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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><B>Entre a fronteira Venezuela&#45;Brasil, os territ&oacute;rios de povos ind&iacute;genas e de comunidades tradicionais</b></font></p>     <p><font size="3">Rosa Acevedo Marin</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><B>A</b></font><font size="3">ssiste&#45;se, entre os pa&iacute;ses da Pan&#45;Amaz&ocirc;nia, &agrave; retomada de sentimentos de nacionalidade e de seguran&ccedil;a das fronteiras, refor&ccedil;ados, de um lado, pela vis&atilde;o de necessidade da presen&ccedil;a militar para garantir a soberania nacional e o desenvolvimento; de outro, pela identifica&ccedil;&atilde;o de "novas amea&ccedil;as" como o narcotr&aacute;fico e a biopirataria. Nas respectivas regi&otilde;es amaz&ocirc;nicas tais ideias convivem com o esquema interpretativo do vazio demogr&aacute;fico que orienta a elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e planos de desenvolvimento para garantir a ocupa&ccedil;&atilde;o e a integra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3">Desde a d&eacute;cada de 1960, a Venezuela desenvolve pol&iacute;ticas dirigidas para a sua regi&atilde;o sul, pol&iacute;ticas essas que t&ecirc;m, acintosamente, interferido nos modos de vida e nas formas de existir e viver de povos ind&iacute;genas e comunidades tradicionais. O marco das pol&iacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o na Venezuela &eacute; o denominado Programa de Desarrollo del Sur, conhecido como "La Conquista del Sur" e orientado para a regi&atilde;o de Guayana (1), desde o primeiro governo do presidente Rafael Caldera (1969&#45;1974),que elaborou o Plan de Ordenaci&oacute;n­ Territorial, com &ecirc;nfase na "soberania nacional". As a&ccedil;&otilde;es mais conhecidas foram a cria&ccedil;&atilde;o de centros c&iacute;vicos militares (como os de Solano e de San Simon del Cocuy &#150; situado na tripla fronteira &#150; Venezuela, Col&ocirc;mbia e Brasil), a constru&ccedil;&atilde;o de aeroportos e estradas e, ainda, a prospec&ccedil;&atilde;o de "recursos para o desenvolvimento" utilizando o sistema de radares. Uma das institui&ccedil;&otilde;es com mais peso na continuidade desse processo foi a Corporaci&oacute;n Venezolana de Guayana (CVG).</font></p>     <p><font size="3">Pesquisas realizadas em rela&ccedil;&atilde;o aos impactos territoriais dos processos de reestrutura&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica que ocorreram nessa regi&atilde;o, na qual se implantaram v&aacute;rias empresas do setor de alum&iacute;nio, descrevem diversos conflitos territoriais. Carrillo e Jungemann apontaram, no caso concreto de Los Pijiguaos, os problemas de regulariza&ccedil;&atilde;o da terra "causados por diferentes l&oacute;gicas de ocupa&ccedil;&atilde;o e de uso da terra, em vez de uma intera&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o harm&ocirc;nica entre os diferentes usos do solo que dominam a din&acirc;mica social. Outro problema significativo &eacute; a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental e da paisagem, e a domin&acirc;ncia de padr&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e de consumo que causam danos (2). Nos finais de 1990 houve a tentativa de privatizar a CVG &#45;Bauxilum Operadora de Bauxita (3) implantada na d&eacute;cada de 1980 em Los Pijiguaos, no munic&iacute;pio Cede&ntilde;o, no estado Bol&iacute;var (4). A instala&ccedil;&atilde;o do projeto significou a retirada dos povos ind&iacute;genas dos seus territ&oacute;rios tradicionais e a ocupa&ccedil;&atilde;o por "populaci&oacute;n criolla" para realizar atividades agropecu&aacute;rias, deslocando&#45;se os ind&iacute;genas para os centros povoados e para as zonas de Serra e Sabana. O munic&iacute;pio Cede&ntilde;o, sede do projeto de Los Pijiguaos (5) &eacute; ainda um dos "grandes munic&iacute;pios ind&iacute;genas do estado Bol&iacute;var, somente precedido pelo munic&iacute;pio da Gran Sabana".