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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/noticiasbr.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">A<small>LDEIA GLOBAL</small></font></p>     <p><font size="4"><b><img src="/img/revistas/cic/v65n2/linha_preta.jpg"></b></font></p>     <p><font size="4"><b>Comunidades ind&iacute;genas usam internet e     redes sociais para divulgar sua cultura</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Denunciar crimes ambientais,   preservar e divulgar sua cultura, defender seus direitos, mostrar suas   condi&ccedil;&otilde;es de vida. Lutas di&aacute;rias de diversas comunidades ind&iacute;genas que, agora,   ganharam uma aliada poderosa: a internet. </font></p>     <p><font size="3">Muitos povos ind&iacute;genas t&ecirc;m usado a   rede para atingir um p&uacute;blico grande, dentro e fora do pa&iacute;s. Os recursos on line   s&atilde;o usados para romper o isolamento em que muitas comunidades vivem, e tamb&eacute;m   para vencer a barreira da falta de espa&ccedil;o que esses povos t&ecirc;m nas m&iacute;dias   tradicionais. "A internet possibilita aos ind&iacute;genas divulgar suas culturas e   potencialidades de forma mais independente e aut&ocirc;noma, se fazendo conhecer e   dialogando diretamente com a popula&ccedil;&atilde;o nacional", aponta Thiago Cavalcante,   historiador e pesquisador do Laborat&oacute;rio   de Arqueologia, Etnologia e Etno-Hist&oacute;ria (Etnolab) da Universidade Federal de   Grande Dourados (UFGD) e do grupo de pesquisas do Centro de Estudos Ind&iacute;genas   Miguel A. Menend&eacute;z (Ceiman) da Unesp de Araraquara (SP). </font></p>     <p><font size="3">A   internet acabou se tornando uma ferramenta de comunica&ccedil;&atilde;o fundamental para aqueles   que antes n&atilde;o tinham voz. "A internet tem um papel importante na   transmiss&atilde;o dessas ideias e na demonstra&ccedil;&atilde;o de que os grupos ind&iacute;genas s&atilde;o   donos de conhecimentos absolutamente pertinentes para o mundo n&atilde;o ind&iacute;gena. As   redes sociais tamb&eacute;m s&atilde;o importantes, pois nelas os &iacute;ndios se fazem muito   presentes e conseguem estender suas rela&ccedil;&otilde;es", explica Nicod&egrave;me de Renesse, pesquisador   da Redes Amer&iacute;ndias e membro do Centro de Estudos Amer&iacute;ndios, ambos da USP.</font></p>       <p><a name="img01" id="img01"></a></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/a06img01.jpg"></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>INCLUS&Atilde;O DIGITAL </b> Para apoiar a conex&atilde;o dessas comunidades   com a rede mundial de computadores, o Comit&ecirc; para a Democratiza&ccedil;&atilde;o da   Inform&aacute;tica (CDI) criou, em 2003, o projeto Rede Povos da Floresta. Desde ent&atilde;o   foram implantados pontos de acesso &agrave; internet em comunidades do Acre, Amap&aacute;,   Minas Gerais e Rio de Janeiro. No in&iacute;cio de 2007, a rede estabeleceu acordo com   os Minist&eacute;rios das Comunica&ccedil;&otilde;es e do Meio Ambiente, beneficiando direta e   indiretamente mais de 120 mil pessoas.</font></p>     <p><font size="3">Em 2010, foi criado o Centro de   Inclus&atilde;o Digital Ind&iacute;gena (Cidi), uma institui&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos que visa   colaborar para a conectividade dos povos ind&iacute;genas. O Cidi recebe doa&ccedil;&otilde;es de   equipamentos de inform&aacute;tica diversos, novos ou usados, faz sua manuten&ccedil;&atilde;o e   depois os entrega para as comunidades ind&iacute;genas. Al&eacute;m disso, a institui&ccedil;&atilde;o oferece   cursos de inform&aacute;tica b&aacute;sica e de forma&ccedil;&atilde;o de monitores ind&iacute;genas para atuarem   nas futuras escolas de inform&aacute;tica criadas nas aldeias.</font></p>     <p><font size="3">Apesar desse apoio, o primeiro   Centro de Inclus&atilde;o Digital Ind&iacute;gena foi inaugurado apenas em mar&ccedil;o de 2012, na   comunidade Tikuna, situada na zona norte de Manaus (AM). "De modo geral   existem pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de inclus&atilde;o digital desde 2003, mas ainda s&atilde;o muito   marginais. Na pr&aacute;tica, a manuten&ccedil;&atilde;o das infraestruturas em aldeias &eacute; car&iacute;ssima,   os pontos existentes n&atilde;o duram muito tempo, e as comunidades n&atilde;o conseguem   mant&ecirc;-los. As &uacute;nicas exce&ccedil;&otilde;es s&atilde;o os pontos em escolas ind&iacute;genas, mantidas   pelos governos estaduais. Na realidade, os &iacute;ndios acessam essencialmente a   internet quando v&atilde;o &agrave; cidade", diz Renesse.