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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/noticias.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">R<small>ESENHA</small></font></P>     <P><img src="/img/revistas/cic/v64n4/linha_preta.jpg"></P>     <p><font size="4"><B>A ignor&acirc;ncia que    move a ci&ecirc;ncia</B></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">"Cientistas usam a ignor&acirc;ncia para planejar suas pesquisas, identificar o que precisa ser feito e definir os rumos dos seus projetos. A ci&ecirc;ncia progride por meio da ignor&acirc;ncia. Ao inv&eacute;s de perder tempo formulando hip&oacute;teses, os cientistas deveriam focar no desconhecido, nas quest&otilde;es em aberto em suas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o. Quando mal administrada, a ignor&acirc;ncia na ci&ecirc;ncia pode ser limitante".</font></P>     <p><font size="3">Tais cita&ccedil;&otilde;es e conselhos, que certamente causam estranhamento, quando n&atilde;o desconforto, est&atilde;o no livro <I>Ignorance &#150; How it drives science</I>, de autoria de Stuart Firestein, publicado este ano pela Oxford University Press. Firestein, professor de neurologia da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, come&ccedil;a sua argumenta&ccedil;&atilde;o a favor da ignor&acirc;ncia como motor de propuls&atilde;o da atividade cient&iacute;fica citando um velho prov&eacute;rbio: "&Eacute; muito dif&iacute;cil achar um gato preto em um quarto escuro, especialmente quando n&atilde;o h&aacute; gatos".</font></P>     <p><font size="3">Foi em sala de aula que Firestein percebeu a import&acirc;ncia, pouco explorada, ao menos para o p&uacute;blico em geral, do papel da ignor&acirc;ncia na ci&ecirc;ncia. Utilizando um livro did&aacute;tico de quase 1.500 p&aacute;ginas e pesando duas vezes o peso de um c&eacute;rebro humano, ele notou que suas aulas de neurologia conduziam os alunos &agrave; falsa impress&atilde;o de que sabe-se tudo em neuroci&ecirc;ncia. "Isso n&atilde;o poderia ser mais equivocado", escreve.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a09img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Ap&oacute;s essa revela&ccedil;&atilde;o, Firestein estruturou um curso de ci&ecirc;ncia devotado &agrave; e intitulado "Ignor&acirc;ncia", iniciado em 2006. Em cada uma das sess&otilde;es, um cientista &eacute; convidado a falar aos estudantes o que n&atilde;o se sabe em sua &aacute;rea, o que gostaria de se saber, o que &eacute; cr&iacute;tico para se entender, como pesquisar os pontos ainda desconhecidos, o que &eacute; imposs&iacute;vel de se conhecer, por que querem saber, e muito mais. "Em resumo, eles falam sobre o estado atual de sua ignor&acirc;ncia", escreve.</font></P>     <p><font size="3">Astr&ocirc;nomos, qu&iacute;micos, ec&oacute;logos, geneticistas, matem&aacute;ticos, neurobi&oacute;logos, f&iacute;sicos, estat&iacute;sticos e zo&oacute;logos, entre outros, j&aacute; participaram do curso. Foram tais estudos de caso sobre a ignor&acirc;ncia que move a ci&ecirc;ncia que inspiraram Firestein a escrever o livro, que se baseia em uma defini&ccedil;&atilde;o menos pejorativa da ignor&acirc;ncia, n&atilde;o como estupidez e falta de informa&ccedil;&atilde;o, e sim como uma condi&ccedil;&atilde;o particular do conhecimento: "a aus&ecirc;ncia de fato, <I>insight</I> ou clareza sobre algo".</font></P>     <p><font size="3">Na primeira parte, Firestein explica as ideias centrais do livro: fatos servem para acessar a ignor&acirc;ncia do cientista em sua &aacute;rea, conhecimentos aparentes podem retardar o progresso (cita a frenologia como exemplo), fatos enquadrados como de sucesso ficam refrat&aacute;rios &agrave; revis&atilde;o (diferentes regi&otilde;es da l&iacute;ngua representam diferentes sensibilidades), limites, incertezas e impossibilidades da ci&ecirc;ncia, falha e perigo das predi&ccedil;&otilde;es dos rumos que a ci&ecirc;ncia deveria tomar e, por fim, estrat&eacute;gias utilizadas pelos cientistas para abordar a ignor&acirc;ncia.</font></P>     <p><font size="3">J&aacute; na segunda parte, o autor narra quatro hist&oacute;rias que iluminam particularidades da ignor&acirc;ncia e sua import&acirc;ncia no desenvolvimento cient&iacute;fico, nas &aacute;reas de psicologia cognitiva, f&iacute;sica te&oacute;rica, astronomia e neuroci&ecirc;ncia.</font></P>     <p><font size="3">Ironicamente (considerando o t&iacute;tulo do livro), Firestein errou a nacionalidade da neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel, assim como o n&uacute;mero de neur&ocirc;nios e de c&eacute;lulas gliais no c&eacute;rebro calculado por seu grupo. </font></P>     <p><font size="3">Erros a parte, o livro leva a uma reflex&atilde;o sobre o processo de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico. Trazendo exemplos de diversas &aacute;reas, como biologia, matem&aacute;tica e f&iacute;sica, o autor consegue, no entanto, chamar a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que a  busca incessante pelo conhecimento, pelo vi&eacute;s da ignor&acirc;ncia, contribuiu para uma vis&atilde;o mais humilde do processo de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><I>Cristina Caldas</I></font></P>     ]]></body>
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