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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(ea).jpg"></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>APRESENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Emerg&ecirc;ncia, um novo paradigma indispens&aacute;vel para as ci&ecirc;ncias e a filosofia?</b></font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>R&eacute;my Lestienne</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>&Eacute;</b> bem conhecida a afirma&ccedil;&atilde;o do f&iacute;sico Marqu&ecirc;s de Laplace (1749-1827):</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para um ser suficientemente inteligente conhecer, num determinado momento, todas as for&ccedil;as que se exercem na natureza e todas as posi&ccedil;&otilde;es e velocidades relativas das part&iacute;culas que comp&otilde;em o Universo, &#91;...&#93; nada seria incerto e o futuro, bem como o passado, estaria presente a seus olhos (1). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na ci&ecirc;ncia de Laplace n&atilde;o h&aacute; lugar para novidades. Tudo est&aacute; escrito, e o futuro se desenvolve de uma maneira implac&aacute;vel, mesmo se n&atilde;o soubermos, na pr&aacute;tica, como predizer o que vai acontecer!</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, em todas as &eacute;pocas houve fil&oacute;sofos e cientistas descontentes com essa concep&ccedil;&atilde;o. Eles acreditavam na possibilidade de reais novidades acontecerem. Mas como caracterizar os surgimentos dessas novidades, aparecendo <i>ex abrupto</i> de um modo totalmente natural, ou pela cria&ccedil;&atilde;o humana? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No artigo que abre este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico da revista <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>, a hist&oacute;ria do conceito de emerg&ecirc;ncia nas ci&ecirc;ncias &eacute; contada de maneira rigorosa por Osvaldo Pessoa, juntamente com a apresenta&ccedil;&atilde;o das variantes da teoria. Ele conclui dizendo que a variante "emerg&ecirc;ncia fraca" ainda &eacute; compat&iacute;vel com o ideal do reducionismo, em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave;s variantes "fortes", para as quais as propriedades novas s&atilde;o respons&aacute;veis por a&ccedil;&otilde;es descendentes da totalidade sobre os elementos de n&iacute;vel inferior, de modo que os dom&iacute;nios de aplica&ccedil;&otilde;es do reducionismo e da emerg&ecirc;ncia devem ser claramente delimitados. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; a afirma&ccedil;&atilde;o de Laplace confronta a antiga m&aacute;xima de Arist&oacute;teles, segundo a qual "a totalidade &eacute; mais do que a soma das suas partes", que hoje ainda faz parte da bandeira dos cientistas e fil&oacute;sofos emergentistas. Mas a intui&ccedil;&atilde;o antiga necessitava de uma reflex&atilde;o met&oacute;dica e racional. Esse quadro foi estabelecido por George Henry Lewes e Conwy Lloyd Morgan, na filosofia e nas ci&ecirc;ncias da vida respectivamente, entre outros pensadores. Eles salientaram dois pontos relacionados &agrave; emerg&ecirc;ncia: 1) a natureza se caracteriza por constru&ccedil;&otilde;es em n&iacute;veis sucessivos diferenciados, de complexidade crescente; 2) em muitos desses n&iacute;veis aparecem estruturas e propriedades novas, chamadas de propriedades emergentes, que n&atilde;o podem ser antecipadas pela considera&ccedil;&atilde;o dos elementos presentes no n&iacute;vel inferior e suas intera&ccedil;&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na primeira metade do s&eacute;culo XX, eram os bi&oacute;logos quem mais defendiam a possibilidade de novidades genu&iacute;nas, levando em considera&ccedil;&atilde;o a estrutura em patamares da biologia, da c&eacute;lula at&eacute; o ser vivo, e a apari&ccedil;&atilde;o de novidades em todos os patamares