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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A política externa russa e a Primavera Árabe: ambivalência num contexto em mudança]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a12img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><B>A pol&iacute;tica externa russa e a Primavera &Aacute;rabe: ambival&ecirc;ncia num  contexto em mudan&ccedil;a</B></font></P>     <P><font size="3">Maria Raquel Freire</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><font size=5><b>O</b></font> Oriente M&eacute;dio tem ganhado cada vez mais relev&acirc;ncia na pol&iacute;tica externa russa, n&atilde;o s&oacute; pelo maior envolvimento de Moscou no quadro negocial do conflito israelense-palestino (1), mas tamb&eacute;m pelos desenvolvimentos mais recentes no mundo &aacute;rabe e que marcaram profundamente o ano de 2011 com as revolu&ccedil;&otilde;es da denominada Primavera &Aacute;rabe. Especialmente a partir de meados da d&eacute;cada de 1990, o Oriente M&eacute;dio assumiu um lugar relevante na agenda de pol&iacute;tica externa russa. Ap&oacute;s a instabilidade inicial que se seguiu &agrave; desagrega&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, a R&uacute;ssia redefiniu os princ&iacute;pios da sua pol&iacute;tica externa e retomou contatos anteriores. As rela&ccedil;&otilde;es com alguns dos Estados do Oriente M&eacute;dio, como por exemplo a S&iacute;ria ou a L&iacute;bia, eram e permanecem importantes. Essa import&acirc;ncia reflete-se em termos pol&iacute;ticos, mas essencialmente econ&ocirc;micos e militares (o com&eacute;rcio de armamento, por exemplo, &eacute; significativo), como veremos adiante.</font></P>     <P><font size="3">Este texto analisa a postura russa face &agrave;s revolu&ccedil;&otilde;es e protestos no mundo &aacute;rabe e ao modo como essas altera&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido percepcionadas em Moscou. Nesta perspectiva, ser&aacute; atribu&iacute;do particular enfoque &agrave;s decis&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es da R&uacute;ssia, particularmente no Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, e nas suas rela&ccedil;&otilde;es com alguns desses Estados, especialmente a L&iacute;bia e a S&iacute;ria, com quem Moscou tem tradicionalmente mantido rela&ccedil;&otilde;es de coopera&ccedil;&atilde;o. O texto argumenta que a R&uacute;ssia tem prosseguido uma pol&iacute;tica ambivalente na forma como tem respondido ao desenrolar dos acontecimentos, ora assumindo uma postura de distanciamento, ora de envolvimento, mas procurando gerir a sua posi&ccedil;&atilde;o no sentido de ganhar margem de manobra para o prosseguimento dos seus interesses de pol&iacute;tica externa. Essa ambival&ecirc;ncia tem sido lida quer como sinal de hesita&ccedil;&atilde;o, quer como uma forma de proje&ccedil;&atilde;o dos interesses russos, em contextos ainda em defini&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3"><B>POL&Iacute;TICA EXTERNA RUSSA: PRINC&Iacute;PIOS ESTRUTURANTES </B>Pouco tempo ap&oacute;s a sua elei&ccedil;&atilde;o como presidente da R&uacute;ssia em 2008, numa entrevista muito midiatizada, Dmitry Medvedev sintetizava o que entendia como os cinco princ&iacute;pios fundamentais da pol&iacute;tica externa russa. </font></P>     <P><font size="3">Estes incluem, primeiro, o primado do direito internacional, pressuposto que implica um papel de relevo para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas na manuten&ccedil;&atilde;o da ordem e seguran&ccedil;a internacional. Este princ&iacute;pio &eacute; central na leitura que a R&uacute;ssia faz do Conselho de Seguran&ccedil;a, &oacute;rg&atilde;o onde det&eacute;m assento permanente e direito de veto, enquanto legitimador de decis&otilde;es fundamentais em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a (2). Este pressuposto &eacute; da maior relev&acirc;ncia para a an&aacute;lise do posicionamento russo face &agrave; Primavera &Aacute;rabe. </font></P>     <P><font size="3">Segundo, a consolida&ccedil;&atilde;o de uma ordem internacional multipolar, objetivo de pol&iacute;tica externa veiculado j&aacute; de forma articulada no segundo mandato da presid&ecirc;ncia de Boris Ieltsin, e que se consolidou nas presid&ecirc;ncias de Vladimir Putin (2000-2008) e Dmitry Medvedev (2008-2012). De fato, &eacute; interessante notar como Putin argumentava a favor de uma ordem multipolar, num discurso muito centrado num exerc&iacute;cio de contrapeso &agrave; hegemonia dos Estados Unidos da Am&eacute;rica (especialmente no segundo mandato presidencial, 2004-2008); e Medvedev ap&oacute;s a guerra na Ge&oacute;rgia no ver&atilde;o de 2008 reformula o discurso assumindo que a ordem internacional &eacute; multipolar, com os EUA perdendo a sua primazia, e outros polos emergindo no sistema internacional, incluindo a China, a Uni&atilde;o Europeia (UE) e a R&uacute;ssia. Essa altera&ccedil;&atilde;o no discurso reflete tamb&eacute;m o entendimento em Moscou de que a R&uacute;ssia recuperou o seu status de grande pot&ecirc;ncia e que este &eacute; reconhecido internacionalmente. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Terceiro, a promo&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica n&atilde;o confrontacional e n&atilde;o isolacionista, no reconhecimento de um mundo globalizado onde a R&uacute;ssia &eacute; um ator simultaneamente aut&ocirc;nomo e dependente, seja de alian&ccedil;as est&aacute;veis, seja de mercados seguros (por exemplo, em rela&ccedil;&atilde;o aos seus recursos energ&eacute;ticos). </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a16img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Quarto, um princ&iacute;pio que mant&eacute;m forte tradi&ccedil;&atilde;o na R&uacute;ssia e que tem estado desde sempre muito presente na ret&oacute;rica pol&iacute;tica &#150; a prote&ccedil;&atilde;o das di&aacute;sporas &#150;, princ&iacute;pio este que tamb&eacute;m vai assumir relev&acirc;ncia particular nas rela&ccedil;&otilde;es com o mundo &aacute;rabe. </font></P>     <P><font size="3">Por fim, quinto, o reconhecimento de &aacute;reas de influ&ecirc;ncia, descritas como "regi&otilde;es priorit&aacute;rias" na pol&iacute;tica externa. O espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico, especialmente a Comunidade de Estados Independentes (CEI), &eacute; referenciada nos documentos fundamentais como &aacute;rea vital para os interesses russos. Nota-se, ainda, que o presidente Medvedev introduz o que denomina de novo vetor de pol&iacute;tica externa, centrado na inova&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento tecnol&oacute;gico, traduzido em pol&iacute;ticas de moderniza&ccedil;&atilde;o que acabam por ser transversais aos objetivos fundamentais da pol&iacute;tica russa, nomeadamente a tradu&ccedil;&atilde;o de estabilidade e crescimento interno numa pol&iacute;tica externa afirmativa.</font></P>     <P><font size="3">No conjunto desses princ&iacute;pios &eacute; interessante notar como o cruzamento desses alinhamentos se faz em torno do objetivo central de proje&ccedil;&atilde;o do status da R&uacute;ssia no sistema internacional. O posicionamento face a uma ordem multipolar e aos princ&iacute;pios de ordenamento da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, e do direito internacional, traduzem, ainda que implicitamente, a preocupa&ccedil;&atilde;o da R&uacute;ssia com organiza&ccedil;&otilde;es regionais a potencialmente assumirem fun&ccedil;&otilde;es e responsabilidades que entende estarem fora do seu alcance. A refer&ecirc;ncia &eacute; claramente a Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan) e a postura de conten&ccedil;&atilde;o que a R&uacute;ssia tem assumido em rela&ccedil;&atilde;o ao papel interventivo desta no plano internacional. A quest&atilde;o dos bombardeios da Otan na S&eacute;rvia em 1999, sem mandato das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, foi fortemente criticada pela R&uacute;ssia e, mais recentemente, a interven&ccedil;&atilde;o na L&iacute;bia gerou tamb&eacute;m rea&ccedil;&otilde;es de contesta&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m do mais, a quest&atilde;o do alargamento da Otan ao espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico tem sido entendida na R&uacute;ssia como contr&aacute;ria aos seus interesses. Implicaria um afastamento desses Estados da &oacute;rbita de influ&ecirc;ncia russa, e uma aproxima&ccedil;&atilde;o dos recursos militares da Otan ao seu territ&oacute;rio. Neste sentido, a Doutrina Militar Russa de 2010 refere de forma expl&iacute;cita que o alargamento da Otan &agrave;s fronteiras russas constitui uma amea&ccedil;a (3). </font></P>     <P><font size="3">Apesar desse documento dever ser lido no contexto em que foi produzido, nomeadamente no quadro da discuss&atilde;o sobre a possibilidade de a Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica oferecer planos de a&ccedil;&atilde;o para ades&atilde;o &agrave; Ge&oacute;rgia e Ucr&acirc;nia, op&ccedil;&atilde;o duramente criticada pela R&uacute;ssia, a sinaliza&ccedil;&atilde;o que &eacute; feita merece ser destacada. Paralelamente, a proposta de um Tratado de Seguran&ccedil;a Europeia (4) que o presidente Medvedev lan&ccedil;ou em junho de 2008, objeto de