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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Por uma arqueologia subaquática que vai além dos naufrágios: o caso do arquipélago de São Pedro e São Paulo]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Por uma arqueologia subaqu&aacute;tica que vai     al&eacute;m dos naufr&aacute;gios:     o caso do arquip&eacute;lago     de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo</b></font></p>     <p><font size="3">Fl&aacute;vio Rizzi Calippo<br />   Gilson Rambelli<br />   Paulo Fernando Bava de Camargo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <b><font size=5>A</font></b> arqueologia subaqu&aacute;tica, segundo Rambelli (1), nada mais &eacute;   do que uma vers&atilde;o "molhada" e obediente da arqueologia, na qual o arque&oacute;logo   tem de adaptar m&eacute;todos e t&eacute;cnicas para poder estudar   os vest&iacute;gios materiais que, normalmente, se encontram submersos nos mares,   rios, lagos e demais corpos d'&aacute;gua. Ao longo das &uacute;ltimas d&eacute;cadas esse ramo da   arqueologia passou por intensas transforma&ccedil;&otilde;es, as quais   fizeram com que os pesquisadores desenvolvessem novas abordagens te&oacute;ricas e   expandissem o conjunto de dados por ela abordados. </font></p>     <p><font size="3">Acompanhando as tend&ecirc;ncias internacionais, al&eacute;m dos estudos   dos naufr&aacute;gios, os arque&oacute;logos subaqu&aacute;ticos brasileiros v&ecirc;m se preocupando tamb&eacute;m com todos os contextos que, de uma forma   ou de outra, conectam&#8209;se ao estudo das   embarca&ccedil;&otilde;es afundadas. Nesse sentido, passam, a partir da &uacute;ltima d&eacute;cada, a ser   foco dos estudos as &aacute;reas portu&aacute;rias, os estaleiros, as rotas de navega&ccedil;&atilde;o, as   t&eacute;cnicas construtivas, as pr&aacute;ticas e simbolismos das   gentes do mar, as &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o/manufatura de mercadorias.</font></p>     <p><font size="3">Do ponto de vista te&oacute;rico, os naufr&aacute;gios   deixaram de ser vistos apenas como um conjunto de destro&ccedil;os para serem   entendidos como um espa&ccedil;o de onde podem ser recuperados conhecimentos   a respeito dos indiv&iacute;duos, dos grupos sociais e das na&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis pela   constru&ccedil;&atilde;o e uso das embarca&ccedil;&otilde;es afundadas. Nesse contexto, passaram a ser   abordadas n&atilde;o s&oacute; as embarca&ccedil;&otilde;es de import&acirc;ncia hist&oacute;rica, mas, tamb&eacute;m, os barcos, as canoas e os vest&iacute;gios deixados pelas   comunidades pescadoras, incluindo as suas artes de pesca. </font></p>     <p><font size="3">O foco dos estudos se expande para al&eacute;m dos   ambientes aqu&aacute;ticos e passa a abranger todo o conjunto de rela&ccedil;&otilde;es sociais,   econ&ocirc;micas e simb&oacute;licas associadas aos processos que se   encerram com a submers&atilde;o das embarca&ccedil;&otilde;es ou de qualquer outro objeto, tais como   s&iacute;tios pr&eacute;&#8209;hist&oacute;ricos afogados pela eleva&ccedil;&atilde;o do   n&iacute;vel do mar. Surgem, nessa reconfigura&ccedil;&atilde;o do olhar do arque&oacute;logo subaqu&aacute;tico,   outros que n&atilde;o necessariamente ficam restritos aos   ambientes subaqu&aacute;ticos. Estamos falando de arqueologias n&aacute;utica, costeira,   fluvial, mar&iacute;tima, ribeirinha e assim por diante. Com o prop&oacute;sito de apresentar   um caso pr&aacute;tico dessas novas possibilidades de se analisar o patrim&ocirc;nio cultural subaqu&aacute;tico, apresentamos, a seguir,   caso do Projeto Arqueologia Subaqu&aacute;tica do Arquip&eacute;lago de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o   Paulo.