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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(br).jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v65n4/a04img01.jpg"></p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A vida de pesquisadores brasileiros fora do pa&iacute;s</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desejo de ampliar horizontes e trabalhar em laborat&oacute;rios de ponta em outro pa&iacute;s s&atilde;o alguns dos motivos que, em 2012, levaram 11,5 mil pesquisadores a deixarem o Brasil, rumo a universidades estrangeiras, segundo a Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes). O programa Ci&ecirc;ncia sem Fronteiras, por sua vez, enviou quase seis mil bolsistas para realizar estudos no exterior desde dezembro de 2011.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esfor&ccedil;o, organiza&ccedil;&atilde;o e flexibilidade s&atilde;o elementos indispens&aacute;veis para aqueles pesquisadores brasileiros que optaram por viver definitivamente ou passar longos per&iacute;odos no exterior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A economista Ionara Costa ilustra o que pode ser considerado uma trajet&oacute;ria bem-sucedida no exterior. Mestre e doutora em pol&iacute;tica cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ionara mora e trabalha na Europa desde 2004.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente, ela est&aacute; desenvolvendo uma pesquisa sobre o fluxo de conhecimento nas subsidi&aacute;rias de multinacionais latino-americanas, com financiamento do programa Marie Curie Fellow da Research Executive Agency, da Comiss&atilde;o Europeia. O estudo &eacute; feito no Centre of Research in Innovation Management (Centrim), ligado &agrave; Universidade de Brighton, na Inglaterra. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/a04img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ionara mora na fronteira entre B&eacute;lgica e Holanda desde 2004, quando foi contratada como pesquisadora pelo Instituto da Universidade das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de Pesquisa Econ&ocirc;mica e Social em Inova&ccedil;&atilde;o e Tecnologia (UNU-Merit), em Maastricht, na Holanda, onde trabalhou at&eacute; 2008. Na &eacute;poca, ela j&aacute; havia conclu&iacute;do o doutorado e estava tentando, sem sucesso, concursos em universidades p&uacute;blicas brasileiras, quando ficou sabendo da sele&ccedil;&atilde;o no UNU-Merit. "Eu me candidatei em mar&ccedil;o e no m&ecirc;s seguinte me chamaram para a sele&ccedil;&atilde;o", conta. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A bem sucedida trajet&oacute;ria de Ionara envolveu, no entanto, uma s&eacute;rie de desafios comuns a qualquer pesquisador brasileiro que decida viver no exterior: da barreira da l&iacute;ngua &agrave; competitividade do ambiente de trabalho, passando pela adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura de um pa&iacute;s entrangeiro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BARREIRA DA L&Iacute;NGUA</b> O dom&iacute;nio da l&iacute;ngua &eacute; um fator essencial para a integra&ccedil;&atilde;o e o bom desenvolvimento da pesquisa, opina Andr&eacute; Luiz Sica de Campos, que fez o doutorado no Science and Technology Policy Research (Spru), da Universidade de Sussex, Reino Unido, com bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq).  "Eu j&aacute; tinha um bom dom&iacute;nio do ingl&ecirc;s, mas a flu&ecirc;ncia s&oacute; vem com o passar dos anos", diz o economista, que atualmente &eacute; professor de economia e gest&atilde;o da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Aplicadas da Unicamp, em Limeira, S&atilde;o Paulo e Faculty Fellow da Brighton Business School, da Universidade de Brighton, Inglaterra.