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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Primavera da Tunísia islâmica: o legado de Bourguiba]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a12img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><B>A Primavera da     Tun&iacute;sia isl&acirc;mica: o legado     de Bourguiba</B></font></P>     <P><font size="3">Luisa Gandolfo    <br>   Tradu&ccedil;&atilde;o de Marianne Frederick</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>SINOPSE </B>Desde o in&iacute;cio da revolu&ccedil;&atilde;o em 2010, a Tun&iacute;sia entrou numa situa&ccedil;&atilde;o de descontrole sociopol&iacute;tico. Ap&oacute;s derrubar o regime do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali em janeiro de 2011, os cidad&atilde;os tunisianos participaram da primeira elei&ccedil;&atilde;o direta no final daquele ano. A nomea&ccedil;&atilde;o do partido isl&acirc;mico moderado, o movimento Ennahda, trouxe n&atilde;o s&oacute; a mudan&ccedil;a governamental, mas tamb&eacute;m incitou divis&otilde;es ideol&oacute;gicas entre a base secularista e a islamita. Enquanto o Ennahda &#150; banido por Ben Ali em 1989 &#150; tem mantido uma postura liberal, a presen&ccedil;a crescente do salafismo juntamente com a resposta <I>laissez-faire</I> por parte do Ennahda fez surgirem preocupa&ccedil;&otilde;es de que a laicidade da Tun&iacute;sia poderia sujeitar-se a valores religiosos conservadores. Assim, neste artigo ser&aacute; explorado o papel da f&eacute; na pol&iacute;tica da Tun&iacute;sia atrav&eacute;s da din&acirc;mica entre o fundador da Tun&iacute;sia contempor&acirc;nea, Habib Bourguiba (1903-2000), e os primeiros movimentos isl&acirc;micos. Embora a liberdade tenha sido alcan&ccedil;ada sob o jugo, permanece o medo da imposi&ccedil;&atilde;o de outro. Por sua vez, este artigo ir&aacute; explorar as nuances dentro do regime isl&acirc;mico e diferenciar os desafios enfrentados pela Tun&iacute;sia &agrave; medida que progride o per&iacute;odo p&oacute;s-revolucion&aacute;rio.</font></P>     <p><font size="3"><B>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O </B>No mesmo m&ecirc;s em que Habib Bourguiba assumiu a presid&ecirc;ncia do novo Estado, em julho de 1957, foi publicado um artigo dele na revista americana de estudos pol&iacute;ticos, <I>Foreign Policy</I>. Enquanto o Ocidente ficava na defensiva quanto &agrave; onda comunista emergente, Bourguiba se esfor&ccedil;ou para manter a Tun&iacute;sia firme no canto "n&atilde;o-Vermelho". O t&iacute;tulo, "Nacionalismo: um ant&iacute;doto para o comunismo", escondia poucas surpresas; numa ode ao nacionalismo, Bourguiba come&ccedil;ou com um breve aceno ao comunismo no pa&iacute;s atrav&eacute;s do Partido Comunista Tunisiano (fundado em 1944 sob a orienta&ccedil;&atilde;o dos comunistas franceses) e conclui o epis&oacute;dio como um erro lament&aacute;vel, nos dias de pr&eacute;-independ&ecirc;ncia de um pa&iacute;s empenhado em encontrar-se. Como um adolescente em busca de autodefini&ccedil;&atilde;o, houve erros cometidos no que se refere &agrave; fidelidade e ideologia pol&iacute;ticas, como ele observa, "Um dos meus primeiros companheiros de luta pela independ&ecirc;ncia &eacute; um exemplo disso. &#91;...&#93; Hoje, ele ri de seu erro juvenil e descobre que a sua preocupa&ccedil;&atilde;o com a justi&ccedil;a social est&aacute; totalmente preenchida com a luta pelo desenvolvimento do seu novo pa&iacute;s" (1). De "erro juvenil" para a busca de "justi&ccedil;a social" por meio da "convers&atilde;o moral" (2) no contexto da constru&ccedil;&atilde;o da na&ccedil;&atilde;o, o regime de Bourguiba era para ser firmemente enraizado em um nacionalismo exclusivo que, semelhante ao seu car&aacute;ter geogr&aacute;fico, olharia tanto ao leste como ao oeste, cultural e politicamente.</font></P>     <P><font size="3">Durante um recente trabalho de campo no Marrocos, esse sentimento foi perfeitamente captado por um entrevistado em uma discuss&atilde;o sobre a Primavera &Aacute;rabe. Desenhando um esbo&ccedil;o da Tun&iacute;sia com duas sa&iacute;das, ele explicou: "Existe um ditado de que a Tun&iacute;sia tem duas portas: uma para o Oriente e uma para o Ocidente. Voc&ecirc; pode adicionar ainda uma terceira, para a &Aacute;frica" (3). Na intersec&ccedil;&atilde;o da Europa e do Oriente M&eacute;dio, a Tun&iacute;sia incorpora as virtudes de sua localiza&ccedil;&atilde;o: tolerante, esplendidamente culta e rica em hist&oacute;ria isl&acirc;mica e acad&ecirc;mica, tem