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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n2/artigos_aborto.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Aborto e legisla&ccedil;&atilde;o comparada</b></font></p>     <p><font size="3">Jos&eacute; Henrique Rodrigues Torres</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>PARA ONDE DEVEMOS IR? </B>Na atmosfera <I>nonsense</I> do Pa&iacute;s das Maravilhas (1), quando Alice disse ao gato que n&atilde;o sabia para onde queria ir, ouviu esta &oacute;bvia resposta: "Ent&atilde;o n&atilde;o importa que caminho tome". Ora, no enfrentamento normativo da quest&atilde;o do aborto, se queremos saber por onde seguir, precisamos saber para onde queremos ir. </font></p>     <p><font size="3">Queremos ir na dire&ccedil;&atilde;o de Malta, o pa&iacute;s da Uni&atilde;o Europeia (UE) com a lei mais restritiva sobre o aborto, onde a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez &eacute; proibida sem nenhuma exce&ccedil;&atilde;o, considerado um dos mais mis&oacute;ginos do mundo, onde o movimento <I>Gift of Life</I> (Dom da Vida) pretende erigir &agrave; preceito constitucional a proibi&ccedil;&atilde;o do aborto, onde o div&oacute;rcio &eacute; proibido e  a vida p&uacute;blica &eacute; condicionada pela religi&atilde;o de Estado? Ou queremos ir na dire&ccedil;&atilde;o da Holanda, o pa&iacute;s dos ant&iacute;podas europeus dos malteses, onde a decis&atilde;o sobre a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez &eacute; tomada pela gestante? (2). </font></p>     <p><font size="3">Precisamos decidir aonde queremos ir para escolher as veredas pelas quais devemos caminhar. Mas, como nos adverte o poeta Mario Quintana, ser&atilde;o tristes os caminhos se o caminhar n&atilde;o for iluminado pela m&aacute;gica presen&ccedil;a das estrelas.  Assim, para encontrar o caminho correto, &eacute; preciso, inicialmente, olhar para os caminhos iluminados pelas experi&ecirc;ncias vividas pelos demais povos na constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do enfrentamento normativo da quest&atilde;o do aborto.</font></p>     <p><font size="3"><B>O CAMINHO PERCORRIDO (3) </B>O que est&aacute; no interior do &uacute;tero &eacute; um ap&ecirc;ndice do corpo da mulher. Era isso o que se pregava at&eacute; meados do s&eacute;culo XVIII. Como dizia o est&oacute;ico Ulpiano: "<I>mulieris portio vel viscerum"</I>. </font></p>     <p><font size="3">Na antiguidade greco-romana, o aborto era moralmente aceito e juridicamente l&iacute;cito, mas havia um limite: a tutela do interesse masculino, pois o aborto podia contrariar a expectativa do pai, do marido ou do patr&atilde;o: os gregos n&atilde;o fizeram leis punitivas para o aborto, mas a sua pr&aacute;tica exigia a autoriza&ccedil;&atilde;o do marido ou patr&atilde;o, para que n&atilde;o se negasse ao homem a sua descend&ecirc;ncia; e, em Roma, no s&eacute;culo V, a m&atilde;e podia ser repudiada pelo marido por <B>subtra&ccedil;&atilde;o de prole</B>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Depois, no Renascimento, posto que admitida a "contribui&ccedil;&atilde;o do sangue menstrual para a concep&ccedil;&atilde;o", prevaleceu a no&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a ativa do esperma e a constru&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica, funcional e social do corpo da mulher exigia o controle da gesta&ccedil;&atilde;o e do aborto. </font></p>     <p><font size="3">Na segunda metade do s&eacute;culo XVIII, embora o meio social e as institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se interessassem pelo que ocorria no corpo feminino entre a concep&ccedil;&atilde;o e o nascimento, o aborto n&atilde;o era livre: era admitido no espa&ccedil;o privado da pobreza, no &acirc;mbito da prostitui&ccedil;&atilde;o, ou no &acirc;mbito das rela&ccedil;&otilde;es il&iacute;citas ou criminosas, como no adult&eacute;rio, no concubinato e no estupro, "praticados para violar interesses econ&ocirc;micos ou como vingan&ccedil;a contra o marido, para priv&aacute;-lo de sua descend&ecirc;ncia". O aborto era reprovado, pois, para preservar os interesses masculinos contra o comportamento <B>devasso </B>das mulheres.</font></p>     <p><font size="3">As conquistas cient&iacute;ficas ocorridas durante os s&eacute;culos XVII e XVIII lan&ccedil;aram novas bases sobre essa reflex&atilde;o, o feto passou a ser considerado como uma entidade aut&ocirc;noma e as afirma&ccedil;&otilde;es teol&oacute;gicas tiveram eco na legisla&ccedil;&atilde;o civil.</font></p>     <p><font size="3">Com a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa e o surgimento dos estados nacionais, as guerras, pestes e descobertas geogr&aacute;ficas determinaram novas mudan&ccedil;as: as taxas demogr&aacute;ficas diminu&iacute;ram muito e de modo perigoso para o Estado, que era considerado forte pela quantidade dos seus <B>s&uacute;ditos</B>. Mais filhos para a Rep&uacute;blica significava mais bra&ccedil;os empregados no trabalho e na defesa, mais contribuintes e mais soldados para realizar fun&ccedil;&otilde;es &uacute;teis e necess&aacute;rias. A vida do indiv&iacute;duo era interesse do Estado e a maternidade, um ato de patriotismo. </font></p>     <p><font size="3">E as primeiras legisla&ccedil;&otilde;es org&acirc;nicas relacionadas ao controle do aborto surgiram na Fran&ccedil;a, em 1870, quando tal ato foi considerado um crime contra a pessoa.