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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(mun).jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><img src="/img/revistas/cic/v65n4/a07img01.jpg"></p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Processos abertos  na pr&aacute;tica cient&iacute;fica </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais do que compartilhar. Ter acesso livre, aberto e, portanto p&uacute;blico e participa&ccedil;&atilde;o colaborativa aberta. Essa &eacute; a base do movimento Open Science ou Ci&ecirc;ncia Aberta, um modo de fazer pesquisa que vem ganhando adeptos em v&aacute;rias partes do mundo, inclusive no Brasil. O movimento, que surgiu oficialmente em 2009, defende que as pessoas devem ser livres para usar, reutilizar e distribuir o conhecimento cient&iacute;fico, sem restri&ccedil;&otilde;es legais, tecnol&oacute;gicas ou social. Ele incorpora no&ccedil;&otilde;es do Open Source, que come&ccedil;ou no fim do s&eacute;culo XX e que lida com a abertura dos c&oacute;digos dos programas de computador, e do Open Access, que visa o livre acesso a publica&ccedil;&otilde;es e a constru&ccedil;&atilde;o colaborativa do conhecimento. Como um grupo de trabalho, o Open Science promove eventos e coordena discuss&otilde;es em todo mundo sobre a ci&ecirc;ncia aberta e ainda desenvolve ferramentas para cientistas e editores para ajud&aacute;-los a compartilhar dados. Ele &eacute; uma das linhas de atua&ccedil;&atilde;o da Open Knowledge Foundation, institui&ccedil;&atilde;o criada em 2004, no Reino Unido e que promove o conhecimento aberto na era digital. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A ci&ecirc;ncia se faz colaborativamente. Mas, para que a colabora&ccedil;&atilde;o possa de fato ocorrer, a condi&ccedil;&atilde;o essencial &eacute; que a informa&ccedil;&atilde;o flua livremente. Para o conhecimento poder evoluir ele precisa circular. O pesquisador deve ter o mais amplo acesso aos trabalhos de outros pesquisadores para, assim, gerar avan&ccedil;os para todos. &Eacute; o conhecimento que gera mais conhecimento, que pode resultar em inova&ccedil;&atilde;o", analisa Beatriz Cintra Martins, pesquisadora do grupo de pesquisa Novas Tecnologias, Cultura e Pr&aacute;ticas Interativas e Inova&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de, na Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz (Fiocruz).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>COLABORA&Ccedil;&Otilde;ES</b> Beatriz acrescenta que a ideia do compartilhamento &eacute; ampliada no Open Science. "S&atilde;o iniciativas de pesquisa colaborativa, nas quais as diversas etapas v&atilde;o sendo divulgadas, sem a preocupa&ccedil;&atilde;o com o registro de patentes ou com a pr&eacute;via publica&ccedil;&atilde;o de artigos, o que &eacute; padr&atilde;o na pesquisa tradicional", aponta a pesquisadora. Um exemplo &eacute; o cons&oacute;rcio Open Source Drug Discovery (OSDD), lan&ccedil;ado em 2008, com financiamento do governo indiano. "Baseada nos princ&iacute;pios 'colaborar, descobrir e compartilhar', a iniciativa tem como objetivo produzir medicamentos acess&iacute;veis &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses em desenvolvimento". Pelos dados do site, s&atilde;o mais de 7,5 mil participantes de 130 pa&iacute;ses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Para Alexandre Hannud Abdo, cientista molecular e pesquisador da Faculdade de Medicina da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), uma Ci&ecirc;ncia Aberta &eacute; a ess&ecirc;ncia da pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia. "Se considerarmos os valores filos&oacute;ficos e bases epistemol&oacute;gicas, podemos afirmar que, se n&atilde;o &eacute; aberto, n&atilde;o &eacute; ci&ecirc;ncia". Ele ressalta que essa abertura tem rela&ccedil;&atilde;o direta com as tecnologias dispon&iacute;veis e conclui que o movimento Ci&ecirc;ncia Aberta pode ser entendido como um processo de atualiza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas frente a essas novas tecnologias. No caso, a internet. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aliada a essa incorpora&ccedil;&atilde;o, o movimento tamb&eacute;m &eacute; uma rea&ccedil;&atilde;o &agrave;s restri&ccedil;&otilde;es impostas quanto &agrave; pr&aacute;tica e aplica&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico, que na opini&atilde;o de Abdo, servem para garantir interesses particulares. "H&aacute; grupos da sociedade civil cobrando que o produto de investimentos p&uacute;blicos em ci&ecirc;ncia seja disponibilizado em dom&iacute;nio p&uacute;blico. Essa press&atilde;o &eacute; fundamental. N&atilde;o faz sentido ter um movimento de Ci&ecirc;ncia Aberta que n&atilde;o inclua cidad&atilde;os interessados na ci&ecirc;ncia. E esse comprometimento p&uacute;blico &eacute; parte da motiva&ccedil;&atilde;o dos cientistas profissionais que participam do