eacute; que, para L&eacute;vi-Strauss,    o simb&oacute;lico &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o <i>a priori</i> da sociedade,    e n&atilde;o uma decorr&ecirc;ncia. Considerado um fato primeiro, o simbolismo    permite compreender a institui&ccedil;&atilde;o mesma da sociedade, e todos    os elementos de uma cultura como express&otilde;es desse simbolismo. A cultura,    ent&atilde;o, passa a ser definida como um conjunto de sistemas simb&oacute;licos,    dentre os quais os mais importantes s&atilde;o a linguagem, as regras matrimoniais,    as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, a arte, a ci&ecirc;ncia, a religi&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As concep&ccedil;&otilde;es    de L&eacute;vi-Strauss sobre o simbolismo v&atilde;o ecoar, de forma profunda,    na obra de Jacques Lacan e encontrar a&iacute; desenvolvimentos fundamentais    para a renova&ccedil;&atilde;o do campo do simb&oacute;lico na teoria psicanal&iacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O arcabou&ccedil;o    te&oacute;rico da psican&aacute;lise juntamente com a lingu&iacute;stica forneceram    a L&eacute;vi-Strauss o m&eacute;todo e a operacionalidade necess&aacute;rios    para conferir &agrave; antropologia o estatuto de ci&ecirc;ncia. Sua interlocu&ccedil;&atilde;o    com essas duas formas de conhecimento produziu, no in&iacute;cio da segunda    metade do s&eacute;culo XX, um dos di&aacute;logos mais fecundos, n&atilde;o    apenas para a antropologia, como para as ci&ecirc;ncias humanas como um todo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como ele mesmo    afirma, seu encontro com Roman Jakobson, nos tempos de ex&iacute;lio em Nova    Iorque, durante a Segunda Guerra, ultrapassou em muito a sua primeira expectativa,    que era a de aprender a fazer corretamente a nota&ccedil;&atilde;o de certos    termos ind&iacute;genas. A revela&ccedil;&atilde;o da lingu&iacute;stica estrutural,    diz ele, trouxe-lhe a possibilidade de poder formular em um corpo de ideias    coerentes o que antes eram apenas intui&ccedil;&otilde;es e devaneios. A contribui&ccedil;&atilde;o    capital que a lingu&iacute;stica, desde Saussure, trouxe &agrave;s ci&ecirc;ncias    humanas foi a de sublinhar o papel que desempenha na produ&ccedil;&atilde;o    da linguagem, e em todos os sistemas simb&oacute;licos, a atividade inconsciente    do esp&iacute;rito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto a Freud,    a leitura de sua obra, realizada precocemente, deixou marcas profundas na forma&ccedil;&atilde;o    de seu pensamento. A ideia de transformar o exerc&iacute;cio da etnologia em    uma esp&eacute;cie de <i>experi&ecirc;ncia &iacute;ntima</i>, se tem um ponto    de partida em Jean-Jacques Rousseau encontra, nos di&aacute;logos com Freud,    um dos momentos mais altos de elabora&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir desses    di&aacute;logos, L&eacute;vi-Strauss, vai, entre outras coisas, produzir um    artigo famoso, "O feiticeiro e sua magia" (4) em que vai identificar os procedimentos    de cura utilizados pelo xam&atilde; com os do psicanlista.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muitos anos mais    tarde, em <i>A oleira ciumenta</i> (5), em um momento de franca cr&iacute;tica    &agrave; psican&aacute;lise, vai conceder a um mito jivaro, semelhante ao da    horda primitiva descrito por Freud em <i>Totem e tabu</i> a preced&ecirc;ncia    da descoberta de categorias centrais reivindicadas pela psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entre esses dois    momentos, L&eacute;vi-Strauss realizou seu grande projeto, <i>Mitol&oacute;gicas</i>    (6) em que analisou milhares de mitos e suas variantes, trabalho do qual pode-se    dizer, sem sombra de d&uacute;vida, que n&atilde;o &eacute; em nada menos ambicioso    do que o realizado por Freud em <i>A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos</i>    (7). Entre as diversas chaves que lhe permitiram o acesso &agrave;s estruturas    inconscientes do mito uma das mais significativas foi, certamente, o m&eacute;todo    psicanal&iacute;tico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim como as categorias    constru&iacute;das na lingu&iacute;stica por Ferdinand de Saussurre e Roman    Jakobson refletiram-se no modelo de an&aacute;lise estrutural do parentesco,    a tal ponto que alguns comentadores consideraram abusiva sua apropria&ccedil;&atilde;o,    o modelo freudiano de an&aacute;lise do sonho se explicita e se espelha na interpreta&ccedil;&atilde;o    levistraussiana do mito de maneira inequ&iacute;voca.