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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n2/artigos.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=5><b>Arqueologia e socializa&ccedil;&atilde;o do   conhecimento: Indiana Jones, mostre&#8209;nos     o que sabes</b></font></p>     <p><font size="3">Aline Carvalho<br />   Bruno Sanches Ranzani da Silva</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"> <b><font size=5>H</font></b>&aacute; algumas d&eacute;cadas o professor e escritor   catal&atilde;o Jorge Wagensberg almeja entender os processos de <b>constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico.</b> Todavia, ao contr&aacute;rio do que alguns   poderiam imaginar, o foco do autor n&atilde;o est&aacute; ajustado apenas ao cotidiano dos   investigadores acad&ecirc;micos; consagrados por seus cargos e pr&ecirc;mios. No vi&eacute;s   oposto ao desta cena, Wagensberg volta&#8209;se   tamb&eacute;m &agrave;s crian&ccedil;as e adolescentes e aos seus   poss&iacute;veis prazeres advindos do complexo ato de aprender e ensinar. Para   compreender o processo de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico, o professor   rompe as barreiras dos laborat&oacute;rios e das universidades, chegando ao que poder&iacute;amos chamar de vida cotidiana dos n&atilde;o acad&ecirc;micos.</font></p>     <p><font size="3">Um dos resultados dessas reflex&otilde;es, estimuladas pela   experi&ecirc;ncia do autor como diretor do museu de ci&ecirc;ncia CosmoCaixa, em Barcelona,   foi a publica&ccedil;&atilde;o, em l&iacute;ngua espanhola, do livro <i>El gozo intelectual </i>(2007) (1)<i>. </i>Mesclando observa&ccedil;&otilde;es sobre sua   rotina, f&oacute;rmulas matem&aacute;ticas, conceitos da biologia, entre outros elementos,   Wagensberg afirma: "Os tr&ecirc;s fundamentos &#91;do processo de viv&ecirc;ncia e produ&ccedil;&atilde;o da   ci&ecirc;ncia&#93; s&atilde;o 'est&iacute;mulo', 'conversa' e 'compreens&atilde;o' ou 'intui&ccedil;&atilde;o'" (2).</font></p>     <p><font size="3">Para ele, que, de certa forma, revaloriza o aprendizado   atrav&eacute;s das viv&ecirc;ncias e dos sentidos &#150; proposta j&aacute; articulada por Paulo Freire   (3) &#150;, o conhecimento e a reflex&atilde;o, compostos pelas insepar&aacute;veis pr&aacute;tica e   teoria, possuem um imenso peso ao "fabricar" a   cr&iacute;tica (4). &Eacute; claro que as institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas e de ensino, de uma forma   geral, possuem um papel crucial na produ&ccedil;&atilde;o dessa cr&iacute;tica do mundo. Mas, &eacute;   importante notar que, para o autor, ela n&atilde;o se inicia ou se finaliza a&iacute;.</font></p>     <p><font size="3">A forma&ccedil;&atilde;o da cr&iacute;tica, e mesmo da   ci&ecirc;ncia, para Wagensberg, se d&aacute; a partir de um longo e divertido processo de   "est&iacute;mulo", "conversa" e "compreens&atilde;o" ou "intui&ccedil;&atilde;o" que s&atilde;o anteriores &agrave;s   experi&ecirc;ncias universit&aacute;rias. Em outras palavras, o cientista n&atilde;o &eacute; formado   apenas pela academia, e mesmo quem n&atilde;o passa pela   experi&ecirc;ncia acad&ecirc;mica tamb&eacute;m produz cr&iacute;tica e pode produzir ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="3">Essa proposta geral nos redireciona a desafios que n&atilde;o s&atilde;o   novos; como, por exemplo, a necessidade de romper com a valoriza&ccedil;&atilde;o da "torre   de marfim" e com uma educa&ccedil;&atilde;o puramente formalista descrita pelo fil&oacute;sofo Jean J.   