</font></p>     <p><font size="3"><b>O ARQUIP&Eacute;LAGO DE S&Atilde;O PEDRO E S&Atilde;O PAULO</b> O arquip&eacute;lago   de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo (ASPSP) &eacute; um pequeno conjunto de rochedos  que se localiza a 1.100 quil&ocirc;metros de Natal   (RN), a um ter&ccedil;o da dist&acirc;ncia entre a costa brasileira e a africana,   aproximadamente. Esse conjunto de ilhas &eacute;, na verdade, o topo de uma cadeia de   montanhas submarinas que divide o oceano Atl&acirc;ntico ao meio (Cordilheira Meso&#8209;oce&acirc;nica)   e que agrega a sua volta uma enorme quantidade de recursos naturais vivos e n&atilde;o   vivos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Interessado na explora&ccedil;&atilde;o desses recursos e na inclus&atilde;o de   uma por&ccedil;&atilde;o dessa cordilheira como parte da Zona Econ&ocirc;mica Exclusiva (ZEE)   brasileira, o Brasil estabeleceu, atrav&eacute;s da Comiss&atilde;o   Interministerial dos Recursos do Mar (CIRM), nos rochedos de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o   Paulo, uma esta&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica destinada a manter permanentemente uma equipe de   civis (condi&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria para o reconhecimento dessa   &aacute;rea como territ&oacute;rio nacional), formada por pesquisadores que se revezam a cada   quinze dias.</font></p>     <p><font size="3">O arquip&eacute;lago, no entanto, sempre foi uma   &aacute;rea visitada. Al&eacute;m dos in&uacute;meros relatos de navios e expedi&ccedil;&otilde;es que por l&aacute;   passaram desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XVI, h&aacute; pelo menos cem anos   existe uma presen&ccedil;a constante de embarca&ccedil;&otilde;es que exploram a abundante   quantidade de recursos pesqueiros que ali existem. Uma presen&ccedil;a que, embora   tenha sido utilizada como argumento para se pleitear o reconhecimento do   arquip&eacute;lago como territ&oacute;rio nacional, n&atilde;o &eacute;   valorizada. Pelo contr&aacute;rio, aos pescadores, que contribuem significativamente   para a manuten&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Programa Pr&oacute;&#8209;Arquip&eacute;lago,   &eacute; imputada a culpa pelos impactos e polui&ccedil;&atilde;o que se formam ao redor das ilhas.</font></p>     <p><font size="3">Tendo esse cen&aacute;rio como pano de   fundo, o Centro de Estudos de Arqueologia   N&aacute;utica e Subaqu&aacute;tica da Universidade Estadual de Campinas (Ceans/Unicamp), em   parceria com o Laborat&oacute;rio de Arqueologia da Universidade Federal Rural de   Pernambuco (UFRPE) e o Ocean&aacute;rio de Pernambuco (ONG), desenvolveu, entre 2004 e   2006, sob a coordena&ccedil;&atilde;o de Gilson Rambelli, um projeto de pesquisa intitulado   Projeto Arqueologia Subaqu&aacute;tica do Arquip&eacute;lago de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo, o qual   tinha como principal objetivo o levantamento de todos os vest&iacute;gios   arqueol&oacute;gicos no arquip&eacute;lago e nas regi&otilde;es subaqu&aacute;ticas adjacentes a ele.</font></p>     <p><font size="3"><b>A IMPORT&Acirc;NCIA GEOPOL&Iacute;TICA E HIST&Oacute;RICA DO ARQUIP&Eacute;LAGO </b> A Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es   Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), em vigor desde 1994 e rati&#64257;cada   por 148 pa&iacute;ses, inclusive pelo Brasil, estabelece que, no mar territorial,   todos os bens econ&ocirc;micos existentes no seio da massa l&iacute;quida, sobre o leito do   mar e no sub&shy;solo marinho, constituem propriedade exclusiva do pa&iacute;s ribeirinho.   Estabelece ainda que, ao longo de uma faixa litor&acirc;nea de 200 milhas n&aacute;uticas de   largura, chamada de Zona Econ&ocirc;mica Exclusiva (ZEE), esses bens podem ser   explorados com a mesma exclusividade. Por&eacute;m, especificamente ao Regime de   Ilhas, o artigo 121 da Conven&ccedil;&atilde;o, em seu par&aacute;grafo 3&ordm;, afirma que: "os rochedos   que por si pr&oacute;prios n&atilde;o se prestam &agrave; habita&ccedil;&atilde;o humana ou &agrave; vida econ&ocirc;mica n&atilde;o   devem ter Zona Econ&ocirc;mica Exclusiva nem Plataforma Continental (2). Assim, o   desenvolvimento do Programa Arquip&eacute;lago, a partir da garantia da presen&ccedil;a   humana permanente, al&eacute;m da gera&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de informa&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas,   contribui, de