<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252013000100023</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252013000100023</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O efêmero eternizado pelos novos registros eletrônicos]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barbosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Enio Rodrigo]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<volume>65</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>58</fpage>
<lpage>60</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252013000100023&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252013000100023&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252013000100023&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><font size="3"><b>TEATRO</b></font></p>     <p><b>O ef&ecirc;mero eternizado pelos novos registros eletr&ocirc;nicos</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Diversas artes s&atilde;o caracterizadas pelo ef&ecirc;mero. Elas t&ecirc;m local e hora para acontecer. Passada essa janela de tempo e espa&ccedil;o elas deixam de ser a express&atilde;o art&iacute;stica na sua forma pura, restando, entretanto, registros e vest&iacute;gios dessas artes ef&ecirc;meras que s&atilde;o os espet&aacute;culos de dan&ccedil;a, de m&uacute;sica, <I>happenings</I> e de teatro. Por&eacute;m, aos poucos, esses vest&iacute;gios est&atilde;o se popularizando com o uso de recursos que permitem o registro em formatos mais duradouros. Esses registros, apesar de n&atilde;o serem a arte em si, servem para popularizar e democratizar os espet&aacute;culos, engajam novos p&uacute;blicos (principalmente os mais jovens) e, no caso do teatro, servem at&eacute; mesmo para a forma&ccedil;&atilde;o de novos atores, diretores e t&eacute;cnicos, e, inclusive, para que as companhias &#150; de teatro, dan&ccedil;a e m&uacute;sica &#150; consigam, eventualmente, algum suporte financeiro durante os intervalos entre os espet&aacute;culos que saem e entram em cartaz.</font></p>     <p><font size="3">"O teatro &eacute; caracterizado pelo instante. Cada apresenta&ccedil;&atilde;o tem caracter&iacute;sticas diferentes, pois a intera&ccedil;&atilde;o entre os atores e a plateia &eacute; &uacute;nica. Cada apresenta&ccedil;&atilde;o &eacute; quase um  novo espet&aacute;culo. Al&eacute;m do momento, o espa&ccedil;o do palco &eacute; singular, imprime suas peculiaridades nesse tipo de arte, que vai desde a movimenta&ccedil;&atilde;o dos atores, a &ecirc;nfase nas falas, e mesmo na constru&ccedil;&atilde;o da espacialidade determinada pelas luzes, sombras e objetos em cena", explica Tallita Freitas, pesquisadora do N&uacute;cleo de Estudo em Hist&oacute;ria Social da Arte e da Cultura (NEHAC) da Universidade Federal de Uberl&acirc;ndia (UFU).</font></p>     <p><font size="3">Filmar um espet&aacute;culo n&atilde;o &eacute; criar algo totalmente novo, pois usa a base teatral para compor um objeto h&iacute;brido. Mas n&atilde;o &eacute; nem teatro nem televis&atilde;o. Os formatos desse tipo de material v&ecirc;m se modificando para tentar chegar a uma esp&eacute;cie de objeto midi&aacute;tico que seja mais que um registro, pura e simplesmente, e passe a ser um material de acesso ao teatro, mas com qualidades pr&oacute;prias. </font></p>     <p><font size="3">"A c&acirc;mera fixa, que simplesmente registrava o palco em um enquadramento amplo era o formato mais comum at&eacute; pouco menos de 10 anos atr&aacute;s quando novas experi&ecirc;ncias come&ccedil;aram a ser testadas", aponta Tallita. "No Brasil, um dos primeiros materiais com essa caracter&iacute;stica mais din&acirc;mica &eacute; o espet&aacute;culo <I>7 minutos</I> de Ant&ocirc;nio Fagundes. No registro em v&iacute;deo dessa pe&ccedil;a j&aacute; h&aacute; elementos da est&eacute;tica televisiva de forma mais percept&iacute;vel. H&aacute; cortes, edi&ccedil;&atilde;o e um trabalho de composi&ccedil;&atilde;o mais refinado", diz a pesquisadora.