acolhimento parco no Ocidente, demonstra tamb&eacute;m essa pol&iacute;tica de conten&ccedil;&atilde;o em Moscou face &agrave; Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica. A proposta avan&ccedil;a que a Otan, tal como outros organismos internacionais de seguran&ccedil;a, como a Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado de Seguran&ccedil;a Coletiva, j&aacute; chamada de "Otan do leste", devem estar sujeitos &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas enquanto &oacute;rg&atilde;o prim&aacute;rio na defini&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a internacional. </font></P>     <P><font size="3">Apesar dessa preocupa&ccedil;&atilde;o declarada com as regras e princ&iacute;pios do direito internacional, a R&uacute;ssia &eacute; acusada nos meios ocidentais de violar direitos fundamentais, sendo a guerra na Ge&oacute;rgia, em agosto de 2008, motivo de disc&oacute;rdia. Lida pelos georgianos como a&ccedil;&atilde;o de ocupa&ccedil;&atilde;o ilegal de territ&oacute;rio n&atilde;o russo, violando as fronteiras e soberania da Ge&oacute;rgia, a interven&ccedil;&atilde;o foi justificada pelo Kremlin como respondendo &agrave;s viola&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas dos direitos fundamentais das popula&ccedil;&otilde;es de minoria russa nas rep&uacute;blicas separatistas da Abc&aacute;zia e Oss&eacute;tia do Sul. O resultado foi o reconhecimento unilateral da independ&ecirc;ncia dessas duas rep&uacute;blicas pela R&uacute;ssia. Este exemplo demonstra como o cruzamento dos princ&iacute;pios fundamentais de pol&iacute;tica externa de Moscou leva, por vezes, a incongru&ecirc;ncias e medidas diferenciadas de acordo com os contextos, numa l&oacute;gica de proje&ccedil;&atilde;o de poder e influ&ecirc;ncia da R&uacute;ssia.</font></P>     <p><font size="3"><B>A R&Uacute;SSIA E A PRIMAVERA &Aacute;RABE </B>Os acontecimentos no norte de &Aacute;frica t&ecirc;m causado alguma ambival&ecirc;ncia na pol&iacute;tica russa, que se tem revelado reativa face ao desenrolar dos eventos. Assumindo, inicialmente, uma postura cautelosa muito assentada num discurso que exprime preocupa&ccedil;&atilde;o com as minorias russas, por exemplo no caso das manifesta&ccedil;&otilde;es no Egito contra o regime dominante, a R&uacute;ssia apenas fez declara&ccedil;&otilde;es oficiais seis dias depois do in&iacute;cio das manifesta&ccedil;&otilde;es, centrando-se essencialmente na quest&atilde;o da di&aacute;spora. Medvedev, inclusive, telefonou a Hosni Mubarak, naquela altura presidente do Egito, em 3 de fevereiro de 2011, com votos de que a situa&ccedil;&atilde;o rapidamente se normalizasse e revelando preocupa&ccedil;&atilde;o com os cidad&atilde;os russos no Egito (5). &Eacute; interessante notar o reconhecimento de Moscou face &agrave; sua falta de capacidade para influenciar os acontecimentos, admitida explicitamente por Medvedev, e atestada na visita do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros adjunto e tamb&eacute;m enviado especial para o Oriente M&eacute;dio, Alexander Sultanov, ao Egito (6). Al&eacute;m do mais, no dia 12 de fevereiro, Medvedev num comunicado expressava a sua vontade de que os processos democr&aacute;ticos no Egito fossem restaurados e que os procedimentos eleitorais leg&iacute;timos, aplicados. Acrescentava ainda a import&acirc;ncia de manter a harmonia e a conc&oacute;rdia inter-religiosa, e referia o fato de um Egito forte ser fundamental no processo de paz do Oriente M&eacute;dio (7). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Na p&aacute;gina presidencial s&atilde;o poucas as informa&ccedil;&otilde;es a esse respeito, o que demonstra exatamente qual a preocupa&ccedil;&atilde;o central (di&aacute;spora russa nos Estados do Oriente M&eacute;dio e instabilidade no C&aacute;ucaso do Norte), revelando tratar-se de uma &aacute;rea que vem assumindo maior relev&acirc;ncia nas pol&iacute;ticas russas, e que permite tamb&eacute;m melhor compreender os limites em termos de capacidade de influ&ecirc;ncia russa perante o desenrolar dos acontecimentos. Na Tun&iacute;sia, a posi&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s foi sensivelmente a mesma, uma vez que os interesses russos nesses pa&iacute;ses s&atilde;o reduzidos, pelo que advogou sempre uma solu&ccedil;&atilde;o essencialmente local, baseada em negocia&ccedil;&otilde;es e restauro da ordem, permitindo espa&ccedil;o para implementar reformas estruturais entendidas como fundamentais face &agrave;s exig&ecirc;ncias de maior abertura e participa&ccedil;&atilde;o popular. </font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a16img02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">No