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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/noticias.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">N<small>EG&Oacute;CIOS DA </small>C<small>HINA</small></font></p>     <p><font size="4"><b><img src="/img/revistas/cic/v65n2/linha_preta.jpg"></b></font></p>     <p><font size="4"><b>Nova face oriental ganha for&ccedil;a na economia da Europa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">Se para os europeus, a crise   econ&ocirc;mica desencadeada em 2008 agravou a situa&ccedil;&atilde;o de desemprego, para os muitos   imigrantes chineses que chegam &agrave; Europa, esse parece ser um per&iacute;odo de   oportunidades. Setores t&atilde;o tradicionais como as chocolaterias belgas, os   neg&oacute;cios do couro e da moda italianos ou at&eacute; os bares de tapas na Espanha est&atilde;o   trocando a nacionalidade de seus propriet&aacute;rios.</font></p>     <p><font size="3">Em pa&iacute;ses   como a Espanha, um dos mais afetados pela crise, s&atilde;o frequentes os relatos de   imigrantes chineses que est&atilde;o prosperando. "A comunidade chinesa &eacute; muito ativa   economicamente, os imigrantes tendem a atuar como propriet&aacute;rios de pequenos   neg&oacute;cios ou como empreendedores", explica o antrop&oacute;logo Dan Rodr&iacute;guez Garcia,   diretor do Grupo de Pesquisa sobre Imigra&ccedil;&atilde;o, Miscigena&ccedil;&atilde;o e Coes&atilde;o Social da   Universidade Aut&ocirc;noma de Barcelona.</font></p>     <p><font size="3">A diferen&ccedil;a, contudo, &eacute; que ao   inv&eacute;s do padr&atilde;o tradicionalmente conhecido h&aacute; d&eacute;cadas &#150; ou seja, propriet&aacute;rios   de restaurantes ou de pequenas lojas de importados circunscritas aos bairros   chineses &#150;, esses imigrantes est&atilde;o ascendendo na hierarquia social e   diversificando suas atividades. </font></p>     <p><font size="3">Dados da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional de   Associa&ccedil;&otilde;es de Trabalhadores da Espanha, mostram que, em 2012, os chineses   estavam &agrave; frente de metade dos 3.177 novos neg&oacute;cios abertos por trabalhadores   aut&ocirc;nomos estrangeiros no pa&iacute;s &#150; num cen&aacute;rio em que houve queda de 1,5% do   total de empreendedores, considerando espanh&oacute;is e estrangeiros. No universo de   empreendedores estrangeiros, os chineses representam 18%. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">As oportunidades de neg&oacute;cio   associadas &agrave; capacidade financeira da comunidade chinesa explicam esse   movimento, aparentemente na contram&atilde;o da economia.  "Apesar dos efeitos da   crise, os chineses t&ecirc;m um desempenho melhor do que outros grupos de imigrantes,   por v&aacute;rios motivos", analisa Garcia. </font></p>     <p><font size="3">"Eles t&ecirc;m   uma ampla rede social que os ajuda a conseguir empregos e empr&eacute;stimos dentro da   comunidade chinesa em n&iacute;vel europeu, somado &agrave; sua &eacute;tica e flexibilidade para   trabalhar", complementa.</font></p>     <p><font size="3"><b>RA&Iacute;ZES CULTURAIS </b>&Eacute; fundamental ter em   mente, no entanto, que o sucesso econ&ocirc;mico desses imigrantes tem ra&iacute;zes numa   cultura que se mant&eacute;m gra&ccedil;as &agrave; coes&atilde;o da comunidade, onde quer que ela se   encontre, e que tem na dedica&ccedil;&atilde;o ao trabalho, prosperidade e sucesso por meio   do pr&oacute;prio esfor&ccedil;o &#150; entenda&#8209;se, aqui, trabalho aut&ocirc;nomo &#150; seus valores   centrais, relacionados ao <i>xiao</i>. </font></p>     <p><font size="3">"O <i>xiao </i>ou piedade do   filho &eacute; a principal virtude da cultura chinesa. Significa honrar o nome dos   pais e dos