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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aplicação de política nacional para resíduos sólidos pode transformar lixo em dinheiro]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/noticiasbr.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>MEIO AMBIENTE</b>    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v64n3/linha.jpg"></font></p>     <p><font size="4">Aplica&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica nacional para res&iacute;duos s&oacute;lidos pode transformar lixo em dinheiro</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Quarta&#45;feira, 8 de abril de 2010. Pelo menos 200 pessoas ficaram soterradas no deslizamento que atingiu o Morro do Bumba, em Niter&oacute;i. Desses, mais de 40 perderam a vida. Seria mais um desastre natural provocado por chuvas n&atilde;o fosse a &aacute;rea um antigo lix&atilde;o a c&eacute;u aberto que durante 16 anos, de 1970 at&eacute; 1986, recebeu diariamente toneladas de lixo. </font></p>     <p><font size="3">Quando o lix&atilde;o foi desativado, a prefeitura n&atilde;o impediu que no local se instalasse uma favela onde os moradores conviviam com mau cheiro e &aacute;guas contaminadas. </font></p>     <p><font size="3">Cenas como essa j&aacute; se repetiram muitas vezes no Brasil. E s&atilde;o apenas o lado humano mais tr&aacute;gico. Diariamente, cerca de 800 mil catadores trabalham nos mais de 2.900 lix&otilde;es distribu&iacute;dos por 2.810 munic&iacute;pios brasileiros. </font></p>     <p><font size="3">Disputam espa&ccedil;o com urubus, porcos e cachorros. Estima&#45;se que 30% deles se encontrem em situa&ccedil;&atilde;o de extrema pobreza. Apenas cerca de mil catadores encontram&#45;se organizados em cooperativas. Felizmente, esse quadro est&aacute; mudando. Governo e popula&ccedil;&atilde;o parecem cada vez mais envolvidos no dif&iacute;cil trabalho de dar finalidade correta &agrave;s milhares de toneladas de lixo que s&atilde;o geradas diariamente em resid&ecirc;ncias, ind&uacute;strias, com&eacute;rcio, hospitais, atividades agr&iacute;colas, mineradoras etc.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a04img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> O Lix&atilde;o de Gramacho, em Duque de Caxias (RJ), considerado o maior lix&atilde;o da Am&eacute;rica Latina, foi desativado no in&iacute;cio de junho ap&oacute;s 34 anos de exist&ecirc;ncia. </font></p>     <p><font size="3">Para muitos dos mais de 1.600 catadores registrados ser&aacute; um recome&ccedil;o, pois a prefeitura est&aacute; adiantando os R$ 23 milh&otilde;es de indeniza&ccedil;&otilde;es que seriam pagos em 14 anos. Para outros, restam muitas d&uacute;vidas sobre os impactos causados pelos res&iacute;duos ali lan&ccedil;ados, pois at&eacute; hoje n&atilde;o foram feitas as avalia&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias. Gramacho foi instalado em um mangue &agrave;s margens da ba&iacute;a de Guanabara e na conflu&ecirc;ncia de dois rios, o Sarapu&iacute; e o Igua&ccedil;u. Estima&#45;se que tenha recebido mais de 70 milh&otilde;es de toneladas de lixo dos mais diversos tipos. Avaliar esse impacto e descontaminar a &aacute;rea n&atilde;o ser&atilde;o tarefas f&aacute;ceis, situa&ccedil;&atilde;o agravada pelos quase 40 lix&otilde;es clandestinos funcionando ao seu redor e que tamb&eacute;m precisar&atilde;o ser desativados. </font></p>     <p><font size="3"><B>DIAS CONTADOS </B>Desde agosto de 2010, o Brasil tem um marco regulat&oacute;rio na &aacute;rea de res&iacute;duos s&oacute;lidos. Trata&#45;se da Lei Federal nº 12.305/10, que criou a Pol&iacute;tica Nacional dos Res&iacute;duos S&oacute;lidos. A lei faz distin&ccedil;&atilde;o entre res&iacute;duo, que deve ser reciclado, e rejeito. Com a aprova&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica, foi elaborado o Plano Nacional de Res&iacute;duos S&oacute;lidos (PNRS), que estabelece que, ap&oacute;s o dia 2 de agosto de 2014, o Brasil n&atilde;o poder&aacute; descartar lixo de qualquer maneira e em qualquer lugar. Os lix&otilde;es a c&eacute;u aberto est&atilde;o com os dias contados. Dever&atilde;o ser fechados e substitu&iacute;dos por aterros sanit&aacute;rios (<a href="#fig01">Figura 1</a>), t&eacute;cnica de disposi&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos s&oacute;lidos no solo, sem causar danos ou riscos &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica e &agrave; seguran&ccedil;a, minimizando os impactos ambientais. </font></p>     <p><a name="fig01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ainda segundo o PNRS, os munic&iacute;pios dever&atilde;o elaborar planos municipais de res&iacute;duos s&oacute;lidos para ajudar prefeitos e cidad&atilde;os a descartar o lixo de forma correta. Isto porque os aterros s&oacute; dever&atilde;o receber os rejeitos, ou seja, a parte do lixo que n&atilde;o tem como ser reciclada. </font></p>     <p><font size="3">Um aspecto importante da Lei 12.305/10 &eacute; o artigo 33, que estabelece que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes s&atilde;o obrigados a estruturar e implementar sistemas de log&iacute;stica reversa para produtos como res&iacute;duos e embalagens de agrot&oacute;xicos e &oacute;leos lubrificantes, pilhas, baterias, pneus, l&acirc;mpadas e produtos eletroeletr&ocirc;nicos. </font></p>     <p><font size="3">A log&iacute;stica reversa consiste em planejar, controlar e operar o reuso, a reciclagem, a recupera&ccedil;&atilde;o e o gerenciamento de res&iacute;duos, no p&oacute;s&#45;venda e no p&oacute;s&#45;consumo, agregando&#45;lhes valor ecol&oacute;gico, econ&ocirc;mico e social. </font></p>     <p><font size="3"><b>SEM RECICLAGEM PREJU&Iacute;ZO DOBRADO</b> Com o aumento da popula&ccedil;&atilde;o urbana e mudan&ccedil;a nos h&aacute;bitos e padr&otilde;es de consumo dos brasileiros, as cidades se tornaram as maiores produtoras de res&iacute;duos s&oacute;lidos. Dar destina&ccedil;&atilde;o correta a res&iacute;duos s&oacute;lidos urbanos (RSU) &eacute; tarefa urgente. Estudo feito pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Empresas de Limpeza P&uacute;blica e Res&iacute;duos Especiais (Abrelpe) indica que de 2010 para 2011 a gera&ccedil;&atilde;o de RSU aumentou 1,8%, &iacute;ndice superior &agrave; taxa de crescimento da popula&ccedil;&atilde;o urbana no pa&iacute;s no mesmo per&iacute;odo, de 0,9%. No mesmo estudo, a Abrelpe aponta que em 2011 foram gerados mais de 55 milh&otilde;es de toneladas de RSU, ou 381,6 quilogramas por habitante ao ano. Entretanto, mais de 23 milh&otilde;es de toneladas tiveram destina&ccedil;&atilde;o impr&oacute;pria. "Nos centros urbanos n&atilde;o se recicla com efici&ecirc;ncia e os resultados s&atilde;o p&iacute;fios", afirma Pedro Jacobi, cientista social e professor da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da USP. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a04img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Um estudo do Ipea aponta que o Brasil desperdi&ccedil;a cerca de R$ 8 bilh&otilde;es por ano em materiais rejeitados que poderiam ter sido reciclados. Estima&#45;se que atualmente 50% dos RSU s&atilde;o constitu&iacute;dos de materiais org&acirc;nicos, que podem ser tratados, por meio de compostagem, gerando energia e insumo de qualidade para ser utilizado, por exemplo, na agricultura, como fertilizante. Mas no Brasil a compostagem &eacute; uma pr&aacute;tica pouco comum. Para Jacobi h&aacute; um descompasso entre a coleta de materiais recicl&aacute;veis e seu efetivo aproveitamento. Como a coleta seletiva &eacute; pequena, &eacute; dif&iacute;cil garantir um esquema integrado de reciclagem. "No munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo, o volume &#91;de lixo reciclado&#93; &eacute; irris&oacute;rio, menos de 1,5%, e uma meta