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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n2/artigos_aborto.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Aborto e viol&ecirc;ncia sexual</b></font></p>     <p><font size="3">Jefferson Drezett    <br>   Daniela Pedroso </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A</b></font><font size="3"> Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos (OEA), durante a Conven&ccedil;&atilde;o de Bel&eacute;m do Par&aacute;, em 1994, definiu por viol&ecirc;ncia contra a mulher "todo ato baseado no g&ecirc;nero, que cause morte, dano ou sofrimento f&iacute;sico, sexual ou psicol&oacute;gico &agrave; mulher, tanto na esfera p&uacute;blica como privada" (1). Nesse sentido, a viol&ecirc;ncia sexual constitui uma das mais antigas e amargas express&otilde;es da viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, inaceit&aacute;vel viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos, de direitos sexuais e de direitos reprodutivos (2). </font></p>     <p><font size="3">Estima-se que, anualmente, 12 milh&otilde;es de pessoas sofram diferentes situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia sexual (3). Apenas nos EUA, calcula-se que ocorram 680 mil estupros a cada ano (4). No Brasil, dados das Secretarias de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica apontam para a m&eacute;dia de 8,7 estupros por 100 mil habitantes (5). As estat&iacute;sticas oficiais, no entanto, expressam precariamente a magnitude do problema. Estudos populacionais indicam que cerca de 10% das mulheres da regi&atilde;o metropolitana de S&atilde;o Paulo relatam terem sido for&ccedil;adas, alguma vez, a praticar atos sexuais que n&atilde;o queriam, terem sentido medo de negar ter rela&ccedil;&otilde;es sexuais, ou terem sido submetidas a pr&aacute;ticas sexuais degradantes e humilhantes (5).</font></p>     <p><font size="3">A fundamenta&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia sexual como problema de sa&uacute;de p&uacute;blica n&atilde;o se faz exclusivamente pela sua elevada ocorr&ecirc;ncia (6). Cabe considerar os m&uacute;ltiplos agravos para a sa&uacute;de, que podem incluir traumatismos f&iacute;sicos severos, morte, morbidades decorrentes de doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis (DST), ou desfechos da infec&ccedil;&atilde;o pelo v&iacute;rus HIV. Os danos psicol&oacute;gicos produzem efeitos intensos e devastadores, por vezes irrepar&aacute;veis (7). Ao longo do tempo, podem se estabelecer graves transtornos da sexualidade, suic&iacute;dio, depress&atilde;o, bulimia, anorexia, ou dificuldades afetivas e de relacionamento (8).</font></p>     <p><font size="3">Embora mais dif&iacute;cil de mensurar, h&aacute; indicadores sobre a significativa carga da viol&ecirc;ncia sobre os sistemas de sa&uacute;de e sobre a produtividade econ&ocirc;mica. Mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia t&ecirc;m mais problemas de sa&uacute;de, maiores custos com assist&ecirc;ncia e utilizam com maior frequ&ecirc;ncia servi&ccedil;os de sa&uacute;de. Quase 25% dos dias de trabalho perdidos pelas mulheres t&ecirc;m como causa a viol&ecirc;ncia, reduzindo seus ganhos financeiros em at&eacute; 20% (9). Filhos de m&atilde;es que sofrem viol&ecirc;ncia t&ecirc;m risco tr&ecirc;s vezes maior de adoecer, e cerca de 60% dessas crian&ccedil;as repetem pelo menos um ano na escola, abandonando os estudos, em m&eacute;dia, aos nove anos de idade (9). Mesmo frente a tantos agravos provocados pela viol&ecirc;ncia sexual, a gravidez decorrente do estupro se destaca pela complexidade dos impactos que determina, sejam na esfera emocional, familiar, social ou biol&oacute;gica. Para muitas mulheres essa gesta&ccedil;&atilde;o, for&ccedil;ada e indesejada, &eacute; entendida como uma segunda viol&ecirc;ncia, intoler&aacute;vel e imposs&iacute;vel de ser mantida at&eacute; o t&eacute;rmino (10). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) define clinicamente por <B>abortamento</B> a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez at&eacute; a 22ª semana, com produto da concep&ccedil;&atilde;o pesando menos que 500 gramas. O aborto &eacute; considerado <B>inseguro</B> quando praticado em condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias prec&aacute;rias ou inadequadas e/ou quando realizado por pessoas n&atilde;o capacitadas (11). A cada ano, cerca de 20 milh&otilde;es de abortos s&atilde;o praticados no mundo em condi&ccedil;&otilde;es de risco. Quase 95% desses abortos s&atilde;o realizados em pa&iacute;ses em desenvolvimento, os mesmos que insistem em manter leis severas e ineptas que pro&iacute;bem o aborto. Como resultado, at&eacute; 25% da mortalidade materna resulta diretamente do aborto inseguro, levando desnecessariamente &agrave; morte quase 67 mil mulheres a cada ano (12). As evid&ecirc;ncias s&atilde;o contundentes em demonstrar a inefic&aacute;cia da proibi&ccedil;&atilde;o do aborto como forma de evitar sua pr&aacute;tica, contrastando com os efeitos dram&aacute;ticos da proibi&ccedil;&atilde;o legal sobre a morte de mulheres (8).</font></p>     <p><font size="3">Na Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (ICPD), realizada no Cairo, em 1994, os pa&iacute;ses participantes reconheceram o aborto inseguro como grave problema de sa&uacute;de p&uacute;blica comprometendo-se, nas circunst&acirc;ncias que n&atilde;o contrariem a lei, em garantir acesso ao aborto em condi&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas seguras (13). As mortes maternas e as graves sequelas do aborto inseguro podem ser prevenidas utilizando-se t&eacute;cnicas adequadas para interromper a gravidez (12). Quando esses m&eacute;todos s&atilde;o aplicados por profissionais capacitados em servi&ccedil;os de sa&uacute;de qualificados, o aborto assume contornos de procedimento da mais elevada seguran&ccedil;a (11). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n2/a15img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Embora a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira encontre-se entre as mais restritivas, segundo o inciso II do artigo 128 do C&oacute;digo Penal, de 1940, n&atilde;o &eacute; crime e n&atilde;o se pune o aborto praticado por m&eacute;dico quando a gravidez resulta de viol&ecirc;ncia sexual (14). No entanto, o exato destino dessas gesta&ccedil;&otilde;es ainda &eacute; pouco conhecido na medida em que parte expressiva das mulheres n&atilde;o tem acesso a servi&ccedil;os de sa&uacute;de que realize o procedimento (10). Por falta de informa&ccedil;&atilde;o sobre seus direitos ou por recusa dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, muitas mulheres, decididas em interromper a gravidez, recorrem ao aborto clandestino, quase sempre praticado de forma insegura (8). Existe, ainda, evidente descaso de muitos gestores da sa&uacute;de que descumprem, de forma injustificada, tanto as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas como as normativas m&eacute;dicas e cient&iacute;ficas sobre o aborto. Entre mais de 700 munic&iacute;pios brasileiros se constata que quase 40% das secretarias municipais de sa&uacute;de n&atilde;o sabem sequer responder se contam com servi&ccedil;o preparado para realizar o aborto em situa&ccedil;&otilde;es de viol&ecirc;ncia sexual. Outros 30% simplesmente declaram que n&atilde;o realiza o procedimento, indiferente quanto &agrave;s consequ&ecirc;ncias para a mulher (15).