</font></p>     <p><font size="3">No s&eacute;culo XIX, tutelar o feto era uma decis&atilde;o de Estado, por raz&otilde;es eminentemente pol&iacute;tico-ideol&oacute;gicas: a esperan&ccedil;a de um futuro cidad&atilde;o deveria ser preservada, pois "o aborto n&atilde;o lesa a pessoa do nascituro, mas o direito da sociedade ao processo de forma&ccedil;&atilde;o da vida". </font></p>     <p><font size="3">Depois da Primeira Guerra Mundial, j&aacute; no s&eacute;culo XX, as na&ccedil;&otilde;es, levadas pela vaga nacionalista, que pregava a necessidade de fam&iacute;lias numerosas, adotaram san&ccedil;&otilde;es normativas mais severas com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; contracep&ccedil;&atilde;o e ao aborto.  Nos anos 1940, afirmava-se que o "<I>coitus interruptus</I> defrauda a natureza, exaltando o ego&iacute;smo sexual, e o Estado, na medida em que subtrai milhares de cidad&atilde;os &agrave; na&ccedil;&atilde;o". O aborto era um "crime contra a integridade e sa&uacute;de da estirpe", como afirmavam os fascistas. E, na Fran&ccedil;a, em 1942, o aborto era uma amea&ccedil;a "&agrave; seguran&ccedil;a interna e externa do Estado", pois produzia "danos ao povo". Obviamente, tais afirma&ccedil;&otilde;es, normativas inclusive, tinham componentes ideol&oacute;gicos: o crescimento demogr&aacute;fico como condi&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento econ&ocirc;mico nacional; e o comportamento imperialista para o qual esse aumento &eacute; importante na &oacute;ptica da conquista colonial e do alargamento territorial.</font></p>     <p><font size="3">A legisla&ccedil;&atilde;o nazista admitia o aborto, mas n&atilde;o para assegurar direitos &agrave;s mulheres: o seu objetivo era o aperfei&ccedil;oamento da ra&ccedil;a; era preciso impedir que as mulheres de ra&ccedil;a inferior tivessem filhos; e o aborto, por isso, era incentivado nos territ&oacute;rios ocupados.</font></p>     <p><font size="3">Houve uma exce&ccedil;&atilde;o ao clima repressivo que caracterizou o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Em 1920, na R&uacute;ssia bolchevique, o aborto foi liberado. Contudo, em face do elevado n&uacute;mero de infantic&iacute;dios, uxoric&iacute;dios e abortos, estes foram proibidos pelo stalinismo. E, em 1936, durante a Rep&uacute;blica Espanhola, com a anarquista Federica Moseny no Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, legalizou-se o aborto, mas, em 1940, com a implanta&ccedil;&atilde;o do regime franquista, o aborto voltou a ser criminoso.</font></p>     <p><font size="3">Depois da Segunda Guerra Mundial, nos anos de 1950 e 1960, em raz&atilde;o do fortalecimento do feminismo e da no&ccedil;&atilde;o do Estado laico, preparou-se o caminho para que, na It&aacute;lia, nas d&eacute;cadas seguintes, dois referendos, um sobre o div&oacute;rcio (1974) e outro sobre o aborto (1981), garantissem a preval&ecirc;ncia das escolhas individuais em mat&eacute;ria de foro &iacute;ntimo e sexual, reconhecendo-se o direito das mulheres &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o, inclusive quanto ao pr&oacute;prio corpo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Na Inglaterra, em 1967, foi aprovado, o <I>Abortion Act.</I></font></p>     <p><font size="3">Em 1971, 343 mulheres francesas subscreveram um manifesto p&uacute;blico, admitindo que haviam praticado o aborto, o que foi determinante para a aprova&ccedil;&atilde;o, em 1975, da Lei Veil, que legalizou a pr&aacute;tica da interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gesta&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">E, no mesmo ano, na Alemanha Ocidental, a revista <I>Stern</I> publicou uma manifesta&ccedil;&atilde;o de 375 mulheres que tamb&eacute;m admitiram ter praticado o aborto, estimulando mais de 3 mil mulheres a fazerem autoden&uacute;ncias &agrave;s autoridades, o que acabou fortalecendo um grande movimento social que, em 1974, possibilitou a legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto nos primeiros tr&ecirc;s meses de gesta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Antes disso, em 1965, depois de uma grande mobiliza&ccedil;&atilde;o a favor da legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, Colorado e Calif&oacute;rnia, nos EUA, legalizaram o aborto em alguns casos; e, em 1970, Nova Iorque admitiu o aborto com menos de 24 semanas.