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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a09img02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P ALIGN="CENTER"><font size="3"><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></P>     <P ALIGN="CENTER"><font size=5><b>Nanotecnologias: elas j&aacute; est&atilde;o entre n&oacute;s…</b></font></P>     <P align="center"><font size="3">Oswaldo Luiz Alves</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size=5><b>O</b></font><font size="3"> termo nanotecnologia tem sido usado para definir sistemas e processos que d&atilde;o origem a bens ou servi&ccedil;os provenientes da mat&eacute;ria no n&iacute;vel nanom&eacute;trico, isto &eacute;: na faixa de tamanho do bilion&eacute;simo do metro (10<SUP>&#45;9</SUP> m), ou seja, o nan&ocirc;metro (nm).</font></P>     <p><font size="3">As nanotecnologias (no plural) s&atilde;o tecnologias para as quais est&atilde;o sendo esperadas contribui&ccedil;&otilde;es significativas em termos de benef&iacute;cios, cujas potencialidades podem vir a impactar positivamente a qualidade de vida da sociedade. Segundo a OCDE (Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico), do ponto de vista da inova&ccedil;&atilde;o, as nanotecnologias podem ser descritas como uma "plataforma tecnol&oacute;gica".</font></P>     <p><font size="3">N&atilde;o restam d&uacute;vidas de que essas novas oportunidades acabar&atilde;o tendo reflexos sobre o setor produtivo como um todo, gerando demandas de novos investimentos, de m&atilde;o de obra especializada e, ao mesmo tempo, descortinando importantes quest&otilde;es  relacionadas  &agrave; regula&ccedil;&atilde;o. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Atualmente, h&aacute; uma enorme quantidade de artigos cient&iacute;ficos que expressam as possibilidades das nanotecnologias para a solu&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios problemas ligados &agrave; sa&uacute;de, &agrave; energia, ao meio ambiente, &agrave;s tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o, ao tratamento de &aacute;gua, aos f&aacute;rmacos e medicamentos, aos cosm&eacute;ticos, entre outros. Al&eacute;m disso, &eacute; repertoriado um grande n&uacute;mero de produtos (nanoprodutos), os quais t&ecirc;m as "nanotecnologias embarcadas" ou foram concebidos e produzidos usando seus conceitos.</font></P>     <p><font size="3">Neste n&uacute;mero tem&aacute;tico de <I>Ci&ecirc;ncia e Cultura,</I> sobre as nanotecnologias, procuramos evidenciar alguns aspectos relacionados &agrave; Iniciativa Brasileira de Nanotecnologia, do Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (MCTI), no sentido de n&atilde;o s&oacute; oferecer ao leitor um panorama bastante geral dessas atividades no Brasil, mas tamb&eacute;m algumas pol&iacute;ticas que norteiam essas iniciativas. Para tanto, Fl&aacute;vio Plentz e Adalberto Fazzio, ambos ligados ao MCTI, fazem considera&ccedil;&otilde;es sobre o Programa Brasileiro de Nanotecnologia. </font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a09img01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Neste conjunto, o artigo de Silvia Guterres e co&#45;autoras, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), relaciona a nanotecnologia ao setor de higiene pessoal, perfumaria e, mais notadamente, cosm&eacute;ticos. A escolha vem do fato desse setor produtivo estar se tornando, em n&iacute;vel mundial, um dos grandes incorporadores das nanotecnologias. Tal atividade econ&ocirc;mica, no Brasil, j&aacute; ultrapassa a impressionante cifra de 20 bilh&otilde;es de d&oacute;lares de faturamento anual.</font></P>     <p><font size="3">Como para toda a tecnologia nova, quest&otilde;es de riscos e benef&iacute;cios acabam gerando candentes discuss&otilde;es &#150; no caso das nanotecnologias n&atilde;o seria diferente &#150;, sobretudo porque o impacto das mesmas &eacute; esperado em importantes e estrat&eacute;gicos setores industriais. Governos, empres&aacute;rios, cientistas, legisladores e p&uacute;blico em geral v&ecirc;m discutindo essas quest&otilde;es, mormente aquelas ligadas ao risco potencial das nanotecnologias para o homem e o meio ambiente, que s&atilde;o englobadas pela sigla EHS, do ingl&ecirc;s Environmental, Health and Safety. Considerando essa perspectiva, o artigo de Diego St&eacute;fani Teodoro Martinez e Oswaldo Luiz Alves, ligados ao Laborat&oacute;rio de Qu&iacute;mica do Estado S&oacute;lido (LQES) e ao Laborat&oacute;rio de S&iacute;ntese de Nanoestruturas &amp; Intera&ccedil;&atilde;o com Biossistemas (NanoBioss) do Instituto de Qu&iacute;mica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), &eacute; importante por abordar o problema das intera&ccedil;&otilde;es envolvendo  nanomateriais (nanopart&iacute;culas) "engenheirados" &#150; obtidos sinteticamente &#150;, com biossistemas, propiciando a emerg&ecirc;ncia de uma nova &aacute;rea do conhecimento, altamente multidisciplinar, que vem sendo conhecida como nanotoxicologia. Aqui, a inten&ccedil;&atilde;o &eacute; mostrar a conex&atilde;o desta emergente disciplina, com quest&otilde;es da pr&oacute;pria regula&ccedil;&atilde;o das nanotecnologias.