mantido um calmo equil&iacute;brio, apesar de ter estado sob duas ditaduras sucessivas. Com a revolta vem a transforma&ccedil;&atilde;o e a Tun&iacute;sia est&aacute; avan&ccedil;ando lentamente para um papel de destaque na pol&iacute;tica dos isl&acirc;micos; em 1957, Bourguiba agregou o nacionalismo da Tun&iacute;sia ao desenvolvimento espiritual isl&acirc;mico como uma base ben&eacute;fica para o Estado e, ao faz&ecirc;-lo, enfatizou a import&acirc;ncia do Isl&atilde; na regi&atilde;o da Tun&iacute;sia. Para entender a retic&ecirc;ncia mostrada contra o Ennahda e o movimento salafista &#150; sem tentar faz&ecirc;-lo de uma s&oacute; vez &#150; &eacute; preciso entender a natureza do Isl&atilde; na Tun&iacute;sia e sua intera&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via com o Estado.</font></P>     <P><font size="3"><B><i>AL MUJAHID AL AKBAR</i> E P&Oacute;S-INDEPEND&Ecirc;NCIA DO ISL&Atilde;</B></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="3">"Nossa preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; devolver &agrave; religi&atilde;o seu car&aacute;ter din&acirc;mico" (4).</font></p> </blockquote>     <P><font size="3">No comando da nova Tun&iacute;sia, Bourguiba manteve o equil&iacute;brio de seus pap&eacute;is de reformista laico e de <I>al mujahid al akbar,</I> o "grande guerreiro" que tinha conseguido levar as pessoas a <I>jihad</I> (5) santa contra os colonizadores franceses (6). No entanto, o guerreiro n&atilde;o agiu sozinho, o Partido Socialista Destouriano (PSD) realizou reuni&otilde;es nas mesquitas e <I>zawiyas</I>, incentivou os m&aacute;rtires a fazerem ora&ccedil;&otilde;es cinco vezes ao dia, utilizou s&iacute;mbolos isl&acirc;micos na ret&oacute;rica pol&iacute;tica e reanimou as institui&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas na sua luta (7). No entanto, uma vez que a independ&ecirc;ncia foi alcan&ccedil;ada, o Isl&atilde; permaneceu apenas na ret&oacute;rica &#150; para Bourguiba, o Isl&atilde; do passado poderia ter um pequeno espa&ccedil;o em uma terra que olharia para o norte, para a Fran&ccedil;a, em busca de inspira&ccedil;&atilde;o social e dignidade.</font></P>     <P><font size="3">Vemos que as semelhan&ccedil;as entre as virtudes revolucion&aacute;rias francesas que Bourguiba visava para a constru&ccedil;&atilde;o do Estado &#150; "progresso, racionalidade e dignidade humana" n&atilde;o s&atilde;o muito diferentes daquelas defendidas posteriormente por Rachid Ghannouchi, l&iacute;der e fundador do Movimento de Tend&ecirc;ncia Isl&acirc;mica (MTI), para quem "a luta pelo Isl&atilde; &eacute; a luta pela liberdade, dignidade, igualdade e progresso" (8). Nos anos que se seguiram, Bourguiba n&atilde;o s&oacute; desafiou os poderes existentes nas institui&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas, mas esculpiu &#150; e implementou com graus vari&aacute;veis de sucesso &#150; um novo Isl&atilde; que serviria aos interesses do regime laico.</font></P>     <P><font size="3">Logo ap&oacute;s a Primavera &Aacute;rabe, o bourguibismo experimentou um renascimento e o ex-l&iacute;der tornou-se sujeito da mem&oacute;ria seletiva que se segue a um per&iacute;odo prolongado de trauma. Tal qual a esposa, que passou de um mau casamento para o pr&oacute;ximo, seguido por uma terceira escolha err&ocirc;nea, o primeiro &#150; ap&oacute;s uma reflex&atilde;o &#150; n&atilde;o parece t&atilde;o ruim. Considerando o benef&iacute;cio da retrospectiva de v&aacute;rias d&eacute;cadas, o que marcou negativamente os anos Bourguiba &eacute; assim subestimado, enquanto, em contraste com a crescente presen&ccedil;a isl&acirc;mica na arena social e pol&iacute;tica, triunfa o pai fundador da independ&ecirc;ncia, a seculariza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, a equidade nos direitos das mulheres e o estabelecimento do C&oacute;digo de Status Pessoal, em 1956, e se mant&eacute;m como uma ajuda irrestrita.