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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Matérias em tramitação no Congresso Nacional, sob o tema "faixa de fronteira"]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Mat&eacute;rias em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional, sob o tema "faixa de fronteira"</b></font></p>     <p><font size="3">Marcia Anita Sprandel</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>E</b></font><font size="3">m novembro de 2012, a partir da pesquisa por assunto "faixa de fronteira", e pelo recorte "Projetos de Lei (PL)" e "Propostas de Emenda &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o(PEC)", nos sites de busca de mat&eacute;rias legislativas do Senado e da C&acirc;mara dos Deputados, estavam em tramita&ccedil;&atilde;o nas duas casas do Congresso Nacional 4  PECs e 22  PLs, num total de 26 (vinte e seis) mat&eacute;rias. </font></p>     <p><font size="3">A faixa de fronteira est&aacute; definida no § 2º, do art. 20 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (1) e tem como legisla&ccedil;&atilde;o infraconstitucional  a Lei nº 6.634, de 2 de maio de 1979 (2) , que disp&otilde;e sobre a faixa de fronteira, altera o Decreto&#45;Lei nº 1.135, de 3 de dezembro de 1970, e d&aacute; outras provid&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="3">As propostas de Emenda &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o s&atilde;o tentativas de alterar a Carta Magna. Em fun&ccedil;&atilde;o de sua import&acirc;ncia, precisam de tr&acirc;mite espec&iacute;fico, qu&oacute;rum qualificado e concord&acirc;ncia das duas casas (ou seja, o texto n&atilde;o pode ser alterado pela casa revisora) para serem sancionadas. Diferentemente dos Projetos de Lei, as PECs n&atilde;o podem ser vetadas pela Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica.</font></p>     <p><font size="3">A an&aacute;lise das quatro PECs em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso, aponta que duas delas t&ecirc;m o mesmo texto e mesmo objetivo, reduzir a atual faixa de fronteira de 150 km para 50 km. Inicialmente, o senador S&eacute;rgio Zambiasi (RS) apresentou a PEC 49/2006. Dois anos depois, o deputado federal Jorge Mendes Ribeiro Filho (PMDB/RS), apresentou a mesma PEC na C&acirc;mara dos Deputados, como PEC 235/2008. </font></p>     <p><font size="3">N&atilde;o &eacute; a toa que as mat&eacute;rias tenham sido apresentadas por parlamentares do Rio Grande do Sul, uma vez que este &eacute; um debate que tem mobilizado aquele estado (3). De um lado, a Associa&ccedil;&atilde;o Ga&uacute;cha de Empresas Florestais (Ageflor) (4), a Federa&ccedil;&atilde;o das Ind&uacute;strias do Rio Grande do Sul (Fiergs), e a Associa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios da Fronteira Oeste do Estado, apoiados por setores pol&iacute;ticos e acad&ecirc;micos. Do outro, o Minist&eacute;rio da Defesa e Movimento Ga&uacute;cho em Defesa do Meio Ambiente, apoiados por outros setores pol&iacute;ticos e acad&ecirc;micos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Da leitura das PECs, suas justifica&ccedil;&otilde;es e dos pareceres elaborados pelos relatores nas Comiss&otilde;es de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a (CCJ) das duas casas, percebe&#45;se, no m&iacute;nimo, a defesa de dois argumentos: uma faixa de fronteira nos moldes da CF de 1988, pensada como de defesa nacional, n&atilde;o se coadunaria mais com o momento alto, de integra&ccedil;&atilde;o regional e globaliza&ccedil;&atilde;o; e existe uma faixa de fronteira dinamizada, ao sul do pa&iacute;s, e outra &#150; na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica &#150; onde o sentido de defesa ainda seria necess&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="3">Assim, na justificativa de sua PEC, Zambiasi afirma que o texto constitucional e a norma infraconstitucional em