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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Interação de nanomateriais com biossistemas e a nanotoxicologia: na direção de uma regulamentação]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a09img02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>Intera&ccedil;&atilde;o de nanomateriais com biossistemas e a nanotoxicologia: na dire&ccedil;&atilde;o de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o </b></font></P>     <P><font size="3">Diego St&eacute;fani Teodoro Martinez    <br>   Oswaldo Luiz Alves</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><font size=5><b>U</b></font>m dos maiores desafios deste s&eacute;culo &eacute; o desenvolvimento com sustentabilidade. Para isto, &eacute; consenso que devemos buscar um modelo de gest&atilde;o que contemple: viabilidade econ&ocirc;mica, equil&iacute;brio ambiental, inclus&atilde;o com justi&ccedil;a social e preserva&ccedil;&atilde;o da diversidade cultural. Naturalmente, as nanotecnologias devem ser inclu&iacute;das nessas discuss&otilde;es, por se tratarem de tecnologias em grande crescimento, e pelo fato de seus produtos (nanomateriais) apresentarem elevada reatividade qu&iacute;mica e potenciais aplica&ccedil;&otilde;es em diversos setores industriais. As implica&ccedil;&otilde;es das nanotecnologias podem ser observadas, por um lado, pela participa&ccedil;&atilde;o e cobran&ccedil;a de alguns setores da sociedade organizada em estabelecer marcos regulat&oacute;rios, medidas de precau&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o dos poss&iacute;veis riscos para a sa&uacute;de humana e ambiental. Por outro lado, &eacute; visada a explora&ccedil;&atilde;o do seu potencial econ&ocirc;mico e cient&iacute;fico&#45;tecnol&oacute;gico, atrav&eacute;s do desenvolvimento de processos industriais, metodologias e protocolos de s&iacute;ntese, prepara&ccedil;&atilde;o, purifica&ccedil;&atilde;o, funcionaliza&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o de materiais funcionais na escala nanom&eacute;trica (1; 2).</font></P>     <p><font size="3">Todavia, &eacute; importante levar em considera&ccedil;&atilde;o que os nanomateriais podem tornar&#45;se contaminantes ambientais emergentes, em um futuro n&atilde;o muito distante, uma vez que h&aacute; um crescente interesse por esses tipos de materiais. Diante desse cen&aacute;rio, muitas quest&otilde;es ainda precisam ser respondidas, discutidas e refletidas, como por exemplo:</font></P>     <p><font size="3">Quais s&atilde;o as principais vias de contacto/intera&ccedil;&atilde;o dos nanomateriais com os biossistemas? Atrav&eacute;s de qual meio (aqu&aacute;tico, a&eacute;reo ou terrestre) os nanomateriais penetram no ambiente?</font></P>     <p><font size="3"> Quais s&atilde;o os poss&iacute;veis modos de dispers&atilde;o e ac&uacute;mulo dos nanomateriais no ambiente? Esses materiais podem ser transformados por fatores bi&oacute;ticos e/ou abi&oacute;ticos? Eles interagem com outros contaminantes j&aacute; presentes no ambiente? </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Qual &eacute; a estabilidade qu&iacute;mica da nanoestrutura? S&atilde;o sol&uacute;veis em &aacute;gua? Formam suspens&otilde;es est&aacute;veis ou se aglomeram em meios biol&oacute;gicos? </font></P>     <p><font size="3">Quais s&atilde;o os subprodutos gerados durante a s&iacute;ntese dos nanomateriais? Quais s&atilde;o os subprodutos gerados na degrada&ccedil;&atilde;o? </font></P>     <p><font size="3">Qual &eacute; a toxicidade desses materiais frente aos biossistemas? Quais mecanismos de intera&ccedil;&atilde;o est&atilde;o envolvidos?</font></P>     <p><font size="3">&Eacute; poss&iacute;vel remover ou remediar nanomateriais do ambiente caso ocorra algum acidente? Qual &eacute; o ciclo de vida dos produtos contendo esses materiais nanom&eacute;tricos?