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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n2/artigos_aborto.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Aborto e Sa&uacute;de Mental</b></font></p>     <p><font size="3">Daniela Pedroso </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>A</b></font><font size="3"> reprodu&ccedil;&atilde;o e o exerc&iacute;cio da sexualidade deveriam ser sempre atos desejados e planejados, pois assim n&atilde;o ocorreriam gesta&ccedil;&otilde;es indesejadas, as quais ocorrem em um momento pouco favor&aacute;vel, inoportuno, ou contra a vontade (1). </font></p>     <p><font size="3">Em uma &eacute;poca em que existem meios para regular a fertilidade, as mulheres ainda enfrentam esse problema devido aos seguintes fatores: as mulheres e seus parceiros desejam menos filhos; nem todos podem fazer controle de fertilidade; existem rela&ccedil;&otilde;es sexuais que n&atilde;o s&atilde;o volunt&aacute;rias e nem desejadas, cuja express&atilde;o extrema &eacute; a viol&ecirc;ncia sexual, ou quando existe uma forte press&atilde;o social para o in&iacute;cio da vida sexual, como acontece em alguns grupos de adolescentes; os m&eacute;todos anticonceptivos falham, afinal eles n&atilde;o s&atilde;o 100% eficazes (1). </font></p>     <p><font size="3">O momento da decis&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao que fazer frente a uma gesta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o desejada &eacute; um momento solit&aacute;rio e doloroso para a mulher e aqueles que a rodeiam, e traz in&uacute;meras consequ&ecirc;ncias. O abortamento n&atilde;o &eacute; visto pelas mulheres que o elegeram como uma prefer&iacute;vel, ou desej&aacute;vel, forma de contracep&ccedil;&atilde;o (2). O abortamento s&oacute; ocorre porque uma gravidez &eacute; indesejada e somente as mulheres que tomam essa decis&atilde;o sabem exatamente porque o fazem (3). A experi&ecirc;ncia de uma gesta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o desejada, mais propriamente do que o abortamento por si s&oacute;, pode ser a causa de alguma culpa ou depress&atilde;o existente (4, 5).</font></p>     <p><font size="3">Diante de uma gravidez indesejada, a mulher deve ser conscientizada da exist&ecirc;ncia de op&ccedil;&otilde;es frente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o, a saber: manter a gesta&ccedil;&atilde;o at&eacute; o seu t&eacute;rmino e inserir a futura crian&ccedil;a na fam&iacute;lia, manter a gesta&ccedil;&atilde;o at&eacute; o seu t&eacute;rmino e proceder com os mecanismos legais para o processo de ado&ccedil;&atilde;o ou interromper a gesta&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do abortamento (6). Os motivos que levam ao abortamento podem variar desde o risco de morte materna, anomalia fetal, gesta&ccedil;&atilde;o decorrente de viol&ecirc;ncia sexual, at&eacute; quest&otilde;es pessoais (7).</font></p>     <p><font size="3">A gravidez decorrente de viol&ecirc;ncia sexual se destaca pela complexidade das rea&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas, sociais e biol&oacute;gicas que determina (8). A gesta&ccedil;&atilde;o, indesejada ou for&ccedil;ada, &eacute; encarada por muitas mulheres como uma segunda viol&ecirc;ncia (3). As respostas emocionais ao abortamento induzido legalmente s&atilde;o altamente positivas. Os problemas emocionais que resultam do abortamento s&atilde;o raros e menos frequentes do que aqueles que surgem ap&oacute;s o parto de uma gravidez indesejada (9, 10). Estudos nos &uacute;ltimos 25 anos apontam o abortamento como um procedimento relativamente saud&aacute;vel em termos de efeitos emocionais. H&aacute; uma rea&ccedil;&atilde;o de al&iacute;vio por parte das mulheres ap&oacute;s o abortamento (4, 11, 10, 12, 13), sendo que o mesmo n&atilde;o afeta desfavoravelmente a maioria das mulheres (14). Quase todas as mulheres assimilam a experi&ecirc;ncia do abortamento entre seis meses e um ano ap&oacute;s o procedimento (14).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Questionadas ap&oacute;s o abortamento, acima de 98% das mulheres n&atilde;o apresentaram remorso e fariam a mesma escolha novamente sob as mesmas circunst&acirc;ncias (15). Mais de 70% das mulheres expressaram desejo por uma crian&ccedil;a no futuro (16, 17). Pode-se ainda afirmar que mulheres que abortaram n&atilde;o sofreram efeitos psicol&oacute;gicos adversos (18, 19).