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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/noticias.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A<small>NTROPOLOGIA</small>    <br>   <img src="/img/revistas/cic/v64n3/linha.jpg"></font></p>     <p><font size="4"><b>Redes sociais conectam vida pessoal a profissional </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Faz parte da natureza humana o conv&iacute;vio com outros indiv&iacute;duos e grupos de afinidades diversos. Esta intera&ccedil;&atilde;o tem se modificado atrav&eacute;s dos tempos, seja pela necessidade de sobreviv&ecirc;ncia material, seja movida pelas ang&uacute;stias pessoais ou por prem&ecirc;ncias econ&ocirc;micas, sociais e pol&iacute;ticas. O poder de interconex&atilde;o dessas rela&ccedil;&otilde;es sociais, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, foi potencializado a patamares dificilmente imaginados, pelo surgimento das tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o (TICs), em particular as que possibilitam a opera&ccedil;&atilde;o das redes sociais da internet. O impacto dessas rela&ccedil;&otilde;es transbordou para o mundo real: os pap&eacute;is sociais j&aacute; n&atilde;o t&ecirc;m divis&otilde;es claras. </font></p>     <p><font size="3">"O tempo das pessoas est&aacute; se comprimindo. Isso implica no fato de que as pessoas est&atilde;o misturando suas vidas, no trabalho, nas socializa&ccedil;&otilde;es e nas horas de lazer", explica Marcos Cordiolli, pesquisador da &aacute;rea de educa&ccedil;&atilde;o e consultor pedag&oacute;gico sobre educa&ccedil;&atilde;o corporativa. Por um lado, diz, essa falta de limites claros &eacute; positiva, pois desenvolve e exercita as capacidades de socializa&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos, tornando poss&iacute;vel interagir de forma mais refinada, aprender a respeitar as diferen&ccedil;as entre as pessoas e identificar diferentes pontos de vista. Por outro lado, para alguns, isso pode significar uma crise de identidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a08img01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> Cordiolli lembra que existem diferentes pap&eacute;is sociais para cada ocasi&atilde;o e, portanto, cada um se porta de modo distinto nos diversos espa&ccedil;os de conv&iacute;vio social. "Entretanto, quando se est&aacute; em uma rede social na internet, de forma p&uacute;blica, todos veem nossas diversas facetas. Uma pessoa que &eacute; intransigente no dia a dia e que, antes do advento dos perfis p&uacute;blicos na internet, conseguia se equilibrar na hora de lidar com as pessoas no ambiente de trabalho, agora n&atilde;o consegue mais ser esses dois personagens t&atilde;o diferentes", afirma o pesquisador. <B>"</B>Um profissional pode conversar com pessoas de lugares distantes e, mesmo assim, ter intimidade com essas pessoas. As fotos dos momentos felizes, da fam&iacute;lia est&atilde;o no Facebook, no Flickr ou no Picasa" aponta Cordiolli. "&Eacute; como se tiv&eacute;ssemos uma viv&ecirc;ncia &iacute;ntima sem nunca ter estado com esses indiv&iacute;duos. Em outros casos &eacute; poss&iacute;vel trabalhar conjuntamente, escrever textos em coautoria, organizar e intervir no trabalho do outro simultaneamente, como se fosse um di&aacute;logo frente a frente", completa o especialista. &Eacute; tamb&eacute;m comum que o trabalho seja o centro das rela&ccedil;&otilde;es sociais, o centro da espiral de socializa&ccedil;&atilde;o e, muitas vezes, direcione para onde esse c&iacute;rculo social se expandir&aacute;. Mas isso pode acabar sendo uma vantagem para o trabalhador, que acaba, literalmente, criando um <I>networking </I>ativo.</font></p>     <p><font size="3"> "As empresas, parece, est&atilde;o se apropriando n&atilde;o s&oacute; da for&ccedil;a f&iacute;sica do trabalhador, mas tamb&eacute;m da sua vida pessoal. &Eacute; uma forma de competir com outras empresas e servi&ccedil;os, se aproveitando do engajamento nas redes sociais que o trabalhador &#150; agora 'colaborador' &#150; j&aacute; teceu a partir dos seus contatos pessoais, que s&atilde;o, ent&atilde;o, assimilados pelos patr&otilde;es", explica Jos&eacute; Dari Krein, pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele enfatiza que j&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel deixar a vida individual descolada da profissional. "Antes se trabalhava para viver, hoje se vive para trabalhar; e os mecanismos de controle sobre os trabalhadores/colaboradores est&atilde;o ficando mais sofisticados, a ponto dos patr&otilde;es saberem como seus contratados agem ou pensam, apenas observando sua vida nas redes sociais". </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a08img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Duas pesquisas recentes mostram a intensifica&ccedil;&atilde;o da inter&#45;rela&ccedil;&atilde;o entre o profissional e o pessoal. Uma delas, feita por Kelly MacKay, da Universidade de Ryerson, no Canad&aacute;, e Christine Vogt, da Universidade Estadual de Michigan, nos EUA, observa que muitos profissionais, mesmo de f&eacute;rias, t&ecirc;m cada vez mais dificuldades de se desconectar dos seus <I>gadgets </I>tecnol&oacute;gicos. Outra, feita por Helena Johnson, da Sociedade Certificada de Fisioterapia da Gr&atilde;&#45;Bretanha, aponta que &eacute; cada vez mais comum que funcion&aacute;rios fa&ccedil;am hora extra fora do local de trabalho.</font></p>     <p><font size="3"> Essa fus&atilde;o entre vida pessoal e profissional, lembra Krein, se reflete nas chamadas doen&ccedil;as do s&eacute;culo XXI, como a depress&atilde;o, a ansiedade e o estresse. "As pessoas est&atilde;o buscando formas de lidar com essa fus&atilde;o que permeia a vida de todos que est&atilde;o no mercado de trabalho", conclui. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><I>Enio Rodrigo Barbosa</I></font></p>     ]]></body>
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