forma decisiva, para o efetivo estabelecimento da Zona Econ&ocirc;mica   Exclusiva brasileira no entorno do ASPSP, como reza a CNUDM (3). </font></p>     <p><font size="3">Nesse contexto, as informa&ccedil;&otilde;es   geradas pelas pesquisas em desenvolvimento no ASPSP constituem importante ativo   de negocia&ccedil;&atilde;o em outros f&oacute;runs internacionais. Depreende&#8209;se, portanto,   que o arquip&eacute;lago de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo, al&eacute;m de constituir ecossistema   &uacute;nico para o desenvolvimento de pesquisas cient&iacute;ficas, possui grande import&acirc;ncia   ecol&oacute;gica, econ&ocirc;mica, social e pol&iacute;tica para o Brasil.</font></p>     <p><font size="3">A partir de 2004, com o desenvolvimento do Projeto   Arqueo&shy;logia Subaqu&aacute;tica do Arquip&eacute;lago de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo, a composi&ccedil;&atilde;o   dessa gama de ativos de negocia&ccedil;&atilde;o passou tamb&eacute;m a contar com o apoio das   quest&otilde;es relativas ao patrim&ocirc;nio cultural subaqu&aacute;tico, amparado pela Conven&ccedil;&atilde;o   da Unesco para a Prote&ccedil;&atilde;o do Patrim&ocirc;nio Cultural Subaqu&aacute;tico (respaldada, na   &iacute;ntegra, pela CNUDM). Al&eacute;m de realizar pesquisas arqueol&oacute;gicas subaqu&aacute;ticas,   esse projeto procurou tamb&eacute;m trazer ao Programa Arquip&eacute;lago discuss&otilde;es   referentes &agrave; prote&ccedil;&atilde;o e &agrave; gest&atilde;o de tal patrim&ocirc;nio. Neste sentido tentou&#8209;se,   reiteradamente, explicitar as complica&ccedil;&otilde;es que o Brasil teria com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;   possibilidade do enfraquecimento de seus ativos de negocia&ccedil;&atilde;o em decorr&ecirc;ncia de   sua posi&ccedil;&atilde;o de permitir e legitimar a comercializa&ccedil;&atilde;o de seu patrim&ocirc;nio   cultural submerso, gra&ccedil;as a uma legisla&ccedil;&atilde;o retr&oacute;grada e inconstitucional, a   qual segue na "contram&atilde;o" das normativas da ONU. </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m da quest&atilde;o pol&iacute;tica sobre   a preserva&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o do patrim&ocirc;nio cultural submerso, o Projeto Arqueologia   Subaqu&aacute;tica do ASPSP se preocupava tanto com a interpreta&ccedil;&atilde;o dos vest&iacute;gios   materiais deixados pelas diversas embarca&ccedil;&otilde;es que l&aacute; chegaram, assim como com   as discuss&otilde;es a respeito da presen&ccedil;a dos grupos sociais que mais recentemente   vinham ocupando o arquip&eacute;lago. Nesse sentido, deu&#8209;se especial aten&ccedil;&atilde;o ao   papel social e pol&iacute;tico de pesquisadores e pescadores no estabelecimento de uma   presen&ccedil;a de vida humana permanente. </font></p>     <p><font size="3">Sob tal perspectiva, devemos ressaltar ainda a   import&acirc;ncia hist&oacute;rica do arquip&eacute;lago de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo, cuja data do   descobrimento &eacute; incerta: os registros hist&oacute;ricos portugueses dizem que os   rochedos foram descobertos por acaso, em 1511, pelo navegador portugu&ecirc;s Manuel   de Castro Alcoforado, capit&atilde;o da caravela S&atilde;o Pedro, a qual se desgarrou da   esquadra, comandada por D. Garcia de Noronha e se chocou com os rochedos. Tendo   sido salva por outra caravela da mesma esquadra, chamada S&atilde;o Paulo, decorreria   o nome do arquip&eacute;lago (4). J&aacute; os registros hist&oacute;ricos espanh&oacute;is, indicam que o   primeiro registro de avistamento foi feito em 1513, pelo navegador espanhol   Juan da Nova de Castello. </font></p>     <p><font size="3">O primeiro registro em uma carta n&aacute;utica s&oacute; ocorre em   1538, na carta n&aacute;utica mundial de Mercator, apesar dos registros n&aacute;uticos   portugueses atribu&iacute;rem a autoria de tal fato ao navegador portugu&ecirc;s Diego   Ribeiro, em 1529. Especificamente quanto a esse fato, existe outra vers&atilde;o: os   penedos teriam aparecido, pela primeira vez, na carta de Jorge Reinel, feita