</font></p>     <p><font size="3">"Na verdade, pouco tempo antes do projeto com Fagundes, adaptei um outro espet&aacute;culo de Antunes Filho para o formato de v&iacute;deo. A diferen&ccedil;a foi que o diretor, nesse caso, me deixou completamente livre para fazer as adapta&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias. A conversas foram mais focadas com o elenco, que j&aacute; tinha uma grande no&ccedil;&atilde;o de que seria um processo diferente. O projeto com Ant&ocirc;nio Fagundes, entretanto, foi mais complexo do ponto de vista do produto final e do objetivo e passou por reuni&otilde;es com os atores e diretor para defini&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o. E havia um objetivo claro de lan&ccedil;ar o produto pela 'Globo Marcas' na &eacute;poca, ou seja, havia um apelo comercial claro", relata Ant&ocirc;nio Carlos Rebelo, diretor de televis&atilde;o e uma das refer&ecirc;ncias na &aacute;rea sobre o assunto.</font></p>     <p><font size="3"><b>TELETEATRO</b> Rebelo, ali&aacute;s,­ &eacute; um dos precursores desse tipo de registro do ef&ecirc;mero no Brasil. Diretor da TV Cultura de S&atilde;o Paulo, foi respons&aacute;vel pelo <I>Teleteatro,</I> da emissora. No modelo tradicional, o programa partia de planos amplos, valorizando o espa&ccedil;o do palco. A TV Cultura tamb&eacute;m foi uma das primeiras a registrar espet&aacute;culos de dan&ccedil;a e apresenta&ccedil;&otilde;es de m&uacute;sica erudita.</font></p>     <p><font size="3">"Na minha concep&ccedil;&atilde;o a televis&atilde;o tem que ter essa fun&ccedil;&atilde;o educativa tamb&eacute;m. As novelas no pa&iacute;s t&ecirc;m qualidade incompar&aacute;vel no cen&aacute;rio internacional. Mas trazer novos formatos para o p&uacute;blico &eacute; importante. Esse p&uacute;blico que assiste TV acaba tendo contato com o teatro e o movimento que se espera &eacute; que eles descubram algo novo e procurem ir ao teatro para conhecer essa express&atilde;o art&iacute;stica. A diferen&ccedil;a est&aacute; principalmente na maior complexidade &#150; de textos, de inten&ccedil;&otilde;es e atua&ccedil;&otilde;es, por exemplo &#150; que o teatro oferece", explica Rebelo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a23img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>PRECONCEITO E ACEITA&Ccedil;&Atilde;O</b> O registro em v&iacute;deo e sua readequa&ccedil;&atilde;o &agrave; linguagem televisiva ainda n&atilde;o &eacute; unanimidade. Parte dos diretores e atores ainda veem com retic&ecirc;ncia o processo. "Durante a minha pesquisa, por volta de 2007, a ideia geral era de que esse tipo de produto &#150; ou subproduto &#150; n&atilde;o era algo interessante para aqueles que trabalhavam com o teatro. Muitos afirmavam que era o tipo de rela&ccedil;&atilde;o 'parasit&aacute;ria', que esse tipo de produ&ccedil;&atilde;o roubaria o p&uacute;blico do teatro. Cinco anos depois tenho a impress&atilde;o que h&aacute; uma menor rejei&ccedil;&atilde;o do registro e comercializa&ccedil;&atilde;o do teatro adaptado para o v&iacute;deo. Mas isso talvez porque as iniciativas s&atilde;o recentes no pa&iacute;s", observa Tallita. </font></p>     <p><font size="3">"Na Fran&ccedil;a, EUA e Jap&atilde;o esse tipo de produ&ccedil;&atilde;o &eacute; muito bem aceita. Registros de &oacute;pera, por exemplo, s&atilde;o facilmente encontrados nesses mercados. Mesmo no Brasil h&aacute; um p&uacute;blico que j&aacute; est&aacute; acostumado e procura esse tipo espec&iacute;fico de produto", completa. "Aqui os espet&aacute;culos que t&ecirc;m maior aceita&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico amplo s&atilde;o as com&eacute;dias. O <I>Ter&ccedil;a Insana</I> foi um relativo sucesso comercial. Agora novos g&ecirc;neros parecem ganhar maior aten&ccedil;&atilde;o".