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Ionara, a dificuldade de se comunicar em ingl&ecirc;s gera um acanhamento entre os brasileiros no exterior. "No Brasil, somos pouco expostos ao ingl&ecirc;s, tudo &eacute; traduzido". Esse comportamento tende a nos colocar em desvantagem em ambientes acad&ecirc;micos altamente competitivos e intensamente internacionalizados. "Os indianos s&atilde;o muito agressivos e competitivos. J&aacute; os chineses n&atilde;o falam t&atilde;o bem o ingl&ecirc;s, mas acreditam que se expressam    bem e n&atilde;o s&atilde;o t&iacute;midos", relata    a pesquisadora. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BARREIRAS CULTURAIS</b> As diferen&ccedil;as culturais tamb&eacute;m pesam, pondera Katlin Brauer Massirer, que fez doutorado em gen&eacute;tica, biologia celular e molecular e bioinform&aacute;tica, na Universidade da Calif&oacute;rnia, em San Diego, Estados Unidos. "A estrutura &eacute; excelente em termos de orienta&ccedil;&atilde;o e apoio em quest&otilde;es pr&aacute;ticas, como conseguir uma carteira de motorista ou declarar imposto de renda. Mas no Brasil o ambiente &eacute; mais caloroso, a ajuda tamb&eacute;m &eacute; emocional", diz. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ritmo de trabalho costuma ser diferente do que os brasileiros est&atilde;o acostumados, o que pode gerar frustra&ccedil;&atilde;o. "&Eacute; tudo muito pr&aacute;tico. Os professores recebem bem, mas uma vez que voc&ecirc; entra num grupo, tem que se virar. N&atilde;o &eacute; como aqui, que tem algu&eacute;m que pega na sua m&atilde;o e mostra como fazer o experimento", conta Katlin. "A postura &eacute;: os materiais est&atilde;o aqui, os reagentes s&atilde;o esses. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Leia os artigos e fa&ccedil;a", continua a pesquisadora que retornou ao Brasil em janeiro de 2012. Em um ambiente com pesquisadores de v&aacute;rias partes do mundo querendo ser os melhores, a concorr&ecirc;ncia &eacute; intensa.  "Soma-se a isso a press&atilde;o, cada vez maior, para publicar artigos, sempre em revistas cient&iacute;ficas com alto grau de impacto", relembra Ionana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VANTAGENS</b> Os desafios e dificuldades s&atilde;o compensados pelos ineg&aacute;veis ganhos no campo profissional, propiciados por um ambiente altamente profissionalizado. Katlin conta que, no primeiro ano de doutorado, todos os alunos passam seis semanas em laborat&oacute;rios diferentes, com objetivo de conhecer a universidade. "&Eacute; um sistema menos engessado do que o do Brasil, onde o doutorando, em geral, tem de ingressar no programa com o tema de pesquisa j&aacute; definido". </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rede de relacionamento que se estabelece nesses centros de pesquisa tamb&eacute;m &eacute; decisiva para a carreira do pesquisador. Isso pode fazer a diferen&ccedil;a em situa&ccedil;&otilde;es delicadas como quando o per&iacute;odo da bolsa termina, mas o pesquisador precisa permanecer no exterior para concluir seu trabalho. Foi o que aconteceu com Andr&eacute; Campos: a bolsa terminou e ele negociou com o CNPq sua perman&ecirc;ncia no Reino Unido para finalizar a pesquisa. Mas teve que encontrar trabalho para se sustentar. "Consegui ingressar num projeto na Universidade de Londres e dividia a semana entre o doutorado e o trabalho", conta ele. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VOLTANDO PARA CASA</b> Para esses pesquisadores n&ocirc;mades a volta para casa pode significar um recome&ccedil;o em todos os sentidos. Foi o que ocorreu com Katlin que, em virtude da legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, n&atilde;o pode trazer consigo reagentes, animais transg&ecirc;nicos e vetores que desenvolveu durante os anos de pesquisa nos Estados Unidos. Arcando com os custos do transporte , ela trouxe s&oacute; uma pequena parte do que produziu fora do pa&iacute;s. Com eles ela est&aacute; produzindo, novamente, no Centro de Biologia Molecular e Engenharia Gen&eacute;tica (CBMEG), na Unicamp, onde trabalha atualmente, os materiais que necessita para    suas pesquisas. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Maria Marta Avancini</i></font></p>      ]]></body>
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