ancestrais por meio de uma conduta correta na sociedade e da   dedica&ccedil;&atilde;o ao trabalho, de modo que a pessoa consiga obter bens materiais   suficientes para sustentar os pais", conta o antrop&oacute;logo da Universidade   Aut&ocirc;noma de Barcelona. Tradicionalmente, o<i> xiao</i> se traduz na   propriedade da terra; na contemporaneidade, se apresenta como a posse de um   neg&oacute;cio pr&oacute;prio. </font></p>     <p><font size="3">Outra   virtude fundamental que explica o sucesso dos chineses &eacute; o <i>guanxi</i>, o sistema   de redes sociais e de relacionamento que facilita neg&oacute;cios, transa&ccedil;&otilde;es, apoio   m&uacute;tuo, coopera&ccedil;&atilde;o e troca de favores. "A mentalidade dos chineses nos neg&oacute;cios   &eacute;: eu co&ccedil;o suas costas, e voc&ecirc; co&ccedil;a as minhas", sintetiza Garcia. &Eacute; essa vis&atilde;o   de mundo que ajuda a compreender o avan&ccedil;o desses imigrantes inclusive em   territ&oacute;rios tradicionais da economia espanhola, como os bares de tapas. </font></p>     <p><font size="3">No munic&iacute;pio litor&acirc;neo de   Benidorm, regi&atilde;o de Alicante, por exemplo, o avan&ccedil;o dos chineses sobre o   com&eacute;rcio local, inclusive bares de tapas, se intensificou de tal forma nos   &uacute;ltimos anos que a Confedera&ccedil;&atilde;o Empresarial de Alicante ofereceu um curso de   mandarim e de cultura chinesa para espanh&oacute;is, com a finalidade de prepar&aacute;&#8209;los   para se relacionar com os chineses tanto na condi&ccedil;&atilde;o de parceiros de neg&oacute;cios   quanto na de turistas.</font></p>     <p><font size="3">"Os chineses t&ecirc;m uma vis&atilde;o de neg&oacute;cio   e v&atilde;o onde as oportunidades est&atilde;o", sintetiza a antrop&oacute;loga Ching Lin Pang, do   Centro de Pesquisas sobre Interculturalismo, Migra&ccedil;&atilde;o e Minorias da   Universidade Cat&oacute;lica de Leuven, na B&eacute;lgica.</font></p>     <p><font size="3"><b>CHOQUE DE CULTURAS</b> Se, por um lado a   presen&ccedil;a chinesa, com sua marcante cultura, promove sucesso econ&ocirc;mico para os   imigrantes, por outro, &eacute; um fator que alimenta conflitos &eacute;tnicos. Na cidade   toscana de Prato, tradicional centro produtor de l&atilde;s e tecidos desde a Idade   M&eacute;dia, vive a maior col&ocirc;nia chinesa da It&aacute;lia: eles chegaram a representar 30%   dos 118 mil habitantes da cidade em 2008.</font></p>       <p><a name="img01" id="img01"></a></p>       <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/a07img01.jpg"></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">"Nos anos   1990, houve um grande fluxo de imigrantes, principalmente da regi&atilde;o de Wenzhou.   Muitos foram para a It&aacute;lia. Esses imigrantes t&ecirc;m um perfil muito empreendedor,   s&atilde;o conhecidos como os judeus da China", conta a antrop&oacute;loga. Por causa desse   perfil, eles buscaram regi&otilde;es da Europa onde havia menos regula&ccedil;&atilde;o, como a   It&aacute;lia, Espanha e Gr&eacute;cia.</font></p>     <p><font size="3">O resultado dessa onda migrat&oacute;ria   &eacute; que, em duas d&eacute;cadas, o n&uacute;mero de imigrantes chineses na Uni&atilde;o Europeia   aumentou 146%. Em 1998, havia cerca de 940 mil chineses nessa regi&atilde;o do mundo;   em 2011, eles passaram a ser 2,3 milh&otilde;es, caracterizando a "nova era da   imigra&ccedil;&atilde;o chinesa", nos termos dos pesquisadores Kevin Latham (Universidade de   Londres) e Bin Wu (Universidade de Nottingham).</font></p>     <p><font size="3">Segundo a   Europe China Research and Advice Network (Ecran), um projeto da Uni&atilde;o Europeia   voltado para fomentar a aproxima&ccedil;&atilde;o entre as duas regi&otilde;es, hoje os chineses   representam 4,7% da popula&ccedil;&atilde;o europeia, ante os 2,8% de tr&ecirc;s d&eacute;cadas atr&aacute;s.