</font></p>     <p><font size="3">A descri&ccedil;&atilde;o dos conflitos territoriais mostra que comunidades camponesas e ind&iacute;genas est&atilde;o posicionados contra Los Pijiguaos y Bauxilum em fun&ccedil;&atilde;o da sobreposi&ccedil;&atilde;o de terras outorgadas aos primeiros pelo Instituto Agr&aacute;rio Nacional. O mesmo ocorreu com a comunidade Mapoyo de Caripo que recebeu um t&iacute;tulo provis&oacute;rio, gratuito e coletivo, o mesmo que um ano depois a Procuradoria Geral da Rep&uacute;blica outorgou &agrave; CVG. Os povos ind&iacute;genas Piaroa e Panare, das comunidades Las Bateas e Punta Brava, est&atilde;o instalados dentro das "tierras de Bauxilum", na margem esquerda do rio Suapure. Outros conflitos se desenvolvem entre comunidades ind&iacute;genas &#150; como o observado entre os Panare da comunidade Quebrada Seca que recebeu um t&iacute;tulo provis&oacute;rio do Instituto Agr&aacute;rio Nacional &#150; e o da comunidade Piaroa de Punta Brava. Esses povos est&atilde;o afetados pela polui&ccedil;&atilde;o ambiental provocada pela explora&ccedil;&atilde;o mineira de bauxita. Problemas causados por quest&otilde;es de contamina&ccedil;&atilde;o ambiental acabam gerando situa&ccedil;&otilde;es de conflito, como o gerado em decorr&ecirc;ncia do aterro sanit&aacute;rio constru&iacute;do na estrada Caicara del Orinoco&#45;Puerto Ayacucho, na frente da comunidade ind&iacute;gena de Las Tururas.</font></p>     <p><font size="3">A identifica&ccedil;&atilde;o dos conflitos territoriais e socioambientais do Amazonas &eacute; apresentada em um mapa oficial de 2003, precisamente nessa unidade administrativa que n&atilde;o teve at&eacute; 2011 nenhum territ&oacute;rio ind&iacute;gena titulado. Observe&#45;se que o reconhecimento de tens&otilde;es e conflitos territoriais n&atilde;o se coaduna com a garantia de direitos territoriais e de seguran&ccedil;a f&iacute;sica para os povos ind&iacute;genas. As recentes den&uacute;ncias &#150; at&eacute; agora n&atilde;o comprovadas de massacre de ind&iacute;genas Ianomami praticada por agentes da "minera&ccedil;&atilde;o ilegal" &#150; indica essa realidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O estado do Amazonas possui o maior n&uacute;mero de povos ind&iacute;genas , 45,8% da popula&ccedil;&atilde;o identifica&#45;se como ind&iacute;gena &#150; Piaroa, Yanomami, Yekuana, Yabarana, Panare, Bar&eacute;, Curripaco, Baniva, Jivi, Jodi. </font></p>     <p><font size="3">Tanto no estado do Amazonas como no estado de Bol&iacute;var foram organizados movimentos ind&iacute;genas com reivindica&ccedil;&otilde;es territoriais que se esperava verem cumpridas desde 1999 quando se promulgou a Constitui&ccedil;&atilde;o. O Artigo 119 da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Bolivariana de Venezuela assegura que o estado democr&aacute;tico e social de direito e de justi&ccedil;a &eacute; obrigado a reconhecer e respeitar os direitos territoriais aos povos ind&iacute;genas.