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</front><body><![CDATA[ <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/ensaios.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>Reflex&otilde;es sobre as tend&ecirc;ncias da redistribui&ccedil;&atilde;o espacial da popula&ccedil;&atilde;o no Brasil, &agrave; luz dos &uacute;ltimos resultados do Censo Demogr&aacute;fico 2010</b></font></P>     <p><font size="3"><I>Jos&eacute; Irineu Rangel Rigotti</I></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Como h&aacute; evid&ecirc;ncias de que as migra&ccedil;&otilde;es no Brasil sofreram altera&ccedil;&atilde;o de suas tend&ecirc;ncias hist&oacute;ricas, especialmente a partir de meados dos anos 1980, as informa&ccedil;&otilde;es censit&aacute;rias sobre as migra&ccedil;&otilde;es permitem a identifica&ccedil;&atilde;o e coment&aacute;rios de alguns cen&aacute;rios poss&iacute;veis, da redistribui&ccedil;&atilde;o espacial da popula&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Levando em conta as 27 unidades federativas do Brasil, os dados revelam que o volume de migrantes de data fixa (1) aumentou de 4,2 milh&otilde;es no per&iacute;odo 1986/1991 para 5,2 milh&otilde;es em 1995/2000; por&eacute;m diminuiu para 5,0 milh&otilde;es entre 2005/2010. Isso mostra diminui&ccedil;&atilde;o relativa do contingente de migrantes interestaduais, uma vez que houve aumento da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, especialmente naquelas idades de maior propens&atilde;o a migrar – adultos jovens. No entanto, tal observa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve esconder o fato de que o n&uacute;mero de migrantes intraestaduais aumentou de 8,9 milh&otilde;es, no per&iacute;odo 1986-1991 para 9,5 milh&otilde;es, no quinqu&ecirc;nio 2005-2010.</font></P>     <p><font size="3">Tal diminui&ccedil;&atilde;o das migra&ccedil;&otilde;es interestaduais refletiu-se nos saldos migrat&oacute;rios. Em quatro das cinco regi&otilde;es, ocorreu diminui&ccedil;&atilde;o dos volumes dos saldos, quer seja onde houve ganhos de popula&ccedil;&atilde;o, quer seja onde houve perdas l&iacute;quidas, mostrando que, nestes n&iacute;veis de agrega&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica, h&aacute; redu&ccedil;&atilde;o do papel da componente migrat&oacute;ria para o crescimento demogr&aacute;fico. Entre aquelas unidades que tradicionalmente apresentaram migra&ccedil;&atilde;o l&iacute;quida positiva enquadram-se as regi&otilde;es Norte, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto o Nordeste continuou perdendo popula&ccedil;&atilde;o, especialmente para o Sudeste. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a21tab01.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Entretanto, houve uma exce&ccedil;&atilde;o a este comportamento geral, uma vez que a regi&atilde;o Sul passou, de perdedora l&iacute;quida de popula&ccedil;&atilde;o para um ganho substancial, ainda mais se levando em conta seu saldo negativo de 185 mil pessoas, entre 1986 e 1991. Este ganho deve-se, exclusivamente, aos constantes saldos migrat&oacute;rios positivos de Santa Catarina, que atingiram a marca de 174 mil pessoas, no per&iacute;odo 2005 a 2010 – um dos maiores do segundo quinqu&ecirc;nio do s&eacute;culo XXI. Isso ajuda a explicar as constantes e cada vez mais significativas perdas do Rio Grande do Sul, uma vez que ocorreu expressivo aumento dos fluxos deste estado para Santa Catarina.