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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Chris Marker: o discreto artesão do tempo e da memória foi também um gênio da humildade]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>CINEMA</b></font></P>     <P><font size=5><b>"Chris Marker: o discreto artes&atilde;o do tempo e da mem&oacute;ria foi tamb&eacute;m um g&ecirc;nio da humildade"</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Christian Fran&ccedil;ois Bouche-Villeneuve morreu em Paris no dia 30 de julho – 91 anos completos ap&oacute;s seu nascimento, em 29 de julho de 1921. No final dos anos 1940, Bouche-Villeneuve assumiu um pseud&ocirc;nimo pronunci&aacute;vel na maioria das l&iacute;nguas: Chris Marker. Em entrevista com Guy Gauthier para <I>Image et Son</I> (no. 162-162, junho de 1963, p.52-53), Alain Resnais pontuava:  "Existe uma teoria que circula, e com um certo fundamento, segundo a qual Chris Marker seria um extraterrestre. Ele tem apar&ecirc;ncia humana, mas a verdade &eacute; que vem do futuro ou de um outro planeta."</font></P>     <p><font size="3">Escritor, fot&oacute;grafo, cineasta, artista multim&iacute;dia – um <I>bricoleur </I>de imagens, como ele mesmo gostava de se definir –, Marker foi um pioneiro do cinema experimental, do <I>cin&eacute;ma v&eacute;rit&eacute;</I> (embora preferisse o r&oacute;tulo "<I>cin&eacute;, ma v&eacute;rit&eacute;</I>"), do filme-ensaio e das artes do v&iacute;deo, entre outras modalidades fronteiri&ccedil;as e desafiadoras das conven&ccedil;&otilde;es estabelecidas. Viajante inveterado, &aacute;vido por imagens dos mais diversos cantos do planeta, Marker aparece escondendo o rosto em <I>Tokyo-Ga</I> (1985), de Wim Wenders, flagrado num caf&eacute; da capital japonesa. Avesso a badala&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o dava muitas entrevistas e evitava ser fotografado. A marca que deixa na hist&oacute;ria do cinema, bem como sua influ&ecirc;ncia sobre outros cineastas, &eacute; inversamente proporcional &agrave; sua vontade de aparecer.</font></P>     <p><font size="3">A obra de Marker se constitui de uma variedade de trabalhos nos mais diversos suportes e formatos: livros, instala&ccedil;&otilde;es, m&iacute;dias digitais e mais de 50 filmes. Como denominador comum de uma carreira t&atilde;o multifacetada, sobressai o interesse pela natureza do tempo e o fasc&iacute;nio pela mem&oacute;ria. Marker estreou no cinema com o document&aacute;rio <I>Olympia 52</I>, sobre os Jogos Ol&iacute;mpicos de Helsinque, na Finl&acirc;ndia, em 1952. No ano seguinte, o artista escreveu o roteiro da narra&ccedil;&atilde;o para o document&aacute;rio <I>Est&aacute;tuas tamb&eacute;m morrem</I> (<I>Les statues meurent aussi</I>, 1953), o qual dirigiu junto com Alain Resnais. Este filme ganhou o pr&ecirc;mio Jean Vigo e foi censurado por mais de 10 anos na Fran&ccedil;a, em virtude de seu conte&uacute;do pol&iacute;tico.</font></P>     <p><font size="3"><B>AS MARCAS DE MARKER </B>O refinamento do recurso &agrave; <I>voz-over </I>(a "voz <I>da</I> imagem") revelou-se um tra&ccedil;o distintivo no cinema de Marker. Esse tipo de narra&ccedil;&atilde;o – a "voz de Deus" – est&aacute; em filmes do in&iacute;cio de sua carreira, como <I>Domingo em Pequim</I> (<I>Dimanche &agrave; Pekin</I>, 1956) ou <I>Cartas da Sib&eacute;ria</I> (<I>Lettre de Sib&eacute;rie</I>, 1957). O document&aacute;rio <I>Cartas da Sib&eacute;ria </I>prop&otilde;e uma fascinante reflex&atilde;o sobre as rela&ccedil;&otilde;es interditas entre imagem e palavra, reproduzindo uma mesma sequ&ecirc;ncia sob coment&aacute;rios absolutamente distintos. A imagem – assim provoca Marker – assume um estatuto amb&iacute;guo e fugidio, sujeito a diferentes imposta&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas. <I>Cartas da Sib&eacute;ria</I> suscitou o cr&iacute;tico Andr&eacute; Bazin a pensar num "ensaio sob forma de filme", e desse em momento em diante ganha visibilidade o formato do "filme-tese".