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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a12img01.jpg"></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><B>A Turquia e a     Primavera &Aacute;rabe </B></font></P>     <P><font size="3">Andr&eacute; Barrinha</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><font size=5><b>A</b></font>o contr&aacute;rio do que a vis&atilde;o comum da Turquia como "ponte" entre o Ocidente e o Oriente poder&aacute; deixar transparecer, a rela&ccedil;&atilde;o de Ancara com os seus vizinhos do sul, tem historicamente sido mais marcada pela desconfian&ccedil;a e antagonismo do que pela amizade e coopera&ccedil;&atilde;o. Nos &uacute;ltimos anos, contudo, a Turquia tem apostado numa aproxima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e cultural aos pa&iacute;ses do Oriente M&eacute;dio (1) no sentido de inverter esse padr&atilde;o de relacionamento. A ascens&atilde;o pol&iacute;tica do Partido da Justi&ccedil;a e Desenvolvimento (AKP) e o forte crescimento econ&ocirc;mico que a Turquia tem vivido na &uacute;ltima d&eacute;cada ajudam a explicar essa mudan&ccedil;a de atitude que, por sua vez, tem passado pelo estabelecimento de la&ccedil;os de confian&ccedil;a com os regimes pol&iacute;ticos desses pa&iacute;ses. As revolu&ccedil;&otilde;es da Primavera &Aacute;rabe, que t&ecirc;m contribu&iacute;do para a mudan&ccedil;a do panorama pol&iacute;tico da regi&atilde;o, levaram &agrave; deposi&ccedil;&atilde;o de alguns desses regimes com os quais Ancara mantinha um relacionamento est&aacute;vel, obrigando a Turquia a readaptar a sua estrat&eacute;gia para com o mundo &aacute;rabe. &nbsp;</font></P>     <P><font size="3">Neste artigo procuraremos analisar a evolu&ccedil;&atilde;o recente das rela&ccedil;&otilde;es entre a Turquia e os seus vizinhos do Oriente M&eacute;dio, com particular destaque para o papel de Ancara no contexto da Primavera &Aacute;rabe. Assim, come&ccedil;aremos por salientar as principais mudan&ccedil;as ocorridas na pol&iacute;tica externa turca desde o final da Guerra Fria, para em seguida analisarmos o per&iacute;odo que decorre de 2002 at&eacute; aos nossos dias, marcado pelo dom&iacute;nio pol&iacute;tico do AKP e, em termos internacionais, pela "doutrina Davutoglu", um conjunto de princ&iacute;pios desenvolvidos pelo ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, que est&atilde;o na base da atual orienta&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica exterior turca. Por fim, olharemos para o papel que a Turquia tem desempenhado na Primavera &Aacute;rabe, analisando at&eacute; que ponto a mudan&ccedil;a de regimes nessa regi&atilde;o do mundo pode ou n&atilde;o levar &agrave; ascens&atilde;o do pa&iacute;s como o principal polo de poder na regi&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3"><B> DE FRONTEIRA DA ALIAN&Ccedil;A ATL&Acirc;NTICA A POT&Ecirc;NCIA EMERGENTE: A TURQUIA DO P&Oacute;S-GUERRA FRIA </B>Surgida dos escombros de um Imp&eacute;rio Otomano dividido pelas pot&ecirc;ncias vencedoras da Primeira Guerra Mundial, a Rep&uacute;blica Turca liderada por Mustafa Kemal "Ataturk" passou as suas primeiras d&eacute;cadas de exist&ecirc;ncia negociando com o seu passado, tentando construir uma nova identidade nacional, distinta do passado otomano, o que implicou n&atilde;o s&oacute; na redefini&ccedil;&atilde;o do papel da religi&atilde;o no Estado, como no papel do Estado na regi&atilde;o circundante, rec&eacute;m-independente de Constantinopla. Deixando para tr&aacute;s um vasto imp&eacute;rio assente no Isl&atilde;, a Turquia era agora uma Rep&uacute;blica laica, territorialmente restrita a pouco mais que a pen&iacute;nsula da Anat&oacute;lia. As reformas internas levadas a cabo por Ataturk foram vastas e profundas, como a declara&ccedil;&atilde;o do fim do califado (1924) ou a defini&ccedil;&atilde;o de uma l&iacute;ngua turca assente no alfabeto latino, pelo que a pol&iacute;tica externa turca tinha como preocupa&ccedil;&atilde;o central evitar que din&acirc;micas externas interferissem no processo de constru&ccedil;&atilde;o