vigor (Lei 6634/79) (5) se encontram em descompasso com a realidade internacional: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="3"><i>De resto, a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 foi concebida ainda sob os influxos da Guerra Fria, em contexto totalmente alheio &agrave; realidade presente. Vivemos o tempo da integra&ccedil;&atilde;o regional e da constru&ccedil;&atilde;o de blocos econ&ocirc;micos. O tecido mais sens&iacute;vel para que se apliquem tais din&acirc;micas &eacute;, em verdade, a faixa de fronteira, que hoje se v&ecirc; engessada e relegada economicamente  &agrave; hipossufici&ecirc;ncia, diante da legisla&ccedil;&atilde;o que ora pretendemos atualizar. Hoje, os mecanismos de seguran&ccedil;a, controle e informa&ccedil;&atilde;o instant&acirc;nea dos quais disp&otilde;e o Estado transformam a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira de faixa de fronteira em obsoleta e comprometedora do desenvolvimento regional. As regi&otilde;es fronteiri&ccedil;as s&atilde;o sacrificadas pela geografia e pela hist&oacute;ria. N&atilde;o h&aacute; mais raz&atilde;o para que o sejam tamb&eacute;m pelo direito e pela pol&iacute;tica.</i></font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a17img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O relator da PEC 49/2006 na CCJ, senador Epit&aacute;cio Cafeteira (PTB/MA), concorda com a tese da necessidade de ressignifica&ccedil;&atilde;o das fronteiras em um mundo globalizado:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="3"><i>Com a intensifica&ccedil;&atilde;o do processo de globaliza&ccedil;&atilde;o, verificado sobretudo ap&oacute;s o fim da Guerra Fria, passamos a viver em um "mundo sem fronteiras". Sabemos que, especialmente ap&oacute;s o advento da internet, muitas atividades e transa&ccedil;&otilde;es entre atores internacionais s&atilde;o realizadas a despeito da exist&ecirc;ncia de fronteiras f&iacute;sicas entre os pa&iacute;ses em que se encontram. Al&eacute;m disso, conceitos tradicionais como o de soberania v&ecirc;m sofrendo transforma&ccedil;&otilde;es em seu conte&uacute;do. Diante dessas constata&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o h&aacute; como negar a necessidade de rever antigos paradigmas que levaram o Estado brasileiro a fixar a faixa de fronteira em cento e cinquenta quil&ocirc;metros de largura. A faixa de fronteira est&aacute; tradicionalmente ligada &agrave; defesa nacional e, mais precisamente, tem o cunho de proteger o territ&oacute;rio estatal de eventuais ataques de for&ccedil;as estrangeiras. Entretanto, n&atilde;o deve estar alheia &agrave; ideia de desenvolvimento regional. De fato, n&atilde;o h&aacute; mais como persistir o atual limite para a faixa de fronteira, tal como estabelecido na Constitui&ccedil;&atilde;o, ignorando&#45;se as mudan&ccedil;as provocadas no Estado brasileiro pelo fen&ocirc;meno da globaliza&ccedil;&atilde;o, bem como pelo processo de integra&ccedil;&atilde;o regional.</i></font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No entanto, o senador Cafeteira prop&otilde;e uma diferencia&ccedil;&atilde;o entre o tratamento a ser dados &agrave;s fronteiras que ele denomina de "centro&#45;sul" e de "centro&#45;norte do pa&iacute;s". Sugere, neste sentido, que permane&ccedil;a existindo uma faixa de fronteira de at&eacute; 150 km de largura ao largo das fronteiras terrestres localizadas ao norte de Mato Grosso do Sul e de 50 km de largura nos demais estados, incluindo Mato Grosso do Sul. Assim justifica sua decis&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="3"><i>Entendemos, nesse sentido, que as fronteiras do centro&#45;sul do territ&oacute;rio brasileiro &#150; por serem diretamente atingidas pelo processo de integra&ccedil;&atilde;o, notadamente mais intenso nessas regi&otilde;es, e sobretudo em virtude de sua alta densidade populacional &#150; devem ter disciplina diferenciada em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s fronteiras do centro&#45;norte, cujas especificidades locais ainda justificam a manuten&ccedil;&atilde;o da extens&atilde;o atual (baixo povoamento nas fronteiras, relativa aus&ecirc;ncia do Estado, presen&ccedil;a de recursos naturais supostamente cobi&ccedil;ados por estrangeiros, entre outras).