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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a12img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><B>Saara Ocidental: um processo de <i>n&atilde;o-autodeterminac&atilde;o</i> nacional?</B></font></P>     <P><font size="3">Pascoal Santos Pereira</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><font size=5><b>"D</b></font>escoloniza&ccedil;&atilde;o" &eacute; um termo que, na atualidade, n&atilde;o faz parte do alinhamento dos notici&aacute;rios sobre pol&iacute;tica internacional. No entanto, isso n&atilde;o significa que esse processo esteja conclu&iacute;do e arquivado no passado, por muito que tenha deixado de merecer a aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia internacional. O Saara Ocidental &eacute; provavelmente um dos &uacute;ltimos territ&oacute;rios em que esse processo ainda n&atilde;o foi conclu&iacute;do, sendo que a indefini&ccedil;&atilde;o sobre o seu status internacional se arrasta desde 1975. Neste artigo, pretendemos tra&ccedil;ar uma breve contextualiza&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e pol&iacute;tica que nos permita entender a atual situa&ccedil;&atilde;o desse territ&oacute;rio, qualificada mesmo por alguns autores como a "&uacute;ltima col&ocirc;nia da &Aacute;frica" (1). Numa primeira parte, faremos um resumo da hist&oacute;ria da luta do Saara Ocidental pela sua autodetermina&ccedil;&atilde;o desde 1975, quando a Espanha, a pot&ecirc;ncia colonial, se retirou desse territ&oacute;rio. Passamos em seguida para uma curta apresenta&ccedil;&atilde;o dos principais atores envolvidos nessa quest&atilde;o e das motiva&ccedil;&otilde;es por detr&aacute;s dos seus atos. O impasse a que a situa&ccedil;&atilde;o do Saara Ocidental chegou &eacute;, em seguida, ilustrado pelas diversas tentativas por parte da comunidade internacional (a ONU, essencialmente) em procurar uma solu&ccedil;&atilde;o definitiva e satisfat&oacute;ria para as partes envolvidas, contudo sem &ecirc;xito nos &uacute;ltimos 15 anos. Teceremos, por fim, algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre cen&aacute;rios poss&iacute;veis para a resolu&ccedil;&atilde;o dessa quest&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3"><B>A &Uacute;LTIMA COL&Ocirc;NIA AFRICANA </B>O Saara Ocidental &eacute; um territ&oacute;rio costeiro situado no Noroeste do continente africano, delimitado por Marrocos, Arg&eacute;lia e Maurit&acirc;nia e tradicionalmente habitado por popula&ccedil;&otilde;es n&ocirc;mades que falam varia&ccedil;&otilde;es locais da l&iacute;ngua &aacute;rabe. O n&uacute;mero total da popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; consensual, sendo que as proje&ccedil;&otilde;es variam dentro de um intervalo de 385 mil a 550 mil habitantes (2). Independentemente do valor total, essa popula&ccedil;&atilde;o distribui-se por um territ&oacute;rio com uma &aacute;rea pouco maior que a do Reino Unido ou do estado do Piau&iacute;, tornando-o um dos territ&oacute;rios com menor densidade populacional no mundo.</font></P>     <P><font size="3">At&eacute; 1975, o Saara Ocidental foi um territ&oacute;rio colonial administrado pela Espanha. Numa altura em que o processo de descoloniza&ccedil;&atilde;o se ia generalizando e se tornou irrevers&iacute;vel no restante do continente africano, a Espanha foi sendo crescentemente pressionada pela comunidade internacional para que libertasse o Saara Ocidental, o que se materializou em sucessivas resolu&ccedil;&otilde;es da Assembleia Geral da ONU, a partir de 1965, principalmente por press&atilde;o diplom&aacute;tica de Marrocos, Arg&eacute;lia e Maurit&acirc;nia (3). Simultaneamente, a posic&atilde;o espanhola passou a ser internamente contestada por um movimento anticolonial de guerrilha saaraui, a Frente Popular para a Liberta&ccedil;&atilde;o de Saguia el-Hamra e Rio de Oro (Polis&aacute;rio), criada em 1973 para combater o ocupante espanhol e que, desde cedo, teve o apoio da Arg&eacute;lia. Face a essas press&otilde;es, o Estado espanhol compromete-se finalmente em 1974 a realizar um referendo sobre o status do Saara Ocidental no ano seguinte. O Marrocos, anteriormente favor&aacute;vel &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o daquela col&ocirc;nia, manifestou-se contra a possibilidade da realiza&ccedil;&atilde;o de um referendo, com a esperan&ccedil;a de que esse processo de autodetermina&ccedil;&atilde;o resultasse na integra&ccedil;&atilde;o territorial do Saara Ocidental ao Marrocos (4), e solicita ent&atilde;o, conjuntamente com a Maurit&acirc;nia, uma opini&atilde;o legal ao Tribunal Internacional de Justi&ccedil;a (TIJ), contestando a validade legal de um referendo sobre um territ&oacute;rio ao qual teriam um direito soberano pr&eacute;-colonial (5). N&atilde;o encontrando