</font></P>     <p><font size="3">Tal comportamento, de aumentos gradativos e sustentados nos ganhos l&iacute;quidos de popula&ccedil;&atilde;o, s&oacute; foi repetido em Goi&aacute;s, que apresentou a maior TLM Taxa L&iacute;quida de Migra&ccedil;&atilde;o (2) – de 3,56% – do pa&iacute;s e o segundo maior saldo, no per&iacute;odo 2005/2010, sendo atualmente uma das mais importantes &aacute;reas de atra&ccedil;&atilde;o do Brasil.</font></P>     <p><font size="3">Colocados em perspectiva, cabe indagar se mesmo as unidades da federa&ccedil;&atilde;o com ganhos migrat&oacute;rios constantes prosseguir&atilde;o com esses n&iacute;veis, no futuro. A experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica tem demonstrado que mesmo as unidades espaciais com destacado ganho l&iacute;quido de popula&ccedil;&atilde;o tendem, no decorrer do tempo, a experimentar redu&ccedil;&atilde;o em seus saldos.</font></P>     <p><font size="3">Tomando como base as tend&ecirc;ncias hist&oacute;ricas, &eacute; poss&iacute;vel que nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas as &aacute;reas que exerceram atra&ccedil;&atilde;o sobre grandes volumes de migrantes no passado continuem a perder participa&ccedil;&atilde;o relativa de seus contingentes populacionais no total do pa&iacute;s. H&aacute; uma tend&ecirc;ncia de diminui&ccedil;&atilde;o dos saldos l&iacute;quidos positivos e, consequentemente, das TLM, em unidades como S&atilde;o Paulo, Tocantins, Mato Grosso e Distrito Federal. Isso significa que estas unidades da federa&ccedil;&atilde;o, apesar de atra&iacute;rem popula&ccedil;&atilde;o, experimentam relativo enfraquecimento no poder de atra&ccedil;&atilde;o e absor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o migrante, em que pese o expressivo saldo migrat&oacute;rio do caso paulista, com ganhos de mais de 300 mil pessoas, entre 2005 e 2010, mas bem menores do que aqueles tr&ecirc;s milh&otilde;es dos anos 1970, e mesmo comparado &agrave;s quase 750 mil pessoas, entre 1986 e 1991. Considerando a tend&ecirc;ncia hist&oacute;rica, esse estado deve continuar com queda em suas TLM, mas de forma bem gradativa, dado seu peso populacional e seu hist&oacute;rico poder de atra&ccedil;&atilde;o, uma situa&ccedil;&atilde;o que dificilmente mudar&aacute; abruptamente. </font></P>     <p><font size="3">Mato Grosso, Mato do Grosso do Sul e Tocantins, &aacute;reas com participa&ccedil;&atilde;o expressiva das atividades agropecu&aacute;rias, parecem ter estabilizado seus ganhos populacionais. No caso do Distrito Federal, certamente sua din&acirc;mica migrat&oacute;ria relaciona-se fortemente com aquela do estado de Goi&aacute;s, que tem sido uma &aacute;rea de atra&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m para aqueles que deixam a capital federal. Este &eacute; um fen&ocirc;meno nos moldes das grandes regi&otilde;es metropolitanas brasileiras, cujas sedes perdem popula&ccedil;&atilde;o para o entorno mais imediato. </font></P>     <p><font size="3">Muitos outros estados apresentam hist&oacute;rico de ganhos l&iacute;quidos de popula&ccedil;&atilde;o desde meados dos anos 1980, por&eacute;m, dificilmente se reverter&atilde;o em grandes &aacute;reas de atra&ccedil;&atilde;o populacional nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. Tanto em termos absolutos quanto relativos, Rond&ocirc;nia, Amazonas, Roraima, Amap&aacute; e Tocantins, na Regi&atilde;o Norte, sofreram redu&ccedil;&atilde;o dos saldos e da participa&ccedil;&atilde;o destes na popula&ccedil;&atilde;o. O caso de Rond&ocirc;nia &eacute; particular. Pode-se especular que este estado provavelmente sentir&aacute; os impactos das obras das usinas hidrel&eacute;tricas de Jirau e Santo Ant&ocirc;nio, o que dever&aacute; favorecer os saldos migrat&oacute;rios positivos, mesmo por algum tempo ap&oacute;s o t&eacute;rmino das obras.