</font></p>     <p><font size="3">Ali&aacute;s, a legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, nos EUA, foi levada &agrave; Suprema Corte Americana, que, em 1973, julgando o caso "Roe <I>versus</I> Wade", decidiu que o Estado pode proibir o aborto apenas depois da 24ª semana, quando o feto atinge a viabilidade, reconheceu <B>o direito da mulher de escolher interromper ou n&atilde;o a gravidez</B>, como um direito integrador da <I>privacy (</I>liberdade pessoal), garantido pela 14ª Emenda da Constitui&ccedil;&atilde;o Americana (4) e afirmou que o feto n&atilde;o &eacute; pessoa em termos constitucionais, que existe o direito fundamental ao controle pessoal da capacidade de procria&ccedil;&atilde;o e que a lei n&atilde;o pode impor a ningu&eacute;m o sacrif&iacute;cio de si pr&oacute;prio por outra pessoa.</font></p>     <p><font size="3">E, apesar das violentas rea&ccedil;&otilde;es contra essa decis&atilde;o, especialmente do extremista movimento Pro Life, prevaleceu a propens&atilde;o americana de que os direitos devem ser examinados sob a &oacute;tica dos direitos fundamentais e o aborto foi proclamado como uma pr&aacute;tica constitucional.</font></p>     <p><font size="3">Nos anos 1980, houve v&aacute;rias tentativas, algumas com &ecirc;xito, para impedir o avan&ccedil;o das ondas da legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto: na B&eacute;lgica, em 1990, o rei recusou-se a ratificar a lei que liberava o aborto; em 1994, na Pol&ocirc;nia, o presidente da rep&uacute;blica, Lech Walesa, tamb&eacute;m se recusou a assinar a lei que liberalizava largamente o aborto; a Irlanda reconheceu o direito &agrave; vida a partir da concep&ccedil;&atilde;o e afirmou que, "sempre que for aprovada uma lei sobre o aborto, o povo irland&ecirc;s tem o direito de se opor &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o desta no seu territ&oacute;rio"; e, na Pol&ocirc;nia, um movimento c&iacute;vico que, com mais de um milh&atilde;o e setecentas mil assinaturas, solicitava a realiza&ccedil;&atilde;o de um referendo, foi boicotado por pol&iacute;ticos, tribunais e Igreja Cat&oacute;lica (5), que, sob o comando do Papa Jo&atilde;o Paulo II, impulsionou a altera&ccedil;&atilde;o de uma das leis mais liberais da Europa para uma das mais restritivas.</font></p>     <p><font size="3">Na It&aacute;lia, em 1978, a Lei 194 foi aprovada, permitindo o aborto nos primeiros 90 dias ap&oacute;s a concep&ccedil;&atilde;o para proteger a sa&uacute;de da mulher (equil&iacute;brio existencial: condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais e familiares; e previs&otilde;es de anomalia ou malforma&ccedil;&atilde;o do nascituro), mas admitindo, tamb&eacute;m, a obje&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia e exigindo aconselhamento m&eacute;dico pr&eacute;vio. Essa lei contrariou a Igreja, que entendeu que estava consagrada a decis&atilde;o arbitr&aacute;ria da mulher, mas tamb&eacute;m contrariou o feminismo, porque n&atilde;o se garantiu o princ&iacute;pio da autodetermina&ccedil;&atilde;o e manteve a criminaliza&ccedil;&atilde;o. E essa insatisfa&ccedil;&atilde;o geral levou a It&aacute;lia, em 1981, a dois referendos, ambos rejeitados: um, ab-rogat&oacute;rio; e o outro, pela total liberaliza&ccedil;&atilde;o do aborto.</font></p>     <p><font size="3">Como se v&ecirc;, nos &uacute;ltimos dois s&eacute;culos, o aborto foi encarado, ora como um assunto masculino, ora como uma quest&atilde;o feminina, mas, como observam An&iacute;bal Fa&uacute;ndes e Jos&eacute; Barcelatto (6), nos &uacute;ltimos cinquenta anos, apesar de intensos movimentos reacion&aacute;rios, prevaleceu nos sistemas legais, bem como na esfera da interven&ccedil;&atilde;o judicial, a tend&ecirc;ncia de descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto ou, pelo menos, de amplia&ccedil;&atilde;o dos casos de autoriza&ccedil;&atilde;o para a sua pr&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="3">E, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, ficou assim o panorama normativo do enfrentamento do abortamento na Uni&atilde;o Europeia:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="3"><B>a) proibi&ccedil;&atilde;o do aborto, sem exce&ccedil;&otilde;es</B>: Malta;</font></p>       <p><font size="3"><B>b) aborto permitido a pedido da mulher, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o </B>(de 90 dias a 24 semanas): Reino Unido, Holanda, Su&eacute;cia, Rom&ecirc;nia, Dinamarca, Let&ocirc;nia, Rep&uacute;blica Checa, Eslov&aacute;quia, Gr&eacute;cia, Hungria, B&eacute;lgica, Bulg&aacute;ria, Fran&ccedil;a, Alemanha, Litu&acirc;nia, Est&ocirc;nia, Portugal, Eslov&ecirc;nia, &Aacute;ustria e It&aacute;lia; </font></p>       <p><font size="3"><B>c) aborto permitido em raz&atilde;o de risco de vida para a gestante, sempre</B>: Reino Unido, Dinamarca, Su&eacute;cia, Let&ocirc;nia, Pol&ocirc;nia, Eslov&ecirc;nia, &Aacute;ustria, Rep&uacute;blica Checa, Eslov&aacute;quia, Rom&ecirc;nia, Chipre, Gr&eacute;cia, Hungria, Espanha, Portugal, Fran&ccedil;a, Alemanha, Litu&acirc;nia, Est&ocirc;nia e Luxemburgo e Irlanda (inclui risco de suic&iacute;dio);</font></p>       <p><font size="3"><B>d) aborto permitido em raz&atilde;o de risco de vida para a gestante, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o:</B> Holanda e Finl&acirc;ndia;</font></p>       <p><font size="3"><B>e) aborto permitido em raz&atilde;o de risco para a sa&uacute;de da gestante, sempre</B>: Dinamarca, Eslov&ecirc;nia, &Aacute;ustria, Rep&uacute;blica Checa, Eslov&aacute;quia, Rom&ecirc;nia, Chipre, Hungria, B&eacute;lgica, It&aacute;lia, Fran&ccedil;a e Alemanha;</font></p>       <p><font size="3"><B>f) aborto permitido em raz&atilde;o de risco para a sa&uacute;de da gestante, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o </B>(de 90 dias a 28 semanas): Litu&acirc;nia, Let&ocirc;nia, Holanda, Reino Unido, Est&ocirc;nia, Irlanda, Luxemburgo, Portugal, Pol&ocirc;nia e Espanha;</font></p>       <p><font size="3"><B>g) aborto permitido quando a gravidez resulta de estupro ou outro crime sexual, sempre</B>: Rom&ecirc;nia, Chipre, Gr&eacute;cia, Alemanha e Hungria;</font></p>       <p><font size="3"><B>h) aborto permitido quando a gravidez resulta de estupro ou outro crime sexual, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o </B>(de 90 dias a 28 semanas): Dinamarca, Finl&acirc;ndia, Fran&ccedil;a, Espanha, B&eacute;lgica, Pol&ocirc;nia, Luxemburgo, Portugal, Litu&acirc;nia, Est&ocirc;nia, Holanda, Let&ocirc;nia e It&aacute;lia;</font></p>       <p><font size="3"><B>i) aborto permitido quando h&aacute; malforma&ccedil;&atilde;o fetal, sem exig&ecirc;ncia de tempo de gesta&ccedil;&atilde;o</B>: Reino Unido, &Aacute;ustria, Rep&uacute;blica Checa, Eslov&aacute;quia, Rom&ecirc;nia, Chipre, Hungria, Fran&ccedil;a, Alemanha e Bulg&aacute;ria; </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>j) aborto permitido quando h&aacute; malforma&ccedil;&atilde;o fetal, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o</B>: Holanda, Dinamarca, Su&eacute;cia, Finl&acirc;ndia, Let&ocirc;nia, Pol&ocirc;nia, Eslov&ecirc;nia, Gr&eacute;cia, Espanha, B&eacute;lgica, It&aacute;lia, Portugal, Litu&acirc;nia, Est&ocirc;nia e Luxemburgo; e, finalmente,</font></p>       <p><font size="3"><B>k) aborto permitido por raz&otilde;es socioecon&ocirc;micas, com algum tempo determinado de gesta&ccedil;&atilde;o</B>: Holanda, Finl&acirc;ndia, It&aacute;lia, Fran&ccedil;a e Luxemburgo.</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Vale destacar Portugal: em 2007, depois de aprovado por referendo popular, o aborto foi autorizado nas seguintes situa&ccedil;&otilde;es: at&eacute; 10 semanas de gravidez, a pedido da mulher, independentemente de qualquer motiva&ccedil;&atilde;o; at&eacute; dezesseis semanas, em caso de estupro ou crime sexual; at&eacute; 24 semanas em caso de malforma&ccedil;&atilde;o do feto; e, em qualquer momento, em casos de risco para a vida ou para a sa&uacute;de f&iacute;sica ou ps&iacute;quica da mulher ou nos casos de fetos invi&aacute;veis (Lei nº 16, de 17 de abril de 2007). Ali&aacute;s, a Corte Constitucional Portuguesa, em 1985, j&aacute; havia decidido que a vida intra-uterina reclama prote&ccedil;&atilde;o do Estado, mas a Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa, exatamente como a brasileira, n&atilde;o obriga que essa prote&ccedil;&atilde;o tenha natureza penal, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel concluir que "a aus&ecirc;ncia de prote&ccedil;&atilde;o penal equivale pura e simplesmente a desamparo e desprote&ccedil;&atilde;o" (7). </font></p>     <p><font size="3">E tamb&eacute;m &eacute; preciso lembrar que, em 2006, o supremo tribunal brit&acirc;nico garantiu o direito das menores de abortar sem o consentimento dos pais (8).</font></p>     <p><font size="3">Assim, na UE, apesar de algumas resist&ecirc;ncias, a tend&ecirc;ncia est&aacute; claramente ao lado da legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto (9). E o Parlamento Europeu chegou expressamente a incentivar "os Estados-Membros e os pa&iacute;ses candidatos &agrave; ades&atilde;o a pugnarem pela implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de sa&uacute;de e social que permita uma diminui&ccedil;&atilde;o do recurso ao aborto e deseja que esta pr&aacute;tica seja legalizada, segura e acess&iacute;vel a todos" (10).</font></p>     <p><font size="3">E, fora do &acirc;mbito da EU, a legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto no espa&ccedil;o normativo continua avan&ccedil;ando no mundo todo: na Austr&aacute;lia o aborto &eacute; admitido, embora dependa de autoriza&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica; no Canad&aacute; e na China (11), &eacute; legal em todos os aspectos; na Coreia do Norte, admite-se o aborto necess&aacute;rio; no Egito, quando a mulher padece de certas doen&ccedil;as, como c&acirc;ncer ou diabetes; na &Iacute;ndia, a interrup&ccedil;&atilde;o da gesta&ccedil;&atilde;o &eacute; autorizada quando h&aacute; risco de vida e para a sa&uacute;de f&iacute;sica e mental da mulher, quando a gravidez n&atilde;o &eacute; desejada, por estupro ou outros crimes sexuais e, ainda, em raz&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da gestante, mas n&atilde;o &eacute; permitido por simples solicita&ccedil;&atilde;o; em Israel, permite-se o aborto diante de risco psicol&oacute;gico ou f&iacute;sico para a mulher, nos casos de malforma&ccedil;&atilde;o fetal e, tamb&eacute;m, o humanit&aacute;rio; no Jap&atilde;o, o aborto &eacute; legal at&eacute; 20 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o em casos de malforma&ccedil;&atilde;o fetal, enfermidade mental ou retardamento mental da mulher ou de seu c&ocirc;njuge, risco de vida para a mulher, estupro e incesto; no M&eacute;xico, s&atilde;o admitidos o aborto necess&aacute;rio e o sentimental; e, na R&uacute;ssia, o aborto &eacute; legal e gratuito at&eacute; tr&ecirc;s semanas de gravidez.