</font></P>     <P><font size="3">No entanto, enquanto Bourguiba &eacute; enaltecido por certos avan&ccedil;os realizados no in&iacute;cio de seu regime, uma compreens&atilde;o mais profunda do est&iacute;mulo por tr&aacute;s da (re)constru&ccedil;&atilde;o de um her&oacute;i nacional como ele se mant&eacute;m hoje, mais do que no que ele fez depois disto. Olhando mais uma vez para o ressurgimento da religiosidade isl&acirc;mica, que trouxe o Ennahda ao poder e alavancou subsequentemente o salafismo &#150; bem como a agita&ccedil;&atilde;o que se seguiu &#150; o supremo secularista representa a Tun&iacute;sia na qual todas as religi&otilde;es s&atilde;o praticadas livremente: crist&atilde;, judia e mu&ccedil;ulmana, bem como a secularista, os ateus e agn&oacute;sticos. Antes da queda de Ben Ali, havia uma no&ccedil;&atilde;o comum entre os tunisianos seculares que estabelecia a religi&atilde;o como uma fonte potencial de alteridade &#150; assim, a religi&atilde;o n&atilde;o era discutida. Afinal, justificou um entrevistado, "n&atilde;o importa qual &eacute; minha religi&atilde;o, somos todos tunisianos" (9). No entanto, o secularismo n&atilde;o surge de forma org&acirc;nica e na lembran&ccedil;a seletiva do tempo de Bourguiba, o autoritarismo e a opress&atilde;o que o acompanharam s&atilde;o menos reconhecidos.</font></P>     <p><font size="3"><B>BOURGUIBA VERSUS ULEM&Aacute;</B></font></P>     <blockquote>       <p><font size="3">"Depois de mim, o qu&ecirc;?" (10).</font></p> </blockquote>     <P><font size="3">Do final dos anos 1950 at&eacute; os anos 1960, uma diminui&ccedil;&atilde;o constante dos ulem&aacute;s (11) erodiu o poder e a presen&ccedil;a dos grupos que haviam fornecido a base de apoio ao PSD. Enquanto o C&oacute;digo de Status Pessoal &eacute; considerado uma mudan&ccedil;a significativa no progresso dos direitos da mulher, atrav&eacute;s da reforma do div&oacute;rcio e do direito matrimonial, al&eacute;m da proibi&ccedil;&atilde;o da poligamia, a fr&aacute;gil interpreta&ccedil;&atilde;o do <I>fiqh</I> isl&acirc;mico (12), ocultou o primeiro passo para o enfraquecimento dos ulem&aacute;s (13). O movimento era sem precedentes no &acirc;mbito dos dom&iacute;nios coloniais (14) e passou o controle do sistema de educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica para o Estado, conduzindo assim a Universidade al-Zaytouna, de 1200 anos de idade, ao controle do regime, bem como levou a suspender os tribunais religiosos e terminou com a obriga&ccedil;&atilde;o de cumprir os deveres religiosos (15). Este &uacute;ltimo seria o catalisador do surgimento do Isl&atilde; pol&iacute;tico como Bourguiba abertamente condenou, seja no uso do <I>hijab</I> (16), como na observ&acirc;ncia do Ramad&atilde;.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Em 1957, a antiga observ&acirc;ncia foi proibida nas salas de aula e ridicularizada como um "trapo detest&aacute;vel" infligido &agrave;s crian&ccedil;as pela "teimosia dos pais". O <I>hijab</I> "n&atilde;o tem nada a ver com religi&atilde;o" (17), justificava Bourguiba. Durante um discurso no ano seguinte, o l&iacute;der sustentou que o Ramad&atilde; seria prejudicial para a produtividade do Estado e que na luta contra o grande inimigo da humanidade &#150; a pobreza &#150; o jejum deve ser limitado, ou abolido (18). Em resposta, o Grande Mufti emitiu um <I>fatwa</I> (19) declarando que o jejum poderia ser dispensado apenas em casos de doen&ccedil;a ou<I> jihad</I> militar e ordens foram dadas pelo regime para os diretores de col&eacute;gios internos para seus alunos comerem normalmente (20). No in&iacute;cio dos anos 70, o novo Isl&atilde; de Bourguiba n&atilde;o s&oacute; diminuiu as pr&aacute;ticas religiosas tradicionais, como as substituiu por uma vis&atilde;o de f&eacute;, que era controlada pelo Estado e que funcionava como porta-voz para disseminar um "tipo certo" de Isl&atilde;, que iria inspirar os adeptos a n&atilde;o representarem um desafio para o Estado.</font></P>     <p><font size="3"><B>O ULEM&Aacute; CONTRA-ATACA: A ASCENS&Atilde;O DO ENNAHDA</B></font></P>     <blockquote>       <p><font size="3">"Se o governo continua a nos proibir, torturar e bater na pris&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; nada que deixaremos de fazer. N&oacute;s nos recusamos a morrer" (21).</font></p> </blockquote>     <P><font size="3">Em 1970, muitos dos ulem&aacute;s tinham sido presos, exilados ou reprimidos. Para as fam&iacute;lias que restaram, a vida n&atilde;o retomou a normalidade na aus&ecirc;ncia dos parentes, como Garon observou em uma entrevista com as esposas dos membros exilados do Ennahda: "Vizinhos e parentes est&atilde;o proibidos de nos dar qualquer assist&ecirc;ncia. Os membros da mil&iacute;cia inspecionam as latas de lixo das esposas dos presos. Se eles encontram restos de uma boa refei&ccedil;&atilde;o, contendo carne, a mulher &eacute; levada para um interrogat&oacute;rio sobre sua origem" (22). Reunidos sob a lideran&ccedil;a de Ghannouchi &#150; que fora exilado na S&iacute;ria &#150; um grupo de jovens sheiks publicou a primeira edi&ccedil;&atilde;o de <I>El Maarifa</I>, <I>A consci&ecirc;ncia</I>, que abordou o ex&iacute;lio e, mais significativamente, o ex&iacute;lio do Isl&atilde; na Tun&iacute;sia (23). Um toque de ironia surge quando ocorre o avan&ccedil;o posterior do MTI que, desde suas origens, foi uma associa&ccedil;&atilde;o sancionada pelo governo e a Sociedade de Preserva&ccedil;&atilde;o do Alcor&atilde;o (24) com base na Mesquita Zaytouna em 1970, para o Ennahda, o atual governo isl&acirc;mico.