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</front><body><![CDATA[ <P ALIGN="CENTER"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a09img02.jpg"></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size=5><b>Microscopia de sondas:     uma caixa de ferramentas     da nanotecnologia</b></font></P>     <P><font size="3">Fernando Galembeck    <br>   Carlos A. R. Costa    <br>   Thiago A. L. Burgo    <br>   Juliana S. Bernardes    <br>   Rubia F. Gouveia</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>UM BREVE HIST&Oacute;RICO</b> Utilizando um microsc&oacute;pio &oacute;ptico rudimentar, em 1665 Robert Hooke examinou uma fatia de corti&ccedil;a e verificou que ela era constitu&iacute;da por cavidades poli&eacute;dricas, &agrave;s quais ele nominou de c&eacute;lulas (do latim "cella" &#150; pequena cavidade), descobrindo um mundo at&eacute; ent&atilde;o invis&iacute;vel e insuspeitado. Desde ent&atilde;o, os microsc&oacute;pios n&atilde;o pararam de evoluir sendo sempre ferramentas fundamentais para o avan&ccedil;o das fronteiras do conhecimento.</font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">No in&iacute;cio dos anos 1980, os microsc&oacute;pios eletr&ocirc;nicos ainda n&atilde;o apresentavam resolu&ccedil;&atilde;o suficiente para visualizar os &aacute;tomos, embora a teoria at&ocirc;mico&#45;molecular da mat&eacute;ria estivesse bem consolidada, desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XX. Em 1982, Gerd Binnig e Heinrich Rohrer criaram o microsc&oacute;pio de varredura por tunelamento (STM, S<I>canning Tunneling Microscope</I>) (1), nos laborat&oacute;rios de pesquisa da IBM em R&uuml;schlikon, na Su&iacute;&ccedil;a. No STM foi poss&iacute;vel obter, pela primeira vez, imagens de &aacute;tomos e essa revolucion&aacute;ria inova&ccedil;&atilde;o deu a Binnig e Rohrer o Pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica, em 1986. </font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m de produzir imagens em escala at&ocirc;mica, o microsc&oacute;pio de tunelamento permitiu a manipula&ccedil;&atilde;o de &aacute;tomos individuais, realizando uma possibilidade que havia sido aventada por Richard Feynman, nos anos 1960, a da constru&ccedil;&atilde;o de estruturas atrav&eacute;s da movimenta&ccedil;&atilde;o e montagem de &aacute;tomos, um a um. </font></P>     <p><font size="3">O microsc&oacute;pio de tunelamento foi o primeiro membro de uma vasta fam&iacute;lia que cresceu rapidamente: a dos microsc&oacute;pios de varredura por sonda (SPM, <I>Scanning Probe Microscope</I>). Embora forne&ccedil;a imagens muito impressionantes, seu uso &eacute; restrito a superf&iacute;cies r&iacute;gidas e eletricamente condutoras, ou semicondutoras. O passo seguinte foi a cria&ccedil;&atilde;o da microscopia de for&ccedil;a at&ocirc;mica (AFM, <I>Atomic Force Microscope</I>) (2) por Gerd Binnig, Calvin Quate e Christoph Gerber, em 1986. As primeiras imagens de AFM mostravam a topografia de superf&iacute;cies s&oacute;lidas mas agora incluindo materiais eletricamente isolantes, como vidros, cer&acirc;micas, pol&iacute;meros e materiais de origem biol&oacute;gica, de tal forma que o n&uacute;mero de artigos cient&iacute;ficos j&aacute; publicados usando essa microscopia j&aacute; atinge cerca de 45 mil, enquanto o n&uacute;mero de artigos utilizando STM ainda n&atilde;o chegou a 20 mil. </font></P>     <p><font size="3">AFM transformou&#45;se, rapidamente em uma vasta plataforma de novas microscopias, que produzem uma grande quantidade de informa&ccedil;&otilde;es sobre as propriedades f&iacute;sicas e f&iacute;sico&#45;qu&iacute;micas de superf&iacute;cies. Hoje, um microsc&oacute;pio de for&ccedil;a at&ocirc;mica complementado com diferentes acess&oacute;rios permite que se obtenha informa&ccedil;&otilde;es sobre as propriedades el&eacute;tricas (potencial, carga, condutividade), magn&eacute;ticas, mec&acirc;nicas (viscoelasticidade, ades&atilde;o, dureza, coeficientes de atrito), t&eacute;rmicas (condutividade, transi&ccedil;&otilde;es) e qu&iacute;micas (composi&ccedil;&atilde;o, intera&ccedil;&otilde;es) de superf&iacute;cies.  A Wikipedia lista 28 diferentes tipos de microscopias de sondas e a <a href="/img/revistas/cic/v65n3/a13tab01.jpg">Tabela 1</a> enumera alguns exemplos, especialmente das praticadas com diferentes finalidades em plataformas de AFM.</font></P>     <p><font size="3">Al&eacute;m de todas essas t&eacute;cnicas, s&atilde;o tamb&eacute;m realizados experimentos em que se medem v&aacute;rios pares de par&acirc;metros, combinando for&ccedil;a <I>vs</I> dist&acirc;ncia com for&ccedil;a <I>vs</I> voltagem, amplitude <I>vs</I> dist&acirc;ncia, fase <I>vs</I> dist&acirc;ncia etc.