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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(br).jpg"></p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v65n4/a05img01.jpg"></p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O acelerador Sirius: governo investe em tecnologia de ponta</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Localizada na cidade de Campinas, est&aacute; a &uacute;nica fonte de luz s&iacute;ncrotron da Am&eacute;rica do Sul. O Laborat&oacute;rio Nacional de Luz S&iacute;ncrotron (LNLS) funciona como um laborat&oacute;rio multiusu&aacute;rio, de portas abertas &agrave; comunidade acad&ecirc;mica e empresarial do Brasil e do exterior. Ele opera sob a gest&atilde;o do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). H&aacute; alguns anos, o LNLS tem trabalhado no projeto de uma fonte de radia&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrotron de terceira gera&ccedil;&atilde;o, o Sirius. Ele ser&aacute; constru&iacute;do ao lado do LNLS. A previs&atilde;o de inaugura&ccedil;&atilde;o &eacute; para 2016. O novo acelerador s&iacute;ncrotron Sirius &eacute; apontado como um dos maiores projetos da ci&ecirc;ncia brasileira. Mas vale a pena investir nesse projeto em tempos de crise para laborat&oacute;rios fora do pa&iacute;s? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com a Estrat&eacute;gia Nacional de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (Encti), plano de a&ccedil;&atilde;o publicado pelo Minist&eacute;rio de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (MCTI), em 2011, "o n&uacute;mero de usu&aacute;rios de luz s&iacute;ncrotron nas fontes mantidas pelo DOE (Departament of Energy), dos Estados Unidos, cresceu 40%, no ESRF (European Syncrotron Radiation Facility), o aumento foi de 30% entre 2003 e 2008. No Brasil, esse aumento foi ainda maior: entre 1997, quando a fonte entrou em opera&ccedil;&atilde;o, e 2009, o n&uacute;mero de usu&aacute;rio saltou de 229 para 2320, algo em torno de 800%". A iniciativa de construir o Sirius, apoiada pelo MCTI, tem o intuito de fornecer &agrave; comunidade cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica uma ferramenta para manter a competitividade brasileira em &aacute;reas estrat&eacute;gicas, como nanotecnologia, biotecnologia e materiais avan&ccedil;ados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OUTROS ACELERADORES NO MUNDO</b> Existem cerca de 50 fontes de luz s&iacute;ncrotron no mundo, 16 delas j&aacute; s&atilde;o de terceira gera&ccedil;&atilde;o. Pa&iacute;ses como a &Iacute;ndia, China e R&uacute;ssia, economicamente importantes para o Brasil, e tamb&eacute;m o Ir&atilde;, possuem ou est&atilde;o investindo em aceleradores s&iacute;ncrotron com uma pot&ecirc;ncia maior que a do LNLS. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao mesmo tempo, alguns aceleradores est&atilde;o em crise. Em setembro de 2011, o laborat&oacute;rio norte-americano Fermilab encerrou as atividades com o acelerador Tevatron - o maior colisor pr&oacute;ton-antipr&oacute;ton do mundo - por conta de dificuldades para obter financiamento. Na &eacute;poca em que foi constru&iacute;do, o Tevatron teve um custo de US$ 120 milh&otilde;es (265 milh&otilde;es atualmente). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em alguns aceleradores de part&iacute;culas promovem-se colis&otilde;es para estudar o chuveiro de part&iacute;culas que delas resultam. Esse &eacute; o caso do LHC (sigla para Large Hadron Collider), o maior acelerador de part&iacute;culas do mundo, que fica no laborat&oacute;rio Cern, em Genebra, Su&iacute;&ccedil;a. Os aceleradores s&iacute;ncrotron s&atilde;o um tipo de acelerador de part&iacute;culas em que h&aacute; um campo magn&eacute;tico que orienta o feixe de part&iacute;culas dentro de um circuito fechado. Uma fonte de luz s&iacute;ncrotron &eacute; uma combina&ccedil;&atilde;o de diferentes tipos de aceleradores de el&eacute;trons, incluindo um anel de armazenamento no qual a radia&ccedil;&atilde;o eletromagn&eacute;tica &eacute; gerada. A radia&ccedil;&atilde;o &eacute; ent&atilde;o usada em v&aacute;rias esta&ccedil;&otilde;es experimentais localizadas em diferentes linhas de luz. