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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n2/artigos_aborto.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Aborto e obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="3">Beatriz Galli    <br>   Jefferson Drezett    <br>   Mario Cavagna Neto</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A</b></font><font size="3"> Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (ICPD), realizada no Cairo, em 1994, e a 4ª Confer&ecirc;ncia Internacional sobre a Mulher, em Beijing, em 1995, consolidam os direitos humanos das mulheres no campo da sa&uacute;de sexual e reprodutiva (1). Em Beijing, os pa&iacute;ses participantes afirmaram o direito das mulheres de decidir livremente sobre fertilidade e sexualidade, livres de coer&ccedil;&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o ou viol&ecirc;ncia (2). No Cairo, os governos reconheceram o aborto como grave problema de sa&uacute;de p&uacute;blica, comprometendo-se a reduzir a necessidade de recorrer ao aborto por meio da expans&atilde;o do planejamento reprodutivo (1). </font></p>     <p><font size="3">A Assembleia Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em 1999, aprovou a implementa&ccedil;&atilde;o do IPCD + 5, acrescentado que, nas circunst&acirc;ncias em que o aborto n&atilde;o contraria a lei, governos devem adotar medidas que garantam que esses abortos sejam praticados de forma segura e acess&iacute;vel (3). A aten&ccedil;&atilde;o ao tema do aborto nas confer&ecirc;ncias internacionais se justifica. A maior parte das mortes maternas e das graves sequelas do aborto pode ser prevenida com uso de tecnologia apropriada por profissionais de sa&uacute;de preparados (4). Nos pa&iacute;ses com acesso a servi&ccedil;os seguros a probabilidade de morte por aborto &eacute; de 1/100.000 procedimentos, contrastando com o risco de 1/100 verificado nos pa&iacute;ses em desenvolvimento onde o aborto &eacute; proibido e realizado de forma clandestina e insegura (5).</font></p>     <p><font size="3">O Brasil, signat&aacute;rio dessas confer&ecirc;ncias e de tratados internacionais de direitos humanos, assume compromisso com quest&otilde;es relativas ao aborto (6). No entanto, sua pr&aacute;tica ainda &eacute; crime tipificado no C&oacute;digo Penal, com exce&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es previstas pelo artigo 128, que estabelece, desde 1940, que n&atilde;o &eacute; crime e n&atilde;o se pune o aborto em casos de gravidez decorrente de estupro ou quando h&aacute; risco de morte para a gestante. Mais recentemente, consequ&ecirc;ncia da incontest&aacute;vel evolu&ccedil;&atilde;o da proped&ecirc;utica fetal, o poder judici&aacute;rio passa a conceder autoriza&ccedil;&atilde;o para interromper gesta&ccedil;&otilde;es com anomalias fetais graves e incompat&iacute;veis com a vida extra-uterina (7). Nessas situa&ccedil;&otilde;es de exce&ccedil;&atilde;o o aborto &eacute; inequ&iacute;voco direito da mulher. Cabe, portanto, ao Estado garantir que a interrup&ccedil;&atilde;o dessas gesta&ccedil;&otilde;es seja realizada de maneira &eacute;tica, humanizada e segura (8). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ainda que a &uacute;ltima d&eacute;cada tenha sido marcada pela crescente implanta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de que realizam o aborto previsto pela lei e por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que qualifiquem sua pr&aacute;tica, ainda existem desafios para que a interrup&ccedil;&atilde;o dessas gesta&ccedil;&otilde;es seja acess&iacute;vel e segura para todas as mulheres. Profissionais de sa&uacute;de, em geral, e obstetras e ginecologistas, em particular, s&atilde;o muitas vezes ambivalentes com rela&ccedil;&atilde;o ao aborto, consequ&ecirc;ncia do conflito entre valores profissionais e pessoais (9). No caso da assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de, valores morais ou religiosos podem nortear comportamentos e atitudes, gerando situa&ccedil;&otilde;es de conflito para o m&eacute;dico em rela&ccedil;&atilde;o ao dever &eacute;tico e profissional. Somado aos conhecimentos e habilidades, os valores dos profissionais de sa&uacute;de t&ecirc;m estreita rela&ccedil;&atilde;o com a qualidade da aten&ccedil;&atilde;o que prestam &agrave;s mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de abortamento (10).