Rousseau (5). A recontextualiza&ccedil;&atilde;o desses desafios podem nos levar a quest&otilde;es   como: por que, como e para o que fazemos ci&ecirc;ncia? E, o melhor, com quem andamos   fazendo ci&ecirc;ncia? At&eacute; mesmo se a ci&ecirc;ncia deve ser a   principal lente pela qual vemos o mundo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A leitura do processo de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento   cient&iacute;fico feita por Wagensberg &eacute; bastante interessante para a arqueologia;   ci&ecirc;ncia que trabalha com a cultura material, ou seja, tudo aquilo que &eacute; produzido ou modificado pela sociedade, seja no   passado ou no presente (6). Para fazer a articula&ccedil;&atilde;o entre a proposta de   Wagensberg e as possibilidades abertas pela arqueologia, partimos da premissa de que   a arqueologia produzida na contemporaneidade &eacute; mais   plural! Apesar de ter sua origem vinculada &agrave;s a&ccedil;&otilde;es imperialistas do s&eacute;culo XIX, hoje, a arqueologia pode   questionar os discursos homogeneizadores e vincular&#8209;se aos anseios daqueles que estavam &agrave;s margens das   narrativas oficiais: ind&iacute;genas, mulheres,   cai&ccedil;aras, pobres, entre muitos outros grupos identit&aacute;rios at&eacute; ent&atilde;o   silenciados.</font></p>     <p><font size="3">Acreditamos, portanto, que a arqueologia produzida de forma   plural pode produzir cr&iacute;ticas ao mundo que est&aacute; ao   nosso redor e que, com isso, pode abrir possibilidades para construir caminhos   alternativos para as viv&ecirc;ncias humanas no presente e no futuro (7). E, com essa   premissa, voltamos &agrave; proposta de Wagensberg: &eacute; preciso dialogar, estimular a reflex&atilde;o sobre o mundo que   nos cerca, gerando novas compreens&otilde;es ou mesmo intui&ccedil;&otilde;es sobre aquilo que pode   ser diferente. Os di&aacute;logos n&atilde;o devem, todavia, se restringir ao universo acad&ecirc;mico. O conhecimento arqueol&oacute;gico   precisa ser constru&iacute;do de forma colaborativa, democr&aacute;tica   e complexa; ele precisa, assim, entre outras coisas, circular!</font></p>     <p><font size="3"><b>ARQUEOLOGIA CIRCULANDO</b> Desde o final dos anos 1970, um   novo voc&aacute;bulo surge na arqueologia. Inicialmente usado para referir&#8209;se a pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a preserva&ccedil;&atilde;o do   patrim&ocirc;nio arqueol&oacute;gico (8; 9; 10), o termo   "arqueologia p&uacute;blica" passou, com o tempo, a designar pr&aacute;ticas mais diversas.   De maneira breve, consideramos aqui a arqueologia   p&uacute;blica como uma abertura &agrave; pr&aacute;tica autocr&iacute;tica da arqueologia, levando em   conta seu impacto sobre a sociedade na qual se insere   e seu potencial pol&iacute;tico de transforma&ccedil;&atilde;o dos   discursos vigentes. Defendemos, portanto, que arque&oacute;logos e arque&oacute;logas n&atilde;o s&atilde;o   os &uacute;nicos que pensam sobre o passado e, muitas vezes, suas (e nossas!)   perspectivas entram em conflito com outras narrativas   sobre o passado e o presente.</font></p>     <p><font size="3">Nas palavras de Nick Merriman (11), para que a ci&ecirc;ncia   possa compreender o p&uacute;blico &eacute; preciso antes entender como o p&uacute;blico compreende   ci&ecirc;ncia. Podemos advogar &agrave; arqueologia p&uacute;blica o papel de reflex&atilde;o sobre o que tem sido produzido do arqueol&oacute;gico fora do meio   disciplinar. "O significado da arqueologia na cultura popular &eacute; um t&oacute;pico que   nasceu daquele mesmo processo de abertura da disciplina arqueol&oacute;gica,   manifestando uma tend&ecirc;ncia rumo a uma verdadeira arqueologia   p&uacute;blica" (12).