</font></P>     <p><font size="3"><b>COMO FUNCIONA</b> Nos microsc&oacute;pios &oacute;ticos convencionais, o observador utiliza f&oacute;tons ou el&eacute;trons para ver um objeto e as suas possibilidades de observar objetos pequenos ficam limitadas pela difra&ccedil;&atilde;o da radia&ccedil;&atilde;o, que ocorre sempre que as dimens&otilde;es do objeto examinado s&atilde;o da mesma ordem de grandeza do comprimento de onda utilizado. Por isso, os microsc&oacute;pios &oacute;ticos convencionais n&atilde;o permitem a observa&ccedil;&atilde;o de objetos menores que ½ m&iacute;cron. Al&eacute;m disso, efeitos de aberra&ccedil;&atilde;o comprometem a qualidade das imagens obtidas com grandes aumentos em microsc&oacute;pios eletr&ocirc;nicos, mesmo quando o limite de difra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; atingido.</font></P>     <p><font size="3">As t&eacute;cnicas de STM e AFM n&atilde;o dependem da intera&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria com luz ou el&eacute;trons. Nelas, o observador utiliza uma pequena sonda que tem a ponta muito afiada e que percorre a superf&iacute;cie da amostra, muito pr&oacute;ximo desta. Em AFM, a sonda pode estar em contato com a amostra, mas, na maioria dos casos, est&aacute; a uma dist&acirc;ncia muito pequena, de ordem de poucos nan&ocirc;metros. Nessas condi&ccedil;&otilde;es, as for&ccedil;as resultantes das intera&ccedil;&otilde;es da sonda com os &aacute;tomos ou mol&eacute;culas da superf&iacute;cie, especialmente as intera&ccedil;&otilde;es intermoleculares de Van der Waals, s&atilde;o significativas e podem ser medidas. Em STM, o que se detecta &eacute; a corrente de tunelamento entre a sonda e a amostra condutora, que tamb&eacute;m s&oacute; &eacute; significativa quando a dist&acirc;ncia entre sonda e amostra &eacute; muito pequena(3).</font></P>     <p><font size="3">No AFM, a sonda afiada &eacute; fixada na parte inferior da extremidade de uma haste montada como uma viga em balan&ccedil;o. As for&ccedil;as que atuam sobre a sonda provocam a deflex&atilde;o da haste, que &eacute; usada para controlar a dist&acirc;ncia de separa&ccedil;&atilde;o entre a sonda e a amostra durante a varredura da superf&iacute;cie. Para manter a haste sob deflex&atilde;o constante, portanto a uma dist&acirc;ncia uniforme da superf&iacute;cie, a amostra (ou a sonda) &eacute; levantada ou abaixada pelo movimento de um s&oacute;lido piezoel&eacute;trico ou uma bobina eletromagn&eacute;tica sobre o qual est&aacute; montada, que, por sua vez, &eacute; acionado por uma fonte de tens&atilde;o controlada pela resposta do detector da deflex&atilde;o da haste que suporta a sonda. A <a href="#fig01">figura 1</a> mostra a foto de um microsc&oacute;pio de for&ccedil;a at&ocirc;mica com seus principais componentes. </font></P>     <p><a name="fig01"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a13fig01.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Na primeira t&eacute;cnica de AFM, a sonda permanecia sempre em contato com a superf&iacute;cie, o que pode criar alguns problemas: durante uma varredura, o atrito entre sonda e superf&iacute;cie pode causar riscos e outros danos &agrave; superf&iacute;cie da amostra, produzindo tamb&eacute;m perda da afia&ccedil;&atilde;o ou a contamina&ccedil;&atilde;o da sonda.</font></P>     <p><font size="3">Para contornar esses problemas, foram criados outros modos de microscopia de for&ccedil;a at&ocirc;mica, sem contato entre sonda e amostra ou com contato intermitente. Nestes modos, a haste vibra durante a varredura da superf&iacute;cie e as mudan&ccedil;as na sua frequ&ecirc;ncia de resson&acirc;ncia livre e no amortecimento da vibra&ccedil;&atilde;o da haste, causadas pelas for&ccedil;as entre a sonda e a superf&iacute;cie da amostra, s&atilde;o detectadas e utilizadas para controlar a dist&acirc;ncia entre as mesmas. O controle da for&ccedil;a do contato intermitente entre a sonda e a amostra permite que a sonda varra materiais de todos os tipos, sejam macios ou abrasivos, adesivos, eletricamente isolantes etc.</font></P>     <p><font size="3">Na microscopia de varredura por sonda, a sonda interage com os &aacute;tomos da superf&iacute;cie que est&atilde;o imediatamente abaixo dela e tamb&eacute;m com vizinhos um pouco mais distantes. Por essa raz&atilde;o, as imagens topogr&aacute;ficas da amostra s&atilde;o geradas pela convolu&ccedil;&atilde;o de muitas contribui&ccedil;&otilde;es, dos &aacute;tomos da extremidade da sonda com os da superf&iacute;cie da amostra durante uma varredura. Cada imagem &eacute; formada por y linhas com x pontos em cada linha. Cada ponto da imagem &eacute; determinado pelas coordenadas x, y e z, onde <I>z</I> &eacute; a altura. Portanto, a imagem de for&ccedil;a at&ocirc;mica &eacute; tridimensional, por defini&ccedil;&atilde;o, diferente de uma micrografia &oacute;tica ou eletr&ocirc;nica, que &eacute; uma fotografia da proje&ccedil;&atilde;o bidimensional da amostra.</font></P>     <p><font size="3"><b>COMO UMA MICROSCOPIA SE TRANSFORMOU EM UMA PLATAFORMA DE MICROSCOPIAS</b> Como vimos, a microscopia de for&ccedil;a at&ocirc;mica se baseia na detec&ccedil;&atilde;o da deforma&ccedil;&atilde;o de uma haste que suporta uma sonda. Portanto, ela guarda alguma semelhan&ccedil;a com instrumentos de medida de rugosidades, chamados de perfil&ocirc;metros. Pode ainda ser comparada com o uso que um deficiente visual faz de uma bengala: ele percebe as eleva&ccedil;&otilde;es e depress&otilde;es do terreno, bem como a proximidade de obst&aacute;culos, pelas mudan&ccedil;as na altura em que a bengala toca o ch&atilde;o e tamb&eacute;m pelo som produzido pelo impacto da bengala com o piso. A ponta da bengala &eacute; a sonda usada pelo cego, os detectores de altera&ccedil;&otilde;es no terreno s&atilde;o a sua m&atilde;o e os ouvidos.