base legal &agrave;s pretens&otilde;es de Marrocos e Maurit&acirc;nia (6), o TIJ pronuncia-se a favor do exerc&iacute;cio de autodetermina&ccedil;&atilde;o pelos saarauis, o que quase automaticamente provocou a invas&atilde;o do Saara Ocidental por 25.000 soldados marroquinos em outubro de 1975 (7), logo seguida por uma "Marcha Verde" de 350.000 civis, simbolizando uma "retomada pac&iacute;fica das prov&iacute;ncias do sul" pelo Marrocos, como na altura afirmou o rei Hassan II (8). Quase simultaneamente, e por forte press&atilde;o dos EUA, que receavam o surgimento de um regime revolucion&aacute;rio no Saara Ocidental (9), Espanha recua na inten&ccedil;&atilde;o de realizar o referendo e conclui o Acordo de Madrid com o Marrocos e a Maurit&acirc;nia, em novembro 1975, no qual se compromete a retirar-se completamente do territ&oacute;rio saaraui em fevereiro de 1976, transferindo para esses dois Estados a administra&ccedil;&atilde;o partilhada do Saara Ocidental. Em resposta &agrave; tomada de controle do territ&oacute;rio pelo ex&eacute;rcito marroquino, a Frente Polis&aacute;rio proclama a Rep&uacute;blica &Aacute;rabe Saaraui Democr&aacute;tica (Rasd), cujo governo &eacute; constitu&iacute;do no ex&iacute;lio, na Arg&eacute;lia, onde mais de 150.000 saarauis se refugiaram e se mant&ecirc;m em grande parte at&eacute; hoje em campos de refugiados.</font></P>     <P><font size="3">Inicia-se ent&atilde;o uma guerra entre o ex&eacute;rcito da Rasd (com o apoio pol&iacute;tico e log&iacute;stico da Arg&eacute;lia), por um lado, e as for&ccedil;as do Marrocos e da Maurit&acirc;nia, por outro lado. A Maurit&acirc;nia cedo desiste das suas pretens&otilde;es sobre o Saara Ocidental. Contudo, a guerra continuaria com o Marrocos, que empreendeu mesmo a constru&ccedil;&atilde;o de um muro de areia com 2.700 km de comprimento e altamente minado (perto de 7 milh&otilde;es de minas terrestres, uma das maiores concentra&ccedil;&otilde;es de minas ativas em todo o mundo) (10) com o intuito de isolar os 20% de territ&oacute;rio n&atilde;o controlado pelo seu ex&eacute;rcito e evitar incurs&otilde;es de guerrilheiros saarauis no restante do territ&oacute;rio ocupado.</font></P>     <P><font size="3">Uma reaproxima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do Marrocos com a Arg&eacute;lia, no final da d&eacute;cada de 1980, abre a possibilidade de que o Marrocos aceite pela primeira vez negociar diretamente com a Frente Polis&aacute;rio em Jeddah, Ar&aacute;bia Saudita, em 1988. Esse abrandamento do conflito permitiu ao secret&aacute;rio-geral da ONU apresentar uma proposta de paz, o Settlement Agreement, com um cessar-fogo e com algumas medidas quanto ao regresso dos refugiados, &agrave; troca de prisioneiros e &agrave; retirada das for&ccedil;as marroquinas. Essas seriam as pr&eacute;-condi&ccedil;&otilde;es apresentadas para a realiza&ccedil;&atilde;o de um referendo sobre o status pol&iacute;tico do Saara Ocidental, monitorizado pela Miss&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (Minurso) em cinco fases at&eacute; &agrave; sua realiza&ccedil;&atilde;o, prevista para 1992. O cessar-fogo entrou de fato em vigor em 1991, mas, apesar de todo o trabalho desenvolvido pela Minurso, o referendo ainda n&atilde;o teve lugar vinte anos depois... Em causa, est&atilde;o essencialmente dois aspectos que levaram todo o processo a um impasse. Primeiro, se bem que ambas as partes aceitem o referendo "em princ&iacute;pio", enquanto o Marrocos recusa que o que considera ser a sua integridade territorial seja posta em causa em referendo, a Frente Polis&aacute;rio n&atilde;o aceita discutir um poss&iacute;vel regime de autonomia pol&iacute;tica para o Saara Ocidental integrado ao Marrocos, como solu&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica a ser ponderada, entre os extremos independ&ecirc;ncia/integra&ccedil;&atilde;o. Segundo, existem diverg&ecirc;ncias profundas sobre qual dever&aacute; ser o corpo eleitoral do referendo; para a Frente Polis&aacute;rio, dever&atilde;o votar apenas os saarauis (e descendentes) registados num recenseamento populacional feito pela Espanha em 1974, antes da sua retirada; para o Marrocos, dever&aacute; votar toda a popula&ccedil;&atilde;o que vive no Saara Ocidental no momento do referendo.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Para conseguirmos entender melhor os obst&aacute;culos &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o desse referendo e as raz&otilde;es para que o <I>status quo</I> pol&iacute;tico obtido em 1991 se mantenha passados vinte anos, ser&aacute; pertinente referirmos quais s&atilde;o os principais atores em jogo e as suas motiva&ccedil;&otilde;es desde 1975.