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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cresce demanda por tratamento de infertilidade, mas o acesso é ainda caro e seletivo]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/noticiasbr.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">R<small>EPRODU&Ccedil;&Atilde;O</small> H<small>UMANA</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v64n4/linha_preta.jpg"></P>     <p><font size="4"><B>Cresce demanda    por tratamento de infertilidade, mas    o acesso &eacute; ainda    caro e seletivo</B></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em 1978 nascia a inglesa Louise Brown, primeira crian&ccedil;a concebida a partir de embri&atilde;o gerado em laborat&oacute;rio, ou o primeiro beb&ecirc; de proveta, como ficou conhecida. Tal conquista m&eacute;dica serviu de esperan&ccedil;a a in&uacute;meros casais que sonhavam com filhos, mas que tinham dificuldades reprodutivas. Em mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas, essa pr&aacute;tica m&eacute;dica, que passou a ser chamada de reprodu&ccedil;&atilde;o (humana) assistida, n&atilde;o parou de se desenvolver e &eacute; indicada a um n&uacute;mero cada vez maior de pacientes.</font></P>     <p><font size="3">A cada ano ocorrem cerca de 2.500 procedimentos de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida no Brasil, equivalente a um crescimento anual de 5 a 10% nos &uacute;ltimos cinco anos, informa o m&eacute;dico &Eacute;dson Borges J&uacute;nior, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodu&ccedil;&atilde;o Assistida e diretor do Centro de Fertiliza&ccedil;&atilde;o Assistida Fertility, de S&atilde;o Paulo. O novo estilo de vida dos casais modernos, que adiam a gesta&ccedil;&atilde;o, &eacute; um dos motivos para esse cen&aacute;rio de maior busca por tratamento reprodutivo. "Antigamente as mulheres tinham filhos mais cedo, entre os 20 e 30 anos; hoje, retardam a maternidade, principalmente por causa de tarefas e compromissos profissionais, o que altera a fertilidade e reduz a possibilidade de engravidar", conta Ana Carolina Japur de S&aacute; Rosa e Silva, docente do Departamento de Ginecologia e Obstetr&iacute;cia da Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o Preto da Universidade de S&atilde;o Paulo (FMRP-USP). Ela explica que, ao contr&aacute;rio dos homens (que produzem espermatozoides periodicamente), as mulheres possuem um n&uacute;mero finito de gametas, cujo n&uacute;mero diminui com o passar do tempo. "As pacientes que buscam o servi&ccedil;o de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida pela primeira vez t&ecirc;m em m&eacute;dia 38 anos, e depois querem ter outro filho aos 40, idade em que a quantidade de &oacute;vulos j&aacute; declinou bastante", relata a m&eacute;dica. </font></P>     <p><font size="3">No quesito idade, muitas vezes a reprodu&ccedil;&atilde;o assistida tem papel pouco esperan&ccedil;oso. "Em geral, a chance m&eacute;dia da reprodu&ccedil;&atilde;o assistida ser bem sucedida &eacute; de 30 a 40% nos casais at&eacute; 40 anos; a partir dessa idade, essa chance cai para 20%, chegando a menos de 5% aos 42 anos", esclarece Rui Alberto Ferriani, docente e m&eacute;dico respons&aacute;vel pelo setor de Reprodu&ccedil;&atilde;o Humana do Hospital das Cl&iacute;nicas (HC) da FMRP.</font></P>     <p><font size="3">A fertilidade masculina tamb&eacute;m sofre altera&ccedil;&otilde;es: "hoje, quando se analisa um espermograma (exame usado para avaliar a qualidade do s&ecirc;men), dificilmente encontra-se 90, 100 milh&otilde;es de espermatozoides por mililitro de s&ecirc;men, o que era absolutamente normal h&aacute; 30 anos", avalia M&aacute;rio Cavagna, secret&aacute;rio da Comiss&atilde;o Nacional de Reprodu&ccedil;&atilde;o Humana da Federa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Ginecologia e Obstetr&iacute;cia (Febrasgo). Como exemplo causal dessa altera&ccedil;&atilde;o, ele acusa o consumo constante e prolongado