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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a12img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><B>A revolu&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o come&ccedil;ou: as particularidades da Primavera <i>Khaleeji</i><sup>(1)</sup> </B></font></P>     <P><font size="3">V&acirc;nia Carvalho Pinto</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"> <font size=5><b>A</b></font> regi&atilde;o do Oriente M&eacute;dio encontra-se assolada por manifesta&ccedil;&otilde;es e protestos populares em massa desde dezembro de 2010. Nas ruas, as pessoas t&ecirc;m demandado pela expans&atilde;o dos seus direitos civis (tais como o direito de assembleia e de livre express&atilde;o), e pol&iacute;ticos (como o de escolher livremente os seus l&iacute;deres e representantes pol&iacute;ticos). Paralelamente, as pessoas protestam tamb&eacute;m pela obten&ccedil;&atilde;o de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida e um acesso digno ao mercado de trabalho (2). Ainda que os grandes temas que t&ecirc;m servido de justifica&ccedil;&atilde;o para os protestos sejam mais ou menos os mesmos, n&atilde;o se deve esquecer que estes adquiriram caracter&iacute;sticas distintas em fun&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses onde ocorreram e continuam a ocorrer. Quest&otilde;es como a composi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, demogr&aacute;fica e religiosa do pa&iacute;s, assim como o papel do ex&eacute;rcito, e a predomin&acirc;ncia ou n&atilde;o de quest&otilde;es &eacute;tnicas e religiosas, afetaram profundamente o modo como esses protestos se desenrolaram, assim como as suas possibilidades de sucesso. Esse tipo de manifesta&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; novo j&aacute; que a grande maioria das popula&ccedil;&otilde;es desses pa&iacute;ses luta contra a repress&atilde;o pol&iacute;tica e a estagna&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica h&aacute; j&aacute; v&aacute;rias d&eacute;cadas (3). A novidade desses acontecimentos &eacute; efetivamente o seu sucesso na Tun&iacute;sia, no Egito, na L&iacute;bia e no I&ecirc;men.</font></P>     <p><font size="3">De fato, at&eacute; muito recentemente era comum encontrar-se na literatura especializada a ideia de que essa regi&atilde;o era a &uacute;nica do mundo que n&atilde;o tinha tido qualquer tipo de transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. A predomin&acirc;ncia dessa perspectiva levou a uma certa interioriza&ccedil;&atilde;o da cren&ccedil;a de que existia algo inerente &agrave; &aacute;rea (possivelmente de cariz cultural e/ou religioso) que tornava o Oriente M&eacute;dio imperme&aacute;vel a ventos democr&aacute;ticos. Esta avalia&ccedil;&atilde;o, refutada numerosas vezes na literatura especializada (4), tamb&eacute;m foi particularmente abalada com a onda de protestos e revolu&ccedil;&otilde;es dos &uacute;ltimos 14 meses. Se, por um lado, j&aacute; n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel afirmar que a regi&atilde;o do Oriente M&eacute;dio se encontra estagnada politicamente, por outro, tamb&eacute;m n&atilde;o se pode asseverar que os processos iniciados nos pa&iacute;ses acima efetivamente conduzam &agrave; instaura&ccedil;&atilde;o de um regime democr&aacute;tico. A fluidez pol&iacute;tica e social do processo p&oacute;s-revolu&ccedil;&atilde;o nos v&aacute;rios pa&iacute;ses n&atilde;o nos permite, por enquanto, fazer conjecturas que possuam um alto grau de previsibilidade (5). </font></P>     <p><font size="3">At&eacute; agosto de 2012, todos os pa&iacute;ses, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o do Qatar (6) tiveram algum tipo de protesto ou manifesta&ccedil;&atilde;o demonstrando a insatisfa&ccedil;&atilde;o popular com a situa&ccedil;&atilde;o atual no seu pa&iacute;s, seja por meio de artigos de imprensa, peti&ccedil;&otilde;es ou demonstra&ccedil;&otilde;es. De fato, nos primeiros meses de 2011, a onda de protestos populares tinham adquirido tal intensidade, que parecia que os v&aacute;rios governos da regi&atilde;o, independentemente do sistema pol&iacute;tico, seriam derrubados. Nem as rep&uacute;blicas (Tun&iacute;sia, Egito, S&iacute;ria, Arg&eacute;lia e I&ecirc;men), nem as monarquias (Marrocos, Jord&acirc;nia, Bahrein, Kuwait, Ar&aacute;bia