<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252013000300006</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252013000300006</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Investimento e criatividade para impulsionar a ciência]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Caldas]]></surname>
<given-names><![CDATA[Cristina]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[Renato]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>07</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<volume>65</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>14</fpage>
<lpage>17</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252013000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252013000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252013000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/noticias.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a06img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">E<small>NTREVISTA</small> G<small>ERALD</small> R. F<small>INK</small></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v65n3/linha.jpg"></P>     <P><font size="4"><b>Investimento e criatividade para impulsionar a ci&ecirc;ncia</b></font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Gerald Fink assumir&aacute; em fevereiro do pr&oacute;ximo ano o cargo de presidente da American Association for the Advancement of Science (AAAS), maior sociedade cient&iacute;fica geral do mundo, composta por 120 mil membros individuais e institucionais, 261 sociedades e academias de ci&ecirc;ncia afiliadas, servindo dez milh&otilde;es de indiv&iacute;duos.</font></P>     <p><font size="3">Membro fundador do Instituto Whitehead e professor de gen&eacute;tica no Massachusetts Institute of Technology (MIT), Fink esteve duas vezes no Brasil, a convite dos professores Ana Clara Shenberg e Spartaco Astolfi&#45;Filho, para ministrar curso de biologia molecular na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), nos mesmos moldes do curso que ele lecionou por 17 anos em Cold Spring Harbor.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">As pesquisas desenvolvidas por Fink t&ecirc;m contribu&iacute;do, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, para o melhor entendimento dos mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o g&ecirc;nica, muta&ccedil;&atilde;o e recombina&ccedil;&atilde;o, principalmente usando leveduras como modelo de estudo. Ele foi pioneiro no desenvolvimento da t&eacute;cnica de transforma&ccedil;&atilde;o de leveduras, fornecendo bases para o uso comercial desse sistema para a produ&ccedil;&atilde;o de vacinas e medicamentos. Al&eacute;m disso, seus trabalhos na &aacute;rea de biologia molecular de fungos, mostrando as vias de sinaliza&ccedil;&atilde;o e genes envolvidos no crescimento filamentoso, t&ecirc;m ajudado a entender os processos de virul&ecirc;ncia e patogenicidade. Participou tamb&eacute;m das primeiras etapas de introdu&ccedil;&atilde;o da <I>Arabidopsis thaliana</I> como modelo de estudo do desenvolvimento de plantas. Foi diretor do Instituto Whitehead entre 1990 e 2001 e &eacute; membro da National Academy of Sciences e do Institute of Medicine e <I>fellow</I> da American Academy of Arts and Sciences.</font></P>     <p><font size="3">Nesta entrevista &agrave; <I>Ci&ecirc;ncia e Cultura</I>,  realizada em Cambridge, nos Estados Unidos, Fink falou tanto de sua carreira como pesquisador, influenciado pela concorr&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica entre os Estados Unidos e a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, quanto sobre os esfor&ccedil;os para valorizar a ci&ecirc;ncia e garantir n&iacute;veis adequados de financiamento p&uacute;blico para a pesquisa b&aacute;sica. Apesar das dificuldades existentes para quem quer seguir a carreira de pesquisa acad&ecirc;mica hoje em dia, Fink traz uma mensagem de otimismo e desafio aos jovens pesquisadores: "N&atilde;o tenham medo de seguir suas melhores ideias, &#91;essa &eacute;&#93; a &uacute;nica maneira de chegar &agrave; frente na ci&ecirc;ncia."