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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/fronteiras_noticias.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a18img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A<small>MAZ&Ocirc;NIA</small></font></p>     <p><font size="3"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/linha.jpg"></font></p>     <p><font size=5><b>Identidades m&oacute;veis revelam a complexidade     de direitos ind&iacute;genas e extrativistas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">As pessoas, para se socializar, precisam assumir v&aacute;rias facetas de acordo com a situa&ccedil;&atilde;o em que est&atilde;o. O que dizer quando esta mudan&ccedil;a n&atilde;o ocorre apenas no ambiente superficial dos pap&eacute;is sociais, mas tamb&eacute;m se aprofundam e se complexificam a ponto de atingir a identidade de um sujeito? </font></p>     <p><font size="3">A cientista social da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) Eliza Costa esteve na 36ª Reuni&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de P&oacute;s&#45;Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias Sociais (Anpocs), em outubro de 2012, para falar de sua pesquisa sobre conflitos entre ind&iacute;genas e n&atilde;o ind&iacute;genas na regi&atilde;o do rio Am&ocirc;nia (afluente do alto Juru&aacute;, no Acre), onde vivem fam&iacute;lias descendentes dos Jaminawa, Ashaninka, Santa Rosa, Konibo, Tchama e Amoaca. A pesquisa explicita o que Eliza resumiu como "um jogo de identidades escolhidas" entre as partes envolvidas. Ela conta que, em 2002, com o crescimento da regi&atilde;o, esses descendentes de ind&iacute;genas decidiram reivindicar direitos a partir da uni&atilde;o em torno da identidade Arara, o que culminou em conflitos j&aacute; que, durante v&aacute;rios anos, eles compartilharam o territ&oacute;rio com fam&iacute;lias de n&atilde;o &iacute;ndios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">De acordo com a pesquisadora "o conflito tornou&#45;se mais intenso porque, no momento da cria&ccedil;&atilde;o da Terra Ind&iacute;gena Kampa do rio Am&ocirc;nia (na d&eacute;cada de 1980) alguns desses mesmos descendentes n&atilde;o quiseram ser identificados como &iacute;ndios, preferindo viver na reserva extrativista ou posteriormente num projeto de assentamento, tal como outras fam&iacute;lias n&atilde;o ind&iacute;genas. E, hoje essas fam&iacute;lias, apesar do hist&oacute;rico de conviv&ecirc;ncia, poder&atilde;o ser expulsas, o que tem ocasionado revoltas j&aacute; que n&atilde;o consideram justo que outros que viveram de forma t&atilde;o pr&oacute;xima tenham mais direitos que eles". Neste caso, uma das raz&otilde;es para essa diferencia&ccedil;&atilde;o, e a aparente diferencia&ccedil;&atilde;o de direitos, &eacute; a pr&oacute;pria legisla&ccedil;&atilde;o brasileira. Maria do Ros&aacute;rio Carvalho, antrop&oacute;loga da Universidade Federal da Bahia (UFBA), lembra que ind&iacute;genas contam com a Lei 6001/73, que est&aacute; em vigor e prev&ecirc; o Estatuto do &Iacute;ndio. "Ent&atilde;o, eles partem do pressuposto de que ter&atilde;o benef&iacute;cios mais assegurados, que sa&uacute;de e territ&oacute;rio lhes ser&atilde;o garantidos, mas isso n&atilde;o &eacute; um mar de rosas &#150; a exemplo do que est&aacute; acontecendo com os &iacute;ndios Guarani no Mato Grosso do Sul.</font></p>     <p><font size="3">Os antrop&oacute;logos Augusto Postigo e Roberto Rezende, ambos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tamb&eacute;m estudaram esses conflitos no alto Juru&aacute;. Eles ressaltam que o direito &agrave; terra, do lado dos ind&iacute;genas, passava por sua identidade, atestada por laudos antropol&oacute;gicos. J&aacute; para os extrativistas, a concess&atilde;o do direito ao uso do territ&oacute;rio era feita pelo Ibama, desde que houvesse o comprometimento para a sua preserva&ccedil;&atilde;o. Eles concluem que "enquanto os ind&iacute;genas ficaram 'protegidos' pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a por seu direito origin&aacute;rio vinculado a sua identidade &eacute;tnica, os extrativistas firmaram compromisso com o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente de manter uma Unidade de Conserva&ccedil;&atilde;o Nacional", o que os leva os antrop&oacute;logos  a crer que "parece que quem n&atilde;o se identifica como &iacute;ndio e mora na floresta cai na vala comum e nebulosa de pequenos agricultores". </font></p>     <p><font size="3"><b>ESCOLHA DE IDENTIDADE</b> A situa&ccedil;&atilde;o em determinados casos &eacute; t&atilde;o cr&iacute;tica que a obten&ccedil;&atilde;o de direitos como sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o pode lev&aacute;&#45;los a escolher a identidade ind&iacute;gena mas depois desistir dela, e tem havido casos assim", conta. Eliza Costa, no entanto, diz que essa quest&atilde;o sobre identidades n&atilde;o &eacute; de forma alguma somente pol&iacute;tica. Maria do Ros&aacute;rio concorda e acrescenta que trata&#45;se de assumir uma identidade que durante anos foi suprimida, em decorr&ecirc;ncia de uma s&eacute;rie de fatos hist&oacute;ricos, e isso n&atilde;o tem car&aacute;ter apenas instrumental, mas "h&aacute; uma mem&oacute;ria de pertencimento &eacute;tnico ind&iacute;gena, que aflora em certos momentos, por vezes atrav&eacute;s de uma lideran&ccedil;a com mais poder de mobiliza&ccedil;&atilde;o e &agrave;s vezes por causa das ocupa&ccedil;&otilde;es simult&acirc;neas", afirma a antrop&oacute;loga. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a18img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">O poss&iacute;vel choque que a mobilidade identit&aacute;ria pode provocar em n&atilde;o ind&iacute;genas, mais ainda quando aparenta ser instrumental no sentido do uso pol&iacute;tico que dela pode ser feito na demarca&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rios, vem em parte da imagem de "bom selvagem", puro e inocente, que brasileiros n&atilde;o ind&iacute;genas criam acerca dos &iacute;ndios, que substitui a imagem do ind&iacute;gena real &#150; o que Alcida Ramos, antrop&oacute;loga da Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), considera como o "&iacute;ndio hiper&#45;real", j&aacute; que a imagem que dele se projeta &eacute; "mais real" que a realidade. E isso tem um papel muito importante na delimita&ccedil;&atilde;o dessas identidades: como conclui Maria do Ros&aacute;rio, "o Estado ainda parece precisar de uma imagem 'pura' ou hiper&#45;real do que considera 'ser ind&iacute;gena' para elaborar suas pol&iacute;ticas enquanto a realidade &eacute; bastante mais complexa do que isto" &#150; e, a exemplo dos recentes conflitos que v&ecirc;m ocorrendo no Mato Grosso do Sul (referente ao pedido de reconhecimento das terras por parte dos &iacute;ndios Guarani&#45;Kaiow&aacute;), &eacute; uma quest&atilde;o longe de uma solu&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Meghie Rodrigues</i></font></p>      ]]></body>
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