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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Olimpíadas e Copas de Futebol: oportunidade para avanços científicos e tecnológicos]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/noticiasbr.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>ESPORTE</b></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v65n3/linha.jpg"></P>     <P><font size="4">Olimp&iacute;adas e Copas de Futebol: oportunidade para avan&ccedil;os cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">&Eacute; grande a expectativa brasileira ao sediar uma Copa do Mundo de Futebol e, dois anos depois, uma Olimp&iacute;ada in&eacute;dita em territ&oacute;rio nacional, pois s&atilde;o eventos que agitam os cen&aacute;rios sociais, econ&ocirc;micos e tecnol&oacute;gicos do pa&iacute;s. Mas o chute inicial desses grandes acontecimentos pretende ser emblem&aacute;tico para a ci&ecirc;ncia do esporte: o neurocientista Miguel Nicolelis comanda pesquisa para que o pontap&eacute; de abertura dos jogos da Copa de 2014 seja dado por um tetrapl&eacute;gico usando um exoesqueleto controlado pelo c&eacute;rebro. Dessa forma, o diretor do laborat&oacute;rio de neuroengenharia da Universidade Duke, nos Estados Unidos, usa a visibilidade do esporte para divulgar a ci&ecirc;ncia feita nos laborat&oacute;rios e o trabalho que vem desenvolvendo em seu centro de pesquisa em Natal (RN). </font></P>     <P><font size="3">Quase sempre longe dos holofotes a ci&ecirc;ncia do esporte percebe uma incipiente movimenta&ccedil;&atilde;o, causada pela maior divulga&ccedil;&atilde;o de tem&aacute;ticas inerentes &agrave; &aacute;rea. No ano passado, o Pr&ecirc;mio Jovem Cientista apresentou o tema "Inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica nos esportes" e para este ano a Semana Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia tem como mote "Ci&ecirc;ncia, sa&uacute;de e esporte". &Eacute;, ainda, uma oportunidade de capta&ccedil;&atilde;o de recursos para as pesquisas com a consequente amplia&ccedil;&atilde;o da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica na &aacute;rea. </font></P>     <P><font size="3">O reconhecimento da &aacute;rea vem atrelado, no entanto, &agrave; expectativa de retorno imediato, na forma de medalhas, por exemplo. O que se espera com os investimentos efetuados &eacute; melhorar o quadro de medalhas do Brasil em 2016, o que dificilmente acontecer&aacute; conforme o esperado. Ser&atilde;o R$ 2,5 bilh&otilde;es para tentar figurar na lista dos 10 primeiros pa&iacute;ses na Olimp&iacute;ada e em quinto lugar na Paraolimp&iacute;ada &#150; na &uacute;ltima edi&ccedil;&atilde;o aparecemos em 22º e 7º, respectivamente &#150; por&eacute;m, seria preciso muito mais tempo, preparo e planejamento, dentro de uma pol&iacute;tica de capacita&ccedil;&atilde;o esportiva de nossos atletas para que isso pudesse acontecer.</font></P>     <P><font size="3">"Em paralelo ao que parecem ser as maiores preocupa&ccedil;&otilde;es &#150; infraestrutura e seguran&ccedil;a &#150; uma pequena parcela das aten&ccedil;&otilde;es e investimentos t&ecirc;m se voltado ao desenvolvimento cient&iacute;fico, at&eacute; porque a 'extra&ccedil;&atilde;o' do m&aacute;ximo potencial de um atleta somente pode ser alcan&ccedil;ada com interven&ccedil;&otilde;es fundamentadas em conhecimento cient&iacute;fico", aponta o vencedor do Pr&ecirc;mio Jovem Cientista 2012, Rodrigo Gon&ccedil;alves Dias, doutor em biologia funcional e molecular e pesquisador da &aacute;rea de gen&ocirc;mica funcional no Instituto do Cora&ccedil;&atilde;o (InCor). Dias descobriu uma muta&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica que afeta a vasodilata&ccedil;&atilde;o muscular durante o exerc&iacute;cio f&iacute;sico e agora busca genes responsivos ao treinamento.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="3"><b>CETICISMO</b> "Em um cen&aacute;rio bastante otimista, imagine que os investimentos feitos neste momento ser&atilde;o mantidos e at&eacute; mesmo ampliados ap&oacute;s 2016. Ainda assim, resultados expressivos s&oacute; ser&atilde;o colhidos, quem sabe, daqui a duas ou tr&ecirc;s gera&ccedil;&otilde;es de atletas de elite. E essas primeiras gera&ccedil;&otilde;es beneficiadas com os novos investimentos ainda sofreriam com as defici&ecirc;ncias, resist&ecirc;ncias e erros, que s&atilde;o naturais quando qualquer sistema que funcionou d&eacute;cadas da forma X passa por transforma&ccedil;&otilde;es para funcionar da forma Y", completa.