</font></P>     <p><font size="3">Dentro deste contexto, duas novas &aacute;reas do conhecimento est&atilde;o emergindo, denominadas bionanotecnologia e nanotoxicologia, nas quais, atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es multidisciplinares concretas, a bionanointerface pode ser explorada,  permitindo estabelecer respostas proativas aos eventuais/potenciais efeitos nocivos mediatos e imediatos dos nanomateriais frente aos biossistemas. </font></P>     <p><font size="3"><b>SOBRE BIOSSISTEMAS, NANOMATERIAIS E A BIONANOINTERFACE</b> Biossistemas representam um complexo conjunto de elementos correlacionados envolvendo componentes do mundo vivo, os quais est&atilde;o estruturados em n&iacute;veis hier&aacute;rquicos de organiza&ccedil;&atilde;o: biomol&eacute;culas &lt; vias metab&oacute;licas &lt; organelas &lt; c&eacute;lulas &lt; tecidos &lt; &oacute;rg&atilde;os &lt; sistemas &lt; organismos &lt; comunidades &lt; ecossistemas &lt; biosfera. Os biossistemas s&atilde;o termodinamicamente abertos, encontram&#45;se permeados por ordens e desordens em um equil&iacute;brio din&acirc;mico (longe do equil&iacute;brio termodin&acirc;mico). Estes s&atilde;o sistemas auto&#45;organizados que absorvem, transformam, produzem e armazenam compostos, energia e informa&ccedil;&atilde;o de maneira sofisticada, constru&iacute;da ao longo do processo evolutivo da vida na terra h&aacute; mais 3,5 bilh&otilde;es anos (3; 4). O reconhecimento da relev&acirc;ncia desses <I>n&iacute;veis hier&aacute;rquicos de organiza&ccedil;&atilde;o</I> pode proporcionar uma "unidade conceitual" rumo &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o de uma nova biologia, capaz de integrar e reintegrar conhecimentos para promover um profundo entendimento do mundo vivo, um dos pilares para o desenvolvimento sustent&aacute;vel (5).</font></P>     <p><font size="3">As nanotecnologias podem ser entendidas como a capacidade humana de compreender, modificar e controlar a mat&eacute;ria em escala nanom&eacute;trica (10<SUP>&#45;9 </SUP>m). Est&aacute; cada vez mais evidente que a redu&ccedil;&atilde;o do tamanho dos materiais leva ao surgimento de novas propriedades f&iacute;sicas e qu&iacute;micas, devido ao aparecimento de efeitos qu&acirc;nticos de tamanho e fen&ocirc;menos de superf&iacute;cies (6; 7). Ou seja, um material com seu tamanho reduzido &agrave; escala nanom&eacute;trica pode apresentar propriedades eletr&ocirc;nicas, mec&acirc;nicas e t&eacute;rmicas diferentes quando em seu estado microsc&oacute;pico (s&oacute;lido estendido ou <I>bulk</I>). Outra consequ&ecirc;ncia da redu&ccedil;&atilde;o do tamanho dos materiais &eacute; o aumento da &aacute;rea superficial, gra&ccedil;as ao aumento significativo da quantidade de &aacute;tomos superficiais quando comparado com o volume total da part&iacute;cula, alterando assim, sua reatividade qu&iacute;mica. O interesse atual nos nanomateriais est&aacute; baseado na explora&ccedil;&atilde;o dessas propriedades &uacute;nicas e dependentes do tamanho. Por exemplo, o ouro na forma de s&oacute;lido estendido, tal como numa alian&ccedil;a de casamento, <b>reflete</b> a luz atrav&eacute;s de sua superf&iacute;cie e apresenta a cor amarela. Por outro lado, quando temos ouro na forma de nanopart&iacute;culas, ele <b>absorve</b> alguns comprimentos de onda da luz e, desta maneira, pode apresentar colora&ccedil;&atilde;o vermelha, verde e at&eacute; magenta, em fun&ccedil;&atilde;o do tamanho das part&iacute;culas. Outro exemplo, que mostra o efeito de tamanho das part&iacute;culas sobre as propriedades &eacute; a temperatura de fus&atilde;o do ouro: quando s&oacute;lido estendido &eacute; de 1063 ºC por&eacute;m quando as part&iacute;culas s&atilde;o de 2 nm a temperatura &eacute; da ordem de 550 ºC, ou seja, uma diferen&ccedil;a de mais de 500 ºC! (8).</font></P>     <p><font size="3">Logicamente, uma vez que as biomol&eacute;culas (prote&iacute;nas, carboidratos, lip&iacute;dios e &aacute;cidos nucleicos) e a unidade b&aacute;sica da vida (c&eacute;lulas) est&atilde;o compreendidas na mesma escala de tamanho que os nanomateriais, eles podem interagir quando colocados em contato, havendo a forma&ccedil;&atilde;o de uma bionanointerface (<a href="#fig01">Figura 1</a>). </font></P>     <p><a name="fig01"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a12fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Como consequ&ecirc;ncia, dependendo da natureza das bionanointera&ccedil;&otilde;es, poder&atilde;o ocorrer significativos reflexos sobre os n&iacute;veis superiores da organiza&ccedil;&atilde;o dos biossistemas, devido &agrave; interconectividade entre todos os n&iacute;veis (9;10). As implica&ccedil;&otilde;es da bionanointerface podem causar fortes desdobramentos nos diferentes setores da sociedade como: sa&uacute;de e cuidados pessoais, agropecu&aacute;ria e nutri&ccedil;&atilde;o, meio ambiente e energia, militar e defesa, e outros. Tal situa&ccedil;&atilde;o nos permite asseverar que os nanomateriais apresentar&atilde;o impactos (positivos ou negativos) sobre todas as tecnologias e ci&ecirc;ncias da vida, visto que