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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Problema exige ações de educação e controle da publicidade para deter incidência em crianças e jovens]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/noticiasbr.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>OBESIDADE</b></font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/linha.jpg"></font></p>     <p><font size="4">Problema exige     a&ccedil;&otilde;es de educa&ccedil;&atilde;o e controle da publicidade para deter incid&ecirc;ncia em crian&ccedil;as e jovens</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i>L'enfant gras</i> (<i>A crian&ccedil;a gorda</i>), escrito em preto sobre um fundo cinza fosco rarefeito: em primeiro plano, um rosto infantil, arredondado, com certa express&atilde;o de felicidade pueril. Trata&#45;se do quadro do italiano Amedeo Modigliani, feito em 1915, quando a gordura na crian&ccedil;a era um sinal de vitalidade e for&ccedil;a. Desde meados da d&eacute;cada de 1980, contudo, a obesidade infantil vem sendo considerada um s&eacute;rio problema pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial     da Sa&uacute;de (OMS). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a06img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Ao trazer imagens de beb&ecirc;s que bebem refrigerantes todos os dias, crian&ccedil;as com exames m&eacute;dicos com resultados semelhantes aos de idosos enfermos, alunos de escolas p&uacute;blicas e privadas que n&atilde;o sabem diferenciar uma batata de uma cebola, a documentarista Estela Renner mostra, em Muito al&eacute;m do peso, a seriedade do problema no Brasil. Quase um s&eacute;culo ap&oacute;s o quadro de Modigliani, um m&eacute;dico entrevistado no document&aacute;rio vaticina ser a obesidade infantil uma pandemia mundial.</font></p>     <p><font size="3"><i>Muito al&eacute;m do peso</i> foi um dos finalistas da &uacute;ltima Mostra Internacional de Cinema de S&atilde;o Paulo. O cen&aacute;rio que o filme tra&ccedil;a &eacute; preocupante, para crian&ccedil;as, pais e sociedade. De acordo com o document&aacute;rio, no Brasil, 33% das crian&ccedil;as s&atilde;o obesas. Quatro de cada cinco delas dever&atilde;o manter&#45;se assim at&eacute; o fim da vida. </font></p>     <p><font size="3">"Nos &uacute;ltimos anos, tem havido um crescimento exponencial da obesidade infantil no Brasil e no mundo", afirma Durval Damiani, endocrinologista do Instituto da Crian&ccedil;a, ligado ao Hospital das Cl&iacute;nicas da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). "O Brasil saltou do problema da desnutri&ccedil;&atilde;o para o outro oposto, o da obesidade", afirma. </font></p>     <p><font size="3">Para a professora Elza de Mello, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que &eacute; chefe do servi&ccedil;o de nutrologia do Hospital das Cl&iacute;nicas de Porto Alegre, as consequ&ecirc;ncias desse problema s&atilde;o s&eacute;rias. "Hoje j&aacute; temos crian&ccedil;as que, em fun&ccedil;&atilde;o da obesidade, apresentam press&atilde;o alta, diabetes e problemas ortop&eacute;dicos", explica. "Al&eacute;m disso, a crian&ccedil;a obesa tem dificuldades sociais e muitas s&atilde;o v&iacute;timas de <i>bullying</i>", aponta. </font></p>     <p><font size="3">Some&#45;se a esse contexto a dificuldade com o pr&oacute;prio corpo, de praticar esportes e de se sentir bem em grupo. A press&atilde;o que a pr&oacute;pria sociedade exerce sobre o indiv&iacute;duo, tendo como padr&atilde;o a magreza, &eacute; outro fator a complicar a situa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="3"><b>FAL&Ecirc;NCIA NO SISTEMA P&Uacute;BLICO</b> De acordo com Damiani, as consequ&ecirc;ncias n&atilde;o se resumem, por&eacute;m, a impactos na vida de crian&ccedil;as, mas trazem preocupa&ccedil;&otilde;es adicionais para a sociedade. "Se a obesidade infantil n&atilde;o for controlada, vai onerar muito o sistema de sa&uacute;de. No limite, pode levar esse sistema &agrave; fal&ecirc;ncia", adverte. </font></p>     <p><font size="3">"As doen&ccedil;as relacionadas &agrave; obesidade levam a um maior gasto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica", concorda Mello. "Al&eacute;m disso, &eacute; preciso um esfor&ccedil;o da sociedade para se adaptar ao obeso, tendo em vista que essas crian&ccedil;as apresentam necessidades pr&oacute;prias", acredita.