sucessivos. No final do seu livro <i>Evolu&ccedil;&atilde;o emergente</i>, Morgan enunciou a sua cren&ccedil;a:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eu acredito em um mundo f&iacute;sico que est&aacute; na base da pir&acirc;mide da evolu&ccedil;&atilde;o e que est&aacute; envolvido em todos os n&iacute;veis superiores; eu acredito que em todos os n&iacute;veis da pir&acirc;mide h&aacute; atributos correlacionados a estes n&iacute;veis e que existe um processo de evolu&ccedil;&atilde;o psicof&iacute;sico emergente; e eu acredito que este processo &eacute; a manifesta&ccedil;&atilde;o de uma atividade espa&ccedil;o-temporal imanente que &eacute; a fonte &uacute;ltima desses fen&ocirc;menos que s&atilde;o interpretados pelo naturalismo evolucion&aacute;rio (2, p. 309). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, a f&iacute;sica, do seu lado, continuava a procurar completar o programa reducionista elaborado por Descartes, Newton e Laplace. F&iacute;sicos tendiam a se manter afastados da corrente emergentista, tanto mais que, a partir da metade do s&eacute;culo XX, o desenvolvimento da biologia molecular bem como a influ&ecirc;ncia do behaviorismo levaram os pr&oacute;prios bi&oacute;logos a se influenciarem pelo ideal reducionista. Mas, por uma ironia cuja hist&oacute;ria &eacute; costumeira, na mesma &eacute;poca, a ideia de emerg&ecirc;ncia come&ccedil;ou a tomar vigor num ramo da f&iacute;sica: a f&iacute;sica da mat&eacute;ria condensada, como mostra Eduardo Miranda neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, que explica o desenvolvimento de uma f&iacute;sica da emerg&ecirc;ncia sob a quest&atilde;o das simetrias quebradas na f&iacute;sica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rapidamente, esses f&iacute;sicos se espantaram pelo fato de que as constantes f&iacute;sicas fundamentais, tal como a carga do el&eacute;tron ou a constante de Planck, eram medidas com uma precis&atilde;o muito maior considerando um peda&ccedil;o bastante grande de mat&eacute;ria, do que considerando part&iacute;culas elementares isoladas. Com o uso de efeitos a temperaturas baix&iacute;ssimas, tais como o efeito Josephson sobre as ondas emitidas por um sandu&iacute;che de supercondutores num campo magn&eacute;tico, descoberto em 1962, ou o efeito Hall qu&acirc;ntico (a diferen&ccedil;a de potencial que aparece num fio supercondutor quando a corrente atravessa um campo magn&eacute;tico), descoberto e estudado por Klaus von Klitzing nos anos 1980, a precis&atilde;o relativa sobre a carga do el&eacute;tron subiu at&eacute; 10<sup>-9</sup>, muito melhor que a medida cl&aacute;ssica de Millikan sobre o equil&iacute;brio de uma  gotinha de &oacute;leo entre as bandejas de um condensador el&eacute;trico. Para o ganhador do Pr&ecirc;mio Nobel Robert Laughlin (1998), o paradigma da emerg&ecirc;ncia abre um reverso da nossa vis&atilde;o do mundo: as propriedades mais fundamentais (a carga do el&eacute;tron por exemplo, ou as leis da natureza em geral) doravante n&atilde;o seriam preexistentes em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo, mas, ao contr&aacute;rio, dependeriam da organiza&ccedil;&atilde;o da totalidade, ou, para dizer as coisas de outro modo, elas emergem do mundo, e n&atilde;o o inverso. E, num livro seu, ele conta, a esse prop&oacute;sito, uma conversa que teve com o seu sogro. "Eu disse a ele que as leis da natureza que s&atilde;o importantes para n&oacute;s emergem por um processo de auto-organiza&ccedil;&atilde;o, de modo que para as entender e explorar n&atilde;o &eacute;, na verdade, necess&aacute;rio considerar os constituintes elementares". O sogro n&atilde;o estava convencido. Por fim, Laughlin lhe perguntou: "Ser&aacute; que os parlamentos fazem as leis, ou as leis que fazem os parlamentos?" (3).