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</front><body><![CDATA[ <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(ten).jpg"></p>     <p align="center"><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sat&eacute;lite brasileiro geoestacion&aacute;rio de defesa e comunica&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Waldo Russo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>E</b>m uma &eacute;poca agitada pelo vazamento de informa&ccedil;&otilde;es sobre os programas de vigil&acirc;ncia da NSA, a ag&ecirc;ncia de seguran&ccedil;a nacional dos EUA, o fato de que todos os sat&eacute;lites de comunica&ccedil;&otilde;es atualmente operando no Brasil serem controlados por empresas estrangeiras, gera preocupa&ccedil;&atilde;o quanto ao risco &agrave; seguran&ccedil;a nacional. &Eacute; importante destacar que o risco n&atilde;o &eacute; exatamente a captura de informa&ccedil;&otilde;es sigilosas hoje trafegando nos sat&eacute;lites estrangeiros. A seguran&ccedil;a das comunica&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis do governo brasileiro est&aacute; garantida por criptografia avan&ccedil;ada nas informa&ccedil;&otilde;es veiculadas pelos sat&eacute;lites (ou seja, s&atilde;o "embaralhadas" atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o de c&oacute;digos somente conhecidos por quem transmite e por quem recebe). Cabe frisar que este tipo de criptografia &eacute; necess&aacute;rio para comunica&ccedil;&otilde;es seguras, por&eacute;m n&atilde;o suficiente em si mesmo. Deve-se considerar que existe possibilidade  de ataques a qualquer tipo de criptografia, por mais sofisticado que seja o algoritmo criptogr&aacute;fico utilizado, sendo imperioso procedimentos de seguran&ccedil;a bem definidos, tais como a correta cria&ccedil;&atilde;o, prote&ccedil;&atilde;o e troca peri&oacute;dica de chaves, entre outros. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, &eacute; praticamente imposs&iacute;vel impedir que, em caso de conflito, um pa&iacute;s ou uma empresa torne inoperante o sat&eacute;lite que controla. Assim, mesmo levando em conta que a esta&ccedil;&atilde;o de controle de qualquer sat&eacute;lite "brasileiro" est&aacute; em territ&oacute;rio nacional, existe um risco inerente no conhecimento, por estrangeiros, dos c&oacute;digos de controle desses sat&eacute;lites. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por si s&oacute; essa situa&ccedil;&atilde;o justificaria o controle de um sat&eacute;lite pelo Estado brasileiro, principalmente para as aplica&ccedil;&otilde;es de defesa. Mas existem v&aacute;rias outras motiva&ccedil;&otilde;es e justificativas. A primeira quest&atilde;o, b&aacute;sica - porque investir em um sat&eacute;lite? - &eacute; a mais f&aacute;cil de justificar. Com uma popula&ccedil;&atilde;o de 201 milh&otilde;es de pessoas em um territ&oacute;rio ocupando uma &aacute;rea de 8,5 milh&otilde;es Km<sup>2</sup>, com 15.700 km de fronteiras com dez pa&iacute;ses, 8.000 km de costa oce&acirc;nica e 4.450.000 Km<sup>2</sup> de plataforma continental mar&iacute;tima, n&atilde;o h&aacute; outro sistema de telecomunica&ccedil;&otilde;es capaz de prover conex&otilde;es r&aacute;pidas, confi&aacute;veis, fixas ou m&oacute;veis, de alta capacidade e custo independente de dist&acirc;ncia, em uma geografia t&atilde;o ampla.