</font></p>     <p><font size="3">Nosso prop&oacute;sito, nas p&aacute;ginas que se seguem, &eacute; pensar nas   possibilidades pedag&oacute;gicas da televis&atilde;o e cinema, atrav&eacute;s de uma experi&ecirc;ncia em   sala de aula; ou seja, estamos focando um instrumento (de muitos) que pode ser usado   para o debate aberto sobre o fazer arqueol&oacute;gico. A   aproxima&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico leigo &agrave; arqueologia, atrav&eacute;s dessas imagens pode ser   muito mais efetiva, justamente por ser mais afetiva (13). A quest&atilde;o talvez n&atilde;o   esteja em destruir a imagem da arqueologia veiculada pela m&iacute;dia, muitas vezes fantasiosa, mas us&aacute;&#8209;la de modo cr&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="3">A experi&ecirc;ncia com os filmes que abordam a tem&aacute;tica da   arqueologia foram vivenciadas por Bruno Sanches Ranzani da Silva, coautor deste   artigo, que, entre os anos de 2011 e 2012, teve a oportunidade de ingressar como docente no ensino superior, e, com isso,   colocar em pr&aacute;tica algumas ideias sobre arqueologia p&uacute;blica, especialmente no   que tange &agrave; did&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="3"><b>SEXO, EVOLU&Ccedil;&Atilde;O E DID&Aacute;TICA </b>A din&acirc;mica adotada foi a de   apresenta&ccedil;&atilde;o de filmes e document&aacute;rios, seguida de   an&aacute;lise cr&iacute;tica da obra e reflex&atilde;o sobre o conte&uacute;do das imagens. Esse   exerc&iacute;cio proporcionou uma apresenta&ccedil;&atilde;o mais dialogal acerca dos conte&uacute;dos   previstos para as aulas.</font></p>     <p><font size="3">Abordaremos as din&acirc;micas relativas a duas s&eacute;ries de v&iacute;deos   mais usados nos cursos: <i>The incredible human journey</i> (A incr&iacute;vel jornada humana) (14) s&eacute;rie de 5 epis&oacute;dios, com   cerca de 50 minutos cada, da BBC de 2009, que parte do ser humano moderno e   procura os caminhos de dispers&atilde;o da humanidade pelo mundo enquanto esclarece   detalhes sobre a evolu&ccedil;&atilde;o humana; <i>Indiana Jones</i>, um cl&aacute;ssico de Steven Spielberg e George Lucas com 4   filmes, come&ccedil;ando em 1981 e terminando em 2008. O seriado foi usado nas   disciplinas de pr&eacute;&#8209;hist&oacute;ria geral (para turmas   de bacharelado e licenciatura em hist&oacute;ria), cujo   conte&uacute;do cobre do surgimento do primeiro ancestral humano ao aparecimento das   sociedades de Estado. O filme <i>Indiana Jones</i> foi usado nas disciplinas de patrim&ocirc;nio arqueol&oacute;gico   (turma de turismo) e arqueologia I (turma de bacharelado em hist&oacute;ria) nas aulas de introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; arqueologia.</font></p>     <p><font size="3">Para come&ccedil;ar com o cinema, <i>Indiana Jones</i>. A experi&ecirc;ncia com esse personagem nas aulas foi no   princ&iacute;pio dos cursos citados, para trazer &agrave; tona uma quest&atilde;o crucial: o que &eacute;   arqueologia? O filme do impressionantemente &aacute;gil e atl&eacute;tico   professor de arqueologia mostra uma s&eacute;rie de desfalques da pr&aacute;tica   arqueol&oacute;gica, ao mesmo tempo em que apresenta pr&aacute;ticas comuns e nos lembra que   muitos desses desfalques n&atilde;o s&atilde;o apenas inven&ccedil;&otilde;es de uma mente imaginativa.   Citaremos apenas tr&ecirc;s cenas que sumarizam fantasias e   cotidianos da pr&aacute;tica arqueol&oacute;gica:</font></p>     <p><font size="3">1) A cena do filme <i>Indiana Jones e os   ca&ccedil;adores da arca perdida</i> (15), em que Jones, em campo, foge de uma bola de pedra   gigante depois de ter entrado em um santu&aacute;rio ind&iacute;gena em alguma parte remota da Am&eacute;rica do Sul, roubado um &iacute;dolo de ouro, sido   enganado por um nativo hisp&acirc;nico (que pagara com a vida por essa trai&ccedil;&atilde;o). Suas   roupas t&ecirc;m tra&ccedil;os do que comumente usamos