em   1519, com o nome abreviado em "San Po", posteriormente, interpretado como S&atilde;o   Paulo. </font></p>     <p><font size="3">Mesmo sendo conhecido desde o s&eacute;culo XVI, um desembarque nos rochedos   s&oacute; foi concretizar&#8209;se no s&eacute;culo XVIII, com o navegador franc&ecirc;s Beuvet du   Losier, em 1738 e, mais tarde, em 1799, com o navegador americano Amasa Delano,   tripulante do S. Y. Perseverance. A primeira carta n&aacute;utica do local foi   elaborada em 1813, pelo capit&atilde;o&#8209;tenente George Crichton, oficial do   H.M.S. Rhin (5). Os interesses dos naturalistas parecem ter se iniciado no   s&eacute;culo XIX, com o desembarque de Charles Darwin, em 1831, durante a sua viagem   cient&iacute;fica ao redor da Terra a bordo do R.V. Beagle (Inglaterra). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em 1930, o navio Belmonte, da Marinha do Brasil, instalou o primeiro   farol de aux&iacute;lio &agrave; navega&ccedil;&atilde;o, apontando, talvez, o in&iacute;cio de uma preocupa&ccedil;&atilde;o   estrat&eacute;gica brasileira com rela&ccedil;&atilde;o aos rochedos. No entanto, somente em 1996 &eacute;   que o governo brasileiro, atrav&eacute;s da Comiss&atilde;o Interministerial de Recursos do   Mar (Cirm), criou, com o principal prop&oacute;sito de instala&ccedil;&atilde;o de uma esta&ccedil;&atilde;o   cient&iacute;fica na ilha Belmonte, o grupo de trabalho permanente para ocupa&ccedil;&atilde;o e   pesquisa no ASPSP. Com a inaugura&ccedil;&atilde;o da Esta&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica do Arquip&eacute;lago de   S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo (ECASPSP), em 1998, iniciam&#8209;se os trabalhos de   pesquisa cient&iacute;fica promovidos pelo Programa Arquip&eacute;lago de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o   Paulo (PRO&#8209;Arquip&eacute;lago). A instala&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o da Esta&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica do   ASPSP "proporcionaram ao Brasil a consolida&ccedil;&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o permanente na   regi&atilde;o e a soberania na explora&ccedil;&atilde;o dos recursos situados na &aacute;rea de 200 milhas   da ZEE" (4).</font></p>     <p><font size="3"><b>O PROJETO ARQUEOLOGIA DO ARQUIP&Eacute;LAGO DE S&Atilde;O PEDRO E S&Atilde;O PAULO</b> Diante da localiza&ccedil;&atilde;o de evid&ecirc;ncias arqueol&oacute;gicas   submersas que representam testemunhos &uacute;nicos da atividade humana n&aacute;utica, em   uma &aacute;rea de import&acirc;ncia estrat&eacute;gica nacional, o Ceans, na &eacute;poca parte do N&uacute;cleo   de Estudos Estrat&eacute;gicos (NEE/Unicamp), entendeu a necessidade de viabilizar um   projeto de pesquisa para estudar sistematicamente esses vest&iacute;gios. O projeto   foi avaliado e autorizado pelo comit&ecirc; cient&iacute;fico do programa Pr&oacute;&#8209;Arquip&eacute;lago   de ASPSP, com a ressalva de necessidade de cumprimento da Norma de Autoridade   Mar&iacute;tima Nacional (Norman 10).</font></p>     <p><font size="3">Tendo em vista a necessidade de se rediscutir essa legisla&ccedil;&atilde;o (pois a   referida norma &eacute; legitimada pela Lei Federal 10.166/00, que altera a Lei   Federal 7542/86, que foi criada para atender uma demanda de explora&ccedil;&atilde;o   comercial dos bens culturais submersos, o que contradiz os princ&iacute;pios   fundamentais da arqueologia e, em espec&iacute;fico, da arqueologia subaqu&aacute;tica, pois,   o patrim&ocirc;nio cultural subaqu&aacute;tico representa uma heran&ccedil;a comum e n&atilde;o pode ser   explorado em benef&iacute;cio de iniciativas privadas), o Ceans e seus parceiros, com   o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico   (CNPq), estabeleceu uma s&eacute;rie de contatos com a Marinha do Brasil (Secirm e   DPC), visando justificar as atividades cient&iacute;ficas pretendidas no ASPSP, as   quais, de modo algum, estariam ligadas a interesses comerciais sobre os   vest&iacute;gios arqueol&oacute;gicos. Esse processo durou quase dois anos, inviabilizando   quase todas as etapas