entanto, a evolu&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos levou a R&uacute;ssia a redefinir a sua postura hesitante e a tomar decis&otilde;es pragm&aacute;ticas. Independentemente do desfecho dos protestos e convuls&otilde;es sociais, a R&uacute;ssia poderia assim tomar posi&ccedil;&atilde;o e ser parte integrante de negocia&ccedil;&otilde;es e novos ordenamentos que eventualmente pudessem da&iacute; resultar. No caso l&iacute;bio, por exemplo, a R&uacute;ssia reconheceu o Conselho de Transi&ccedil;&atilde;o Nacional ap&oacute;s duras cr&iacute;ticas &agrave; interven&ccedil;&atilde;o ocidental descrita por Vladimir Putin como uma "cruzada medieval", e a oferta de bons of&iacute;cios na media&ccedil;&atilde;o entre Khadafi, os rebeldes e o Ocidente (8). No caso da S&iacute;ria, houve uma disponibilidade para se reunir com os l&iacute;deres da oposi&ccedil;&atilde;o, procurando assumir um papel de mediadora, importante quer na forma como o seu posicionamento &eacute; lido em termos internacionais quer no retorno pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico, que essencialmente poder&aacute; resultar desse envolvimento (9).</font></P>     <P><font size="3">Os acontecimentos no norte da &Aacute;frica devem ser contextualizados no quadro das amea&ccedil;as do extremismo isl&acirc;mico e terrorismo transnacional, definidas como priorit&aacute;rias na R&uacute;ssia (Doutrina Militar, 2010). De fato, o primeiro ministro Vladimir Putin comentou que o que se tem passado no norte de &Aacute;frica, e os desenvolvimentos em particular na L&iacute;bia, podem causar instabilidade em particular no C&aacute;ucaso do Norte. Referia-se &agrave;s rep&uacute;blicas russas da Chech&ecirc;nia, Daguest&atilde;o, Inguch&eacute;tia, Kabardino-Balc&aacute;ria, entre outras, onde a instabilidade existente sublinha o desejo de independ&ecirc;ncia face &agrave; autoridade central em Moscou. O alastrar dos ideais revolucion&aacute;rios de mudan&ccedil;a, num quadro onde a quest&atilde;o do islamismo &eacute; bastante delicada, como &eacute; o caso nessa regi&atilde;o, &eacute; preocupante para as autoridades russas. Nessa &aacute;rea, as pretens&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de uma rep&uacute;blica isl&acirc;mica do C&aacute;ucaso, envolvendo a Chech&ecirc;nia, Inguch&eacute;tia, Daguest&atilde;o e Kabardino-Balc&aacute;ria, entre outras, s&atilde;o conhecidas e est&atilde;o sob escrut&iacute;nio apertado das autoridades em Moscou. Al&eacute;m do mais, Medvedev foi muito claro ao expressar receio de que as novas lideran&ccedil;as no p&oacute;s-revolu&ccedil;&atilde;o possam ser assumidas por l&iacute;deres isl&acirc;micos fan&aacute;ticos, um cen&aacute;rio que, no seu entender, levaria &agrave; fragmenta&ccedil;&atilde;o e fragiliza&ccedil;&atilde;o de toda essa regi&atilde;o do norte de &Aacute;frica, significando instabilidade duradoura e mesmo extremismo nos anos vindouros (10). Medvedev usou o exemplo da Irmandade Mu&ccedil;ulmana no Egito para justificar a aten&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria ao per&iacute;odo p&oacute;s-revolu&ccedil;&atilde;o e ao <I>status quo</I> que ser&aacute; estabelecido. </font></P>     <P><font size="3">Uma outra dimens&atilde;o que Putin sublinhou, ainda diretamente ligada &agrave; instabilidade nessa &aacute;rea, &eacute; a das rela&ccedil;&otilde;es energ&eacute;ticas e o modo como a R&uacute;ssia procura se reposicionar no mapa da geopol&iacute;tica energ&eacute;tica como parceiro de confian&ccedil;a, em particular nas rela&ccedil;&otilde;es com a UE, uma vez que algumas linhas de abastecimento foram objeto de ruptura, dada a turbul&ecirc;ncia nessa &aacute;rea mediterr&acirc;nea. Foi uma oportunidade para a R&uacute;ssia aprofundar as rela&ccedil;&otilde;es energ&eacute;ticas com os parceiros europeus, que n&atilde;o foi desaproveitada. </font></P>     <p><font size="3"><B>A L&Iacute;BIA E A S&Iacute;RIA: ALIADOS TRADICIONAIS DA R&Uacute;SSIA NO ORIENTE M&Eacute;DIO </B>A L&iacute;bia e a S&iacute;ria s&atilde;o dois pa&iacute;ses cujas rela&ccedil;&otilde;es com a Federa&ccedil;&atilde;o Russa t&ecirc;m sido tradicionalmente de proximidade. A R&uacute;ssia det&eacute;m interesses diretos nesses pa&iacute;ses e, no caso concreto da L&iacute;bia, especialmente na &aacute;rea comercial, incluindo venda de armamento (na ordem de US$4 bilh&otilde;es), e a n&iacute;vel energ&eacute;tico (por exemplo, atrav&eacute;s do envolvimento da &shy;Gazprom e da italiana ENI na empresa petrol&iacute;fera l&iacute;bia). As rela&ccedil;&otilde;es comerciais nesses dois n&iacute;veis eram muito