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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Excesso de exames para detecção de doenças pode gerar diagnósticos prematuros e ações desnecessárias]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/noticiasbr.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a05img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">S<small>A&Uacute;DE</small>    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v64n3/linha.jpg"></font></p>     <p><font size="4"><b>Excesso de exames para detec&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as pode gerar diagn&oacute;sticos prematuros e a&ccedil;&otilde;es desnecess&aacute;rias </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Na maioria dos dicion&aacute;rios o significado de diagn&oacute;stico &eacute;: qualifica&ccedil;&atilde;o dada por um m&eacute;dico a uma enfermidade ou estado fisiol&oacute;gico, com base na observa&ccedil;&atilde;o de sintomas e de exames diversos. A rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico&#45;paciente, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; simples, e vai al&eacute;m de meramente avaliar o quadro cl&iacute;nico e tratar a doen&ccedil;a detectada. A prolifera&ccedil;&atilde;o de testes diagn&oacute;sticos sofisticados, frutos de descobertas m&eacute;dicas e novas tecnologias, permite maior precis&atilde;o e anteced&ecirc;ncia na detec&ccedil;&atilde;o de enfermidades o que, por&eacute;m, pode gerar excessivas e invasivas condutas m&eacute;dicas, e at&eacute; conduzir &agrave; prescri&ccedil;&atilde;o de tratamentos desnecess&aacute;rios. Isso ocorre seja nas doen&ccedil;as graves, como c&acirc;nceres ou autoimunes, assim como transtornos ps&iacute;quicos e s&iacute;ndromes gen&eacute;ticas. </font></p>     <p><font size="3">O caso do c&acirc;ncer &eacute; um bom exemplo, diz Gustavo Cardoso Guimar&atilde;es, diretor do servi&ccedil;o de urologia do hospital A.C. Camargo de S&atilde;o Paulo, um dos hospitais mais conceituados do pa&iacute;s para tratamento de c&acirc;ncer. Ele relata que muitas vezes apesar do paciente receber diagn&oacute;stico de c&acirc;ncer de pr&oacute;stata, pode ser que nunca desenvolva de fato a doen&ccedil;a. Atualmente rastreia&#45;se o tumor prost&aacute;tico (um dos mais frequentes na popula&ccedil;&atilde;o mundial masculina) por meio da prote&iacute;na sangu&iacute;nea PSA e, caso os n&iacute;veis estejam elevados, o paciente &eacute; encaminhado para realiza&ccedil;&atilde;o de bi&oacute;psia, &uacute;nico m&eacute;todo confirmat&oacute;rio. "Mesmo o paciente tendo resultados positivos em ambos os testes, n&atilde;o se consegue antever o que acontecer&aacute;", esclarece. Para o urologista, "apesar de termos a capacidade de diagnosticar a maioria dos pacientes com tumores da pr&oacute;stata, ainda n&atilde;o estamos aptos a distinguir totalmente os pacientes nos quais a doen&ccedil;a evolui, tornando&#45;se um grave problema de sa&uacute;de, daqueles que t&ecirc;m a doen&ccedil;a e mesmo assim n&atilde;o apresentam sintomas ou qualquer problema". </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O c&acirc;ncer de mama feminino &eacute; outro que engorda os n&uacute;meros dessa espinhosa antevis&atilde;o diagn&oacute;stica. De acordo com Daniel Guimar&atilde;es Tiezzi, docente e m&eacute;dico do setor mastologia e oncologia ginecol&oacute;gica da Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o Preto (FMRP) da USP, "por meio da mamografia, podemos diagnosticar les&otilde;es que podem ou n&atilde;o evoluir para um c&acirc;ncer mais agressivo, bem como diagnosticar les&otilde;es altamente invasivas, mas que nunca iriam progredir, ou progrediriam t&atilde;o lentamente que acabariam n&atilde;o interferindo na qualidade de vida atual ou futura dessas pacientes". Estudo