est&atilde;o sendo planejados e constru&iacute;dos nanossistemas com a capacidade de interagir com os n&iacute;veis inferiores da organiza&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, como o DNA e c&eacute;lulas. As principais motiva&ccedil;&otilde;es para o estudo da intera&ccedil;&atilde;o de nanomateriais com biossistemas s&atilde;o: a) tamanho nanom&eacute;trico equivalente com a dimens&atilde;o das biomacromol&eacute;culas e c&eacute;lulas; b) capacidade de intera&ccedil;&atilde;o e penetra&ccedil;&atilde;o celular; c) superf&iacute;cie qu&iacute;mica pode ser estrategicamente modificada (funcionaliza&ccedil;&atilde;o); d) potencial para modula&ccedil;&atilde;o e controle de fun&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas espec&iacute;ficas; e) avalia&ccedil;&atilde;o da toxicidade e seus impactos sobre a sa&uacute;de humana e ambiental.</font></P>     <p><font size="3"><b>NANOTOXICOLOGIA</b> A toxicologia pode ser definida como a ci&ecirc;ncia que estuda os efeitos adversos de agentes de natureza f&iacute;sica, qu&iacute;mica ou biol&oacute;gica sobre os biossistemas, tendo como meta o tratamento, o diagn&oacute;stico e, principalmente, a preven&ccedil;&atilde;o da intoxica&ccedil;&atilde;o. &Eacute; evidente que a toxicologia possui grande import&acirc;ncia na sociedade contempor&acirc;nea, sendo uma &aacute;rea do conhecimento essencial para o desenvolvimento sustent&aacute;vel. Assim, a nanotoxicologia emerge como uma nova divis&atilde;o dentro das ci&ecirc;ncias toxicol&oacute;gicas, tendo como objeto de estudo os nanomateriais (11; 12). Talvez uma pergunta interessante neste contexto seria: a toxicidade dos nanomateriais &eacute; diferente quando comparamos com materiais de tamanho micro/macro? Ou seja, a toxicidade do carv&atilde;o (formado somente por &aacute;tomos de carbono), que usamos para fazer fogo, &eacute; diferente dos nanotubos de carbono que, por sua vez, tamb&eacute;m s&atilde;o constitu&iacute;dos somente por &aacute;tomos de carbono? A resposta &eacute;: sim! </font></P>     <p><font size="3">Nesse sentido, a preocupa&ccedil;&atilde;o com a nanotoxicidade surge na medida em que diversificados nanomateriais s&atilde;o sintetizados, manipulados e descartados em diferentes ambientes, sejam naturais, urbanos ou industriais, sem o devido controle e regulamenta&ccedil;&atilde;o. Alguns motivos para aten&ccedil;&atilde;o e cautela com os nanomateriais s&atilde;o: a) crescente produ&ccedil;&atilde;o industrial (aumento do risco de exposi&ccedil;&atilde;o); b) elevada &aacute;rea superficial devido tamanho nanom&eacute;trico (alta reatividade qu&iacute;mica); c) enorme diversidade composicional e estrutural (s&iacute;nteses, prepara&ccedil;&otilde;es, modifica&ccedil;&otilde;es, funcionaliza&ccedil;&otilde;es, heterogeneidade e impurezas); d) ensaios toxicol&oacute;gicos tradicionais n&atilde;o est&atilde;o adaptados e padronizados para nanomateriais.</font></P>     <p><font size="3">Na <a href="#fig02">Figura 2</a> apresentamos a evolu&ccedil;&atilde;o no n&uacute;mero de trabalhos indexados no banco de dados do ISI Web of Knowledge, que reportam estudos de toxicidade de materiais nanoestruturados nos &uacute;ltimos dez anos. Embora seja expressivo e crescente o n&uacute;mero de artigos publicados nesta &aacute;rea, ainda n&atilde;o h&aacute; um consenso sobre os riscos desses materiais para a sa&uacute;de humana e meio ambiente (13). </font></P>     <p><a name="fig02"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a12fig02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Um dos pontos cruciais para a avalia&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o do risco de qualquer subst&acirc;ncia ou agente &eacute; a determina&ccedil;&atilde;o precisa e inequ&iacute;voca da sua toxicidade, ou seja, o grau ou a intensidade do efeito adverso/t&oacute;xico sobre determinado bioindicador/biomarcador de exposi&ccedil;&atilde;o. Classicamente, o "cora&ccedil;&atilde;o" da toxicologia &eacute; o emprego de curvas dose&#45;resposta para determina&ccedil;&atilde;o de valores quantitativos de toxicidade. Neste ponto, a nanotoxicologia tem uma caracter&iacute;stica singular, pois &eacute; dif&iacute;cil avaliar de maneira precisa e inequ&iacute;voca a toxicidade dos nanomateriais. O cerne desse problema reside na natureza f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica dos agentes estudados, pois, em geral, a toxicologia cl&aacute;ssica est&aacute; envolvida com o estudo de toxicantes que s&atilde;o <I>moleculares </I>enquanto que em nanotoxicologia s&atilde;o estudados toxicantes que s&atilde;o <I>part&iacute;culas.