</font></p>     <p><font size="3">A maioria das mulheres n&atilde;o experimentou problemas psicol&oacute;gicos ou arrependimentos dois anos ap&oacute;s o abortamento (17). As adolescentes que escolheram abortar est&atilde;o mais pr&oacute;ximas de completar o ensino m&eacute;dio na idade esperada do que aquelas de status socioecon&ocirc;mico semelhante que levaram a gesta&ccedil;&atilde;o a termo (19).</font></p>     <p><font size="3">Um estudo realizado oito semanas ap&oacute;s o abortamento concluiu que: 70% das mulheres continuaram no seu relacionamento pr&eacute;-abortamento, 5% estabeleceram novos relacionamentos e 20% n&atilde;o tinham parceiro sexual; 45% descreveram que seus sentimentos sobre seus parceiros n&atilde;o mudaram, 39% se sentiram mais perto de seus parceiros e 16% se sentiram menos pr&oacute;ximas de seus parceiros ou descreveram sentimentos vari&aacute;veis; 46% sentiram que a qualidade de seus relacionamentos n&atilde;o mudou, 16% sentiram que seu relacionamento melhorou e 10% sentiram que seu relacionamento piorou; 98% das mulheres com companheiro retomou relacionamento sexual (20).</font></p>     <p><font size="3">Quando uma mulher tem sua solicita&ccedil;&atilde;o de abortamento negada, o risco para sua sa&uacute;de mental &eacute; muito maior, na medida em que, sem escolha, enfrentar&aacute; uma gravidez indesejada. Trinta e quatro por cento das mulheres que tiveram o abortamento negado reportaram que, de um a tr&ecirc;s anos, a crian&ccedil;a se tornou um peso do qual frequentemente elas se ressentiam (15).</font></p>     <p><font size="3">As respostas psicol&oacute;gicas ao abortamento s&atilde;o menos s&eacute;rias do que aquelas experimentadas por mulheres que levam sua gesta&ccedil;&atilde;o indesejada a termo e decidem entregar a crian&ccedil;a para ado&ccedil;&atilde;o (12). Praticamente todas as mulheres acreditaram que doar o beb&ecirc; poderia causar trauma emocional maior que o abortamento, considerando que poderiam desenvolver uma profunda afei&ccedil;&atilde;o emocional com o beb&ecirc; (14).</font></p>     <p><font size="3">&Eacute; poss&iacute;vel afirmar que a "s&iacute;ndrome traum&aacute;tica do abortamento" &eacute; mais mito do que realidade (3), sendo que a Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Psicologia n&atilde;o a reconhece e mais de 250 trabalhos cient&iacute;ficos desmentiram a exist&ecirc;ncia dessa s&iacute;ndrome (21).</font></p>     <p><font size="3">A Associa&ccedil;&atilde;o Americana de Psicologia concluiu que o abortamento legal n&atilde;o cria danos para a maioria das mulheres submetidas ao procedimento. Vinte e um por cento das mulheres americanas realizam abortamento, portanto se houvesse severas rea&ccedil;&otilde;es emocionais existiria uma epidemia de mulheres procurando tratamento psicol&oacute;gico, o que n&atilde;o acontece (9).</font></p>     <p><font size="3">Diante de tudo o que foi colocado, podemos levantar algumas quest&otilde;es para reflex&atilde;o futura: (i) Por que n&atilde;o podemos ser sens&iacute;veis ao direito de escolha dessas mulheres? (ii) Por que n&atilde;o deixar que as mulheres optem se desejam realizar ou n&atilde;o um abortamento? (iii) Por que n&atilde;o fazer valer o direito ao aborto enquanto direito humano das mulheres? </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Daniela Pedroso</B> &eacute; psic&oacute;loga do N&uacute;cleo de Aten&ccedil;&atilde;o Integral &agrave; Mulher em Situa&ccedil;&atilde;o de Viol&ecirc;ncia Sexual e Abortamento Legal do Hospital P&eacute;rola Byington, e mestranda em sa&uacute;de materno infantil pela Universidade de Santo Amaro. </I></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS </B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1.  Langer, A. &amp; Espinoza, H. "Embarazo no deseado: impacto sobre la salud y la sociedad en America Latina y el Caribe. Novos desaf&oacute;s de la responsabilidad pol&iacute;tica". Foro de la Sociedade Civil en las Am&eacute;ricas. <I>Cuadernos Del Foro</I>; Vol.4, no.5, pp.95-101. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2.  