</font></P>     <p><font size="3">As sondas utilizadas em AFM podem ser usadas de v&aacute;rias maneiras, seja mudando&#45;se as formas de detectar altera&ccedil;&otilde;es na sua vibra&ccedil;&atilde;o, seja mudando&#45;se a pr&oacute;pria sonda de maneira a detectar outras for&ccedil;as, al&eacute;m das de Van der Waals. Por exemplo: uma sonda pode ser recoberta com um fino filme de um s&oacute;lido magn&eacute;tico. Nesse caso, quando ela se desloca sobre uma superf&iacute;cie magn&eacute;tica, ou que tenha dom&iacute;nios ou regi&otilde;es magn&eacute;ticas, a sonda ir&aacute; responder &agrave; componente magn&eacute;tica das intera&ccedil;&otilde;es entre sonda e superf&iacute;cie e a for&ccedil;a correspondente ser&aacute; detectada, permitindo que se construa um mapa da distribui&ccedil;&atilde;o de dom&iacute;nios magn&eacute;ticos na amostra, com resolu&ccedil;&atilde;o nanom&eacute;trica, ou seja: uma micrografia magn&eacute;tica. </font></P>     <p><font size="3">Esses experimentos podem ser realizados sob diferentes condi&ccedil;&otilde;es ou ambientes (v&aacute;cuo, temperatura controlada, atmosfera controlada ou ambiente, amostras imersas em l&iacute;quidos) ou ainda acoplados a t&eacute;cnicas &oacute;ticas (espectroscopias Raman, de fluoresc&ecirc;ncia, &oacute;tica de campo pr&oacute;ximo), o que levou a uma quase universalidade das aplica&ccedil;&otilde;es de microscopias de sonda, em diferentes &aacute;reas do conhecimento e de atua&ccedil;&atilde;o profissional. Ao mesmo tempo, ocorreu uma grande populariza&ccedil;&atilde;o de AFM, viabilizada pela oferta de equipamentos de pre&ccedil;o relativamente baixo, no mercado. Hoje, &eacute; poss&iacute;vel adquirir microsc&oacute;pios de for&ccedil;a at&ocirc;mica por pre&ccedil;o compar&aacute;vel ao de instrumentos comuns em laborat&oacute;rios, como espectrofot&ocirc;metros, analisadores de v&aacute;rios tipos e instrumentos eletr&ocirc;nicos.</font></P>     <p><font size="3">Exemplos dos muitos tipos de microscopias de sonda hoje existentes est&atilde;o na <a href="/img/revistas/cic/v65n3/a13tab01.jpg">Tabela 1</a> e alguns casos ser&atilde;o examinados em mais detalhe, a seguir.</font></P>     <p><font size="3"><b>ALGUNS CASOS ESPECIAIS</b></font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"><I>Determinando a topografia da amostra</I></font></P>     <p><font size="3">A quest&atilde;o inicial &eacute; a escolha da t&eacute;cnica, ou das t&eacute;cnicas combinadas, bem como das sondas apropriadas em fun&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas da superf&iacute;cie da amostra analisada e do ambiente de varredura: uma amostra hidrof&iacute;lica exposta &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es ambientes ser&aacute; recoberta por uma camada de contamina&ccedil;&atilde;o composta principalmente por &aacute;gua, assim como uma amostra hidrof&oacute;bica ser&aacute; recoberta por uma camada lipof&iacute;lica, a n&atilde;o ser que seja obtida e mantida em uma atmosfera extremamente limpa.</font></P>     <p><font size="3">STM tem resolu&ccedil;&atilde;o at&ocirc;mica real, porque a intera&ccedil;&atilde;o sonda/amostra ocorre predominantemente com um &aacute;tomo da extremidade da sonda e o &aacute;tomo imediato da superf&iacute;cie da amostra. Tem sido utilizada na aquisi&ccedil;&atilde;o de imagens topogr&aacute;ficas de alta resolu&ccedil;&atilde;o em ambientes de ultra&#45;alto&#45;v&aacute;cuo, em sistemas eletroqu&iacute;micos <I>in situ</I> ou amostras rec&eacute;m&#45;clivadas, como as de grafite pirol&iacute;tico, cuja superf&iacute;cie est&aacute; livre de camada de contamina&ccedil;&atilde;o superficial.</font></P>     <p><font size="3">Diversos modos de AFM s&atilde;o utilizados para a obten&ccedil;&atilde;o de imagens topogr&aacute;ficas e os modos em que n&atilde;o h&aacute; contato direto entre a sonda e a amostra t&ecirc;m a vantagem de n&atilde;o danificarem a amostra, mas t&ecirc;m menor resolu&ccedil;&atilde;o espacial. Frequentemente, obt&eacute;m&#45;se imagens topogr&aacute;ficas simultaneamente com outros tipos ou modos de imagens, o que contribui, em muito, para a interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados.</font></P>     <p><font size="3"><i>Dureza e viscoelasticidade</i></font></P>     <p><font size="3">Em um sistema padr&atilde;o de aquisi&ccedil;&atilde;o de imagens topogr&aacute;ficas por microscopia de for&ccedil;a at&ocirc;mica de contato intermitente, a sonda oscila e a sua amplitude &eacute; mantida constante mantendo&#45;a a uma dist&acirc;ncia constante da amostra, por meio de realimenta&ccedil;&atilde;o com um controlador do tipo PID (proporcional, integral e derivativo). Nessas condi&ccedil;&otilde;es, a fase da oscila&ccedil;&atilde;o da sonda apresenta varia&ccedil;&otilde;es em fun&ccedil;&atilde;o das varia&ccedil;&otilde;es topogr&aacute;ficas e tamb&eacute;m da heterogeneidade das propriedades de rigidez, ades&atilde;o e viscoelasticidade da superf&iacute;cie.