em campo. Chap&eacute;u contra o sol, camisa   e cal&ccedil;a de uma cor qualquer (de prefer&ecirc;ncia alguma   cor pr&oacute;xima a da terra a nos cobrir). N&atilde;o usamos chicote em campo. Estamos,   pelo menos hoje, mais preocupados em entender o cotidiano das popula&ccedil;&otilde;es   pret&eacute;ritas que embalar rel&iacute;quias raras e envi&aacute;&#8209;las   para museus. A pr&aacute;tica colecionista, no entanto, foi um dos movimentos de interesse pelo passado que   culminou com a arqueologia (16). Al&eacute;m de colecionista, o nacionalismo implicado   em nossa disciplina soletra o poder adquirido pelos Estados coloniais a cada   rel&iacute;quia tomada dos povos dominados. A repatria&ccedil;&atilde;o   desses esp&oacute;lios &eacute; parte do movimento que inaugura a arqueologia p&uacute;blica, e   Indiana Jones nada mais faz que nos lembrar mais essa fal&aacute;cia disciplinar que   n&atilde;o foi inventada pelos romances. Com exce&ccedil;&atilde;o de parte da indument&aacute;ria, o   intr&eacute;pido aventureiro reproduz uma imagem da   arqueologia que lutamos para desfazer &#150; a do aventureiro colonialista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">2) A cena em que Jones (15), agora em uma aula na   universidade, menciona  uma tumba neol&iacute;tica. Suas roupas n&atilde;o s&atilde;o estranhas ao   meio universit&aacute;rio (muito menos de sua &eacute;poca), o tema   da aula tampouco escapa ao nosso cotidiano. A cita&ccedil;&atilde;o do professor Jones sobre   a diferen&ccedil;a entre ladr&otilde;es de tumba e arque&oacute;logos &eacute; emblem&aacute;tica da pr&aacute;tica colonial que perfez a hist&oacute;ria da disciplina &#150; ele diz   que o folclore &eacute; um dos maiores perigos para a   ci&ecirc;ncia. A retirada de pe&ccedil;as e escava&ccedil;&otilde;es, pelo contr&aacute;rio, n&atilde;o s&atilde;o destrutivas, pois s&atilde;o realiza&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas por profissionais   que n&atilde;o creem no folclore. Pois esse outro disparate humanista fez parte (e   ainda faz) das ci&ecirc;ncias desde o iluminismo &#150; nada   al&eacute;m da raz&atilde;o cartesiana &eacute; digno de respeito. O ensino da arqueologia, como o   ensino de qualquer outra disciplina, &eacute; um dos meios de seu fortalecimento,   divulga&ccedil;&atilde;o de sua pr&aacute;tica e profissionaliza&ccedil;&atilde;o. Indy merecia um pux&atilde;o de orelha   por acusar o folclore de "perigoso para a ci&ecirc;ncia".</font></p>     <p><font size="3">3) A &uacute;ltima cena, retirada tamb&eacute;m do filme <i>Indiana Jones e o templo da perdi&ccedil;&atilde;o</i> (17) mostra o intr&eacute;pido gal&atilde; usando seu chicote para algo   mais que cruzar penhascos e nocautear pe&otilde;es no tabuleiro das batalhas. Como parte de seu extenso acervo de aventuras e   recompensas est&aacute; a prova &uacute;ltima de sua masculinidade: la&ccedil;ar a bela donzela.   Essa cena, definitivamente, &eacute; a maior "trollagem" poss&iacute;vel da arqueologia.   Durante muito tempo, sim, a arqueologia foi uma pr&aacute;tica   masculina, assim como muitas outras em nossa sociedade machista. No entanto, h&aacute;   tempos que as mulheres conquistaram seu espa&ccedil;o na arqueologia brasileira e   internacional, entre coordenadoras de projetos, c&aacute;tedras universit&aacute;rias, diretoras de inst&acirc;ncias m&aacute;ximas na gest&atilde;o do patrim&ocirc;nio arqueol&oacute;gico e donas de   empresas de consultoria. Essa cena descreve, pelo menos a nosso ver (e espero   estarmos afinados com nossos colegas), o fiasco do machismo em nossa   disciplina.