</I> Esta dualidade na natureza dos toxicantes estudados (mol&eacute;culas versus part&iacute;culas) imp&otilde;e s&eacute;rias implica&ccedil;&otilde;es durante a avalia&ccedil;&atilde;o da toxicidade. Todavia, tamb&eacute;m &eacute; importante mencionar que a presen&ccedil;a dos nanomateriais no ambiente n&atilde;o significa que haver&aacute; sempre a manifesta&ccedil;&atilde;o e observa&ccedil;&atilde;o de efeitos adversos ou nocivos (t&oacute;xicos) a eles associados. &Eacute; importante lembrar que a express&atilde;o desses efeitos depende das caracter&iacute;sticas da exposi&ccedil;&atilde;o e de seu comportamento no meio. Al&eacute;m das propriedades f&iacute;sico&#45;qu&iacute;micas do nanomaterial avaliado, devemos considerar, por exemplo: a magnitude, dura&ccedil;&atilde;o e frequ&ecirc;ncia da exposi&ccedil;&atilde;o, a suscetibilidade dos organismos e, sobretudo, as vias de introdu&ccedil;&atilde;o e contacto com os biossistemas, sendo esta &uacute;ltima diretamente interligada aos processos cin&eacute;ticos e din&acirc;micos da biointera&ccedil;&atilde;o, e consequentemente, com a manifesta&ccedil;&atilde;o da nanotoxicidade (14; 15).</font></P>     <p><font size="3">Diante de tal situa&ccedil;&atilde;o, apresentamos um conceito, ainda em constru&ccedil;&atilde;o, mas que acreditamos ser oportuno difundir e discutir dentro do emergente campo da nanotoxicologia. Este conceito &eacute; baseado na ideia da exist&ecirc;ncia de tr&ecirc;s entidades interdependentes (sint&eacute;tica&#45;coloidal&#45;biol&oacute;gica) em intera&ccedil;&atilde;o, que s&atilde;o fundamentais para a avalia&ccedil;&atilde;o da toxicidade de nanomateriais (<a href="#fig03">Figura 3</a>).</font></P>     <p><a name="fig03"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a12fig03.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>ENTIDADE SINT&Eacute;TICA</b> Atualmente, est&atilde;o dispon&iacute;veis na literatura centenas de m&eacute;todos, t&eacute;cnicas e protocolos para s&iacute;ntese de nanomateriais. Portanto, dependendo da aplica&ccedil;&atilde;o final almejada &eacute; poss&iacute;vel sintetizar em laborat&oacute;rio um nanomaterial que venha atender a esse prop&oacute;sito. Adicionalmente, ap&oacute;s sua s&iacute;ntese, os nanomateriais podem passar por processos de modifica&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas intencionais (funcionaliza&ccedil;&atilde;o). Desse modo, a entidade sint&eacute;tica &eacute; a respons&aacute;vel pela gera&ccedil;&atilde;o de nanomateriais que apresentam caracter&iacute;sticas ou propriedades f&iacute;sico&#45;qu&iacute;micas exclusivas (composi&ccedil;&atilde;o, estrutura, tamanho, forma, grupamentos qu&iacute;micos superficiais, carga e &aacute;rea superficial, impurezas, defeitos estruturais, condutividade el&eacute;trica, resist&ecirc;ncia mec&acirc;nica etc). &Eacute; extremamente necess&aacute;rio o emprego de instrumenta&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ada (microscopias eletr&ocirc;nicas, espectroscopias, an&aacute;lises t&eacute;rmicas etc) para determina&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas ou propriedades f&iacute;sico&#45;qu&iacute;micas de cada nanomaterial sintetizado e/ou funcionalizado, exigindo assim, o uso concertado e aprofundado das diferentes t&eacute;cnicas de caracteriza&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3"><b>ENTIDADE COLOIDAL</b> &Eacute; crucial dispersar os nanomateriais em um meio biol&oacute;gico adequado (&aacute;gua mineral, tamp&otilde;es, plasma sangu&iacute;neo, meio de cultura celular, e outros flu&iacute;dos) para determina&ccedil;&atilde;o da sua toxicidade. Por&eacute;m, dependendo do tipo de nanomaterial em estudo, este apresentar&aacute; uma boa capacidade de dispers&atilde;o ou n&atilde;o, que determinar&aacute; sua estabilidade ou agrega&ccedil;&atilde;o/aglomera&ccedil;&atilde;o nesses meios e fluidos biol&oacute;gicos Outro aspecto importante &eacute; que as biomol&eacute;culas presentes nesses meios biol&oacute;gicos v&atilde;o interagir com a superf&iacute;cie dos nanomateriais, levando a forma&ccedil;&atilde;o de sistemas h&iacute;bridos (prote&iacute;na&#45;nanomaterial ou mat&eacute;ria org&acirc;nica&#45;nanomaterial, por exemplo). Desse modo, a influ&ecirc;ncia desses fen&ocirc;menos coloidais na toxicidade deve ser avaliada, pois &eacute; evidente que estes determinar&atilde;o implica&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas sobre os resultados. Neste caso, a entidade coloidal &eacute; respons&aacute;vel pela gera&ccedil;&atilde;o de suspens&otilde;es de nanomateriais controladas e com qualidade para a adequada aplica&ccedil;&atilde;o em estudos toxicol&oacute;gicos.