</font></P>     <p><font size="3"><B>ATORES E INTERESSES EM JOGO</B></font></P>     <P><font size="3"><B>a) Marrocos</B></font></P>     <P><font size="3">Para o Marrocos, a integra&ccedil;&atilde;o do Saara Ocidental no Estado marroquino &eacute; a &uacute;nica possibilidade conceb&iacute;vel para a resolu&ccedil;&atilde;o dessa quest&atilde;o, pois considera que esse territ&oacute;rio &eacute;, historicamente, parte integrante do reino, alegando hist&oacute;ricas rela&ccedil;&otilde;es de fidelidade pol&iacute;tica entre as tribos n&ocirc;mades que povoavam o Saara Ocidental e o sul do Marrocos (11). Como j&aacute; referimos, aceita a ideia de referendo (12), mas contesta fortemente o fato de esse poder prever a independ&ecirc;ncia como um dos resultados poss&iacute;veis, alegando que o que considera a integridade territorial de Marrocos n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel de ser contestada por via referend&aacute;ria (13). Contesta tamb&eacute;m a pr&oacute;pria Polis&aacute;rio, considerando que tanto os seus guerrilheiros, como os habitantes dos quatro campos de refugiados saarauis na Arg&eacute;lia n&atilde;o s&atilde;o saarauis, mas sim mercen&aacute;rios argelinos (14). Sustenta tamb&eacute;m que o recenseamento de 1974 n&atilde;o inclui as popula&ccedil;&otilde;es que fizeram parte da Marcha Verde de 1975, que n&atilde;o seriam mais que popula&ccedil;&otilde;es saarauis que tinham se refugiado no sul do Marrocos nos anos 1950, em consequ&ecirc;ncia das campanhas de contra-insurg&ecirc;ncia espanholas na &eacute;poca (15), da&iacute; a sua insist&ecirc;ncia na sua inclus&atilde;o no corpo eleitoral. Os obst&aacute;culos que o Marrocos tem colocado &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o do referendo desde 1991 podem ser vistos como uma estrat&eacute;gia para ganhar tempo (16) e assim desgastar o apoio interno e internacional &agrave; causa da Frente Polis&aacute;rio e tornar a presen&ccedil;a de colonos marroquinos no Saara Ocidental um fato consumado (17), na esperan&ccedil;a que, ao participarem de um referendo, votem a favor da integra&ccedil;&atilde;o ao Marrocos. N&atilde;o ser&aacute; de menosprezar outro fator importante no interesse do Marrocos: a presen&ccedil;a no Saara Ocidental de uma das maiores reservas mundiais de fosfatos e uma costa particularmente rica em recursos pesqueiros (18).</font></P>     <p><font size="3"><B>b) Arg&eacute;lia</B></font></P>     <P><font size="3">H&aacute; v&aacute;rios aspectos a considerar no envolvimento da Arg&eacute;lia nessa quest&atilde;o. No quadro da rivalidade hist&oacute;rica com o Marrocos e da competi&ccedil;&atilde;o pela hegemonia pol&iacute;tica no Magrebe (19), a consuma&ccedil;&atilde;o da integra&ccedil;&atilde;o do Saara Ocidental pelo Marrocos em 1975 representaria um precedente na quest&atilde;o da inviolabilidade de fronteiras, que a Arg&eacute;lia percepciona como perigosa para a sua pr&oacute;pria integridade territorial, uma vez que permanecem em aberto algumas quest&otilde;es fronteiri&ccedil;as com o Marrocos. Outra quest&atilde;o estrat&eacute;gica para Arg&eacute;lia seria a quest&atilde;o do acesso ao Atl&acirc;ntico para o escoamento dos seus min&eacute;rios no interior argelino atrav&eacute;s do Saara Ocidental (20), e que estaria mais bem garantido com um regime aliado controlando esse territ&oacute;rio do que com o Marrocos. No entanto, existe tamb&eacute;m um genu&iacute;no compromisso argelino para com o direito de autodeterminac&atilde;o do povo saaraui, como antiga col&ocirc;nia que &eacute; (21). Mant&eacute;m-se desde 1975 como o maior aliado da Frente Polis&aacute;rio, tendo aberto as portas aos refugiados saarauis que ainda hoje se concentram em quatro campos de refugiados junto a Tindouf, no sudoeste da Arg&eacute;lia (perto de 180 mil saarauis), fornecendo-lhe apoio pol&iacute;tico e log&iacute;stico e abrigando a sede provis&oacute;ria do governo da Rasd. Uma mudan&ccedil;a geracional na elite pol&iacute;tica argelina permitiu uma posi&ccedil;&atilde;o mais pragm&aacute;tica da Arg&eacute;lia quanto a esse conflito e uma aproxima&ccedil;&atilde;o gradual com o Marrocos (22), culminando no restabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas entre ambos em 1987, ap&oacute;s 12 anos de ruptura, o que levou, por conseguinte tamb&eacute;m, a uma flexibiliza&ccedil;&atilde;o da Frente Polis&aacute;rio e ao cessar-fogo patrocinado pela ONU.