</font></P>     <p><font size="3"><i>Se o senhor tivesse que escolher uma &uacute;nica realiza&ccedil;&atilde;o como presidente da AAAS, qual seria sua prioridade durante o mandato de 3 anos?</i></font></P>     <p><font size="3">Garantir que o governo coloque mais recursos na ci&ecirc;ncia. A maneira de conseguir isso &eacute; fazer com que todos no pa&iacute;s percebam o quanto a ci&ecirc;ncia &eacute; importante em suas vidas, o que &eacute; muito dif&iacute;cil. J&aacute; se faz isso por meio de diversas iniciativas. Existe o programa "AAAS fellows", &#91;AAAS Science &amp; Technology Policy Fellowships&#93;, onde cientistas v&atilde;o ao Congresso, Departamento de Defesa, entre outros. A ci&ecirc;ncia deveria influenciar as decis&otilde;es dos pol&iacute;ticos, mas muitas vezes eles n&atilde;o sabem que existe um ponto de vista cient&iacute;fico. Por exemplo, a AAAS recebe rep&oacute;rteres do mundo inteiro. Na primeira reuni&atilde;o do conselho da AAAS que participei tivemos acesso &agrave; reportagem de um correspondente da Coreia do Norte. Fiquei impressionado com o relato sobre o aumento de casos de tuberculose resistentes a drogas no pa&iacute;s. Talvez essa seja uma &aacute;rea onde a ci&ecirc;ncia poderia ajudar a resolver problemas pol&iacute;ticos. Eles n&atilde;o t&ecirc;m os medicamentos necess&aacute;rios e disp&otilde;em de uma estrutura hospitalar decadente, mesmo nos melhores hospitais. Talvez exista alguma possibilidade de coopera&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica com o Ir&atilde;. Subestimamos a import&acirc;ncia de fazer conex&otilde;es cient&iacute;ficas com pa&iacute;ses com os quais n&atilde;o temos &#91;boas&#93; rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas.</font></P>     <p><font size="3"><i>Diplomacia por meio da ci&ecirc;ncia?</i></font></P>     <p><font size="3">Sim. A AAAS j&aacute; faz muito disso. N&atilde;o sei se a informa&ccedil;&atilde;o sobre tuberculose chegou at&eacute; o Departamento de Estado. Acho esse dado muito importante por conta da estabilidade do pr&oacute;prio pa&iacute;s e tamb&eacute;m pela amea&ccedil;a mundial, considerando que bact&eacute;rias n&atilde;o t&ecirc;m fronteiras pol&iacute;ticas. </font></P>     <p><font size="3">Devo dizer tamb&eacute;m que minha esperan&ccedil;a &eacute; encontrar alguma forma de que crian&ccedil;as frequentem &oacute;timas escolas, conhe&ccedil;am a AAAS e, assim como os cientistas, leiam a <I>Science</I>, saibam o que est&aacute; acontecendo no mundo da ci&ecirc;ncia. Se tivessem seu pr&oacute;prio website da AAAS, cujo acesso se tornasse h&aacute;bito, mesmo que n&atilde;o se tornassem cientistas, estarariam melhor preparadas para questionar sob o ponto de vista cient&iacute;fico.</font></P>     <p><font size="3"><i>Melhorando a alfabetiza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, incluindo a dos pol&iacute;ticos no Congresso?</i></font></P>     <p><font size="3">O verdadeiro problema que vejo &eacute; que o Congresso est&aacute; tomando decis&otilde;es o tempo todo sobre temas que t&ecirc;m importantes componentes cient&iacute;ficos, e se voc&ecirc; n&atilde;o tem um senso de dimens&atilde;o, a diferen&ccedil;a entre milh&otilde;es, trilh&otilde;es, um m&iacute;cron e um metro, voc&ecirc; est&aacute; fazendo um julgamento deixando a parte da ci&ecirc;ncia de fora. Provavelmente todas as decis&otilde;es tomadas t&ecirc;m um componente cient&iacute;fico, da&iacute; a import&acirc;ncia dos "AAAS fellows" no Congresso, construindo conex&otilde;es, falando com os parlamentares. Isso &eacute; muito importante mas, em termos de na&ccedil;&atilde;o, a &uacute;nica maneira &eacute; que todos os cidad&atilde;os considerem a ci&ecirc;ncia importante. </font></P>     <p><font size="3"><i>Um Congresso mais diversificado, com mais cientistas, teria melhores resultados?