</font></p>     <p><font size="3">"Na Fran&ccedil;a, onde fiz interc&acirc;mbio profissional, em meados da d&eacute;cada de 1970, j&aacute; havia o interesse por registros de teatro em v&iacute;deo. Eles entendiam que era uma forma de educar e formar p&uacute;blico. No Brasil, al&eacute;m da TV Cultura, o Sesc tem um grande trabalho nessa linha. Em um trabalho recente chegamos a captar mais de 300 horas de espet&aacute;culos de dan&ccedil;a para o acervo do Sesc, algo importante como registro hist&oacute;rico, mas que atinge tamb&eacute;m as pessoas que n&atilde;o tiveram acesso &agrave; apresenta&ccedil;&atilde;o <I>in loco</I>", diz Rebelo que trabalha agora em outro projeto ambicioso para o Minist&eacute;rio da Cultura: fazer o registro e editar em moldes televisivos uma s&eacute;rie de 10 pe&ccedil;as teatrais para serem exibidas na televis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="3"><b>INDO AONDE N&Atilde;O H&Aacute; TEATRO</b> O que se pode dizer &eacute; que esse novo formato venceu a resist&ecirc;ncia inicial dos diretores e atores e, aos poucos, o p&uacute;blico tamb&eacute;m passa a se familiarizar com esse tipo de produto. E a tecnologia avan&ccedil;a para atrair cada vez mais pessoas interessadas dos dois lados da quest&atilde;o. Se o registro em v&iacute;deo e a comercializa&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o novidades, outros canais de distribui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ganham destaque. </font></p>     <p><font size="3"><b>CENNARIUM.COM</b> Um deles &eacute; a internet que, com op&ccedil;&otilde;es de maiores velocidades e equipamentos de acesso &#150; como computadores, tablets e smartphones &#150; cada vez mais baratos, tamb&eacute;m entra na equa&ccedil;&atilde;o de populariza&ccedil;&atilde;o do teatro em v&iacute;deo. J&aacute; h&aacute; portais se especializando em distribuir os v&iacute;deos de pe&ccedil;as teatrais gravadas no formato <I>streaming</I>, onde os espectadores assistem <I>on line</I> aos espet&aacute;culos. E, ao inv&eacute;s de comprar ou alugar um DVD, elas podem pagar uma mensalidade e assistir a um n&uacute;mero pr&eacute;&#45;programado de pe&ccedil;as.</font></p>     <p><font size="3">"A ideia &eacute; complementar esse processo da distribui&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;deos de teatro. O p&uacute;blico que se interessa por esse tipo de produto muitas vezes n&atilde;o tem outra op&ccedil;&atilde;o para assistir as pe&ccedil;as. No Brasil nem toda cidade tem um teatro, por exemplo. Ent&atilde;o &eacute; importante que esses indiv&iacute;duos tenham op&ccedil;&otilde;es, tanto para forma&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, como para a forma&ccedil;&atilde;o dos atores, que podem assistir produ&ccedil;&otilde;es profissionais", afirma Cleston Teixeira, diretor de conte&uacute;do de um desses servi&ccedil;os, o <I>cennarium.com</I>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n1/a23img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">De acordo com Teixeira, passada a resist&ecirc;ncia inicial, as companhias de teatro viram nesse tipo de iniciativa uma &oacute;tima oportunidade de divulgar seu trabalho para centros urbanos que ficam longe dos mercados tradicionais. "&Eacute; uma forma de democratizar as produ&ccedil;&otilde;es teatrais e chega a dar algum retorno financeiro, para companhias que podem ficar meses sem um espet&aacute;culo enquanto montam a pr&oacute;xima pe&ccedil;a. Nesse meio tempo as pe&ccedil;as gravadas servem tanto como material promocional como fonte de algum recurso", explica.</font></p>     <p><font size="3">H&aacute; tamb&eacute;m outros modelos se consolidando paralelamente a tudo isso, como os impulsionados por demandas educativas que chegam &agrave;s companhias teatrais e que fazem surgir espet&aacute;culos direcionados &#150; como adapta&ccedil;&otilde;es de obras de literatura &#150; que s&atilde;o captados em v&iacute;deo e comercializados para as escolas atrav&eacute;s da internet, por exemplo. "Al&eacute;m do retorno econ&ocirc;mico captado junto ao p&uacute;blico, a outra forma de fomento tradicional das companhias de teatro eram os incentivos de programas governamentais. Com essas novas op&ccedil;&otilde;es proporcionadas pelas tecnologias, h&aacute; outras formas dessas companhias &#150; e isso inclui diretores, atores, t&eacute;cnicos e outros profissionais envolvidos &#150; se manterem de diversas outras formas", pondera Teixeira.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Enio Rodrigo Barbosa</i></font></p>      ]]></body>
</article>