</font></P>     <p><font size="3"><B>c) Maurit&acirc;nia</B></font></P>     <P><font size="3">Se no per&iacute;odo que antecedeu e seguiu imediatamente a retirada espanhola do Saara Ocidental foi uma aliada do Marrocos, a Maurit&acirc;nia depressa se tornou num ator secund&aacute;rio na resolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o saaraui. Se, no momento de pedido de opini&atilde;o jur&iacute;dica ao TIJ, em 1975, a sua posi&ccedil;&atilde;o se baseava na proximidade &eacute;tnica das tribos saarauis com as popula&ccedil;&otilde;es fronteiri&ccedil;as da Maurit&acirc;nia (23), esse fator foi tamb&eacute;m um dos que muito contribuiu para o elevado grau de deser&ccedil;&otilde;es no seu pr&oacute;prio ex&eacute;rcito, a favor da causa saaraui durante a guerra (24). Sem os meios do Marrocos ou mesmo da Frente Polis&aacute;rio, a Maurit&acirc;nia nunca se mostrou entusiasticamente empenhada nesse conflito, tanto por n&atilde;o ser popular internamente (ao contr&aacute;rio do que acontecia no Marrocos) (25), como ainda por desconfiar das inten&ccedil;&otilde;es expansionistas do Marrocos no longo prazo (26). Em face de uma campanha da Frente Polis&aacute;rio, assente na press&atilde;o militar e econ&ocirc;mica sobre o seu territ&oacute;rio (27), a Maurit&acirc;nia desistiu das suas pretens&otilde;es sobre o Saara Ocidental e reconheceu a Rasd em 1979.</font></P>     <p><font size="3"><B>d) Os saarauis</B></font></P>     <P><font size="3">Contrariamente aos argumentos hist&oacute;ricos e &eacute;tnicos aventados pelo Marrocos e pela Maurit&acirc;nia para justificar o seu interesse no Saara Ocidental, a Frente Polis&aacute;rio sempre manteve uma coerente argumenta&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica para fundamentar a sua posi&ccedil;&atilde;o, e &eacute; possivelmente a&iacute; que reside o seu &ecirc;xito pol&iacute;tico, bem como o fato de, 35 anos depois, a causa saaraui ainda permanecer na agenda internacional. Essa argumenta&ccedil;&atilde;o assenta no direito &agrave; autodetermina&ccedil;&atilde;o incondicional do Saara Ocidental enquanto antigo territ&oacute;rio colonial e no princ&iacute;pio da inviolabilidade das fronteiras, mantendo-as tal como definidas no per&iacute;odo colonial e na decis&atilde;o do TIJ em 1975. Mesmo durante os primeiros anos de confronto militar com os ex&eacute;rcitos advers&aacute;rios, a Rasd manteve sempre uma forte aposta na frente pol&iacute;tica e diplom&aacute;tica, conseguindo, entre outras coisas, ser aceita como membro de pleno direito na Organiza&ccedil;&atilde;o da Unidade Africana em 1984 (o que levou &agrave; sa&iacute;da de Marrocos, at&eacute; hoje), ver a sua independ&ecirc;ncia reconhecida <I>de fato</I> por 80 Estados (28), e que nenhum Estado tenha, at&eacute; hoje, formalmente aceito a soberania marroquina sobre o Saara Ocidental (29). A sua estat&eacute;gia foi sendo tamb&eacute;m reajustada ao longo dos anos 1980, desistindo gradualmente do confronto militar, tanto devido &agrave; aproxima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre Marrocos e Arg&eacute;lia, que poderia, gradualmente, comprometer o tradicional apoio argelino &agrave; sua causa, como pela efetividade do muro constru&iacute;do pelo Marrocos em pleno territ&oacute;rio saaraui, um novo obst&aacute;culo a movimenta&ccedil;&otilde;es militares (30).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">A realiza&ccedil;&atilde;o do referendo foi sempre defendida pela Rasd, na condi&ccedil;&atilde;o de este incluir o que considera ser o universo eleitoral do Saara Ocidental realmente v&aacute;lido: todos os saarauis (e respectivos descendentes) que habitavam o territ&oacute;rio antes da ocupa&ccedil;&atilde;o marroquina, registrados no recenseamento espanhol de 1974, e que hoje est&atilde;o presentes tanto no Saara Ocidental como nos campos de refugiados na Arg&eacute;lia. O receio da Frente Polis&aacute;rio &eacute; que a participa&ccedil;&atilde;o de toda a popula&ccedil;&atilde;o atualmente presente no territ&oacute;rio, majoritariamente composta por colonos marroquinos e consequ&ecirc;ncia direta da pol&iacute;tica de desequil&iacute;brio populacional operado pelo ocupante desde a Marcha Verde, resulte numa vota&ccedil;&atilde;o a favor da integra&ccedil;&atilde;o ao Marrocos. No entanto, o impasse pol&iacute;tico a que as dificuldades da operacionaliza&ccedil;&atilde;o do referendo levaram nos anos 1990, fizeram recrudescer a frustra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o saaraui, nascendo assim, nesse contexto, a Intifada do Deserto em 1999, quando estudantes saarauis iniciaram uma s&eacute;rie de protestos em Al-'Ayun, capital do Saara Ocidental, com a ocupa&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica da maior pra&ccedil;a da cidade, aos quais cedo se juntaram antigos prisioneiros pol&iacute;ticos, trabalhadores das minas de fosfato e desempregados (31). Mais do que apelos &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de um referendo e &agrave; independ&ecirc;ncia, tamb&eacute;m presentes, os manifestantes colocaram uma forte t&ocirc;nica no respeito aos seus direitos econ&ocirc;micos e sociais, o que pode de algum modo justificar o fato de muitos colonos marroquinos, vivendo em condi&ccedil;&otilde;es muito prec&aacute;rias nos bairros