</font></p>     <p><font size="3">No sistema interamericano, a jurisprud&ecirc;ncia afirma que o aborto n&atilde;o viola o direito &agrave; vida, ainda que protegido pela Conven&ccedil;&atilde;o Americana, "em geral", desde a concep&ccedil;&atilde;o, nos termos de seu artigo 4º, endossando, assim, a necessidade de se estabelecer um ju&iacute;zo de pondera&ccedil;&atilde;o entre os direitos fundamentais da mulher e os direitos de uma vida em potencial (12). Contudo, como observa Estrella Guti&eacute;rrez, "a Am&eacute;rica Latina continua sendo um reduto contra o direito das mulheres decidirem sobre sua gravidez e, apesar de a maioria de seus governantes proclamar-se progressista, apenas em um pa&iacute;s o aborto est&aacute; despenalizado, enquanto em cinco &eacute; crime mesmo se a gesta&ccedil;&atilde;o representar risco de vida para a m&atilde;e" (13).</font></p>     <p><font size="3">Ali&aacute;s, a Nicar&aacute;gua, em 2006, escolheu o caminho de Malta e eliminou todas as exce&ccedil;&otilde;es &agrave; criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. E, no Uruguai, em 2008, a legaliza&ccedil;&atilde;o do aborto foi aprovada pelos senadores e deputados, fortalecidos pela opini&atilde;o de pelo menos 63% dos uruguaios, mas a lei foi vetada pelo presidente Tabar&eacute; Vazquez.</font></p>     <p><font size="3">Por outro lado, na Col&ocirc;mbia, o Tribunal Constitucional reconheceu, em 2006, tr&ecirc;s possibilidades em que o aborto deve ser permitido. E no Distrito Federal do M&eacute;xico, em 2007, foi legalizado o aborto at&eacute; 12 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o, embora 17 dos 32 estados mexicanos, depois, reagindo &agrave;quela legaliza&ccedil;&atilde;o, tenham proibido a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gesta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Atualmente, portanto, &eacute; esta a situa&ccedil;&atilde;o normativa na Am&eacute;rica Latina:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="3"><B>a) Cuba</B>, em 1965, legalizou o aborto at&eacute; 12 semanas de gesta&ccedil;&atilde;o e mant&eacute;m uma taxa de abortos inferior a 21 para cada mil mulheres em idade reprodutiva, dez pontos abaixo da m&eacute;dia regional; </font></p>       <p><font size="3"><B>b) Chile, El Salvador, Nicar&aacute;gua e Rep&uacute;blica Dominicana </B>criminalizam o aborto e n&atilde;o admitem nenhuma exce&ccedil;&atilde;o (no Chile e em El Salvador, como testemunham Fa&uacute;ndes e Barcelatto, "os m&eacute;dicos realizam abortos para tratamento de gravidez ect&oacute;pica e ou de c&acirc;ncer do trato genital em mulheres gr&aacute;vidas, sem nenhuma repercuss&atilde;o legal", com base em dispositivos normativos gerais descriminalizadores; mas, no Chile, a lei processual penal determina que os m&eacute;dicos denunciem aos carabineiros o fato de uma mulher apresentar sintomas de ter praticado um aborto, o que os coloca sempre em conflito com direito das pacientes ao sigilo) (14);</font></p>       <p><font size="3"><B>c) Honduras</B>, por for&ccedil;a de seu C&oacute;digo de &Eacute;tica M&eacute;dica, permite o aborto para salvar a vida da gestante;</font></p>       <p><font size="3"><B>d) Argentina, Venezuela, Costa Rica, Peru e Paraguai</B> admitem o aborto para salvar a vida da mulher, mas na Argentina tamb&eacute;m &eacute; facultativo o aborto quando a mulher &eacute; "idiota ou demente" e, na Venezuela, &eacute; permitido, tamb&eacute;m, para proteger "a honra" da mulher ou do homem; e</font></p>       <p><font size="3"><B>e) Uruguai, Col&ocirc;mbia, Equador, Bol&iacute;via, M&eacute;xico, Panam&aacute; e Guatemala </B>permitem o aborto nos casos de viola&ccedil;&atilde;o ou incesto, mas o Uruguai tamb&eacute;m o admite no caso de "ang&uacute;stia econ&ocirc;mica" e a Col&ocirc;mbia, o M&eacute;xico e o Panam&aacute;, tamb&eacute;m quando h&aacute; malforma&ccedil;&atilde;o fetal.</font></p> </blockquote>     <p><font size="3"><B>CONCLUS&Atilde;O </B>O Brasil mant&eacute;m a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, com apenas tr&ecirc;s exce&ccedil;&otilde;es, duas previstas na lei penal (C&oacute;digo Penal, artigo 128: quando n&atilde;o h&aacute; outra forma para salvar a vida da gestante e a gravidez resultante de crimes contra a dignidade sexual) e a terceira, admitida em decis&otilde;es judiciais (malforma&ccedil;&atilde;o fetal incompat&iacute;vel com a vida extra-uterina).