</font></P>     <p><font size="3">Determinando&#45;se um par&acirc;metro proporcional &agrave; defasagem do sinal, este pode ser adquirido e registrado como um mapa de contraste de fase da &aacute;rea correspondente, que informa, por exemplo, sobre a capacidade de dissipa&ccedil;&atilde;o de energia mec&acirc;nica da regi&atilde;o que est&aacute; sendo varrida pela sonda, pixel a pixel. A inerente sensibilidade do sinal de fase torna esta t&eacute;cnica muito &uacute;til na detec&ccedil;&atilde;o de pequenas varia&ccedil;&otilde;es na superf&iacute;cie da amostra, mas os experimentos devem ser cuidadosamente planejados, adequando a sonda e haste &agrave; amostra. O experimentador s&oacute; consegue explorar bem essa t&eacute;cnica se tiver algum conhecimento de reologia.</font></P>     <p><font size="3"><i>Atrito e a Microscopia de For&ccedil;a Lateral (LFM)</i></font></P>     <p><font size="3">Em 1987, Mate <I>et al. </I>(4) determinaram as for&ccedil;as de atrito atuando entre uma ponteira de tungst&ecirc;nio e um &uacute;nico &aacute;tomo da superf&iacute;cie de uma folha de grafite, detectando a periodicidade dos &aacute;tomos na superf&iacute;cie do policristal na primeira determina&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as de atrito em escala at&ocirc;mica. Esse trabalho criou a microscopia de for&ccedil;a lateral (<I>Lateral Force Microscopy</I>, LFM) (5), um dos modos de opera&ccedil;&atilde;o mais usados nos instrumentos de AFM.</font></P>     <p><font size="3">Enquanto AFM mede a deflex&atilde;o horizontal da haste da sonda, LFM mede sua tor&ccedil;&atilde;o ou deflex&atilde;o lateral e a converte em unidades de for&ccedil;a. A constante de tor&ccedil;&atilde;o da haste poderia ser calculada conhecendo&#45;se sua geometria e as propriedades mec&acirc;nicas (m&oacute;dulo de Young, coeficiente de Poisson) do material usado, mas isso &eacute; impratic&aacute;vel, pois depende tamb&eacute;m de um conhecimento detalhado da anisotropia do material (6). Por isso, &eacute; necess&aacute;rio calibrar as sondas para medir for&ccedil;as laterais em LFM, executando uma das etapas mais dif&iacute;ceis das microscopias de sondas (6). Pesquisadores importantes propuseram diferentes m&eacute;todos de calibra&ccedil;&atilde;o e o que obteve maior destaque foi o m&eacute;todo da cunha (<I>wedge method</I>). Primeiramente proposto por Ogletree, Carpick e Salmeron (7) e mais tarde revisado por Varenberg, Etsion e Halperin (8), este m&eacute;todo &eacute; bastante apropriado para ponteiras finas (9) e utiliza uma amostra de calibra&ccedil;&atilde;o que tem uma superf&iacute;cie com &acirc;ngulos bem definidos, que &eacute; varrida sob diferentes valores de for&ccedil;as normais, isto &eacute;, da for&ccedil;a aplicada &agrave; sonda, perpendicular ao plano da amostra. Ao varrer a amostra repetidamente, subindo e descendo planos com inclina&ccedil;&otilde;es bem definidas e sob diferentes for&ccedil;as normais e medindo a tor&ccedil;&atilde;o da haste, o experimentador adquire todos os dados necess&aacute;rios para calcular o seu m&oacute;dulo de tor&ccedil;&atilde;o. A complexidade do m&eacute;todo pode ser avaliada considerando&#45;se que v&aacute;rios outros autores demonstraram outras possibilidades de calibra&ccedil;&atilde;o, mas o m&eacute;todo da cunha permanece como o mais aceito. Hoje, LFM &eacute; a principal ferramenta na investiga&ccedil;&atilde;o do atrito entre superf&iacute;cies na escala at&ocirc;mica, tendo revelado que o atrito entre a sonda e uma superf&iacute;cie imersa em um l&iacute;quido depende muito da carga el&eacute;trica dessa superf&iacute;cie (10). Esse &eacute; um resultado extremamente importante porque a eletriza&ccedil;&atilde;o de superf&iacute;cies n&atilde;o tinha sido considerada anteriormente como um fator importante, no atrito. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a13img02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>MEDINDO POTENCIAIS EL&Eacute;TRICOS</b> A distribui&ccedil;&atilde;o de cargas el&eacute;tricas ao longo de uma superf&iacute;cie pode ser obtida em escala nanom&eacute;trica utilizando t&eacute;cnicas derivadas de AFM de n&atilde;o&#45;contato (11; 12).  