</font></P>     <P><font size="3">De maneira geral, entre os pesquisadores impera o ceticismo. "Sinceramente, n&atilde;o vejo avan&ccedil;os significativos", lamenta Alcides Jos&eacute; Scaglia, docente do curso de ci&ecirc;ncias do esporte e atualmente coordenador de gradua&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Aplicadas (FCA) da Unicamp.</font></P>     <P><font size="3">Ele aponta que ainda existe um abismo entre as ci&ecirc;ncias e o esporte, com exce&ccedil;&atilde;o do setor paraol&iacute;mpico, onde essa uni&atilde;o tem sido bastante promissora no Brasil. "Veja, por exemplo, os centros de excel&ecirc;ncia esportivos, como o de Campinas. Eles foram constru&iacute;dos distantes (at&eacute; fisicamente) das universidades, enquanto em outros pa&iacute;ses de refer&ecirc;ncia est&atilde;o junto a um grande polo de pesquisa, e os professores muitas vezes integram as comiss&otilde;es das equipes. Nossos atletas de ponta est&atilde;o treinando fora do pa&iacute;s, porque a &uacute;nica preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; com as medalhas, e n&atilde;o com um legado metodol&oacute;gico e de infraestrutura", compara. Ciente do pouco tempo dispon&iacute;vel, o plano oficial optou por financiar apenas os atletas com mais chances de subir ao p&oacute;dio em 2016, sem a preocupa&ccedil;&atilde;o em criar uma base s&oacute;lida e permanente de acesso ao esporte e condi&ccedil;&otilde;es de treinamento.</font></P>     <P><font size="3"><b>CI&Ecirc;NCIA NO FUTEBOL</b> O esporte mais acompanhado e praticado no Brasil &eacute; um dos primeiros a apresentar defici&ecirc;ncias seri&iacute;ssimas e est&aacute; longe de servir como vitrine dos avan&ccedil;os da ci&ecirc;ncia. Para o treinador e fisiologista Renato Buscariolli de Oliveira, mestre em biologia funcional e molecular pela Unicamp, o futebol precisa urgentemente readequar seus modelos de treinamento e inserir a ci&ecirc;ncia na pauta do dia. Em sua opini&atilde;o, n&atilde;o &eacute; raro que clubes de alto n&iacute;vel cometam erros grosseiros, com resultados que v&atilde;o de les&otilde;es ao baixo rendimento do time.</font></P>     <P><font size="3">Em sua pesquisa de doutorado, Buscariolli estuda os benef&iacute;cios dos chamados Jogos Reduzidos (JR), em que preconiza modelos de treino relacionados especificamente &agrave; realidade do jogo, em vez das sess&otilde;es tradicionais. S&atilde;o jogos adaptados para &aacute;reas pequenas, com poucos jogadores e regras modificadas, bastante r&aacute;pidos e intensos, exigindo agilidade na tomada de decis&otilde;es dos jogadores. </font></P>     <P><font size="3">O futebol tem car&aacute;ter intermitente, no qual per&iacute;odos curtos de alta intensidade (tiros) s&atilde;o intercalados por per&iacute;odos mais longos de recupera&ccedil;&atilde;o ativa ou passiva, e as a&ccedil;&otilde;es no jogo configuram&#45;se a partir de uma intrincada trama de rela&ccedil;&otilde;es de oposi&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o, com a varia&ccedil;&atilde;o de atividades sendo alta e imprevis&iacute;vel (em m&eacute;dia, em uma partida h&aacute; entre 1000 a 1400 a&ccedil;&otilde;es motoras). E, em geral, essas atividades de alta intensidade s&atilde;o as que possuem maior rela&ccedil;&atilde;o com o placar final. "N&atilde;o adianta apenas correr para ganhar condicionamento f&iacute;sico. Devem constar do treinamento os aspectos que se relacionam diretamente ao jogo, porque o futebol exige capacidade de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es imprevis&iacute;veis. Comparado aos treinos f&iacute;sicos tradicionais os jogos adaptados s&atilde;o mais eficazes na otimiza&ccedil;&atilde;o do tempo de treino e aprimoram n&atilde;o apenas a parte f&iacute;sica, mas tamb&eacute;m a cognitiva, de forma que as rea&ccedil;&otilde;es no jogo sejam autom&aacute;ticas e &aacute;geis", explica o pesquisador.</font></P>     <P><font size="3">Essa necessidade de mudan&ccedil;a dr&aacute;stica, com a inser&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia na &aacute;rea esportiva, &eacute; observada em todas as modalidades praticadas no Brasil, n&atilde;o apenas no futebol. Muito do que &eacute; feito tem base no empirismo, e poucos centros esportivos t&ecirc;m &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o an&aacute;lises bioqu&iacute;micas que poderiam, por exemplo, medir os n&iacute;veis de estresse celular e de recupera&ccedil;&atilde;o ao esfor&ccedil;o, reduzindo o risco de les&otilde;es e potencializando o treinamento.