</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Nem toda decis&atilde;o tomada por cientistas &eacute; boa, por isso insisto que &eacute; t&atilde;o importante termos um conhecimento b&aacute;sico de ci&ecirc;ncia, apreciar e entender aquele ponto de vista. N&atilde;o acho que seja bom que todos se tornem cientistas. Estando em um lugar como o MIT, posso dizer que se trata de uma institui&ccedil;&atilde;o realmente bem administrada porque todos sabem que o objetivo &eacute; fazer ci&ecirc;ncia de excel&ecirc;ncia. No caso de pol&iacute;ticos e legisladores o objetivo de engrandecer o nosso pa&iacute;s &eacute; vago, mas a ci&ecirc;ncia deveria desempenhar um papel mais importante nesse contexto.</font></P>     <p><font size="3"><i>A AAAS foi uma das primeiras signat&aacute;rias da Dora (San Francisco Declaration on Research Assessment). O que o senhor acha de iniciativas como essa que visam a restringir o uso abusivo do fator de impacto na avalia&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica?</i></font></P>     <p><font size="3">Concordo com qualquer um que diga que o uso indiscriminado do fator de impacto &eacute; terr&iacute;vel. Acho que o fator de impacto &eacute; venenoso. Nos Estados Unidos n&atilde;o o usamos muito, o que n&atilde;o diminui o reconhecimento de peri&oacute;dicos mais importantes, aqui chamados de "alto impacto". Em um lugar como o MIT confiamos no nosso pr&oacute;prio julgamento. Professores participantes de bancas de sele&ccedil;&atilde;o precisam confiar em seus pr&oacute;prios julgamentos; na minha opini&atilde;o o fator de impacto &eacute; utilizado quando tal confian&ccedil;a inexiste. Outra discuss&atilde;o importante &eacute; a da longevidade dos artigos. Sempre fico contente quando algu&eacute;m cita um artigo meu de mais de dez anos. H&aacute; pouco tempo vi uma cita&ccedil;&atilde;o de um artigo meu publicado h&aacute; 23 anos. </font></P>     <p><font size="3"><i>Como o senhor se interessou pela ci&ecirc;ncia?</i></font></P>     <p><font size="3">Sempre me interessei por temas de ci&ecirc;ncia, desde o ensino m&eacute;dio. Meu pai era m&eacute;dico e com frequ&ecirc;ncia discut&iacute;amos ci&ecirc;ncia na mesa do jantar. A&iacute;, em 1957, os russos lan&ccedil;aram o Sputnik &#91;primeiro sat&eacute;lite artificial a orbitar a Terra&#93;, fazendo com que de repente o ensino de ci&ecirc;ncia se tornasse uma quest&atilde;o nacional, com amplos investimentos do governo. Cursos de matem&aacute;tica e engenharia avan&ccedil;adas passaram a ser oferecidos nas escolas. Foi assim que me interessei pela ci&ecirc;ncia. Em seguida fui para a universidade, onde desenvolvi projeto de pesquisa e adorei trabalhar no laborat&oacute;rio, pois me pareceu ser um lugar onde voc&ecirc; sempre est&aacute; fazendo algo de vanguarda, que ningu&eacute;m fez antes. Sempre focando o futuro, ao inv&eacute;s de olhar para o passado. </font></P>     <p><font size="3"><i>O senhor acha que se beneficiou por ter nascido em uma gera&ccedil;&atilde;o onde a ci&ecirc;ncia era valorizada?</i></font></P>     <p><font size="3">Sim. Sem ter um concorrente pol&iacute;tico, como n&oacute;s tivemos a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica &#91;na &eacute;poca&#93;, acho que h&aacute; um problema em convencer as pessoas e o governo de que a ci&ecirc;ncia &eacute; importante. Durante a Guerra Fria, os f&iacute;sicos estavam no topo da "cadeia alimentar" porque o governo sempre temia que um ICBM (<I>intercontinental ballistic missiles</I>) viria da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica e precis&aacute;vamos ter nosso pr&oacute;prio.</font></P>     <p><font size="3"><i>O que levou o senhor a estudar leveduras?