de campo planejadas. Somente em fevereiro de 2006, &agrave;s   v&eacute;speras da &uacute;ltima possibilidade de realizar uma expedi&ccedil;&atilde;o, &eacute; que a autoriza&ccedil;&atilde;o   foi concedida. </font></p>     <p><font size="3">O Projeto Arqueologia Subaqu&aacute;tica do Arquip&eacute;lago de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o   Paulo deve ser entendido tamb&eacute;m como uma a&ccedil;&atilde;o que propiciou &agrave; Marinha a   oportunidade de se posicionar e criar procedimentos que efetivamente amparassem   a pr&aacute;tica da arqueologia subaqu&aacute;tica cient&iacute;fica. Isso porque, at&eacute; ent&atilde;o, eram   feitas, mesmo para a realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas arqueol&oacute;gicas subaqu&aacute;ticas   acad&ecirc;micas, as mesmas exig&ecirc;ncias feitas &agrave;s companhias de petr&oacute;leo ou &agrave;s   empresas de salvatagem. Exig&ecirc;ncias que evolvem uma log&iacute;stica &#150; tal como, por   exemplo, navio com c&acirc;mara hiperb&aacute;rica a bordo &#150; totalmente incompat&iacute;vel com o   risco e com a magnitude das opera&ccedil;&otilde;es subaqu&aacute;ticas intr&iacute;nsecas &agrave;s pesquisas   arqueol&oacute;gicas em ambientes submersos. </font></p>     <p><font size="3">Ap&oacute;s a batalha inicial pela   realiza&ccedil;&atilde;o do projeto, ele se inicia a partir da compreens&atilde;o de que a   arqueologia &#150; molhada ou n&atilde;o &#150; &eacute; uma ci&ecirc;ncia social que encontra sua sustenta&ccedil;&atilde;o   na teoria social e de que as interpreta&ccedil;&otilde;es arqueol&oacute;gicas sobre o passado n&atilde;o   est&atilde;o desvencilhadas das influ&ecirc;ncias dos contextos social, pol&iacute;tico e cultural   contempor&acirc;neos ao pr&oacute;prio arque&oacute;logo (6). </font></p>     <p><font size="3">Tal perspectiva sugere uma posi&ccedil;&atilde;o mais ativa do   pesquisador, pois ele assume o papel de mediador entre os restos de um passado,   que n&atilde;o existe mais, e o seu presente. Logo, a sua interpreta&ccedil;&atilde;o do passado,   enquanto produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento, n&atilde;o s&oacute; &eacute; subjetiva, carregada de   intencionalidade, como tamb&eacute;m varia &#150; como toda interpreta&ccedil;&atilde;o &#150; de pesquisador   para pesquisador, de tempos em tempos, em um fluxo cont&iacute;nuo de transforma&ccedil;&otilde;es e   mudan&ccedil;as (6). </font></p>     <p><font size="3">A aceita&ccedil;&atilde;o dessa concep&ccedil;&atilde;o de realidade subjetiva, e   n&atilde;o mais da realidade objetiva ("verdade"), deve&#8209;se &agrave; constata&ccedil;&atilde;o de que   n&atilde;o existe a "verdade" no passado, pois ela est&aacute; localizada no presente, como   resultado de uma constru&ccedil;&atilde;o cultural de um determinado momento, politicamente orientado   (6). Assim, a arqueologia pode &#150; e deve &#150; "ouvir", atrav&eacute;s da an&aacute;lise e   interpreta&ccedil;&atilde;o da cultura material, as vozes caladas &#150; ou pouco pronunciadas &#150;   das pessoas comuns em seus cotidianos, dos oprimidos, enfim dos exclu&iacute;dos do   processo elitista de constru&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria oficial. Tal privil&eacute;gio de acesso   &agrave;s a&ccedil;&otilde;es e aos conflitos sociais passados, representados, consciente e/ou   inconscientemente, pelos mais diferentes indiv&iacute;duos de uma sociedade, atrav&eacute;s   da cultura material, lhe garante o t&iacute;tulo da mais democr&aacute;tica das ci&ecirc;ncias   sociais (7).