do Estado turco. A neutralidade turca durante a Segunda Guerra Mundial derivou exatamente dessa vontade em se manter afastada das externalidades negativas das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. </font></P>     <P><font size="3">Com o fim da Segunda Guerra Mundial e a redefini&ccedil;&atilde;o da distribui&ccedil;&atilde;o de poder no sistema internacional &#150; com os EUA e a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica assumindo-se como principais polos de dois blocos ideol&oacute;gicos antag&ocirc;nicos &#150; a Turquia optaria pela ades&atilde;o ao bloco ocidental. Na verdade, a Turquia revolucion&aacute;ria entrava agora numa fase de maior estabilidade interna, que levaria &agrave; abertura democr&aacute;tica com a realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es regulares a partir de 1946. Externamente, a Turquia passava assim a ter um comportamento mais ativo, o que levaria &agrave; sua participa&ccedil;&atilde;o na Guerra da Coreia, em 1950, e dois anos mais tarde &agrave; proclama&ccedil;&atilde;o da Doutrina Truman e consequente ades&atilde;o &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan). Em n&iacute;vel regional, a Turquia tentou uma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave;s suas ex-col&ocirc;nias, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de um acordo de seguran&ccedil;a regional, o Pacto de Bagd&aacute;, assinado em 1955 (2). A recusa de v&aacute;rios pa&iacute;ses em fazer parte do mesmo demonstrou &agrave; Ancara que esta n&atilde;o era particularmente bem-vinda ao Oriente M&eacute;dio.</font></P>     <P><font size="3">Com inimigos na fronteira ocidental (Gr&eacute;cia e Bulg&aacute;ria) e norte (Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica) e com um relacionamento limitado com os restantes pa&iacute;ses lim&iacute;trofes, ao que se pode juntar um longo per&iacute;odo de instabilidade pol&iacute;tica interna (que levou as for&ccedil;as armadas turcas a intervir por tr&ecirc;s vezes, entre 1960 e 1980, no rumo da vida pol&iacute;tica do pa&iacute;s), a pol&iacute;tica externa turca durante a Guerra Fria foi sobretudo marcada por um comportamento reativo. Foi assim, por exemplo, no Chipre em 1974, onde sob o pretexto de proteger a minoria turca no pa&iacute;s, a Turquia desencadeou uma opera&ccedil;&atilde;o militar que culminou na ocupa&ccedil;&atilde;o da parte norte da ilha, estando esta dividida at&eacute; aos dias de hoje.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3">O principal papel internacional que a Turquia desempenhou durante esse per&iacute;odo foi, portanto, o de ponta-de-lan&ccedil;a da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica: uma fronteira fortificada contra a amea&ccedil;a sovi&eacute;tica. O fim da Guerra Fria e a desintegra&ccedil;&atilde;o do Bloco do Leste implicou tamb&eacute;m o fim desse papel da Turquia. Tal como a Otan, tamb&eacute;m a Turquia necessitava de um novo rumo. Com a exce&ccedil;&atilde;o de aproxima&ccedil;&otilde;es pontuais aos rec&eacute;m-independentes pa&iacute;ses da &Aacute;sia Central, na primeira metade da d&eacute;cada de 1990, e ao mundo mu&ccedil;ulmano durante a curta vig&ecirc;ncia do governo liderado pelo partido isl&acirc;mico, Refah de Necmettin Erbakan, entre 1996 e 1997, o relacionamento externo da Turquia foi sobretudo marcado por tr&ecirc;s vetores: manuten&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os com os EUA atrav&eacute;s da Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica, aproxima&ccedil;&atilde;o com Israel e conflito curdo. Se os dois primeiros vetores contribu&iacute;ram para a estabiliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica externa turca nesse per&iacute;odo, a quest&atilde;o do conflito curdo foi, sem d&uacute;vida, um fator de desestabiliza&ccedil;&atilde;o interna e externa, ao ponto de ter colocado a Turquia &agrave; beira de um conflito com a S&iacute;ria em 1998, devido ao apoio de Damasco ao movimento do Partido dos Trabalhadores do Curdist&atilde;o (PKK), em particular ao seu l&iacute;der, Abdullah