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se Freud foi buscar    no del&iacute;rio psic&oacute;tico, decifrado pela psiquiatria de seu tempo    como a realiza&ccedil;&atilde;o de um desejo recalcado, a mesma chave para pensar    o sonho, L&eacute;vi-Strauss projetou no mito a realiza&ccedil;&atilde;o de    um desejo coletivo inconsciente: para ele, o mito existe para resolver uma contradi&ccedil;&atilde;o    que a sociedade n&atilde;o sabe resolver. Por isso, assim como o sonho, ele    n&atilde;o pode jamais ser apreendido em sua literalidade. Mas, ao se falar    em desejo inconsciente coletivo &eacute; preciso que se guardem, aqui, as devidas    dist&acirc;ncias do pensamento junguiano, cuja proximidade jamais foi reconhecida    por L&eacute;vi-Strauss. &Eacute; de Freud que se trata.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O projeto das <i>Mitol&oacute;gicas</i>    foi antecedido de uma longa prepara&ccedil;&atilde;o. Segundo L&eacute;vi-Strauss,    o trabalho de campo, vivido no Brasil nos anos 1930 teve, para ele, o mesmo    sentido da an&aacute;lise did&aacute;tica para a inicia&ccedil;&atilde;o da    pr&aacute;tica psicanalista: "(..<i>.</i>) o campo representou para mim o que    a psican&aacute;lise did&aacute;tica pode significar para um analista: a obriga&ccedil;&atilde;o    de viver, de criar, de reviver as experi&ecirc;ncias por si mesmas, para poder    utilizar mais adiante as investiga&ccedil;&otilde;es de "campo" desenvolvidas    por outros. Este representou para mim uma esp&eacute;cie de inicia&ccedil;&atilde;o    preliminar" (8).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A incurs&atilde;o    levistraussiana pela terra oca e redonda do mito foi concebida como uma viagem    por uma imensa regi&atilde;o agreste. Curiosamente, Freud utiliza-se quase que    da mesma imagem para figurar a sua incurs&atilde;o pelo universo on&iacute;rico.    Em uma carta a Wilhelm Fliess, datada de agosto de 1899, depois de ter escrito    o primeiro cap&iacute;tulo de <i>A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos</i>    afirma: "A coisa est&aacute; planejada segundo o modelo de um passeio imagin&aacute;rio.    No come&ccedil;o, a floresta escura dos autores (que n&atilde;o enxergam as    &aacute;rvores), irremediavelmente perdidos nas trilhas erradas. Depois, uma    trilha oculta pela qual conduzo o leitor - meu sonho paradigm&aacute;tico, com    suas particularidades, pormenores, indiscri&ccedil;&otilde;es e piadas de mau    gosto - e ent&atilde;o, de repente, o planalto com seu panorama e a pergunta:    em que dire&ccedil;&atilde;o voc&ecirc; quer ir agora?" (9).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A met&aacute;fora    da viagem imagin&aacute;ria definiu, para L&eacute;vi-Strauss, at&eacute; mesmo    o t&iacute;tulo das <i>Mitol&oacute;gicas</i>, por analogia com as <i>Buc&oacute;licas</i>    e as <i>Ge&oacute;rgicas</i> de Virg&iacute;lio. A imagem volta insistentemente    em toda a tetralogia levistraussiana, assim como o <i>topos</i> da floresta    escura. Mas, entre Freud e L&eacute;vi-Strauss, uma sutil diferen&ccedil;a:    se Freud conduz o leitor perdido atrav&eacute;s de seu sonho paradigm&aacute;tico,    o mito que se pensa em L&eacute;vi-Strauss traz-lhe a sensa&ccedil;&atilde;o    de ele pr&oacute;prio estar perdido, sem complac&ecirc;ncia: "As <i>Mitol&oacute;gicas</i>    ilustram o desenrolar, quase o dia a dia, de um trabalho de descoberta. Eu labutava    em uma floresta virgem que, para mim, era um mundo desconhecido. Abria laboriosamente    uma trilha atrav&eacute;s dos cerrados e dos maci&ccedil;os quase impenetr&aacute;veis"    (10).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se o uso da mesma    met&aacute;fora &eacute; um argumento ainda prec&aacute;rio para atestar qualquer    semelhan&ccedil;a entre m&eacute;todos, a utiliza&ccedil;&atilde;o de um mito    paradigm&aacute;tico, talvez sirva como uma demonstra&ccedil;&atilde;o mais    contundente. Com efeito, em <i>O cru e o cozido</i>, primeiro volume das <i>Mitol&oacute;gicas</i>,    &eacute;, inicialmente, a partir de um &uacute;nico mito - o mito bororo do    desaninhador de p&aacute;ssaros - que L&eacute;vi-Strauss vai construir o seu    modelo de an&aacute;lise, em conson&acirc;ncia direta com o sonho "da inje&ccedil;&atilde;o    de Irma", paradigma da an&aacute;lise freudiana.