</font></P>     <p><font size="3">A <I>voz-over</I> est&aacute; presente tamb&eacute;m no que talvez seja o mais c&eacute;lebre dos filmes de Marker, o curta-metragem <I>La jet&eacute;e</I> (1962), definido pelo diretor como "a hist&oacute;ria de um homem marcado por uma imagem da inf&acirc;ncia" ("<I>Ceci est l'histoire d'un homme marqu&eacute; par une image d'enfance</I>"). Fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sobre viagem no tempo, <I>La jet&eacute;e</I> foi realizado ap&oacute;s a filmagem de <I>Le joli mai </I>(1963), document&aacute;rio que buscava revelar, por meio de entrevistas nas ruas de Paris, o inconsciente coletivo franc&ecirc;s marcado pela guerra na Arg&eacute;lia. Constru&iacute;do a partir de imagens est&aacute;ticas, com exce&ccedil;&atilde;o de um &uacute;nico plano com movimento, <I>La jet&eacute;e</I> ilustra o fasc&iacute;nio de Marker pela obra de Alfred Hitchcock, em especial <I>Um corpo que cai</I> (<I>Vertigo</I>, 1958), citado, entre outros momentos, na cena em que o viajante do tempo explica &agrave; amada o decorrer das eras recorrendo &agrave; &aacute;rvore seccionada – em 1997, Marker apresentava o CD-ROM <I>Immemory </I>(Paris: Yves Gevaert Editeur/Centre Georges Pompidou), obra interativa voltada ao tema da mem&oacute;ria e outra homenagem a Hitchcock. <I>Immemmory</I> oferece tamb&eacute;m um denso invent&aacute;rio da obra do artista e suas influ&ecirc;ncias.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a22img01.jpg"></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Se o cinema permite uma sofisticada manipula&ccedil;&atilde;o do tempo atrav&eacute;s da montagem, <I>La jet&eacute;e</I> demonstra que mesmo imagens est&aacute;ticas podem ser criativamente submetidas ao fluxo do tempo, em favor de uma macronarrativa. Com isso, o filme trata de um conte&uacute;do posto em constante debate atrav&eacute;s de sua forma. A prop&oacute;sito de <I>La jet&eacute;e</I>, Raymond Bellour explica, em <I>Entre-Imagens</I> (Campinas: Papirus, 1997), "por que esse filme de fic&ccedil;&atilde;o (e at&eacute; mesmo de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica) pode parecer indispens&aacute;vel numa sele&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter document&aacute;rio (...)" (p. 170). Bellour observa tamb&eacute;m que "(...) n&atilde;o &eacute; o movimento que define o cinema de forma mais profunda (...), mas o tempo" (1997, p. 92). Como no document&aacute;rio cl&aacute;ssico, a narra&ccedil;&atilde;o de Jean Negroni em <I>La jet&eacute;e</I> guia o espectador a determinadas conclus&otilde;es ou "descobertas morais". Quando a viagem no tempo come&ccedil;a a se efetuar, o narrador instiga nosso afeto pela realidade ao comentar o aparecimento de imagens "verdadeiras": "um quarto de dormir verdadeiro", "crian&ccedil;as verdadeiras", "p&aacute;ssaros verdadeiros", "gatos verdadeiros" e "sepulturas". <I>La jett&eacute;</I> atingiu o status de filme cult e sua influ&ecirc;ncia e valor cinematogr&aacute;fico s&atilde;o inversamente proporcionais &agrave; sua concis&atilde;o e singeleza. O filme de Marker foi a base para <I>Os doze macacos</I> (<I>Twelve monkeys</I>, 1995), longa-metragem hollywoodiano dirigido por Terry Gilliam, e inspirou homenagens como <I>La vie d'un chien</I> (2005), de John Harden, curta vencedor no Festival de Cannes. Sobre essa p&eacute;rola na carreira de Marker, Terry Gilliam comentou: "O filme funciona porque &eacute; t&atilde;o tecnicamente brilhante, funciona num n&iacute;vel musical – &eacute; como se ouv&iacute;ssemos m&uacute;sica. A montagem &eacute; a mais extraordin&aacute;ria que jamais vi, porque &eacute; um ritmo que est&aacute; sendo estabelecido, e a voz, a narrativa, voc&ecirc; est&aacute; lidando com poesia neste ponto."