</font></p>     <p><font size="3">Todavia, n&atilde;o podemos nos olvidar que o sistema de direitos humanos, positivado no ambiente normativo internacional pelas confer&ecirc;ncias mundiais, pelos pactos, conven&ccedil;&otilde;es, planos e tratados aprovados e ratificados pelo Brasil, bem como pelas recomenda&ccedil;&otilde;es dos comit&ecirc;s da ONU, j&aacute; reconheceu que as mulheres t&ecirc;m o direito de determinar livremente o n&uacute;mero de seus filhos e os intervalos entre seus nascimentos, de decidir sobre o pr&oacute;prio corpo e quanto &agrave; maternidade opcional, &agrave; plena assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de sexual e reprodutiva e a uma vida livre da morte materna evit&aacute;vel, &agrave; liberdade de autodetermina&ccedil;&atilde;o, ao controle sobre a sua sexualidade e &agrave; livre decis&atilde;o sobre o exerc&iacute;cio da maternidade, sem coer&ccedil;&atilde;o, discrimina&ccedil;&atilde;o ou viol&ecirc;ncia, e &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e acesso aos servi&ccedil;os para exercer seus direitos e responsabilidades reprodutivas, enquanto os Estados t&ecirc;m o dever, bem como a obriga&ccedil;&atilde;o &eacute;tica e jur&iacute;dica, de assegurar o exerc&iacute;cio de todos esses direitos e de garantir &agrave;s mulheres os direitos &agrave; igualdade, &agrave; toler&acirc;ncia e &agrave; dignidade, de criar condi&ccedil;&otilde;es que assegurem a todas as mulheres a assist&ecirc;ncia m&eacute;dica plena, especialmente de sua sa&uacute;de sexual e reprodutiva, de proteger as mulheres dos efeitos negativos &agrave; sa&uacute;de causados pelo abortamento, de eliminar a discrimina&ccedil;&atilde;o contra as mulheres e adolescentes no que diz respeito ao acesso aos servi&ccedil;os de sa&uacute;de, em todas as fases de seu ciclo de vida, particularmente nas &aacute;reas de planejamento familiar, gravidez, parto e p&oacute;s-parto (15) e, ainda, de assumir o aborto como uma quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica, promovendo a exclus&atilde;o de todas e quaisquer medidas punitivas imposta &agrave;s mulheres que realizam a interrup&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria da gravidez (16), afastando o seu enfrentamento do &acirc;mbito do sistema penal, que, em face de seu car&aacute;ter repressivo, impede que as mulheres tenham o necess&aacute;rio acolhimento no que diz respeito ao exerc&iacute;cio material de seu direito &agrave; plena assist&ecirc;ncia sanit&aacute;ria (17), e, finalmente, mantendo um sistema jur&iacute;dico que garanta a realiza&ccedil;&atilde;o do abortamento sem restri&ccedil;&otilde;es, com a garantia de acesso a servi&ccedil;os de alta qualidade para todas as mulheres, independentemente de idade, origem, estado civil ou n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Ademais, a Corte Europeia de Direitos Humanos, com base em todos esses princ&iacute;pios e normas, j&aacute; consolidou o entendimento de que os Estados t&ecirc;m discricionariedade leg&iacute;tima para permitir o abortamento (18), pois, diante da necess&aacute;ria pondera&ccedil;&atilde;o de bens entre os direitos das mulheres e a prote&ccedil;&atilde;o do feto (19), devem guiar-se pelo princ&iacute;pio da proporcionalidade, em sua tripla dimens&atilde;o (adequa&ccedil;&atilde;o, necessidade e proporcionalidade estrita) (20).</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, o Tribunal Constitucional Alem&atilde;o, invocando o mesmo sistema de prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos, decidiu que o legislativo pode estabelecer limites para a realiza&ccedil;&atilde;o do aborto<B>, </B>mas n&atilde;o pode criminaliz&aacute;-lo, assegurando que os direitos constitucionais das mulheres permitem e, em certas hip&oacute;teses, exigem a interrup&ccedil;&atilde;o da gravidez indesejada, com fundamento nos princ&iacute;pios da razoabilidade e da proporcionalidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Como se v&ecirc;, o sistema internacional de direitos humanos &eacute; bastante para iluminar o caminho da descriminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto. </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m &eacute; preciso lembrar que, ao manter a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto, o Brasil viola princ&iacute;pios democr&aacute;ticos elementares relativos &agrave; possibilidade de criminaliza&ccedil;&atilde;o (idoneidade, subsidiariedade e racionalidade), bem como ignora as exig&ecirc;ncias jur&iacute;dico-penais de n&atilde;o se criminalizar uma conduta de modo simb&oacute;lico ou para impor uma determinada concep&ccedil;&atilde;o moral ou para punir condutas frequentemente aceitas ou praticadas por parcela significativa da popula&ccedil;&atilde;o (21), pois a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto constitui um instrumento ideol&oacute;gico de controle da sexualidade feminina, representa um mero instrumental simb&oacute;lico da ideologia patriarcal, n&atilde;o tem sido eficaz nem &uacute;til para a prote&ccedil;&atilde;o da vida intra-uterina, est&aacute; sendo mantida com um enorme custo social, impede a implanta&ccedil;&atilde;o e efetiva&ccedil;&atilde;o de medidas realmente eficazes para o enfrentamento do problema e acarreta &agrave;s mulheres terr&iacute;veis sequelas e morte.