<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252012000400020</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252012000400020</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Produções contam histórias de revolução, amor e diversidade cultural]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bueno]]></surname>
<given-names><![CDATA[Chris]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2012</year>
</pub-date>
<volume>64</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>52</fpage>
<lpage>53</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252012000400020&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252012000400020&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252012000400020&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a20img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">C<small>INEMA &Aacute;RABE</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v64n4/linha_preta.jpg"></P>     <p><font size="4"><B>Produ&ccedil;&otilde;es contam hist&oacute;rias de revolu&ccedil;&atilde;o, amor e diversidade cultural</B></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Conflitos pol&iacute;ticos, revolu&ccedil;&atilde;o, pobreza – mas tamb&eacute;m amor, fam&iacute;lia e at&eacute; futebol. Esses temas perpassam o cinema &aacute;rabe que, apesar de sua longa hist&oacute;ria, ainda &eacute; pouco conhecido por um p&uacute;blico mais amplo no Brasil. A exibi&ccedil;&atilde;o de filmes &aacute;rabes ainda est&aacute; restrita a mostras e festivais de cinema, ao setor de filmes de arte nas locadoras de v&iacute;deo, e raramente entram no circuito comercial. "O cinema &aacute;rabe tem longa tradi&ccedil;&atilde;o e excelentes produ&ccedil;&otilde;es, mas &eacute; pouco visto no pa&iacute;s, a n&atilde;o ser por distribui&ccedil;&otilde;es espor&aacute;dicas ou eventos", afirma Soraya Smaili, diretora cultural do Instituto da Cultura &Aacute;rabe (ICArabe) e idealizadora da Mostra Mundo &Aacute;rabe de Cinema (MMAC). A boa not&iacute;cia: tais mostras est&atilde;o aumentando, trazendo mais produ&ccedil;&otilde;es e chamando a aten&ccedil;&atilde;o de um p&uacute;blico cada vez maior. </font></P>     <p><font size="3">A pr&oacute;pria MMAC &eacute; um exemplo disso. Realizada h&aacute; sete anos na capital paulista, come&ccedil;ou exibindo apenas seis filmes. Em sua &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o, exibiu 32 produ&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, este ano o evento trouxe ao pa&iacute;s a mostra "Mapeando a subjetividade", apresentada no Museu de Arte Moderna de Nova York (EUA), que exibiu filmes cl&aacute;ssicos e raros do Oriente M&eacute;dio. O Brasil &eacute; o primeiro pa&iacute;s da Am&eacute;rica Latina a receber a mostra. A MMAC tamb&eacute;m se expandiu para outras cidades, tendo sido realizada em Bras&iacute;lia (DF) e Belo Horizonte (MG) em 2011, e no Rio de Janeiro (RJ) em 2012. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a20img02.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Em S&atilde;o Paulo tamb&eacute;m acontece outra mostra de cinema &aacute;rabe, o Festival Cinema do Oriente M&eacute;dio – realizado desde 2007 com o nome Mostra de Cinema Imagens do Oriente (IMO) –, que exibe o que h&aacute; de mais recente na produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica da regi&atilde;o. E, no come&ccedil;o deste ano, Bras&iacute;lia fez a primeira edi&ccedil;&atilde;o de sua mostra de cinema &aacute;rabe, a Imagens do Oriente M&eacute;dio, que fez parte do 1º Festival Internacional de Artes de Bras&iacute;lia.