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Devedor confesso    do pensamento freudiano, L&eacute;vi-Strauss, no entanto, nunca esclareceu em    que medida as categorias criadas por Freud para pensar o sonho projetaram-se    e tornaram-se operadores poderosos em seu trabalho sobre os mitos. Embora n&atilde;o    tenha se escusado de revelar suas fontes, ou seus operadores, como prefere dizer,    L&eacute;vi-Strauss sempre cultivou o gosto de deixar em seus escritos pequenos    enigmas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o agiu    de forma diferente com a obra de Freud. O confessado fasc&iacute;nio, ou mesmo    algumas recusas mais veementes do pensamento de Freud leg&iacute;veis em sua    obra constituem apenas o registro mais vis&iacute;vel, e n&atilde;o d&atilde;o    conta da exata dimens&atilde;o de suas d&iacute;vidas metodol&oacute;gicas e    epistemol&oacute;gicas para com o fundador da psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que se pode assegurar    &eacute; que, assim como Freud visava, em suas constru&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas,    produzir modelos conceituais, afastados da experi&ecirc;ncia, a partir dos quais    a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia pudesse ser transformada, L&eacute;vi-Strauss    produziu modelos estruturais a partir dos quais os mitos podem ser pensados    e, mais do que isso, depreendidos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ponto de partida    comum aos dois pensadores &eacute; a ideia de que sonhos e mitos nascem de uma    atividade mental inconsciente, &agrave; qual s&oacute; se tem acesso por meio    de um m&eacute;todo espec&iacute;fico de an&aacute;lise, seja o m&eacute;todo    psicanal&iacute;tico de interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos, seja a an&aacute;lise    estrutural dos mitos. A afirma&ccedil;&atilde;o de Freud de que "os sonhos s&atilde;o    a via r&eacute;gia que leva ao conhecimento das atividades inconscientes da    mente" reproduz-se quase que literalmente em L&eacute;vi-Strauss, no que se    refere aos mitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como se v&ecirc;,    as possibilidades de aproxima&ccedil;&atilde;o entre uma e outra obra s&atilde;o    in&uacute;meras, e seria leviano pretender enumer&aacute;-las todas nos limites    deste artigo. Apenas a frequenta&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica e intensa    de seus textos &eacute; que poder&aacute; definir em que medida a trilha oculta,    proposta por Freud, em busca do deciframento dos sonhos, cruza-se com a trilha    laboriosamente aberta por L&eacute;vi-Strauss, atrav&eacute;s dos cerrados e    dos maci&ccedil;os quase impenetr&aacute;veis, em busca dos mitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As mais diversas    afinidades aproximam os dois pensadores, at&eacute; mesmo do ponto de vista    biogr&aacute;fico, a come&ccedil;ar pela partilha da condi&ccedil;&atilde;o    judaica. Podemos citar Goethe, entre outros autores prediletos, as ci&ecirc;ncias    naturais, o gosto por retratos (pict&oacute;ricos, em L&eacute;vi-Strauss, fotogr&aacute;ficos,    em Freud), a atra&ccedil;&atilde;o por ru&iacute;nas, pelas linguagens enigm&aacute;ticas    como o <i>r&eacute;bus</i> e os hier&oacute;glifos, os caleidosc&oacute;pios.    E o desgosto pela filosofia. De uma forma ou de outra, todos esses elementos    entraram na composi&ccedil;&atilde;o de suas obras.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>SUJEITO E IMAGEM    NO TERRENO DAS MET&Aacute;FORAS</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se continuarmos    no terreno das met&aacute;foras, considerando-as n&atilde;o um simples ornamento    de estilo, mas vias de acesso ao pensamento dos dois autores, os exemplos s&atilde;o    in&uacute;meros, e riqu&iacute;ssimos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para isso, seria    interessante invocar aqui o trabalho de Herv&eacute; Huot em <i>Do sujeito &agrave;    imagem: uma hist&oacute;ria do olho em Freud</i> (11) que, ao tratar as met&aacute;foras    do olhar "que atravessam a vida, a pr&aacute;tica e a obra de Freud", como altamente    significativas para uma compreens&atilde;o mais ampla da imag&eacute;tica psicanal&iacute;tica,    examina, entre outras coisas, as rela&ccedil;&otilde;es de Freud com a arte,    com os aparelhos &oacute;pticos (microsc&oacute;pios, telesc&oacute;pios, aparelhos    fotogr&aacute;ficos e caleidosc&oacute;pios) com o "teatro" de Charcot, e a    descri&ccedil;&atilde;o do inconsciente como "cena ps&iacute;quica".