Essas medidas s&atilde;o feitas em dois modos principais, um baseado no m&eacute;todo de Kelvin, e o outro na medida direta de for&ccedil;as eletrost&aacute;ticas. Durante a varredura, uma sonda condutora interage com a superf&iacute;cie da amostra de acordo com as caracter&iacute;sticas eletrost&aacute;ticas da mesma. O potencial resultante em cada ponto &eacute; a soma de todos os potenciais el&eacute;tricos gerados pelas cargas presentes na superf&iacute;cie, como &iacute;ons e cargas est&aacute;ticas. </font></P>     <p><font size="3">A t&eacute;cnica de microscopia de for&ccedil;a Kelvin (KFM) foi desenvolvida em 1991 por Nonnenmacher e colaboradores(13). Ela &eacute; an&aacute;loga ao m&eacute;todo de Kelvin, com a diferen&ccedil;a de que s&atilde;o medidas for&ccedil;as eletrost&aacute;ticas atuando sobre o cantilever e n&atilde;o correntes el&eacute;tricas. A sonda do microsc&oacute;pio atua como um eletrodo de refer&ecirc;ncia, formando um capacitor com a amostra. Ao varrer a superf&iacute;cie em aproximadamente 10 nm de altura, uma corrente AC (alternada) faz a sonda oscilar, enquanto uma corrente DC (direta) &eacute; aplicada em cada pixel para zerar a defasagem na frequ&ecirc;ncia AC provocada pelo potencial gerado por cargas fixas na amostra. Esta tens&atilde;o DC aplicada &agrave; sonda iguala o potencial da superf&iacute;cie no ponto adjacente a ela.  Assim, a imagem &eacute; formada construindo um gr&aacute;fico de potencial DC aplicado &agrave; sonda, pixel por pixel, sendo ent&atilde;o convertido em um c&oacute;digo de cores predefinido para a constru&ccedil;&atilde;o do mapa de potencial el&eacute;trico da amostra, com uma resolu&ccedil;&atilde;o espacial de at&eacute; 10 nm. </font></P>     <p><font size="3">A <a href="#fig02">figura 2</a> mostra imagens de topografia (esquerda) e de KFM (direita) obtidas simultaneamente de uma mesma regi&atilde;o de uma amostra de celulose de eucalipto. A imagem el&eacute;trica, apesar de apresentar pequena varia&ccedil;&atilde;o de potencial el&eacute;trico (~100 mV), &eacute; muito mais rica em detalhes do que a imagem topogr&aacute;fica, revelando uma heterogeneidade el&eacute;trica ao longo das fibras de celulose de que n&atilde;o se suspeitava anteriormente. </font></P>     <p><a name="fig02"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a13fig02.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3"> Medidas de potencial el&eacute;trico utilizando microscopia de for&ccedil;a el&eacute;trica (EFM) seguem uma abordagem diferente da utilizida em KFM. Nesta t&eacute;cnica, as informa&ccedil;&otilde;es de topografia e for&ccedil;a el&eacute;trica s&atilde;o adquiridas em duas etapas sobre cada ponto da amostra: a 10 nm, onde as for&ccedil;as de Van der Waals s&atilde;o predominantes, s&atilde;o adquiridas as informa&ccedil;&otilde;es topogr&aacute;ficas, e a 40 a 60 nm, onde a for&ccedil;a eletrost&aacute;tica &eacute; predominante, s&atilde;o obtidas as informa&ccedil;&otilde;es el&eacute;tricas. </font></P>     <p><font size="3">Os valores de tens&atilde;o encontrados nas imagens de KFM correspondem aos valores dos potenciais el&eacute;tricos na superf&iacute;cie da amostra. No EFM esses valores permitem o c&aacute;lculo da carga em cada ponto da superf&iacute;cie. O KFM possui uma maior resolu&ccedil;&atilde;o espacial, devido a maior proximidade entre a sonda e a superf&iacute;cie.</font></P>     <p><font size="3"><b>UM SUBPRODUTO IMPORTANTE</b> No in&iacute;cio dos anos 1980, a medi&ccedil;&atilde;o direta de for&ccedil;as entre superf&iacute;cies, em fun&ccedil;&atilde;o da dist&acirc;ncia, era feita exclusivamente usando a celebrada "balan&ccedil;a de Israelachvili", um instrumento sofisticado e delicado que permitiu ao seu inventor, Jacob Israelachvili, atingir o mais elevado <I>status</I> entre os cientistas dedicados a esse importante tema. O uso dessa balan&ccedil;a forneceu resultados memor&aacute;veis que nos ensinaram muito sobre os comportamentos muito inesperados da &aacute;gua junto a superf&iacute;cies s&oacute;lidas, evidenciando uma estrutura&ccedil;&atilde;o muito intensa, quase que uma cristaliza&ccedil;&atilde;o dos filmes de &aacute;gua &agrave; temperatura ambiente, causada pela vizinhan&ccedil;a de superf&iacute;cies s&oacute;lidas. Por outro lado, esse instrumento exigia amostras muito planas, com &aacute;rea macrosc&oacute;pica, o que limitou, em muito, a sua aplica&ccedil;&atilde;o. </font></P>     <p><font size="3">Essa situa&ccedil;&atilde;o mudou radicalmente com o aparecimento de AFM, porque este permitiu a determina&ccedil;&atilde;o de curvas for&ccedil;a <I>vs</I> dist&acirc;ncia entre praticamente quaisquer superf&iacute;cies s&oacute;lidas, separadas por s&oacute;lido ou l&iacute;quido. Hoje, &eacute; poss&iacute;vel medir for&ccedil;as de ordem de alguns piconewtons, com uma resolu&ccedil;&atilde;o de 0,1 nan&ocirc;metro na dist&acirc;ncia entre amostra e sonda. </font></P>     <p><font size="3">Um exemplo est&aacute; na <a href="#fig03">figura 3</a>, que mostra a varia&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a entre uma sonda de nitreto de sil&iacute;cio e uma superf&iacute;cie de politetrafluoroetileno (PTFE, Teflon) eletrizada, durante a aproxima&ccedil;&atilde;o e o afastamento da sonda. Quando a sonda e amostra se aproximam, a sonda &eacute; atra&iacute;da pelo PTFE, at&eacute; quase tocar a sua superf&iacute;cie quando sofre um pux&atilde;o adicional, devido &agrave;s for&ccedil;as de Van der Waals. For&ccedil;ando&#45;se a amostra para cima, a sonda afunda no PTFE passando a ser repelida, empurrada para cima. Quando a sonda &eacute; movimentada para se separar da amostra, a repuls&atilde;o diminui at&eacute; tornar&#45;se nula. Continuando a puxar a sonda para separ&aacute;&#45;la da amostra, observa&#45;se que h&aacute; uma forte ades&atilde;o entre ambas, que deforma a haste da sonda at&eacute; que esta se destaca, quando a for&ccedil;a de atra&ccedil;&atilde;o entre sonda e amostra &eacute; praticamente nula. </font></P>     <p><a name="fig03"></a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a13fig03.