movimento", avalia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Abdo participa do grupo de trabalho em Ci&ecirc;ncia Aberta, criado com o objetivo promover discuss&otilde;es para um maior entendimento e difundir pr&aacute;ticas de processos abertos na ci&ecirc;ncia. O grupo de trabalho, que conta com o apoio da Rede pelo Conhecimento Livre (OKFn Brasil), vers&atilde;o nacional da Open Knowledge Foundation, foi criado oficialmente durante o Encontro de Acad&ecirc;micos pelo Conhecimento Livre, evento realizado nos dias 7 e 8 de junho, em S&atilde;o Paulo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m do acesso a publica&ccedil;&otilde;es e dados cient&iacute;ficos, outras propostas de trabalho do grupo s&atilde;o ferramentas cient&iacute;ficas abertas (como softwares, hardwares, insumos e metodologias) e recursos educacionais abertos, al&eacute;m de ci&ecirc;ncia cidad&atilde; e wikipesquisas (que prev&ecirc; o compartilhamento e colabora&ccedil;&atilde;o aberta). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REDES</b> Na avalia&ccedil;&atilde;o de Beatriz, a constru&ccedil;&atilde;o colaborativa apresenta caracter&iacute;sticas importantes, como o enriquecimento da pesquisa e possibilidade de alcan&ccedil;ar resultados de forma mais r&aacute;pida. Isso porque a colabora&ccedil;&atilde;o de diversas pessoas alia diferentes habilidades e conhecimentos. "Podemos falar aqui na forma&ccedil;&atilde;o de redes cognitivas que t&ecirc;m muito mais potencial produtivo e criativo do que pessoas ou equipes isoladas", afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A pesquisadora desenvolveu um trabalho intitulado Meta Autoria Wiki, como parte de sua pesquisa de doutorado, na Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes (ECA), da USP (2012). "Minha ideia era observar na pr&aacute;tica como se d&aacute; um processo de autoria colaborativa em um ambiente em que eu tivesse o controle sobre a proposta", explica. Ela convidou as pessoas a participarem, a partir de um texto inicial que tratava de transforma&ccedil;&otilde;es na autoria no meio digital. "O resultado foi muito rico, pois os participantes ampliaram bastante aquilo que eu tinha proposto inicialmente".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ESPA&Ccedil;OS</b> J&aacute; existem dispon&iacute;veis na rede diversas formas de colabora&ccedil;&atilde;o e espa&ccedil;os pelo conhecimento livre. Apenas para citar alguns, o ResearchGate &eacute; uma rede social exclusiva para pesquisadores, criada em 2008, na qual os participantes trocam informa&ccedil;&otilde;es, d&atilde;o dicas, opinam e tiram d&uacute;vidas, al&eacute;m de disponibilizar textos resultantes de sua produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, como artigos, teses, livros. O arXiv, em funcionamento desde 1991, consiste em um arquivo <i>on line</i> de <i>preprints</i> publicados sem a revis&atilde;o por pares - e o Peerage of Science (PoS), que permite a submiss&atilde;o de artigos a um sistema de avalia&ccedil;&atilde;o por pares alternativo ao convencional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AVAN&Ccedil;OS</b> Em uma r&aacute;pida avalia&ccedil;&atilde;o sobre o desenvolvimento de a&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas de Ci&ecirc;ncia Aberta, Alexandre Abdo aponta que o Brasil est&aacute; em uma situa&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ada em rela&ccedil;&atilde;o a acesso aberto e cita como exemplo a SciELO, biblioteca <i>on line</i>, que neste ano completa 15 anos. Tamb&eacute;m destaca o crescente interesse de institui&ccedil;&otilde;es para a implanta&ccedil;&atilde;o de reposit&oacute;rios institucionais, bem como avan&ccedil;os no que se refere aos centros de software livre em universidades. "Mas, ao mesmo tempo, estamos longe de entender que, quando o c&oacute;digo n&atilde;o est&aacute; dispon&iacute;vel para auditoria e desenvolvimento por outros cientistas, ele &eacute; ineficiente e n&atilde;o cumpre os fundamentos epistemol&oacute;gicos do conhecimento cient&iacute;fico que a sociedade espera". Nesse sentido, os principais desafios do movimento pela Ci&ecirc;ncia Aberta s&atilde;o, de acordo ele, operar mudan&ccedil;as na cultura da comunidade cient&iacute;fica, aumentar e fortalecer esfor&ccedil;os para investiga&ccedil;&atilde;o de processos abertos na ci&ecirc;ncia. "Ainda tem gente influente no meio cient&iacute;fico que v&ecirc; o p&uacute;blico como audi&ecirc;ncia e o cientista como portador do conhecimento". Questionando esse posicionamento, Alexandre Abdo lembra que boa parte do conhecimento est&aacute; dispon&iacute;vel, por exemplo, na Wikipedia e <i>PLoS One</i>, uma revista cient&iacute;fica de acesso aberto. "Cabe &agrave; sociedade, a cada cidad&atilde;o, decidir se quer ser passivo ou n&atilde;o perante a ci&ecirc;ncia". </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>V&eacute;ronique Hourcade</i></font></p>      ]]></body>
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