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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/noticiasbr.jpg"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><a name="img01" id="img01"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/a03img01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>U<small>RBANISMO</small></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v65n2/linha_preta.jpg"></p>     <p><font size="4"><b>Cidades nascem abra&ccedil;adas a seus rios,     mas lhes viram as costas no crescimento</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">O Brasil tem a maior rede hidrogr&aacute;fica   e possui a maior reserva de &aacute;gua doce do planeta. Se levarmos em conta a   quantidade de &aacute;gua de territ&oacute;rios estrangeiros que ingressa no pa&iacute;s pelas   bacias amaz&ocirc;nica, do Uruguai e do Paraguai, a vaz&atilde;o m&eacute;dia de nossos rios &eacute; da   ordem de 267 mil metros c&uacute;bicos por segundo, ou seja, pouco mais de 100   piscinas ol&iacute;mpicas por segundo. &Eacute; muita &aacute;gua! Que tem um papel de grande   import&acirc;ncia na vida das pessoas. </font></p>     <p><font size="3">Mas o pa&iacute;s mant&eacute;m com seus rios   uma rela&ccedil;&atilde;o amb&iacute;gua: as cidades os abra&ccedil;am para crescer e se desenvolver,   criando importante la&ccedil;o para o desenvolvimento urbano e agr&iacute;cola, mas os   destroem, ao torn&aacute;-los o principal meio de escoamento de esgoto. Os rios sofrem   com a polui&ccedil;&atilde;o, o assoreamento, o desvio de seus cursos e com a destrui&ccedil;&atilde;o das   matas ciliares; e a beleza da paisagem fica obstru&iacute;da pelo mau cheiro, mudan&ccedil;a   de colora&ccedil;&atilde;o, incapacidade de uso original de seus recursos.</font></p>     <p><font size="3">Os cursos d'&aacute;gua possuem m&uacute;ltiplos   usos: consumo humano , aproveitamento industrial, irriga&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o animal,   pesca, aquicultura e piscicultura, turismo, recrea&ccedil;&atilde;o, gera&ccedil;&atilde;o de energia,   lazer e transporte. A arquiteta e paisagista Maria Cec&iacute;lia Barbieri Gorski,   escreveu o livro <i>Rios     e cidades: ruptura e reconcilia&ccedil;&atilde;o</i>,   onde afirma que, em algumas regi&otilde;es do Brasil, rios e c&oacute;rregos estiveram, e   ainda est&atilde;o, associados ao cotidiano de popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas, fornecendo &aacute;gua   para as habita&ccedil;&otilde;es e para ativa&ccedil;&atilde;o de engenhocas como monjolo e roda d'&aacute;gua. O   leito fluvial continua sendo usado para o deslocamento de pessoas e   mercadorias, para lavagem de roupas, para atividades extrativistas como a pesca   e para a minera&ccedil;&atilde;o de areia, argila e minerais como o ouro. </font></p>     <p><font size="3">Segundo dados do GeoBrasil &#150;   Recursos H&iacute;dricos, elaborado pela Ag&ecirc;ncia Nacional de &Aacute;guas, a irriga&ccedil;&atilde;o na   agricultura &eacute; respons&aacute;vel pelo maior percentual de &aacute;gua consumida (45%), com   destaque para as regi&otilde;es do Atl&acirc;ntico Sul, do Uruguai, do Paran&aacute;, Atl&acirc;ntico   Nordeste Oriental e do S&atilde;o Francisco (ver gr&aacute;fico). Mas existem grandes   diferen&ccedil;as regionais nesse uso. Em quantidade consumida, predomina a regi&atilde;o   hidrogr&aacute;fica do Paran&aacute; que se destaca em todos os usos, com exce&ccedil;&atilde;o da   irriga&ccedil;&atilde;o, na qual aparece em 3&ordm; lugar. A regi&atilde;o do Atl&acirc;ntico Sudeste apresenta   usos relevantes no abastecimento urbano e industrial devido a suas grandes   metr&oacute;poles. J&aacute; nas regi&otilde;es do Atl&acirc;ntico Nordeste Oriental, do Atl&acirc;ntico Leste e   do S&atilde;o Francisco, onde a migra&ccedil;&atilde;o urbana foi menos intensa, a predomin&acirc;ncia &eacute;   do uso da &aacute;gua no meio rural.