</font></p>     <p><font size="3">Assim, o Brasil, que adotou o sistema democr&aacute;tico e que aderiu a todos os princ&iacute;pios e tratados internacionais de direitos humanos acima referidos (22), incorporando em seu sistema jur&iacute;dico-constitucional os direitos humanos, sexuais e reprodutivos das mulheres (23), tem a obriga&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica e &eacute;tica de descriminalizar o aborto (24).</font></p>     <p><font size="3">Ao contr&aacute;rio de Alice, pois, sabemos para onde devemos ir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><I><B>Jos&eacute; Henrique Rodrigues Torres</B> &eacute; juiz  de direito titular da 1ª Vara do J&uacute;ri da Comarca de Campinas, professor de direito penal da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de Campinas (Puccamp), especialista em direito das rela&ccedil;&otilde;es sociais e membro da Associa&ccedil;&atilde;o de Ju&iacute;zes para a Democracia.</I></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><B>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS </B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Carroll, Lewis. <I>Aventuras de Alice no pa&iacute;s das maravilhas &amp; atrav&eacute;s do espelho</I>, Edi&ccedil;&atilde;o Comentada por Martin Gardner, Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 2002.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">2. Cordeiro, Pedro. "Malta e Holanda: os extremos". <I>In: Courrier Internacional</I>, n. 97, p. 14. Lisboa: 9 a 15 de fevereiro de 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Galeotti, Giulia. <I>Hist&oacute;ria do aborto</I>. Edi&ccedil;&otilde;es 70, Coimbra: 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Toner, Robin, "EUA. Controv&eacute;rsia consensual". <I>In: Courrier Internacional,</I> p. 15. Lisboa: 9 a 15 de fevereiro de 2007.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Chmielewska, Katarzyna, Zukowski Tomasz. "Pol&ocirc;nia. Fiasco do movimento pela legaliza&ccedil;&atilde;o". <I>In: Courrier Internacional,</I> p. 12. Lisboa: 9 a 15 de fevereiro de 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Fa&uacute;ndes, An&iacute;bal, Barcelatto, Jos&eacute;. <I>O drama do aborto &#150; em busca de um consenso</I>. Campinas: Komedi. 2004.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">7. <I>Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica</I>, 2ª s&eacute;rie, 25.06.1985, p. 254.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Donnellan, Ethiene. Irlanda. "Maioria disposta a tolerar". <I>In: Courrier Internacional</I>, p. 13. Lisboa: 9 a 13 de fevereiro de 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Piralha, Andr&eacute;. "Referendo popular. Leis e lutas". <I>In: Le monde diplomatique </I>&#150; Edi&ccedil;&atilde;o Portuguesa &#150; mensal, n. 3, II, s&eacute;rie janeiro/2007, p. 2. Portugal: 11 de fevereiro de 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Relat&oacute;rio sobre direitos em mat&eacute;ria de sa&uacute;de sexual e reprodutiva (2001/2128(INI). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+REPORT+A5-2002-0223+0+DOC+XML+V0//PT" target="_blank">http://www.europarl.europa.eu/sides/ getDoc.do?pubRef=-//EP//TEXT+REPORT+A5-2002-0223+0+DOC+XML+V0//PT</a> (acesso em 17/11/2007).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Chan, Minnie. "China. Obrigadas a abortar". <I>In: Courrier Internacional,</I> p. 15. Lisboa: 9 a 15 de fevereiro de 2007.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">12. Conven&ccedil;&atilde;o Americana sobre Direitos Humanos - Pacto de San Jos&eacute;. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www2.idh.org.br/casdh.htm" target="_blank">http://www2.idh.org.br/casdh.htm</a> (acesso em 02/04/2010)</font><!-- ref --><p><font size="3">13. Guti&eacute;rrez, Estrella. <I>Moeda de pacto e de poder</I>. Caracas: IPS, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14. Rojas, Carolina. "Chile. Denunciar ou calar?". <I>In: Courrier Internacional,</I> p. 14. Lisboa: 9 a 15 de fevereiro de 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15. Cedaw, 20ª Session, General recommendations made by the Committee on the Elimination of Discrimination against Women.  HYPERLINK "<a href="http://www.un.org/womenwatch/daw/cedaw/reporting.htm" target="_blank">http://www.un.org/womenwatch/daw/cedaw/reporting.htm</a>" Reporting guidelines / HYPERLINK "<a href="http://www.un.org/womenwatch/daw/cedaw/recommendations/index.html" target="_blank">http://www.un.org/womenwatch/daw/cedaw/recommendations/index.html</a>" General recommendations.    <!-- ref -->  Cedaw, 20ª Session, General Recommendation n. 24. 1999. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/womenwatch/daw/cedaw/recommendations/recomm.htm" target="_blank">http://www.un.org/womenwatch/daw/cedaw/recommendations/recomm.htm</a> (acesso 29/03/2010).