</font></p>     <p><font size="3">Esfor&ccedil;o esse que, muitas vezes, &eacute; pouco visto no Brasil. "Existe uma cren&ccedil;a arraigada na sociedade de que o obeso tem mais peso porque n&atilde;o tem for&ccedil;a de vontade", acredita a professora Mariana Zambon, da Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Para ela, "parte da sociedade ainda n&atilde;o acredita que a obesidade seja um problema s&eacute;rio e n&atilde;o sabe como tratar o problema". </font></p>     <p><font size="3"><b>PREOCUPA&Ccedil;&Atilde;O GERAL</b> O combate &agrave; obesidade infantil &eacute; uma quest&atilde;o discutida atualmente por governos do mundo inteiro e alguns j&aacute; formulam pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para combater o problema. Entre as principais ideias est&atilde;o a regula&ccedil;&atilde;o de propagandas televisivas sobre comidas gordurosas voltadas para o p&uacute;blico infantil, a cria&ccedil;&atilde;o de impostos sobre comidas que n&atilde;o fazem bem &agrave; sa&uacute;de e a coloca&ccedil;&atilde;o de etiquetas que alertem o quanto de gordura existe em cada alimento.</font></p>     <p><font size="3">Em 2011, ap&oacute;s longos debates, a Dinamarca imp&ocirc;s uma "fat tax" ("imposto sobre gordura"), de modo a onerar os alimentos mais gordurosos. Ap&oacute;s sofrer diversas cr&iacute;ticas na imprensa local, o governo dinamarqu&ecirc;s se viu obrigado a derrubar o imposto ao final de 2012, como parte de um pacote de medidas negociado com a oposi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Damiani diz que pol&iacute;ticas restritivas como impostos n&atilde;o s&atilde;o a melhor forma de combater a obesidade. "Muitos alimentos que n&atilde;o fazem bem &agrave; sa&uacute;de, como bolachas e biscoitos de polvilho, s&atilde;o muito baratos, diferente dos alimentos que s&atilde;o mais saud&aacute;veis", diz ele. "Um imposto vai aumentar o pre&ccedil;o, mas se a pessoa quiser consumir o alimento gorduroso vai consumir de qualquer modo, mesmo porque o pre&ccedil;o depois do imposto n&atilde;o ser&aacute; t&atilde;o diferente assim", argumenta. </font></p>     <p><font size="3"><b>BARATEAR O SAUD&Aacute;VEL</b> Para Mello, o que poderia ser feito seria baratear a alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel. "Talvez o ideal fosse tirar os impostos sobre frutas e verduras", sugere. "Hoje o que o ocorre &eacute; que o alimento saud&aacute;vel &eacute; mais caro. Reduzir impostos sobre essas comidas poderia contribuir para que as pessoas se alimentassem melhor". Para Zambon, "a tentativa de criar impostos &eacute; v&aacute;lida, mas nenhuma a&ccedil;&atilde;o sozinha resolve o problema". </font></p>     <p><font size="3">J&aacute; o controle de propagandas dirigidas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o infantil foi implementado como pol&iacute;tica p&uacute;blica em regi&otilde;es do Canad&aacute; e na Su&eacute;cia. Na prov&iacute;ncia de Quebec foi institu&iacute;do, no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980, o Quebec Consumer Protection Act, que pro&iacute;be a veicula&ccedil;&atilde;o de propagandas de alimentos nos hor&aacute;rios em que crian&ccedil;as costumam assistir mais &agrave; televis&atilde;o. A Su&eacute;cia adotou normas ainda mais r&iacute;gidas: pro&iacute;be qualquer propaganda televisiva com apelo comercial dirigida ao p&uacute;blico infantil.