pobres em redor da cidade, tamb&eacute;m terem se juntado &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es. Apesar do car&aacute;ter eminentemente n&atilde;o violento desse levante, as tropas marroquinas reagiram pela for&ccedil;a ao fim de doze dias de manifesta&ccedil;&otilde;es, mas tiveram de se refrear posteriormente, perante a press&atilde;o internacional que receberam. Se bem que o Marrocos tenha acabado por tomar algumas medidas para serenar as vozes cr&iacute;ticas no Saara Ocidental, a revolta n&atilde;o violenta dos saarauis foi-se fortalecendo e ganhando mais apoios, internamente e at&eacute; mesmo no Marrocos (onde o apoio p&uacute;blico &agrave; independ&ecirc;ncia do Saara Ocidental &eacute; ilegal), onde muitos ativistas saarauis conseguiram dar voz &agrave; sua causa, colaborando com organiza&ccedil;&otilde;es locais de direitos humanos, jornalistas e ativistas de esquerda (32). Em 2005, essa Intifada teve outro momento dram&aacute;tico, quando da transfer&ecirc;ncia de um prisioneiro pol&iacute;tico saaraui para uma pris&atilde;o no Marrocos e protestos se fizeram ouvir tanto em cidades saarauis, como nas cidades universit&aacute;rias marroquinas onde se encontram importantes comunidades de saarauis; as for&ccedil;as marroquinas mais uma vez responderam aos protestos com viol&ecirc;ncia, provocando mesmo a morte de alguns manifestantes saarauis (33).</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a12img02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">A resist&ecirc;ncia n&atilde;o violenta &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o marroquina deu uma crescente visibilidade &agrave; causa saaraui em n&iacute;vel internacional, garantindo-lhe mesmo alguns aliados de peso no seio da Uni&atilde;o Europeia: a renova&ccedil;&atilde;o do acordo quadrianual de explora&ccedil;&atilde;o pesqueira assinado entre o Marrocos e a Uni&atilde;o Europeia (UE) em 2006, por exemplo, foi vetada pelo Parlamento Europeu em dezembro de 2011, dado esse acordo ser ilegal <I>de jure</I>, por incluir pesca ao largo do Saara Ocidental (34). Importante tamb&eacute;m tem sido o <I>lobby</I> exercido por organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais, como a Western Sahara Resource Watch (35), junto a empresas multinacionais para que cessem de explorar os recursos naturais do Saara Ocidental e que conseguiu que n&atilde;o mais que duas empresas petrol&iacute;feras (a americana Kerr-McGee e a francesa Total) tenham contratos de explora&ccedil;&atilde;o/prospec&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo com o Marrocos nesse territ&oacute;rio (36).</font></P>     <p><font size="3"><B>b) Outras na&ccedil;&otilde;es</B></font></P>     <P><font size="3">Ap&oacute;s a sua retirada do Saara Ocidental em 1975, o Estado espanhol buscou uma posi&ccedil;&atilde;o equidistante no conflito sobre essa sua antiga col&ocirc;nia (37), mantendo rela&ccedil;&otilde;es de amizade e coopera&ccedil;&atilde;o tanto com o Marrocos como com a Arg&eacute;lia. Podemos afirmar que a posi&ccedil;&atilde;o de partida da Espanha seria mais pr&oacute;xima do Marrocos, tanto pela import&acirc;ncia da coopera&ccedil;&atilde;o do Estado marroquino para o acesso, a partir das Can&aacute;rias, &agrave;s &aacute;guas mar&iacute;timas saarauis, como pela participa&ccedil;&atilde;o espanhola na explora&ccedil;&atilde;o das minas de fosfato, como ainda pela fragilidade pol&iacute;tica da sua posi&ccedil;&atilde;o no que diz respeito aos seus enclaves de Ceuta e Melilla em territ&oacute;rio marroquino (38). No entanto, e tendo em conta a simpatia que a causa saaraui granjeia junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o espanhola (39), mas tamb&eacute;m pela crescente import&acirc;ncia do g&aacute;s natural da Arg&eacute;lia na pol&iacute;tica energ&eacute;tica europeia, o governo espanhol foi assim construindo uma postura relativamente neutra e cautelosa em rela&ccedil;&atilde;o ao conflito sobre o Saara Ocidental.</font></P>     <P><font size="3">O mesmo n&atilde;o se poder&aacute; dizer da Fran&ccedil;a, que apoia declaradamente a posi&ccedil;&atilde;o marroquina, considerando que o Saara Ocidental &eacute; parte integrante do Reino do Marrocos e que n&atilde;o hesitar&aacute; em recorrer ao seu poder de veto no Conselho de Seguran&ccedil;a na ONU, caso a posi&ccedil;&atilde;o marroquina se veja amea&ccedil;ada (40). O apoio franc&ecirc;s n&atilde;o &eacute; meramente ret&oacute;rico, passa tamb&eacute;m por apoio econ&ocirc;mico e militar substancial ao Marrocos, temendo que um referendo no Saara Ocidental possa p&ocirc;r em perigo o equil&iacute;brio pol&iacute;tico interno desse seu aliado. Posi&ccedil;&atilde;o semelhante mant&ecirc;m os EUA, &agrave; qual poderemos juntar um dilema &eacute;tico de apoio ao princ&iacute;pio