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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/noticiasbr.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">N<small>EUROCI&Ecirc;NCIA</small></font></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v65n1/linha.jpg"></p>     <p><font size="4"><b>Toxoplasmose cr&ocirc;nica pode manipular comportamento</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A prov&iacute;ncia japonesa de Fukuoka ficou conhecida, recentemente, como um para&iacute;so para os gatos: centenas deles podem ser vistos pelas ruas e praias, onde moradores os alimentam e os mant&ecirc;m vivendo &agrave; vontade. O que parece uma simples afei&ccedil;&atilde;o pelos felinos pode esconder uma rela&ccedil;&atilde;o de manipula&ccedil;&atilde;o voltada para a sua preserva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; pouco mais de uma d&eacute;cada pesquisas t&ecirc;m demonstrado que os gatos podem influenciar o comportamento de outros animais, especialmente roedores, sua principal presa, atraindo&#45;os para si. Esse feito, por&eacute;m, &eacute; involunt&aacute;rio aos felinos &#150; quem estaria no comando da atra&ccedil;&atilde;o &eacute; o protozo&aacute;rio <I>Toxoplasma gondii</I>, causador da toxoplasmose.</font></p>     <p><font size="3">Normalmente, esse parasita vive no intestino de gatos sem causar nenhum dano. As formas infectantes, cujos precursores s&atilde;o eliminados junto com as fezes felinas, podem contaminar &aacute;gua e vegeta&ccedil;&atilde;o, sendo sua ingest&atilde;o respons&aacute;vel pelo desenvolvimento da toxoplasmose (doen&ccedil;a que tamb&eacute;m pode ser contra&iacute;da pelo consumo de carnes mal passadas), principalmente em mam&iacute;feros. O ciclo da doen&ccedil;a se completa quando roedores consomem alimentos infectados, levando ao aparecimento de cistos de <I>T. gondii</I>, sobretudo nos tecidos muscular e cerebral. Ao alimentar&#45;se de uma presa infectada, o gato passar&aacute; a portar o parasita.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a07img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>MANIPULA&Ccedil;&Atilde;O</b> A descoberta, retratada em 2000 por pesquisadores da Universidade de Oxford, do Reino Unido (<I>Proc. Biol. Sci</I>, Vol.267, no.1452), revela que, uma vez alcan&ccedil;ando o c&eacute;rebro, o parasita se instala em regi&otilde;es espec&iacute;ficas e "altera a atividade neuronal em &aacute;reas conhecidas como hipot&aacute;lamo e am&iacute;gdala, associadas ao comportamento animal de defesa", explica Ant&ocirc;nio Pereira Jr., professor do Instituto do C&eacute;rebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O roedor, assim, perde o senso de perigo e acaba tornando&#45;se alvo f&aacute;cil para seu predador. "Al&eacute;m disso, o parasita modifica a atividade de &aacute;reas associadas com a atra&ccedil;&atilde;o sexual", conta. A via neural respons&aacute;vel pelo interesse quanto ao sexo oposto tamb&eacute;m passa pela am&iacute;gdala e hipot&aacute;lamo, gerando sinais de odor que incitam aproxima&ccedil;&atilde;o para a c&oacute;pula, confundindo os roedores. Para Pereira, isso explica um mecanismo evolutivo importante por parte do parasita, permitindo sua reprodu&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua no intestino de felinos.</font></p>     <p><font size="3">O que vem intrigando os pesquisadores, diz Pereira, &eacute; que apesar de existirem "evid&ecirc;ncias conclusivas de manipula&ccedil;&atilde;o comportamental apenas em roedores, &uacute;nicos a serem testados de maneira rigorosa at&eacute; agora, o <I>T. gondii</I> tem capacidade de modular circuitos cerebrais que usam dopamina (comum em mam&iacute;feros) como neurotransmissor". Assim, os humanos seriam pass&iacute;veis de sofrer algum tipo de altera&ccedil;&atilde;o neural que influenciaria seu comportamento.</font></p>     <p><font size="3">Estudos recentes corroboram essa hip&oacute;tese sugerindo haver rela&ccedil;&atilde;o entre a presen&ccedil;a do parasita no c&eacute;rebro de humanos e maiores chances destes virem a cometer suic&iacute;dio, homic&iacute;dio e at&eacute; desenvolverem esquizofrenia.</font></p>     <p><font size="3">Uma das frentes de pesquisa de Pereira tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o: efeitos culturais relacionados a popula&ccedil;&otilde;es com a alta preval&ecirc;ncia do <I>Toxoplasma</I>. "Quem sabe se o comportamento peculiar dos protetores e amantes de gatos, que chegam a ter v&aacute;rios animais em casa, como acontece em v&aacute;rias cidades brasileiras, n&atilde;o pode ser explicado dessa maneira (manipula&ccedil;&atilde;o comportamental)? Afinal, &eacute; de interesse do parasita que seu hospedeiro seja preservado".</font></p>     <p><font size="3">Fukuoka certamente seria um bom estudo de caso para investiga&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Daniel Blassioli Dentillo</i></font></p>      ]]></body>
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