</i></font></P>     <p><font size="3">&#91;No doutorado&#93; trabalhei com metabolismo de leveduras, assunto pelo qual ainda me interesso. Gosto de entrar em um sistema quando ainda n&atilde;o h&aacute; muitas pessoas fazendo a mesma coisa. Naquele tempo havia pouqu&iacute;ssimas pessoas trabalhando com leveduras. Se voc&ecirc; entrar em uma &aacute;rea que j&aacute; est&aacute; no final do jogo ao inv&eacute;s dos primeiros minutos, h&aacute; muita leitura a ser feita, in&uacute;meros artigos cient&iacute;ficos, e voc&ecirc; n&atilde;o sabe em que acreditar. J&aacute; no come&ccedil;o do jogo voc&ecirc; n&atilde;o precisa ler nada, pode apenas fazer experimentos. Assim era a &aacute;rea de leveduras na &eacute;poca, que agora se tornou muito mais sofisticada. Escrevi um artigo h&aacute; mais de 20 anos com um colega ("Yeast: an experimental organism for modern biology") e recentemente pediram que escrev&ecirc;ssemos outro ("Yeast: an experimental organism for 21st century biology"). A mensagem &eacute; que todas as novas tecnologias, como gen&ocirc;mica e prote&ocirc;mica, s&atilde;o testadas primeiro em leveduras. Achei a &aacute;rea atrativa pois havia muitos desafios. Desde que comecei a trabalhar com leveduras a &uacute;nica coisa que pod&iacute;amos fazer era gen&eacute;tica cl&aacute;ssica, at&eacute; que pessoas no meu laborat&oacute;rio acharam uma maneira de fazer transforma&ccedil;&otilde;es de DNA e de repente tudo podia ser feito, voc&ecirc; podia manipul&aacute;&#45;las.</font></P>     <p><font size="3"><i>Trata&#45;se do seu artigo cient&iacute;fico mais citado, com a descri&ccedil;&atilde;o de tecnologia de transforma&ccedil;&atilde;o de leveduras. Gostar&iacute;amos de saber mais sobre o contexto em que foi gerada.</i></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Outros 15 laborat&oacute;rios estavam tentando fazer o mesmo. Havia um p&oacute;s&#45;doutorando su&iacute;&ccedil;o trabalhando no meu laborat&oacute;rio. Ele era muito organizado e mantinha seu caderno de laborat&oacute;rio perfeito, o que s&oacute; um su&iacute;&ccedil;o poderia fazer. Um norte&#45;americano trabalhava com o su&iacute;&ccedil;o, ajudando&#45;o a fazer com que as transforma&ccedil;&otilde;es funcionassem. Ele havia passado pela Marinha e n&atilde;o anotava nada. T&iacute;nhamos truques t&eacute;cnicos que terminaram funcionando e o resto virou hist&oacute;ria.</font></P>     <p><font size="3"><i>Por que o interesse especificamente na transforma&ccedil;&atilde;o?</i></font></P>     <p><font size="3">Era a &uacute;nica maneira de manipular o genoma, abrindo a possibilidade de alter&aacute;&#45;lo como voc&ecirc; quisesse, inserindo qualquer gene de interesse, o que levou ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas e biom&eacute;dicas a usar levedura para produzir in&uacute;meras vacinas e medicamentos, como &eacute; o caso das vacinas Gardasil (HPV) e hepatite B. Metade da insulina produzida mundialmente vem de leveduras. O impacto foi enorme porque hepatite B era end&ecirc;mica na China. </font></P>     <p><font size="3">H&aacute; v&aacute;rias raz&otilde;es importantes para utilizar esse sistema, que traz uma s&eacute;rie de vantagens. Assim que cheguei aqui no MIT havia 15 laborat&oacute;rios trabalhando com leveduras e atualmente ainda h&aacute; cerca de 10 laborat&oacute;rios que utilizam esse microorganismo como modelo experimental. Atualmente, estamos trabalhando com leveduras como modelo para prever intera&ccedil;&otilde;es gen&ocirc;micas complexas.</font></P>     <p><font size="3"><i>Que conselho o senhor daria a um jovem cientista que esteja iniciando sua gradua&ccedil;&atilde;o?