</i></font></p> </blockquote>     <p><font size="3">A PEC 49/2006 foi aprovada na forma do substitutivo do senador Cafeteira e encontra&#45;se pronta para ser votada pelo plen&aacute;rio do Senado e enviada para a casa revisora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a17img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Enquanto isso, sua cong&ecirc;nere na C&acirc;mara dos Deputados, a PEC 235/2008, do deputado Mendes Ribeiro Filho, teve seu parecer pela admissibilidade, consoante relat&oacute;rio do deputado Jos&eacute; Genoino (PT/SP). No entanto, como a mat&eacute;ria n&atilde;o chegou a ser discutida, foi arquivada no final da &uacute;ltima legislatura e desarquivada pelo autor, que se reelegeu deputado federal. Atualmente, encontra&#45;se novamente em exame na CCJ da C&acirc;mara, tendo como relator o deputado Sib&aacute; Machado (PT/AC), que ainda n&atilde;o produziu seu relat&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="3">A leitura do parecer do deputado Geno&iacute;no (6), no entanto, &eacute; importante para uma maior compreens&atilde;o da complexidade do debate e dos motivos da demora na tramita&ccedil;&atilde;o das duas PECs. Ap&oacute;s afirmar a admissibilidade da mat&eacute;ria, o parlamentar come&ccedil;a a discorrer sobre o que chama de "contornos de complexidade especial que o tema apresenta". Passa a discorrer, a partir da&iacute;, sobre Nota T&eacute;cnica contr&aacute;ria elaborada pelo Minist&eacute;rio do  Ex&eacute;rcito. </font></p>     <p><font size="3">Segundo o relator, a Nota T&eacute;cnica busca desconstruir a afirmativa de que a atual largura da faixa de fronteira estaria em descompasso com a realidade internacional de hoje, utilizando os seguintes argumentos:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="3"><i><b>No que concerne aos interesses da defesa externa</b>, devido ao fato de as amea&ccedil;as serem imprevis&iacute;veis, mesmo na atualidade do p&oacute;s&#45;Guerra Fria, qualquer redu&ccedil;&atilde;o nessa faixa implicar&aacute; restri&ccedil;&otilde;es ao Ex&eacute;rcito quanto &agrave;s Estrat&eacute;gias da Presen&ccedil;a e da Dissuas&atilde;o, devendo importar em incremento das press&otilde;es de organiza&ccedil;&otilde;es estrangeiras, principalmente ONGs, sobre atividades militares em Terras Ind&iacute;genas (TI) e Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o (UC), o que resultar&aacute; na limita&ccedil;&atilde;o de um dos poucos instrumentos de controle do Estado em extensa &aacute;rea do territ&oacute;rio nacional, dessa forma favorecendo o "aprofundamento da desnacionaliza&ccedil;&atilde;o indesej&aacute;vel (sem controle estatal), o que constituir&aacute;...dificuldade adicional no caso de defesa externa", ao que acrescento a observa&ccedil;&atilde;o de que isso preocupa muito mais em se tratando de Amaz&ocirc;nia, cabendo acrescentar que o estreitamento proposto com a PEC ensejar&aacute; a necessidade de se vir a obter permiss&atilde;o de lideran&ccedil;as locais, o que afetar&aacute; "diretamente o sigilo das opera&ccedil;&otilde;es, notadamente em TI, p&oacute;s a Declara&ccedil;&atilde;o da ONU sobre Direitos dos Povos Ind&iacute;genas", ao que tamb&eacute;m acrescento a observa&ccedil;&atilde;o de que o Brasil fez as ressalvas fundamentais relativas a tal Declara&ccedil;&atilde;o, sendo certo, s&oacute; por tais raz&otilde;es, que a redu&ccedil;&atilde;o proposta &eacute; de todo inconveniente aos interesses nacionais no campo de nossa indispens&aacute;vel defesa; </i></font></p>       <p><font