</font></P>     <p><font size="3">O desenvolvimento da ci&ecirc;ncia e tecnologia depende fundamentalmente de m&eacute;todos, ferramentas e t&eacute;cnicas. As nanotecnologias t&ecirc;m entre suas <I>techniques de choix</I> as microscopias, aqui tomadas em senso largo. O artigo de Fernando Galembeck, atual diretor do Laborat&oacute;rio Nacional de Nanotecnologia, no Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais, trata desse assunto, enfoca as microscopias de sonda e, mais especificamente, a microscopia de for&ccedil;a at&ocirc;mica (AFM) e toda uma gama de configura&ccedil;&otilde;es que a transformaram numa verdadeira "plataforma de microscopias". S&atilde;o apresentados v&aacute;rios exemplos onde essas ferramentas podem ser utilizadas com sucesso e que v&atilde;o desde a avalia&ccedil;&atilde;o de aspectos topogr&aacute;ficos at&eacute; a medida de potenciais el&eacute;tricos de nanomateriais.</font></P>     <p><font size="3">Finalmente, Mahendra Rai, professor da Universidade SGB Amravati, na &Iacute;ndia, tratar&aacute; daquilo que vem sendo colocado como uma alternativa bastante interessante para a produ&ccedil;&atilde;o de alguns tipos de nanomateriais (nanopart&iacute;culas), ou seja: a nanotecnologia verde <I>(green nanotechnology</I>). No caso em quest&atilde;o, para a produ&ccedil;&atilde;o dos nanomateriais de interesse e com funcionalidades definidas s&atilde;o usados extratos de plantas, biomassa, fungos, bact&eacute;rias, entre outros. Os nanomateriais formados podem ser empregados como agentes antibacterianos, antimal&aacute;ricos, no tratamento de &aacute;gua para o consumo humano etc, podendo vir a impactar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de em pa&iacute;ses menos desenvolvidos.</font></P>     <p><font size="3">Muitos artigos reportados na literatura internacional colocam as nanotecnologias como verdadeira panaceia, ou seja: com capacidade para resolver todos os problemas. De nosso ponto de vista, vemos as nanotecnologias como uma grande plataforma de conhecimento cient&iacute;fico&#45;tecnol&oacute;gico, intrinsecamente inovadora e multidisciplinar, que aportar&aacute; o desenvolvimento de novos produtos e solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas relevantes, mas que, no entanto, em muitos casos, ter&aacute; que se mostrar mais eficiente, mais segura e apresentar uma rela&ccedil;&atilde;o custo/benef&iacute;cio favor&aacute;vel, quando comparadas com as tecnologias convencionais, estabelecidas e testadas anos a fio. Acreditamos, ainda, que ocorrer&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es nas quais teremos sistemas h&iacute;bridos, constitu&iacute;dos por tecnologia convencional e nanotecnol&oacute;gica, atuando sinergisticamente.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Em vista dos pontos aqui levantados, n&atilde;o nos parece um exagero desmesurado fazermos coro &agrave;queles que colocam as nanotecnologias como uma nova revolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Oswaldo Luiz Alves</b> &eacute; professor titular e coordenador cient&iacute;fico do Laborat&oacute;rio de Qu&iacute;mica do Estado S&oacute;lido (LQES), do Instituto de Qu&iacute;mica da Unicamp. Membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC). Email:</i> <A HREF="mailto:oalves@iqm.unicamp.br">oalves@iqm.unicamp.br</A>.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>NOTA BIBLIOGR&Aacute;FICA</b></font></P>     <p><font size="3">1. Para conhecer aspectos b&aacute;sicos da nanotecnologia veja Alves, O.L., "Cartilha sobre nanotecnologia", Ag&ecirc;ncia Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). 2010. Dispon&iacute;vel em PDF:  . <A HREF="http://lqes.iqm.unicamp.br/images/publicacoes_teses_livros_resumo_cartilha_abdi.pdf" target="_blank">http://lqes.iqm.unicamp.br/images/publicacoes_teses_livros_resumo_cartilha_abdi.pdf</A> (Acesso em maio de 2013).</font></P>      ]]></body>
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