</font></p>     <p><font size="3">O document&aacute;rio <i>A incr&iacute;vel jornada humana </i>(14), com seus cinco epis&oacute;dios,   possui um apelo diferente. Sua proposta n&atilde;o &eacute; apenas vender entretenimento, mas   sim divulgar a ci&ecirc;ncia de um modo acess&iacute;vel. Uma m&eacute;dica e antrop&oacute;loga, loira,   jovem, magra, sorridente e simp&aacute;tica com todos que encontra em suas viagens, de bosqu&iacute;manos &agrave; arque&oacute;logos chineses, apresenta essa jornada incr&iacute;vel atrav&eacute;s da   aventura da pesquisa e da excita&ccedil;&atilde;o da descoberta (ela sempre conclui suas   entrevistas com o apontamento: "voc&ecirc; deve ter ficado muito empolgado com essa   descoberta, n&atilde;o?"). Nessa "incr&iacute;vel jornada" diversos   personagens e situa&ccedil;&otilde;es pelas quais passa a Dra. Roberts mesclam dados   conhecidos pela comunidade cient&iacute;fica internacional com inusitadas e   estereotipadas imagens da arqueologia.</font></p>     <p><font size="3">O primeiro epis&oacute;dio apresenta uma vis&atilde;o do arque&oacute;logo pr&oacute;xima a do filho de Indiana Jones no &uacute;ltimo filme <i>Indiana Jones e o reino da caveira de   cristal </i>(18): m&aacute;sculo,   tatuado, motoqueiro, jovem (aparenta a mesma idade da   apresentadora), um norte&#8209;americano desbravando   os desertos &aacute;rabes em busca de vest&iacute;gios da migra&ccedil;&atilde;o   do <i>Homo sapiens</i> para fora da &Aacute;frica. Sua imagem se parece muito com a do   filho de Indiana Jones que surge nesse filme. Essa imagem nos parece nada mais   que a atualiza&ccedil;&atilde;o do aventureiro Jones (que foi a atualiza&ccedil;&atilde;o de seu pai, Henry Jones, no filme anterior) (19).</font></p>     <p><font size="3">As imagens apolog&eacute;ticas continuam com outros personagens do   document&aacute;rio. O conhecido lit&oacute;logo Bruce Bradley porta barba e cabelos   compridos, sem muitos cuidados, lentes grossas e uma sabedoria experimental   sobre ferramentas de pedra de 250 mil anos atr&aacute;s.</font></p>     <p><font size="3">Outros dois senhores intr&eacute;pidos s&atilde;o Michel LorBlanchet e   Klaus Schmidt . O primeiro, tamb&eacute;m um senhor de barba e cabelos brancos,   expressando sua francofilia atrav&eacute;s da boina, e seu peculiar trabalho com a   boca pintada de carv&atilde;o a cuspir em sua m&atilde;o na parede.   O segundo, um arque&oacute;logo alem&atilde;o que se protege do &aacute;rido sol turco com um   cl&aacute;ssico turbante branco, &oacute;culos escuros, comportamento jovial apesar do claro   queixo descolorido pelo tempo.</font></p>     <p><font size="3">Essas imagens podem facilmente ser   associadas ao personagem de Sir Henry Jones, pai de Indy, que aparece no   terceiro filme da s&eacute;rie, <i>Indiana Jones e a &uacute;ltima cruzada</i> (19). Interpretado por ningu&eacute;m   menos que Sean Connery, um dos mais famosos incorporadores do agente secreto   James Bond. Henry Jones poderia ser aludido &agrave; caricatura proposta por Alfred   Kidder de "arque&oacute;logo do queixo peludo", o barbudo mestre, sabedor dos segredos   de l&iacute;nguas e escrituras perdidas; enquanto seu filho,   Indiana Jones, nos remete &agrave;s aventuras da juventude, ao charme galanteador, ao   "peito cabeludo" do m&aacute;sculo explorador, novamente usando a caricatura de   Kidder, e a viv&ecirc;ncia com o trabalho que, um dia, lhes garantir&aacute; o professorado e as s&aacute;bias barbas brancas.