</font></P>     <P><font size="3">Foi a menor das ren&uacute;ncias que o movimento islamita teve que fazer desde que teve a oportunidade de emergir. Apesar dos reveses econ&ocirc;micos e da ascens&atilde;o que o provocador Bourguiba por tanto tempo lutou para reprimir &#150; para n&atilde;o mencionar o in&iacute;cio dos seus problemas de sa&uacute;de &#150; ele continuou a lutar contra o crescimento da cren&ccedil;a isl&acirc;mica. Quando perguntado o que o separava de um islamita, Bourguiba respondeu "quatorze s&eacute;culos" (25). Milhares de islamitas foram torturados e presos e, em 1981, o governo ratificou uma lei banindo o uso do<I> hijab</I> pelas mulheres nos escrit&oacute;rios estaduais, e estabelecendo as bases para o presidente Ben Ali promulgar a Lei 102 que proibiria o v&eacute;u, considerado "um sinal de extremismo" (26). Ao mesmo tempo, uma s&eacute;rie de novos grupos isl&acirc;micos surgiu: o Partido Isl&acirc;mico Shura (ISP), a Tend&ecirc;ncia Progressista Isl&acirc;mica (IPT), a Vanguarda Isl&acirc;mica (IV) e o de Partido de Liberta&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica (ILP) (27) de lideran&ccedil;a palestina, que abrangiam, em ideologia, da moderniza&ccedil;&atilde;o do Isl&atilde; e sua integra&ccedil;&atilde;o na sociedade e cultura (IPT e Ennahda) (28) &agrave; atividade terrorista (IV) e de reestabelecimento do califado (ILP).</font></P>     <P><font size="3">Passando de uma tirania a outra sob Ben Ali, em um pa&iacute;s que entre 1956 e 2011 n&atilde;o teve nenhuma elei&ccedil;&atilde;o direta, a vit&oacute;ria dos islamitas n&atilde;o foi apenas uma vit&oacute;ria para o Ennahda, mas para todos os tunisianos. &Eacute; s&oacute; olhar para a oportunidade fugaz de participar nas elei&ccedil;&otilde;es de 1989, para perceber um encorajamento nessa espera: nacionalmente, os islamitas independentes receberam um pouco mais de 14% dos votos, enquanto nas cidades e vilas, eles receberam mais de 30%. Em compara&ccedil;&atilde;o, o Movimento Democr&aacute;tico Socialista (MDS) recebeu menos de 4%, enquanto que o restante dos partidos teve menos de 1% (29). Desde o nascimento da na&ccedil;&atilde;o, a Tun&iacute;sia tem sido espremida entre o secularismo ocidental imposto pelo Estado, e a origem isl&acirc;mica sustentada pelo povo. Em oposi&ccedil;&atilde;o, o aspecto secular pode ser visto apenas como uma m&aacute;scara &#150; o Isl&atilde; sempre esteve l&aacute; e, numa dada oportunidade, s&atilde;o eles que mais se beneficiar&atilde;o da postura do Ennahda, do renascimento econ&ocirc;mico e do fim da corrup&ccedil;&atilde;o, que influenciaram as elei&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <P><font size="3">A surpresa que se seguiu &agrave; vit&oacute;ria islamita repercute na no&ccedil;&atilde;o de vingan&ccedil;a de &#381;i&#382;ek: "Hoje, muitos dos liberais, quando confrontados com os ataques violentos como o recente saque nos sub&uacute;rbios de Paris, perguntam aos poucos esquerdistas remanescentes que ainda acreditam numa transforma&ccedil;&atilde;o social radical: "N&atilde;o foram voc&ecirc;s que fizeram isso? &Eacute; isso que voc&ecirc;s querem?" E n&oacute;s dever&iacute;amos responder &#91;...&#93;: "N&atilde;o, voc&ecirc; fez isso! Este &eacute; o verdadeiro resultado de sua pol&iacute;tica!"(30). Depois de d&eacute;cadas de opress&atilde;o e marginaliza&ccedil;&atilde;o, o movimento isl&acirc;mico n&atilde;o est&aacute; apenas politizado, mas afirmando-se mais fact&iacute;vel do que antes. Onde antes havia revistas, agora h&aacute; marchas e, quando presa, a nova gera&ccedil;&atilde;o est&aacute; queimando as delegacias de pol&iacute;cia. O lado inesperado do secularismo de Bourguiba, que se esfor&ccedil;ou para modernizar o pa&iacute;s, est&aacute; gerando hoje mais disc&oacute;rdia, com os oprimidos se tornando os opressores e contrariando os valores que o Ennahda apresentou em 1970.