Ocalan. Tamb&eacute;m o relacionamento com Ir&atilde;, Iraque e Gr&eacute;cia seriam afetados por essa quest&atilde;o. </font></P>     <P><font size="3"><B> A TURQUIA DE ERDOGAN </B>Se o per&iacute;odo da Guerra Fria e do imediato p&oacute;s-Guerra Fria foi marcado por uma agenda de seguran&ccedil;a, uma conflu&ecirc;ncia de tr&ecirc;s fatores contribuiu para uma altera&ccedil;&atilde;o dessa mesma agenda: a pris&atilde;o de Abdullah Ocalan, o relacionamento com a Uni&atilde;o Europeia (UE), e a vit&oacute;ria eleitoral do partido da Justi&ccedil;a e do Desenvolvimento (AKP). A pris&atilde;o do l&iacute;der do PKK em 1999 e a consequente declara&ccedil;&atilde;o de cessar-fogo por parte desse movimento (que duraria at&eacute; 2004) teve como consequ&ecirc;ncia a secundariza&ccedil;&atilde;o dessa quest&atilde;o na agenda pol&iacute;tica interna e externa, possibilitando uma reaproxima&ccedil;&atilde;o com pa&iacute;ses vizinhos, sem a preocupa&ccedil;&atilde;o com o PKK como ponto de partida. Tamb&eacute;m a candidatura da Turquia &agrave; UE e a sua aceita&ccedil;&atilde;o como candidata &agrave; ades&atilde;o em 2004, levou a Turquia a enveredar por uma s&eacute;rie de reformas internas para, assim, fazer face ao caderno de encargos exigido por Bruxelas. Levou tamb&eacute;m &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es com a Gr&eacute;cia, com quem esteve perto da confronta&ccedil;&atilde;o militar em 1996. Por fim, &eacute; preciso salientar a chegada ao poder do AKP, vencedor das elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2002 com uma maioria relativa, que devido ao complicado sistema eleitoral turco permitiu a esse partido obter a maioria absoluta de deputados no parlamento e, assim, a forma&ccedil;&atilde;o de um governo forte, com capacidade para encetar n&atilde;o s&oacute; as reformas exigidas por Bruxelas, como reformas adicionais que satisfizessem a sua base eleitoral socialmente conservadora, mas economicamente liberal. </font></P>     <P><font size="3">Permitiu igualmente a defini&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia de pol&iacute;tica externa, assente em princ&iacute;pios gerais, que passaram a guiar o posicionamento de Ancara no sistema internacional. Essa estrat&eacute;gia foi desenvolvida, em larga medida, pelo ent&atilde;o assessor pol&iacute;tico do primeiro-ministro, Recep Tayip Erdogan, e pelo atual ministro das Rela&ccedil;&otilde;es Externas, Ahmet Davutoglu. Professor universit&aacute;rio em rela&ccedil;&otilde;es internacionais, Davutoglu escreveu em 2001 a obra que serve atualmente de base &agrave; atua&ccedil;&atilde;o externa da Turquia. Nessa obra, Davutoglu destacava a import&acirc;ncia da estabilidade regional para o desenvolvimento da Turquia, algo que s&oacute; podia ocorrer atrav&eacute;s de uma pol&iacute;tica de "problemas zero" com os seus vizinhos. Para isso contribuiria uma abordagem geoecon&ocirc;mica das rela&ccedil;&otilde;es internacionais, em que as prioridades econ&ocirc;micas estariam no topo da agenda do relacionamento externo turco (3). </font></P>     <P><font size="3">E, na verdade, contrariamente ao que aconteceu durante as d&eacute;cadas precedentes, a pol&iacute;tica externa turca atual &eacute; fortemente marcada por uma agenda econ&ocirc;mica em que a Turquia pretende garantir um bom relacionamento tanto com pa&iacute;ses ricos em recursos, particularmente os energ&eacute;ticos (como a R&uacute;ssia e o Azerbaij&atilde;o), como com pa&iacute;ses que sirvam de mercados para a pujante economia turca. A Turquia tem tido, na &uacute;ltima d&eacute;cada, um crescimento econ&ocirc;mico de 4,62% ao ano (4), tornando-se a 16º maior economia do mundo (o que lhe deu um lugar no G20) e podendo, de acordo com a &shy;Goldman Sachs, estar em 9º lugar em 2050 (5). </font></P>     <P><font size="3">A n&iacute;vel bilateral, o volume das trocas comerciais entre a Turquia e os seus vizinhos &aacute;rabes cresceu 591% (!) entre 1991 e 2008, tendo passado de 1907 milh&otilde;es de USD para 35921 milh&otilde;es de d&oacute;lares (6). Este crescimento assentou num