</font></p>     <p><font size="3">Fica a quest&atilde;o: Qual seria o problema com arque&oacute;logos   barbudos e inusitados, ou com arque&oacute;logos jovens, aventureiros e curiosos? E   com bioantrop&oacute;logas jovens e simp&aacute;ticas? Essas n&atilde;o s&atilde;o caracter&iacute;sticas vivas nas pessoas? N&atilde;o s&atilde;o reais nos e nas profissionais? Ser&aacute; que Indiana   Jones, fal&aacute;cias colonialistas a parte, estaria t&atilde;o contr&aacute;rio a nossa real   imagem? Em seu artigo "um show de moda arqueol&oacute;gico", Cornelius Holtorf   apresenta as est&eacute;ticas e "modelitos" mais comuns entre   arque&oacute;logos e arque&oacute;logas (20). Seu argumento &eacute; de que parte de nossa imagem   p&uacute;blica n&atilde;o vem de fantasias leigas, mas de uma indument&aacute;ria de consumo   interno.</font></p>     <p><font size="3">Al&eacute;m do visual dos e das profissionais, merecem alguns   coment&aacute;rios as compreens&otilde;es sobre as disciplinas   envolvidas no estudo da pr&eacute;&#8209;hist&oacute;ria e evolu&ccedil;&atilde;o   humana. Muitas das explica&ccedil;&otilde;es que foram colocadas como "centrais" (ou &uacute;nicas)   para resolu&ccedil;&atilde;o de problemas enfrentados pelos humanos ancestrais foram   complementadas. Outro cuidado conceitual foi da associa&ccedil;&atilde;o   entre "evolu&ccedil;&atilde;o" e "melhoria", que n&atilde;o &eacute; mais usada h&aacute; muito tempo na biologia   evolutiva. O document&aacute;rio da <i>Jornada</i> apresenta dados etnogr&aacute;ficos, arqueol&oacute;gicos, bioantropol&oacute;gicos e paleoclim&aacute;ticos   para tecer seus argumentos, focado na divulga&ccedil;&atilde;o das   t&eacute;cnicas cient&iacute;ficas e no uso dos diversos tipos de informa&ccedil;&atilde;o. Inclusive, faz   uma breve cr&iacute;tica ao uso pol&iacute;tico dessas informa&ccedil;&otilde;es ao argumentar contra a   exist&ecirc;ncia proposta pela ci&ecirc;ncia chinesa, sob controle do Estado, de uma   ascend&ecirc;ncia &uacute;nica e distinta para os   chineses atuais. Sua licen&ccedil;a po&eacute;tica veio na solidez de suas conclus&otilde;es sobre o   passado que, como sabemos, s&atilde;o antes hip&oacute;teses bem sustentadas que verdades   absolutas. No entanto, o uso de vest&iacute;gios arqueol&oacute;gicos, f&oacute;sseis humanos,   reconstitui&ccedil;&otilde;es experimentais, dados etnogr&aacute;ficos,   geogr&aacute;ficos e clim&aacute;ticos passam a feliz mensagem de um ambiente de pesquisa   rico, interdisciplinar, amante da diversidade, questionador, pr&aacute;tico, complexo,   divertido, emocionante e, acima de tudo, merecedor de aten&ccedil;&atilde;o e financiamento.</font></p>     <p><font size="3"><b>IN MEDIUM PROFERRE </b> Para finalizar, recorremos aos   argumentos de Umberto Eco (21), que considera que o pecado n&atilde;o reside na m&iacute;dia   de massa em si, mas na permissividade de um   "livre cambismo" cultural. Em seu livro <i>Apocal&iacute;pticos     e integrados</i> (2001),   Eco direciona seu olhar cr&iacute;tico a ambos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">"O erro dos apologistas &eacute; afirmar que a multiplica&ccedil;&atilde;o dos   produtos da ind&uacute;stria seja boa em si, segundo um ideal homeost&aacute;tico do livre   mercado, e n&atilde;o deva submeter&#8209;se a uma cr&iacute;tica e   a novas orienta&ccedil;&otilde;es</font></p>     <p><font size="3">(...)</font></p>     <p><font size="3">O erro dos apocal&iacute;pticos&#8209;aristocr&aacute;ticos   &eacute; pensar que a cultura de massa seja radicalmente m&aacute;, justamente por ser um   fato industrial, e que hoje possa ministrar uma cultura subtra&iacute;da ao   conhecimento industrial" (22).</font></p>     <p><font size="3">Eco faz o certeiro apontamento de que o erro est&aacute;, e aqui concordamos com ele, em imaginar que   possamos, atualmente, simplesmente ignorar e culpar a cultura de massas.