</font></p>     <p><font size="3">Em seus   estudos, Latham e Wu conclu&iacute;ram que os chineses se dirigiram &agrave; Europa movidos   pelas perspectivas de uma vida mais pr&oacute;spera, frente &agrave;s desigualdades sociais   que marcam a China contempor&acirc;nea, e estimulados pelo aumento da demanda de   trabalhadores de todos os n&iacute;veis. Al&eacute;m disso, a intensifica&ccedil;&atilde;o do   relacionamento comercial entre China e Uni&atilde;o Europeia no per&iacute;odo recente, o   aumento da renda da popula&ccedil;&atilde;o chinesa (o que viabiliza viagens para o exterior)   e a internacionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o superior s&atilde;o fatores que favoreceram a   imigra&ccedil;&atilde;o para a Europa. </font></p>     <p><font size="3">A forte presen&ccedil;a dos orientais n&atilde;o   passa inc&oacute;lume. Em Prato, segundo a jornalista italiana Silvia Pieraccini,   autora do livro <i>L'assedio     cinese</i> (O ass&eacute;dio   chin&ecirc;s), os chineses se tornaram os propriet&aacute;rios de cerca de 5 mil empresas,   predominantemente no setor de vestu&aacute;rio, controlando toda a cadeia produtiva &#150;   desde a importa&ccedil;&atilde;o dos tecidos, at&eacute; a confec&ccedil;&atilde;o e venda. Mais do que controlar   o mercado, os chineses introduziram um novo modelo de neg&oacute;cios, muito mais   din&acirc;mico do que o adotado pelos italianos, que resulta em mercadorias a pre&ccedil;os   muito baixos para o consumidor final. </font></p>     <p><font size="3">O dom&iacute;nio   chin&ecirc;s despertou rea&ccedil;&otilde;es inflamadas do empresariado e da comunidade local que,   se sentindo expropriados da pr&oacute;pria tradi&ccedil;&atilde;o, condenam o estilo chin&ecirc;s de fazer   neg&oacute;cios, muitas vezes baseado na explora&ccedil;&atilde;o da m&atilde;o de obra (jornadas   excessivamente longas, baixos sal&aacute;rios etc) e os acusam de adotarem pr&aacute;ticas   ilegais. Paralelamente, o modo de vida dos imigrantes chineses &#150; essencialmente   com seus pares, em suas comunidades &#150; acirra o distanciamento e os conflitos   entre os dois mundos. O resultado s&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es sociais tensas e aumento da   xenofobia.</font></p>     <p><font size="3">De fato, aponta a professora Pang,   os chineses tendem a viver em suas comunidades interagindo somente o necess&aacute;rio   com os cidad&atilde;os dos pa&iacute;ses onde vivem. &Eacute; por isso que o sucesso econ&ocirc;mico n&atilde;o   se reflete, necessariamente, na plena inclus&atilde;o social. Ao contr&aacute;rio. Seus   estudos realizados com comunidades chinesas na B&eacute;lgica demonstram que grande   parte do impacto das tens&otilde;es recai sobre os filhos dos imigrantes, a segunda   gera&ccedil;&atilde;o, que nasceu e se socializou na sociedade estrangeira.</font></p>     <p><font size="3">Pang aponta que eles vivem uma   situa&ccedil;&atilde;o de "bricolage" da pr&oacute;pria identidade, construindo e desconstruindo   barreiras &eacute;tnicas, ora se aproximando da cultura da fam&iacute;lia, ora da do pa&iacute;s   onde vivem. "Esses jovens t&ecirc;m diferentes estrat&eacute;gias para lidar com a   discrimina&ccedil;&atilde;o que enfrentam", analisa ela. Seus estudos mostram, ainda, que   apesar da forte presen&ccedil;a no continente europeu, os chineses s&atilde;o "invis&iacute;veis"   nas pol&iacute;ticas para imigrantes em pa&iacute;ses como a B&eacute;lgica, Inglaterra e Holanda.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="3"><i>Marta Avancini</i></font></p>      ]]></body>
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