</font></p>     <p><font size="3">No IV Pronunciamento das Organiza&ccedil;&otilde;es Ind&iacute;genas do Estado do Amazonas (7), datada de outubro de 2011, destacaram: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="3">Quase 12 anos ap&oacute;s ser aprovada a Constitui&ccedil;&atilde;o da 1ª Rep&uacute;blica Bolivariana da Venezuela, os avan&ccedil;os s&atilde;o realmente poucos e insignificantes em termos reais, seja de extens&otilde;es de terras reconhecidas ou de povos beneficiados. De acordo com dados da pr&oacute;pria Secretaria T&eacute;cnica da Comiss&atilde;o Nacional de Demarca&ccedil;&atilde;o, a situa&ccedil;&atilde;o para o ano de 2009 (&uacute;ltimos t&iacute;tulos), &eacute; que havia sido entregue um total de 40 t&iacute;tulos de terras demarcadas para um extens&atilde;o de cerca de um milh&atilde;o de hectares (1.005.846,73 ha) incluindo 73 comunidades ind&iacute;genas, de um total aproximado de 3 mil comunidades reconhecidas por &oacute;rg&atilde;os oficiais. Da mesma forma, s&oacute; se realizaram demarca&ccedil;&otilde;es em seis entidades federais que beneficiaram seis povos ind&iacute;genas, dos quase 40 existentes na Venezuela. Tampouco foram realizadas demarca&ccedil;&otilde;es coletivas que correspondam ao esp&iacute;rito da Constitui&ccedil;&atilde;o. Isto significa que, depois de quase 12 anos de vig&ecirc;ncia da Constitui&ccedil;&atilde;o, s&oacute; de demarcou aproximadamente 2,4% dos territ&oacute;rios ind&iacute;genas do pa&iacute;s, deixando pendente cerca de 97,6% das demarca&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias. Por tudo isso, o governo nacional, &oacute;rg&atilde;o que tem o dever constitucional de demarcar (Artigo 119 da Constitui&ccedil;&atilde;o) encontra&#45;se em d&iacute;vida com os povos ind&iacute;genas da Venezuela.&#91;Tradu&ccedil;&atilde;o livre feita pela editoria da revista, a partir do original em espanhol&#93; </font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a12img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Do calend&aacute;rio apresentado em 2011, ap&oacute;s as mobiliza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas que vinham em crescimento desde 2009 com diversas manifesta&ccedil;&otilde;es em n&iacute;vel regional e nacional, surge um cronograma de titula&ccedil;&otilde;es sobre terras para comunidades, e n&atilde;o de territ&oacute;rios para povos ind&iacute;genas. Os movimentos ind&iacute;genas assinalam a incongru&ecirc;ncia e incompreens&atilde;o das proposi&ccedil;&otilde;es do Estado venezuelano que ignora, no momento pol&iacute;tico presente, o significado dos territ&oacute;rios para os povos ind&iacute;genas, para sua cultura e sobreviv&ecirc;ncia. Os c&aacute;lculos inseridos na ret&oacute;rica desenvolvimentista nacionalista obliteram as reivindica&ccedil;&otilde;es que se assentam sobre a proposta de territ&oacute;rios para fortalecer a seguran&ccedil;a territorial dos povos e comunidades ind&iacute;genas, a participa&ccedil;&atilde;o desses mesmos povos e comunidades na demarca&ccedil;&atilde;o de terras, de acordo com suas concep&ccedil;&otilde;es e organiza&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica expressas na pr&oacute;pria autodemarca&ccedil;&atilde;o, entre eles 15 j&aacute; iniciados.</font></p>     <p><font size="3">No Quarto Pronunciamento das Organiza&ccedil;&otilde;es Ind&iacute;genas do Estado do Amazonas enfatizava&#45;se a necessidade de reimpulsionar com "vontade pol&iacute;tica o Processo Nacional de Demarca&ccedil;&atilde;o do Habitat e Terras Ind&iacute;genas". Neste documento de 25 de outubro de 2004 as entidades: informavam a preocupa&ccedil;&atilde;o com a "paralisa&ccedil;&atilde;o informal do processo Nacional de Demarca&ccedil;&atilde;o do Habitat e Terras Ind&iacute;genas, desde o ano de 2009" e propunham a discuss&atilde;o de iniciativas sobre a retomada do processo de demarca&ccedil;&atilde;o. Nesse pronunciamento reafirmavam: "estamos conscientes dos avan&ccedil;os normativos e legais na mat&eacute;ria dos direitos ind&iacute;genas e no marco deste processo de mudan&ccedil;as. <b>Todavia, em termos gerais, estes direitos n&atilde;o se materializaram e a demarca&ccedil;&atilde;o do habitat e das terras ind&iacute;genas ainda se encontra pendente.