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3">Nesse experimento se aprende muito: observa&#45;se a indu&ccedil;&atilde;o de cargas na sonda e a sua atra&ccedil;&atilde;o pela amostra eletrizada, observa&#45;se e mede&#45;se a contribui&ccedil;&atilde;o (pequena) das for&ccedil;as de Van der Waals, a resist&ecirc;ncia do PTFE &agrave; penetra&ccedil;&atilde;o da sonda e, portanto, a sua dureza, bem como a ades&atilde;o entre PTFE e sonda. </font></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Uma modalidade relativamente recente de AFM &eacute; a microscopia de for&ccedil;a pulsada digital (DPFM). Esta t&eacute;cnica determina automaticamente e sequencialmente tr&ecirc;s curvas de for&ccedil;a em fun&ccedil;&atilde;o da dist&acirc;ncia, pixel a pixel, gerando uma enorme quantidade de dados. Com os dados obtidos em cada ponto, este modo constr&oacute;i imagens que cont&ecirc;m informa&ccedil;&otilde;es sobre as propriedades mec&acirc;nicas em escala nanom&eacute;trica da amostra. As imagens mais comuns que podem ser obtidas simultaneamente s&atilde;o de topografia, rigidez e ades&atilde;o. Os sinais de rigidez e ades&atilde;o locais adquiridos na DPFM s&atilde;o representados em tens&atilde;o el&eacute;trica e podem ser convertidos em for&ccedil;as atrav&eacute;s de uma calibra&ccedil;&atilde;o apropriada. </font></P>     <p><font size="3"><b>NOVAS POSSIBILIDADES</b> Apesar de todos os desenvolvimentos e sucessos j&aacute; ocorridos, que incluem um Pr&ecirc;mio Nobel, a criatividade dos cientistas sempre produz surpresas que abrem novas e grandes possibilidades. Um exemplo atual &eacute; o da constru&ccedil;&atilde;o de um microsc&oacute;pio infravermelho com resolu&ccedil;&atilde;o nanom&eacute;trica, que est&aacute; em curso no Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. O Dr. Christoph Deneke, do Laborat&oacute;rio Nacional de Nanotecnologia e o Dr. Raul Freitas, do Laborat&oacute;rio Nacional de Luz S&iacute;ncrotron, ambos do CNPEM, est&atilde;o construindo com suas equipes esse sistema, que dever&aacute; estar operando antes do fim de 2013. Esse instrumento dever&aacute; produzir imagens microsc&oacute;picas no infravermelho com resolu&ccedil;&atilde;o nanom&eacute;trica, isto &eacute;, superando uma limita&ccedil;&atilde;o fundamental de microsc&oacute;pios &oacute;ticos, que &eacute; o limite imposto pela ocorr&ecirc;ncia de difra&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3"><b>O QUE SE DESCOBRIU?</b> A import&acirc;ncia de novos instrumentos cient&iacute;ficos e m&eacute;todos experimentais &eacute; medida, no fim de contas, pelas descobertas que foram feitas e pelo avan&ccedil;o cient&iacute;fico que decorreu dos novos m&eacute;todos.</font></P>     <p><font size="3">AFM produziu as primeiras imagens de &aacute;tomos e tem produzido imagens de mol&eacute;culas que n&atilde;o s&atilde;o emuladas por outras t&eacute;cnicas. Permite a observa&ccedil;&atilde;o de part&iacute;culas nanom&eacute;tricas e de micro e nanoestruturas, sendo uma maneira pr&aacute;tica e relativamente simples de observar a forma&ccedil;&atilde;o (ou n&atilde;o) de agregados de part&iacute;culas. </font></P>     <p><font size="3">As microscopias el&eacute;tricas derivadas de AFM revelaram uma insuspeitada complexidade el&eacute;trica de materiais isolantes e tamb&eacute;m de condutores, que est&aacute; provocando a revis&atilde;o de muitas ideias sobre fen&ocirc;menos eletrost&aacute;ticos. Tamb&eacute;m est&aacute; permitindo que fen&ocirc;menos de atrito sejam compreendidos a partir de intera&ccedil;&otilde;es na escala at&ocirc;mico&#45;molecular, criando uma ponte entre a tribologia macrosc&oacute;pica, cl&aacute;ssica, e a teoria at&ocirc;mico&#45;molecular da mat&eacute;ria.</font></P>     <p><font size="3"><b>O QUE (AINDA?) N&Atilde;O DEU CERTO</b> Apesar dos seus grandes sucessos, algumas das expectativas iniciais sobre as microscopias de sondas n&atilde;o foram cumpridas. No fim dos anos 1980, quando foi adquirido o primeiro microsc&oacute;pio de sondas em uma universidade brasileira, um de seus dirigentes declarou &agrave; imprensa que esse instrumento tornava obsoletos todos os demais microsc&oacute;pios. Os fatos posteriores mostram que essa afirma&ccedil;&atilde;o foi excessivamente entusi&aacute;stica: entre janeiro e maio de 2013 foram publicados cerca de 4.400 artigos cient&iacute;ficos utilizando microscopias eletr&ocirc;nicas, <I>versus</I> cerca de mil artigos utilizando AFM, mostrando o predom&iacute;nio da microscopia eletr&ocirc;nica. Desde a inven&ccedil;&atilde;o de AFM, ¾ dos artigos publicados est&atilde;o nas &aacute;reas de "ci&ecirc;ncias duras" (ci&ecirc;ncias dos materiais, f&iacute;sica, qu&iacute;mica, engenharias), portanto a sua penetra&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea biol&oacute;gica ainda &eacute; pequena, bem como nas geoci&ecirc;ncias, arqueologia, ci&ecirc;ncias forenses e outras que utilizam microscopias.