</font></p>     <p><font size="3">"A seguran&ccedil;a do aborto tamb&eacute;m deve considerar seus efeitos emocionais para as mulheres. A chamada "s&iacute;ndrome traum&aacute;tica do abortamento" preconizada h&aacute; algumas d&eacute;cadas, atribu&iacute;a ao aborto induzido graves e permanentes danos emocionais. No entanto, estudos cuidadosos demonstraram que a "s&iacute;ndrome" n&atilde;o passa de mito (16; 17). Investiga&ccedil;&otilde;es confi&aacute;veis constatam elevada frequ&ecirc;ncia de respostas emocionais adequadas ao aborto induzido legalmente, prevalecendo sobre os aspectos negativos. Al&eacute;m disso, verifica-se que os problemas emocionais que resultam do aborto volunt&aacute;rio s&atilde;o excepcionais, menos graves e muito menos frequentes do que aqueles que surgem com a gravidez mantida at&eacute; o termo contra o desejo da mulher (18;19). Tratando-se de aborto por gravidez decorrente de estupro, esses aspectos s&atilde;o ainda mais evidentes. Acrescente-se que, para essas mulheres, o aborto n&atilde;o trouxe componentes negativos para as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, nem arrependimento por sua pr&aacute;tica (20)". </font></p>     <p><font size="3">"A mulher em situa&ccedil;&atilde;o de gravidez decorrente de viol&ecirc;ncia sexual deve ser esclarecida sobre as alternativas frente &agrave; gesta&ccedil;&atilde;o e as possibilidades de aten&ccedil;&atilde;o nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de. &Eacute; direito das mulheres a informa&ccedil;&atilde;o sobre a possibilidade legal de interromper a gravidez. Da mesma forma e com mesma &ecirc;nfase, devem ser esclarecidas do direito de manter a gesta&ccedil;&atilde;o at&eacute; o t&eacute;rmino. Nesse caso, devem receber orienta&ccedil;&atilde;o sobre as alternativas ap&oacute;s o nascimento, com a escolha entre manter a futura crian&ccedil;a inserida na fam&iacute;lia, ou proceder com os mecanismos de doa&ccedil;&atilde;o (9). A decis&atilde;o final, sempre dif&iacute;cil e complexa, cabe a cada mulher. Aos profissionais de sa&uacute;de resta o respeito &agrave; autonomia da mulher em decidir", (21).</font></p>     <p><font size="3">A realiza&ccedil;&atilde;o do aborto em casos de viol&ecirc;ncia sexual tamb&eacute;m deve obedecer ao ordenamento jur&iacute;dico. Nesse sentido, a portaria MS/GM nº 1.508, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, desde 2005 estabelece procedimentos de justifica&ccedil;&atilde;o e autoriza&ccedil;&atilde;o para a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez. O<B> "</B>Termo de Consentimento Livre e Esclarecido" &eacute;, juridicamente, imprescind&iacute;vel. Nele, deve constar a declara&ccedil;&atilde;o da mulher e/ou de seu representante legal da escolha livre e esclarecida pela interrup&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o, ciente da possibilidade de mant&ecirc;-la at&eacute; o t&eacute;rmino e das alternativas existentes (22). </font></p>     <p><font size="3">No "Termo de Responsabilidade" consta que as informa&ccedil;&otilde;es prestadas para a equipe de sa&uacute;de correspondem &agrave; express&atilde;o da verdade. A mulher admite conhecer as penalidades para os crimes de <B>falsidade ideol&oacute;gica</B> e de <B>aborto</B>, assumindo responsabilidade sobre as informa&ccedil;&otilde;es prestadas. No terceiro documento, "Termo de Relato Circunstanciado<B>", </B>a mulher descreve detalhadamente as circunst&acirc;ncias da viol&ecirc;ncia sexual sofrida que resultaram na gravidez (12). Acrescenta-se o "Parecer T&eacute;cnico", assinado por m&eacute;dico, atestando a compatibilidade da idade gestacional constatada com a data da viol&ecirc;ncia sexual, afastando hip&oacute;tese de gravidez decorrente de uma rela&ccedil;&atilde;o sexual consentida. Por fim, o "Termo de Aprova&ccedil;&atilde;o de Procedimento de Interrup&ccedil;&atilde;o de Gravidez" &eacute; firmado pela equipe de sa&uacute;de e pelo respons&aacute;vel pela institui&ccedil;&atilde;o (22). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A realiza&ccedil;&atilde;o do aborto, nos casos de gravidez decorrente de viol&ecirc;ncia sexual, n&atilde;o exige autoriza&ccedil;&atilde;o judicial, nem depende da abertura de processo criminal ou de sua senten&ccedil;a, caso houver. A mulher que sofre viol&ecirc;ncia sexual n&atilde;o tem dever legal de noticiar o fato &agrave; pol&iacute;cia e n&atilde;o est&aacute; obrigada a realizar o boletim de ocorr&ecirc;ncia policial, nem o exame m&eacute;dico-legal. N&atilde;o obstante, deve ser apoiada a tomar as provid&ecirc;ncias policiais e judiciais cab&iacute;veis. Caso n&atilde;o o fa&ccedil;a, por motivo justific&aacute;vel, n&atilde;o h&aacute; base legal para negar o aborto (9;14). Quando conclu&iacute;do, amostra de material embrion&aacute;rio deve ser identificada e preservada, disponibilizando, para as autoridades, material para an&aacute;lise e confronto de DNA, fundamental no processo de responsabiliza&ccedil;&atilde;o do agressor (9; 23). </font></p>     <p><font size="3">Mesmo com todo o rigor adotado pelos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, h&aacute; especula&ccedil;&otilde;es de que n&atilde;o exigir o boletim de ocorr&ecirc;ncia favoreceria o acesso irregular ao aborto em casos de falsa alega&ccedil;&atilde;o de crime sexual. A realidade dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de permite afirmar que se trata somente de especula&ccedil;&atilde;o. Dados controlados do hospital P&eacute;rola Byington, uma das maiores refer&ecirc;ncias em viol&ecirc;ncia sexual do pa&iacute;s, mostram que quase 80% das mulheres que solicitam o aborto em caso de estupro apresentam, espontaneamente, o boletim de ocorr&ecirc;ncia policial. Al&eacute;m disso, cerca de 90% daquelas que ingressam sem o documento concordam e realizam a comunica&ccedil;&atilde;o para a pol&iacute;cia, quando esclarecidas e apoiadas. O n&uacute;mero de mulheres que se recusam a fazer o boletim de ocorr&ecirc;ncia &eacute; muito pequeno e, na maioria dos casos, justificado pela amea&ccedil;a de morte caso revele o ocorrido para a pol&iacute;cia (22).</font></p>     <p><font size="3">Com a retirada da exig&ecirc;ncia irregular do boletim de ocorr&ecirc;ncia das normas do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, em 2005, nenhum servi&ccedil;o de sa&uacute;de do pa&iacute;s registrou aumento abrupto no n&uacute;mero de abortos realizados ou na demanda de solicita&ccedil;&otilde;es, muito menos foram verificadas filas de "mulheres mentirosas" em sua porta. Inferir &agrave; mulher brasileira a condi&ccedil;&atilde;o de suposta "mentirosa" expressa o desrespeito aos seus direitos humanos e &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o de cidadania. A legisla&ccedil;&atilde;o estabelece que a palavra da mulher que afirma ter sofrido viol&ecirc;ncia sexual deve ter credibilidade, &eacute;tica e legalmente, devendo ser recebida como <B>presun&ccedil;&atilde;o de veracidade </B>(14; 24). Mesmo assim, a busca por provas materiais da viol&ecirc;ncia &eacute; tratada como priorit&aacute;ria. O estupro se tornou, incompreensivelmente, a &uacute;nica condi&ccedil;&atilde;o onde boletim de ocorr&ecirc;ncia e exame pericial precedem medidas de emerg&ecirc;ncia imposterg&aacute;veis, como a preven&ccedil;&atilde;o da gravidez e da infec&ccedil;&atilde;o pelo v&iacute;rus HIV (21). </font></p>     <p><font size="3">Nesse aspecto, &eacute; fundamental destacar a quest&atilde;o da anticoncep&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia (AE) como medida cr&iacute;tica na assist&ecirc;ncia &agrave; viol&ecirc;ncia sexual (25). Sua efic&aacute;cia &eacute; elevada, com &iacute;ndice de efetividade m&eacute;dio de 80%, o que significa que a AE pode evitar, em m&eacute;dia, quatro de cada cinco gesta&ccedil;&otilde;es decorrentes da viol&ecirc;ncia sexual. Contudo, os resultados da AE superam 99% quando empregada nas primeiras 12 horas da viol&ecirc;ncia sexual, mesmo per&iacute;odo em que se