</font></p>     <p><font size="3">A falha est&aacute; em formular o problema nesses termos: "&eacute; bom   ou mau que exista a cultura de massas?". Quando, na verdade, o problema &eacute;: "do momento em que a presente situa&ccedil;&atilde;o de uma   sociedade industrial torna 'inelimin&aacute;vel' aquele tipo de rela&ccedil;&atilde;o comunicativa,   conhecida como conjunto dos meios de massa, qual a a&ccedil;&atilde;o cultural poss&iacute;vel a fim   de permitir que esses meios de massa possam veicular   valores culturais" (23). O document&aacute;rio em quest&atilde;o toma as imagens   arqueol&oacute;gicas presentes na cultura <i>pop</i> para divulgar o potencial da pr&eacute;&#8209;hist&oacute;ria   e da evolu&ccedil;&atilde;o humana atrav&eacute;s de seu lado mais intr&eacute;pido, divertido e n&atilde;o menos   real. Que profissional da arqueologia nunca se   emocionou com uma descoberta, ou viu&#8209;se   interessado em arqueologia pela porta que abre para a compreens&atilde;o do passado,   do presente, do outro e de n&oacute;s mesmos?</font></p>     <p><font size="3">Assim, concordamos com Paulo Zanettini (24) sobre o   veredicto do Dr. Indiana Jones: culpado de reproduzir   uma imagem da arqueologia como uma aventura colonial, e por em risco nossa luta   por algo democr&aacute;tico e socialmente respons&aacute;vel. No entanto, aproximando&#8209;nos &agrave; proposta de di&aacute;logos de Wagensberg, refor&ccedil;amos a   necessidade de n&atilde;o nos esquecermos de Jones. Ele nos   &eacute; caro n&atilde;o morto, mas sim criticado e desconstru&iacute;do em seus supostos crimes   fantasiosos. Acreditamos que &agrave; medida que nossa disciplina for se apresentando como socialmente respons&aacute;vel e   historicamente diversa, suas representa&ccedil;&otilde;es   acompanhem a nova proposta: da s&eacute;rie "E.R." para "House M.D." (licen&ccedil;as po&eacute;ticas a parte).</font></p>     <p><font size="3">Se, de fato, o arque&oacute;logo ou arque&oacute;loga querem participar   da constru&ccedil;&atilde;o de sua imagem e mesmo de suas possibilidades de a&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o adianta   negar ou condenar uma pr&aacute;tica inevitavelmente existente e corrente. O arque&oacute;logo   deve sair de sua "torre de marfim". A aliena&ccedil;&atilde;o n&atilde;o altera a equa&ccedil;&atilde;o: "o   sil&ecirc;ncio n&atilde;o &eacute; protesto, &eacute; cumplicidade; o mesmo ocorrendo com a recusa do compromisso" (23). J&aacute; est&aacute; na   boca do povo h&aacute; muito tempo: "Quem cala, consente".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i><font size="3"><b>Aline   Carvalho</b> &eacute; doutora pelo N&uacute;cleo de Estudos e Pesquisas Ambientais, da   Universidade Estadual de Campinas (Nepam/Unicamp), pesquisadora e coordenadora   do Laborat&oacute;rio de Arqueologia P&uacute;blica e professora participante do Programa de   P&oacute;s&#8209;Gradua&ccedil;&atilde;o em Ambiente e Sociedade (Nepam) e da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o,   e professora do Programa de P&oacute;s&#8209;Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria, do Instituto de   Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras (IFCH/Unicamp).</font></i></p>     <p><i><font size="3"><b>Bruno   Sanches Ranzani da Silva</b> &eacute; mestre em antropologia pela Universidade   Federal de Minas Gerais (UFMG), doutorando em hist&oacute;rica cultural na   Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e foi professor tempor&aacute;rio no   Departamento de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal de Pelotas   (UFPel).</font></i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">1.   O livro   foi traduzido para o portugu&ecirc;s.<i> O gozo intelectual</i>. Campinas: Editora da Unicamp, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Wagensberg, J. <i>O gozo intelectual</i>. Campinas: Editora da Unicamp, 2009.   p.14.