</font></P>     <p><font size="3"><b>ENTIDADE BIOL&Oacute;GICA</b> Existem muitos modelos biol&oacute;gicos dispon&iacute;veis para acessar a toxicidade de subst&acirc;ncias ou agentes, contudo, &eacute; usual dividi&#45;los em dois grupos: <I>in vitro</I> e <I>in vivo</I>. Nos modelos <I>in vitro</I> geralmente s&atilde;o utilizadas c&eacute;lulas isoladas em tubos de ensaio que s&atilde;o expostas aos agentes de interesse. Posteriormente, par&acirc;metros indicadores da toxicidade s&atilde;o avaliados, como a inibi&ccedil;&atilde;o do crescimento e respira&ccedil;&atilde;o celular, produ&ccedil;&atilde;o de radicais livres, les&otilde;es no DNA e outras manifesta&ccedil;&otilde;es bioqu&iacute;micas e celulares. Por outro lado, modelos <I>in vivo</I> s&atilde;o empregados utilizando organismos como camundongos e coelhos, como tamb&eacute;m minhocas, microcrust&aacute;ceos, algas, peixes, plantas, entre outros. Altera&ccedil;&otilde;es no desenvolvimento dos organismos (crescimento, reprodu&ccedil;&atilde;o, mortalidade  etc) s&atilde;o indicadores de toxicidade. Ag&ecirc;ncias reguladoras (e.g. EPA, FDA, OECD, ISO, ABNT etc) (16) j&aacute; possuem protocolos padronizados para realiza&ccedil;&atilde;o desses ensaios de toxicidade <I>in vitro</I> e <I>in vivo</I>. Contudo, para nanomateriais esses ensaios precisam ser reavaliados, levando sempre em considera&ccedil;&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es existentes entre as tr&ecirc;s entidades descritas, tendo como perspectiva a constru&ccedil;&atilde;o de um m&eacute;todo apropriado para a determina&ccedil;&atilde;o da nanotoxicidade. Deve ficar claro que os ensaios ou testes de toxicidade n&atilde;o s&atilde;o realizados para demonstrar que um agente &eacute; seguro, mas para determinar sua toxicidade (grau ou intensidade de um efeito t&oacute;xico). A seguran&ccedil;a de qualquer subst&acirc;ncia ou agente vai depender de um processo mais elaborado de avalia&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o do risco, tendo como subs&iacute;dio os valores experimentais de toxicidade.</font></P>     <p><font size="3"><b>REGULAMENTA&Ccedil;&Atilde;O DE NANOMATERIAIS: O QUE J&Aacute; EXISTE E O QUE VEM POR A&Iacute;</b> O espectro de aplica&ccedil;&atilde;o dos nanomateriais, dada a sua versatilidade e um grande n&uacute;mero de funcionalidades &#150; sem a menor d&uacute;vida &#150;, inauguraram uma real revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Atualmente, existem mais de 1.300 produtos contendo nanotecnologia no mercado global e estima&#45;se que a produ&ccedil;&atilde;o industrial de materiais nanoestruturados deve chegar a 100 mil toneladas na pr&oacute;xima d&eacute;cada (17). </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">A despeito das enormes vantagens e aplica&ccedil;&otilde;es esperadas para as nanotecnologias &#150; e aqui os nanomateriais s&atilde;o atores importantes &#150;, tamb&eacute;m &eacute; sabido que essas nanoestruturas podem causar efeitos delet&eacute;rios aos humanos e ao meio ambiente, de modo que &eacute; absolutamente premente a necessidade de diretivas para seu uso seguro. Tal necessidade est&aacute; ligada a uma minimiza&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores, trabalhadores e consumidores, bem como, do meio ambiente. Um dado que chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; que os investimentos visando a avalia&ccedil;&atilde;o da toxicidade dos nanomateriais s&atilde;o ainda muito pequenos apesar de, neste momento, serem crescentes.  Por exemplo, uma consulta &agrave; base de dados ISI Web of Knowledge em mar&ccedil;o de 2013, usando como palavras&#45;chaves os t&oacute;picos nanotecnologia, nanomateriais ou nanopart&iacute;culas, revela que menos que 4,5% dos trabalhos est&atilde;o relacionados com toxicidade ou ecotoxicidade. Contudo, desde 2003 a quest&atilde;o dos riscos dos nanomateriais tem sido abordada em v&aacute;rias regi&otilde;es e pa&iacute;ses, tais como, Comunidade Europeia, Estados Unidos, Canad&aacute; e Austr&aacute;lia. </font></P>     <p><font size="3">No Brasil, a quest&atilde;o da toxicidade associada &agrave;s nanopart&iacute;culas &eacute; um tema que come&ccedil;a a ser relevante, sobretudo ap&oacute;s a iniciativa do Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (MCTI) que passou a financiar especificamente esses estudos atrav&eacute;s de redes nacionais de nanotoxicologia, criadas em 2011 (18).