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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sérgio Mascarenhas: uma vida de atuação e esforços para o diálogo entre ciência e sociedade]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/noticiasbr.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">E<small>NTREVISTA</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v64n4/linha_preta.jpg"></P>     <p><font size="4"><b>S&eacute;rgio Mascarenhas: uma vida de atua&ccedil;&atilde;o e esfor&ccedil;os para o di&aacute;logo entre ci&ecirc;ncia e sociedade</b></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a06img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Um entusiasmo contagiante com a ci&ecirc;ncia, educa&ccedil;&atilde;o e sociedade.  Essa &eacute; a marca que o carioca S&eacute;rgio Mascarenhas, professor titular aposentado do Instituto de F&iacute;sica e Qu&iacute;mica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) de S&atilde;o Carlos, onde vive h&aacute; mais de 50 anos, deixa em qualquer um que tenha o privil&eacute;gio de ouvi-lo. Sua atua&ccedil;&atilde;o na cria&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es como o Departamento de F&iacute;sica da USP S&atilde;o Carlos, SBPC, Embrapa Instrumenta&ccedil;&atilde;o Agropecu&aacute;ria e Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar), fazem de Mascarenhas, aos 84 anos, um cientista completo, cheio de projetos e a&ccedil;&otilde;es para melhorar o acesso da sociedade ao conhecimento. Sua maior preocupa&ccedil;&atilde;o atual &eacute; com a educa&ccedil;&atilde;o brasileira, que considera viver um momento de "enorme injusti&ccedil;a social", na qual os mais pobres s&atilde;o duplamente prejudicados, porque pagam pelo estudo superior, enquanto os mais ricos est&atilde;o nas universidades p&uacute;blicas. </font></P>     <p><font size="3">Ci&ecirc;ncia e Cultura &#150; <I>Como o senhor, t&atilde;o ativo intelectualmente, coordenando projetos e criando patentes, v&ecirc; as pol&iacute;ticas de aposentadoria no Brasil?</I></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><I>S&eacute;rgio Mascarenhas</I> &#150; Foram tomadas medidas, pelo menos recentemente, pela USP &#150; n&atilde;o sei se tamb&eacute;m na &shy;Unesp e na Unicamp  &#150; que permitem ao professor aposentado, compuls&oacute;rio, usar os benef&iacute;cios da universidade no que tange a equipamentos e infraestrutura, caso ele opte por dar aulas e fazer pesquisa. Na USP foi dado o nome de professor s&ecirc;nior. Sou totalmente a favor, porque o Brasil tem poucas pessoas experientes e a idade de aposentadoria no pa&iacute;s, com o aumento da longevidade, ficou relativamente baixa. Isso &eacute; um benef&iacute;cio pessoal, mas n&atilde;o &eacute; um benef&iacute;cio social, porque, estando bem de sa&uacute;de, a pessoa deveria poder dedicar mais tempo &agrave; universidade. Essa solu&ccedil;&atilde;o poderia ser melhorada propiciando aos professores aposentados algumas facilidades &#150; sem os crit&eacute;rios restritos das leis trabalhistas &#150; para que possam, por exemplo, receber di&aacute;rias para viagens, no caso de estarem afastados da sede da universidade. E seria muito importante que se aumentasse a intera&ccedil;&atilde;o com o ensino a dist&acirc;ncia para que os professores aposentados pudessem participar de debates e aulas nesses cursos. </font></P>     <p><font size="3"><I>Como equilibrar as atividades de pesquisa e ensino tendo em vista as metas de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica? </I></font></P>     <p><font size="3">Embora estatutariamente nas universidades p&uacute;blicas a fun&ccedil;&atilde;o do professor seja tripla &#150; doc&ecirc;ncia, pesquisa e gest&atilde;o administrativa &#150;, &eacute; dif&iacute;cil encontrar, na mesma pessoa, capacidades iguais nas tr&ecirc;s &aacute;reas. Os concursos na universidade deveriam ser feitos para as diferentes &aacute;reas. Se o professor com atividade docente acredita que tamb&eacute;m possa fazer pesquisa ent&atilde;o ele deve firmar um compromisso com isso, sempre sob avalia&ccedil;&atilde;o, sob crit&eacute;rios definidos em um plano de trabalho, e receber um adicional. Desta forma, n&atilde;o ser&aacute; apenas uma obriga&ccedil;&atilde;o, mas ter&aacute; tamb&eacute;m um incentivo. O que est&aacute; acontecendo &eacute; que as pessoas n&atilde;o fazem bem, em geral, pelo menos uma dessas coisas. A universidade precisa cair na real e reconhecer que existem essas tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es para a institui&ccedil;&atilde;o como um todo, mas n&atilde;o para um docente individualmente, porque &eacute; imposs&iacute;vel, muito raro, ter pessoas que exer&ccedil;am bem as tr&ecirc;s fun&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <p><font size="3"><I>Como o senhor avalia o ensino superior brasileiro, considerando que h&aacute; hoje maior acesso &agrave;s universidades?