</font></p>     <p><font size="3"><b>RIOS QUE ATRAEM CIDADES</b> Gercinair   Silv&eacute;rio Gandara, historiadora e professora da Universidade Estadual de Goi&aacute;s   (UEG), analisa as cidades brasileiras de um ponto de vista da beira, ou seja,   da perspectiva do rio, do mar, do ribeir&atilde;o, das estradas, da rodovia, da   ferrovia, entre outras. E, se muitas de nossas cidades s&atilde;o de beira, v&aacute;rias   cresceram a custa de seus rios. Por exemplo, em todas as capitais brasileiras,   incluindo Bras&iacute;lia, rios tiveram papel importante no desenvolvimento urbano,   ainda que muitas vezes eles estejam polu&iacute;dos, canalizados ou com suas   caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas alteradas. Cidades ribeirinhas de m&eacute;dio e pequeno   porte, como Penedo em Alagoas, Piracicaba em S&atilde;o Paulo e Blumenau em Santa   Catarina, t&ecirc;m nos seus rios um fator de vitalidade e atra&ccedil;&atilde;o tur&iacute;stica. </font></p>     <p><font size="3">Gercinair considera os rios um   espa&ccedil;o social em constante transforma&ccedil;&atilde;o. Segundo ela, muitas cidades que   nascem voltadas para os rios acabam virando-lhes as costas: "isto resulta das   pr&oacute;prias din&acirc;micas hist&oacute;ricas das cidades no cruzamento dos caminhos fluviais e   terrestres; assim, as cidades-rios s&atilde;o chaves para a leitura do mundo e do   ambiente". </font></p>     <p><font size="3">Com essa   &oacute;tica, a historiadora estudou o rio Parna&iacute;ba, que banha os estados do Maranh&atilde;o   e do Piau&iacute;. Com a transfer&ecirc;ncia da capital do Piau&iacute;, de Oeiras para Teresina,   em 1852, atividades extrativistas e de comercializa&ccedil;&atilde;o e a navega&ccedil;&atilde;o a vapor   foram intensificadas e contribu&iacute;ram para que o rio Parna&iacute;ba assumisse um   importante papel de integra&ccedil;&atilde;o comercial. Teresina, que est&aacute; situada no centro   m&eacute;dio do rio Parna&iacute;ba, foi projetada e constru&iacute;da para alavancar o crescimento   do Piau&iacute; e deter a influ&ecirc;ncia que o Maranh&atilde;o come&ccedil;ava a exercer sobre o   interior piauiense. Gercinair salienta que, em consequ&ecirc;ncia da mudan&ccedil;a da   capital, surgiram e ressurgiram v&aacute;rios povoados &agrave; beira do rio Parna&iacute;ba, que   mais tarde se tornaram vilas, cidades, emp&oacute;rios comerciais: "elas foram   surgindo marcadas pelo tr&aacute;fego das mercadorias transportadas pelo rio, durante   a segunda metade do s&eacute;culo XIX e a primeira metade do s&eacute;culo XX". </font></p>     <p><font size="3">Outra cidade cuja forma&ccedil;&atilde;o e   desenvolvimento s&atilde;o marcados por rios &eacute; S&atilde;o Paulo, a sexta maior cidade do   mundo. Para o historiador Janes Jorge, da Universidade de S&atilde;o Paulo, &eacute;   imposs&iacute;vel discutir a forma&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento de S&atilde;o Paulo sem considerar   o papel dos rios Tiet&ecirc;, Pinheiros, Anhangaba&uacute; e