</font></p>     <p><font size="3">Assumindo essa abordagem social como refer&ecirc;ncia, o   primeiro passo no sentido de iniciar as pesquisas foi a ado&ccedil;&atilde;o de uma postura   que reconhecesse e valorizasse os saberes e as pr&aacute;ticas tradicionais das   comunidades pescadoras. Desse modo, logo de in&iacute;cio, toda e qualquer atividade   de mergulho foi planejada em colabora&ccedil;&atilde;o com o mestre da embarca&ccedil;&atilde;o que dava   apoio &agrave; expedi&ccedil;&atilde;o. Decis&atilde;o tomada n&atilde;o s&oacute; em consequ&ecirc;ncia do amplo conhecimento   emp&iacute;rico dos pescadores a respeito da circula&ccedil;&atilde;o hidrodin&acirc;mica (da superf&iacute;cie e   em profundidade) ao redor do arquip&eacute;lago, mas, principalmente, em respeito e em   reconhecimento aos conhecimentos emp&iacute;ricos da viv&ecirc;ncia desses homens do mar   (maritimidade). Para esse projeto tais saberes foram de fundamental import&acirc;ncia   para a efici&ecirc;ncia e seguran&ccedil;a das opera&ccedil;&otilde;es de mergulho. A capacidade de   estimar com precis&atilde;o a velocidade e a dire&ccedil;&atilde;o das correntes em profundidade,   adquiridas atrav&eacute;s de anos de lan&ccedil;amento, perda e retirada de armadilhas de pesca,   permitiram que escolh&ecirc;ssemos, dia a dia, os pontos de mergulho mais seguros e   produtivos. Al&eacute;m disso, atrav&eacute;s da predisposi&ccedil;&atilde;o em colaborar, da pr&aacute;tica de   mar e do conhecimento dos pescadores a respeito da altera&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos   ambientais (mudan&ccedil;a de sentido e dire&ccedil;&atilde;o dos ventos/ondas, intensifica&ccedil;&atilde;o das   correntes etc) o conhecimento deles permitiu&#8209;nos realizar um planejamento   mais preciso das imers&otilde;es, mesmo em um per&iacute;odo onde intensas tempestades   atingiram o local.</font></p>     <p><font size="3">Como definido no Plano de Atividades de Mergulho, que   consta no Termo de Responsabilidade para o Desenvolvimento de Atividades de   Mergulho Aut&ocirc;nomo no ASPSP, as opera&ccedil;&otilde;es subaqu&aacute;ticas objetivaram,   primordialmente, localizar, registrar e mapear, atrav&eacute;s de fotos, desenhos e   croquis, os vest&iacute;gios arqueol&oacute;gicos que se encontravam submersos em apenas   alguns pontos espec&iacute;ficos. </font></p>     <p><font size="3"><b>RESULTADOS</b> Devido &agrave;s quest&otilde;es   atmosf&eacute;ricas, foi poss&iacute;vel realizar apenas 14 mergulhos, que equivalem a 29   horas/mergulhador de trabalho subaqu&aacute;tico. No entanto, apesar das restritas   horas de fundo, o Projeto Arqueologia Subaqu&aacute;tica do ASPSP conseguiu um   resultado preliminar consider&aacute;vel ao obter uma vis&atilde;o inicial dos conjuntos de   evid&ecirc;ncias arqueol&oacute;gicas que ocorrem na enseada e ao sul da ilhota S&atilde;o Paulo .   Levantamento este que teria sido imposs&iacute;vel sem o conhecimento tradicional dos   membros da tripula&ccedil;&atilde;o do barco Transmar II e do mestre Bento.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="img01" id="img01"></a></p>       <p>&nbsp;</p>       <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/a13img01.jpg"></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3">De uma maneira geral, foram   identificadas duas &aacute;reas principais de ocorr&ecirc;ncias de vest&iacute;gios. Na &aacute;rea 1,   localizada internamente &agrave;s ilhas, foram encontrados vest&iacute;gios que parecem   apontar para dois conjuntos de evid&ecirc;ncias arqueol&oacute;gicas: um, formado por   vest&iacute;gios materiais relativos a poitas (pesos para ancoragem de boias) e   estruturas de experimentos abandonados por pesquisadores, bem como res&iacute;duos da   constru&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&atilde;o da Esta&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica (sapatas circulares de concreto   para sustenta&ccedil;&atilde;o da base cient&iacute;fica, fragmentos de canos, cabos etc); e outro,   composto por elementos cronologicamente mais antigos (como uma &acirc;ncora e   fragmentos de garrafa em gr&eacute;s). Vest&iacute;gios que refor&ccedil;am a ideia de que todo o   abandono e/ou descarte de materiais e equipamentos &eacute; fruto da a&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios   pesquisadores e marinheiros que trabalham no arquip&eacute;lago. N&atilde;o foram   identificados quaisquer vest&iacute;gios que possam ser atribu&iacute;dos aos pescadores,   tornando claro que a cr&iacute;tica que a eles &eacute; feita como sendo os principais   poluidores &eacute;, no m&iacute;nimo, infundada, se n&atilde;o, preconceituosa.