Saudita, Om&atilde; e Emirados &Aacute;rabes Unidos), pareciam imunes &agrave; onda de indigna&ccedil;&atilde;o popular. Contudo, a resposta dos v&aacute;rios governos foi caracterizada pela oferta de algumas medidas de liberaliza&ccedil;&atilde;o, mais cosm&eacute;ticas que significativas &#150; como novas elei&ccedil;&otilde;es &#150;, alguns benef&iacute;cios financeiros &#150; dependendo da situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica de cada pa&iacute;s &#150; acompanhada por ondas de viol&ecirc;ncia e de repress&atilde;o, de intensidade vari&aacute;vel consoante o pa&iacute;s em causa. Tal estrat&eacute;gia, como se tem observado pelos eventos mais recentes, tem obtido resultados positivos, sendo que os pa&iacute;ses que efetivamente iniciaram processos de transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica s&atilde;o ainda poucos em n&uacute;mero. A resili&ecirc;ncia dos regimes autorit&aacute;rios &agrave; press&atilde;o popular e &agrave; condena&ccedil;&atilde;o internacional tem sido, de fato, extraordin&aacute;ria &#150; como demonstra o exemplo da S&iacute;ria &#150;, revelando, ao mesmo tempo, que a sa&iacute;da do poder n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o em termos da rea&ccedil;&atilde;o governamental aos protestos.</font></P>     <p><font size="3">Minha inten&ccedil;&atilde;o, neste artigo, &eacute; falar de um sistema regional espec&iacute;fico &#150; o do Golfo P&eacute;rsico &#150; e explicar as din&acirc;micas que est&atilde;o na base do &uacute;nico pedido de ajuda estrangeira no contexto da Primavera &Aacute;rabe: o do governo do Bahrein aos seus vizinhos do Conselho de Coopera&ccedil;&atilde;o do Golfo (CCG) para controlar os movimentos pr&oacute;-democracia no pa&iacute;s. </font></P>     <p><font size="3">O artigo est&aacute; estruturado da seguinte forma: come&ccedil;arei com uma pequena introdu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica acerca da regi&atilde;o do Golfo, seguida por uma breve s&iacute;ntese das rela&ccedil;&otilde;es das monarquias da regi&atilde;o com o Ir&atilde;, sendo esta dimens&atilde;o crucial para o entendimento das rela&ccedil;&otilde;es internacionais na regi&atilde;o. A se&ccedil;&atilde;o seguinte debru&ccedil;ar-se-&aacute; sobre os protestos que t&ecirc;m ocorrido na &aacute;rea, com especial &ecirc;nfase no caso do Bahrein, e o artigo terminar&aacute; com a delinea&ccedil;&atilde;o de algumas perspectivas para o futuro.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>I. O GOLFO P&Eacute;RSICO: PEQUENA INTRODU&Ccedil;&Atilde;O HIST&Oacute;RICA </B>Os pa&iacute;ses da regi&atilde;o do Golfo, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o do I&ecirc;men e do Ir&atilde; &#150; as duas rep&uacute;blicas da regi&atilde;o &#150; s&atilde;o geralmente conhecidos pela sua riqueza petrol&iacute;fera e pelo seu sistema de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em monarquias tribais heredit&aacute;rias. Estes incluem a Ar&aacute;bia Saudita, o Kuwait, o Qatar, o Bahrein, Om&atilde;, e os Emirados &Aacute;rabes Unidos. Estes pa&iacute;ses pertencem a uma organiza&ccedil;&atilde;o regional de seguran&ccedil;a, o Conselho de Coopera&ccedil;&atilde;o do Golfo, e t&ecirc;m uma hist&oacute;ria de desenvolvimento muito recente o que, em parte, ajuda a explicar a rea&ccedil;&atilde;o dos governantes desses pa&iacute;ses aos protestos tanto nos seus pa&iacute;ses como no Bahrein. S&atilde;o governados pelas mesmas fam&iacute;lias desde h&aacute; aproximadamente duzentos anos e t&ecirc;m tamb&eacute;m em comum um passado de extrema pobreza, analfabetismo e vida dura de subsist&ecirc;ncia no deserto (7).</font></P>     <p><font size="3">At&eacute; &agrave;s independ&ecirc;ncias do s&eacute;culo XX, a regi&atilde;o era um protetorado ingl&ecirc;s desde finais do s&eacute;culo XIX. A manuten&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio ingl&ecirc;s era onerosa e, no final da d&eacute;cada de 1960, a Inglaterra decidiu retirar-se da regi&atilde;o em 1971, ano em que essas &aacute;reas se tornariam independentes. Os l&iacute;deres tribais das regi&otilde;es (sheikhs), prepararam-se para essa eventualidade passando boa parte do final dos anos 1960 discutindo os contornos pol&iacute;ticos de uma poss&iacute;vel uni&atilde;o dos seus proto-Estados tribais (sheikhdoms). Esta era, efetivamente, a solu&ccedil;&atilde;o favorecida pela Inglaterra, j&aacute; que esses pequenos Estados eram considerados demasiado fr&aacute;geis, econ&ocirc;mica e politicamente, para sobreviverem sozinhos. A sua uni&atilde;o era, portanto, considerada essencial para a sobreviv&ecirc;ncia pol&iacute;tica e manuten&ccedil;&atilde;o da independ&ecirc;ncia desses Estados (8). O di&aacute;logo pol&iacute;tico entre os sheikhs n&atilde;o obteve o sucesso esperado e, consequentemente, Bahrein e Qatar decidiram tentar a independ&ecirc;ncia separadamente. Os principados de Abu Dhabi, Dubai, Fujairah, Umm al-Quwwayn, Ajman, Sharjah e Ras al-Khaimah continuaram o di&aacute;logo e se uniram, no pa&iacute;s hoje conhecido como Emirados &Aacute;rabes Unidos. Tanto o Kuwait como a Ar&aacute;bia Saudita tiveram uma hist&oacute;ria de desenvolvimento um pouco distinta. Descobriram petr&oacute;leo antes dos seus vizinhos e come&ccedil;aram, portanto, a desenvolver-se mais cedo. A Ar&aacute;bia Saudita tornou-se um Estado em 1932 e o Kuwait em 1961. </font></P>     <p><font size="3"><B>II. AS RELA&Ccedil;&Otilde;ES COM O IR&Atilde; </B>Nesse sistema regional, as duas grandes hegemonias s&atilde;o atualmente o Ir&atilde; e a Ar&aacute;bia Saudita.  Os microestados Bahrein, Emirados e Qatar formaram-se &agrave; sombra destes dois Estados, cujas pol&iacute;ticas muitas vezes amea&ccedil;aram as ainda incipientes experi&ecirc;ncias de constru&ccedil;&atilde;o nacional dos seus pequenos vizinhos. A Ar&aacute;bia Saudita, por exemplo, atrasou o reconhecimento dos Emirados para que pudesse obter vantagens territoriais no processo de delimita&ccedil;&atilde;o de fronteiras entre os dois pa&iacute;ses.</font></P>     <p><font size="3">O Ir&atilde;, que em 1971 era ainda uma monarquia, estando a revolu&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica ainda a oito anos de dist&acirc;ncia, declarou que a forma&ccedil;&atilde;o de novos pa&iacute;ses na sua &aacute;rea geogr&aacute;fica de influ&ecirc;ncia constitu&iacute;a um "plano imperialista" para prejudicar a hegemonia iraniana. A independ&ecirc;ncia do Bahrein enquanto pa&iacute;s foi, inclusive, contestada com o argumento de que este pertencera, no passado, ao Imp&eacute;rio Persa. O problema foi solucionado com o envio, em 1970, de uma delega&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas ao Bahrein para investigar as prefer&ecirc;ncias da popula&ccedil;&atilde;o. Esta declarou de forma expressiva a sua inten&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o ser parte do Ir&atilde;, tendo sido, assim, reconhecida e assegurada a soberania do Bahrein (9). Esta quest&atilde;o pol&ecirc;mica regressa com frequ&ecirc;ncia &agrave; imprensa devido a not&iacute;cias oriundas do Ir&atilde; acerca da soberania deste sobre o Bahrein (10), quest&atilde;o que exerce uma influ&ecirc;ncia decisiva no modo como os governantes dessas monarquias reagiram &agrave; Primavera &Aacute;rabe, como se detalhar&aacute; mais a seguir.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a14img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Nos anos seguintes &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o iraniana de 1979, as rela&ccedil;&otilde;es entre as monarquias do Golfo e o Ir&atilde; pioraram de maneira significativa. Isto deveu-se essencialmente ao forte cariz antimon&aacute;rquico &#150; que surgiu em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas do X&aacute; que eram consideradas corruptas e amorais &#150; e revolucion&aacute;rio do movimento. Internamente considerado como uma vit&oacute;ria das massas oprimidas contra um regime repressivo, o novo regime almejava a exporta&ccedil;&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o para outras partes do mundo, particularmente para os seus vizinhos, e servir de inspira&ccedil;&atilde;o para as massas oprimidas na luta contra os ditadores. O car&aacute;ter antimon&aacute;rquico e revolucion&aacute;rio do novo governo iraniano, o &uacute;nico pa&iacute;s xiita da regi&atilde;o, assustou os vizinhas monarquias, cuja maioria da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; sunita (11). As &uacute;ltimas temiam que as suas pr&oacute;prias minorias xiitas, incitadas pelo Ir&atilde;, se rebelassem contra os governantes e amea&ccedil;assem assim a estabilidade