plaus&iacute;vel &eacute; de atingir 10%, se o sistema for muito eficiente",    afirma Jacobi. </font></p>     <p><font size="3"><B>AVAN&Ccedil;OS LENTOS </B>A maior regi&atilde;o metropolitana do Brasil &eacute; S&atilde;o Paulo, onde mais de 16 mil toneladas de res&iacute;duos s&oacute;lidos domiciliares s&atilde;o geradas por dia, ou cerca de 10 % do lixo coletado no Brasil. A cidade, sozinha, responde pela gera&ccedil;&atilde;o de mais de 62% desses res&iacute;duos. Pedro Jacobi afirma que, at&eacute; o final de 2010, a prefeitura de S&atilde;o Paulo havia implantado 20 das 51 centrais de triagem prometidas no final de 2009. Mas de l&aacute; para c&aacute; n&atilde;o houve melhoria nas condi&ccedil;&otilde;es trabalho e de renda de catadores de materiais recicl&aacute;veis conveniadas com a prefeitura. "N&atilde;o se v&ecirc; nenhuma vontade pol&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s cooperativas", salienta o professor.</font></p>     <p><font size="3"> J&aacute; no setor de constru&ccedil;&atilde;o civil o desperd&iacute;cio tamb&eacute;m &eacute; muito    grande, e s&atilde;o poucas as iniciativas    efetivamente comprometidas com    a sustentabilidade. Os motivos do    desinteresse s&atilde;o a falta de pol&iacute;tica    e custo de implanta&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de    pouca vis&atilde;o sobre a import&acirc;ncia    da reutiliza&ccedil;&atilde;o desses materiais.    Ainda assim, Jacobi pondera que,    como os prazos do PNRS s&atilde;o    relativamente dilatados, &eacute; poss&iacute;vel    que haja capacidade de press&atilde;o    para que essas pol&iacute;ticas sejam    efetivamente implantadas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A minera&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m um setor no qual o aproveitamento de res&iacute;duos tem grande import&acirc;ncia, em termos econ&ocirc;micos e ambientais. No Brasil, o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) tem se destacado em pesquisas visando o aproveitamento de res&iacute;duos de carv&atilde;o; o tratamento de rejeitos para o aumento da oferta energ&eacute;tica e a mitiga&ccedil;&atilde;o de impactos ambientais; a avalia&ccedil;&atilde;o do potencial de recupera&ccedil;&atilde;o de subprodutos minerais presentes nos rejeitos da minera&ccedil;&atilde;o de cobre e de ouro; e o aproveitamento de res&iacute;duos de serrarias de rochas ornamentais e de res&iacute;duos calc&aacute;rios. Marisa Monte, engenheira qu&iacute;mica e pesquisadora do Cetem, explica que o aproveitamento de res&iacute;duos de minera&ccedil;&atilde;o pode representar uma economia significativa. "Uma pilha de rejeitos contendo 70 mil toneladas de cobre com possibilidade de serem recuperadas, por exemplo, possui um valor estimado em R$ 800 milh&otilde;es", explica Marisa. </font></p>     <p><font size="3">Em termos ambientais, com o aproveitamento integral dos rejeitos de beneficiamento mineral, um menor volume de res&iacute;duos seria gerado, o que poderia reduzir as &aacute;reas para a deposi&ccedil;&atilde;o dos mesmos. Segundo a engenheira, um exemplo &eacute; a recupera&ccedil;&atilde;o de pirita dos rejeitos de carv&atilde;o de Santa Catarina: "al&eacute;m de promover uma alternativa t&eacute;cnica para mitiga&ccedil;&atilde;o dos impactos ambientais, a pirita, que &eacute; constitu&iacute;da de enxofre e ferro, pode ser convertida em sais e &oacute;xidos para a ind&uacute;stria de tintas, corantes e cer&acirc;micas", esclarece. </font></p>     <p><font size="3">Ou seja, lixo reciclado e reutilizado pode movimentar alguns bilh&otilde;es de reais em pouco tempo. Lixo pode gerar emprego, renda, pode dar lucro e, se bem manejado, ainda contribuir, e muito, para a manuten&ccedil;&atilde;o da qualidade do ambiente. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Leonor Assad</i></font></p>      ]]></body>
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