</font></p>     <p><font size="3">Mesmo em pa&iacute;ses desenvolvidos, em que o aborto &eacute; permitido, h&aacute; barreiras no acesso aos servi&ccedil;os seguros. Entre elas, se destaca a recusa de m&eacute;dicos fundamentada em raz&otilde;es de consci&ecirc;ncia (11). Inseguran&ccedil;a frente a um novo modelo de atendimento, desconhecimento dos procedimentos t&eacute;cnicos e legais, temor de cometer ato il&iacute;cito, escassa orienta&ccedil;&atilde;o e insuficiente apoio institucional s&atilde;o fatores apontados para que m&eacute;dicos brasileiros evitem o tema do aborto. Contudo, essas quest&otilde;es s&atilde;o insuficientes para explicar determinados contrastes. Se, por um lado, a maioria dos ginecologistas brasileiros declara n&atilde;o ter obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia nas situa&ccedil;&otilde;es onde o aborto &eacute; previsto pela lei, por outro, ainda &eacute; pequeno o n&uacute;mero de m&eacute;dicos que, efetivamente, participam de sua pr&aacute;tica, particularmente nas situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia sexual (12).</font></p>     <p><font size="3">A necessidade cr&iacute;tica de garantir acesso ao aborto seguro encontra, em parte, dificuldades na quest&atilde;o da obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia. A recusa em prestar assist&ecirc;ncia em determinados casos &eacute; fundamentada no direito individual do profissional de sa&uacute;de &agrave; obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia. H&aacute;, contudo, pouco debate a esse respeito que contemple a abordagem de direitos humanos e que enfatize o dever &eacute;tico-profissional de indicar outro profissional que preste assist&ecirc;ncia sem obje&ccedil;&otilde;es, assim como, a obriga&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de de garantir o acesso aos servi&ccedil;os de aten&ccedil;&atilde;o ao aborto nos casos previstos em lei (13).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n2/a14img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Como direito humano relacionado &agrave; consci&ecirc;ncia pessoal ou espiritual, a obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser alegada por institui&ccedil;&otilde;es, como hospitais, por n&atilde;o possu&iacute;rem dimens&atilde;o individual e espiritual da personalidade humana, protegida pelos direitos humanos (14). O direito &agrave; obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia est&aacute; expresso no Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol&iacute;ticos, no artigo 18, que estabelece que "toda a pessoa tem direito &agrave; liberdade de pensamento, consci&ecirc;ncia e religi&atilde;o (...) e de manifestar a sua religi&atilde;o ou cren&ccedil;a pelo culto, observ&acirc;ncia, pr&aacute;tica e ensino". Entretanto, o direito &agrave; obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; um direito absoluto e o Pacto o limita quando se tratar da sa&uacute;de de outras pessoas, como quando o aborto terap&ecirc;utico &eacute; indicado (15). </font></p>     <p><font size="3">A Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Ginecologia e Obstetr&iacute;cia (Figo), afirma que o principal compromisso do m&eacute;dico deve ser proporcionar as melhores condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de reprodutiva para as mulheres. Aqueles que se encontram impedidos de faz&ecirc;-lo, por raz&otilde;es pessoais de consci&ecirc;ncia, n&atilde;o deixam de ter responsabilidade no atendimento. Nesses casos, a Figo estabelece como dever do m&eacute;dico informar &agrave; mulher sobre todas as op&ccedil;&otilde;es para sua condi&ccedil;&atilde;o, inclusive aquelas a que ele se nega praticar. O princ&iacute;pio &eacute;tico da autonomia assegura a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o da mulher nas decis&otilde;es sobre sua sa&uacute;de. Ao m&eacute;dico cabe respeitar essa posi&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o obstante, estabelece que, se por motivos n&atilde;o cl&iacute;nicos o m&eacute;dico for incapaz de oferecer a aten&ccedil;&atilde;o desejada, o mesmo deve encaminhar a mulher para outro profissional (16;17). </font></p>     <p><font size="3">No Brasil, o Conselho Federal de Medicina assegura, no