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As inven&ccedil;&otilde;es    do cinemat&oacute;grafo, pelos irm&atilde;os Lumi&egrave;re, e da psican&aacute;lise,    por Freud, coincidem no tempo: pertencem ao &uacute;ltimo dec&ecirc;nio do s&eacute;culo    XIX. Longe de serem acontecimentos estranhos entre si, Huot acredita que eles    produzem, cada um &agrave; sua maneira, uma nova rela&ccedil;&atilde;o do sujeito    com a imagem. Vale lembrar que Walter Benjamin atribu&iacute;a &agrave; inven&ccedil;&atilde;o    do cinema e da fotografia a amplia&ccedil;&atilde;o do que denominava "inconsciente    &oacute;ptico", da mesma forma que a psican&aacute;lise ampliou o inconsciente    pulsional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa an&aacute;lise    &eacute; importante na medida em que a vis&atilde;o do mito em L&eacute;vi-Strauss    &eacute; constru&iacute;da a partir das mesmas met&aacute;foras: o caleidosc&oacute;pio,    a c&acirc;mara de espelhos, e um olhar sobre o mundo adestrado pela frequenta&ccedil;&atilde;o    da pintura e das artes em geral. A descri&ccedil;&atilde;o do "lugar ps&iacute;quico",    lugar privilegiado da cena psicanal&iacute;tica, tamb&eacute;m conhecido como    inconsciente, encontra seu paralelo em L&eacute;vi-Strauss por meio da met&aacute;fora    da c&acirc;mara de espelhos, que ele semeia em toda sua obra.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>ESPELHOS DE    FREUD</b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Numa discuss&atilde;o    preliminar pode-se dizer que L&eacute;vi-Strauss, &agrave; maneira de Freud,    abriga seus fragmentos de mitos em um lugar t&atilde;o secreto como a m&aacute;quina    &oacute;ptica postulada por Freud: imagina um quarto de espelhos onde, por meio    de uma fresta, ou de uma pequena abertura pontual, pela qual penetram raios    de luz, pode surpreender o mito em suas quase infinitas varia&ccedil;&otilde;es.    Essa c&acirc;mara de espelhos, imagem barroca por excel&ecirc;ncia, onde tudo    &eacute; reflexo, &eacute; descrita de diferentes maneiras ao longo de sua obra.    Assim como a mat&eacute;ria m&iacute;tica, e assim como os sonhos, esse recinto    secreto vai e volta, se deforma, ou se inverte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Agrave;s vezes    assume a forma de um instrumento &oacute;ptico, como os utilizados por Leonardo    da Vinci ou Albrecht D&uuml;rer, para desvendar as leis da perspectiva. Em outros    momentos se metamorfoseia em uma c&acirc;mara obscura. Uma de suas variantes    &eacute; o espelho deformante, com o qual, conferindo visibilidade ao pr&oacute;prio    exerc&iacute;cio do pensamento, fecha <i>A oleira ciumenta</i>. O caleidosc&oacute;pio    - igualmente uma met&aacute;fora freudiana - pode ser pensado como a vers&atilde;o    miniaturizada dessa c&acirc;mara de espelhos, seu modelo reduzido, por meio    do qual podem ser observados os estilha&ccedil;os de mitos, seus dejetos e ru&iacute;nas,    transfigurados em magn&iacute;ficas ros&aacute;ceas luminosas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, os    mitos projetam modelos de inteligibilidade sobre o <i>modus operandi</i> do    esp&iacute;rito humano. Penetrar na l&oacute;gica desse caleidosc&oacute;pio,    no entanto, n&atilde;o &eacute; tarefa f&aacute;cil. Exige, como afirma L&eacute;vi-Strauss,    uma esp&eacute;cie de ascetismo, pois o seu deciframento &eacute; longo e penoso.    Quem nele se aventura, certamente, como nos ritos inici&aacute;ticos, ou no    processo anal&iacute;tico, sair&aacute; transformado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS    BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Freud, S. "Totem    e tabu". <i>In:</i> S. Freud. <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das    obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud.</i> (Vol. 13). Rio de    Janeiro: Imago. Trabalho original publicado em 1912. 1974.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2. L&eacute;vi-Strauss,    C. <i>As estruturas elementares do parentesco.</i> Tradu&ccedil;&atilde;o de    Mariano Ferreira. Petr&oacute;polis: Vozes; S&atilde;o Paulo: Edusp. Trabalho    original publicado em 1949. 1975.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3. L&eacute;vi-Strauss,    C. <i>Tristes tr&oacute;picos.</i> Tradu&ccedil;&atilde;o de Rosa Freire d'    Aguiar. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras. Trabalho original publicado    em 1955. 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">4. L&eacute;vi-Strauss,    C. "O feiticeiro e sua magia". <i>In: Antropologia estrutural.</i> Tradu&ccedil;&atilde;o    de Chaim Katz e Eginardo Pires. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Trabalho original    publicado em 1958. 1970</font><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">5. L&eacute;vi-Strauss,    C. <i>A oleira ciumenta</i>. Tradu&ccedil;&atilde;o de Beatriz Perrone-Mois&eacute;s.    S&atilde;o Paulo: Brasiliense. Trabalho original publicado em 1985. 1986.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">6. L&eacute;vi-Strauss,    C. "O cru e o cozido". <i>In: Mitol&oacute;gicas.