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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>ARQUEOLOGIA</b></font></p>      <p><font size="4"><b>Os desafios da diversidade cultural</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Ao contr&aacute;rio do senso comum, a Amaz&ocirc;nia foi, e ainda &eacute;, densamente ocupada e transformada pela a&ccedil;&atilde;o humana. O estere&oacute;tipo de uma floresta virgem e intocada n&atilde;o corresponde &agrave; realidade. &Eacute; o que afirma Eduardo G&oacute;es Neves, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), para quem a ideia de que os portugueses chegaram aqui e n&atilde;o encontraram "nada" no territ&oacute;rio do que hoje se entende por Brasil, mant&eacute;m uma vis&atilde;o preconceituosa que, ao mesmo tempo, atrapalha o desenvolvimento econ&ocirc;mico, cultural e social, como dificulta a quest&atilde;o da identidade nacional e de constru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria dos povos que aqui vivem.</font></p>     <p> <font size="3">"Uma das grandes contribui&ccedil;&otilde;es da arqueologia &eacute; mostrar que os povos ind&iacute;genas t&ecirc;m hist&oacute;ria, assim como todas as popula&ccedil;&otilde;es; uma coisa importante que a gente pode aprender com o passado por meio do patrim&ocirc;nio arqueol&oacute;gico, do patrim&ocirc;nio cultural brasileiro, &eacute; aceitar e incorporar a ideia da diversidade, porque isso tem a ver com toler&acirc;ncia, com conviv&ecirc;ncia, com aceitar a diferen&ccedil;a", afirma Neves.</font></p>     <p><font size="3"> A quest&atilde;o que se coloca quando se fala de patrim&ocirc;nio arqueol&oacute;gico &eacute; como manejar um recurso natural que &eacute;, ao mesmo tempo, cultural e social. De acordo com o pesquisador, existem evid&ecirc;ncias por toda parte de que a Amaz&ocirc;nia foi densamente ocupada. Os s&iacute;tios amaz&ocirc;nicos s&atilde;o ricos e densos. A quantidade de s&iacute;tios arqueol&oacute;gicos encontrados por sua equipe ao longo dos 30 anos de pesquisa na regi&atilde;o demonstra uma presen&ccedil;a antiga e cont&iacute;nua, e mostram como as popula&ccedil;&otilde;es estiveram presentes em diferentes &eacute;pocas e regi&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n3/a23img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="3">"O que acontece &eacute; que as popula&ccedil;&otilde;es que existiam aqui no Brasil eram popula&ccedil;&otilde;es &aacute;grafas, elas n&atilde;o tinham escrita; ent&atilde;o, nossa &uacute;nica fonte de informa&ccedil;&atilde;o para entender a hist&oacute;ria dessas popula&ccedil;&otilde;es s&atilde;o os objetos e o contexto no qual eles se inserem, isto &eacute;, das modifica&ccedil;&otilde;es da paisagem que esses grupos fizeram no passado, como vest&iacute;gios de pavimentos de cer&acirc;mica, pinturas, gravuras e solos escuros modificados pela a&ccedil;&atilde;o humana", explica o arque&oacute;logo. Para o jornalista Pedro Ortiz, coordenador do curso da editora Obor&eacute;, na capital paulista "Descobrir a Amaz&ocirc;nia &#150; descobrir&#45;se rep&oacute;rter" do Projeto Rep&oacute;rter do Futuro, diversidade &eacute; a palavra&#45;chave para entender a Amaz&ocirc;nia. "Toda sua complexidade s&oacute; pode ser entendida a partir de diferentes vis&otilde;es e defini&ccedil;&otilde;es, pois a realidade e os problemas da Amaz&ocirc;nia s&atilde;o t&atilde;o diversos e complexos quanto sua extens&atilde;o territorial". Al&eacute;m disso, acrescenta Ortiz, uma s&eacute;rie de estere&oacute;tipos e preconceitos em raz&atilde;o da desinforma&ccedil;&atilde;o ainda est&atilde;o ligados ao imagin&aacute;rio dos brasileiros quando se trata da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, inclusive por parte de seus pr&oacute;prios habitantes, os chamados amaz&ocirc;nidas &#150; ind&iacute;genas, caboclos, ribeirinhos, e remanescentes quilombolas. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>DIVERSIDADE CULTURAL X ACULTURA&Ccedil;&Atilde;O</b> Outro aspecto importante dentro da tem&aacute;tica ind&iacute;gena &eacute; a acultura&ccedil;&atilde;o. Para o pesquisador da USP, esse &eacute; um problema que surge quando se remove a capacidade desses povos de terem hist&oacute;ria. "O Brasil n&atilde;o &eacute; o mesmo de s&eacute;culos atr&aacute;s, passamos por diversas transforma&ccedil;&otilde;es ao longo dos s&eacute;culos, e essas popula&ccedil;&otilde;es se transformam tamb&eacute;m, mas sempre se vendo como povos ind&iacute;genas", afirma. Segundo Neves, a hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; s&oacute; passado, mas uma coisa din&acirc;mica, que est&aacute; acontecendo neste exato momento e, portanto, em constante transforma&ccedil;&atilde;o. "Os povos ind&iacute;genas sempre estiveram em contato entre si e se modificaram. A quest&atilde;o de criar um falso dilema interessa a alguns grupos econ&ocirc;micos, que podem falar: olha, esses caras n&atilde;o s&atilde;o mais &iacute;ndios", explica.</font></p>     <p><font size="3"> Para o arque&oacute;logo o interesse por parte dos povos ind&iacute;genas em reconstruir as informa&ccedil;&otilde;es de sua hist&oacute;ria vem mudando com o passar do tempo. "Antigamente n&atilde;o havia muito interesse porque, na verdade, os ind&iacute;genas sabiam que viviam ali, e n&atilde;o precisavam daquela exist&ecirc;ncia de objetos para atestar que a ocupa&ccedil;&atilde;o daquelas &aacute;reas era muito antiga. Mas hoje em dia, esse novo cen&aacute;rio pol&iacute;tico que se coloca, onde algumas terras ind&iacute;genas s&atilde;o objeto de disputa, como no Tapaj&oacute;s, por exemplo, em que algumas barragens v&atilde;o ter impacto sobre as terras ind&iacute;genas, esse interesse tem mudado: os kaiap&oacute;s, povo original da regi&atilde;o, t&ecirc;m procurado parceria com arque&oacute;logos para mostrar atrav&eacute;s da arqueologia tamb&eacute;m que a ocupa&ccedil;&atilde;o daquele territ&oacute;rio por eles &eacute; bastante antiga. Isso &eacute; uma coisa recente e que tem sido muito interessante", destaca.</font></p>     <p><font size="3"> O desafio da arqueologia &eacute; grande. "Mesmo com a melhor equipe de arque&oacute;logos em campo, este &eacute; um trabalho demorado, &eacute; um processo de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento.  Acho que os arque&oacute;logos t&ecirc;m uma boa parcela de responsabilidade por n&atilde;o termos uma tradi&ccedil;&atilde;o aqui no Brasil. A arqueologia est&aacute; muito menos presente na nossa vida do que deveria estar", conclui.</font></p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="right"><font size="3"><I>Cristiane Pai&atilde;o</I></font></p>      ]]></body>
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