</font></P>     <p><font size="3">Parece que obras de infraestrutura e a explora&ccedil;&atilde;o de recursos naturais est&atilde;o incrementando os ganhos populacionais ou at&eacute; mesmo revertendo antigas perdas em algumas &aacute;reas, uma vez que estados como Rio de Janeiro, Esp&iacute;rito Santo e Sergipe, onde as ind&uacute;strias petrol&iacute;feras e de g&aacute;s natural possuem expressiva participa&ccedil;&atilde;o nas economias locais, experimentaram saldos migrat&oacute;rios positivos, no quinqu&ecirc;nio 2005-2010. Mesmo assim, com exce&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, as TLM s&atilde;o pr&oacute;ximas de zero.</font></P>     <p><font size="3">No outro extremo, as tradicionais &aacute;reas de evas&atilde;o, principalmente o Nordeste, tamb&eacute;m devem continuar a experimentar diminui&ccedil;&atilde;o gradativa do ritmo de perdas l&iacute;quidas. De fato, houve uma tend&ecirc;ncia de diminui&ccedil;&atilde;o dos saldos migrat&oacute;rios negativos, como na Para&iacute;ba, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e Paran&aacute;. Contudo, alguns dos estados mais pobres do Nordeste tendem a continuar com expressivas perdas populacionais, como Alagoas, Maranh&atilde;o e Piau&iacute;. Estes situam-se entre aqueles com as mais expressivas perdas populacionais do pa&iacute;s. </font></P>     <p><font size="3">Em face do quadro delineado anteriormente, tudo apontaria para uma tend&ecirc;ncia geral de redu&ccedil;&atilde;o da mobilidade populacional no pa&iacute;s, ao menos no n&iacute;vel de unidades da federa&ccedil;&atilde;o. Mas tal conclus&atilde;o parece precipitada, &agrave; luz de alguns outros resultados do pr&oacute;prio Censo Demogr&aacute;fico 2010.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><B>A INTENSIFICA&Ccedil;&Atilde;O DOS MOVIMENTOS DE CURTO PRAZO </B>A seguir, analisamos um fen&ocirc;meno relativamente pouco conhecido no Brasil: os movimentos de retorno que ocorrem dentro de um curto prazo de tempo – neste caso, os quinqu&ecirc;nios captados pelos recenseamentos, independentemente dos migrantes serem ou n&atilde;o naturais das unidades da federa&ccedil;&atilde;o. A forma de tratamento das informa&ccedil;&otilde;es censit&aacute;rias que permitem esse tipo de an&aacute;lise s&atilde;o explicadas em detalhes em alguns textos, e n&atilde;o ser&atilde;o detalhadas neste artigo (3). </font></P>     <p><font size="3">A relev&acirc;ncia desse tipo de mobilidade reside no fato de que esses migrantes retornados, em um curto prazo, n&atilde;o contribuem para o saldo migrat&oacute;rio e, portanto, n&atilde;o estavam inclu&iacute;dos nas an&aacute;lises anteriores. Os dados dos censos de 1991 e de 2000 mostraram que essa modalidade de movimento vinha ganhando import&acirc;ncia no Brasil (Rigotti, 2008). Com a recente divulga&ccedil;&atilde;o dos dados da amostra do Censo Demogr&aacute;fico 2010, torna-se poss&iacute;vel averiguar se esse tipo de mobilidade continuou se intensificando. A <a href="#tab02">tabela 2</a> mostra os migrantes que residiam em determinada UF no in&iacute;cio de cada quinqu&ecirc;nio e para ali retornaram antes do final do per&iacute;odo. </font></P>     <p><a name="tab02"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a21tab02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">No quinqu&ecirc;nio de 1986-1991, o volume de imigrantes interestaduais de retorno de curto prazo somava pouco menos de 580 mil pessoas no Brasil, ou seja, 10,4% do total de migrantes de &uacute;ltima etapa (4), com menos de 5 anos de