</font></P>     <p><font size="3">O p&uacute;blico que participa dessas mostras tamb&eacute;m aumentou. E, de acordo com as curadoras dos eventos, recebem muito bem as produ&ccedil;&otilde;es &aacute;rabes. "Existe um estranhamento que dificulta a compreens&atilde;o, porque o cinema &aacute;rabe tem uma linguagem pr&oacute;pria a qual o p&uacute;blico muitas vezes n&atilde;o est&aacute; acostumado. Ent&atilde;o, o espectador tem uma surpresa com essa diferen&ccedil;a, mas &eacute; uma surpresa agrad&aacute;vel, que traz um desafio – o desafio de compreender o diferente. E isso faz parte do processo de aproxima&ccedil;&atilde;o entre o p&uacute;blico e o cinema (e, de modo mais amplo, a cultura) &aacute;rabe", aponta Arlene Clemesha, professora de hist&oacute;ria &aacute;rabe, diretora do Centro de Estudos &Aacute;rabes da USP, e curadora da mostra Imagens do Oriente de Bras&iacute;lia. </font></P>     <p><font size="3"><B>A PRIMAVERA E O CINEMA </B>Esse crescimento, por&eacute;m, n&atilde;o deve ser interpretado como um <I>boom</I> do cinema &aacute;rabe. Arlene ressalta que n&atilde;o h&aacute; um aumento anormal dessas produ&ccedil;&otilde;es cinematogr&aacute;ficas, mas sim um crescente interesse de p&uacute;blico em buscar filmes que retratem a realidade e a diversidade da regi&atilde;o. A Primavera &Aacute;rabe – s&eacute;rie de movimentos populares que luta por mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas e justi&ccedil;a social – &eacute; uma das motiva&ccedil;&otilde;es para tornar tais exibi&ccedil;&otilde;es mais atrativas. O movimento iniciou-se em 2010, na Tun&iacute;sia, e atingiu seu &aacute;pice em 2011, com a derrubada do ditador eg&iacute;pcio Hosni Mubarak. "Vivemos um momento de transforma&ccedil;&otilde;es em toda parte e, fortemente, nos pa&iacute;ses &aacute;rabes, e h&aacute; enorme interesse da sociedade brasileira em conhecer essa cultura e a recente produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica desses pa&iacute;ses", explica Soraya. Mas o interesse do p&uacute;blico pelo cinema da regi&atilde;o surgiu antes da Primavera &Aacute;rabe, p&oacute;s 11 de setembro, com os atentados nos Estados Unidos, que levaram a uma maior exposi&ccedil;&atilde;o na m&iacute;dia sobre o Oriente, estimulando a curiosidade pela cultura &aacute;rabe", explica a curadora. </font></P>     <p><font size="3">Essas revolu&ccedil;&otilde;es e conflitos marcam n&atilde;o s&oacute; a hist&oacute;ria do Oriente M&eacute;dio mas, tamb&eacute;m, sua produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica. &Eacute; o caso de <I>Nascido em 25 de janeiro</I> (Egito-2011), de Ahmad Rashwan. O document&aacute;rio retrata o in&iacute;cio da revolta popular no Egito que derrubou o ditador Mubarak. "Com esse filme &eacute; poss&iacute;vel entender porque os jovens eg&iacute;pcios lotaram a Pra&ccedil;a Tahrir  (pra&ccedil;a central da capital do Egito), entre outras coisas", diz Soraya.</font></P>     <p><font size="3">Muito antes dessa onda, o filme <I>Cr&ocirc;nica dos anos de ira</I> (Arg&eacute;lia-1975), dirigido por Mohammed Lakhdar-Hamina, j&aacute; mostrava os eventos que levaram &agrave; guerra de independ&ecirc;ncia da Arg&eacute;lia, e se tornou a primeira produ&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe premiada com a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes. Essa realidade de guerras e revolu&ccedil;&otilde;es &eacute; muito forte no cinema &aacute;rabe, mas as produ&ccedil;&otilde;es s&atilde;o tamb&eacute;m muito ricas ao retratar outras faces dessa cultura, n&atilde;o t&atilde;o expostas ao olhar usual da  m&iacute;dia, explica  a curadora.