</font></p>     <p><font size="3">As primeiras pesquisas sobre os efeitos da lei em Quebec, surgidas na &uacute;ltima d&eacute;cada, mostram que houve progressos no combate &agrave; obesidade infantil. Contudo, n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias conclusivas que permitam afirmar que a redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de crian&ccedil;as obesas se deve somente &agrave; lei ou a uma conjun&ccedil;&atilde;o de fatores, que inclui o alto grau de educa&ccedil;&atilde;o dos canadenses.</font></p>     <p><font size="3">Medidas como essa dividem os especialistas brasileiros. "O apelo de propagandas sobre alimentos &eacute; de fato muito explorado, mas nunca fui a favor da proibi&ccedil;&atilde;o pura e simples", diz Damiani. Para o m&eacute;dico da USP, a quest&atilde;o tem muito mais a ver com educa&ccedil;&atilde;o do que com o que &eacute; veiculado na televis&atilde;o. "As escolas em geral n&atilde;o educam para a alimenta&ccedil;&atilde;o. Se educassem, as crian&ccedil;as e os pais saberiam o que &eacute; uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel e os n&uacute;meros de obesidade infantil n&atilde;o seriam t&atilde;o significativos", defende. </font></p>     <p><font size="3">Elza Mello v&ecirc; a quest&atilde;o de um modo diferente. Para ela, as pessoas que assistem muito TV j&aacute; t&ecirc;m propens&atilde;o a ser sedent&aacute;rias. Por isso, "criar regula&ccedil;&atilde;o que pro&iacute;ba propaganda em um hor&aacute;rio determinado ou a associa&ccedil;&atilde;o de desenhos com alimentos seria um modo de controle eficaz", afirma.</font></p>     <p><font size="3"><b>ETIQUETAGEM</b> A coloca&ccedil;&atilde;o de etiquetas em alimentos para indicar o quanto de gordura eles t&ecirc;m &eacute; outra pol&iacute;tica p&uacute;blica sobre a qual n&atilde;o h&aacute; consenso. Em pa&iacute;ses como a Inglaterra, &eacute; comum que os alimentos recebam uma etiqueta, na qual o consumidor pode se informar a respeito da quantidade de gordura presente. Etiquetas verdes, amarelas e vermelhas, cores tradicionais de sinais de tr&acirc;nsito, s&atilde;o colocadas para indicar o quanto de gordura o alimento carrega.</font></p>     <p><font size="3">Damiani afirma que essa pol&iacute;tica &eacute; educativa e que, em vez de proibir, informa o consumidor sobre as consequ&ecirc;ncias da escolha que ele est&aacute; fazendo ao comprar o alimento. "As pessoas n&atilde;o t&ecirc;m que ser proibidas de comer, t&ecirc;m que ser educadas e a etiquetagem traz informa&ccedil;&otilde;es muito relevantes", defende Elza. </font></p>     <p><font size="3">Para ela, "embora colocar etiquetas seja importante, talvez n&atilde;o seja t&atilde;o eficaz porque &eacute; dif&iacute;cil para parte da popula&ccedil;&atilde;o raciocinar com n&uacute;meros. "A pessoa sabe o quanto de gordura est&aacute; consumindo quando come um determinado alimento, mas &eacute; um pouco ilus&oacute;rio acreditar que ao fim do dia ela ir&aacute; saber o quanto de gordura ingeriu", argumenta. </font></p>     <p><font size="3">Damiani considera que a obesidade infantil n&atilde;o &eacute; mais um problema localizado. "Existem crian&ccedil;as obesas em todas as classes sociais", indica. Em meio a n&uacute;meros alarmantes, o debate sobre pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que combatam o que &eacute; visto como uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica, embora distante de um consenso, tem aumentado nas universidades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Mariana Zambon ressalta ser necess&aacute;rio mudar a alimenta&ccedil;&atilde;o que &eacute; oferecida na rede p&uacute;blica de ensino. "A merenda escolar foi institu&iacute;da em um per&iacute;odo no qual o principal problema era a desnutri&ccedil;&atilde;o. Hoje, estamos em uma situa&ccedil;&atilde;o bastante diferente", explica a profissional da Unicamp.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Ricardo Manini</i></font></p>      ]]></body>
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