</b> A demarca&ccedil;&atilde;o &eacute; a forma de implementar os direitos originais coletivos dos povos ind&iacute;genas sobre seu habitat e terras, reconhecidos de forma ampla pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1999. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O processo nacional de demarca&ccedil;&atilde;o &eacute; a principal pol&iacute;tica p&uacute;blica que permitiria concretizar o exerc&iacute;cio dos direitos ind&iacute;genas j&aacute; reconhecidos. Nesse sentido, as organiza&ccedil;&otilde;es elaboraram como propostas: </font></p>     <p><font size="3"><b>1.</b> Reativar a demarca&ccedil;&atilde;o do habitat e das terras ind&iacute;genas, priorizando a implementa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento do processo nacional de demarca&ccedil;&atilde;o como a principal pol&iacute;tica p&uacute;blica do executivo nacional para garantir os direitos territoriais dos povos ind&iacute;genas na Venezuela, mediante a articula&ccedil;&atilde;o entre institui&ccedil;&otilde;es do Estado e organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, trabalhando com as demarca&ccedil;&otilde;es coletivas pendentes demandadas por v&aacute;rios povos ind&iacute;genas do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="3"><b>2.</b> Fazer uma revis&atilde;o da Comiss&atilde;o Nacional de Demarca&ccedil;&atilde;o do Habitat e das Terras Ind&iacute;genas, tanto do ponto de vista de sua composi&ccedil;&atilde;o como de seu funcionamento, para lograr uma planifica&ccedil;&atilde;o adequada e definir as prioridades de trabalho em cada uma das regionais com popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena. E a revis&atilde;o deveria incluir as dificuldades encontradas no processo durante estes anos, os problemas t&eacute;cnicos e pr&aacute;ticos, os principais conflitos e obst&aacute;culos e as possibilidades de continuidade dos processos iniciados, anteriormente, pelas comiss&otilde;es regionais. </font></p>     <p><font size="3"><b>3.</b> Definir mecanismos para operacionalizar e implementar na pr&aacute;tica o procedimento de demarca&ccedil;&atilde;o definido na Lei Org&acirc;nica de Povos e Comunidades Ind&iacute;genas, partindo da especificidade de cada povo ind&iacute;gena e das diferentes situa&ccedil;&otilde;es regionais. Propomos que os estudos socioantropol&oacute;gicos se sustentem em trabalhos de peritagem de profissionais conhecedores da realidade de cada povo ind&iacute;gena, pertencentes a institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas.</font></p>     <p><font size="3"><b>4.</b> Estabelecer crit&eacute;rios t&eacute;cnicos e operacionais para desenvolver o processo em cada um dos estados com popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena, definindo prioridades e possibilidades, segundo as diferentes op&ccedil;&otilde;es estabelecidas pela Lei de Demarca&ccedil;&atilde;o; ou seja, demarca&ccedil;&otilde;es por comunidades, por povos e segmentos de povos, por grupos ou zonas multi&eacute;tnicas, logradas mediante a discuss&atilde;o e o consenso.</font></p>     <p><font size="3"><b>5.