</font></P>     <p><font size="3">De acordo com o Centre for NanoBioSafety and Sustainability (CNBSS, em portugu&ecirc;s Centro para Nanobiosseguran&ccedil;a e Sustentabilidade) o ano de 2012 foi  importante para as quest&otilde;es relacionadas com a regula&ccedil;&atilde;o das nanotecnologias. Foi compilado no site desse centro espanhol os mais relevantes documentos relacionados com regula&ccedil;&atilde;o, recomenda&ccedil;&otilde;es, relat&oacute;rios, registro de nanomateriais e padr&otilde;es, entre outros. Segundo o CNBSS:</font></P>     <p><font size="3"><I>Todos estes (documentos) recomendam uma abordagem preventiva com base na exposi&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima atrav&eacute;s da substitui&ccedil;&atilde;o (por exemplo, de p&oacute;s por suspens&otilde;es), isolamento (ambiente fechado), uso de ventila&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica e de equipamento de prote&ccedil;&atilde;o individual adequado (dado que os nanomateriais podem atravessar as barreiras de um equipamento padr&atilde;o) e, finalmente, uma monitoriza&ccedil;&atilde;o cuidadosa dos potenciais efeitos cr&ocirc;nicos</I> (19).</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a12img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Dentre os documentos selecionados pelo CNBSS destaca&#45;se aquele do governo franc&ecirc;s que especifica, de forma mandat&oacute;ria, o conte&uacute;do e os requisitos para a submiss&atilde;o de declara&ccedil;&otilde;es anuais de informa&ccedil;&atilde;o relacionadas &agrave;s subst&acirc;ncias em estado nanoparticulado, tanto como subst&acirc;ncias simples ou como componentes em misturas. O decreto fornece detalhes sobre como as empresas devem cumprir as obriga&ccedil;&otilde;es de declara&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria e entrou em vigor em primeiro de janeiro de 2013.</font></P>     <p><font size="3">As preocupa&ccedil;&otilde;es sobre a regula&ccedil;&atilde;o das nanotecnologias tamb&eacute;m come&ccedil;am a fazer parte mais efetiva da agenda do governo brasileiro at&eacute; porque foi identificado, por v&aacute;rias empresas, que sua aus&ecirc;ncia cria gargalos para a sua efetiva introdu&ccedil;&atilde;o nos diferentes setores industriais. Do ponto de vista <I>societal</I>, muito h&aacute; que se fazer no sentido de aumentar a percep&ccedil;&atilde;o da sociedade brasileira sobre os riscos e benef&iacute;cios das nanotecnologias. Neste momento, tramita na C&acirc;mara dos Deputados uma proposta de Projeto de Lei que visa regulamentar a rotulagem de produtos das nanotecnologias e de produtos que fazem uso das nanotecnologias (20).</font></P>     <p><font size="3"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b> Apesar da grande expectativa quanto ao potencial inovador e os benef&iacute;cios das nanotecnologias, caracterizada pelo "dom&iacute;nio" da mat&eacute;ria em nanoescala, &eacute; importante e necess&aacute;rio manter uma vis&atilde;o abrangente sobre a intera&ccedil;&atilde;o de nanomateriais com biossistemas, os quais s&atilde;o auto&#45;organizados (espa&ccedil;o&#45;temporalmente) atrav&eacute;s de redes, onde propriedades emergentes surgem a cada n&iacute;vel de organiza&ccedil;&atilde;o. A morte de um biossistema ocorre quando h&aacute; a desintegra&ccedil;&atilde;o dessas redes. Ou ent&atilde;o, podem ocorrer processos de adapta&ccedil;&atilde;o pela sele&ccedil;&atilde;o de novas redes, visto que as conex&otilde;es entre os elementos dessas redes est&atilde;o diretamente relacionadas com a estabilidade e manuten&ccedil;&atilde;o dos biossistemas (21). Obviamente, desenvolver um entendimento integrado da intera&ccedil;&atilde;o dos nanomateriais nos diferentes n&iacute;veis da organiza&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica (das biomol&eacute;culas aos ecossistemas) e suas inter&#45;rela&ccedil;&otilde;es constitui um dos maiores desafios dentro da bionanotecnologia e nanotoxicologia.