pol&iacute;tica dos seus pa&iacute;ses (12). Um ano depois da revolu&ccedil;&atilde;o, irrompeu a guerra entre Ir&atilde; e Iraque, que durou de 1980 a 1988. Indicativo do receio que as monarquias tinham do Ir&atilde;, elas apoiaram o seu vizinho &aacute;rabe sunita, o Iraque. Em 1981 formaram o Conselho de Coopera&ccedil;&atilde;o do Golfo (CCG), uma alian&ccedil;a defensiva que visava facilitar a defesa dos seis pa&iacute;ses contra potenciais ataques iranianos. </font></P>     <p><font size="3">As rela&ccedil;&otilde;es entre esses pa&iacute;ses e o Ir&atilde;, ainda que tenham per&iacute;odos ocasionais de melhoria, s&atilde;o no geral pautados por uma profunda desconfian&ccedil;a. O clima de guerra fria que se vive na regi&atilde;o saiu dos bastidores com a divulga&ccedil;&atilde;o, em finais de 2010, pelo Wikileaks, da comunica&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica entre os norte-americanos e v&aacute;rios pa&iacute;ses &aacute;rabes. Esta evidenciou, de maneira clara, a extens&atilde;o das dificuldades de relacionamento entre os pa&iacute;ses do Golfo P&eacute;rsico. Num artigo publicado pelo peri&oacute;dico alem&atilde;o <I>Der Spiegel</I>, na sua edi&ccedil;&atilde;o online em ingl&ecirc;s (13), s&atilde;o transcritas as cita&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das ao pr&iacute;ncipe herdeiro dos Emirados, sheik Mohammed bin Zayed al-Nahyan, ao anterior presidente eg&iacute;pcio Hosni Mubarak, e ao rei Abdullah da Jord&acirc;nia. A sua transcri&ccedil;&atilde;o encontra-se abaixo:</font></P>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"Os iranianos s&atilde;o uns grandes mentirosos."</font></p>       <p><font size="3">"Ahmadinejahd &eacute; como Hitler."'</font></p>       <p><font size="3">"O Ir&atilde; &eacute; como um polvo."</font></p>       <p><font size="3">"O programa nuclear do Ir&atilde; deve ser parado utilizando todos os meios dispon&iacute;veis."</font></p>       <p><font size="3">"'Bombardeiem o Ir&atilde; ou vivam com um Ir&atilde; nuclear."</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Estas cita&ccedil;&otilde;es ilustram de modo cabal como o Ir&atilde; &eacute; entendido pelos seus vizinhos, e de como a ideia de que os protestos no Bahrein constitu&iacute;am uma estrat&eacute;gia iraniana para desestabilizar a regi&atilde;o, poderia ter surgido. &Eacute; de referir que nenhum dos governos negou as cita&ccedil;&otilde;es acima (14) e que o Ir&atilde; acusou os Estados Unidos de fabrica&ccedil;&atilde;o desses documentos (15).</font></P>     <p><font size="3"><B>III. A INCIPIENTE "PRIMAVERA <i>KHALEEJI</i>" </B>Como mencionado anteriormente, de todos os pa&iacute;ses do Golfo, o Qatar foi o &uacute;nico que saiu ileso das ondas populares de protestos. Foi tamb&eacute;m aquele que teve uma diplomacia mais proativa e vis&iacute;vel na defesa das popula&ccedil;&otilde;es &aacute;rabes com a sua participa&ccedil;&atilde;o, extremamente midi&aacute;tica, na interven&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria na L&iacute;bia, tendo sido, inclusive, o &uacute;nico pa&iacute;s a fornecer a muito necess&aacute;ria "'cara &aacute;rabe" a essa interven&ccedil;&atilde;o. De referir tamb&eacute;m que o Qatar &eacute; a sede da Al-Jazeera, a rede de televis&atilde;o que desempenhou um papel crucial na divulga&ccedil;&atilde;o dos movimentos populares. As raz&otilde;es usualmente apontadas para o resguardo do Qatar aos ventos revolucion&aacute;rios &eacute; o fato de este ser um pa&iacute;s muito rico com uma pequena popula&ccedil;&atilde;o nativa, o que permite que os benef&iacute;cios financeiros sejam distribu&iacute;dos de forma mais generosa. Por outro lado, a diplomacia ativa do Qatar em v&aacute;rios conflitos na regi&atilde;o e a sua postura de defesa dos direitos humanos tamb&eacute;m &eacute; assinalada como uma das raz&otilde;es para a imagem positiva dos qataris em rela&ccedil;&atilde;o ao seu pa&iacute;s (16).