significativas, pelo que os acontecimentos e a instabilidade associada foram motivo de preocupa&ccedil;&atilde;o na R&uacute;ssia, que tem seguido atentamente o desenrolar da situa&ccedil;&atilde;o de modo a garantir a sua participa&ccedil;&atilde;o na nova ordem a ser estabelecida. Al&eacute;m da dimens&atilde;o econ&ocirc;mica associada &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es existentes, a dimens&atilde;o pol&iacute;tica no que concerne ao aumento do controle russo dos recursos na &aacute;rea, como press&atilde;o sobre a Europa, tamb&eacute;m seria afetada, com implica&ccedil;&otilde;es na estrat&eacute;gia russa de cria&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncias e diminui&ccedil;&atilde;o da capacidade de diversifica&ccedil;&atilde;o da UE. Veja-se como, na defesa desses interesses fundamentais, a posi&ccedil;&atilde;o inicial contra qualquer interven&ccedil;&atilde;o contra as for&ccedil;as de Khadafi foi alterada quando a Liga &Aacute;rabe e os Estados Unidos fortaleceram o discurso sobre a necessidade de interven&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3">Nessa altura, e face &agrave; incapacidade em travar a interven&ccedil;&atilde;o, a R&uacute;ssia absteve-se na vota&ccedil;&atilde;o da resolu&ccedil;&atilde;o 1973 no Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (11) que permitiu a interven&ccedil;&atilde;o ocidental, sendo que pouco depois as cr&iacute;ticas &agrave; mesma eram j&aacute; severas. Putin comentava que o Ocidente estava levando a cabo "uma cruzada medieval" (12). Medvedev criticou essas declara&ccedil;&otilde;es, permitindo assim campo de manobra &agrave; diplomacia russa caso a altera&ccedil;&atilde;o no poder se confirmasse, ao mesmo tempo que sublinhava o descontentamento russo com uma interven&ccedil;&atilde;o que ia al&eacute;m da formula&ccedil;&atilde;o do seu mandato, ao permitir a derrubada de um regime contr&aacute;rio &agrave;s vontades ocidentais. Nas palavras do ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros russo Lavrov, "a experi&ecirc;ncia do Iraque, Afeganist&atilde;o, e tamb&eacute;m da L&iacute;bia, demonstra que, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, apenas as pr&oacute;prias popula&ccedil;&otilde;es podem escolher o futuro dos seus pr&oacute;prios pa&iacute;ses", acrescentando ainda que "a interven&ccedil;&atilde;o externa armada em conflitos internos cria um risco de escalada dos confrontos nessas partes do mundo. Se esse tipo de proje&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a se torna mais comum, estaremos perante uma verdadeira amea&ccedil;a de caos nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais" (13).</font></P>     <P><font size="3">Em 1 de setembro de 2011, a R&uacute;ssia reconheceu o Conselho de Transi&ccedil;&atilde;o Nacional L&iacute;bio como &oacute;rg&atilde;o de lideran&ccedil;a leg&iacute;timo. Nesse mesmo dia, acontecia a confer&ecirc;ncia de l&iacute;deres para discutir os apoios internacionais no processo de transi&ccedil;&atilde;o, onde a presen&ccedil;a da R&uacute;ssia era entendida em Moscou como incontorn&aacute;vel (14). Essa decis&atilde;o segue o entendimento de que estariam reunidas as condi&ccedil;&otilde;es para que a R&uacute;ssia pudesse renegociar os seus interesses econ&ocirc;micos com as novas autoridades, de forma a proteger esses mesmos interesses. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">Relativamente &agrave; S&iacute;ria, a aproxima&ccedil;&atilde;o russa consolidou-se ap&oacute;s o isolamento a que o pa&iacute;s foi votado na sequ&ecirc;ncia da resolu&ccedil;&atilde;o 1559 do Conselho de Seguran&ccedil;a, de dezembro de 2004, em resultado das a&ccedil;&otilde;es no L&iacute;bano (15). No caso particular da S&iacute;ria, a R&uacute;ssia n&atilde;o permitir&aacute; um cen&aacute;rio do tipo L&iacute;bia. As dificuldades vividas t&ecirc;m sido descritas como um assunto interno, posi&ccedil;&atilde;o em que a R&uacute;ssia tem o apoio chin&ecirc;s no Conselho de Seguran&ccedil;a e, segundo fontes russas, deve-se aguardar o tempo necess&aacute;rio para que as reformas anunciadas por al-Assad possam efetivamente ser implementadas. Apesar do aumento significativo de viol&ecirc;ncia no pa&iacute;s, a diplomacia russa mant&eacute;m a posi&ccedil;&atilde;o de que o regime deve persuadir a oposi&ccedil;&atilde;o a negociar uma solu&ccedil;&atilde;o aceit&aacute;vel para ambas as partes. Note-se que, no quadro geoestrat&eacute;gico do Oriente M&eacute;dio, a S&iacute;ria &eacute; um bom comprador de armas da R&uacute;ssia, bem como local de investimentos russos em infraestrutura e turismo, e o Ir&atilde; permanece