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16. Cedaw, 20ª Sesssion &#151; General recommendations made by the Committee on the Elimination of Discrimination against Women. Reporting guidelines /General recommendations. Cedaw, 20ª Session, General Recommendation n. 24. 1999. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.un.org/womenwatch/daw/cedaw/recommendations/recomm.htm" target="_blank">http://www.un.org/womenwatch/daw/cedaw/recommendations/recomm.htm</a> (acesso 29/03/2010).    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">17. Confer&ecirc;ncia Internacional de Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento.</font></p>     <p><font size="3">18. Ver caso R.H. x Noruega, 1992. RH v. Norway. Decision on admissibility, App. No. 17004/90, Eur. Comm. HR, 19 May 1992. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&langpair=en%7Cpt&u=http://www.law.georgetown.edu/rossrights/docs/cases/VoComm.pdf" target="_blank">http://translate.google.com.br/ translate?hl=pt-BR&amp;langpair=en%7Cpt&amp;u=http://www.law.georgetown.edu/rossrights/docs/cases/VoComm.pdf</a>. (acesso em 19/03/2010).</font></p>     <p><font size="3">19. A respeito, ver caso Vo x Fran&ccedil;a, 2004.</font></p>     <p><font size="3">20. A respeito, ver caso Boso x Italia, 2002.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">21. Karan, Maria Lucia. "Sistema penal e direitos das mulheres", in <I>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Criminais</I>, n. 9, PP 152 e 153. 2002.    </font></p>     <p><font size="3">22. Constitui&ccedil;&atilde;o Federal Brasileira, artigo 5º, <I>caput</I> e §§ 1º, 2º e 3º e artigo 60, par&aacute;grafo 4º, IV; Conven&ccedil;&atilde;o Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Viol&ecirc;ncia Contra a Mulher &#150; "Conven&ccedil;&atilde;o de Bel&eacute;m do Par&aacute;", de 1994, ratificada em 27 de novembro de 1995, Conven&ccedil;&atilde;o Interamericana para Prevenir e Punir Torturas, de 1985, ratificada em 20 de julho de 1989, Conven&ccedil;&atilde;o Americana de Direitos Humanos &#151; "Pacto de San Jos&eacute; da Costa Rica", de 1969, ratificada em 25 de setembro de 1992, Conven&ccedil;&atilde;o Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cru&eacute;is, Desumanos ou Degradantes, de 1984, ratificada em 28 de setembro de 1989, Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o de Todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o Contra a Mulher, de 1979, ratificada em 1º de fevereiro de 1984, Pacto Internacional dos Direitos Civis e Pol&iacute;ticos, de1966, ratificado em 24 de janeiro de 1992, Declara&ccedil;&atilde;o de Pequim, que reconheceu que "os direitos das mulheres s&atilde;o direitos humanos" e que t&ecirc;m as mulheres o direito &agrave; plena assist&ecirc;ncia &agrave; sa&uacute;de sexual e reprodutiva, Confer&ecirc;ncia Internacional sobre Popula&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento, realizada em 1994, Confer&ecirc;ncias Internacionais de Copenhague (C&uacute;pula Mundial de Desenvolvimento Social) e Beijing (IV Confer&ecirc;ncia Mundial sobre a Mulher, Desenvolvimento e Paz), de 1995, Declara&ccedil;&atilde;o e Programa de Viena, Pacto Internacional sobre Direitos Econ&ocirc;micos, Sociais e Culturais, Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o de todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (Cedaw), Confer&ecirc;ncia do Cairo, recomenda&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; da Conven&ccedil;&atilde;o sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o de Todas as Formas de Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (Cedaw), especialmente artigo 12 dessa Conven&ccedil;&atilde;o, a Confer&ecirc;ncia e Plano de A&ccedil;&atilde;o de Beijing, cap&iacute;tulo dedicado &agrave; <I>Mulher e Sa&uacute;de</I>, Plano de A&ccedil;&atilde;o do Cairo, de 1994, disposi&ccedil;&otilde;es dos Comit&ecirc;s da ONU sobre os Direitos Econ&ocirc;micos, Sociais e Culturais (Pidesc) e sobre a Elimina&ccedil;&atilde;o da Discrimina&ccedil;&atilde;o contra a Mulher (Cedaw), de 2003, Recomenda&ccedil;&atilde;o Geral n. 19, do Comit&ecirc; Cedaw, declara&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; Pidesc sobre a criminaliza&ccedil;&atilde;o do aborto e recomenda&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; de Direitos Humanos da ONU, de 2005, sobre o sistema de prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos das mulheres,direitos sexuais e direitos reprodutivos.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">23. Piovesan, Fl&aacute;via. <I>Direitos humanos e o direito constitucional internacional</I>, pg. 83. S&atilde;o Paulo: Max Limonad. 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">24. Piovesan, Fl&aacute;via. "Direitos sexuais e reprodutivos: aborto inseguro como viola&ccedil;&atilde;o aos direitos humanos". <I>In: Nos limites da vida.</I> Rio de Janeiro: <I>Lumen Juris.</I> 2007</font> ]]></body><back>
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