</font></P>     <p><font size="3"><B>A PRIMAVERA ISL&Acirc;MICA </B>Depois da ida de Ben Ali para a Ar&aacute;bia Saudita, em 14 de janeiro de 2011, as tens&otilde;es religiosas foram trianguladas entre os islamitas moderados (representados pelo Ennahda), os secularistas e os salafistas jihadistas. O primeiro conflito importante foi exposto exaustivamente na m&iacute;dia quando o canal de televis&atilde;o nacional, TV Nessma, exibiu o filme iraniano <I>Pers&eacute;polis</I> em meio a fortes cr&iacute;ticas dos c&iacute;rculos isl&acirc;micos. A adapta&ccedil;&atilde;o atraiu a ira atrav&eacute;s de cenas em que a protagonista e autora, Marjane Satrapi, conversa com Deus. O diretor do canal, Nabil Karoui, foi mais tarde julgado e multado em 2.400 dinares &#91;cerca de 1.200 euros&#93;, enquanto Hedi Boughnim, diretor de programa&ccedil;&atilde;o da Nessma, e Nedia Jamal, presidente da organiza&ccedil;&atilde;o de mulheres que dublou <I>Pers&eacute;polis</I>, foram ambos multados 1.200 dinares &#91;cerca de 600 euros&#93;.</font></P>     <P><font size="3">O julgamento, de acordo com Karoui, foi um indicativo da trajet&oacute;ria do pa&iacute;s p&oacute;s-Ben Ali: "Este &eacute; um julgamento pol&iacute;tico", disse ele. "&Eacute; o julgamento de 10 milh&otilde;es de tunisianos que sonhavam ter um pa&iacute;s democr&aacute;tico" (31). A &aacute;rea da cultura atraiu n&atilde;o s&oacute; os isl&acirc;micos, mas tamb&eacute;m os salafistas. Durante meu trabalho de campo, uma pe&ccedil;a de teatro de rua seria encenada, em 26 de mar&ccedil;o de 2012, saindo do Teatro Municipal e seguindo pela Avenida Habib Bourguiba, com atores e cen&aacute;rios para proporcionar entretenimento ao vivo. Era para ser o primeiro do g&ecirc;nero e um passo significativo para a reabertura de uma sociedade na qual as artes tinham estado sujeitas &agrave; vontade de institui&ccedil;&otilde;es imponentes. Infelizmente, no dia os atores n&atilde;o puderam sair do teatro: desde as 7h da manh&atilde;, os salafistas come&ccedil;aram a se reunir na torre do rel&oacute;gio e as estradas vicinais foram bloqueadas por seguran&ccedil;a. Escalando a torre do rel&oacute;gio, jovens usando camisetas Nike, barbas longas e bon&eacute;s bordados penduraram cartazes das grades de metal. Mais adiante, uma multid&atilde;o foi se juntando, liderada por homens com megafones e acompanhada por mulheres em <I>niqabs</I> (32).</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Apesar dos atos vis&iacute;veis &#150; como ocorreram mais tarde na torre do rel&oacute;gio, onde manifestantes corajosos escalaram a torre e desfraldaram a bandeira do califado l&aacute; no topo &#150; o mais importante residiu nos atos mais sutis. &Agrave; medida que se andava com a multid&atilde;o, um grupo de salafistas se reuniu em torno de um poste decorado com propagandas dos pr&oacute;ximos eventos teatrais e musicais. Conforme eles come&ccedil;aram a rasgar com suas unhas os cartazes colados, um velho salafista veio em minha dire&ccedil;&atilde;o para bloquear minha c&acirc;mera. Quando perguntados sobre o que estavam fazendo, um deles respondeu que eram contra os eventos culturais. Algumas semanas mais tarde, museus e galerias dos bairros da periferia da Tun&iacute;sia foram atacados &agrave; noite por multid&otilde;es salafistas com coquet&eacute;is molotov, incluindo as cidades de Gardimaou e Jendouba. A mensagem era clara: a partir de <I>Pers&eacute;polis</I> at&eacute; o teatro de rua e as galerias de arte, a cultura tornou-se um campo de batalha com a nova ordem isl&acirc;mica. Enquanto o movimento se tornou cada vez mais agressivo, representou uma queda infeliz nas &uacute;ltimas etapas da revolu&ccedil;&atilde;o: na sua luta pela democracia, o povo se manifestou e acolheu o Ennahda. O que surgiu, ao mesmo tempo, foi talvez inesperado, n&atilde;o s&oacute; para o povo tunisino, mas tamb&eacute;m para o Ennahda em si, que ficou impotente na escalada da viol&ecirc;ncia.</font></P>     <p><font size="3"><B>AS PERSPECTIVAS DE (IN)ESTABILIDADE</B></font></P>     <blockquote>       <p><font size="3">"Entre os dias da revolu&ccedil;&atilde;o, os port&otilde;es foram abertos para estudiosos salafistas de todos os tipos. Eles surgiram em toda parte. Se pensou que era liberdade, mas os poucos que tiveram liberdade ilimitada foram os salafistas. N&atilde;o &eacute; liberdade poder escolher a pr&oacute;pria religi&atilde;o na Tun&iacute;sia?" (33)</font></p> </blockquote>     <P><font size="3">Quando Bourguiba incorporou o Isl&atilde; em sua ret&oacute;rica pol&iacute;tica, ele almejava construir uma na&ccedil;&atilde;o baseada em valores laicos, mas unidos o suficiente para repelir o apelo do