</i></font></P>     <p><font size="3">O mesmo que digo aos meus estudantes: n&atilde;o tenha medo de seguir suas melhores ideias, &#91;esta &eacute;&#93; a &uacute;nica maneira de chegar &agrave; frente na ci&ecirc;ncia. Por isso que eu digo que &eacute; t&atilde;o importante estar presente onde o jogo esteja apenas come&ccedil;ando. H&aacute; um jovem professor aqui no Whitehead que fez seu PhD no MIT com Robert Horwitz &#91;vencedor do Pr&ecirc;mio Nobel de Fisiologia e Medicina em 2002&#93;, em modelo padr&atilde;o que todo mundo trabalhava, um verme. Ele &eacute; muito bom, muito inteligente, e poderia ter optado por continuar trabalhando com o mesmo modelo, mas ele estava interessado em regenera&ccedil;&atilde;o e havia um outro verme capaz de regenerar nova cabe&ccedil;a quando cortado. Ningu&eacute;m havia trabalhado antes nesse sistema. Agora ele &eacute; o l&iacute;der nesse campo e regenera&ccedil;&atilde;o acabou tornando&#45;se uma &aacute;rea muito importante e interessante. Ele poderia simplesmente ter continuado no mesmo caminho e teria um sucesso limitado. Agora todo mundo quer trabalhar com esse verme.</font></P>     <p><font size="3"><i>Falando um pouco sobre os cortes fiscais autom&aacute;ticos que est&atilde;o em curso (sequestration), a AAAS tem defendido limitar o impacto desses cortes em programas cient&iacute;ficos. Como o senhor v&ecirc; a quest&atilde;o fiscal americana no longo prazo? </i></font></P>     <p><font size="3">Eu espero que o Congresso veja rapidamente a loucura que fez e perceba o qu&atilde;o importante &eacute; a ci&ecirc;ncia. Meu receio &eacute; que, nesse caso, investimentos em ci&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o como atrasos em aeroportos, os quais eles &#91;os pol&iacute;ticos&#93; perceberam pois os atrapalhavam no deslocamento de casa at&eacute; Washington, e eles rapidamente  consertaram a situa&ccedil;&atilde;o. Eu n&atilde;o acho que cortes autom&aacute;ticos sejam uma boa forma de gest&atilde;o de um governo. Minha esperan&ccedil;a &eacute; que isso n&atilde;o destrua as vidas de muitos jovens cientistas, pois o problema &eacute; que se voc&ecirc; tiver jovens muito inteligentes e com senso de oportunidade, ao verem que n&atilde;o h&aacute; futuro em ci&ecirc;ncia, eles v&atilde;o buscar fazer outras coisas. Eu cresci na era do Sputnik e n&atilde;o tinha que ficar pensando em recursos financeiros. Eu apenas fazia o que queria e sempre havia recursos adequados. Acredito que essa seja a mesma hist&oacute;ria de v&aacute;rias pessoas e &eacute; a raz&atilde;o do florescimento das ci&ecirc;ncias nos Estados Unidos na &eacute;poca em que a ci&ecirc;ncia era bem financiada. E essa &eacute; tamb&eacute;m a raz&atilde;o de termos todas essas vacinas. Eu acho que h&aacute; um equ&iacute;voco na &ecirc;nfase em ci&ecirc;ncia aplicada e uma falta de compreens&atilde;o de onde as descobertas se originam. Mesmo o financiamento atual da ci&ecirc;ncia, que pode parecer n&atilde;o ser ruim, tem se direcionado cada vez mais para ci&ecirc;ncia aplicada, o que significa que vamos perder todas as descobertas fundamentais que foram necess&aacute;rias para se chegar a um est&aacute;gio em que podem ser transformadas em aplica&ccedil;&otilde;es. O problema com o c&acirc;ncer n&atilde;o &eacute; que n&atilde;o existam medicamentos voltados para o c&acirc;ncer. O meu colega Bob Weinberg sempre diz que j&aacute; curamos o c&acirc;ncer nos ratos mais de mil vezes. A outra parte dessa quest&atilde;o &eacute; que n&atilde;o est&aacute; claro para o p&uacute;blico, e at&eacute; mesmo para os cientistas, o qu&atilde;o dif&iacute;cil &eacute; lan&ccedil;ar uma droga eficaz no mercado. Alguns estudantes de meu laborat&oacute;rio, h&aacute; 13 anos, deixaram o laborat&oacute;rio e decidiram fundar uma empresa. A maioria dessas empresas n&atilde;o consegue se firmar, mas esta teve sucesso. S&atilde;o cinco jovens que mal tinham barba, agora eles t&ecirc;m mais de 300 funcion&aacute;rios. No ano passado eles conseguiram a aprova&ccedil;&atilde;o do FDA para uma droga, ap&oacute;s muito tempo e muita confian&ccedil;a por parte dos investidores de que eles iriam conseguir. E essa &eacute; uma hist&oacute;ria comum a essas empresas que nos rodeiam &#91;em Cambridge&#93;, que vieram da ci&ecirc;ncia b&aacute;sica.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <P ALIGN="RIGHT"><font size="3"><I>Cristina Caldas e Renato Lima</I></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
</article>