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">3.  Freire, P. <i>Educa&ccedil;&atilde;o como pr&aacute;tica da liberdade</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1989.    </font></p>     <p><font size="3">4.  Wagensberg,   J. <i>Op. Cit.</i> 2009. p.15.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">5.  Rousseau,   J. J. <i>Emi&#769;lio     ou da educac&#807;a&#771;o</i>. 2 ed. Sa&#771;o Paulo: Difusa&#771;o Europeeia do Livro, 1973.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">6.  Funari, P. <i>Arqueologia. </i>S&atilde;o Paulo: Contexto, 2003. p.15.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">7.  Gumbrecht,   H. U. "Depois de 'Depois de aprender com a hist&oacute;ria', o que fazer com o passado   agora?". In<i>:</i> Nicolazzi, F.; Mollo, H. M.; Araujo, V. L. (orgs). <i>Aprender com a hist&oacute;ria? O passado e o     futuro de uma quest&atilde;o. </i>Rio de Janeiro: Editora da FGV.   2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">8.  Davis, H.   "The crisis in American archaeology &#150; an increase in destruction and decreased   funding for salvage has created an archaeological crisis", <i>Science</i>, Vol. 175, pp. 267&#8209;272. 1972.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">9.  Schadla&#8209;Hall, T. "Editorial: Public   archaeology." <i>European Journal of Archaeology</i>, pp. 147&#8209;158.   1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">10.          Merriman,   N. "Introduction. Diversity and dissonance in public archaeology." In:<i> Public Archaeology</i>, edi&ccedil;&atilde;o: Nick Merriman. London/New   York: Routledge, 2004a.    </font></p>     <p><font size="3">11. <i>Ibidem</i>, p.8.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">12.          Holtorf,   C. <i>Archaeology is a brand!</i> Oxford: Archeopress, 2007a. p.2.    </font></p>     <p><font size="3">13.          Holtorf,   C. <i>Op. Cit.</i></font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">14.          BBC. <i>A incr&iacute;vel jornada humana</i>. 2009, UK, BBC.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">15.          Spielberg,   S. <i>Indiana Jones e os ca&ccedil;adores da arca perdida</i>. 1981, EUA, Lucasfilm.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">16.          Trigger,   B. <i>Hist&oacute;ria do pensamento     arqueol&oacute;gico.</i> Tradu&ccedil;&atilde;o: Ordep Trindade Serra. S&atilde;o Paulo: Odysseus, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">17.          Spielberg,   S. <i>Indiana Jones e o templo da perdi&ccedil;&atilde;o. </i>1984. EUA, Lucasfilm.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">18.          Spielberg,   S. <i>Indiana Jones e o reino da caveira de cristal. </i>2008. EUA. Lucasfilm.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">19.          Spielberg,   S. <i>Indiana Jones e a &uacute;ltima cruzada. </i>1989. EUA. Lucasfilm.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">20.          Holtorf, C. "An archaeological fashion show." In: Clack, T.   e Brittain, M. <i>Archaeology and the media</i>. Walnut Creek: Left Coast. 2007b.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">21.          Eco,   U. <i>Apocal&iacute;pticos e integrados.</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 2001.    </font></p>     <p><font size="3">22.          Ibidem,   p.49.</font></p>     <p><font size="3">23.          Ibidem,   p.51.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="3">24.          Zanettini,   P. E. "Indiana Jones deve morrer." <i>Jornal da Tarde</i>, pp.4&#8209;5.   Maio 1991.    </font></p>     <p><font size="3">25.          Eco,   U. <i>Op. Cit.,</i> p.52.</font></p>      ]]></body><back>
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