comunismo. O que emergiu foi uma luta entre o movimento islamita e o Estado laico. Antes da Primavera &Aacute;rabe, surgiu um rompimento dentro do movimento isl&acirc;mico e trouxe &agrave; luz os moderados e os ultraconservadores que ansiavam por a&ccedil;&atilde;o, ao inv&eacute;s de uma mudan&ccedil;a pol&iacute;tica. Em dezembro de 2006 e janeiro de 2007, um grupo de islamitas conhecido como jihadistas salafistas, associado ao Al-Qaeda, entrou em confronto com a pol&iacute;cia e centenas de islamitas foram presos e 12 assassinados (34). &Eacute; interessante notar, no entanto, a organiza&ccedil;&atilde;o do motim: realizada na regi&atilde;o de Soliman e Boumhel, o grupo tinha estrategicamente como alvo essa &aacute;rea e planejou o ataque de forma semelhante ao que ocorreu no in&iacute;cio deste ano ao redor da Tun&iacute;sia. Ao mesmo tempo, surgiram novos grupos nos &uacute;ltimos anos, incluindo o Grupo Salafista para a Prega&ccedil;&atilde;o e o Combate (GSPC), Ansar al-Sharia fi Tounis, o Grupo de Combate da Tun&iacute;sia (TCG), cujo l&iacute;der, Tarek Maaroufi, voltou para a Tun&iacute;sia em abril de 2012, ap&oacute;s cumprir senten&ccedil;a na B&eacute;lgica por m&uacute;ltiplas acusa&ccedil;&otilde;es de terrorismo. J&aacute; os pregadores marroquinos salafistas, Hassan Omar e Kettani Hadouchi, foram menos bem sucedidos, pois tentaram entrar no pa&iacute;s em maio de 2012 e foram deportados logo na chegada.</font></P>     <P><font size="3">Escrevendo antes da revolu&ccedil;&atilde;o, Allani observou premonitoriamente que a sobreviv&ecirc;ncia do Ennahda dependia de tr&ecirc;s pontos: a aceita&ccedil;&atilde;o do sistema de Estado nacional, o sustento da tradi&ccedil;&atilde;o tunisiana de moderniza&ccedil;&atilde;o e a ado&ccedil;&atilde;o de atitudes progressistas no sentido da identidade &aacute;rabe e isl&acirc;mica. Se eles falharem nisso, "&#91;o Ennahda&#93; vai estar fora da pol&iacute;tica. &#91;...&#93; Eles v&atilde;o continuar a ser marginalizados" (35). Allani escreveu num momento em que a elei&ccedil;&atilde;o de um governo do Ennahda parecia distante, mas agora ao alcance da m&atilde;o, os desafios permanecem &#150; com infelizes acr&eacute;scimos. Ap&oacute;s v&aacute;rios meses de novo governo, as quest&otilde;es v&atilde;o se multiplicando. O Ennahda ganhou por meio dos votos de sua base e dos islamitas marginalizados; depois de d&eacute;cadas de corrup&ccedil;&atilde;o, determinados setores da sociedade buscam transpar&ecirc;ncia e a restaura&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a no governo isl&acirc;mico. Readquirir isso ser&aacute; uma grande fa&ccedil;anha e a sua seguran&ccedil;a colaborar&aacute; para o equil&iacute;brio. A economia, desemprego e a educa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o setores que continuam problem&aacute;ticos, mas as tens&otilde;es sociais sobre cren&ccedil;as religiosas afetam a todas as camadas da sociedade tunisiana.</font></P>     <P><font size="3">Bourguiba se esfor&ccedil;ou &#150; e at&eacute; certo ponto falhou &#150; em conciliar o desejo de fundir princ&iacute;pios franceses com a tradi&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica. Superficialmente funcionou: tanto durante os anos de Bourguiba e de Ben Ali, as comunidades multi-f&eacute; da Tun&iacute;sia viveram em uni&atilde;o. Dentro de alguns meses ap&oacute;s a queda de Ben Ali, as sinagogas foram atacadas e nos &uacute;ltimos meses, aumentaram as profana&ccedil;&otilde;es de mesquitas e do Alcor&atilde;o. Em paralelo, os confrontos entre secularistas, salafistas e os policiais t&ecirc;m se agravado. O desafio imediato do Ennahda &eacute; a restaura&ccedil;&atilde;o da paz e da seguran&ccedil;a, pois enquanto o movimento fica ocupado negando sua associa&ccedil;&atilde;o aos grupos salafistas, ele precisa engajar os salafistas ao governo para garantir o fim do mal-estar. O Ennahda pode representar os islamitas moderados, mas herdou um pa&iacute;s fr&aacute;gil que tem medo de perder a sua natureza est&aacute;vel e progressiva.