Tamanduate&iacute;, e como a cidade e   seus moradores se relacionaram com eles ao longo do tempo. Os jesu&iacute;tas,   liderados por Anchieta e incentivados pela Coroa portuguesa, fundaram seu Col&eacute;gio   no alto de uma colina, delimitada a oeste pelo vale do riacho Anhangaba&uacute; e a   leste pelo rio Tamanduate&iacute;, afluente da margem esquerda do Tiet&ecirc;. Jorge   acrescenta que "a colina era tida como mais prop&iacute;cia &agrave; defesa militar, do ponto   de vista do europeu, impondo dificuldades de locomo&ccedil;&atilde;o e defesa face aos   atacantes e garantindo visibilidade ampla aos defensores". Mantinha-se,   entretanto, a possibilidade de se obter tudo aquilo que os rios ofereciam aos   ind&iacute;genas, completa Jorge.</font></p>     <p><font size="3">Em seu livro <i>Tiet&ecirc;, o rio que a cidade perdeu</i>, Jorge aponta que, durante mais   de tr&ecirc;s s&eacute;culos, S&atilde;o Paulo se desenvolveu mantendo praticamente inalterada a   conforma&ccedil;&atilde;o da bacia hidrogr&aacute;fica &agrave; qual se amoldava.  At&eacute; o final do s&eacute;culo   XIX ocorreram "modestas interven&ccedil;&otilde;es nos tra&ccedil;ados dos rios, cujas &aacute;guas j&aacute;   recebiam pequenas cargas de esgotos e res&iacute;duos; nas v&aacute;rzeas houve a introdu&ccedil;&atilde;o   de animais de cria&ccedil;&atilde;o, plantas domesticadas ou ex&oacute;ticas, corte das matas   ciliares ou de cabeceiras; e a pesca e a ca&ccedil;a eram habituais". </font></p>     <p><font size="3">Nas primeiras   d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, S&atilde;o Paulo transformava-se em grande cidade, com o setor   industrial ganhando cada vez mais espa&ccedil;o. Janes Jorge explica que foi preciso   repensar a rela&ccedil;&atilde;o entre a cidade e o seus rios e houve uma intensa disputa   social por esse recurso valioso para a vida cotidiana dos moradores e a   economia da cidade: "em linhas gerais buscava-se garantir o saneamento, o seu   abastecimento de &aacute;gua e energia el&eacute;trica e incorporar as v&aacute;rzeas dos rios   paulistanos &agrave; &aacute;rea urbana, transformando-as em vias expressas, &aacute;rea de lazer ou   em espa&ccedil;o negoci&aacute;vel no mercado de terras". A navega&ccedil;&atilde;o, o uso do rio e de suas   margens como &aacute;rea de lazer e o combate &agrave;s enchentes, apesar dos debates, nunca   se tornaram prioridades de fato, afirma Jorge. E acrescenta: "em meados do s&eacute;culo   XX, os rios passaram a meros canais de esgotos, recept&aacute;culos de todo tipo de   dejetos, com &aacute;guas polu&iacute;das e perigosas, isolados por pistas expressas de   autom&oacute;veis". Os rios da capital paulista, com suas &aacute;guas, mesmo contaminadas,   produziriam a energia el&eacute;trica que S&atilde;o Paulo e sua ind&uacute;stria precisavam, mas o   cotidiano dos paulistanos se empobreceu brutalmente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><b>A RECONCILIA&Ccedil;&Atilde;O POSS&Iacute;VEL</b> Mas ainda   h&aacute; esperan&ccedil;a, pondera Janes Jorge, pois a sociedade pouco a pouco come&ccedil;a a   discutir os rios com vigor, repudiando a situa&ccedil;&atilde;o atual e o conformismo:   "Cidad&atilde;os procuram participar das discuss&otilde;es, ainda que seja algo incipiente;   nas universidades pesquisas sobre diferentes dimens&otilde;es dos rios se multiplicam   em todas as &aacute;reas do conhecimento e surgem propostas de interven&ccedil;&atilde;o que   