recente da Universidade de Harvard (Estados Unidos), estimou que 15% a 25% de todos os casos de carcinoma de mama diagnosticados durante o rastreamento n&atilde;o necessitariam de tratamento. No trabalho, foi calculado que "a cada 2500 mulheres, 6 a 10 seriam tratadas desnecessariamente; 20 receberiam o tratamento adequado, enquanto apenas uma&#45;morte pela doen&ccedil;a seria prevenida", analisa Tiezzi. </font></p>     <p><font size="3">A essas falhas de discrimina&ccedil;&atilde;o entre os que ser&atilde;o dos que n&atilde;o ser&atilde;o afetados por uma doen&ccedil;a apesar do diagn&oacute;stico favor&aacute;vel, atribui&#45;se o nome de sobre&#45;diagn&oacute;stico (ou <I>overdiagnosis</I>), que, segundo Tiezzi, "sempre ir&aacute; existir, com maior ou menor frequ&ecirc;ncia, quando estamos falando de rastreamento de c&acirc;ncer". Uma revis&atilde;o sobre o assunto ("Cancer overdiagnosis and overtreatment") estampou as folhas da revista <I>Current Opinion in Urology</I> em maio deste ano. Nelas, Laurence Klotz, chefe da divis&atilde;o de urologia do Centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de Sunnybrook em Toronto, Canad&aacute;, descreve que o sobre&#45;diagn&oacute;stico tem se tornado um dos maiores problemas atuais da medicina: "houve aumento consider&aacute;vel de diagn&oacute;sticos clinicamente insignificantes". Entretanto, ao menos no c&acirc;ncer de pr&oacute;stata, isso n&atilde;o &eacute; nada ruim, uma vez que "o rastreamento (...) reduz significantemente a mortalidade &#91;dos pacientes&#93;", conclui o autor. </font></p>     <p><font size="3"><B>BUSCANDO NOVOS HORIZONTES </B>Guimar&atilde;es comenta que um dos problemas de se rastrear o c&acirc;ncer de pr&oacute;stata &eacute; que o PSA elevado (exame padr&atilde;o) n&atilde;o indica necessariamente altera&ccedil;&atilde;o tumoral desse &oacute;rg&atilde;o. "O aumento do PSA no sangue pode ser encontrado ap&oacute;s um trauma (choque ou fric&ccedil;&atilde;o) ou depois da rela&ccedil;&atilde;o sexual", ensina. Buscando melhorias na especificidade do exame, em agosto de 2011, a revista cient&iacute;fica <I>Science Translational Medicine</I>, publicou um estudo ("Urine TMPRSS2:ERG fusion transcript stratifies prostate cancer risk in men with elevated serum PSA") descrevendo um exame mais acurado, que chamou a aten&ccedil;&atilde;o de oncologistas para o poder de discrimina&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; presen&ccedil;a de c&acirc;ncer prost&aacute;tico. Por&eacute;m os resultados devem ser interpretados cautelosamente. "O n&uacute;mero de pessoas em que isso foi testado, assim como a etnia dessas pessoas, precisam ser levados em conta; e isso &eacute; importante em qualquer pesquisa desse tipo", avisa o m&eacute;dico, lembrando que o c&acirc;ncer de pr&oacute;stata &eacute; mais agressivo em negros. </font></p>     <p><font size="3"><b>PRECAU&Ccedil;&Atilde;O</b> O hospital A.C. Camargo lan&ccedil;ou campanha publicit&aacute;ria este ano para mobiliza&ccedil;&atilde;o pelo diagn&oacute;stico do c&acirc;ncer em est&aacute;gio inicial. Com isso, tenta&#45;se curar o paciente dos c&acirc;nceres de maior incid&ecirc;ncia no pa&iacute;s (pele, pr&oacute;stata, mama e intestino), que "alcan&ccedil;am hoje 90% de sucesso no tratamento quando diagnosticados precocemente", segundo a institui&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3">Contudo, enquanto tratamentos eficientes n&atilde;o s&atilde;o realidade para todos os tipos de c&acirc;ncer, outros m&eacute;todos, ainda que hostis, parecem ser a sa&iacute;da para cura. Guimar&atilde;es relata que quando h&aacute; antecedentes familiares de c&acirc;ncer, "pode haver indica&ccedil;&atilde;o de retirada do &oacute;rg&atilde;o por precau&ccedil;&atilde;o, como s&atilde;o os casos do c&acirc;ncer de tire&oacute;ide e colorretal (que afeta parte do intestino grosso e o reto)". Tiezzi relata que "algumas pacientes tem um risco alto, de 50 a 60%, de desenvolver c&acirc;ncer mam&aacute;rio, e a cirurgia de retirada das mamas de forma preventiva pode reduzir o risco em 90%". </font></p>     <p><font size="3"><B>O RISCO &Eacute; REAL?