</I></font></P>     <p><font size="3">Estamos enfrentando um dos mais s&eacute;rios problemas da nossa educa&ccedil;&atilde;o superior. Temos 72% dos alunos nas universidades privadas onde, em geral, n&atilde;o se faz extens&atilde;o e pesquisa. Elas se limitam a uma atividade vocacional, de formar engenheiros, m&eacute;dicos, historiadores, literatos... Ent&atilde;o as universidades privadas n&atilde;o d&atilde;o tudo que poderiam dar para a sociedade. Por outro lado, o panorama sociol&oacute;gico, socioecon&ocirc;mico do ensino superior do Brasil, com essa dicotomia entre universidades p&uacute;blicas e privadas, &eacute; que a classe mais pobre foi para a universidade privada e os mais ricos est&atilde;o na universidade p&uacute;blica, o que &eacute; uma injusti&ccedil;a social. Estamos prejudicando duplamente a classe que tem menos recursos. Alguma coisa tem que ser feita. N&atilde;o podemos ficar convivendo com esse problema que j&aacute; dura mais de 40 anos, desde que as universidades privadas tiveram um grande aumento de alunado. N&oacute;s, que trabalhamos em educa&ccedil;&atilde;o, temos que pensar nesse problema e agir, propor solu&ccedil;&otilde;es. </font></P>     <p><font size="3"><I>As universidades p&uacute;blicas brasileiras valorizam o papel social do cientista e t&ecirc;m atuado socialmente? </I></font></P>     <p><font size="3">A educa&ccedil;&atilde;o que damos para as classes sociais superiores nas universidades p&uacute;blicas favorece certo egocentrismo, em que a universidade vira uma torre de marfim desligada da sociedade. Acho que todo professor, aluno e funcion&aacute;rio das universidades p&uacute;blicas tem que ter seus olhos voltados para fora da universidade. Os problemas de sa&uacute;de, da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, da log&iacute;stica, da tecnologia e da inova&ccedil;&atilde;o s&atilde;o graves. Somos realmente um pa&iacute;s em desenvolvimento, de baixo conte&uacute;do tecnol&oacute;gico. Recebemos uma heran&ccedil;a maldita dos 500 anos de coloniza&ccedil;&atilde;o e a aceitamos sem qualquer sentimento de culpa: a escravatura, o machismo, a tremenda depend&ecirc;ncia social das classes mais pobres. Convivemos com isso com conforto. A universidade precisa ter uma intera&ccedil;&atilde;o com a escola p&uacute;blica. Em S&atilde;o Carlos, temos um programa educacional no Instituto de F&iacute;sica, dirigido pelo Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados (IEA), com a universidade e a escola p&uacute;blica, com resultados muito bons, em que alguns professores e alunos de gradua&ccedil;&atilde;o, e at&eacute; de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, dedicam parte do tempo aos professores das escolas fundamentais, criando um clima de solidariedade e de conhecimento. N&atilde;o existe muita diferen&ccedil;a entre o conhecimento gerado no ensino fundamental e no superior, no sentido de que ambos s&atilde;o necess&aacute;rios para a sociedade. </font></P>     <p> <font size="3"><I>A educa&ccedil;&atilde;o tem sido sua maior preocupa&ccedil;&atilde;o atualmente. </I></font></P>     <p><font size="3">Tenho uma liga&ccedil;&atilde;o muito forte com o problema da educa&ccedil;&atilde;o fundamental, porque fui aluno do An&iacute;sio Teixeira. Embora a educa&ccedil;&atilde;o superior seja muito importante, estamos naquela fase, do pa&iacute;s em desenvolvimento, que temos que consertar o avi&atilde;o em pleno voo. Vou cuidar s&oacute; da educa&ccedil;&atilde;o fundamental? N&atilde;o posso fazer isso. Temos que tratar da educa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, da educa&ccedil;&atilde;o superior avan&ccedil;ada. O problema &eacute; que temos uma simultaneidade de problemas, que exige um tratamento muito especial e urgente que entenda de sistemas complexos. O caminho do Brasil tem que ser o caminho da ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o juntamente com o humanismo.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font size="3"><I>Germana Barata</I></font></P>      ]]></body>

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