entusiasmam". </font></p>     <p><font size="3">O poder   p&uacute;blico, mesmo lentamente, procura dialogar com essas novas demandas e   propostas que surgem. A regulamenta&ccedil;&atilde;o para proteger as &aacute;reas de prote&ccedil;&atilde;o   permanente (APP) de regi&otilde;es urbanas existe e tem sido discutida e revista. Mas,   para Cec&iacute;lia, sua aplica&ccedil;&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil, pois implica em desapropria&ccedil;&otilde;es,   financiamentos, projetos de reocupa&ccedil;&atilde;o das v&aacute;rzeas e projetos de gest&atilde;o dessas   novas &aacute;reas destinadas ao uso p&uacute;blico. Tanto no Brasil como em v&aacute;rios pa&iacute;ses do   mundo existem exemplos de programas e projetos de recupera&ccedil;&atilde;o de rios urbanos   bem sucedidos. Enfim, cidades e seus habitantes buscam reconciliar-se com seus   rios. </font></p>     <p><font size="3">Na Fran&ccedil;a,   seguindo os passos de Lyon e Bordeaux, est&aacute; em andamento o projeto do atual   prefeito de Paris, Bertrand Delano&euml;, para devolver as margens do rio Sena aos   pedestres. Desde setembro passado, a via expressa na margem direita do Sena se   transformou em um <i>boulevard</i>, no qual sem&aacute;foros coexistem todos os dias da semana com   pedestres, carros e bicicletas. Nos pr&oacute;ximos meses ser&aacute; a vez da margem   esquerda ser liberada para parisienses e turistas, que nela v&atilde;o encontrar   esplanadas, restaurantes, locais de festa e de entretenimento. </font></p>     <p><font size="3">Em Brisbane, na Austr&aacute;lia, est&aacute; em   andamento o Projeto Rio e Ba&iacute;a Saud&aacute;veis, que visa limpar, at&eacute; 2026, as &aacute;guas   do rio Brisbane e da Moreton Bay, bem como as &aacute;reas de capta&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua da   cidade. O objetivo &eacute; dar, aos moradores, f&aacute;cil acesso a cursos de &aacute;gua para   pr&aacute;tica de esportes e permitir que o rio Brisbane seja ao mesmo tempo uma via de   transporte, lazer e entretenimento.</font></p>     <p><font size="3"><b>PROJETOS CAROS E DE LONGO PRAZO</b> No Brasil,   Cec&iacute;lia Gorski exemplifica com o Projeto Beira-Rio, de requalifica&ccedil;&atilde;o ambiental   e urban&iacute;stica, desenvolvido e implantado pela Prefeitura Municipal de   Piracicaba, no interior paulista. Esse projeto surgiu da constata&ccedil;&atilde;o que o   desenvolvimento da cidade est&aacute; vinculado &agrave; rela&ccedil;&atilde;o com o rio. Implantado em   etapas, os resultados j&aacute; alcan&ccedil;ados s&atilde;o a recupera&ccedil;&atilde;o parcial da mata ciliar ao   longo dos rios Piracicaba e Corumbata&iacute;, requalifica&ccedil;&atilde;o da Rua do Porto, com   reforma das casas da orla e constru&ccedil;&atilde;o de um deque comum para todos os   restaurantes do local, substituindo as antigas palafitas; abertura da orla a   toda popula&ccedil;&atilde;o independentemente de consumo nos restaurantes; implanta&ccedil;&atilde;o de coletor   de esgoto, de trilha na faixa de inunda&ccedil;&atilde;o do rio e de comportas, ao longo do   rio, para controle de enchentes e manuten&ccedil;&atilde;o de qualidade das &aacute;guas.