</font></P>     <p><font size="3">Tanto na Ar&aacute;bia Saudita como no Kuwait houve alguns pequenos protestos, particularmente pela minoria xiita, mas tamb&eacute;m pela popula&ccedil;&atilde;o <I>bidoon, </I>ou seja, pessoas sem nacionalidade que residem no pa&iacute;s. Nos Emirados, cerca de 133 figuras p&uacute;blicas assinaram uma peti&ccedil;&atilde;o encaminhada &agrave; lideran&ccedil;a requerendo a expans&atilde;o dos direitos pol&iacute;ticos, pedido este que n&atilde;o teve acolhimento favor&aacute;vel. Destaque tamb&eacute;m para a pris&atilde;o de cinco <I>bloggers</I>, entre os quais um professor universit&aacute;rio, que escreveram acerca do tema. Depois de uma pris&atilde;o de cerca de oito meses, eles foram finalmente libertados. No in&iacute;cio deste ano, um membro da fam&iacute;lia real do Emirado de Ras al-Khaimah, que escreveu um artigo defendendo essas pessoas, encontra-se hoje em pris&atilde;o domiciliar (17).</font></P>     <p><font size="3">Nos v&aacute;rios pa&iacute;ses do Golfo, essas duras medidas foram acompanhadas por uma certa abertura pol&iacute;tica e oferta de benef&iacute;cios financeiros, como o aumento de sal&aacute;rios e de aposentadorias, o que permitiu a manuten&ccedil;&atilde;o de um certo <I>status quo</I>. O governo do Kuwait, por exemplo, decretou que todos os nacionais nascidos at&eacute; 1 de fevereiro de 2011 receberiam um presente em dinheiro (18).</font></P>     <p><font size="3">No Bahrein, os protestos assumiram propor&ccedil;&otilde;es bastante mais dr&aacute;sticas. O rei do Bahrein, Hamad al-Khalifa, teve algum sucesso em apresentar as manifesta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o como demonstra&ccedil;&otilde;es em prol da democracia, mas sim como produto da interfer&ecirc;ncia iraniana. O fato do Bahrein ser um pa&iacute;s alinhado com o Ocidente, assim como o <I>blackout</I> informativo imposto, gerou muito menos cobertura midi&aacute;tica dos protestos, em compara&ccedil;&atilde;o a de outros pa&iacute;ses com o Egito. Foi o &uacute;nico caso em que o pa&iacute;s pediu ajuda estrangeira para controlar as manifesta&ccedil;&otilde;es. O pedido, realizado ao CCG foi atendido e, em fevereiro de 2011, tropas do Peninsula Defense Shield, composta na sua maioria por sauditas, mas tamb&eacute;m por qataris e emiratis, entraram no pa&iacute;s.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a14img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>IV. O CASO DO BAHREIN </B>Os protestos populares no Bahrein come&ccedil;aram como algo coletivo, sem conota&ccedil;&otilde;es religiosas sect&aacute;rias, com pessoas de denomina&ccedil;&atilde;o religiosa tanto xiita quanto sunita nas ruas. Os motivos para as manifesta&ccedil;&otilde;es assemelhavam-se muito aos que, em outros pa&iacute;ses &aacute;rabes, levaram as pessoas a protestar por melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida e expans&atilde;o dos direitos pol&iacute;ticos, com limita&ccedil;&otilde;es ao poder absoluto da fam&iacute;lia real al-Khalifa. Entre os manifestantes havia, naturalmente, grupos que pediam, n&atilde;o uma limita&ccedil;&atilde;o dos poderes reais, mas a queda da monarquia. O car&aacute;ter radical dessas demandas assustou muitos dos que aderiram aos protestos, principalmente aqueles que temiam que a radicaliza&ccedil;&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es e subsequente queda do regime convertesse o Bahrein num Iraque, pa&iacute;s que desde a invas&atilde;o de 2003, e subsequente queda de Saddam Hussein, tem tido dificuldades em estabelecer um processo pol&iacute;tico confi&aacute;vel devido &agrave; desconfian&ccedil;a e &agrave; viol&ecirc;ncia sect&aacute;ria.</font></P>     <p><font size="3">Como a fam&iacute;lia al-Khalifa &eacute; sunita, e cerca de 60% da popula&ccedil;&atilde;o bahraini &eacute; xiita, h&aacute; uma certa desconfian&ccedil;a entre o governo e a sociedade, potenciada pela rela&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil entre o Bahrein e o Ir&atilde;, pelos motivos j&aacute; expostos anteriormente. Baseando-se nesse hist&oacute;rico de relacionamentos bilaterais, o Bahrein acusou o governo iraniano de incitar os protestos no seu pa&iacute;s, subsequentemente pedindo aos seus vizinhos aux&iacute;lio para os controlar. A entrada das tropas do CCG motivou reclama&ccedil;&otilde;es iradas por parte do governo iraniano. Claramente, as monarquias do Golfo temiam que os protestos no pa&iacute;s, supostamente inspirados por xiitas e financiados pelo Ir&atilde;, fossem o primeiro passo para uma onda de desestabiliza&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o. O que estava em causa, portanto, era a percep&ccedil;&atilde;o de que existindo uma revolu&ccedil;&atilde;o no Bahrein, existiria um imenso potencial de cont&aacute;gio para o resto das monarquias, que poderia eventualmente levar &agrave; sua queda.