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Um importante ponto a ser destacado, &eacute; a dificuldade encontrada para comparar os resultados de toxicidade de materiais em nanoescala dispon&iacute;veis na literatura atual, devido n&atilde;o s&oacute; &agrave; grande variedade de m&eacute;todos de s&iacute;ntese e prepara&ccedil;&atilde;o de nanomateriais, mas tamb&eacute;m &agrave; falta de trabalhos sistem&aacute;ticos relatando uma adequada caracteriza&ccedil;&atilde;o f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mica da amostra utilizada nos estudos. Soma&#45;se a isso, ainda, a aus&ecirc;ncia de protocolos de dispers&atilde;o coloidal adequados e modelos biol&oacute;gicos robustos. De fato, tal situa&ccedil;&atilde;o adv&eacute;m da dificuldade encontrada para trabalhar de maneira harmonizada as tr&ecirc;s entidades apresentadas (sint&eacute;tica&#45;coloidal&#45;biol&oacute;gica) durante a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos toxicol&oacute;gicos. Outro ponto importante &eacute; a dificuldade enfrentada para determinar cen&aacute;rios real&iacute;sticos de exposi&ccedil;&atilde;o aos nanomateriais. Evidentemente, novos conceitos, metodologias experimentais e computacionais precisam ser aprimoradas, ou mesmo desenvolvidas, para acessarmos e interpretarmos a bionanointerface em profundidade, bem como os seus reflexos f&iacute;sico&#45;qu&iacute;mico&#45;biol&oacute;gico&#45;toxicol&oacute;gicos. &Eacute; importante termos em vista a amplitude do tema abordado neste artigo, que o coloca como uma &aacute;rea do conhecimento altamente multidisciplinar e que est&aacute; dando seus primeiros passos. </font></P>     <p><font size="3">Muitos dos aspectos aqui tratados s&atilde;o caracterizados pelo fato que as ci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas e toxicol&oacute;gicas ainda n&atilde;o atingiram o mesmo n&iacute;vel de discernimento que as ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas e qu&iacute;micas quanto ao entendimento de nanossistemas. Da&iacute;, devemos ser prudentes, evitar extrapola&ccedil;&otilde;es simplistas e manter o foco nas inter&#45;rela&ccedil;&otilde;es. &Eacute; mister favorecer e desenvolver uma forma de conciliar a inova&ccedil;&atilde;o que torna os nanomateriais cada vez mais sofisticados, com a normatiza&ccedil;&atilde;o exigida para serem reprodut&iacute;veis e seguros para o meio ambiente e por, consequ&ecirc;ncia, para os humanos. Somente assim, acreditamos que avan&ccedil;aremos em dire&ccedil;&atilde;o a uma nanotecnologia segura e sustent&aacute;vel.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Diego St&eacute;fani Teodoro Martinez</b> &eacute; bi&oacute;logo e doutor em qu&iacute;mica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) , pesquisador de p&oacute;s&#45;doutorado do CNPq junto ao Instituto Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia em Materiais Complexos Funcionais (INCT&#45;Inomat), onde desenvolve estudos e pesquisa em bionanotecnologia e nanotoxicologia. Email:</i> <A HREF="mailto:diegostefani.br@gmail.com">diegostefani.br@gmail.com</A>.    <br>   <i><b>Oswaldo Luiz Alves</b> &eacute; professor titular do Instituto de Qu&iacute;mica da Unicamp, fundador/coordenador cient&iacute;fico do Laborat&oacute;rio de Qu&iacute;mica do Estado S&oacute;lido (LQES/Unicamp) e coordenador do Laborat&oacute;rio Associado NanoBioss&#45;SisNano do MCTI. &Eacute;  autor da Cartilha sobre nanotecnologia publicada pela ABDI em 2010. Membro da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC). Email:</i> <A HREF="mailto:oalves@iqm.unicamp.br">oalves@iqm.unicamp.br</A>.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Hornyak, G.L, <i>Introduction to nanoscience &amp; nanotechnology</i>. 2009, Boca Raton: CRC Press. xxxiv, 1593 p.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Senai, ed. "Nanomundo &#150; Um universo de descobertas e possibilidades". Ci&ecirc;ncia e Tecnologia. 2012, Senai&#45;SP Editora: Sao Paulo.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3. <a href="http://www.biossistemas.ufabc.edu.br" target="_blank">http://www.biossistemas.ufabc.edu.br</a> (acesso em setembro de 2011).    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Ventura, M. M. 2009. Ordem e forma em biossistemas. Editora UnB, Bras&iacute;lia &#150; DF.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5. National Research Council (U.S.). Committee on a New Biology for the 21st Century: Ensuring the United States Leads the Coming Biology Revolution. National Research Council (U.S.). Board on Life Sciences and National Research Council (U.S.). Division on Earth and Life Studies. <i>A new biology for the 21st century</i>. 2009, Washington, D.C.: National Academies Press. xiii, 98 p.