de produtos com subst&acirc;ncias que comprovadamente interferem na sa&uacute;de reprodutiva, como os agrot&oacute;xicos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">H&aacute; v&aacute;rios outros pontos a se levar em conta no modo como se comporta a sociedade contempor&acirc;nea, como "a presen&ccedil;a de doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis e aumento da obesidade", que elevam o risco de infertilidade, como descreve Carlos Alberto Petta, diretor do Centro de Pesquisas em Sa&uacute;de Reprodutiva de Campinas e coordenador do Centro de Reprodu&ccedil;&atilde;o Humana do Hospital S&iacute;rio Liban&ecirc;s. Existe tamb&eacute;m o fator psicol&oacute;gico. "Muitos casais acreditam que a partir do momento em que decidem gerar descendentes, a gravidez ocorrer&aacute;, no m&aacute;ximo, em 2 a 3 meses, e ficam extremamente ansiosos em n&atilde;o ter &ecirc;xito no tempo em que imaginavam", conta Liliana Seger, psic&oacute;loga cl&iacute;nica e professora de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o do curso de reprodu&ccedil;&atilde;o humana do Instituto Sapientae. </font></P>     <p><font size="3"><B>FILA DE ESPERA </B>N&atilde;o existem n&uacute;meros oficiais indicativos do n&uacute;mero de casais brasileiros com problemas reprodutivos. Estima-se, por&eacute;m, que, mundialmente, hoje "15 a 20% dos casais tenham dificuldade para gerar um filho em algum momento de sua idade reprodutiva", afirma Ana Carolina. O que se sabe &eacute; que a assist&ecirc;ncia reprodutiva brasileira aos casais inf&eacute;rteis ainda &eacute; muito pequena. O cen&aacute;rio nacional &eacute; de "uma enorme demanda reprimida: existe um grande n&uacute;mero de pacientes que necessitam de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida e n&atilde;o conseguem ter acesso a cl&iacute;nicas especializadas, sejam elas particulares (pre&ccedil;os muito altos, de R$ 15 mil a R$ 20 mil) ou oferecidas em servi&ccedil;os p&uacute;blicos, que n&atilde;o comportam a quantidade de casais que os procuram", explica Cavagna, que tamb&eacute;m &eacute; diretor da Divis&atilde;o de Reprodu&ccedil;&atilde;o Humana do Hospital P&eacute;rola Byington, &uacute;nica institui&ccedil;&atilde;o em que o protocolo completo de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida &eacute; totalmente custeado com verba p&uacute;blica, da Secretaria de Sa&uacute;de do Estado de S&atilde;o Paulo. No entanto, "para atender a procura, o hospital teria que realizar 2 mil procedimentos por ano e s&oacute; conseguimos fazer 300; h&aacute; uma fila de espera de quatro anos para novos casos", lamenta. </font></P>     <p><font size="3">Apesar da Portaria 426/GM (2005) "instituir, no &acirc;mbito do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), a Pol&iacute;tica Nacional de Aten&ccedil;&atilde;o Integral em Reprodu&ccedil;&atilde;o Humana Assistida, a ser implantada em todas as unidades federadas", como escrito no pr&oacute;prio documento, ela nunca foi implementada. Atualmente, o que se tem de contribui&ccedil;&atilde;o do SUS &eacute; algo pequeno e pontual. No HC da FMRP, por exemplo, "o SUS n&atilde;o financia os procedimentos de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida, embora esta seja uma aspira&ccedil;&atilde;o de todos os servi&ccedil;os p&uacute;blicos que trabalham com isso", conforme notificou a superintend&ecirc;ncia do hospital. O panorama, por&eacute;m, pode melhorar. Uma comiss&atilde;o de parlamentares est&aacute; tentando uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica com a presen&ccedil;a de representantes do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e de importantes sociedades brasileiras de reprodu&ccedil;&atilde;o para discutir o acesso realmente integral aos procedimentos de reprodu&ccedil;&atilde;o assistida por meio do SUS.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><I>Daniel Blasioli Dentillo</I></font></P>      ]]></body>
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