</font></P>     <p><font size="3">Em 1967, Marker fundava o coletivo Slon (<I>Soci&eacute;t&eacute; pour le Lancement des Oeuvres Nouvelles</I>) – e que tamb&eacute;m significa "elefante", em russo. Entre os filmes do Slon est&atilde;o <I>&Agrave; bient&ocirc;t, j'esp&egrave;re </I>(1968), sobre greve em ind&uacute;stria t&ecirc;xtil francesa, e <I>O sexto lado do Pent&aacute;gono</I> (<I>La sixi&egrave;me face du Pentagone</I>, 1968), sobre marcha antimilitarista no Pent&aacute;gono. O monumental <I>Longe do Vietn&atilde;</I> (<I>Loin du Vietnam</I>, 1967) sobressai como um dos mais ambiciosos projetos do grupo. Filme-protesto contra a Guerra do Vietn&atilde;, conta com a participa&ccedil;&atilde;o de Alain Resnais, Jean-Luc Godard, Agn&egrave;s Varda e outros cineastas, al&eacute;m do pr&oacute;prio Marker.</font></P>     <p><font size="3"><B>TRA&Ccedil;OS DE BRASIL </B>Embora muito pouco conhecido no Brasil, Marker n&atilde;o ignorou a hist&oacute;ria recente da Am&eacute;rica Latina em sua carreira. <I>Vamos falar do Brasil: torturas</I> (<I>On vous parle du Br&eacute;sil: tortures</I>, 1969), document&aacute;rio curto, de 20 minutos, enfoca crimes da ditadura militar brasileira. Carlos Marighella, personagem da hist&oacute;ria brasileira recente, tamb&eacute;m estimulou Marker a rodar outro cap&iacute;tulo de seu exame audiovisual do pa&iacute;s, <I>Vamos falar do Brasil: Carlos Marighella</I> (<I>On vous parle du Br&eacute;sil: Carlos Marighella</I>), document&aacute;rio igualmente curto, por&eacute;m n&atilde;o menos incisivo. A sangrenta ditadura de Allende tamb&eacute;m &eacute; examinada em <I>On vous parle du Chili: ce que disait Allende</I> (1973).</font></P>     <p><font size="3">Numa fase mais adiantada de sua carreira, Marker dirigiu <I>Sem Sol</I> (<I>Sans Soleil</I>), uma de suas obras-primas – mescla de filme etnogr&aacute;fico, ensaio filos&oacute;fico e poesia. <I>Sem Sol</I> foi lan&ccedil;ado no Brasil pela Vers&aacute;til, num &uacute;nico DVD que re&uacute;ne tamb&eacute;m sua outra obra-prima, o j&aacute; citado <I>La jet&eacute;e</I>. <I>Sem Sol</I> viaja da Isl&acirc;ndia &agrave; Guin&eacute;-Bissau, e finalmente ao Jap&atilde;o, pa&iacute;s pelo qual Marker desenvolveu afeto e interesse especiais – da&iacute; seu "flagrante" no filme de Wim Wenders, e a homenagem no distrito de Golden Gai, em T&oacute;quio, num bar chamado "La jet&eacute;e".</font></P>     <p><font size="3">O interesse pela obra de outros cineastas tamb&eacute;m sempre foi um tra&ccedil;o norteador na obra de Marker. Raros diretores foram t&atilde;o atentos e perspicazes com respeito ao trabalho de colegas. Al&eacute;m de Hitchcock, Alexander Medvedkin, Andrei Tarkovsky e Akira Kurosawa tamb&eacute;m atra&iacute;ram a aten&ccedil;&atilde;o de Marker em filmes como <I>O trem prossegue</I> (<I>Le train em marche</I>, 1973) e <I>O &uacute;ltimo bolchevique</I> (<I>Le tombeau d'Alexandre</I>, 1993), sobre Medvedkin; <I>Um dia na vida de Andrei Arsenevich</I> (<I>One day in the life of Andrei Arenevich</I>, 2000), sobre ­Tarkovski, e <I>A.K.</I> (1985), sobre os bastidores de <I>Ran</I> (1985), de Kurosawa.</font></P>     <p><font size="3">O car&aacute;ter fronteiri&ccedil;o e ambivalente, a metalinguagem e o teor pol&iacute;tico foram elementos constantes na obra de Marker. Entre seus &uacute;ltimos trabalhos est&atilde;o a instala&ccedil;&atilde;o <I>Filme silencioso</I> (1995) e o longa-metragem <I>Level five</I> (1997), misto de document&aacute;rio e fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica inspirado em eventos durante a Segunda Guerra Mundial, na ilha de Okinawa.