costumam colocar medidas burocr&aacute;ticas adiante de sua prescri&ccedil;&atilde;o (26). Alguns pa&iacute;ses com leis restritivas para o aborto insistem em proibir a AE, alegando suposto "efeito abortivo" (21; 25). Mesmo frente &agrave; ampla evid&ecirc;ncia cient&iacute;fica que sustenta que a AE n&atilde;o atua ap&oacute;s a fecunda&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o altera a receptividade do endom&eacute;trio, n&atilde;o prejudica a implanta&ccedil;&atilde;o do embri&atilde;o ou resulta em sua elimina&ccedil;&atilde;o precoce (25; 27). &Eacute; paradoxal que pa&iacute;ses que pro&iacute;bem o aborto e que m&eacute;dicos que aleguem obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia para n&atilde;o realiz&aacute;-lo tamb&eacute;m neguem para a mulher o direito de evitar a gravidez (21).</font></p>     <p><font size="3">Essas e outras dificuldades que ainda existem para a implementa&ccedil;&atilde;o do aborto em situa&ccedil;&otilde;es de gravidez decorrente de viol&ecirc;ncia sexual n&atilde;o devem ser entendidas como barreiras intranspon&iacute;veis. H&aacute; que se reconhecer o not&aacute;vel avan&ccedil;o nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas brasileiras nos &uacute;ltimos 20 anos, resultado do esfor&ccedil;o do poder p&uacute;blico, de gestores e profissionais de sa&uacute;de, do movimento de mulheres e de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil. Se, por um lado, cabe admitir que o direito ao aborto previsto por lei foi ignorado por quase 50 anos, por outro, &eacute; necess&aacute;rio reconhecer que a sociedade brasileira caminha, irrevogavelmente, para um tempo em que nunca mais uma mulher que sofra viol&ecirc;ncia sexual ser&aacute; desrespeitada ou abandonada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Jefferson Drezett </B>&eacute; diretor do N&uacute;cleo de Aten&ccedil;&atilde;o Integral &agrave; Mulher em Situa&ccedil;&atilde;o de Viol&ecirc;ncia Sexual e Abortamento Legal do Hospital P&eacute;rola Byington. Participa como membro do Cons&oacute;rcio Latino-americano Contra o Aborto Inseguro (Clacai), do Cons&oacute;rcio Internacional de Aborto Medicamentoso (ICMA), e da Comiss&atilde;o de Abortamento Legal da Sociedade Brasileira de Reprodu&ccedil;&atilde;o Humana. </I></font></p>     <p><font size="3"><i><B>Daniela Pedroso</B> &eacute; psic&oacute;loga do N&uacute;cleo de Aten&ccedil;&atilde;o Integral &agrave; Mulher em Situa&ccedil;&atilde;o de Viol&ecirc;ncia Sexual e Abortamento Legal do Hospital P&eacute;rola Byington, e mestranda em sa&uacute;de materno infantil pela Universidade de Santo Amaro.</i> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">1.  Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos. Conven&ccedil;&atilde;o Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Viol&ecirc;ncia Contra a Mulher. Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos. (S.L.:s.n). 1995.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Drezett, J., Del Pozo, E. <I>El Rol de los servicios de salud en la atenci&oacute;n a mujeres v&iacute;ctimas de violencia sexual</I>. La Paz: Ipas Bolivia; 2002. 15p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Beebe, D.K. "Sexual assault: the physician's role in prevention and treatment". <I>J Miss State Assoc</I>. 1998;39(10):366-9.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  National Victim Center, Crime Victims Research and Treatment Center. "Rape in America: a report to the nation". South Carolina: Dept of Psychiatry and Behavioral Sciences; 1992. 287p.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5.  Souza, C.M., Adesse, L. "Viol&ecirc;ncia sexual no Brasil: perspectivas e desafios". Bras&iacute;lia: Secretaria Especial de Pol&iacute;ticas para Mulheres; 2005. 186p.     </font></p>     ]]></body>
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