</i> Vol. 1. Tradu&ccedil;&atilde;o    de Beatriz Perrone-Mois&eacute;s. S&atilde;o Paulo: Cosacnaify. Trabalho original    publicado em 1964. 1991.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">7. Freud, S. "Interpreta&ccedil;&atilde;o    dos sonhos". <i>In:</i> S. Freud, <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira    das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud</i>. (Vol. 4/5). Rio    de Janeiro: Editora Imago. Trabalho original publicado em 1990-1901. 1974.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">8. L&eacute;vi-Strauss,    C. "Entrevista a Raymond Bellour". <i>In: Elogio de la antropolog&iacute;a.</i>    Buenos Aires: Ediciones Cald&eacute;n. 1975.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">9. Freud, S. <i>Correspond&ecirc;ncia    completa de S. Freud para W. Fliess.</i> Rio de Janeiro: Imago, p.52. 1940.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">10. L&eacute;vi-Strauss,    C. <i>De pr&egrave;s et de loin.</i> Paris: &Eacute;ditions Odile Jacob. 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">11. Huot, H. <i>Do    sujeito &agrave; imagem: uma hist&oacute;ria do olho em Freud.</i> S&atilde;o    Paulo: Escuta. 1991.    <i>&nbsp;</i></font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Totem e tabu]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud]]></source>
<year>1974</year>
<volume>13</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lévi-Strauss]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mariano]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[As estruturas elementares do parentesco]]></source>
<year>1975</year>
<publisher-loc><![CDATA[PetrópolisSão Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[VozesEdusp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lévi-Strauss]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[d' Aguiar]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rosa Freire]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Tristes trópicos]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Companhia das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lévi-Strauss]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O feiticeiro e sua magia]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Katz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Chaim]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pires]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eginardo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Antropologia estrutural]]></source>
<year>1970</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Tempo Brasileiro]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lévi-Strauss]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Perrone-Moisés]]></surname>
<given-names><![CDATA[Beatriz]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A oleira ciumenta]]></source>
<year>1986</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Brasiliense]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lévi-Strauss]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O cru e o cozido]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Perrone-Moisés]]></surname>
<given-names><![CDATA[Beatriz]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Mitológicas]]></source>
<year>1991</year>
<volume>1</volume>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cosacnaify]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Interpretação dos sonhos]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud]]></source>
<year>1974</year>
<volume>4/5</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Imago]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lévi-Strauss]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entrevista a Raymond Bellour]]></article-title>
<source><![CDATA[Elogio de la antropología]]></source>
<year>1975</year>
<publisher-loc><![CDATA[Buenos Aires ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Ediciones Caldén]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freud]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Correspondência completa de S. Freud para W. Fliess]]></source>
<year>1940</year>
<page-range>52</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imago]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lévi-Strauss]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[De près et de loin]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Éditions Odile Jacob]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Huot]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Do sujeito à imagem: uma história do olho em Freud]]></source>
<year>1991</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Escuta]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