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v64n4/a22img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Aos 80 anos, Marker continuava a criar. Um de seus &uacute;ltimos trabalhos foi uma brev&iacute;ssima hist&oacute;ria do cinema, encomendada por ocasi&atilde;o do quinquag&eacute;simo anivers&aacute;rio do Festival de Cinema de Viena, em outubro deste ano. O artista ainda trabalhava em instala&ccedil;&otilde;es e em obras no ambiente virtual do Second Life. Ali&aacute;s, uma das raras (e &uacute;ltimas) entrevistas de Marker foi realizada atrav&eacute;s dessa interface (<a href="http://www.lesinrocks.com/2008/04/29/cinema/la-seconde-vie-de-chris-marker-1151546/" target="_blank">http://www.lesinrocks.com/2008/04/29/cinema/la-seconde-vie-de-chris-marker-1151546/</a>). Sob o pseud&ocirc;nimo de Sergei Murasaki ele fala sobre as vantagens do desenvolvimento da inform&aacute;tica, chamando a aten&ccedil;&atilde;o para a possibilidade de se realizar um filme completamente sozinho, com os "pr&oacute;prios dez dedos". Assim surgiu o v&iacute;deo <I>Chats perch&eacute;s</I> (2004), o qual ­Marker p&ocirc;de gravar, fazer o DVD e vender no mercado de Saint-Blaise, diretamente do produtor ao consumidor, sem nenhum apoio ou interven&ccedil;&atilde;o de terceiros – uma concretiza&ccedil;&atilde;o do sonho de Marx, segundo Marker.</font></P>     <p><font size="3"><b>AUTORIA</b> Em 1997, o diretor comentou: "O processo de fazer filmes em comunh&atilde;o consigo mesmo, o modo como um pintor ou escritor trabalham, n&atilde;o precisam mais ser agora exclusivamente experimentais. Contrariamente ao que pensam as pessoas, usar a primeira pessoa em filmes tende a ser um sinal de humildade: tudo o que tenho a oferecer sou eu mesmo".</font></P>     <p><font size="3">Ao modelo cl&aacute;ssico de se enunciar cinema, &agrave; transpar&ecirc;ncia e estrat&eacute;gia do meganarrador f&iacute;lmico que a tudo organiza como um deus – por&eacute;m sem deixar vest&iacute;gios de sua manipula&ccedil;&atilde;o –, Marker op&otilde;e a inst&acirc;ncia do homem diante de seu filme, do realizador que se assume enquanto o arauto de mensagens ext&aacute;ticas, po&eacute;ticas, pol&iacute;ticas ou on&iacute;ricas.</font></P>     <p><font size="3">Para maiores informa&ccedil;&otilde;es sobre Chris Marker, vale lembrar que, no final de 1993, a publica&ccedil;&atilde;o francesa <I>Images Documentaires</I> (<a href="http://www.imagesdocumentaires.fr/Chris-Marker.html" target="_blank">http://www.imagesdocumentaires.fr/Chris-Marker.html</a>) lan&ccedil;ou um n&uacute;mero especialmente dedicado a ele, com artigos de Fran&ccedil;ois Niney, R&eacute;gis Debray e do pr&oacute;prio Marker, entre outros autores. Em portugu&ecirc;s, o livro <I>O besti&aacute;rio de Chris Marker</I> (1986), publicado pela Livros Horizonte, de Portugal, traz uma variedade de textos sobre o cineasta franc&ecirc;s, por diferentes autores. &Eacute; tempo de retrospectivas, mostras e exposi&ccedil;&otilde;es da obra de Marker no Brasil. Seu <I>Immemmory</I> n&atilde;o foi lan&ccedil;ado no pa&iacute;s, seus trabalhos em multim&iacute;dia e instala&ccedil;&otilde;es s&atilde;o ainda mais desconhecidos por aqui do que seus filmes. E uma mostra de seus filmes poderia reavivar o interesse pelo ensaio audiovisual debru&ccedil;ado sobre a hist&oacute;ria.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><I>Alfredo Suppia  e Julia Milward</I></font></P>      ]]></body>
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