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Burda, C. et al. "Chemistry and properties of nanocrystals of different shapes". Chem Rev, 2005. 105(4): p. 1025&#45;102.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Cao, G. <i>Nanostructures &amp; nanomaterials : synthesis, properties &amp; applications</i>. 2004, London ; Hackensack, NJ: Imperial College Press. xiv, 433 p.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Schmid, G. and B. Corain. "Nanoparticulated gold: Syntheses, structures, electronics, and reactivities". <i>European Journal of Inorganic Chemistry</i>, 2003(17): p. 3081&#45;3098.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Nel, A.E. et al. "Understanding biophysicochemical interactions at the nano&#45;bio interface". <i>Nature Materials</i>, 2009. 8(7): p. 543&#45;557.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Shvedova, A.A;, V.E. Kagan and B. Fadeel. "Close encounters of the small kind: adverse effects of man&#45;made materials interfacing with the nano&#45;cosmos of biological systems". <i>Annu Rev Pharmacol Toxicol</i>, 2010. 50: p. 63&#45;88.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Oberdorster, G.; E. Oberdorster and J. Oberdorster. "Nanotoxicology: an emerging discipline evolving from studies of ultrafine particles". <i>Environ Health Perspect</i>, 2005. 113(7): p. 823&#45;39.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Nel, A. et al. "Toxic potential of materials at the nanolevel". <i>Science</i>, 2006. 311(5761): p. 622&#45;7.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Johnston, H. et al. "Engineered nanomaterial risk. Lessons learnt from completed nanotoxicology studies: potential solutions to current and future challenges". <i>Crit Rev Toxicol</i>, 2013. 43(1): p. 1&#45;20.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">14. Barros, S. B. M.; Davino, S.C. Avalia&ccedil;&atilde;o da toxicidade. In: Oga, S.;M.M.A. Carmago and J.A.O. Batistuzzo, <i>Fundamentos de toxicologia</i>. 2008, S&atilde;o Paulo, SP: Atheneu Editora.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">15. Sharifi, S. et al. "Toxicity of nanomaterials". <i>Chem Soc Rev</i>, 2012. 41(6): p. 2323&#45;43.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">16. Environmental Protection Agency (EPA); Food and Drug Administration (FDA); Organisation for Economic Co&#45;operation  and Devolpment (OECD); International Organization for Standardization (ISO); e Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Normas T&eacute;cnicas (ABNT).    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">17. Paschoalino, M.P.; G.P.S. Marcone and W.F. Jardim. "Nanomaterials and the environment". <i>Quimica Nova</i>, 2010. 33(2): p. 421&#45;430.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">18. Chamada MCTI/CNPq N º 17/2011 &#150; Apoio &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de redes cooperativas de pesquisa e desenvolvimento em nanotoxicologia e nanoinstrumenta&ccedil;&atilde;o (12/09/2011). <a href="http://memoria.cnpq.br/resultados/2011/017.htm" target="_blank">http://memoria.cnpq.br/resultados/2011/017.htm</a> (acesso em maio de 2013)</font><!-- ref --><p><font size="3">19. Safety and regulation of Nanotechnology and nanomaterials in 2012: what's next? <a href="http://www.cnbss.eu/index.php/editorial/item/68&#45;safety&#45;and&#45;regulation&#45;of&#45;nanotechnology&#45;and&#45;nanomaterials&#45;in&#45;2012&#45;what%E2%80%99s&#45;next" target="_blank">http://www.cnbss.eu/index.php/editorial/item/68&#45;safety&#45;and&#45;regulation&#45;of&#45;nanotechnology&#45;and&#45;nanomaterials&#45;in&#45;2012&#45;what%E2%80%99s&#45;next</a> (acesso em maio de 2013)</font><!-- ref --><p><font size="3">20. Projeto de Lei que visa regulamentar a rotulagem de produtos das nanotecnologias e de produtos que fazem uso das nanotecnologias nanotecnologia. C&acirc;mara dos Deputados (acesso em maio de 2013). </font><a href="http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1064788&amp;filename=PL+5133/2013" target="_blank">http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1064788&filename=PL+5133/2013</a><!-- ref --><p><font size="3">21. Souza, G. M. Manzatto, A. G. Hierarquia Auto&#45;organizada em Sistemas Biol&oacute;gicos 2000. In: Auto&#45;organiza&ccedil;&atilde;o: Estudos Interdisciplinares, D'Ottaviano, I. M. L. Gozales, M. E. Q. (Org.). Cole&ccedil;&atilde;o CLE, Campinas &#150; SP.    </font></P>      ]]></body><back>
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