</b> Desenhar uma estrat&eacute;gia efetiva e consensual de demarca&ccedil;&atilde;o, partindo das autodemarca&ccedil;&otilde;es j&aacute; realizadas pelos pr&oacute;prios povos ind&iacute;genas e suas organiza&ccedil;&otilde;es em todo o pa&iacute;s, fazendo as revis&otilde;es necess&aacute;rias para avan&ccedil;ar e chegar &agrave;s convalida&ccedil;&otilde;es e homologa&ccedil;&otilde;es permitidas por lei. Chamamos a aten&ccedil;&atilde;o sobre os Estados onde est&atilde;o se realizando planos de ordena&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, no sentido de que tenham em conta e respeitem os processos de demarca&ccedil;&atilde;o de habitat e terras ind&iacute;genas j&aacute; iniciados. De igual forma, que institui&ccedil;&otilde;es como o Instituto Nacional de Terras se abstenham de entregar cartas agr&aacute;rias e outras figuras legais em terras ind&iacute;genas. &#91;Tradu&ccedil;&atilde;o livre feita pela editoria da revista, a partir do original em espanhol&#93;</font></p>     <p><font size="3">Movimentos ind&iacute;genas e pesquisadores (8) t&ecirc;m feito cr&iacute;ticas &agrave; vis&atilde;o agrarista da titula&ccedil;&atilde;o, que concede terras parceladas e tem uma a&ccedil;&atilde;o tecnocr&aacute;tica, sem a din&acirc;mica participativa dos povos e comunidades ind&iacute;genas. Em v&aacute;rias declara&ccedil;&otilde;es o chamado &eacute; para que o Estado "multi&eacute;tnico e pluricultural do s&eacute;culo XXI seja edificado".</font></p>     <p><font size="3">Esse processo de reconhecimento de direitos territoriais abrange situa&ccedil;&otilde;es sociais de fronteira entre economias e Estados imbu&iacute;dos de uma ideologia desenvolvimentista, ou consenso (doxa) sobre um processo dessa natureza e alcance. A regi&atilde;o amaz&ocirc;nica venezuelana constitui o epicentro da economia mineral do pa&iacute;s &#150; ferro, bauxita, ouro (9), cobre, diamantes, al&eacute;m da faixa petrol&iacute;fera do rio Orinoco para o qual o Estado, ancorado em um discurso desenvolvimentista, apresenta novas fontes de emprego.</font></p>     <p><font size="3"> Em discursos presidenciais anuncia&#45;se a necessidade de 100 mil trabalhadores para a Faja Petrol&iacute;fera del Orinoco e outros milhares para a constru&ccedil;&atilde;o do estrada de ferro, para os portos sobre o rio e para a agricultura em grandes extens&otilde;es de soja, milho e arroz. Esse discurso do campo da minera&ccedil;&atilde;o com oferta laboral associa&#45;se ao denominado "Gran Arco Minero de Guayana" que compreende Guaniamo, at&eacute; El Callao, Tumeremo e Guasipati, no sul da Venezuela.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a12img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> No m&ecirc;s de setembro passado, foram assinados conv&ecirc;nios entre Venezuela e China para elabora&ccedil;&atilde;o do mapa de minera&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, assim como para a explora&ccedil;&atilde;o de ouro e cobre em Las Cristinas, no estado de Bol&iacute;var (10). Recente discurso do presidente da Venezuela amalgama os paradoxos do desenvolvimento.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="3">"A defesa do Amazonas &eacute; outra prioridade de nossa pol&iacute;tica exterior. Ali se compartilham interesses comuns entre os pa&iacute;ses, com o objetivo de proteger e desenvolver o pulm&atilde;o vegetal maior do mundo. Os recursos ecol&oacute;gicos da &aacute;rea podem servir para o impulso de um desenvolvimento sustent&aacute;vel das na&ccedil;&otilde;es que compartilham da Bacia Amaz&ocirc;nica. Para isso, a Venezuela se compromete a proteger e defender o patrim&ocirc;nio hist&oacute;rico e cultural das comunidades ind&iacute;genas que a habitam. A preserva&ccedil;&atilde;o e defesa do meio ambiente, assim como os direitos ecol&oacute;gicos, constituem pol&iacute;ticas de Estado. Desta maneira, se cumpririam de forma transparente os compromissos internacionais adquiridos pela Rep&uacute;blica."