relacionamento bilateral conduzido a dois n&iacute;veis fundamentais: a um n&iacute;vel transnacional, entre empresas &aacute;rabes e turcas; e a um n&iacute;vel diplom&aacute;tico, envolvendo os governos que apoiam e promovem essa aproxima&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica. &Eacute;, pois, um tipo de relacionamento que na pr&aacute;tica n&atilde;o tem pretendido alterar o dos regimes pol&iacute;ticos da regi&atilde;o mas, sim, incentivar a integra&ccedil;&atilde;o desses mesmos pa&iacute;ses no mercado global. Em boa verdade, essa atitude pragm&aacute;tica tem permitido &agrave; Turquia desempenhar o papel de mediador da regi&atilde;o, apresentando-se como um pa&iacute;s que est&aacute; simultaneamente fora e dentro da complexa pol&iacute;tica do Oriente M&eacute;dio, que tem os seus interesses alicer&ccedil;ados na estabilidade da regi&atilde;o e que, como tal, pretende &nbsp;situar-se &agrave; margem das disputas de poder intrarregionais. </font></P>     <P><font size="3"><B> A TURQUIA E A PRIMAVERA &Aacute;RABE </B>Esta pol&iacute;tica de empenho moderado na regi&atilde;o tem, contudo, sido posta em causa, em primeiro lugar pela quest&atilde;o palestina e, em segundo, pela Primavera &Aacute;rabe. Com efeito, as rela&ccedil;&otilde;es entre Israel e a Turquia, que na d&eacute;cada de 1990 eram uma exce&ccedil;&atilde;o positiva no relacionamento passivo de Ancara com os seus vizinhos do Oriente M&eacute;dio, s&atilde;o agora a exce&ccedil;&atilde;o pela negativa de uma abordagem muito mais positiva da Turquia para com a regi&atilde;o. A Turquia tem, nos &uacute;ltimos anos, feito um esfor&ccedil;o diplom&aacute;tico significativo no sentido de melhorar o relacionamento com os seus vizinhos e de assumir um papel de mediador na regi&atilde;o expresso, por exemplo, nas tentativas de aproxima&ccedil;&atilde;o entre Israel e os seus vizinhos &aacute;rabes. No entanto, a&nbsp;incurs&atilde;o militar israelita em Gaza em final de 2008, e o incidente com a flotilha humanit&aacute;ria, que no ver&atilde;o de 2010 tentou romper o bloqueio de Israel &agrave; Gaza e que resultou na morte de oito indiv&iacute;duos de origem turca, deu origem a uma deteriora&ccedil;&atilde;o significativa das rela&ccedil;&otilde;es entre Israel e Turquia. No in&iacute;cio de 2009, por exemplo, quando Ancara e Telavive j&aacute; mostravam claros sinais de desentendimento, o ministro turco, Ahmet Davutoglu, gabava-se do fato de a Turquia ser o &uacute;nico pa&iacute;s capaz de manter um relacionamento positivo com a Fatah, o Hamas, Israel, o Egito e a S&iacute;ria (7).</font></P>     <P><font size="3">A consequ&ecirc;ncia mais vis&iacute;vel do desentendimento entre Israel e a Turquia tem sido a progressiva mudan&ccedil;a de comportamento por parte da Turquia para com a regi&atilde;o. Volunt&aacute;ria ou involuntariamente, Ancara vem sendo arrastada para o epicentro das lutas de poder no Oriente M&eacute;dio, vendo-se, portanto, na obriga&ccedil;&atilde;o de tomar posi&ccedil;&otilde;es, o que, se no caso da Palestina &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o que angaria votos para Erdogan e apoio popular na regi&atilde;o, pode, se transformado em princ&iacute;pio geral de a&ccedil;&atilde;o, acabar por colocar em causa o princ&iacute;pio de "problemas zero" definido por Davutoglu. </font></P>     <P><font size="3">E a verdade &eacute; que, se a rela&ccedil;&atilde;o com Israel poderia de certa forma ser vista como um problema isolado, a onda de instabilidade pol&iacute;tica no mundo &aacute;rabe, a chamada Primavera &Aacute;rabe, tem exigido da Turquia a defini&ccedil;&atilde;o de uma posi&ccedil;&atilde;o geral mais coerente. A Turquia viu-se obrigada a escolher entre o n&atilde;o envolvimento no processo ou a ativa participa&ccedil;&atilde;o no mesmo. Contudo, os resultados t&ecirc;m sido, no m&iacute;nimo, ambivalentes. </font></P>     <P><font size="3">No caso da Tun&iacute;sia, pa&iacute;s com o qual a Turquia tinha um relacionamento limitado, a queda de Ben Ali pouco contribuiu para uma mudan&ccedil;a de pol&iacute;tica. A