</B> "O risco de desenvolvimento de c&acirc;ncer de mama, por causa de muta&ccedil;&otilde;es no DNA, em espec&iacute;fico nos genes BRCA1 e BRCA2, pode variar de 37 a 87% ao longo da vida", declara Antonio Bail&atilde;o J&uacute;nior, mastologista do Hospital do C&acirc;ncer de Barretos&#45;SP. Al&eacute;m disso, conforme informa&ccedil;&otilde;es do Instituto Nacional do C&acirc;ncer (Inca), mulheres que j&aacute; desenvolveram c&acirc;ncer da mama e s&atilde;o portadoras de muta&ccedil;&otilde;es nesses mesmos genes possuem um risco aumentado para desenvolver c&acirc;ncer do ov&aacute;rio. Apesar desses dados, n&atilde;o h&aacute; raz&atilde;o para tanto alarde. "Cabe salientar que o c&aacute;lculo do risco determina a probabilidade de ocorr&ecirc;ncia da doen&ccedil;a, pois n&atilde;o h&aacute; exatid&atilde;o na previs&atilde;o de quem apresentar&aacute; ou n&atilde;o o c&acirc;ncer", e isso "pode influenciar na conduta do tratamento a ser tomado", adverte Bail&atilde;o J&uacute;nior. </font></p>     <p><font size="3">Nos Estados Unidos, o site <I>twenty three and me</I> (<I>23 e eu</I>, em alus&atilde;o aos 24 cromossomos que comp&otilde;e o organismo humano) oferece, por US$ 299, exames que mostram um panorama geral de riscos que a pessoa teria para desenvolver uma infinidade de doen&ccedil;as, desde diabetes e mal de Parkinson, at&eacute; c&acirc;ncer, embasando&#45;se somente em amostra de saliva e de dados fornecidos pela internet. Para o internauta mais desavisado, isso poderia soar como algo positivo j&aacute; que traria informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis sobre sua expectativa de vida futura. "Esse &eacute; o chamado exame 'direto ao consumidor', algo que a medicina n&atilde;o aprova, mas que poderia at&eacute; ser &uacute;til, se fosse feito com acompanhamento cl&iacute;nico e aconselhamento m&eacute;dico", desfere S&eacute;rgio Danilo Junho Pena, diretor do laborat&oacute;rio de Gen&ocirc;mica Cl&iacute;nica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. </font></p>     <p><font size="3"><B>CONTROV&Eacute;RSIAS SOBRE TRANSTORNOS PS&Iacute;QUICOS </B> Investigado desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, o transtorno do d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o com hiperatividade (TDAH), caracterizado por desaten&ccedil;&atilde;o, inquietude e impulsividade, n&atilde;o &eacute; reconhecido unanimemente por psic&oacute;logos e psiquiatras at&eacute; hoje. Para Guilherme Vanoni Polanczyk, professor de psiquiatra da inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia da USP, o problema est&aacute; na aus&ecirc;ncia de especialistas competentes para identificar o dist&uacute;rbio, al&eacute;m de escassez de treinamentos para formar profissionais capazes de diagnostic&aacute;&#45;lo acertadamente. Al&eacute;m do mais, continua, "muitas situa&ccedil;&otilde;es normais (como cansa&ccedil;o e estresse) e patol&oacute;gicas podem causar os sintomas parecidos ao do TDAH, o que confunde seu diagn&oacute;stico". Dessa forma "somente pouco mais de 20% dos casos t&ecirc;m diagn&oacute;stico correto e n&atilde;o mais que 10% deles s&atilde;o tratados adequadamente", avalia. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a05img02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Tamb&eacute;m existem erros quando se fala em incid&ecirc;ncia do TDAH na popula&ccedil;&atilde;o. De acordo com Paulo Eduardo Luiz de Mattos, psiquiatra docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e coautor do livro <I>Princ&iacute;pios e pr&aacute;ticas em TDAH</I> (2002), os dados dispon&iacute;veis s&atilde;o baseados na venda de estimulantes &#91;que podem ajudar no tratamento de TDAH&#93;. "Como os indicadores gerais de venda aumentaram, as pessoas conclu&iacute;ram, erradamente, que estava ocorrendo um excesso de casos diagnosticados", pondera. Na opini&atilde;o dele, h&aacute; ainda um problema mais grave: "informa&ccedil;&otilde;es inconsistentes que s&atilde;o veiculadas por profissionais que usam informa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o cient&iacute;ficas". Ainda por cima parece que "h&aacute; uma tend&ecirc;ncia de a imprensa focar&#45;se em pontos pol&ecirc;micos, como a real exist&ecirc;ncia do TDAH, passando mensagens nada informativas para as pessoas que n&atilde;o conhecem bem o transtorno" arremata Polanczyk. </font></p>     <p><font size="3"><B>NA SA&Uacute;DE E NA DOEN&Ccedil;A</B> Para agravar essa inconsist&ecirc;ncia m&eacute;dica, nem todos os pedidos de exames s&atilde;o feitos dentro dos par&acirc;metros da &eacute;tica e do foco exclusivo no paciente. "Alguns exames s&atilde;o mesmo solicitados a torto e a direito", exclama Ciro Dresch Martinhago, m&eacute;dico geneticista e diretor do laborat&oacute;rio RDO Diagn&oacute;sticos M&eacute;dicos, ao mencionar testes gen&eacute;ticos que investigam praticamente todos os cromossomos do embri&atilde;o, nos casos de fertiliza&ccedil;&atilde;o <I>in vitro </I>feita em cl&iacute;nicas de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida. Para ele o grande vil&atilde;o da hist&oacute;ria &eacute; a falta de crit&eacute;rio para requisi&ccedil;&atilde;o desses m&eacute;todos. Ao mesmo tempo admirador das tecnologias de ponta que podem fornecer resultados mais seguros e efetivos, Martinhago &eacute; cauteloso: "em todas as situa&ccedil;&otilde;es &eacute; preciso haver indica&ccedil;&atilde;o para se pedir qualquer tipo de exame". Ele assegura que o pr&oacute;ximo passo do exame pr&eacute;&#45;natal &eacute; tornar rotineiro o teste que identifica S&iacute;ndrome de Down por meio de an&aacute;lise de c&eacute;lulas fetais no sangue da gestante. Entretanto, "o m&eacute;dico n&atilde;o pode deixar&#45;se guiar por modismos, j&aacute; que muitos pedem exames modernos sem mesmo ter conhecimento da aplica&ccedil;&atilde;o deles", garante Leila Montenegro Silveira Farah, doutora em biologia celular e molecular, experiente em diagn&oacute;stico pr&eacute;&#45;natal. </font></p>     <p><font size="3">Com base nas experi&ecirc;ncias do dia a dia dos consult&oacute;rios e hospitais, Ivan Savioli Ferraz, pediatra docente da FMRP, especula que "apenas menos de 20% das consultas precisariam gerar solicita&ccedil;&atilde;o de exames". Para ele, esse excesso de pedidos se d&aacute; por conta de v&aacute;rios fatores, como a m&aacute; forma&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, levando o rec&eacute;m&#45;formado a inseguran&ccedil;as, que podem ser afastadas quando se mune de grande quantidade de exames. Ele aponta tamb&eacute;m que existe uma quest&atilde;o mercadol&oacute;gica nisso. "Alguns colegas costumam reduzir o tempo das consultas para aumentarem a renda, e acabam solicitando mais exames que o normal para avaliarem o estado completo do paciente". E vai al&eacute;m, "muitas vezes as pessoas chegam a acreditar que pedindo mais exames, o m&eacute;dico &eacute; mais &iacute;ntegro por cuidar melhor de seus pacientes". Faz, por&eacute;m, uma ressalva: no caso de doen&ccedil;as mais complexas, como o c&acirc;ncer, "os m&eacute;dicos t&ecirc;m que se cercar de todos os recursos dispon&iacute;veis". </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Daniel Blasioli Dentillo</I></font></p>      ]]></body>
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