</font></P>     <p><font size="3">Para o governo bahreini, atribuir as manifesta&ccedil;&otilde;es somente &agrave; influ&ecirc;ncia iraniana foi um modo de deslegitimar as pretens&otilde;es dos seus cidad&atilde;os e de justificar, externamente, o uso extremo da for&ccedil;a que tem caracterizado a a&ccedil;&atilde;o governamental at&eacute; agora. Ainda que o governo bahreini esteja tentando desesperadamente projetar uma imagem internacional de regresso &agrave; normalidade, as manifesta&ccedil;&otilde;es e a situa&ccedil;&atilde;o de instabilidade continuam h&aacute; cerca de ano e meio. Em &uacute;ltima an&aacute;lise, o conflito no Bahrein, que tem sido caracterizado por um aumento da ret&oacute;rica e das amea&ccedil;as entre o Ir&atilde; e a Ar&aacute;bia Saudita com, inclusive, alguns no Ir&atilde; defendendo uma poss&iacute;vel invas&atilde;o da &uacute;ltima, constituiu uma esp&eacute;cie de guerra fria entre as duas hegemonias do Golfo P&eacute;rsico, utilizando o Bahrein como campo de batalha. At&eacute; o momento, n&atilde;o parecem prefigurar-se altera&ccedil;&otilde;es ao <I>status quo</I>, nem no Bahrein nem no restante dos pa&iacute;ses.</font></P>     <p><font size="3"><B>V. CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </B>Hoje, a continua&ccedil;&atilde;o da Primavera &Aacute;rabe parece estar em s&eacute;rio risco. A onda revolucion&aacute;ria que parecia dif&iacute;cil de ser detida h&aacute; cerca de um ano, est&aacute; agora muito mais d&eacute;bil. No momento, todas as aten&ccedil;&otilde;es se concentram na S&iacute;ria e na resist&ecirc;ncia do governo de Bashar al-Assad. No Golfo, a situa&ccedil;&atilde;o assemelha-se &agrave; de manuten&ccedil;&atilde;o do <I>status quo</I>. As monarquias n&atilde;o parecem ter desafios imediatos &agrave;s suas sobreviv&ecirc;ncias, apesar dessa aparente paz social ter sido conseguida &agrave; custa de medidas en&eacute;rgicas por parte dos governos. Em meados de 2011, quando parecia que todas as rep&uacute;blicas cairiam e que apenas as monarquias conseguiriam resistir ao &iacute;mpeto revolucion&aacute;rio &#150; n&atilde;o s&oacute; as do Golfo, mas tamb&eacute;m Jord&acirc;nia e Marrocos &#150; houve alguns rumores de que o CCG se expandiria para absorver as &uacute;ltimas. Esses planos foram recebidos com surpresa pelos observadores, considerando que a Jord&acirc;nia tinha v&aacute;rias vezes requerido a entrada nessa organiza&ccedil;&atilde;o regional sem sucesso. O convite ao Marrocos foi ainda mais surpreendente, j&aacute; que o pa&iacute;s se localiza no Norte da &Aacute;frica. A sua entrada alteraria, necessariamente, o car&aacute;ter da organiza&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m a sua nomenclatura. A proposta gerou tamb&eacute;m receio entre muitos marroquinos em rela&ccedil;&atilde;o ao que essa uni&atilde;o significaria tanto pol&iacute;tica como socialmente; eles temiam que uma associa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima com as monarquias conservadoras do Golfo pudesse representar n&atilde;o s&oacute; um retrocesso do processo pol&iacute;tico de abertura democr&aacute;tica, como tamb&eacute;m um renovado conservadorismo social. De qualquer modo, esse convite &agrave;s duas monarquias fora do Golfo parecia demonstrar o desenvolvimento de algo parecido a um sentimento de identidade comum entre as v&aacute;rias monarquias que, ao contr&aacute;rio das rep&uacute;blicas, tinham sobrevivido. Essas propostas, contudo, n&atilde;o avan&ccedil;aram para al&eacute;m da discuss&atilde;o midi&aacute;tica, e s&atilde;o descritas como tendo surgido de um "impulso do momento", sendo hoje parte de um certo anedot&aacute;rio da pol&iacute;tica regional. Se os planos de expans&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Jord&acirc;nia e ao Marrocos parecem ter esfriado, o mesmo n&atilde;o acontece com planos para uma maior integra&ccedil;&atilde;o entre os atuais membros do GCC. A Ar&aacute;bia Saudita, em particular, tem sido a maior proponente dessa alternativa. Em maio deste ano, o pa&iacute;s fez a proposta de forjar uma maior uni&atilde;o entre os membros do CCG que foi recebida com bastante cautela pelo restantes dos