</font></P>     <p><font size="3">Tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o o fato de v&aacute;rias das possibilidades abertas por AFM ainda serem pouco difundidas. O n&uacute;mero total de artigos publicados utilizando AFM hoje monta a cerca de 45 mil, mas os n&uacute;meros relativos aos seus subprodutos mais especializados s&atilde;o muito menores: MFM, 1161; EFM, KFM, KPFM ou SEPM: 1906; LFM: 288. Portanto, a maior parte da informa&ccedil;&atilde;o que tem sido obtida de AFM &eacute; morfol&oacute;gica ou topogr&aacute;fica, apesar das grandes possibilidades de medi&ccedil;&atilde;o de outras propriedades das amostras. A participa&ccedil;&atilde;o brasileira &eacute; significativa: grupos do Brasil publicaram 660 artigos sobre AFM, 35 sobre EFM, KFM, KPFM ou SEPM e 108 artigos sobre STM.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n3/a13img03.jpg"></P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3">Outra perspectiva que n&atilde;o se cumpriu foi a do uso de AFM como ferramenta de nanomanipula&ccedil;&atilde;o, nanofabrica&ccedil;&atilde;o e nanolitografia. A IBM investiu esfor&ccedil;os importantes no projeto <I>Millipede</I>, de uma mem&oacute;ria baseada na capacidade de escrita e leitura de uma sonda varrendo um filme de um pl&aacute;stico comum, o acr&iacute;lico (14). Um prot&oacute;tipo foi apresentado em 2005 e havia a expectativa de comercializa&ccedil;&atilde;o em 2007. Por&eacute;m, um artigo (com 26 autores) de 2008 relata a situa&ccedil;&atilde;o naquele momento, mostrando que tinha sido conseguida uma densidade de mem&oacute;ria de mais de 150 Gb por cent&iacute;metro quadrado (15), mas que havia ainda v&aacute;rios desafios tecnol&oacute;gicos a superar. Em 2013, essa tecnologia ainda n&atilde;o atingiu o mercado.</font></P>     <p><font size="3">Uma possibilidade ainda mais remota, mas que foi muito alardeada no in&iacute;cio da d&eacute;cada passada, foi a da constru&ccedil;&atilde;o de objetos, &aacute;tomo a &aacute;tomo, usando&#45;se nanomanipuladores assemelhados &agrave;s sondas de AFM. Essa possibilidade s&oacute; pode ser imaginada ignorando&#45;se a exist&ecirc;ncia do n&uacute;mero de Avogadro. Por exemplo: se uma pessoa quiser sintetizar alguma subst&acirc;ncia qu&iacute;mica (por exemplo, o metano) montando suas mol&eacute;culas, &aacute;tomo a &aacute;tomo, ter&aacute; de montar 5 vezes 6.10<SUP>23</SUP> &aacute;tomos para obter 16 gramas de metano. Caso os nanomanipuladores consigam montar um bilh&atilde;o de &aacute;tomos por segundo (o que ainda n&atilde;o foi demonstrado), ser&atilde;o necess&aacute;rios 3.10<SUP>15</SUP> segundos, ou seja, quase um milh&atilde;o de s&eacute;culos. Esse &eacute; um exemplo de situa&ccedil;&otilde;es que alguns cientistas criam mas que geram descr&eacute;dito, justamente nas pessoas mais l&uacute;cidas.</font></P>     <p><font size="3"><b>PERSPECTIVAS</b> A compara&ccedil;&atilde;o das microscopias de sondas com as microscopias &oacute;ticas e eletr&ocirc;nicas mostra vantagens e desvantagens de cada tipo. Em consequ&ecirc;ncia, todos os tr&ecirc;s tipos s&atilde;o amplamente usados e continuam sendo desenvolvidos intensamente. Algumas vantagens encontradas em microscopias de sondas s&atilde;o: os pre&ccedil;os dos equipamentos s&atilde;o relativamente reduzidos (15 mil d&oacute;lares para equipamentos simples, 60 mil para sistemas que j&aacute; oferecem muitas possibilidades e 250 mil para os mais sofisticados), &eacute; poss&iacute;vel examinar amostras ao ar e em diferentes ambientes utilizando diversos tipos de sondas reveladoras de diferentes propriedades, muitas amostras podem ser examinadas sem gastar muito tempo no trabalho de prepara&ccedil;&atilde;o e a obten&ccedil;&atilde;o de resolu&ccedil;&atilde;o at&ocirc;mica ou molecular &eacute; vi&aacute;vel &#150; quando necess&aacute;rio. As principais desvantagens s&atilde;o o pequeno tamanho do campo examinado, raramente excedendo uma centena de m&iacute;crons, e a relativa lentid&atilde;o na aquisi&ccedil;&atilde;o das imagens, que pode variar entre dezenas de minutos at&eacute; algumas horas.</font></P>     <p><font size="3">Muitos esfor&ccedil;os est&atilde;o sendo aplicados na amplia&ccedil;&atilde;o das possibilidades dessas microscopias e h&aacute; resultados recentes importantes no aumento da resolu&ccedil;&atilde;o e da rapidez na aquisi&ccedil;&atilde;o das imagens. Por exemplo, hoje &eacute; poss&iacute;vel obter imagens n&atilde;o apenas de &aacute;tomos mas at&eacute; mesmo da distribui&ccedil;&atilde;o de carga el&eacute;trica no interior de mol&eacute;culas, gra&ccedil;as &agrave; microscopia com sondas Kelvin de alta resolu&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p><font size="3">Os progressos dependem muito de aperfei&ccedil;oamentos e de novos conceitos na constru&ccedil;&atilde;o das sondas e na eletr&ocirc;nica de acionamento e monitoramento das mesmas. Como sempre acontece em ci&ecirc;ncia, esses progressos est&atilde;o sendo realimentados pelo r&aacute;pido aprendizado sobre as complexas intera&ccedil;&otilde;es entre mat&eacute;ria e energia nas nanoestruturas, isto &eacute;, nas escalas at&ocirc;mica e molecular, para os quais essas t&eacute;cnicas est&atilde;o trazendo uma grande contribui&ccedil;&atilde;o.