</font></P>     <P><font size="3">A ci&ecirc;ncia do esporte no Brasil est&aacute; apenas iniciando outro ciclo, pois sempre primou pela parte pr&aacute;tica, considera Antonio Carlos Gomes, superintendente de alto rendimento da Confedera&ccedil;&atilde;o Brasileira de Atletismo com passagens pelas sele&ccedil;&otilde;es de handebol e triathlon, al&eacute;m de outros projetos, do Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Brasileiro. Para ele, que fez seu doutorado em teoria e metodologia da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e dos esportes pela Universidade Nacional de Cultura F&iacute;sica da R&uacute;ssia, "a partir dos grandes eventos vamos amadurecer com a conviv&ecirc;ncia e confronto com pa&iacute;ses que h&aacute; muito se apoiam nos avan&ccedil;os cient&iacute;ficos na &aacute;rea. O esporte ainda &eacute; praticado de forma rom&acirc;ntica. Demoramos para perceber que o mundo tem como norma a ci&ecirc;ncia acad&ecirc;mica para dirigir o processo de prepara&ccedil;&atilde;o de um atleta. No Brasil o futebol, por exemplo, &eacute; uma modalidade sustentada pelas leis do empirismo, da arte, do espet&aacute;culo e, na maioria das vezes, tudo ocorre por tentativa e erro", afirma.</font></P>     <P><font size="3">A import&acirc;ncia da ci&ecirc;ncia no esporte pode ser exemplificada com o <a href="#grf01">gr&aacute;fico 1</a>, mostrando a queda vertiginosa dos tempos de conclus&atilde;o das maratonas, provas extenuantes de 42,195 km. No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX o vencedor cumpria a dist&acirc;ncia em quase 3 horas, e atualmente a busca &eacute; para fechar o percurso o mais pr&oacute;ximo poss&iacute;vel das 2 horas. Ou seja, em menos de 100 anos houve uma redu&ccedil;&atilde;o de quase 35% no tempo necess&aacute;rio para os melhores cumprirem o trajeto. Trata&#45;se da mesma dist&acirc;ncia, em um esporte individual e sem aparatos significativos (apenas um par de t&ecirc;nis), fazendo com que a for&ccedil;a do movimento venha apenas do competidor. O sucesso da redu&ccedil;&atilde;o de tempos, portanto, deve&#45;se &agrave;s interven&ccedil;&otilde;es da ci&ecirc;ncia e da tecnologia no treinamento e no corpo dos atletas. </font></P>     <P><a name="grf01"></a></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a04grf01.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3"><b>LEGADO OL&Iacute;MPICO</b> Mesmo com todas essas considera&ccedil;&otilde;es, &eacute; preciso reconhecer que sediar uma Olimp&iacute;ada pode significar uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o para uma cidade e para a pesquisa acad&ecirc;mica de um pa&iacute;s. Um dos melhores exemplos, at&eacute; hoje, s&atilde;o os Jogos de Barcelona, em 1992. </font></P>     <P><font size="3">Uma das implementa&ccedil;&otilde;es mais marcantes na &eacute;poca foi a cria&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o de Desportos Ol&iacute;mpicos (ADO), com investidores privados, cinco anos antes do evento. A ADO teve papel t&atilde;o fundamental que a Espanha ganhou 22 medalhas em 1992 &#150; para se ter uma dimens&atilde;o do feito observa&#45;se que o pa&iacute;s s&oacute; havia conquistado 27 medalhas ol&iacute;mpicas em toda a hist&oacute;ria.</font></P>     <P><font size="3">Os grandes eventos t&ecirc;m sido vistos como uma oportunidade de canalizar investimentos para a &aacute;rea urbana , mas a experi&ecirc;ncia do Brasil com o Pan&#45;Americano em 2007 n&atilde;o &eacute; muito animadora sequer para o esporte. O vel&oacute;dromo &#150; primeiro do Brasil com pista de madeira, constru&iacute;da com pinho siberiano ao custo de R$ 14 milh&otilde;es &#150; n&atilde;o atende as especifica&ccedil;&otilde;es do Comit&ecirc; Ol&iacute;mpico Internacional e est&aacute; sendo demolido para dar lugar a outro de R$ 147 milh&otilde;es. O Parque Aqu&aacute;tico Maria Lenk custou R$ 85 milh&otilde;es e, obsoleto, deve passar por reformas.</font></P>     <P><font size="3">Al&eacute;m do suporte para atletas, outro desafio &eacute; aproximar a ci&ecirc;ncia do esporte do p&uacute;blico, como se faz em outros pa&iacute;ses. Em uma &eacute;poca em que o esporte est&aacute; ligado a valores e decis&otilde;es &eacute;ticas &#150; como doping, melhoramento gen&eacute;tico e sele&ccedil;&atilde;o de futuros talentos na inf&acirc;ncia &#150;, &eacute; fundamental que seja tamb&eacute;m incorporado definitivamente como uma &aacute;rea cient&iacute;fica, de reflex&atilde;o e inclus&atilde;o social.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><i>Marina Gomes</i></font></P>      ]]></body>
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