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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/noticiasbr.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">G<small>ILBERTO</small> V<small>ELHO</small> (1945&#45;2012)    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v64n3/linha.jpg"></font></p>     <p><font size="4"><b>Estudioso fundamental para a antropologia urbana no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Desde a morte precoce de Gilberto Velho, com apenas 66 anos, muitos dos seus amigos, colegas e alunos t&ecirc;m externado seus tributos. </font></p>     <p><font size="3">Todos concordam sobre certos aspectos da personalidade e da carreira cient&iacute;fica de Gilberto: que ele foi fundamental na funda&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o da antropologia urbana no Brasil; que agiu sempre no sentido de fortalecer as institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas no pa&iacute;s, desde o Programa de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Antropologia Social (PPGAS) do Museu Nacional, onde foi professor de 1970 at&eacute; a sua morte, at&eacute; a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia (ABA), a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Ci&ecirc;ncias Sociais (Anpocs), das quais foi presidente, e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), da qual foi vice&#45;presidente; que foi um brilhante professor; e que tinha um senso de humor absolutamente singular. Foi um orientador no sentido pleno do termo, sempre dedicado e exigente. Em mais de 40 anos de carreira, orientou quase 100 teses de doutorado e disserta&ccedil;&otilde;es de mestrado. Seus ex&#45;alunos brilham n&atilde;o apenas nas melhores universidades do pa&iacute;s e do mundo, como na televis&atilde;o, no jornalismo e no mundo dos neg&oacute;cios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a03img01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> Concordando com tudo isso, queria escrever aqui um pouco mais sobre sua contribui&ccedil;&atilde;o important&iacute;ssima aos estudos do que se chamava na d&eacute;cada de 1970 de desvio social. Uma de suas primeiras publica&ccedil;&otilde;es, <I>Desvio e diverg&ecirc;ncia: uma cr&iacute;tica da patologia social</I> (1974) &eacute; uma colet&acirc;nea de textos escritos originalmente por seus alunos como trabalhos finais de curso (1). A obra &eacute;, ao mesmo tempo, prova da sua genialidade como professor, de seu compromisso com as carreiras de seus alunos e do seu pioneirismo em trazer o assunto do desvio para a antropologia brasileira, inspirado no interacionismo simb&oacute;lico americano em geral e, especificamente, no trabalho do seu grande amigo Howard S. Becker.  Nessa mesma &eacute;poca, comecei a escrever sobre homossexualidade e tive a honra de apresentar os meus primeiros resultados de pesquisa num semin&aacute;rio no Museu Nacional, a convite de Gilberto. Em 1975, ele j&aacute; havia defendido sua tese de doutorado sobre o uso de drogas nas classes m&eacute;dias e altas do Rio de Janeiro, mais tarde publicada em livro &#150; <I>Nobres &amp; anjos: um estudo de t&oacute;xicos e hierarquia</I> (1998). Gilberto deu um impulso de qualidade e legitimidade fundamentais aos estudos desses temas, antes t&atilde;o malditos. </font></p>     <p><font size="3">Acoplado a todo um compromisso social para com os seus alunos, amigos e o pa&iacute;s que tanto amou, acompanhava&#45;o um senso de humor que lhe era absolutamente peculiar. Os seus <I>practical jokes</I> eram not&oacute;rios. Quantos de n&oacute;s ca&iacute;ram nas suas "pegadinhas"?  Estou convencido de que foi esse senso de humor que n&atilde;o o deixou nunca ficar chato e que agu&ccedil;ou a sua perspic&aacute;cia anal&iacute;tica, fazendo dele um antrop&oacute;logo de m&atilde;o cheia e um querido amigo cuja falta ser&aacute; sentida por tantos e por muito tempo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Peter Fry &eacute; professor aposentado do Departamento de Antropologia da Universidade Fe deral do Rio de Janeiro (UFRJ) e editor do jornal da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia, </I>Vibrant &#150; Virtual Brazilian Anthropology.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTA</b></font></p>     <p><font size="3">1. Alguns se encontram no Vol. 9, no. 1 da revista <I>Vibrant </I>(<a href="http://www.vibrant.org.br" target="_blank">www.vibrant.org.br</a>)</font></p>      ]]></body>
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