artigo 7 do C&oacute;digo de &Eacute;tica M&eacute;dica, que "o m&eacute;dico deve exercer a profiss&atilde;o com ampla autonomia, n&atilde;o sendo obrigado a prestar servi&ccedil;os profissionais a quem ele n&atilde;o deseje, salvo na aus&ecirc;ncia de outro m&eacute;dico, em casos de urg&ecirc;ncia, ou quando sua negativa possa trazer danos irrevers&iacute;veis ao paciente". Tamb&eacute;m &eacute; direito do m&eacute;dico, artigo 28, "recusar a realiza&ccedil;&atilde;o de atos m&eacute;dicos que, embora permitidos por lei, sejam contr&aacute;rios aos ditames de sua consci&ecirc;ncia" (18). Dessa forma, &eacute; garantida ao m&eacute;dico a obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia e direito de recusa de praticar o aborto, mesmo nas situa&ccedil;&otilde;es previstas pela lei. Esses aspectos encontram-se observados pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de nas normas t&eacute;cnicas "Preven&ccedil;&atilde;o e tratamento dos agravos resultantes da viol&ecirc;ncia sexual contra mulheres e adolescentes" e "Aten&ccedil;&atilde;o humanizada ao abortamento" (19;20). </font></p>     <p><font size="3">A posi&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico que manifesta obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia deve ser respeitada. Nesses casos, recomenda-se que declare sua posi&ccedil;&atilde;o de forma franca e clara, encaminhando a mulher para outro profissional ou servi&ccedil;o de sa&uacute;de que concorde em realizar o procedimento (21;22). O respeito a esses princ&iacute;pios certamente coibiria situa&ccedil;&otilde;es desastrosas que expressam descaso e desrespeito aos direitos humanos de mulheres. Em situa&ccedil;&otilde;es extremas, h&aacute; m&eacute;dicos que denunciam mulheres que induzem o aborto &agrave; autoridade policial. Fundamentados em valores morais ou religiosos, descumprem o estabelecido pelo C&oacute;digo Penal, que pro&iacute;be revelar, sem justa causa, segredo em raz&atilde;o de fun&ccedil;&atilde;o, minist&eacute;rio, of&iacute;cio ou profiss&atilde;o. Ocorr&ecirc;ncias dessa natureza s&atilde;o clara express&atilde;o de transgress&atilde;o dos limites &eacute;ticos e legais da obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia (23). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Al&eacute;m disso, a Figo adverte que m&eacute;dicos que manifestam obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia t&ecirc;m o dever de observar diretrizes cient&iacute;ficas e profissionais, com necess&aacute;rio cuidado e integridade, evitando descaracterizar determinada condi&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica pautados em cren&ccedil;as pessoais. Essa quest&atilde;o &eacute; particularmente importante nos casos de gravidez associada a doen&ccedil;as que determine risco de morte (8). N&atilde;o encontra sustenta&ccedil;&atilde;o a equivocada alega&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o mais existem situa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas que justifiquem o aborto para proteger a vida da gestante, dada a evolu&ccedil;&atilde;o dos recursos da medicina. A mortalidade materna indireta, resultado da letalidade de doen&ccedil;as preexistentes, responde entre 15% e 30% de todas as mortes maternas. A interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez representa, nesses casos, possivelmente, a &uacute;nica alternativa para evitar a morte dessas mulheres (24).</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; fundamental que se esclare&ccedil;a &agrave; gestante a taxa de letalidade de sua doen&ccedil;a associada &agrave; gravidez, sem ju&iacute;zo de valores. Como exemplo, taxa de letalidade de 5% &eacute;, muitas vezes, expressa pelo m&eacute;dico como risco pequeno e aceit&aacute;vel. No entanto, letalidade de 5% representa o mesmo que 5.000 mortes por 100 mil ocorr&ecirc;ncias. Comparando-se com as taxas de pa&iacute;ses desenvolvidos, cerca de 10 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos, significa dizer que a letalidade determinada pela doen&ccedil;a &eacute; 500 vezes maior do que aquela que enfrenta a gestante que n&atilde;o porta a mesma doen&ccedil;a. Contudo, frequentemente o m&eacute;dico recomenda a continuidade da gesta&ccedil;&atilde;o e descarta a alternativa do aborto, mediante crit&eacute;rios