size="3"><i><b>No que concerne &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento nacional</b>, os limites atuais da nossa faixa de fronteira facilitam o "cumprimento da Diretriz da Pol&iacute;tica de Defesa Nacional (PDN) referente &agrave; vivifica&ccedil;&atilde;o da faixa de fronteira, sobre a qual incidem programas de incentivos do governo federal, que na &aacute;rea da defesa s&atilde;o traduzidos no Programa Calha Norte, Projeto Rondon, a&ccedil;&otilde;es c&iacute;vico&#45;sociais das For&ccedil;as e outras advindas da coopera&ccedil;&atilde;o com outros setores governamentais..."; </i></font></p>       <p><font size="3"><i><b>No que concerne &agrave; Garantia da Lei e da Ordem (GLO)</b>, sendo que o Ex&eacute;rcito opera na faixa de fronteira sob os ausp&iacute;cios das Leis Complementares nºs 97, de 1999, e 117, de 2004, a redu&ccedil;&atilde;o da faixa inibir&aacute; a "atua&ccedil;&atilde;o do Ex&eacute;rcito contra os il&iacute;citos transnacionais...tendendo a estimular o agravamento r&aacute;pido dessas situa&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que fugir&atilde;o totalmente ao controle do Estado"; </i></font></p>       <p><font size="3"><i><b>No que concerne &agrave; "veda&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica de determinados atos na faixa de fronteira sem o assentimento pr&eacute;vio do Conselho de Defesa Nacional (CDN)</b>, em conformidade com o inciso III do §1º do art. 91 da CF/88..." &eacute; de todo conveniente aos interesses nacionais e do Ex&eacute;rcito  Brasileiro que essa regra perdure, o que resultaria prejudicado na hip&oacute;tese de redu&ccedil;&atilde;o da faixa; </i></font></p>       <p><font size="3"><i><b>No que concerne &agrave; Pol&iacute;tica de Defesa Nacional</b>, estabelecida nos termos do Decreto nº 5.484, de 2005, esta deve nortear tamb&eacute;m a avalia&ccedil;&atilde;o da PEC em quest&atilde;o, pois essa pol&iacute;tica se assenta, especialmente na premissa de que, "apesar do longo per&iacute;odo que separa o pa&iacute;s de conflitos que pudessem ter impacto direto no territ&oacute;rio nacional, n&atilde;o seria prudente imaginar que o Brasil n&atilde;o possa vir a enfrentar situa&ccedil;&otilde;es de antagonismos ou disputas em defesa de seus leg&iacute;timos interesses, provocados, principalmente, pelo grandioso potencial de bens e riquezas de que disp&otilde;e". </i></font></p> </blockquote>     <p><font size="3">Al&eacute;m disso, o Minist&eacute;rio do Ex&eacute;rcito apresenta os seguintes argumentos para a rejei&ccedil;&atilde;o da PEC:</font></p>     <blockquote>       <p> <font size="3">"Modificar a legisla&ccedil;&atilde;o que d&aacute; suporte &agrave; faixa de fronteira nacional, considerando&#45;se s&oacute; o aspecto econ&ocirc;mico como vetor de integra&ccedil;&atilde;o regional, como apresentado pelo autor, se mostra pouco conveniente, pois os aspectos estrat&eacute;gicos, de seguran&ccedil;a e pol&iacute;ticos t&ecirc;m relev&acirc;ncia destacada no arco fronteiri&ccedil;o do pa&iacute;s, conforme preconizado na Pol&iacute;tica de Defesa Nacional vigente". </font></p>       <p> <font size="3">"O Brasil estabelece fronteira com quase todos os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul, desde a &eacute;poca do Imp&eacute;rio, quando consolidou sua base territorial, situa&ccedil;&atilde;o esta que refor&ccedil;a as necessidades de exercer acentuada vigil&acirc;ncia naquelas importantes &aacute;reas...". </font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="3">"Cabe salientar que o atual disciplinamento legal da mat&eacute;ria n&atilde;o inviabiliza a ocupa&ccedil;&atilde;o e a explora&ccedil;&atilde;o racionais das terras e bens nela situados, nem exclui o direito de propriedade de quem as possui". </font></p> </blockquote>     <p><font size="3">As outras duas PECs (PEC 6/2009 e PEC 409/2009) tratam, respectivamente, da cria&ccedil;&atilde;o