resid&ecirc;ncia. Este contingente aumentou 156,9% (para quase 1,5 milh&atilde;o de pessoas) no per&iacute;odo seguinte, correspondente a 22,3% do total. Chama aten&ccedil;&atilde;o o fato de que todas as unidades da federa&ccedil;&atilde;o, sem exce&ccedil;&atilde;o, experimentaram aumentos percentuais substanciais desse tipo de mobilidade, sendo que os maiores ocorreram naqueles estados cuja participa&ccedil;&atilde;o era menor, no primeiro quinqu&ecirc;nio considerado. Alguns destaque s&atilde;o: os estados da regi&atilde;o Norte, &aacute;rea de ocupa&ccedil;&atilde;o mais recente; bem como o estado de S&atilde;o Paulo, com o maior volume entre todas as unidades da federa&ccedil;&atilde;o e aumento relativo de 289,7%, entre os dois per&iacute;odos; e tamb&eacute;m o Mato Grosso, com o maior aumento relativo, se desconsideramos os estados da regi&atilde;o Norte. Portanto, h&aacute; fortes evid&ecirc;ncias de que o in&iacute;cio deste novo s&eacute;culo foi marcado pela intensifica&ccedil;&atilde;o dos movimentos migrat&oacute;rios interestaduais de ida e volta, em curto per&iacute;odo de tempo.</font></P>     <p><font size="3">Os dados do Censo Demogr&aacute;fico 2010 revelam que houve um aumento de cerca de 350 mil imigrantes retornados de curto prazo, quando se compara o per&iacute;odo 2005-2010 com o anterior, 1995-2000. Relativamente mais modesto do que o aumento verificado entre os dois primeiros quinqu&ecirc;nios, os dados do per&iacute;odo 2005-2010, no entanto, mostram que a propor&ccedil;&atilde;o de retorno de curto prazo no Brasil sobre o total de migrantes do quinqu&ecirc;nio (28,3%) &eacute; ainda maior.</font></P>     <p><font size="3">Em termos de aumento relativo, destacam-se o Distrito Federal (173,0%) e o Amazonas (133,0%), enquanto em n&uacute;meros absolutos, S&atilde;o Paulo novamente se destaca, com aumento de 63 mil pessoas, seguido por Minas Gerais (43 mil pessoas), Goi&aacute;s (41 mil pessoas), Rio de Janeiro (34 mil pessoas) e Distrito Federal (32 mil pessoas). Em contrapartida, tamb&eacute;m ocorreram casos de diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de retornados de curto prazo, como em Rond&ocirc;nia, Tocantins, Piau&iacute;, Para&iacute;ba e Mato Grosso. Vale notar que, em todo o pa&iacute;s, apenas no Tocantins e Para&iacute;ba houve diminui&ccedil;&atilde;o relativa de migrantes de retorno de curto prazo. Em outras palavras, a intensifica&ccedil;&atilde;o desta modalidade de migra&ccedil;&atilde;o foi muito consistente, ainda que seu grande salto tenha se dado no &uacute;ltimo quinqu&ecirc;nio do s&eacute;culo passado.</font></P>     <p><font size="3">Parece haver uma rela&ccedil;&atilde;o inversa entre a participa&ccedil;&atilde;o de retornados de curto prazo e o hist&oacute;rico dos saldos migrat&oacute;rios, isto &eacute;, onde houve grandes perdas l&iacute;quidas de popula&ccedil;&atilde;o no passado, esta participa&ccedil;&atilde;o &eacute; maior, e vice-versa. Enquanto os tr&ecirc;s maiores percentuais de migrantes de curto prazo se encontram no Rio Grande do Sul, Cear&aacute; e Bahia, os tr&ecirc;s menores se localizam em Santa Catarina, Tocantins e Amap&aacute;.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em resumo, as informa&ccedil;&otilde;es analisadas deixam clara a tend&ecirc;ncia de redu&ccedil;&atilde;o do volume dos saldos migrat&oacute;rios interestaduais, tanto positivos quanto negativos, fato acompanhado tamb&eacute;m pela regionaliza&ccedil;&atilde;o dos fluxos e emerg&ecirc;ncia de novas formas de mobilidade, como v&ecirc;m ressaltando v&aacute;rios autores (Cunha e Baeninger; 2005; Baeninger, 2008; Rigotti, 2006 e 2008; entre outros). Paradoxalmente, tudo leva a crer que a mobilidade populacional se intensificou, constituindo-se em uma tend&ecirc;ncia deste in&iacute;cio de s&eacute;culo.