</font></p>     <p><font size="3">J&aacute; na &aacute;rea 2, localizada &agrave; sudeste das ilhotas, os   vest&iacute;gios parecem indicar um contexto mais diretamente relacionado ao universo   n&aacute;utico: foram localizados quatro canh&otilde;es de pequeno porte; uma s&eacute;rie de   objetos met&aacute;licos; duas &acirc;ncoras; fragmentos de chapas de metal, utilizadas para   recobrir externamente cascos de madeira e datadas como posteriores ao in&iacute;cio do   s&eacute;culo XVIII. Al&eacute;m desses, foram identificados: um tipo de "ilh&oacute;s" ou   "papoilas"; e fragmentos de um cabrestante. Essa segunda &aacute;rea de ocorr&ecirc;ncia foi   denominada s&iacute;tio S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo I, por representar um s&iacute;tio arqueol&oacute;gico   com um contexto cronologicamente bem definido pelos   vest&iacute;gios materiais, onde as evid&ecirc;ncias apontam para a ocorr&ecirc;ncia de uma ou   mais embarca&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das entre fins do   s&eacute;culo XVIII e a primeira metade do s&eacute;culo XIX.</font></p>     <p><font size="3">As &acirc;ncoras s&atilde;o do tipo almirantado com cepo met&aacute;lico m&oacute;vel e fazem parte   de uma tecnologia associada j&aacute; a meados do s&eacute;culo XIX. O cabrestante encontrado   &eacute; uma pe&ccedil;a met&aacute;lica, mas de acionamento originalmente manual. Essas duas   caracter&iacute;sticas do instrumento utilizado para largar ou recolher os ferros,   indicam, possivelmente, uma pe&ccedil;a de um per&iacute;odo de hibridismo, quando a grande   difus&atilde;o do metal na constru&ccedil;&atilde;o naval ainda convivia com um baixo &iacute;ndice de   mecaniza&ccedil;&atilde;o dos equipamentos de bordo. Entre as &acirc;ncoras e o cepo, foi   encontrado um "ilh&oacute;s" ou "papoilas, pe&ccedil;a por onde correm os cabos e correntes   das &acirc;ncoras. Esse fato nos leva a supor que estamos lidando com um &uacute;nico   equipamento de ancoragem de uma embarca&ccedil;&atilde;o de modestas propor&ccedil;&otilde;es, tendo em   vista as reduzidas dimens&otilde;es desse conjunto.</font></p>     <p><font size="3">Foram encontradas quatro pe&ccedil;as de artilharia, de ferro, de antecarga, de   reduzidas dimens&otilde;es, variando entre 1,5 m e 1,6 m. Embora a artilharia esteja   bastante deteriorada, suas formas e dimens&otilde;es indicam armas feitas j&aacute; dentro da   l&oacute;gica da simplifica&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es decorativos, abandonando as molduras e   chanfrados caracter&iacute;sticos at&eacute; fins do s&eacute;culo XVIII. Detalhe que confirma essa   periodiza&ccedil;&atilde;o &eacute; que uma das pe&ccedil;as parece possuir um anel do vergueiro &#150; al&ccedil;a da   culatra onde era passada uma corda a fim de segurar o coice e minimizar o recuo   da pe&ccedil;a &#150; partido. Esse conjunto, num primeiro exame avaliado como bastante   homog&ecirc;neo em termos tipol&oacute;gicos, seria comum em pequenas embarca&ccedil;&otilde;es de guerra   ou em navios mercantes at&eacute; a primeira metade do s&eacute;culo XIX. Assim, &eacute; plaus&iacute;vel   aventar a hip&oacute;tese de que o conjunto de ancoragem seja contempor&acirc;neo ao   conjunto de armas. </font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m das evid&ecirc;ncias   materiais, corroboram para essa periodiza&ccedil;&atilde;o as informa&ccedil;&otilde;es textuais sobre o   arquip&eacute;lago, que indicam um aumento do n&uacute;mero de embarca&ccedil;&otilde;es ancorando em suas   proximidades no s&eacute;culo XIX, decorrentes, em primeiro lugar, do maior tr&aacute;fego de   embarca&ccedil;&otilde;es no Atl&acirc;ntico Sul, a partir de fins do s&eacute;culo XVIII (8) e da intensifica&ccedil;&atilde;o   do n&uacute;mero de expedi&ccedil;&otilde;es explorat&oacute;rias e cient&iacute;ficas empreendidas pelos pa&iacute;ses   europeus e pelos Estados Unidos no decorrer do s&eacute;culo XIX. </font></p>     <p><font size="3">Dessa forma, apesar da pequena quantidade de evid&ecirc;ncias levantadas, fica   claro que estamos lidando com um