da autodetermina&ccedil;&atilde;o dos povos consagrada na Carta da ONU (41). No entanto, quest&otilde;es geopol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas t&ecirc;m prevalecido sobre quest&otilde;es de princ&iacute;pio. Num primeiro momento, os EUA temiam um Saara Ocidental revolucion&aacute;rio e apoiado pela Arg&eacute;lia, esta pr&oacute;xima da URSS durante a Guerra Fria e que destabilizaria o Marrocos, um aliado com uma posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica junto &agrave; entrada do Mar Mediterr&acirc;neo (42). O apoio econ&ocirc;mico e militar americano ao Marrocos pode ainda ser justificado pelo fato de este Estado ser um dos poucos aliados de Israel no mundo &aacute;rabe, quest&atilde;o sens&iacute;vel para o Congresso americano (43). Se bem que os EUA tenham contado com a colabora&ccedil;&atilde;o do Marrocos na guerra contra o terror ap&oacute;s 11 de setembro de 2001, tamb&eacute;m a Arg&eacute;lia demonstrou ser um aliado estrat&eacute;gico na regi&atilde;o (44), o que obrigou a Casa Branca a manter uma pol&iacute;tica mais cautelosa no que diz respeito ao Saara Ocidental.</font></P>     <p><font size="3"><B>NOVOS DESENVOLVIMENTOS: OS PLANOS DE PAZ DA ONU </B>Como j&aacute; foi referido, a quest&atilde;o da realiza&ccedil;&atilde;o de um referendo no Saara Ocidental voltou a estar em cima da mesa de negocia&ccedil;&otilde;es gra&ccedil;as ao cessar-fogo previsto no Settlement Agreement de 1991 patrocinado pela ONU, que, desde essa altura, conduziu a operacionaliza&ccedil;&atilde;o dessa consulta popular, atrav&eacute;s da Minurso. O maior problema dessa miss&atilde;o de ONU foi a elabora&ccedil;&atilde;o da lista de votantes ao referendo, pelas j&aacute; tamb&eacute;m referidas diverg&ecirc;ncias entre Marrocos e a Frente Polis&aacute;rio sobre quem deveria votar. A Minurso inicia ent&atilde;o um laborioso trabalho de reconhecimento individual dos potenciais votantes, baseado numa s&eacute;rie de crit&eacute;rios definidos num relat&oacute;rio do secret&aacute;rio-geral da ONU (45). Se o universo eleitoral do recenseamento de 1974 (incluindo os seus descendentes) &eacute; considerado um ponto de partida primordial para a Frente Polis&aacute;rio, esse mesmo recenseamento &eacute; considerado incompleto pelo Marrocos, que reclama a inclus&atilde;o de todos os saarauis que n&atilde;o tenham sido inclu&iacute;dos nesse recenseamento por omiss&atilde;o durante o processo ou por aus&ecirc;ncia na altura do mesmo (46), bem como a inclus&atilde;o dos colonos marroquinos. Um acordo sobre crit&eacute;rios de admissibilidade ao referendo, a tarefa de reconhecimento individual e os in&uacute;meros recursos ao n&atilde;o reconhecimento tornaram o processo fastidioso; a contagem de votantes foi dada por conclu&iacute;da pela Minurso em 1999 apenas.</font></P>     <P><font size="3">Mas, a essa altura, o consenso internacional em torno da realiza&ccedil;&atilde;o do referendo tinha-se erodido consideravelmente: qualquer solu&ccedil;&atilde;o sa&iacute;da de um referendo poderia resultar em viol&ecirc;ncia, por conta do resultado nunca poder ultrapassar a l&oacute;gica "winner takes all", em que o vencedor vence incondicionalmente e o vencido, certo da justeza das suas pretens&otilde;es, o recusa categoricamente (47). Naquela altura, a ONU, atrav&eacute;s do antigo secret&aacute;rio de Estado James Baker, enviado especial do secret&aacute;rio-geral desde 1997, sem contudo deixar cair a ideia de referendo, introduz uma nova abordagem para a resolu&ccedil;&atilde;o desse conflito e que passaria pela obten&ccedil;&atilde;o de um acordo pol&iacute;tico entre as duas partes, que facilitaria a aceita&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua em forma de compromisso e que poderia passar por solu&ccedil;&otilde;es como um quadro de autonomia pol&iacute;tica do Saara Ocidental em Marrocos ou mesmo uma divis&atilde;o do territ&oacute;rio saaraui: uma parte independente, a outra parte anexada ao Marrocos. Baker apresentaria dois planos de paz distintos, um em 2001 e um outro em 2003. As duas partes do conflito levantaram obje&ccedil;&otilde;es a ambos os planos, muito semelhantes entre si: por um lado, para a Frente Polis&aacute;rio, ambos os planos de paz fariam t&aacute;bua rasa da legalidade internacional de 1975 e do conte&uacute;do do Settlement Agreement de 1991, pela aceita&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de um estatuto de autonomia no reino do Marrocos; por outro lado, o Marrocos aceitaria a ideia de uma autonomia alargada do Saara Ocidental no seu seio, mas recusa-se a submeter o que considera ser a sua integridade territorial a referendo. O plano de 2001, mais favor&aacute;vel &agrave; posi&ccedil;&atilde;o marroquina, foi rejeitado pela Frente Polis&aacute;rio e pela Arg&eacute;lia; por sua vez, o plano de 2003, mais equilibrado segundo a Frente Polis&aacute;rio, foi recusado pelo Marrocos.