um dos pa&iacute;ses aliados da S&iacute;ria, o que interessa a Moscou. Em 4 de outubro de 2011, a R&uacute;ssia e a China vetaram uma resolu&ccedil;&atilde;o de condena&ccedil;&atilde;o do regime face &agrave; resposta violenta sobre os manifestantes que causou quase 3 mil mortos, onde se mencionava uma poss&iacute;vel tomada de "medidas direcionadas" (16). A R&uacute;ssia argumenta que uma resolu&ccedil;&atilde;o nesse sentido possa abrir caminho a uma nova interven&ccedil;&atilde;o ocidental, o que os Estados Unidos e a UE rejeitam. A nova resolu&ccedil;&atilde;o proposta com cunho da Liga &Aacute;rabe, em finais de janeiro de 2012, e que visa a retirada de al-Assad do poder de modo a permitir a realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es, foi vetada pela R&uacute;ssia e China no dia 4 de fevereiro de 2012 (17). A concord&acirc;ncia desses dois pa&iacute;ses dependia da formula&ccedil;&atilde;o final, que teria de excluir explicitamente o uso da for&ccedil;a militar (18). Note-se que, al&eacute;m dos interesses comerciais mencionados (armamento, em particular), a R&uacute;ssia explora uma base militar no porto s&iacute;rio de Tartous, e essa tem sido apontada como poss&iacute;vel solu&ccedil;&atilde;o para o estacionamento da frota do Mar Negro quando terminar o acordo com a Ucr&acirc;nia. O acesso aos mares quentes &#150; Mediterr&acirc;neo &#150; permitiria tamb&eacute;m reequacionar rotas e aumentar influ&ecirc;ncia numa &aacute;rea de interesse estrat&eacute;gico multidimensional, objetivos subjacentes &agrave;s decis&otilde;es de pol&iacute;tica externa russa nessas mat&eacute;rias.</font></P>     <p><font size="3"><B>CONCLUS&Atilde;O </B>O posicionamento russo perante a Primavera &Aacute;rabe, apesar de alguma relut&acirc;ncia no in&iacute;cio das manifesta&ccedil;&otilde;es, foi assumindo uma postura mais interventiva, n&atilde;o num sentido de envolvimento direto, mas antes de assegurar condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de interesses econ&ocirc;micos claros na &aacute;rea, independentemente do desfecho das revolu&ccedil;&otilde;es. A ambival&ecirc;ncia entre avan&ccedil;os e recuos, absten&ccedil;&atilde;o e cr&iacute;ticas, traduz a gest&atilde;o constante de contradi&ccedil;&otilde;es numa l&oacute;gica de maximiza&ccedil;&atilde;o dos objetivos russos no Oriente M&eacute;dio. Al&eacute;m do mais, os receios de contamina&ccedil;&atilde;o, em particular na zona do C&aacute;ucaso do Norte, t&ecirc;m tamb&eacute;m motivado uma pol&iacute;tica cautelosa, mas atenta, de Moscou.</font></P>     <P> <font size="3">&Eacute; interessante, ainda, notar as compara&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m surgido entre esses movimentos revolucion&aacute;rios em prol de mudan&ccedil;a frente a regimes autorit&aacute;rios, com o pr&oacute;prio processo de transi&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica para uma nova realidade, onde surgem, no mapa mundial, quinze novas rep&uacute;blicas, com destaque particular para a Federa&ccedil;&atilde;o Russa. Os paralelos tra&ccedil;ados t&ecirc;m incidido sobre o fato de, em ambos os casos, estarmos perante regimes de car&aacute;ter centralizado e autorit&aacute;rio, dominados por partidos de poder (partidos &uacute;nicos sem verdadeira oposi&ccedil;&atilde;o), e aparelhos de seguran&ccedil;a coesos, que apoiam fortemente a manuten&ccedil;&atilde;o do <I>status quo</I>. Contudo, as diferen&ccedil;as s&atilde;o v&aacute;rias e prendem-se ao tipo de organiza&ccedil;&atilde;o social vigente, refletida por exemplo ao n&iacute;vel da percentagem de desempregados nessa &aacute;rea, muito superior &agrave; da ent&atilde;o Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. S&atilde;o vis&iacute;veis tamb&eacute;m no processo de transi&ccedil;&atilde;o durante os anos Ieltsin, um processo com contornos diferenciados daqueles a que assistimos no mundo &aacute;rabe, onde os alinhamentos ideol&oacute;gicos e o passado hist&oacute;rico t&ecirc;m um impacto diferencial claro. E ainda no fato de uma nova ordem centralizada e autorit&aacute;ria delineada por Putin e prosseguida por Medvedev, que trouxe estabilidade e crescimento, ter encontrado apoio junto da popula&ccedil;&atilde;o (apesar de alguma contesta&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-processo eleitoral de dezembro de 2011 na R&uacute;ssia) (19), sendo que no mundo &aacute;rabe a popula&ccedil;&atilde;o se rebelou contra o autoritarismo dirigista de longos anos, fatores que tornam o mapeamento dessas transi&ccedil;&otilde;es diverso. </font></P>     <P><font size="3">Da an&aacute;lise feita, parece claro que a