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra quest&atilde;o bastante relevante est&aacute; associada ao acesso &agrave; tecnologia espacial, t&oacute;pico em que o Brasil est&aacute; bastante atrasado  quando comparado a outras na&ccedil;&otilde;es em condi&ccedil;&otilde;es geo-s&oacute;ciopol&iacute;ticas semelhantes. Existem apenas cinco na&ccedil;&otilde;es em todo o mundo que possuem, ao mesmo tempo, popula&ccedil;&atilde;o superior a 100 milh&otilde;es de pessoas, economia (PIB) superior a 750 bilh&otilde;es de d&oacute;lares, e &aacute;rea territorial superior a tr&ecirc;s milh&otilde;es de Km<sup>2</sup>. S&atilde;o elas, Brasil, Estados Unidos, China, &Iacute;ndia e R&uacute;ssia. Desse grupo, o Brasil &eacute; o &uacute;nico que n&atilde;o possui sat&eacute;lite de comunica&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prio, n&atilde;o tem ve&iacute;culo lan&ccedil;ador de alta capacidade, nem tecnologia para projeto e produ&ccedil;&atilde;o de sat&eacute;lites geoestacion&aacute;rios de comunica&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta situa&ccedil;&atilde;o, no entanto, est&aacute; mudando: em agosto de 2013, a Visiona Tecnologia Espacial S.A comunicou a escolha da empresa europeia Thales Alenia Space para o fornecimento do Sat&eacute;lite Geoestacion&aacute;rio de Defesa e Comunica&ccedil;&otilde;es Estrat&eacute;gicas (SGDC) do governo brasileiro,  a ser lan&ccedil;ado em 2016 pela  Arianespace. A Visiona, uma joint-venture entre a Embraer (51%) e a Telebr&aacute;s (49%), ir&aacute; atuar como integradora do sistema e principal contratada para o fornecimento dos v&aacute;rios elementos do sistema de comunica&ccedil;&otilde;es via sat&eacute;lite pretendido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O SGDC ser&aacute; um sat&eacute;lite multimiss&atilde;o, com duas aplica&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas: defesa, empregando equipamentos na banda X (7 a 8 GHz), e suporte a comunica&ccedil;&otilde;es civis na banda Ka (20 a 30 GHz).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A miss&atilde;o de defesa na banda X engloba tr&ecirc;s cen&aacute;rios distintos, que requerem diferentes &aacute;reas de cobertura e capacidades: a) uma cobertura regional, abrangendo as Am&eacute;ricas do Sul e Central, o Caribe, costa leste norte-americana, costa oriental da &Aacute;frica e grande parte do Oceano Atl&acirc;ntico; b) cobertura nacional, sobre todo o territ&oacute;rio brasileiro e; c) cobertura gerada por um feixe m&oacute;vel, capaz de  gerar uma &aacute;rea de cobertura estreita (40 a 50.000 Km<sup>2</sup>), em qualquer ponto do globo terrestre vis&iacute;vel pelo sat&eacute;lite em sua posi&ccedil;&atilde;o orbital. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; o servi&ccedil;o de comunica&ccedil;&otilde;es de dados de alta capacidade na banda Ka dever&aacute; ser fornecido atrav&eacute;s de 40 a 60 &aacute;reas de  cobertura estreita (150 a 600 mil km<sup>2</sup>), distribu&iacute;das sobre o Brasil continental. Em cada uma dessas &aacute;reas, terminais de usu&aacute;rios, de pequeno porte e baixo custo, ser&atilde;o conectados a um n&uacute;mero limitado de esta&ccedil;&otilde;es de grande porte (6 a 10 esta&ccedil;&otilde;es), denominadas esta&ccedil;&otilde;es de coleta ou gateway. Cada gateway est&aacute; associado a um grupo diferente de 6 a 8 &aacute;reas de cobertura estreita, e s&atilde;o conectados por redes terrestres de alta capacidade &agrave; estrutura nacional de telecomunica&ccedil;&otilde;es. A capacidade total de transmiss&atilde;o de dados do sat&eacute;lite ser&aacute; de 50 a 60 Gbps (50 a 60 bilh&otilde;es de bits por segundo). A principal aplica&ccedil;&atilde;o do sistema na banda Ka &eacute; apoiar o Plano Nacional de Banda Larga do Brasil (PNBL) da Telebr&aacute;s, com o objetivo de fornecer servi&ccedil;os de banda larga &agrave; popula&ccedil;&atilde;o carente nas &aacute;reas rurais e suburbanas em todo o territ&oacute;rio brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O programa inclui ainda a implanta&ccedil;&atilde;o de esta&ccedil;&otilde;es de controle do sat&eacute;lite e do sistema de comunica&ccedil;&otilde;es, principal e reserva, situadas em Bras&iacute;lia e no Rio de Janeiro. A opera&ccedil;&atilde;o do sat&eacute;lite estar&aacute; a cargo da Telebras (parte civil) e do Minist&eacute;rio da Defesa (parte militar).