</font></P>     <p><font size="3"><B>REVOLU&Ccedil;&Atilde;O E FUTEBOL </B>&Eacute; o caso de filmes cujo foco est&aacute; na vida cotidiana, em hist&oacute;rias amorosas e nos gostos populares, como o futebol, por exemplo. O document&aacute;rio <I>Sobre futebol e barreiras</I> (Brasil-2011), dirigido por quatro brasileiros liderados por Arturo Hartman, que desde 2005 trabalha como rep&oacute;rter retratando assuntos ligados ao Oriente M&eacute;dio, usa a Copa do Mundo de 2010 como pano de fundo para discutir quest&otilde;es-chave da hist&oacute;ria e da sociedade local.</font></P>     <p><font size="3"><B>A QUEST&Atilde;O FEMININA </B>Situa&ccedil;&otilde;es cotidianas, at&eacute; mesmo banais, e espa&ccedil;os bem particulares servem de cen&aacute;rio para discuss&otilde;es profundas sobre pol&iacute;tica, sociedade e religi&atilde;o. <I>Estrelas em plena luz do dia</I> (S&iacute;ria-1988) e <I>Caramelo </I>(Fran&ccedil;a/L&iacute;bano-2007) seguem esse modelo, contando hist&oacute;rias envolventes e universalmente reconhecidas. O primeiro, um cl&aacute;ssico do cinema &aacute;rabe, retrata como um casamento duplo se torna um verdadeiro drama quando uma das noivas foge e a outra se recusa a casar. Atrav&eacute;s da rela&ccedil;&atilde;o dos personagens, desvela-se a fragilidade das rela&ccedil;&otilde;es familiares, mostrando a viol&ecirc;ncia do poder arbitr&aacute;rio em uma sociedade patriarcal e fazendo uma forte cr&iacute;tica pol&iacute;tica. <I>Caramelo,</I> com&eacute;dia que teve grande repercuss&atilde;o no Ocidente, mostra o cotidiano de cinco mulheres que se encontram frequentemente em um sal&atilde;o de beleza para discutir assuntos &iacute;ntimos, mas acaba por fazer um retrato sutil do papel da mulher na sociedade &aacute;rabe e coloca em debate quest&otilde;es sociais e culturais.</font></P>     <p><font size="3">Ao contr&aacute;rio do que se imagina, as mulheres ocupam lugar importante como atrizes, diretoras e produtoras. "As mulheres t&ecirc;m aumentado muito sua participa&ccedil;&atilde;o no cinema. E as produ&ccedil;&otilde;es v&atilde;o retratar esse perfil, que &eacute; ativo, e n&atilde;o passivo, tanto na sociedade quanto no cinema", afirma Arlene. Diretoras como Jocelyn Saab, Rania Attieh, Joana Hadjithomas, Rania Stephan, Maha Maamoun, Maysoon Pachachi, Nadia El Fani e Nadine Labaki s&atilde;o bons exemplos da presen&ccedil;a feminina nas produ&ccedil;&otilde;es &aacute;rabes, que alcan&ccedil;aram reconhecimento internacional.</font></P>     <p><font size="3">A discuss&atilde;o do papel da mulher &aacute;rabe no cinema e na sociedade tem lugar de destaque nas produ&ccedil;&otilde;es. <I>Amor abortado</I> (Fran&ccedil;a-1983) retrata a mudan&ccedil;a do status social e econ&ocirc;mico da mulher no Egito atrav&eacute;s do relato de mulheres de diferentes classes e profiss&otilde;es. O document&aacute;rio foi realizado para a Confer&ecirc;ncia de Igualdade de G&ecirc;nero, de 1985, realizado em Pequim. <I>C&acirc;meras abertas</I> (S&iacute;ria/Reino Unido-2009), da diretora Mausoon Pachachi, &eacute; outro document&aacute;rio que aborda essa quest&atilde;o, mostrando o olhar feminino por meio das lentes fotogr&aacute;ficas de cinco mulheres iraquianas. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Mas talvez o filme mais emblem&aacute;tico da quest&atilde;o feminina seja <I>Dunia</I> (L&iacute;bano/Egito/Fran&ccedil;a-2006). No filme, a protagonista sonha em ser bailarina e poeta, mas sua express&atilde;o &eacute; inibida por sua cren&ccedil;a de que uma mulher n&atilde;o pode mover o corpo sensualmente. "Ao contr&aacute;rio do que se imagina sobre a mulher &aacute;rabe, Dunia &eacute; o emblema da import&acirc;ncia da descoberta emancipadora, do universo feminino, da beleza pura e ao mesmo tempo digna", afirma Smaili. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><I>Chris Bueno</I></font></P>      ]]></body>

</article>