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje, os cientistas bi&oacute;logos est&atilde;o liberados da vis&atilde;o mecanicista e reducionista dos primeiros passos da biologia molecular, e est&atilde;o curados do aforismo "um gene, uma fun&ccedil;&atilde;o", ap&oacute;s a investiga&ccedil;&atilde;o da complexidade das redes de regula&ccedil;&atilde;o da transcri&ccedil;&atilde;o e da tradu&ccedil;&atilde;o dos genes. Eles hoje veem a biologia da filog&ecirc;nese, assim como da ontog&ecirc;nese, como um problema de alta complexidade, melhor estudado pelo paradigma da emerg&ecirc;ncia do que pelo reducionismo molecular. Isso &eacute;, de fato, o assunto do artigo de Michael Crawford, que segue compondo este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existe uma outra abordagem dos problemas complexos. Para entender, ao menos em parte, como propriedades novas aparecem nos sistemas complexos, &eacute; poss&iacute;vel utilizar as ferramentas da simula&ccedil;&atilde;o computacional. Elas permitem investigar, &agrave; vontade, as condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas de aparecimento de estruturas e propriedades emergentes. De fato, a simula&ccedil;&atilde;o computacional &eacute; um ramo muito importante dessa nova ci&ecirc;ncia. Mas h&aacute; uma pergunta fundamental: os processadores dos computadores s&atilde;o inteiramente deterministas. Como eles podem produzir propriedades novas, insuspeitas, em sistemas complexos? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tem-se duas respostas parciais a esta quest&atilde;o: a primeira, que Nuno David e Jaime Sichman detalham no artigo seguinte, afirma que devemos reconhecer que na pesquisa computacional h&aacute; um interc&acirc;mbio cont&iacute;nuo entre a m&aacute;quina e o pesquisador: o modelo que este aplica se modifica &agrave; medida que a simula&ccedil;&atilde;o se desenvolve. Ao final, uma simula&ccedil;&atilde;o computacional nunca &eacute; completamente mec&acirc;nica. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda reposta &eacute; proposta por Mark Bedau que, na sua entrevista, aborda tamb&eacute;m o problema da simula&ccedil;&atilde;o computacional, a qual &eacute; muito utilizada por ele em suas pesquisas. Bedau afirma que a simula&ccedil;&atilde;o computacional sempre leva a propriedades emergentes do tipo fraco, compat&iacute;vel com o reducionismo, e que ele suspeita que todas as propriedades emergentes manifestadas pela vida s&atilde;o desse tipo (o que, afirma, n&atilde;o quer dizer que essas propriedades n&atilde;o sejam novidades ontol&oacute;gicas). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um primeiro exemplo t&iacute;pico de aplica&ccedil;&atilde;o da ideia de emerg&ecirc;ncia &eacute; a passagem da mat&eacute;ria inerte para a vida. Essa passagem necessitou muito tempo e a intera&ccedil;&atilde;o dos sistemas em quest&atilde;o com o meio ambiente, duas caracter&iacute;sticas usuais da emerg&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje, cientistas tentam reproduzir c&eacute;lulas vivas, objetivo deste novo ramo da biologia chamado "biologia de s&iacute;ntese". O mais conhecido deles &eacute; talvez Craig Venter, j&aacute; famoso pelo papel que desempenhou, nos Estados Unidos, no sequenciamento do genoma humano. Sintetizando o DNA completo de uma bact&eacute;ria a partir da sequ&ecirc;ncia registrada em um computador (com a ajuda de uma levedura), ele conseguiu reimplantar esse DNA de s&iacute;ntese em outra bact&eacute;ria, deslocando o genoma, e fazendo viver e se reproduzir a c&eacute;lula com o genoma sint&eacute;tico. Em sua entrevista, Mark Bedau salienta que esse passo ainda n&atilde;o equivale &agrave; cria&ccedil;&atilde;o, a partir de todas as pe&ccedil;as, de uma vida artificial, mas acredita que esta meta poder&aacute; ser atingida em um futuro relativamente pr&oacute;ximo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um segundo exemplo importante de emerg&ecirc;ncia nas