</font></P>     <p><font size="3"><B>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS </B>Na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo passado, os estudiosos das migra&ccedil;&otilde;es no Brasil se depararam com novas formas de mobilidade, que ainda est&atilde;o longe de ser totalmente elucidadas. Sinteticamente, no in&iacute;cio do mil&ecirc;nio, o conjunto das TLM das regi&otilde;es apresentadas neste artigo mostra que, proporcionalmente, o Centro-Oeste foi quem mais atraiu popula&ccedil;&atilde;o de outras regi&otilde;es, seguido pelas regi&otilde;es Norte e Sudeste. Na regi&atilde;o Sul, o estado de Santa Catarina &eacute; o grande destaque, atraindo pessoas do Paran&aacute; e Rio Grande do Sul, haja vista o saldo praticamente nulo da regi&atilde;o como um todo. Continuando a hist&oacute;rica incapacidade de reter popula&ccedil;&atilde;o nas suas fronteiras regionais, o Nordeste continuou com perdas l&iacute;quidas, embora, tudo indique que alguns de seus estados estejam atraindo migrantes da regi&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Do ponto de vista dos fluxos de popula&ccedil;&atilde;o, a incapacidade das &aacute;reas de destino em reter os migrantes por longos per&iacute;odos, como na fase de urbaniza&ccedil;&atilde;o acelerada, a maior rotatividade migrat&oacute;ria, transforma&ccedil;&otilde;es nas regi&otilde;es metropolitanas e emerg&ecirc;ncia de novas &aacute;reas de reten&ccedil;&atilde;o de migrantes marcam a virada do mil&ecirc;nio. </font></P>     <p><font size="3">Este artigo procurou lan&ccedil;ar luzes em alguns desses aspectos, levantando informa&ccedil;&otilde;es mais recentes, que apontam para um prov&aacute;vel recrudescimento da mobilidade espacial dos migrantes, paradoxalmente acompanhada pela diminui&ccedil;&atilde;o dos saldos migrat&oacute;rios interestaduais, especialmente aqueles de mais longa dist&acirc;ncia. </font></P>     <p><font size="3">Muitas das quest&otilde;es aqui levantadas e analisadas precisam ser aprofundadas, com novos estudos baseados nos resultados da amostra do Censo Demogr&aacute;fico 2010. Certamente muitas das quest&otilde;es ainda n&atilde;o respondidas poder&atilde;o ser analisadas mais profundamente nos pr&oacute;ximos anos, mas a aparente diminui&ccedil;&atilde;o da mobilidade populacional entre unidades da federa&ccedil;&atilde;o que muitos creditam ao arrefecimento dos saldos migrat&oacute;rios n&atilde;o foi confirmada, ao contr&aacute;rio, os ind&iacute;cios sugerem que ela tenha aumentado, ainda que com novos contornos. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><I><b>Jos&eacute; Irineu Rangel Rigotti</b> &eacute; professor de demografia do Cedeplar/Universidade Federal de Minas Gerais.</I></font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>NOTAS</B></font></P>     <p><font size="3">1.  Corresponde aos migrantes que, h&aacute; cinco anos, n&atilde;o residiam na UF onde moravam na data do recenseamento.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">2.  Propor&ccedil;&atilde;o do saldo migrat&oacute;rio do quinqu&ecirc;nio 2005-2010 em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o recenseada em 2010.</font></P>     <p><font size="3">3.  O leitor interessado encontrar&aacute; os detalhes nos textos: de Carvalho e Rigotti (1998), Rigotti (1999) e Rigotti (2008), referenciados na bibliografia abaixo. </font></P>     <p><font size="3">4.  