L&iacute;bia, a S&iacute;ria e o Egito t&ecirc;m, contudo, sido casos mais complicados. Na L&iacute;bia ficou claramente vis&iacute;vel a incompatibilidade entre uma pol&iacute;tica econ&ocirc;mica agressiva e uma diplomacia ativa, mas que n&atilde;o interfere nos assuntos internos dos Estados. Os cerca de 20 mil trabalhadores turcos na L&iacute;bia e os 15 bilh&otilde;es de d&oacute;lares em projetos concedidos pelo regime de Khadafi a empresas turcas, fizeram que Ancara tivesse uma posi&ccedil;&atilde;o inicial bastante conservadora, relativamente aos eventos que estavam acontecendo na L&iacute;bia, que davam conta, por um lado, de uma clara insatisfa&ccedil;&atilde;o por parte da popula&ccedil;&atilde;o do leste do pa&iacute;s com o regime de Khadafi e, por outro, da inten&ccedil;&atilde;o por parte do mesmo de responder com m&atilde;o firme a qualquer tipo de revolta que desafiasse o seu poder. Nesse sentido, os ataques a&eacute;reos iniciais levados a cabo pelos EUA, o Reino Unido e a Fran&ccedil;a depois da aprova&ccedil;&atilde;o de uma resolu&ccedil;&atilde;o (1973) do Conselho de Seguran&ccedil;a das Na&ccedil;&otilde;es Unidas condenat&oacute;ria da situa&ccedil;&atilde;o na L&iacute;bia (resolu&ccedil;&atilde;o essa que abria espa&ccedil;o para medidas mais interventivas no desenrolar dos acontecimentos no pa&iacute;s) foram recebidos com fortes cr&iacute;ticas por parte da Turquia (particularmente direcionadas &agrave; Fran&ccedil;a), que simultaneamente procurava, sem sucesso, mediar um cessar-fogo entre as partes. O progressivo sucesso das for&ccedil;as rebeldes, juntamente com o claro consenso que foi se formando em torno da posi&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses ocidentais, levaram Ancara a mudar de posi&ccedil;&atilde;o, acabando por apoiar a causa rebelde. A visita de Davutoglu a Bengazhi foi um sinal claro da invers&atilde;o de pol&iacute;tica por parte de Ancara, assim como os 200 milh&otilde;es de d&oacute;lares doados por Ancara ao Conselho de Transi&ccedil;&atilde;o Nacional l&iacute;bio (8). Foi tamb&eacute;m demonstrativa da ocasional falta de sensibilidade diplom&aacute;tica com que a Turquia muitas vezes se movimenta no contexto dos seus vizinhos do sul. Essa mesma falta de sensibilidade foi, contudo, menos vis&iacute;vel relativamente ao Egito, tendo Erdogan sido um dos primeiros l&iacute;deres pol&iacute;ticos da regi&atilde;o a apelar &agrave; sa&iacute;da de Mubarak do poder. O fato de as rela&ccedil;&otilde;es com o antigo presidente eg&iacute;pcio n&atilde;o serem particularmente positivas e de os eventos terem ocorrido de forma c&eacute;lere certamente ajudou &agrave; tomada dessa posi&ccedil;&atilde;o mais interventiva por parte do primeiro ministro turco (9). </font></P>     <P>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a17img01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Finalmente, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; S&iacute;ria, a Turquia tem sido obrigada pelos eventos a tomar uma posi&ccedil;&atilde;o que, de certa forma, desmorona o trabalho diplom&aacute;tico de aproxima&ccedil;&atilde;o ao regime de Bashar Al-Assad que tinha sido desenvolvido na &uacute;ltima d&eacute;cada. A Turquia tentou inicialmente beneficiar dessa posi&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima do regime de Damasco para sensibilizar o presidente s&iacute;rio no sentido de levar a cabo reformas estruturais que fossem ao encontro das exig&ecirc;ncias do crescente n&uacute;mero de manifestantes e que, de certa forma, pusessem fim &agrave; viol&ecirc;ncia que tem assolado o pa&iacute;s. A aus&ecirc;ncia de uma resposta convincente por parte do regime s&iacute;rio mostrou os limites da capacidade de influ&ecirc;ncia da Turquia na regi&atilde;o. Desde ent&atilde;o, Ancara adotou uma ret&oacute;rica mais agressiva, tendo a oposi&ccedil;&atilde;o s&iacute;ria encontrado na Turquia uma importante base de apoio para levar a cabo as suas a&ccedil;&otilde;es.