de um Fundo de Desenvolvimento para os Munic&iacute;pios de Fronteira e da possibilidade da cria&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;cia de seguran&ccedil;a federal, que teria entre suas atribui&ccedil;&otilde;es exercer as fun&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;cia mar&iacute;tima, aeroportu&aacute;ria e de fronteiras. </font></p>     <p><font size="3">Para fins desta an&aacute;lise, apenas a PEC 6/2009 apresenta interesse, uma vez que em sua justificativa a autora, senadora Marisa Serrano (PSDB/MS), afirma que "h&aacute; problemas de desenvolvimento socioecon&ocirc;mico em v&aacute;rios munic&iacute;pios fronteiri&ccedil;os". Seu relator na CCJ, senador Antonio Carlos Junior (DEM/BA), apresentou substitutivo determinando que os recursos do fundo a ser criado n&atilde;o devem ser repassados aos munic&iacute;pios, mas sim destinados (1) a empr&eacute;stimos para os agentes econ&ocirc;micos dos munic&iacute;pios fronteiri&ccedil;os e (2)  ao financiamento de obras de infraestrutura que facilitem o escoamento da produ&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m acatou emendas do senador Romero Juc&aacute; (PMDB/RO), que ampliam os benef&iacute;cios do fundo para os munic&iacute;pios da &aacute;rea da faixa de fronteira, e n&atilde;o apenas &agrave;queles localizados na &aacute;rea lim&iacute;trofe da fronteira. Desta forma o fundo passa &agrave; denomina&ccedil;&atilde;o de Fundo de Desenvolvimento dos Munic&iacute;pios da Faixa de Fronteira.</font></p>     <p><font size="3">Nas duas casas, projetos de lei que incidam sobre a tem&aacute;tica da fronteira s&atilde;o de m&eacute;rito das respectivas Comiss&otilde;es de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores e Defesa Nacional. </font></p>     <p><font size="3">Desta forma, conforme o Regimento Interno do Senado Federal, art. 103, inciso V, compete &agrave; Comiss&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores e Defesa Nacional emitir parecer sobre for&ccedil;as armadas de terra, mar e ar, requisi&ccedil;&otilde;es militares, passagem de for&ccedil;as estrangeiras e sua perman&ecirc;ncia no territ&oacute;rio nacional, quest&otilde;es de fronteiras e limites do territ&oacute;rio nacional, espa&ccedil;o a&eacute;reo e mar&iacute;timo, declara&ccedil;&atilde;o de guerra e celebra&ccedil;&atilde;o de paz (Const., art. 49, II).</font></p>     <p><font size="3">Nos termos do Regimento Interno da C&acirc;mara dos Deputados, compete &agrave; Comiss&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores e de Defesa Nacional apreciar mat&eacute;rias referentes a, entre outros campos tem&aacute;ticos ou &aacute;reas de atividade, assuntos atinentes &agrave; faixa de fronteira e &aacute;reas consideradas indispens&aacute;veis &agrave; defesa nacional.</font></p>     <p><font size="3">Vale ressaltar que no Senado Federal, no &acirc;mbito da Comiss&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Exteriores e Defesa Nacional, funciona a  Subcomiss&atilde;o Permanente da Amaz&ocirc;nia e da Faixa de Fronteira &#150; Crepaff, cujo presidente &eacute; o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB/RR) e vice&#45;presidente a senadora Ana Am&eacute;lia (PP/RS).</font></p>     <p><font size="3">No entanto, dos 22 projetos identificados, nem todos tem como tem&aacute;tica principal a faixa de fronteira, da&iacute; o porqu&ecirc; de sua tramita&ccedil;&atilde;o em outras comiss&otilde;es de m&eacute;rito.