ci&ecirc;ncias da vida se refere ao surgimento de consci&ecirc;ncia nos humanos e, provavelmente, nos primatas superiores (dependendo da defini&ccedil;&atilde;o precisa desse conceito). Isso &eacute; particularmente importante do ponto de visto filos&oacute;fico, porque a rela&ccedil;&atilde;o mente-c&eacute;rebro &eacute; claramente ligada ao livre-arb&iacute;trio. Tentei tratar desta quest&atilde;o no &uacute;ltimo artigo deste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, seguindo o percurso do ganhador do Pr&ecirc;mio Nobel Roger Sperry (1981). Este percurso &eacute; particularmente interessante porque Roger Sperry foi treinado como neurofisiologista no esp&iacute;rito do behaviorismo, isto &eacute;, na ideia que o c&eacute;rebro seria um sistema t&atilde;o complicado que n&atilde;o seria poss&iacute;vel tratar cientificamente "fun&ccedil;&otilde;es" como a consci&ecirc;ncia. Por&eacute;m, ap&oacute;s alguns anos de pesquisa, Sperry passou a admitir que a consci&ecirc;ncia exerce um poder organizador, uma causalidade do tipo "top-down", sobre os processos neurofisiol&oacute;gicos, as descargas neuronais, propondo, assim, esse exemplo como um caso paradigm&aacute;tico de emerg&ecirc;ncia forte. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse ponto foi seriamente criticado por alguns cientistas e fil&oacute;sofos, destacando-se o fil&oacute;sofo Jaegwon Kim. Por&eacute;m, acredito que a cr&iacute;tica pode ser contornada. Primeiro, tem-se a possibilidade de alargar a no&ccedil;&atilde;o de causa, para que ela inclua n&atilde;o apenas a causa eficiente, mas tamb&eacute;m outras formas de causa, como o faz o cientista brasileiro Charbel El-Hani (4; 5).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Minha proposta, por&eacute;m, &eacute; diferente. No meu livro <i>Dialogues sur l'&eacute;mergence</i> (6), proponho refletir sobre o estatuto da no&ccedil;&atilde;o de tempo &agrave; luz da nova ci&ecirc;ncia do emergentismo (uma proposta j&aacute; considerada por Ilya Prigogine). Considerando a complexidade e a estrutura em patamares do tempo, que n&atilde;o afeta da mesma maneira todos os sistemas, da part&iacute;cula elementar at&eacute; o Universo e da bact&eacute;ria at&eacute; a mente humana, parece poss&iacute;vel, talvez, reinterpretar, e melhor compreender, a m&aacute;xima de Bergson, "O tempo &eacute; inven&ccedil;&atilde;o ou &eacute; nada".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>R&eacute;my Lestienne</b> &eacute; diretor honor&aacute;rio de pesquisa no Centro Nacional de Pesquisa Cient&iacute;fica da Fran&ccedil;a (CNRS). Ele &eacute; autor de v&aacute;rios artigos e livros sobre o tema da emerg&ecirc;ncia, sendo o mais recente, </i>Dialogues sur l'&eacute;mergence<i>. Editora Le Pommier, 2012. Email: </i><a href="mailto:remy.lestienne@bbox.fr">remy.lestienne@bbox.fr</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Laplace, P.S.(1814) <i>Essai philosophique sur les probabilit&eacute;s</i>, Paris.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Morgan, C.L. (1923) <i>Emergent evolution</i>, Londres: Williams &amp; Norgate.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Laughlin, R. <i>Um Universo diferente</i>, Lisboa: Ed. Gradiva.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. El-Hani, C. N. &amp; Vieira, F. S. (2008). Emergence and downward determination in the natural sciences, <i>cybernetics and human knowing</i>,    15(3-4),101-13.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Cahoone, L. (2012) <i>The orders of nature</i>, New York: Suny Press.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Lestienne, R. (2012). <i>Dialogues sur l'&eacute;mergence. </i>Paris: Ed. Le Pommier. <i>Di&aacute;logos sobre a emerg&ecirc;ncia</i>, em prepara&ccedil;&atilde;o, S&atilde;o Paulo: Ed. Unesp.    </font></p>      ]]></body><back>
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