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>PERSPECTIVAS PARA O FUTURO </B>Pelo exposto acima, trata-se claramente de um conflito de complexa resolu&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; pelas posi&ccedil;&otilde;es antag&ocirc;nicas das duas partes, mas tamb&eacute;m pelo fato de se tratar de um conflito que se arrasta desde 1975 e no qual a passagem do tempo contribuiu grandemente para a cristaliza&ccedil;&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es, ao inv&eacute;s de as atenuar. Face a essas posi&ccedil;&otilde;es e condicionantes, I. William Zartman (48) tra&ccedil;a v&aacute;rios cen&aacute;rios poss&iacute;veis para a resolu&ccedil;&atilde;o do conflito: uma divis&atilde;o funcional, materializada num quadro de autonomia pol&iacute;tica e autogoverno interno do Saara Ocidental, ficando o Marrocos como soberano e respons&aacute;vel pelas quest&otilde;es externas (um resultado de "soma nula", nem independ&ecirc;ncia, nem integra&ccedil;&atilde;o); uma divis&atilde;o territorial, com a parte norte do Saara Ocidental anexado pelo Marrocos e a parte sul plenamente independente; uma solu&ccedil;&atilde;o que podemos qualificar de "p&oacute;s-soberana", no quadro da integra&ccedil;&atilde;o regional no seio da Uni&atilde;o &Aacute;rabe do Magrebe que daria uma nova configura&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica a toda a regi&atilde;o (n&atilde;o fosse esse projeto antigo estar neste momento moribundo, precisamente devido &agrave; quest&atilde;o do Saara Ocidental...); e, por fim, a oferta de uma compensa&ccedil;&atilde;o pecuni&aacute;ria (ou de outro tipo) a uma das partes, como ced&ecirc;ncia &agrave; outra (o que seria dif&iacute;cil, dado o lado essencialista que a quest&atilde;o representa para o Marrocos e dada a import&acirc;ncia geopol&iacute;tica da mesma para a Arg&eacute;lia).</font></P>     <P><font size="3">Assim, a recusa do Marrocos em admitir a possibilidade de autodetermina&ccedil;&atilde;o do Saara Ocidental e a recusa da Frente Polis&aacute;rio em admitir a possibilidade de discutir um quadro de autonomia no Marrocos (49) bloqueiam qualquer possibilidade de entendimento, agora como no passado, prolongando um impasse que dura 36 anos e no qual n&atilde;o se perspectivam novos desenvolvimentos no futuro pr&oacute;ximo. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><I><B>Pascoal Santos Pereira</B> &eacute; </I>visiting fellow<I> na Universidade de Graz, &Aacute;ustria, com uma bolsa de doutorado da Fundac&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia, Portugal.</I></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">1.  Mundy, J.A. "'Seized of the matter': The UN and the Western Sahara dispute". <I>Mediterranean Quarterly</I>, Vol.15, nº.3, p.145. 2004.    </font></P>     <P><font size="3">2.  Segundo a ONU, o Saara Ocidental tem um popula&ccedil;&atilde;o de 548 mil habitantes em <a href="http://unstats.un.org/unsd/demographic/products/socind/population.htm" target="_blank">http://unstats.un.org/unsd/demographic/products/socind/population.htm</a>; segundo a CIA, seria 507 mil em <a href="https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/wi.html" target="_blank">https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/wi.html</a>; e segundo o Departamento de Estado americano 385 mil em <a href="http://www.state.gov/r/pa/ei/bgn/5431.htm" target="_blank">http://www.state.gov/r/pa/ei/bgn/5431.htm</a>. Todos dados de 2011.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3.  &Oslash;sterud, &Oslash;. "War Termination in the Western Sahara". <I>Security Dialogue</I>, Vol.20, nº.3, p.309. 1989.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4.  Zoubir, Y.H. "Stalemate in Western Sahara: ending international legality". <I>Middle East Policy</I>, Vol.14, nº.4, p.161. 2007.    </font></P>     <P><font size="3">5.  &Oslash;sterud, &Oslash;., <I>op. cit.</I> p.310. 1989.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">6.  Stephan, M.J.; Mundy, J. "A battlefield transformed: from guerilla resistance to mass nonviolent struggle in the Western Sahara". <I>Journal of Military and Strategic Studies</I>, Vol.8, nº.3, p.5. 2007.    </font></P>     <P><font size="3">7.  Zoubir, Y.H., <I>op. cit.</I> p.162. </font></P>     <P><font size="3">8.  Ibidem.</font></P>     <P><font size="3">9.  Stephan, M.J.; Mundy, J., <I>op. cit.</I> p.5. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">10.  San Mart&iacute;n, P.; Allan, J.B. "The largest prison in the world: landmines, walls, UXOs and the UN's role in the Western Sahara". <I>Grupo de Estudios Estrat&eacute;gicos &#151; Colaboraciones</I>, 1641, p.2. 2007.    </font></P>     <P><font size="3">11.  &Oslash;sterud, &Oslash;., <I>op. cit.</I> p. 310. </font></P>     <P><font size="3">12.  Idem p.314. </font></P>     <P><font size="3">13.  Stephan, M.J., Mundy, J., <I>op cit.</I> p.9. </font></P>     <P><font size="3">14.  &Oslash;sterud, &Oslash;., <I>op. cit.</I> p. 315. </font></P>     <P><font size="3">15.  Mundy, J., <I>op. cit.</I> p.132. </font></P>     <P><font size="3">16.  Zoubir, Y.H., <I>op. cit.</I> p163. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">17.  Mohsen-Finan, K. "The Western Sahara dispute under UN pressure". <I>Mediterranean Politics</I>, Vol.7, nº.2, p.7. 2002.    </font></P>     <P><font size="3">18.  San Mart&iacute;n, P.; Allan, J.B., <I>op. cit.</I> p.1.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">19.  Mundy, J., <I>op. cit.</I> p.143. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">20.  Zartman, I.W. "Time for a solution in the Western Sahara conflict". &shy;<I>Middle East Policy</I>, Vol.14, nº.4, p.181. 2007.    </font></P>     <P><font size="3">21.  Zoubir, Y.H., <I>op. cit.</I> p.161. </font></P>     <P><font size="3">22.  Mohsen-Finan, K., <I>op. cit.</I> p.4. </font></P>     <P><font size="3">23.  &Oslash;sterud, &Oslash;., <I>op. cit.</I> p.310.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">24.  Howe, J. "Western Sahara: A war zone". <I>Review of African Political Economy</I>, Vol.11, p. 89. 1978.    </font></P>     <P><font size="3">25.  &Oslash;sterud, &Oslash;., <I>op. cit.</I> p.312. </font></P>     <P><font size="3">26.  Howe, J., <I>op. cit.</I> p.89. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">27.  Ibidem p 86. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">28.  Rice, X. "Inside Africa's last colony". <I>New Statesman</I>, p.32. 2010.    </font></P>     <P><font size="3">29.  Ibidem, p.32. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">30.  Seddon, D. "Polisario and the struggle for the Western Sahara: Recent developments, 1987-1989". <I>Review of African Political Economy</I>, 45/46, p.133. 1989.    </font></P>     <P><font size="3">31.  Stephan, M.J., Mundy, J., <I>op. cit.</I> p.11. </font></P>     <P><font size="3">32.  Ibidem, p.29. </font></P>     <P><font size="3">33.  Ibidem, p.15. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">34.  "Western Sahara sinks EU-Morocco accord". In: <I>Presseurop</I>, 15/1211, em  <a href="http://www.presseurop.eu/en/content/news-brief/1292931-western-sahara-sinks-eu-morocco-accord" target="_blank">http://www.presseurop.eu/en/content/news-brief/1292931-western-sahara-sinks-eu-morocco-accord</a> (acesso em 21/12/11).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">35.  Shelley, T. "Western Sahara: a year of UN impotence". <I>Panorama</I>, p.167. 2009.    </font></P>     <P><font size="3">36.  Stephan, M.J., Mundy, J., <I>op. cit.</I> p. 29. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">37.  Benabdallah, K. "The position of the European union on the Western Sahara conflict". <I>Journal of Contemporary European Studies</I>, Vol.17, nº.3, p.427. 2009.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">38.  Zoubir, Y.H., Benabdallah-Gambier, K. "The United States and the North African Imbroglio: Balancing Interests in Algeria, Morocco, and the Western Sahara". <I>Mediterranean Politics</I>, Vol.10, nº.2, p.183. 2005.    </font></P>     <P><font size="3">39.  Benabdallah, K.,<I> op cit.</I> p.427. </font></P>     <P><font size="3">40.  Zoubir, Y.H., <I>op. cit.</I> p. 168. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">41.  Ohaegbulam, F.U. "Ethical issues in U.S. Policy on the Western Sahara conflict". In:<I> Mediterranean Quarterly</I>, Vol.13, nº.4, p.88. 2002.     </font></P>     <P><font size="3">42.  Howe, J., <I>op. cit.</I> p.90. </font></P>     <P><font size="3">43.  Zoubir, Y.H., Benabdallah-Gambier, K., <I>op cit.</I> p.189. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">44.  Zoubir, Y.H. "The United States and Maghreb-Sahel security". <I>International Affairs</I>, Vol.85, nº.5, p.985. 2009.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">45.  Castellino, J. "Territory and identity in international law: the struggle for self-determination in the Western Sahara". <I>Millenium &#150; Journal of International Studies</I>, Vol.28, nº.3, p.540. 1999.    </font></P>     <P><font size="3">46.  Castellino, J.,<I> op. cit.</I> p.538. 1999.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">47.  Mundy, J. "Out with the old, in with the new: Western Sahara back to square one?". <I>Mediterranean Politics</I>, Vol.14, nº.1, p.116. 2009.    </font></P>     <P><font size="3">48.  Zartman, I.W., <I>op. cit.</I> p.180. </font></P>     <P><font size="3">49.  Mundy, J., <I>op. cit.</I> p.120.</font></P>      ]]></body><back>
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