pa&iacute;ses. Apesar de haver uma percep&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a comum em rela&ccedil;&atilde;o ao Ir&atilde;, o receio de uma maior hegemonia saudita parece constituir tamb&eacute;m um fator de preocupa&ccedil;&atilde;o para os miniestados da Pen&iacute;nsula Ar&aacute;bica. De fato, o &uacute;nico pa&iacute;s a receber essa ideia favoravelmente foi o Bahrein e especulou-se na &eacute;poca acerca da possibilidade de se formar uma federa&ccedil;&atilde;o entre esses dois pa&iacute;ses. A proposta, entretanto, n&atilde;o avan&ccedil;ou muito mais e espera-se uma reuni&atilde;o ainda este ano para continuar a discutir tais temas (19).</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><I>V&acirc;nia Carvalho Pinto &eacute; professora do Instituto de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Universidade de Bras&iacute;lia. Pesquisadora visitante no Centro de Pesquisas do Golfo no Dubai e no Conselho Supremo para Assuntos da Fam&iacute;lia em Sharjah, de 2007-2008. Autora do livro </I>Nation-building, state, and the genderframing of women's rights<I>, publicado este ano pela Editora Internacional Ithaca Press. </I></font></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></P>     <P><font size="3">1. A palavra "khaleeji" significa "do Golfo". A translitera&ccedil;&atilde;o das palavras em &aacute;rabe segue as regras gerais do <I>Journal for International Middle Eastern Studies</I>. Foram privilegiadas determinadas palavras que s&atilde;o mais usuais, como <I>sheikh</I> em vez de <I>shaykh</I>, e as marcas diacr&iacute;ticas foram retiradas de modo a facilitar a leitura.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">2.  Para um resumo mais detalhado dos acontecimentos da Primavera &Aacute;rabe at&eacute; ao momento, consultar, por exemplo, Carvalho Pinto, V&acirc;nia. "La ola de movimientos pro democracia en Medio Oriente: An&aacute;lisis preliminar de las consecuencias pol&iacute;ticas para la regi&oacute;n del Golfo P&eacute;rsico". In: Elisenda Ballest&eacute;; Manuel F&eacute;rez. (Org.). <I>Medio Oriente y Norte de Africa: reforma, revoluci&oacute;n o continuidad?</I>. Ciudad de Mexico: Senado de la Republica Mexicana. 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3.  Acerca da persist&ecirc;ncia do autoritarismo no Oriente M&eacute;dio, consultar, por exemplo, Schlumberger, Oliver, Org., <I>Debating arab authoritarianism: dynamics and durability in nondemocratic regimes</I>. Stanford, Ca.: Stanford University Press. 2007.    </font></P>     <P><font size="3">4. <I>Op. cit.</I> </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">5.  Sobre as perspectivas democr&aacute;ticas para a regi&atilde;o, consultar, por exemplo, Anderson, Lisa. "Demystifying the Arab Spring: parsing the differences between Tunisia, Egypt, and Libya". In: <I>Foreign Affairs</I>, Vol.90, nº.3, May/June 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ssrresourcecentre.org/wp-content/uploads/2011/06/Anderson-Demystifying-the-Arab-Spring.pdf" target="_blank">http://www.ssrresourcecentre.org/wp-content/uploads/2011/06/Anderson-Demystifying-the-Arab-Spring.pdf</a> (&Uacute;ltimo acesso em 13/08/12).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">6. Para mais acerca da inexist&ecirc;ncia da Primavera &Aacute;rabe no Qatar, consultar Ulrichsen, Kirsten. "Qatar and the Arab Spring". 12 april 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.opendemocracy.net/kristian-coates-ulrichsen/qatar-and-arab-spring" target="_blank">http://www.opendemocracy.net/kristian-coates-ulrichsen/qatar-and-arab-spring</a> (&Uacute;ltimo acesso em 20/05/12).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">7.  Para mais informa&ccedil;&atilde;o acerca das hist&oacute;rias de forma&ccedil;&atilde;o desses pa&iacute;ses, ver Zahlan, Rosemarie. <I>The making of the modern Gulf States : Kuwait, Bahrein, Qatar, the United Arab Emirates and Oman</I>. Reading: Ithaca Press, 1998.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">8.  Carvalho Pinto, V&acirc;nia. <I>Nation-building, the state, and the genderframing of women's rights in the United Arab Emirates (1971-2009)</I>, 2012; Zahlan, 1998.     </font></P>     <P><font size="3">9.  Para um resumo dessas quest&otilde;es ver Carvalho Pinto,<I> op cit</I>, 2012.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">10.  