tens&atilde;o entre interesses concorrentes e a necessidade de tomada de uma posi&ccedil;&atilde;o firme, que marca a defini&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa da R&uacute;ssia, traduz em v&aacute;rios momentos uma imagem ambivalente e mesmo incoerente das suas pol&iacute;ticas, que, no entanto, muitas vezes n&atilde;o representa mais do que isso mesmo. Isto &eacute;, uma diplomacia ativa que amplia o seu espa&ccedil;o de manobra e de resposta a desenvolvimentos incertos em contextos complexos, como o que tem se passado no norte de &Aacute;frica. A pol&iacute;tica russa &eacute; objetiva e pragm&aacute;tica, pelo que a R&uacute;ssia est&aacute; claramente desenvolvendo esfor&ccedil;os no sentido em que os seus interesses sejam tidos em conta, a sua influ&ecirc;ncia seja protegida e projetada, e o seu papel, enquanto ator relevante no sistema internacional, reconhecido.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><I><B>Maria Raquel Freire</B> &eacute; pesquisadora do Centro de Estudos Sociais (CES) e professora de rela&ccedil;&otilde;es internacionais da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Portugal. Doutora em rela&ccedil;&otilde;es internacionais pela Universidade de Kent, Reino Unido.</I></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></P>     <P><font size="3">1.  O conflito israelense-palestino n&atilde;o &eacute; objeto de an&aacute;lise deste texto. Fica a anota&ccedil;&atilde;o de que, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; participa&ccedil;&atilde;o russa no Quarteto e &agrave; quest&atilde;o da Palestina, a R&uacute;ssia j&aacute; assumiu que apoiar&aacute; uma resolu&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o da Palestina como Estado aut&ocirc;nomo ("Russia to back Palestinian UN bid for statehood", <I>RFE/RL</I>, 12 setembro 2011). Esta decis&atilde;o est&aacute; de acordo com os alinhamentos pol&iacute;ticos russos nessa quest&atilde;o. Veja-se, por exemplo, o conceito de pol&iacute;tica externa de 2008 onde est&aacute; expl&iacute;cito que a R&uacute;ssia pretende contribuir para a estabiliza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s da negocia&ccedil;&atilde;o de um acordo que estabele&ccedil;a um Estado palestino independente. Note-se, no entanto, que a R&uacute;ssia mant&eacute;m rela&ccedil;&otilde;es com Israel, colaborando em mat&eacute;ria de contraterrorismo, em n&iacute;vel comercial e em termos tecnol&oacute;gicos, incluindo equipamento militar, especialmente meios a&eacute;reos. Essa duplicidade levou o ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, Lavrov, a comentar em 2004 que a pol&iacute;tica russa "nem &eacute; pr&oacute;-&aacute;rabe nem pr&oacute;-israelita, tem por objetivo defender os interesses nacionais russos" (Lavrov, citado em Sergey Borisov, "Russia and Israel to join forces in anti-terrorist cooperation", <I>Pravda</I>, 7 setembro 2004).</font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">2.  "Russia's position at the 64<SUP>th</SUP> Session of the UN General Assembly", Abertura da sess&atilde;o em 15 de setembro de 2009, Nova York, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.un.int/russia/new/MainRoot/docs/interview/pos64en.htm" target="_blank">http://www.un.int/russia/new/MainRoot/docs/interview/pos64en.htm</a> (acesso em setembro de 2012).     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3.  Doutrina Militar Russa (2010), dispon&iacute;vel em <a href="http://merln.ndu.edu/whitepapers/Russia2010_English.pdf" target="_blank">http://merln.ndu.edu/whitepapers/Russia2010_English.pdf</a> (acesso em setembro de 2012).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4.  "The draft of the European security treaty", president of Russia homepage, 29 novembro 2009, dispon&iacute;vel em <a href="http://eng.kremlin.ru/news/275" target="_blank">http://eng.kremlin.ru/news/275</a> (acesso em setembro de 2012).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">5.  "Telephone conversation with president of Egypt, Hosni Mubarak", resident of Russia homepage, 3 fevereiro 2011. Dispon&iacute;vel em <a href="http://eng.kremlin.ru/news/1722" target="_blank">http://eng.kremlin.ru/news/1722</a> (acesso em setembro de 2012).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">6.  "Russia is impotent when it comes to influencing events in Egypt, but it doesn't care", <I>RFE/RL</I>, 11 fevereiro 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">7. "Statement by the president of Russia on the situation in Egypt", president of Russia homepage, 12 fevereiro 2011. Dispon&iacute;vel em <a href="http://eng.kremlin.ru/news/1768" target="_blank">http://eng.kremlin.ru/news/1768</a> (acesso em setembro de 2012).