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LNLS <i>VERSUS</i> SIRIUS</b> Mas em que o Sirius difere do LNLS? Basicamente, a energia do feixe de el&eacute;trons do Sirius ser&aacute; maior, compar&aacute;vel a outros grandes aceleradores s&iacute;ncrotron no mundo. Enquanto o LNLS tem uma energia de feixe de 1.37 GeV, baixo brilho e um anel cujo di&acirc;metro &eacute; de 93.2 m, o Sirius ter&aacute; tr&ecirc;s GeV, com alto brilho e um di&acirc;metro de 518.2 m. E o que isso significa na pr&aacute;tica para os pesquisadores brasileiros? Para o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Lucas Bleicher, que est&aacute;, atualmente, desenvolvendo seu trabalho em cristalografia de prote&iacute;nas, fora do pa&iacute;s, o Sirius vai diminuir a necessidade de fazer medidas no exterior. Bleicher teve que recorrer a outros aceleradores, como o de Brookhaven, nos Estados Unidos, porque o LNLS n&atilde;o tinha resolu&ccedil;&atilde;o suficiente para seu estudo sobre a estrutura de prote&iacute;nas grandes. "Pelo menos no caso da cristalografia de prote&iacute;nas (que tem duas linhas dedicadas no LNLS) isso n&atilde;o s&oacute; deve acontecer, mas deve garantir que o tempo de feixe dispon&iacute;vel seja suficiente para atender aos pesquisadores brasileiros. Quanto mais intenso &eacute; o feixe, menor &eacute; o tempo necess&aacute;rio para coletar os dados e assim a linha de luz pode atender mais gente".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/a05img02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A REALIDADE BRASILEIRA</b> Na pr&aacute;tica, conhecer a estrutura de prote&iacute;nas &eacute; importante por que elas s&atilde;o muito usadas no desenvolvimento de novas drogas, e segundo Bleicher, boa parte das prote&iacute;nas que se ligam &agrave;s drogas s&atilde;o prote&iacute;nas de membrana, que ao inv&eacute;s de ficarem livres na c&eacute;lula, se "enterram" na membrana celular. Isso torna a produ&ccedil;&atilde;o de cristais muito mais dif&iacute;cil. "Como cristais de grandes complexos e de prote&iacute;nas de membrana comumente s&atilde;o menores e menos est&aacute;veis, dificilmente poderiam ser usados para determina&ccedil;&atilde;o de estrutura na atual configura&ccedil;&atilde;o da nossa fonte de luz s&iacute;ncrotron", diz ele. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na &aacute;rea de biologia estrutural, essas fontes de luz t&ecirc;m muitas perguntas a responder: como as c&eacute;lulas s&atilde;o capazes de fazer tarefas complicadas que envolvem a a&ccedil;&atilde;o orquestrada de v&aacute;rias prote&iacute;nas e sua intera&ccedil;&atilde;o com o DNA ou o RNA, como prote&iacute;nas na membrana da c&eacute;lula s&atilde;o capazes de reconhecer sinais do exterior e transmiti-los para dentro da c&eacute;lula?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Lucas Bleicher, h&aacute; muitas vantagens no investimento em tecnologia de ponta para os aceleradores. Ele destaca o  car&aacute;ter "democr&aacute;tico" dos laborat&oacute;rios multiusu&aacute;rios como o LNLS e o Sirius: "Quase todo jovem cientista brasileiro encontra o dilema de que tipo de pesquisa vai fazer, porque nem tudo &eacute; fact&iacute;vel levando em conta a realidade econ&ocirc;mica brasileira. Muitos passam longos per&iacute;odos no exterior, onde a realidade or&ccedil;ament&aacute;ria &eacute; completamente diferente. Com os laborat&oacute;rios multiusu&aacute;rios, cientistas que hoje est&atilde;o em universidades com menos recursos podem fazer boa ci&ecirc;ncia utilizando equipamentos mantidos especialmente para atender pesquisadores visitantes", finaliza.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Vict&oacute;ria Fl&oacute;rio</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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