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A um custo previsto hoje de R$1,5 bilh&atilde;o &eacute; natural que um programa dessa magnitude provoque discuss&otilde;es, ainda mais levando em considera&ccedil;&atilde;o a exist&ecirc;ncia de mais de 40 sat&eacute;lites de telecomunica&ccedil;&otilde;es autorizados a operar no territ&oacute;rio nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto todos esses sat&eacute;lites s&atilde;o hoje controlados por empresas estrangeiras, o que, do ponto de vista de seguran&ccedil;a nacional, apresenta um risco a ser considerado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um programa como o SGDC &eacute;, portanto, bem vindo, principalmente com os condicionantes espec&iacute;ficos previstos no contrato de fornecimento: i)est&iacute;mulo ao emprego de conte&uacute;do brasileiro em partes ou servi&ccedil;os; ii)programa de transfer&ecirc;ncia de tecnologia, a ser validado pela Ag&ecirc;ncia Espacial Brasileira (AEB).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa forma, bem conduzido, o programa pode ajudar o Brasil a avan&ccedil;ar nessa tecnologia, a qual possui um valor agregado imenso: as &aacute;reas associadas a atividades espaciais movimentam globalmente mais de US$300 bilh&otilde;es por ano. Pode-se, portanto, afirmar que o programa SGDC &eacute; importante para o pa&iacute;s, tanto do ponto de vista estrat&eacute;gico como social. No primeiro caso, envolvendo progressos nas &aacute;reas de defesa, seguran&ccedil;a, dom&iacute;nio de tecnologia de ponta. No segundo, viabilizando amplia&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios do PNBL, com maior integra&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, atrav&eacute;s do provimento de acesso de qualidade a informa&ccedil;&otilde;es e comunica&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O programa, no entanto, apresenta alguns riscos a serem mitigados. O principal vem a ser o uso da banda Ka, ainda insipiente no Brasil. O primeiro sat&eacute;lite a utilizar esta banda na Am&eacute;rica Latina &eacute; o Amazonas 3, lan&ccedil;ado apenas este ano com nove feixes Ka. Ou seja, como n&atilde;o h&aacute; dados experimentais significativos de propaga&ccedil;&atilde;o na banda Ka no Brasil, h&aacute; uma incerteza quanto &agrave; qualidade poss&iacute;vel nas transmiss&otilde;es do SGDC nessa faixa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo risco aos objetivos do programa refere-se &agrave; imperiosa necessidade de continuidade dos investimentos no desenvolvimento de tecnologia espacial no Brasil. A hist&oacute;ria recente de cortes e limita&ccedil;&otilde;es de recursos para o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) tem obrigado a AEB, respons&aacute;vel pela coordena&ccedil;&atilde;o do programa, a constantes reajustes e adapta&ccedil;&otilde;es que limitam os resultados alcan&ccedil;ados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Concluindo, o programa SGDC, com planos para lan&ccedil;amento de um segundo sat&eacute;lite em 2021 (cinco anos ap&oacute;s o primeiro lan&ccedil;amento), tem tudo para representar um significativo impulso qualitativo nas atividades espaciais no Brasil, estimulando a ind&uacute;stria espacial local a ocupar um lugar compat&iacute;vel com o potencial tecnol&oacute;gico e criativo    que o pa&iacute;s possui.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Waldo Russo &eacute; graduado e p&oacute;s-graduado em engenharia de telecomunica&ccedil;&otilde;es pela PUC-RJ, com mestrado no IME. &Eacute; consultor em sistemas de telecomunica&ccedil;&otilde;es pela Union Engenharia de Telem&aacute;tica, empresa associada ao Centro de Estudos em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Cetuc) da PUC-RJ. &Eacute; o atual presidente do cap&iacute;tulo da Communications Society do IEEE no RJ.</i></font></p>      ]]></body>
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