</font></P>     <P><font size="3">Na realidade, a Primavera &Aacute;rabe tem ajudado a revelar todas as contradi&ccedil;&otilde;es que a diplomacia turca enfrenta. Por um lado mostra aos seus aliados da Otan que pode ter uma pol&iacute;tica externa independente da Alian&ccedil;a mas, por outro, n&atilde;o deixa de ser vista pelos seus vizinhos do &nbsp;Oriente M&eacute;dio como parte integrante dessa mesma alian&ccedil;a. Tenta tamb&eacute;m ser um moderador das disputas de poder na regi&atilde;o, sem que contudo consiga deixar de tomar partido e uma ret&oacute;rica por vezes agressiva contra alguns dos intervenientes, como Israel, ou mais recentemente o regime de Bashar Al-Assad. Por fim, tenta, simultaneamente, promover uma pol&iacute;tica de estabilidade &#150; o que implica no apoio &agrave; ordem providenciada pelo <I>status quo </I>&#150; e ajudar os movimentos rebeldes que, como no caso da L&iacute;bia, estar&atilde;o na base do novo poder pol&iacute;tico do pa&iacute;s e, como tal, ser&atilde;o os principais interlocutores das futuras rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas desse pa&iacute;s com a Turquia. No fundo, a estrat&eacute;gia de querer ter boas rela&ccedil;&otilde;es com todos os intervenientes simultaneamente, assumindo um papel de l&iacute;der regional sem querer interferir nos assuntos internos desses Estados, tem-se mostrado um equil&iacute;brio muito dif&iacute;cil de gerir para um pa&iacute;s que, at&eacute; h&aacute; pouco tempo, preferia ficar o mais afastado poss&iacute;vel da complexidade da pol&iacute;tica do Oriente M&eacute;dio. &nbsp;</font></P>     <P><font size="3">&Eacute;, contudo, necess&aacute;rio esclarecer que para al&eacute;m deste papel de ator ativo no desenrolar da pol&iacute;tica regional, a Turquia tem igualmente assumido nos &uacute;ltimos meses um papel de ator normativo que lidera atrav&eacute;s do exemplo. O "modelo turco" tem frequentemente sido discutido como a grande sa&iacute;da dos pa&iacute;ses do Oriente M&eacute;dio para uma estabiliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da Primavera &Aacute;rabe (10). Isso tem, apesar dos ocasionais passos em falso da sua diplomacia, contribu&iacute;do para o crescente prest&iacute;gio de Ancara (e principalmente do seu primeiro ministro) na regi&atilde;o. A quest&atilde;o da Turquia enquanto ator normativo levanta, contudo, tr&ecirc;s grandes problemas. Desde logo porque n&atilde;o &eacute; clara a resposta &agrave; quest&atilde;o: a que corresponde exatamente este "modelo turco"? Em termos gerais, &eacute; poss&iacute;vel identificar dois modelos alternativos, dependendo do tempo hist&oacute;rico em quest&atilde;o. Um primeiro modelo de democracia condicionada, em que o poder passa de um sistema autocr&aacute;tico "iluminado" para um sistema democr&aacute;tico supervisionado por um aparelho militar ativo na garantia da estabilidade do pa&iacute;s, que poder&aacute; eventualmente, numa fase de "matura&ccedil;&atilde;o" dar origem a uma democracia em que o poder civil se sobrep&otilde;e finalmente aos ditames do poder militar. Numa perspectiva de longo prazo, foi essa a evolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da Rep&uacute;blica turca. </font></P>     <P><font size="3">Um olhar mais contempor&acirc;neo centraria, contudo, as suas aten&ccedil;&otilde;es na abertura pol&iacute;tica da Turquia para uma maior compatibiliza&ccedil;&atilde;o do Isl&atilde; com a democracia. A curta e n&atilde;o muito bem-sucedida experi&ecirc;ncia do governo de Necmettin Erbakan estabeleceu as bases para uma ascens&atilde;o pol&iacute;tica do AKP, que se apresentava mais moderado no seu discurso religioso, com uma base de apoio mais vasta, e com uma agenda pol&iacute;tico-econ&ocirc;mica mais bem organizada, progressista e atrativa para v&aacute;rios tipos de eleitorado. A mais-valia desse modelo do AKP reside, assim, na ideia de que essa agenda pode ser reproduzida pelos partidos isl&acirc;micos nos pa&iacute;ses do norte da &Aacute;frica e do Oriente M&eacute;dio.