</font></p>     <p><font size="3">Numa classifica&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica aleat&oacute;ria (ou seja, que n&atilde;o coincide com aquelas da tramita&ccedil;&atilde;o legislativa), pode&#45;se identificar que desses 22 projetos, 5 tratam de incentivos fiscais &agrave;s regi&otilde;es fronteiri&ccedil;as; 5 buscam modificar a legisla&ccedil;&atilde;o referente &agrave; presen&ccedil;a de estrangeiros em regi&otilde;es de fronteiras ou no capital de empresas que ali atuem; 3 pretendem alterar a faixa de fronteira; 3 pretendem ampliar prazos para ratifica&ccedil;&atilde;o de terras na faixa de fronteira; 2 prop&otilde;e pol&iacute;ticas nacionais e estatutos; 2 est&atilde;o referidos &agrave; quest&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica;  e 2 ao subsolo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><i><b>Marcia Anita Sprandel</b> &eacute; antrop&oacute;loga, assessora t&eacute;cnica do Senado Federal. Integra o Comit&ecirc; de Migra&ccedil;&otilde;es Internacionais da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia. </i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <p><font size="3">1. Art.20, S&atilde;o bens da Uni&atilde;o:</font></p>     <p><font size="3">§ 2º &#45; A faixa de at&eacute; 150 km de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como faixa de fronteira, &eacute; considerada fundamental para defesa do territ&oacute;rio nacional, e sua ocupa&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o ser&atilde;o reguladas em lei.</font></p>     <p><font size="3">2. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6634.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6634.htm</a></font></p>     <p><font size="3">3  Sobre a mobiliza&ccedil;&atilde;o no Rio Grande do Sul a favor da redu&ccedil;&atilde;o da faixa de fronteira ver, no site da Assembleia Legislativa daquele estado:    <br>   <a href="http://www2.al.rs.gov.br/forumdemocratico/Not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/tabid/3240/IdOrigem/1/IdMateria/276756/Default.aspx" target="_blank">http://www2.al.rs.gov.br/forumdemocratico/Not%C3%ADcias/Not%C3%ADcia/tabid/3240/IdOrigem/1/IdMateria/276756/Default.aspx</a></font></p>     <p><font size="3">Os posicionamentos contr&aacute;rios podem ser encontrados no mesmo site, no endere&ccedil;o:    <br>   <a href="http://www2.al.rs.gov.br/noticias/ExibeNoticia/tabid/5374/IdMateria/208004/language/pt&#45;BR/Default.aspx" target="_blank">http://www2.al.rs.gov.br/noticias/ExibeNoticia/tabid/5374/IdMateria/208004/language/pt&#45;BR/Default.aspx</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">4. O debate da redu&ccedil;&atilde;o da faixa envolve hoje interesses de segmentos de florestamento e celulose. Um exemplo &eacute; a empresa sueco&#45;finlandesa Stora Enso, que adquiriu &aacute;reas localizadas na faixa de fronteira e depende de libera&ccedil;&atilde;o do Instituto Nacional de Coloniza&ccedil;&atilde;o e Reforma Agr&aacute;ria (Incra) e do aval para a explora&ccedil;&atilde;o do Conselho de Defesa Nacional (CDN), que &eacute; respons&aacute;vel por aprovar projetos que estejam situados na faixa de 150 quil&ocirc;metros.</font></p>     <p><font size="3">5. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6634.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6634.htm</a></font></p>     <p><font size="3">6. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=577998&filename=Parecer&#45;CCJC&#45;19&#45;06&#45;2008" target="_blank">http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=577998&amp;filename=Parecer&#45;CCJC&#45;19&#45;06&#45;2008</a></font></p>     <p><font size="3">7.  Projeto de Lei (PL) &#150; denomina&ccedil;&atilde;o comum a todos projetos de lei que tramitam na casa, independentemente de sua origem (C&acirc;mara ou Senado).</font></p>     <p><font size="3">Projeto de Lei da C&acirc;mara (PLC) &#150; denomina&ccedil;&atilde;o que recebem os projetos de lei origin&aacute;rios da C&acirc;mara dos Deputados, quando em tramita&ccedil;&atilde;o no Senado Federal.</font></p>     <p><font size="3">Projeto de Lei do Senado (PLS) &#150; denomina&ccedil;&atilde;o dada a projetos de lei de autoria de senadores ou senadoras, quando em tramita&ccedil;&atilde;o no Senado Federal. </font></p>      ]]></body>
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