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><i><b>Fernando Galembeck</b> &eacute; professor titular do Instituto de Qu&iacute;mica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e diretor do Laborat&oacute;rio Nacional de Nanotecnologia, no Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM). Email: </i>fernando.<a href="mailto:galembeck@lnnano.cnpem.br">galembeck@lnnano.cnpem.br</a>.    <br>   <i><b>Carlos A. R. Costa</b> &eacute; especialista em t&eacute;cnicas e instrumenta&ccedil;&atilde;o em microscopias de sondas do Laborat&oacute;rio Nacional de Nanotecnologia, no CNPEM. Email:</i><a href="mailto:calbercosta@gmail.com">calbercosta@gmail.com</a>.    <br>   <i><b>Thiago A. L. Burgo</b> &eacute; p&oacute;s&#45;doutorando do Instituto de Qu&iacute;mica da Unicamp. Email:</i><a href="mailto:tburgo@iqm.unicamp.br">tburgo@iqm.unicamp.br</a>.    <br>   <i><b>Juliana S. Bernardes</b> &eacute; pesquisadora do Laborat&oacute;rio Nacional de Nanotecnologia, no CNPEM. Email:</i><a href="mailto:juliana.bernardes@lnnano.cnpem.br">juliana.bernardes@lnnano.cnpem.br</a>.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <i><b>Rubia F. Gouveia</b> &eacute; pesquisadora do Laborat&oacute;rio Nacional de Nanotecnologia, no CNPEM. Email:</i> <a href="mailto:rubia.gouveia@lnnano.cnpem.br">rubia.gouveia@lnnano.cnpem.br</a>.</font></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">1. Binnig, G.; Rohrer, H. "Scanning tunneling microscopy". <i>Helvetica Physica Acta</i>, vol.55, nº 726. 1982.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">2. Binnig, G.; Quate, C. F.; Gerber, C. "Atomic force microscope" <i>Physical Review Letters</i>, vol.56, nº 930. 1986.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">3. Bray, M. T.; Cohen, S. H.; Lightbody, M. L. <i>Atomic Force Microscopy/Scanning Tunneling Microscopy</i>. New York; London: Plenum. 1994.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">4. Mate, C. M.; MacClelland, G. M.; Erlandsson, R.; Chiang S. "Atomic&#45;scale friction of a tungsten tip on a graphite surface". <i>Phys. Rev. Lett.</i>, vol.59, nº 1942. 1987.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">5. Munz, M. <i>J</i>. "Force calibration in lateral force microscopy: a review of the experimental methods". <i>Journal of Physics D: Appl. Phys.</i>, vol.43, nº 6. 2010.     </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">6. Asay, D. B.; Kim, S. H. "Direct force balance method for atomic force microscopy lateral force calibration". <i>Rev. Sci. Instrum.</i>, vol.77, 043903. 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">7. Ogletree, D. F.; Carpick, R. W.; Salmeron, M. "Calibration of frictional forces in atomic force microscopy". <i>Rev. Sci. Instrum.</i>, vol.67, nº 3298. 1996.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">8. Varenberg, M.; Etsion, I.; Halperin, G. "An improved wedge calibration method for lateral force in atomic force microscopy". <i>Rev. Sci. Instrum.</i>, vol.74, nº 3362. 2003.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">9. Tocha, E.; Sch&ouml;nherr, H.; Vancso, G. J. "Quantitative nanotribology by AFM: a novel universal calibration platform". <i>Langmuir</i>, vol.22, nº 2340. 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">10. Akbulut, M.; Godfrey Alig A. R.; Israelachvili, J. N. "Triboelectrification between smooth metal surfaces coated with self&#45;assembled monolayers (SAMs)". <i>J. Phys. Chem. B</i>, vol.110, nº 22271. 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">11. Galembeck, F.; Costa, C. A. R. "Electric scanning probe techniques: Kelvin force microscopy and electric force microscopy". <i>Encyclopedia of Surface and Colloid Science</i>. New York: Dekker Encyclopedias. 2006.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">12. Rezende, C. A.; Gouveia, R. F.; da Silva, M. A.; Galembeck, F. "Detection of charge distributions in insulator surfaces". <i>Journal of Physics: Condensed Matter</i>, vol. 21, 263002. 2009.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">13. Nonnenmacher, M.; O' Boyle, M. P.; Wickramasinghe, H. K. "Kelvin probe force microscopy". <i>Applied Physics Letter</i>,  vol.58, 2921. 1991.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">14. Vettiger, P. et al. "The 'millipede' &#150; Nanotechnology entering data storage". <i>IEEE Trans. Nanotechnol.</i>, vol.1, 39. 2002.    </font></P>     <!-- ref --><p><font size="3">15. Pantazi A. et al. "Probe&#45;based ultrahigh&#45;density storage technology". I<i>BM J. Res. &amp; Dev.</i>,  vol.52, 493. 2008.    </font></P>      ]]></body><back>
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