Corresponde aos migrantes com menos de cinco anos de resid&ecirc;ncia na UF, com cinco anos ou mais de idade.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><B>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</B></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Baeninger, R. "Rotatividade migrat&oacute;ria: um novo olhar para as migra&ccedil;&otilde;es no s&eacute;culo XXI". Anais do XVI Encontro Nacional de Estudos Populacionais, Caxambu, 2008.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Becker, Bertha k. <I>Geopol&iacute;tica da Amaz&ocirc;nia</I>, S&atilde;o Paulo:Garamond: 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Carvalho, J. A. M de.; Garcia, R. A. "Estimativas decenais e quinquenais de saldos  migrat&oacute;rios e taxas l&iacute;quidas de migra&ccedil;&atilde;o do Brasil,  por situa&ccedil;&atilde;o do domic&iacute;lio, sexo e idade, segundo  unidade da federa&ccedil;&atilde;o e macrorregi&atilde;o, entre 1960 e  1990, e estimativas de emigrantes internacionais do per&iacute;odo 1985-1990". Cedeplar/UFMG, 2002.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Carvalho, J.A. M. de. &amp;  Rigotti, J.I.R. "Os dados censit&aacute;rios brasileiros sobre migra&ccedil;&otilde;es internas: algumas sugest&otilde;es para an&aacute;lise". <I>Revista Brasileira de Estudos Populacionais</I>, S&atilde;o Paulo, Vol. 15, n.2, 1999.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Cunha, J. M. P. "(Des)continuidades no padr&atilde;o demogr&aacute;fico do fluxo S&atilde;o Paulo/Bahia  no per&iacute;odo 1970/91: qual o efeito da crise?" <I>Revista Brasileira de Estudos da Popula&ccedil;&atilde;o</I>, Campinas: Abep, Vol.16, n.1/2, p.83-98.1999.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">_____. "A migra&ccedil;&atilde;o no Brasil no come&ccedil;o do s&eacute;culo 21: continuidades e novidades trazidas pela Pnad 2004". <I>Parcerias Estrat&eacute;gicas</I>. Bras&iacute;lia, n. 22, p.381-439. 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">_____. e Baeninger, R. "Cen&aacute;rios da migra&ccedil;&atilde;o no Brasil nos anos 90". <I>Cadernos do CRH</I>. Salvador,  Vol. 18 nº 43. 2005.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Rigotti, J.I.R. "T&eacute;cnicas de mensura&ccedil;&atilde;o das migra&ccedil;&otilde;es: aplica&ccedil;&otilde;es aos casos de Minas Gerais e S&atilde;o Paulo". Tese de doutorado em demografia. Cedeplar/UFMG, 1999.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Rigotti, J. I. R. "A geografia dos fluxos populacionais brasileiros". <I>Estudos Avan&ccedil;ados</I>, S&atilde;o Paulo, Vol.20, n.57, p.237-254. 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Rigotti, J.I.R. (2008). "A (re)distribui&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o brasileira e poss&iacute;veis impactos sobre a metropoliza&ccedil;&atilde;o". In: 32º Encontro da Anpocs. Caxambu.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Rigotti, J. I. R. "Informaci&oacute;n de los censos demogr&aacute;ficos del Brasil sobre migraciones internas: cr&iacute;ticas y sugerencias para el an&aacute;lisis". <I>Notas de Poblaci&oacute;n</I>, Santiago, nº 88, 2010.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">Rigotti, J. I. R. Dados censit&aacute;rios e t&eacute;cnicas de an&aacute;lise das migra&ccedil;&otilde;es no Brasil: avan&ccedil;os e lacunas. In: Cunha (Org.) <I>Mobilidade espacial da popula&ccedil;&atilde;o: desafios te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos para o seu estudo</I>. Nepo/Unicamp, Campinas, 2011.    </font></P>      ]]></body><back>
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