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">8.  Brenton, Anthony, "Russia and the 'Arab Spring'", <I>RFE/RL</I>, 23 mar&ccedil;o 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">9.  Schwirtz, Michael, "Russia says Syria has agreed to talks", <I>The New York Times</I>, 30 janeiro 2012.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">10.  "Medvedev warns against 'fanatics' coming to power in Arab World", <I>RFE/RL</I>, 22 fevereiro 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">11.  Resolution 1973 (2011) Adopted by the Security Council at its 6498<SUP>th</SUP> meeting, on 17 march 2011, S/RES/1973 (2011), em particular os par&aacute;grafos 8 e 9, dispon&iacute;vel em <a href="http://pt.scribd.com/doc/51224524/UNSCR-1973" target="_blank">http://pt.scribd.com/doc/51224524/UNSCR-1973</a> (acesso em setembro de 2012).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">12.  Brenton, Anthony, "Russia and the Arab Spring", <I>RFE/RL</I>, 23 mar&ccedil;o 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">13.  Balmforth, Tom, citando Lavrov numa interven&ccedil;&atilde;o na Moscow State University for International Relations, "Russia plays damage control in last-ditch effort to save business interests in Libya", <I>RFE/RL</I>, 2 setembro 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">14.  Gutterman, Steve, "Russia recognizes Libya's Transitional Council", <I>Reuters</I>, 1 setembro 2011, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.reuters.com/article/2011/09/01/us-libya-russia-idUSTRE7800WS20110901" target="_blank">http://www.reuters.com/article/2011/09/01/us-libya-russia-idUSTRE7800WS20110901</a>.    <!-- ref --> Irish, John, "Libya looks to oil as rebuilding begins", <I>Reuters</I>, 2 setembro 2011, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.reuters.com/article/2011/09/02/us-libya-conference-idUSTRE7810J820110902" target="_blank">http://www.reuters.com/article/2011/09/02/us-libya-conference-idUSTRE7810J820110902</a> (acesso em setembro de 2012).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">15.  Resolution 1559 (2004) Adopted by the Security Council at its 5028th meeting, on 2 september 2004, S/RES/1559 (2004), dispon&iacute;vel em <a href="http://daccess-dds-ny.un.org/doc/Undoc/GEN/N04/498/92/PDF/N0449892.pdf?OpenElement" target="_blank">http://daccess-dds-ny.un.org/doc/Undoc/GEN/N04/498/92/PDF/N0449892.pdf?OpenElement</a> (acesso em setembro de 2012).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">16.  "Medvedev tells Syrian leaders to reform or leave", <I>RFE/RL</I>, 7 outubro 2011.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">17.  "China e R&uacute;ssia vetam resolu&ccedil;&atilde;o da ONU que condenaria viol&ecirc;ncia na S&iacute;ria", <I>P&uacute;blico</I>, 4 fevereiro 2012, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.publico.pt/Mundo/china-e-russia-vetam-resolucao-da-onu-que-condenaria-violencia-na-siria_1532262" target="_blank">http://www.publico.pt/Mundo/china-e-russia-vetam-resolucao-da-onu-que-condenaria-violencia-na-siria_1532262</a>;    <!-- ref --> "Syria: UN veto gives Assad licence to kill &#150; opposition", <I>BBC News</I>, 5 February 2012, dispon&iacute;vel em <a href="http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-16893609" target="_blank">http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-16893609</a> (acesso em setembro de 2012).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">18.  Palavras de Vitaly Churkin, Embaixador russo nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, citado em Ditz, Jason, "Russia reiterates: UN Syria resolution will be vetoed", 1 fevereiro 2012, dispon&iacute;vel em <a href="http://news.antiwar.com/2012/02/01/russia-reiterates-un-syria-resolution-will-be-vetoed" target="_blank">http://news.antiwar.com/2012/02/01/russia-reiterates-un-syria-resolution-will-be-vetoed</a>.    <!-- ref -->&shy; Ver tamb&eacute;m Robbins, James, "Western nations pressing Russia on Syria UN resolution", <I>BBC News</I>, 2 fevereiro 2012;    <!-- ref --> "Lavrov defends Russian arms supplies to Syria", <I>RIA Novosti</I>, 4 fevereiro 2012, dispon&iacute;vel em <a href="http://en.rian.ru/world/20120204/171137441.html" target="_blank">http://en.rian.ru/world/20120204/171137441.html</a> (acesso em setembro de 2012).    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">19.  Para esta discuss&atilde;o ver, por exemplo, Brenton, Anthony, "Russia and the Arab Spring", <I>RFE/RL</I>, 23 mar&ccedil;o 2011.    </font></P>      ]]></body><back>
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