Henshaw, S.K.; Silverman, J. "The characteristics and prior contraceptive use of US abortion patients"<I>. Family Planning Perspectives</I>, Vol.20, no.4, pp.158-9 &amp; 162-8. 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Fa&uacute;ndes, A.; Barzelatto, J. <I>O drama do aborto: em busca de um consenso.</I> Campinas: Komedi. P.304. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4.  Adler, N.; Henry, D.; Major, B.; Roth, S.; Russo, N.; Wyatt, G. <I>et al</I>. "Psychological responses after abortion". <I>Science</I>;. Vol.248, no.4951, pp.41-4. 1990.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">5.  Zolese, G.; Blacker, C. "Psychological complications of therapeutic abortion". <I>British Journal of Psychiatric</I>, Vol.160, pp.742-9. 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de. Departamento de A&ccedil;&otilde;es Program&aacute;ticas Estrat&eacute;gicas. &Aacute;rea T&eacute;cnica de Sa&uacute;de da Mulher. <I>Preven&ccedil;&atilde;o e tratamento dos agravos resultantes da viol&ecirc;ncia sexual contra mulheres e adolescentes</I>. 2.ed. Atualizada e ampliada. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 68p. 2005(e).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7.  Brasil. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Secretaria de Aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Sa&uacute;de. Departamento de A&ccedil;&otilde;es Program&aacute;ticas Estrat&eacute;gicas. &Aacute;rea T&eacute;cnica de Sa&uacute;de da Mulher. <I>Aten&ccedil;&atilde;o humanizada ao abortamento</I>. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de; 34p. 2005(d).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Fa&uacute;ndes, A.; Bedone, A.; Pinto e Silva J.L. I F&oacute;rum interprofissional para a implementa&ccedil;&atilde;o do atendimento ao aborto previsto na lei. <I>Femina</I>; Vol.25, pp.1-8. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  Adler, N. University of California at San Francisco, Statement on Behalf of the American Psychological Association Before the Human Resources and Intergovernmental Relations Subcommittee of the Committee on Governamental Operations, US House of Representatives; pp.130-40. 1989.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">10.  Kero, A.; Hogberg, U.; Lalos, A. "Wellbeing and mental growth: long-term effects of legal abortion". <I>Social Science &amp; Medicine</I>; Vol.58, pp.2229-69. 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11.  Armsworth, M.W. "Psychological response to abortion"<I>. Journal of Counseling and Development</I>; Vol.69, pp.377-9. 1991.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12.  Lazarus, A. "Psychiatric sequelae of legalized first trimester abortion"<I>. Journal of Psychosomatic Obstetrics &amp; Gynaecology</I>; Vol.4, no.3, pp.140-50. 1985.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">13.  D. H. Miller. <I>In:  Evaluating women's health messages: A resource book</I>; Thousands Oaks, CA, pp.17-32. 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14.  P. Sachdev. <I>Sex, abortion and unmarried women</I>. Westport, CT: Greenwood Press. 1993.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">15.  Dagg, P.K.B. <I>Am. J. of Psyc</I>.  Vol.148, no.5, pp.578-85. 1991.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16.  Torres, A.; Forrest, J. D.<I> Family Planning Perspectives</I>; Vol.20, no.4, pp.196-76. 1988.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">17.  Major, B.; Cozzarelli,,C; Cooper, M.L., Zubek, J.; Richards, C.; Wilhite, M.; Gramzow, R. H. <I>Archives of General Psychiatry</I>, Vol.57, no.777. 2000.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">18.  Russo, N.F.; Zierk, K.L. "Abortion, childbearing, and women's well-being"<I>. Professional Psychology: Research and Practice</I>, Vol.23, no.4, pp.269-80. 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">19.  Zabin, L.S.; Hirsch, M.B.; Emerson, M.R.. <I>Family Planning Perspectives</I>. Vol.20, no.169. 1989.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">20.  Ashton, J. R. <I>Brit. J. Obst. and Gyn</I>., Vol.87, no.1115. 1980.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">21.  Tyrer, L. B.; Grimes, D. <I>Population and Development Review</I>, Vol.15, no.172. 1989.    </font></p>      ]]></body><back>
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