</font></P>     <P><font size="3">O problema &eacute; que quando os militares, por exemplo, no Egito falam do modelo turco n&atilde;o est&atilde;o, necessariamente, se referindo &agrave; experi&ecirc;ncia do AKP, mas sim a todo um processo de longo prazo no qual eles t&ecirc;m um papel central a desempenhar. Em sentido contr&aacute;rio, quando a Irmandade Mu&ccedil;ulmana e outros partidos de car&aacute;ter religioso na regi&atilde;o falam da experi&ecirc;ncia turca, referem-se sobretudo ao sucesso do AKP e &agrave; forma como a Turquia foi capaz de compatibilizar democracia, Isl&atilde; e o desenvolvimento econ&ocirc;mico do pa&iacute;s. </font></P>     <P><font size="3">Em segundo lugar, n&atilde;o &eacute; claro que o modelo turco, quer o de longo, quer o de curto prazo, possa ser aplicado ao restante dos pa&iacute;ses do Oriente M&eacute;dio. Nem o contexto hist&oacute;rico do modelo de democracia controlada tem correspond&ecirc;ncia no presente, nem as condi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do modelo de compatibiliza&ccedil;&atilde;o entre Isl&atilde; e democracia, que a ascens&atilde;o pol&iacute;tica do AKP suscita entre os partidos isl&acirc;micos, s&atilde;o equivalentes na regi&atilde;o. Como &eacute; f&aacute;cil de observar, por exemplo, no Egito, o desenvolvimento de um projeto pol&iacute;tico assente no controle militar est&aacute; muito longe dos anseios de parte significativa da popula&ccedil;&atilde;o. A legitimidade das for&ccedil;as armadas turcas deriva de condi&ccedil;&otilde;es muito espec&iacute;ficas, que passam n&atilde;o s&oacute; pelo papel de prest&iacute;gio que os militares tinham j&aacute; no tempo do Imp&eacute;rio Otomano, como pelo papel ativo que desempenharam na liberta&ccedil;&atilde;o da Turquia do jugo das grandes pot&ecirc;ncias. Isso ajudou a criar uma imagem dos militares como os guardi&otilde;es da Rep&uacute;blica, que estavam por isso acima de qualquer poder pol&iacute;tico. Essa foi uma imagem constru&iacute;da n&atilde;o s&oacute; a partir de um per&iacute;odo de grande trauma para uma popula&ccedil;&atilde;o que viu o seu pa&iacute;s passar de imp&eacute;rio a protetorado em poucos meses, como num contexto em que o autoritarismo era muito mais tolerado no sistema internacional, tanto interna como externamente. &Eacute;, portanto, dif&iacute;cil replicar o modelo da democracia controlada no mundo das redes sociais e informa&ccedil;&atilde;o instant&acirc;nea num contexto de esp&iacute;rito revolucion&aacute;rio que nem sequer foi liderado pelos militares. </font></P>     <P><font size="3">Dif&iacute;cil tamb&eacute;m &eacute; reproduzir o modelo do sucesso do AKP em pa&iacute;ses onde a sociedade civil tem sido oprimida e controlada h&aacute; d&eacute;cadas, em que n&atilde;o h&aacute; uma cultura democr&aacute;tica institu&iacute;da e em que institui&ccedil;&otilde;es condicionadoras do comportamento dos l&iacute;deres pol&iacute;ticos, como a Uni&atilde;o Europeia, est&atilde;o totalmente ausentes. Em suma, o dilema do modelo turco &eacute; o de que a realidade pol&iacute;tica atual s&oacute; foi poss&iacute;vel mediante um processo de matura&ccedil;&atilde;o de longo prazo, tamb&eacute;m ele dif&iacute;cil de ser reproduzido no contexto atual. </font></P>     <P><font size="3">Finalmente, &eacute; preciso salientar que esse &eacute; um processo que, para al&eacute;m de todas as dificuldades de execu&ccedil;&atilde;o, permanece longe de ser conclu&iacute;do. O aparelho judicial na Turquia continua a intervir ativamente na pol&iacute;tica e as liberdades de express&atilde;o e de imprensa t&ecirc;m, na verdade, sido postas em causa nos &uacute;ltimos anos, com a pris&atilde;o de um n&uacute;mero significativo de opositores ao governo do AKP &#150; alegadamente envolvidos em conspira&ccedil;&otilde;es para derrubar o governo &#150; bem como de supostos simpatizantes do PKK, incluindo jornalistas e acad&ecirc;micos. Na verdade, se para uns o AKP trouxe a prosperidade para a Turquia, para outros o pre&ccedil;o a pagar poder&aacute; ser o de uma democracia novamente limitada, agora n&atilde;o pelos militares, mas pelo partido do poder. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><B> CONCLUS&Atilde;O </B>Em suma, &eacute; ineg&aacute;vel que a Turquia se tornou um ator importante na pol&iacute;tica do Oriente M&eacute;dio. &Eacute;, contudo, tamb&eacute;m vis&iacute;vel que esse ascendente n&atilde;o tem sido feito de forma necessariamente coerente, algo que a Primavera &Aacute;rabe veio, de certa forma, acentuar. </font></P>     <P><font size="3">Mais do que um l&iacute;der regional, Ancara pretende tornar-se um ator central das rela&ccedil;&otilde;es internacionais do s&eacute;culo XXI, aproveitando, para isso, o seu posicionamento geogr&aacute;fico, recursos e potencial demogr&aacute;fico. A sua rela&ccedil;&atilde;o com o Oriente M&eacute;dio n&atilde;o deve por isso ser vista como um fim em si mesmo, mas sim como um passo para uma agenda pol&iacute;tica mais ambiciosa. Essa dimens&atilde;o &eacute;, no entanto, um passo fundamental, n&atilde;o s&oacute; pela import&acirc;ncia geoestrat&eacute;gica do mundo &aacute;rabe, como pelo potencial papel desestabilizador que este pode gerar na ascens&atilde;o da Turquia. Evitar essa poss&iacute;vel desestabiliza&ccedil;&atilde;o, quer pela lideran&ccedil;a regional, quer pelo afastamento relativamente aos seus problemas, &eacute; portanto o dilema que a Turquia atualmente enfrenta e n&atilde;o parece, para j&aacute;, capaz de resolver.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><I><B>Andr&eacute; Barrinha</B> &eacute; pesquisador no Centro de Estudos Sociais e professor auxiliar convidado na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. &Eacute; doutor em rela&ccedil;&otilde;es internacionais pela Universidade de Kent no Reino Unido. Foi entre 2004 e 2006 pesquisador no Instituto de Estudos Estrat&eacute;gicos e Internacionais.</I></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><B> NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</B></font></P>     <P><font size="3">1.  O Oriente M&eacute;dio &eacute; aqui entendido num sentido lato, incluindo o Norte de &Aacute;frica e Ir&atilde;. </font></P>     <P><font size="3">2.  Para al&eacute;m do Iraque e Turquia, faziam parte desta alian&ccedil;a militar o Ir&atilde;, o Paquist&atilde;o e o Reino Unido. </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">3.  Barysch, Katinka (2010),"Can Turkey combine EU accession and regional leadership?" In: <I>Policy Brief</I>, Center for European Reform, p.4.    <!-- ref --> Ver tamb&eacute;m Grigoriadis, Ioannis. "The Davutoglu doctrine and Turkish foreign policy", Working paper Nº 8, Middle Eastern Studies Programme, 2009.    <!-- ref --> Eliamep e Davuto&#287;lu, Ahmet. "Turkish Foreign Policy and the EU in 2010", <I>Turkish Policy Quarterly</I>, Vol.8, no.3, pp.11-17. 2009.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">4.  Hakura, Fadi. "Turkey and the Middle East. Internal confidence, external assertiveness". <I>Briefing Paper</I>, Chatham House, p.2. 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">5.  Marthoz, Jean-Paul. "Turkey turns the tide", <I>The Broker</I>, No. 24, p.11. 2010.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">6.  Kirisci, Kemal. "Turkey's 'Demonstrative Effect' and the transformation of the Middle East". <I>Insight Turkey</I>, Vol. 13, no.2, p.38. 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">7. <I>Hurriyet Daily News</I> (2009), "Turkey ready for monitoring mission on Gaza-government official", 15/01/09.    </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P><font size="3">8.  Hakura, Fadi. "Turkey and the Middle East. Internal confidence, external assertiveness". <I>Briefing Paper</I>, Chatham House, p.4. 2011.    </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">9.  Kardas, Saban. "Turkey and the Arab Spring: coming to terms with democracy promotion?". <I>Policy Brief</I>, The German Marshall Fund of the United States, October 2011.     </font></P>     <!-- ref --><P><font size="3">10.  A esse prop&oacute;sito, ver Kirisci, Kemal. "Turkey's 'Demonstrative Effect' and the transformation of the Middle East". <I>Insight Turkey</I>, Vol. 13, no.2, pp.33-55. 2011.    </font></P>      ]]></body><back>
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