Al-Zahed, Saud; Jazaeri, Elia. "Iran's Khamenei-run newspaper calls for Bahrain annexation after GCC union talks". <I>Al-Arabiya</I>, 16 may 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.alarabiya.net/articles/2012/05/16/214457.html" target="_blank">http://www.alarabiya.net/articles/2012/05/16/214457.html</a> (&Uacute;ltimo acesso em 10/08/12).    </font></P>     <P><font size="3">11.  Explicado de modo muito sucinto, a diferencia&ccedil;&atilde;o sunita/xiita surgiu ap&oacute;s a morte do profeta Mohammed com o surgimento de diferen&ccedil;as acerca de quem deveria ser o seu sucessor. Os apoiantes do genro do profeta, 'Ali, ficaram conhecidos por xiitas, enquanto que os apoiantes de Abu Bakr, disc&iacute;pulo do profeta, ficaram conhecidos como sunitas.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">12.  Katouzian, Homa. "The iranian revolution at 30: the dialectic of State and society". In: <I>Middle East Critique</I>, 19(1), p.35&#150;53, 2010.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">13.  Smoltczyk, Alexander; Zand, Bernhard. "A quiet axis forms against Iran in the middle east". <I>Der Spiegel. </I>15 july 2010. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,706445,00.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,706445,00.html</a> (&Uacute;ltimo acesso em 12/01/12).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">14.  Smoltczyk, Alexander; Zand, Bernhard. "Interview with saudi prince Turki bin Faisal 'America's credibility is the victim of these leaks'". <I>Der Spiegel</I>. 12 june 2010. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,733054-2,00.html" target="_blank">http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,733054-2,00.html</a> (&Uacute;ltimo acesso em 12/02/12).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">15. <I>CBSNews</I>. "Iran official: U.S. fabricated WikiLeaks cables.' 12 may 2010. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cbsnews.com/stories/2010/12/04/world/main7118348.shtml" target="_blank">http://www.cbsnews.com/stories/2010/12/04/world/main7118348.shtml</a> (&Uacute;ltimo acesso em 04/03/12).    </font></P>     <P><font size="3">16.  Ulrichsen, op cit, 2011.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">17. Shah, Angela. "Emirates step up efforts to counter dissent.' 30 may 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nytimes.com/2012/05/31/world/middleeast/united-arab-emirates-step-up-efforts-to-counter-dissent.html?_r=2" target="_blank">http://www.nytimes.com/2012/05/31/world/middleeast/united-arab-emirates-step-up-efforts-to-counter-dissent.html?_r=2</a> (&Uacute;ltimo acesso em 02/06/12).    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">18.  Gara, Tom. "UAE raises public sector salaries". FT. 30 november 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ft.com/intl/cms/s/0/f59357be-1b4e-11e1-85f800144feabdc0.html#axzz22mpd2nP8" target="_blank">http://www.ft.com/intl/cms/s/0/f59357be-1b4e-11e1-85f800144feabdc0.html#axzz22mpd2nP8</a> (&Uacute;ltimo acesso em 10/08/12);    <!-- ref --> Toumi, Habib. "Kuwait's parliament endorses $4 billion gift". <I>Gulf News</I>. 26 january 2011. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://gulfnews.com/news/gulf/kuwait/kuwait-s-parliament-endorses-4-billion-gift-1.752535" target="_blank">http://gulfnews.com/news/gulf/kuwait/kuwait-s-parliament-endorses-4-billion-gift-1.752535</a> (&Uacute;ltimo acesso em 09/08/12).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">19.  Fahim, Kareem; Kirkpatrick, David D. "Saudi Arabia seeks union of monarchies in region".  14 may 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.nytimes.com/2012/05/15/world/middleeast/saudi-arabia-seeks-union-of-monarchies-in-region.html?_r=1" target="_blank">http://www.nytimes.com/2012/05/15/world/middleeast/saudi-arabia-seeks-union-of-monarchies-in-region.html?_r=1</a> (&Uacute;ltimo acesso em 09/07/12) ;    <!-- ref --> <I>al-Arabiya</I>. "Gulf Arab countries to discuss unity in september: paper". 5 august 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://english.alarabiya.net/articles/2012/08/05/230508.html" target="_blank">http://english.alarabiya.net/articles/2012/08/05/230508.html</a> (&Uacute;ltimo acesso em 05/08/12).    </font></P>      ]]></body><back>
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