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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/noticiasbr.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4"><b>Agricultura familiar</b></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v65n1/linha.jpg"></p>     <p><font size="4">Faltam incentivos para     que a biotecnologia germine no campo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A agricultura familiar &eacute; respons&aacute;vel por mais de 70% dos alimentos consumidos pela popula&ccedil;&atilde;o brasileira. No entanto, apesar de representar 84,4% dos estabelecimentos agropecu&aacute;rios do pa&iacute;s, segundo os dados mais atuais (Censo Agropecu&aacute;rio de 2006 &#150; veja box), apenas os grandes latifundi&aacute;rios t&ecirc;m o capital necess&aacute;rio para o investimento em produtos biotecnol&oacute;gicos de ponta. Dessa forma, "ao passo que as grandes propriedades possuem cada vez mais subs&iacute;dios do governo para o cultivo das principais commodities &#150; como a cana&#45;de&#45;a&ccedil;&uacute;car e a soja &#150;, a agricultura familiar passa por dificuldades de ordem tanto t&eacute;cnica quanto pol&iacute;tica e econ&ocirc;mica", destaca o engenheiro agr&ocirc;nomo Piero Oliveira da Embrapa Meio Ambiente.</font></p>     <p><font size="3">Muitos dos esfor&ccedil;os feitos para estimular o avan&ccedil;o da agricultura no Brasil t&ecirc;m secundarizado a posi&ccedil;&atilde;o do chamado "pequeno agricultor" e valorizado o setor de biotecnologia, sobretudo a entrada de produtos em uma rede de importantes parceiros comerciais e mercados competitivos. Neste cen&aacute;rio, o pequeno agricultor n&atilde;o s&oacute; encontra dificuldade para pagar produtos protegidos por patentes (sementes e insumos agr&iacute;colas, por exemplo), como tamb&eacute;m v&ecirc; encarecidos seus custos e diminu&iacute;das suas margens de lucro. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a04img01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>BIOTECNOLOGIA NO CAMPO</b> S&atilde;o tantos os entraves de ordem pol&iacute;tico&#45;econ&ocirc;mica para a libera&ccedil;&atilde;o e populariza&ccedil;&atilde;o de produtos da engenharia gen&eacute;tica &#150; atualmente, s&atilde;o 53 as variedades de organismos geneticamente modificados (OGMs) liberados pela Comiss&atilde;o T&eacute;cnica Nacional de Biosseguran&ccedil;a (CTNBio) &#150; que h&aacute; quem defenda mudan&ccedil;a de nomenclatura da &aacute;rea. "A &aacute;rea poderia ser renomeada de bioeconomia, afinal a prioridade agora &eacute; desenvolver produtos com aplicabilidade comercial e estabelecer parcerias pr&eacute;vias com ind&uacute;strias. S&oacute; assim &eacute; poss&iacute;vel gerar neg&oacute;cio", enfatiza Maria Sueli Soares Felipe, docente do curso de ci&ecirc;ncias gen&ocirc;micas e biotecnologia da Universidade Cat&oacute;lica de Bras&iacute;lia (UCB).</font></p>     <p><font size="3">Trazendo &agrave; baila o agricultor familiar, o contrassenso da situa&ccedil;&atilde;o &eacute; de uma complexidade alarmante. Muito da sua incoer&ecirc;ncia se deve &agrave; falta de est&iacute;mulo governamental destinado ao trabalhador rural de pequena produ&ccedil;&atilde;o. O reflexo de tal limita&ccedil;&atilde;o se reflete n&atilde;o s&oacute; no c&iacute;rculo desse trabalhador, como em toda a comunidade que desfruta do produto cultivado por ele. Embora os profissionais de biotecnologia desenvolvam com maestria genes tolerantes &agrave; seca e a outros agravantes, a propriedade intelectual e o controle corporativo dificultam que os benef&iacute;cios cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos cheguem &agrave;queles que n&atilde;o s&atilde;o latifundi&aacute;rios. </font></p>     <p><font size="3">Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas estruturadas com o uso da engenharia gen&eacute;tica t&ecirc;m crescido e obtido entusiasmo por uma parcela dos produtores &#150; um exemplo &eacute; o recente Projeto Algod&atilde;o de Minas Gerais, que tem o apoio da Secretaria do Estado de Agricultura para o fortalecimento do cultivo sustent&aacute;vel do algod&atilde;o no norte de Minas Gerais. Apesar de movimentos sociais lutarem contra a utiliza&ccedil;&atilde;o de transg&ecirc;nicos, estes j&aacute; v&ecirc;m tomando parte do mercado e, especificamente no que concerne a agricultura familiar, j&aacute; atingiu a produ&ccedil;&atilde;o de milho e quase que inteiramente a de soja.</font></p>     <p><font size="3"><b>INCENTIVOS A CAMINHO</b> Um prospecto menos alarmante para o agroneg&oacute;cio familiar est&aacute; se delineando aos poucos. Em novembro de 2012, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social (BNDES) firmou um acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), objetivando destinar R$ 23 milh&otilde;es para a cria&ccedil;&atilde;o de um programa de incentivo &agrave; agricultura familiar. Um m&ecirc;s depois, por sua vez, foi aprovado o Regulamento do Fundo de Agricultura Familiar do Mercosul (FAF), que financiar&aacute; projetos de est&iacute;mulos ao setor &#151; com isso, o Brasil aportar&aacute; US$225 mil anuais com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a agricultura familiar. Ainda nessa rota, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) declarou que 2014 ser&aacute; o Ano Internacional da Agricultura Familiar. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a04img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O panorama competitivo da economia rural tamb&eacute;m intenciona beneficiar o setor ao instituir o Sistema Nacional de Certifica&ccedil;&atilde;o da Produ&ccedil;&atilde;o da Agricultura Familiar. Aprovado pela Comiss&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, Ind&uacute;stria e Com&eacute;rcio, o Projeto de Lei 52/11 do deputado Assis do Couto (PT&#45;PR) prop&otilde;e que os produtos dos agricultores familiares sejam identificados por selos, potencializando as chances de um tratamento mais adequado em rela&ccedil;&atilde;o ao cr&eacute;dito rural, aumentado a demanda e a qualidade de seus produtos. Com a certifica&ccedil;&atilde;o, o trabalhador tamb&eacute;m poder&aacute; ter acesso privilegiado a recursos do cr&eacute;dito rural &#150; financiamento para ajudar no custeio da produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o de itens agropecu&aacute;rios &#151; e outros programas governamentais.</font></p>     <p><font size="3">Apesar de tais a&ccedil;&otilde;es no setor, a agricultura familiar segue marginalizada. Para a mudan&ccedil;a deste quadro, enfatiza Oliveira, "&eacute; imprescind&iacute;vel reiterar a necessidade de um maior entendimento social e pol&iacute;tico sobre a falta de estrutura dispon&iacute;vel para os chamados "pequenos produtores" de nosso pa&iacute;s,  buscando apoiar o cultivo de alimentos que garantam a seguran&ccedil;a alimentar da popula&ccedil;&atilde;o". </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>L&iacute;dia Rogatto</i></font></p>      ]]></body>
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