</font></p>       <p align="right"><font size="3"><A HREF="http://www.analitica.com/bitblioteca/hchavez/revolucion.asp" target="_blank">http://www.analitica.com/bitblioteca/hchavez/revolucion.asp</A>    <br>     &#91;em tradu&ccedil;&atilde;o livre, feita pela editoria da revista, a partir do espanhol&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Os povos ind&iacute;genas do sul da Venezuela &#150; comunidades camponesas e pescadores &#150;, continuam em posi&ccedil;&atilde;o reivindicativa de direitos reconhecidos na Carta Constitucional. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Rosa Acevedo Marin</b> &eacute; professora do N&uacute;cleo de Altos Estudos Amaz&ocirc;nicos (NAEA) &#150; UFPA.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <p><font size="3">1.  A regi&atilde;o Guayana foi criada pelo Congresso Nacional pelo Decreto nº 72 de Regionaliza&ccedil;&atilde;o, em 11 de junho de 1969. Esta regi&atilde;o administrativa &eacute; constitu&iacute;da pelo estado de Bol&iacute;var e pelo ent&atilde;o territ&oacute;rio federal Delta Amacuro. Nela, inicialmente se excluiu o distrito Cede&ntilde;o do estado de Bol&iacute;var e o territ&oacute;rio do Amazonas. O Decreto nº 1.331 de dezembro de 1975 agregou o distrito Cede&ntilde;o e, em 1980, o novo Decreto de Regionaliza&ccedil;&atilde;o nº 478 incorporou o territ&oacute;rio do Amazonas a essa regi&atilde;o. A estrat&eacute;gia de ampliar a &aacute;rea de influ&ecirc;ncia da CVG compreende atualmente os estados de Bol&iacute;var, do Amazonas e do Delta Amacuro, e parte sul dos estados Monagas e Anzoategui. Essa corpora&ccedil;&atilde;o desenvolve atividades de planejamento, desenvolvimento industrial, tutela de empresas do Grupo CVG, explora&ccedil;&atilde;o, prospec&ccedil;&atilde;o e explota&ccedil;&atilde;o mineral, assim como desenvolvimento urbano, servi&ccedil;os p&uacute;blicos, gest&atilde;o social, cultural, esportiva e recreacional. (Carrillo, M., Jungemann. B., 2002, p. 21).</font></p>     <p><font size="3">2.  Carrillo, M.; Jungemann, B.. Los conflictos territoriales en Los Pijiguaos. Cendes, <i>Temas para la discusi&oacute;n</i> nº 7. Caracas, 2002 65 p&aacute;ginas.</font></p>     <p><font size="3">3.  Este projeto &eacute; caracterizado como um "enclave industrial" constru&iacute;do pelo Estado mediante a Corporaci&oacute;n Venezolana de Guayana a partir dos anos 1960.</font></p>     <p><font size="3">4.  O Projeto Minero da CVG instala&#45;se no munic&iacute;pio de Cede&ntilde;o que tem uma superf&iacute;cie de 46.120 Km. Trata&#45;se de um projeto de elevado potencial mineral de explora&ccedil;&atilde;o, desenvolve atividades utilizando tecnologia de ponta, grande interesse de investidores estrangeiros e uma cidade planejada fechada, mas tamb&eacute;m mostra situa&ccedil;&otilde;es de inequidade social e conflitividade. O munic&iacute;pio Cede&ntilde;o det&eacute;m 41% na situa&ccedil;&atilde;o de "pobreza extrema". (Carrillo e Jungemann, 2002", p. 26&#45;27).</font></p>     <p><font size="3">5.  