</font></p>     <p><font size="3"><b>ALERTA CONTRA MADEIREIRAS </b>Uma das   primeiras comunidades a se conectar &agrave; rede mundial de computadores foram os   Ashaninka, que vivem na regi&atilde;o do Alto-Juru&aacute; (AC), na divisa de Brasil e Peru.   Para se defender dos madeireiros peruanos, que desmatavam as florestas,   prejudicavam seus recursos e muitas vezes entravam em atritos com a comunidade,   os Ashaninka resolveram inovar. Munidos de um painel solar para captar a   energia e um computador, eles come&ccedil;aram a enviar     e-mails para ONGs e para o governo, fazendo den&uacute;ncias. As informa&ccedil;&otilde;es foram   recebidas na Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e repassadas &agrave; Pol&iacute;cia Federal e ao   comando do Ex&eacute;rcito, que montaram uma a&ccedil;&atilde;o para combater os invasores. Hoje, a   tecnologia faz parte da vida da comunidade Ashaninka, que tem um blog e utiliza   o twitter para se comunicar.</font></p>     <p><font size="3">O portal <i>&Iacute;ndios Online</i> &eacute; um dos   projetos mais conhecidos. Trata-se de uma rede de di&aacute;logo intercultural,   formada pelos povos Kiriri, Tupinamb&aacute;, Patax&oacute;-H&atilde;h&atilde;h&atilde;e e Tumbalal&aacute; da Bahia, os   Xucuru-Kariri e Kariri-Xoc&oacute; de Alagoas, e os Pankararu de Pernambuco. O projeto   foi desenvolvido pela ONG Thydewa, de Salvador (BA), com o apoio do Minist&eacute;rio   da Cultura, da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Apoio ao &Iacute;ndio (Anai) e com assessoria de   um etn&oacute;logo alem&atilde;o. O portal tem uma se&ccedil;&atilde;o de not&iacute;cias, uma apresenta&ccedil;&atilde;o das   atividades desenvolvidas pelos povos, um f&oacute;rum e uma sala de <i>chat</i>. Ao se   conectarem, os &iacute;ndios dessas tribos realizam uma alian&ccedil;a de estudo e trabalho   em benef&iacute;cio de suas comunidades. </font></p>     <p><font size="3">Outro projeto reconhecido   internacionalmente &eacute; o do povo Paiter Suru&iacute;, que vive em Cacoal (RO) que, h&aacute;   cinco anos, vem adotando a internet e as redes sociais como estrat&eacute;gia de   divulga&ccedil;&atilde;o de sua causa, ou seja, prote&ccedil;&atilde;o de seu territ&oacute;rio, preserva&ccedil;&atilde;o da   sua cultura e defesa do meio ambiente. Durante uma palestra nos Estados Unidos,   em 2007, o cacique da tribo, Almir Suru&iacute;, pediu aos executivos do Google que   ajudassem seu povo a monitorar a floresta. O Google acabou comprando a causa e   doando laptops, aparelhos de telefone celular e de GPS, que agora s&atilde;o   empregados para fiscalizar e ajudar a combater a explora&ccedil;&atilde;o dos recursos   naturais em suas terras. Mais de 30 &iacute;ndios foram treinados para monitorar o   territ&oacute;rio usando os equipamentos. Eles aprenderam a filmar e a postar v&iacute;deos   no Youtube e a usar as ferramentas de geolocaliza&ccedil;&atilde;o na internet para   fiscalizar o territ&oacute;rio. Agora, eles utilizam todo esse arsenal tecnol&oacute;gico   para denunciar desmatamento, invas&otilde;es e outros crimes ambientais. </font></p>     <p><font size="3">O projeto <i>Web Ind&iacute;gena</i> &eacute; o primeiro   site totalmente em l&iacute;ngua ind&iacute;gena no Brasil. Ele foi criado pela comunidade   Kaingang, situada da regi&atilde;o metropolitana de Porto Alegre (RS), para trocar   informa&ccedil;&otilde;es, postar not&iacute;cias, se comunicar e preservar a l&iacute;ngua materna. "Esse   povo ind&iacute;gena est&aacute; usando sua l&iacute;ngua, o Kaingang, para trocar informa&ccedil;&atilde;o na   internet (e n&atilde;o s&oacute; os conte&uacute;dos, mas boa parte da interface est&aacute; em l&iacute;ngua   Kaingang). Isso inevitavelmente ter&aacute; impacto, a m&eacute;dio prazo, nas formas de uso   da l&iacute;ngua, no seu l&eacute;xico, at&eacute; na sua sintaxe", explica Wilmar D' Angelis,   professor do Instituto de Estudos  da Linguagem (IEL) da Unicamp, criador e   coordenador do projeto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Chris   Bueno</i></font></p>      ]]></body>
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