</font></p>     <p><font size="3">Projetos de   recupera&ccedil;&atilde;o de rios s&atilde;o caros e de longo prazo. Mas, conforme salienta Cec&iacute;lia,   os entraves n&atilde;o se resumem aos custos, mas &agrave; &oacute;tica que rege o planejamento   urbano de car&aacute;ter eminentemente rodoviarista. Para Cec&iacute;lia, o grande   comprometimento dos rios Pinheiros e Tiet&ecirc;, na cidade de S&atilde;o Paulo, por   exemplo, &eacute; morfol&oacute;gico: "as v&aacute;rzeas desses rios lhes foram subtra&iacute;das e   ocupadas pelos principais eixos vi&aacute;rios e de log&iacute;stica da cidade de S&atilde;o Paulo".   Assim uma proposta de recupera&ccedil;&atilde;o desses rios pressup&otilde;e repensar os eixos   vi&aacute;rios e a matriz de transporte metropolitano da megal&oacute;pole que &eacute; S&atilde;o Paulo. E   isso envolve vontade pol&iacute;tica e planos de longo prazo, acrescenta Cec&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="3"><b>ESGOTO NOS RIOS </b> Um   grande n&uacute;mero de rios brasileiros tem, hoje, o papel de escoadouro de esgoto e   dejetos de todos os tipos. Dados da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental (ONG) Trata   Brasil, com base nos indicadores do Sistema Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es sobre   Saneamento B&aacute;sico (SNIS), publicado pelo Minist&eacute;rio das Cidades (base 2010),   apontam que apenas cerca de 36% do volume de esgoto gerado pelas 100 maiores   cidades do pa&iacute;s &eacute; tratado. Isto representa quase oito bilh&otilde;es de litros de   esgoto lan&ccedil;ados todos os dias nas &aacute;guas brasileiras sem nenhum tratamento, o   que equivale a jogar 3.200 piscinas ol&iacute;mpicas de esgoto por dia na natureza,   somente por essas 100 cidades.</font></p>     <p><font size="3">O estudo da ONG  Trata   Brasil alcan&ccedil;ou uma popula&ccedil;&atilde;o de 77 milh&otilde;es de pessoas, ou seja, 40% da   popula&ccedil;&atilde;o do Brasil em 2010, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e   Estat&iacute;stica (IBGE), era de 191 milh&otilde;es de habitantes. Desses 77 milh&otilde;es, quase   7 milh&otilde;es de habitantes das 100 maiores cidades do pa&iacute;s ainda n&atilde;o tinham acesso   &agrave; &aacute;gua tratada e 31 milh&otilde;es n&atilde;o tinham acesso &agrave; coleta de esgotos.</font></p>       <p><a name="img02" id="img02"></a></p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/a03img02.jpg"></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Esses n&uacute;meros   evidenciam os imensos desafios que precisam ser enfrentados pelo Brasil visando   o saneamento b&aacute;sico nas aglomera&ccedil;&otilde;es urbanas e a reconcilia&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com   seus rios. No Brasil, o saneamento b&aacute;sico &eacute; um direito assegurado pela   Constitui&ccedil;&atilde;o e definido pela Lei n&ordm;. 11.445/2007 como o conjunto dos servi&ccedil;os,   infraestrutura e instala&ccedil;&otilde;es operacionais de abastecimento de &aacute;gua, esgotamento   sanit&aacute;rio, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de res&iacute;duos s&oacute;lidos e de   &aacute;guas pluviais. Mas enquanto persistir a l&oacute;gica do adensamento populacional, da   amplia&ccedil;&atilde;o de vias de transporte para circula&ccedil;&atilde;o de autom&oacute;veis, da   desvaloriza&ccedil;&atilde;o do transporte p&uacute;blico e principalmente, enquanto as cidades   derem as costas para seus rios, continuaremos tendo enchentes, deslizamentos,   desmoronamentos, doen&ccedil;as e mortes causadas por &aacute;guas revoltas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Leonor   Assad</i></font></p>      ]]></body>
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