</font></P>     <P><font size="3">A falta de interven&ccedil;&atilde;o, at&eacute; agora, tem denegrido o Ennahda (36), mas medidas est&atilde;o sendo tomadas. Em junho de 2012, manifestantes provocaram v&aacute;rios tumultos pela cidade ap&oacute;s as ora&ccedil;&otilde;es da sexta-feira. Segundo as autoridades, foram feitas 165 pris&otilde;es e os presos foram julgados pela Lei 2003 antiterrorismo (37). No rescaldo das revoltas na Tun&iacute;sia, em maio, os comentaristas notaram uma menor brutalidade policial nas marchas salafistas do que nas que envolviam os secularistas. Uma postura mais dura, n&atilde;o apenas controlaria a viol&ecirc;ncia que emana dos c&iacute;rculos salafistas, mas tamb&eacute;m consolidaria a posi&ccedil;&atilde;o do Ennahda como um regime justo e transparente. No entanto, a opress&atilde;o, deve ser usada com cuidado: como Weil observou "&Eacute; dif&iacute;cil ver como poderia brotar das massas, espontaneamente, um sistema oposto ao que os formou, ou melhor, os deformou" (38). Se uma li&ccedil;&atilde;o pode ser tirada a partir do legado de Bourguiba, &eacute; que muita opress&atilde;o fortalece o que se quer controlar e um futuro de viol&ecirc;ncia salafista n&atilde;o &eacute; o que a revolu&ccedil;&atilde;o tem se esfor&ccedil;ado para conquistar.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><I><B>Luisa Gandolfo</B> &eacute; professora da c&aacute;tegra Altajir em estudos sobre recupera&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-guerra no Departamento de Pol&iacute;tica e no PRDU da Universidade de York, desde setembro de 2011. Desde 2008, tem publicado nas revistas </I>Mediterranean Politics, Middle East Quarterly, Radical History Review, Middle East Journal <I>and</I> the Arab Studies Journal <I>, sobre a pol&iacute;tica de identidade na Palestina/Israel e Jord&acirc;nia. Seu livro de estreia, </I>Os palestinos na Jord&acirc;nia: a pol&iacute;tica de identidade <I>ser&aacute; publicado pela IB Tauris</I>.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><I>(*) Este artigo foi traduzido por Marianne Frederick do original em ingl&ecirc;s.</I></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">1.  Bourguiba, Habib. "Nationalism: antidote to communism". <I>Foreign Affairs. </I>Vol. 35, nº.4. 1957. p.646.    </font></P>     <P><font size="3">2.  Ibid.</font></P>     <P><font size="3">3.  Ahmed Aydoun, entrevista com o autor, Rabat, Morocco. Fevereiro de 2012.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4.  Speech by Habib Bourguiba, 1959. In: Tessler, M. "Political change and islamic revival in Tunisi", <I>Maghreb Review</I> (5) 1980, p 11.    </font></P>     <P><font size="3">5. <I>Jihad</I> significa guerra. Nota do tradutor.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">6.  Boulby, Marion. Bourguiba "The islamic challenge: Tunisia since independence". <I>Third World Quarterly</I>, Vol. 10, nº. 2. Islam and Politics. (April, 1988) pp.590-614.     </font></P>     <P><font size="3">7.  Ibid.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">8.  Op. cit., Hermassi, E. "La societ&eacute; tunisienne au miroir islamiste", <I>Maghreb-Machrek</I>, jan/fev/mar 1984, p.54.    <!-- ref --> In: Boulby, "The Islamic challenge", April, 1988. p.604.    </font></P>     <P><font size="3">9.  An&ocirc;nimo, entrevista com o autor. Tunis, mar&ccedil;o de 2010.</font></P>     <P><font size="3">10.  "Depois de mim, o qu&ecirc;?" foi a resposta de Bourguiba como justificativa para a aus&ecirc;ncia de elei&ccedil;&otilde;es em seu governo, insinuando &#150; especificamente para seus eleitores da classe m&eacute;dia e alta &#150; que o futuro isl&acirc;mico n&atilde;o era necessariamente promissor.</font></P>     <P><font size="3">11.  Ulem&aacute;s significa te&oacute;logos. Nota do tradutor.</font></P>     <P><font size="3">12. <I>Fiqh</I> isl&acirc;mico significa jurisprud&ecirc;ncia isl&acirc;mica. Nota do tradutor.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">13.  Boulby, 1988. p. 593. Boulby tamb&eacute;m constatou a coopta&ccedil;&atilde;o dos ulem&aacute;s durante as primeiras reformas: "Enquanto quatorze ulem&aacute;s rapidamente emitem um <I>fatwa</I> com sua decis&atilde;o legal denunciando a legisla&ccedil;&atilde;o, muitos deles endossaram a legisla&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m aceitaram a posi&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;zes defendendo o c&oacute;digo das novas cortes laicas".</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">14.  Cf. Toumi, Mohsen. <I>La Tunisie de Bourguiba &agrave; Ben Ali</I> (Paris: PUF, 1989);    <!-- ref --> Michel Camau, <I>Pouvoir et institutions au Maghreb</I> (Tunis: C&eacute;r&egrave;s productions, 1978).    <!-- ref --> In: Enhaili, Aziz and Oumelkheir Adda. "State and islamism in the Maghreb". <I>Middle East Review of International Affairs</I>, Vol. 7, nº. 1 (March, 2003). p.69.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">15.  