As minas de min&eacute;rio de ferro descobertas nas proximidades do rio Orinoco na d&eacute;cada de 1940, no denominado cintur&atilde;o ferr&iacute;fero do Imataca, foram exploradas por empresas estadunidenses at&eacute; a nacionaliza&ccedil;&atilde;o em 1975; a partir desse ano, a empresa estatal Ferrominera do Orinoco, subsidi&aacute;ria da Corporaci&oacute;n Venezolana de Guayana, passa a realizar a explora&ccedil;&atilde;o no Cerro Bol&iacute;var, Cerro San Isidro y Cerro Los Barrancos. O processo industrial &eacute; realizado nas instala&ccedil;&otilde;es da Sider&uacute;rgica del Orinoco, em Ciudad Guayana. A extra&ccedil;&atilde;o da bauxita de Los Pijiguaos opera desde 1987. Esta &eacute; transformada pela empresa Interal&uacute;mina, empresa subsidi&aacute;ria da Corporaci&oacute;n Venezolana de Guayana.</font></p>     <p><font size="3">6.  O detalhado estudo ainda assinala conflitos em La Solanera, com "comunidades" de trabalhadores organizados pela empresa Bauxiven (em Morichalito), nos assentamentos provis&oacute;rios Guayabal, Rinc&oacute;n Andino localizados antes da entrada da empresa Bauxilum. Tamb&eacute;m os pescadores de El Jobal que realizam suas atividades no rio Orinoco s&atilde;o afetados pelo porto da mina de bauxita da empresa Bauxilum.</font></p>     <p><font size="3">7.  Na rela&ccedil;&atilde;o dessas organiza&ccedil;&otilde;es constam: Organizaci&oacute;n Regional de Pueblos Ind&iacute;genas de Amazonas (Orpia), Organizaci&oacute;n Ind&iacute;gena Piaroa Unidos del Sipapo (Oipus), Organizaci&oacute;n Ye'kuana del Alto Ventuari (Kuyunu), Organizaci&oacute;n Ind&iacute;gena Yabarana del Parucito Medio (Oiyapam), Organizaci&oacute;n Ind&iacute;gena Jivi Kalievirrinae (Opijka), Comisi&oacute;n de la Organizaci&oacute;n Yanomami (Horonami), Organizaci&oacute;n Mujeres Ind&iacute;genas de Amazonas (Omida), Organizaci&oacute;n de Comunidades Ind&iacute;genas Hu&ocirc;ttuja del Sector Parhuaza (Ociuspa), Asociaci&oacute;n de Maestros Piaroa (Madoya Huarijja), Organizaci&oacute;n Yekuana del Alto Orinoco (Kuyujani origin&aacute;rio) e o Movimiento Pol&iacute;tico Pueblo Unido Multi&eacute;tnico de Amazonas (Puama).</font></p>     <p><font size="3">8.  V&aacute;rios desses documentos t&ecirc;m sido elaborados pelas pr&oacute;prias organiza&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas e por grupos de trabalho como o GTAI &#150; Grupo de Trabajo sobre Assuntos Ind&iacute;genas de la Universidad de Los Andes, de la ONG. Ver tamb&eacute;m: Bello, L. J. (Ed.) "El Estado ante la sociedad multi&eacute;tnica y pluricultural". <i>Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas y derechos de los pueblos ind&iacute;genas en Venezuela. 1999&#45;2010.</i> Caracas, IWGIA, S&eacute;rie Derechos Indigenas, 2011.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">9.  A abund&acirc;ncia de minerais de ouro nos estados de Bol&iacute;var e do Amazonas, tanto em minas (vetas) como em aluvi&otilde;es, representa, um potencial aproximadamente de 12% das reservas conhecidas no mundo. A empresa Minerven, subsidi&aacute;ria da Corporaci&oacute;n Venezolana de Guayana, realiza a explora&ccedil;&atilde;o do mineral aur&iacute;fero proveniente da Veta Col&ocirc;mbia y El Callao. Foi ainda fundada a Compa&ntilde;ia Venezolana de Oro C.A. (Venorca) formada pelo Sindicato de Patronos Mineros, que re&uacute;ne produtores de livre aproveitamento e de pequenos concession&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="3">10.  A reuni&atilde;o e assinatura de conv&ecirc;nio foi realizada com representantes da empresa Citic Group, da China. Ag&ecirc;ncia Venezolana de Not&iacute;cias. 21 de setembro de 2012.</font></p>      ]]></body>
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