contexto arqueol&oacute;gico bem definido na &aacute;rea 2,   situado entre fins do s&eacute;culo XVIII e a primeira metade do s&eacute;culo XIX. Assim, &eacute;   poss&iacute;vel estabelecer a hip&oacute;tese de que se trata de um s&iacute;tio arqueol&oacute;gico   formado a partir do naufr&aacute;gio de uma ou mais embarca&ccedil;&otilde;es oitocentistas, talvez   pequenos navios de guerra ou barcos mercantes artilhados, estes destinados a   in&uacute;meros fins: com&eacute;rcio de produtos, corso, contrabando ou ao tr&aacute;fico de   escravos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><i><b>Fl&aacute;vio   Rizzi Calippo</b> &eacute; professor do curso de arqueologia e conserva&ccedil;&atilde;o de arte   rupestre e dos Programas de P&oacute;s&#8209;Gradua&ccedil;&atilde;o em Arqueologia (PPGArq) e Antropologia   (PPGAnt) da Universidade Federal do Piau&iacute; (UFPI). Email: </i><a href="mailto:calippo@ufpi.edur.br">calippo@ufpi.edur.br</a></font></p>     <p><font size="3"><i><b>Gilson   Rambelli </b>&eacute; professor adjunto do N&uacute;cleo de Arqueologia e dos Programas de   P&oacute;s&#8209;Gradua&ccedil;&atilde;o em Arqueologia (Proarq) e Antropologia (NPPA) da   Universidade Federal de Sergipe (UFS). Email: </i><a href="mailto:rambelli@arqueologiasubaquatiica.org.br">rambelli@arqueologiasubaquatiica.org.br</a></font></p>     <p><font size="3"><i><b>Paulo   Fernando Bava de Camargo</b> &eacute; pesquisador colaborador (p&oacute;s&#8209;doutoramento)   do Departamento de Hist&oacute;ria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).   Email: </i><a href="mailto:pfbavac@arqueologiasubaquatica.org.br">pfbavac@arqueologiasubaquatica.org.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Rambelli, G. "A arqueologia subaqu&aacute;tica   e sua aplica&ccedil;&atilde;o &agrave; arqueologia brasileira: o exemplo do baixo vale do Ribeira de   Iguape". Disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado em arqueologia, Faculdade de Filosofia, Letras   e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade de S&atilde;o Paulo (FFLCH/USP), S&atilde;o Paulo, 1998.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Carvalho, R. G<i>. </i>"A   outra Amaz&ocirc;nia<i>"</i>. In: <i>A     Amaz&ocirc;nia azul</i>.  Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, pp.17&#8209;24.   2005.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">3. Porto, M. A. C.. "Arquip&eacute;lago   de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo". In:<i> A Amaz&ocirc;nia azul. </i> Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, pp.74&#8209;80. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Silveira, S.R.; Farias, S.G.S.; Silva,   M.V.; Silva, L.C.; Almeida, A.V. ; Amaral, F.D. "Aspectos hist&oacute;ricos da   biologia marinha do arquip&eacute;lago de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo". Monografia de   conclus&atilde;o do curso de biologia  da Universidade Federal Rural de Pernambuco   (UFRPE). 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Campos, T. F. C.; Neto, J. V.;   Srivastava, N. K.; Petta, R. A.; Hartmann, L. A.; Moraes, J. F. S.; Mendes, L.;   Silveira, S. R. M. "Soerguimento tect&ocirc;nico de rochas infracrustais no Oceano   Atl&acirc;ntico". In: <i>Arquip&eacute;lago de S&atilde;o Pedro e S&atilde;o Paulo</i>,   pp.253&#8209;265. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Acuto, F. A. &amp; Zarankin, A.   "Introducci&oacute;n: aun sedientos". In: Zarankin, A.; Acuto, F. A. (Org.). <i>Sed     non satiata: teor&iacute;a social en la arqueolog&iacute;a latinoamericana contempor&aacute;nea</i>.   Buenos Aires: Ediciones del Tridente, pp.7&#8209;15. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Funari, P. P. A.. "Brazilian   archaeology and world archaeology: some remarks". In:<i> World Archaeology Bulletin</i>, n-&ordm; 3,   pp.60&#8209;68. 1989.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="3">8. Bastos, A. C. T. <i>Revolu&ccedil;&atilde;o e o   imperialismo</i>.   Rio de Janeiro: Typ Universal Laemmert. 1866.    </font></p>      ]]></body><back>
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