Enhaili, Aziz and Oumelkheir Adda. "State and islamism in the Maghreb". <I>Middle East Review of International Affairs</I>, Vol. 7, nº.1 (March, 2003). p.69.    </font></P>     <P><font size="3">16. <I>Hijab</I> significa vestimenta isl&acirc;mica ou burca. Nota do tradutor.</font></P>     <P><font size="3">17.  Coment&aacute;rio de Habib Bourguiba em <I>Sfax</I>, 5 dezembro de 1957. In: Op. cit., Boulby, p. 593.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">18.  Moore, C. H. <I>Tunisia since independence</I>, (Berkeley: University of California Press) 1965, p 59.    </font></P>     <P><font size="3">19. <I>Fatwa</I> significa pronunciamento legal. Nota do tradutor.</font></P>     <P><font size="3">20.  Op. cit., Boulby, p. 594.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">21. <I>New York Times</I>, 9 de janeiro de 1984.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">22.  Op. cit. Garon, Lise. <I>Dangerous alliances: civil society, the media and democratic transition in North Africa</I>. (London: Zed Books) 2003. p. 14.    </font></P>     <P><font size="3">23.  Op. cit., Boulby, p. 590.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">24.  Waltz, Susan. "Islamist appeal in Tunisia". <I>Middle East Journal</I>, Vol. 40, nº. 4 (Autumn 1986) pp. 651-670.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">25. <I>Kefteji</I>, "The strange return of Habib Bourguiba to Tunisia", 27 de mar&ccedil;o de 2012. Acesso em 01/06/12 (<a href="http://kefteji.wordpress.com/2012/03/" target="_blank">http://kefteji.wordpress.com/2012/03/</a>).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">26.  El-Issawi, Fatima (2012<I>) After the Arab Spring: power shift in the &shy;Middle East?: the Tunisian transition: the evolving face of the second republic</I>. IDEAS reports &#150; special reports, Kitchen, Nicholas (ed.) SR011. LSE IDEAS, London School of Economics and Political Science, London, UK.    </font></P>     <P><font size="3">27.  Op. cit., Boulby, p. 602.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">28. al-Ghannoushi, Rashid &amp; Jones, Linda G. "Deficiencies in the Islamic Movement". Islam and the State. <I>Middle East Report</I>. nº.153.(New York: Middle East Research and Information Project.) 1988. pp.23&#150;24.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">29.  Soudan, Fran&ccedil;ois and Belhassen, Souhayr. "&Eacute;lections tunisiennes: Ben Ali face aux islamistes". <I>Jeune Afrique</I>, 1475. pp.13-15.    <!-- ref --> Para saber mais sobre o impacto das elei&ccedil;&otilde;es de 1989, veja: Alexander, Christopher. <I>Tunisia: stability and reform in the modern Maghreb</I>. (Oxon: Routledge) 2010.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">30.  &#381;i&#382;ek, Slavoj. <I>Violence: six side-ways reflections. </I>London: Profile Books Ltd. 2008.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">31. <I>Al Arabiya</I>. "Tunisian court fines TV director for screening <I>Persepolis</I>". 3 de maio de 2012. Acesso em 30 de maio de 2012 (<a href="http://goo.gl/M5rQq" target="_blank">http://goo.gl/M5rQq</a>).     </font></P>     <P><font size="3">32. <I>Niqabs</I> significa v&eacute;u que cobre todo o rosto, exceto os olhos. Nota do tradutor.</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">33.  "Martin" comentando sobre "The yoga debate in Tunisia", <I>Tunisia Live</I>, 21 de abril de 2012. Acesso em 22 de abril de 2012 (<a href="http://goo.gl/0LmKM" target="_blank">http://goo.gl/0LmKM</a>).     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">34.  Allani, Alaya. "The islamists in Tunisia between confrontation and participation: 1980&#150;2008". <I>The Journal of North African Studies</I>, Vol. 14, nº. 2. 2009. pp. 257-272.    </font></P>     <P><font size="3">35.  Ibid.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">36. <I>Middle East Online</I>. "Ennahda pays price of its own policy of salafists 'over-pampering'". 13 de junho de 2012. Acesso em 1 de julho de 2012. (<a href="http://goo.gl/EbTMW" target="_blank">http://goo.gl/EbTMW</a>).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">37. <I>Middle East Online</I>. "Ennahda-led gov to go tough on salafist rioters". 13 de junho de 2012. Acesso em 1 de julho de 2012. (<a href="http://goo.gl/ewzlQ" target="_blank">http://goo.gl/ewzlQ</a>).     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">38.  Weil, Simone. <I>Oppression and liberty</I>. London: Routledge and Kegan Paul Ltd. 1958.    </font></P>      ]]></body><back>
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