fr&aacute;geis, sem oferecer para a mulher a possibilidade de decidir qual n&iacute;vel de risco &eacute; aceit&aacute;vel (25). </font></p>     <p><font size="3">Mesmo admitindo os aspectos mais controversos da obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia, h&aacute; elementos para acreditar que os profissionais de sa&uacute;de t&ecirc;m participado, de forma cada vez mais qualificada, da discuss&atilde;o bio&eacute;tica sobre o aborto. Estudo realizado entre mais de 4.000 m&eacute;dicos que integram a Federa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Associa&ccedil;&otilde;es de Ginecologia e Obstetr&iacute;cia (Febrasgo) aponta para avan&ccedil;os significativos na opini&atilde;o dos m&eacute;dicos sobre o aborto. Para 65,4% dos ginecologistas e obstetras, a lei penal deveria ampliar as condi&ccedil;&otilde;es em que a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez deveria ser permitida. Para 14,6%, o aborto deveria ser legalmente garantido em qualquer circunst&acirc;ncia desejada e consentida pela mulher. Outros 13,4% declararam que a lei atual deveria ser mantida, sem modifica&ccedil;&otilde;es. Apenas 0,2% dos entrevistados afirmaram que o aborto deveria ser proibido em qualquer situa&ccedil;&atilde;o. Mesmo enfrentando poss&iacute;veis conflitos de valores pessoais e profissionais, 80% dos ginecologistas e obstetras brasileiros entendem que s&atilde;o necess&aacute;rias mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o que ampliem as condi&ccedil;&otilde;es legais do aborto ou que promovam sua descriminaliza&ccedil;&atilde;o. No rumo inverso, destaca-se o pequeno n&uacute;mero de m&eacute;dicos com obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia absoluta (26). </font></p>     <p><font size="3">Se, por um lado, essas evid&ecirc;ncias apontam para um contexto mais realista em rela&ccedil;&atilde;o ao aborto nos casos de estupro e de risco de morte para a gestante, por outro, ainda h&aacute; desafios sobre a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez. De fato, apenas 14,6% dos profissionais afirmam que a legisla&ccedil;&atilde;o deveria permitir o aborto, em qualquer circunst&acirc;ncia. No entanto, 43,5% dos m&eacute;dicos declaram que j&aacute; ajudaram mulheres de sua cl&iacute;nica com gesta&ccedil;&atilde;o indesejada, indicando outro profissional de confian&ccedil;a para realizar o aborto, ou orientando a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez com uso de medicamentos. Notadamente, esse percentual se eleva para 50,8% quando a gravidez indesejada ocorre com um membro da fam&iacute;lia, e para quase 80% quando a pr&oacute;pria m&eacute;dica vivencia essa situa&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se pode negar que profissionais de sa&uacute;de, assim como muitas pessoas, s&atilde;o capazes de recuar da condi&ccedil;&atilde;o de obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia ao aborto quando vivenciam, compreendem ou experimentam a situa&ccedil;&atilde;o da gravidez indesejada (26).</font></p>     <p><font size="3">Ser m&eacute;dico significa estar disposto a oferecer interven&ccedil;&otilde;es em sa&uacute;de que s&atilde;o legais, ben&eacute;ficas e desejadas pelas usu&aacute;rias dos servi&ccedil;os, como parte de um sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de justo e eficiente. Os valores devem influenciar o debate na esfera p&uacute;blica sobre qual o tipo de sistema de sa&uacute;de queremos. Por&eacute;m, valores ou cren&ccedil;as pessoais n&atilde;o podem influenciar na qualidade da aten&ccedil;&atilde;o, dificultando o acesso &agrave; assist&ecirc;ncia em sa&uacute;de, sob pena de violar os direitos humanos das mulheres que buscam o atendimento m&eacute;dico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Beatriz Galli </B>&eacute; advogada e mestre em direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Toronto. Membro do Comit&ecirc; Latino Americano e do Caribe pelos Direitos da Mulher (Cladem), Brasil, e atua como assessora de direitos humanos de A&ccedil;&otilde;es Afirmativas em Direitos e Sa&uacute;de &#150; AADS- Brasil.</I></font></p>     <p><font size="3"><i><B>Jefferson Drezett</B> &eacute; diretor do N&uacute;cleo de Viol&ecirc;ncia Sexual e Abortamento Legal do Hospital P&eacute;rola Byington. Participa como membro do Cons&oacute;rcio Latino-americano Contra o Aborto Inseguro e do Cons&oacute;rcio Internacional de Aborto Medicamentoso. Desde 2005 integra a Comiss&atilde;o de Abortamento Legal da Sociedade Brasileira de Reprodu&ccedil;&atilde;o Humana.</i></font></p>     <p><font size="3"><i><B>Mario Cavagna Neto </B>&eacute; professor livre docente em ginecologia e fisiopatologia da reprodu&ccedil;&atilde;o pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), diretor da Divis&atilde;o de Reprodu&ccedil;&atilde;o Humana do Hospital P&eacute;rola Byington e editor cient&iacute;fico da revista </I>Reprodu&ccedil;&atilde;o e Climat&eacute;rio. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  United Nations. "Report of the International Conference on Population and Development, Cairo".  New York: United Nations. 1994.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  United Nations. "Report of the Fourth World Conference on Women, Beijing". New York, United Nations. 1995.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  United Nations. "Key actions for the further implementation of the Programme of Action of the International Conference on Population and Development".  New York: United Nations. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  World Health Organization. "The prevention and management of unsafe abortion. Report of a Technical Working Group".  Geneva: World Health Organization. 1992.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5.  Alan Guttmacher Institute. <I>Sharing responsibility: women, society &amp; abortion worldwide.</I> New York and Washington DC. The Alan Guttmacher Institute. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Advocaci. <I>Direitos sexuais e reprodutivos na perspectiva dos direitos humanos &#150; s&iacute;ntese para gestores, legisladores e operadores do direito.</I> Rio de Janeiro: Advocaci, p.118. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7.  M. V. Frig&eacute;rio, I. Salzo, S. Pimentel, T. R. Gollop. <I>In:</I> <I>Aborto legal &#150; implica&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas e religiosas</I>. S&atilde;o Paulo: Cat&oacute;licas pelo Direito de Decidir, pp.71-98. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. "Aspectos jur&iacute;dicos do atendimento &agrave;s v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia sexual &#150; perguntas e respostas para profissionais de sa&uacute;de". Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, p.20. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  A. Fa&uacute;ndes, J. Barzelatto. <I>In: O drama do aborto: em busca de um consenso</I>. Campinas: Editora Komedi, p.304. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10.  B. Galli, L. Silveira, L. Adesse. <I>In: Manual de treinamento para profissionais de sa&uacute;de</I>. Rio de Janeiro: Ipas Brasil, p.84. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11.  M. de Bruyn, N. Gasman, L. Hessini. <I>In: Abortion law reform in Latin America and the Caribbean</I>. North Caroline: Ipas, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12.  J. Drezett. <I>In: A sa&uacute;de sexual e reprodutiva da mulher no Brasil: diferentes vis&otilde;es no contexto do aborto.</I> Porto Alegre: Metr&oacute;pole. pp.29-41. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13.  B. Galli, E. Gomes. "Congresso Internacional Fazendo G&ecirc;nero 7, G&ecirc;nero e Preconceitos". Florian&oacute;polis, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14.  Dickens, B.M., Cook, R.J. "The scope and limits of conscientious objection". <I>Int J Gynaecol Obstet</I>. Vol.71, no.1, pp.71-7. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15.  Cook, R.J.; Olaya, M.A.; Dickens, B.M. Healthcare responsibilities and conscientious objection. <I>Int J Gynaecol Obstet</I>. Vol.104, no.3, pp.249-52. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16.  Federation International of Gynecology and Obstetrics. "Ethical issues". <I>In: Obstetrics and gynecology by the Figo Committee for the study of ethical aspects of human reproduction and women's health</I>. United Kingdon. Figo. p.373. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">17.  World Health Organization. "Safe abortion: technical and policy guidance for health systems". 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