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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(ea).jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Emerg&ecirc;ncia e redu&ccedil;&atilde;o:  uma introdu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica  e filos&oacute;fica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Osvaldo Pessoa Jr</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Q</b>uando se diz que a vida "emergiu" na Terra, n&atilde;o se est&aacute; dizendo que algo pr&eacute;-existente deu as caras, como um golfinho que emerge na superf&iacute;cie da &aacute;gua. O conceito de emerg&ecirc;ncia est&aacute; associado &agrave; ideia de <i>novidade</i>. Por&eacute;m, no est&aacute;gio avan&ccedil;ado em que a ci&ecirc;ncia se encontra, grandes &aacute;reas do conhecimento foram unificadas por leis f&iacute;sicas, qu&iacute;micas e biol&oacute;gicas, que envolvem entidades que se conservam, como os &aacute;tomos, mas que se rearranjam de diferentes formas para gerar toda a variedade do mundo natural. At&eacute; que ponto pode dar certo o projeto de "reduzir" os fen&ocirc;menos naturais, como a vida, a um conjunto de mol&eacute;culas que se organizam de diferentes formas com o passar do tempo? At&eacute; que ponto a novidade na natureza ou a criatividade humana podem ser explicadas? Em que medida &eacute; preciso postular uma "emerg&ecirc;ncia" de entidades e de propriedades para sanar as limita&ccedil;&otilde;es do reducionismo? Neste caso, como seria esta teoria da emerg&ecirc;ncia, nos diferentes campos das ci&ecirc;ncias naturais, humanas e formais? Estas s&atilde;o perguntas para as quais n&atilde;o se tem respostas consensuais. Neste artigo, e nos demais que comp&otilde;em este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, diferentes abordagens ser&atilde;o dadas a essas quest&otilde;es. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em poucas palavras, o conceito de <i>emerg&ecirc;ncia</i> refere-se a um estado de coisas no qual as propriedades de um certo dom&iacute;nio <i>n&atilde;o se reduzem</i> completamente &agrave;s propriedades de outro dom&iacute;nio (seriam "aut&ocirc;nomos"), apesar de serem, em algum sentido, <i>produzidos</i> por este outro dom&iacute;nio (ou serem "dependentes" deste). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta caracteriza&ccedil;&atilde;o deixa clara uma certa tens&atilde;o ou ambiguidade do conceito, uma "produ&ccedil;&atilde;o sem redu&ccedil;&atilde;o", uma "depend&ecirc;ncia com autonomia", que constitui a for&ccedil;a e a fraqueza do conceito de emerg&ecirc;ncia. A for&ccedil;a surge do fato de que estamos estendendo nossa linguagem e nossa teoria para os limites de nosso conhecimento, regi&atilde;o em que nossas intui&ccedil;&otilde;es e expectativas l&oacute;gicas &agrave;s vezes nos enganam, de maneira que talvez esse conceito amb&iacute;guo seja nossa melhor aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; verdade. Mas a fraqueza surge justamente das tens&otilde;es l&oacute;gicas inerentes ao conceito, que ficam evidentes quando se abandona o uso pragm&aacute;tico desse conceito e se busca analis&aacute;-lo de maneira mais rigorosa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EMERG&Ecirc;NCIA NO EMPIRISMO BRIT&Acirc;NICO </b>O conceito de emerg&ecirc;ncia surgiu no contexto da filosofia empirista brit&acirc;nica do s&eacute;culo XIX. Ao tratar da "composi&ccedil;&atilde;o das causas", John Stuart Mill (1) forneceu o seguinte exemplo, que modificamos um pouco. Imaginemos uma solit&aacute;ria bola de bilhar em cima de uma mesa, e duas pessoas que ir&atilde;o dar uma tacada em diferentes dire&ccedil;&otilde;es. Se apenas um jogador der a tacada, dir&iacute;amos que uma causa individual (o impulso) gera um efeito espec&iacute;fico (a velocidade da bola na correspondente dire&ccedil;&atilde;o). O que aconteceria se ambas as pessoas dessem sua tacada ao mesmo tempo? Ora, pelo princ&iacute;pio de composi&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as, o efeito final seria a soma vetorial dos efeitos individuais. Em termos atuais, dir&iacute;amos que, nesse caso, a soma das causas &eacute; <i>linear</i>. Mill chamou esse tipo de composi&ccedil;&atilde;o de causas de "homop&aacute;tico", distinguindo-o do "heterop&aacute;tico", que incluiria os casos de soma <i>n&atilde;o linear</i> de causas, como aqueles que tipicamente acontecem na qu&iacute;mica. Por exemplo, misturam-se dois l&iacute;quidos transparentes, como uma solu&ccedil;&atilde;o de hidr&oacute;xido de s&oacute;dio e fenolftale&iacute;na, e o resultado n&atilde;o &eacute; transparente (como seria de se esperar em uma soma homop&aacute;tica), mas cor de rosa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fato de as causas na qu&iacute;mica e na fisiologia n&atilde;o se somarem de maneira homop&aacute;tica indicava, para Mill, que &eacute; "imposs&iacute;vel deduzir" as leis dessas &aacute;reas a partir das leis da f&iacute;sica. Esta &eacute; uma express&atilde;o da tese da <i>emerg&ecirc;ncia</i>: as leis da qu&iacute;mica e da biologia seriam irredut&iacute;veis &agrave;s leis da f&iacute;sica, no sentido de n&atilde;o serem dedut&iacute;veis a partir destas. Mill tamb&eacute;m concebia que enunciados da qu&iacute;mica e da biologia podem ser deduzidos de leis fundamentais dentro de cada &aacute;rea respectiva. No caso da qu&iacute;mica, haveria leis fundamentais que seriam irredut&iacute;veis &agrave;s leis da f&iacute;sica, mas que serviriam para reduzir os outros enunciados da qu&iacute;mica. Nossas teorias se estratificariam em dom&iacute;nios aut&ocirc;nomos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas ideias de Mill foram estudadas e desenvolvidas por dois outros pensadores no final do s&eacute;culo XIX: o fil&oacute;sofo e psic&oacute;logo escoc&ecirc;s Alexander Bain (1870) e o fil&oacute;sofo ingl&ecirc;s George Henry Lewes (1875). Este &uacute;ltimo cunhou o termo "emerg&ecirc;ncia": "Ressaltar que n&atilde;o sabemos como essas condi&ccedil;&otilde;es m&uacute;ltiplas emergem no fen&ocirc;meno da consci&ecirc;ncia &eacute; dizer que o fato sint&eacute;tico n&atilde;o foi resolvido analiticamente em termos de todos os seus fatores. &Eacute; igualmente verdadeiro que n&atilde;o sabemos como a &aacute;gua emerge do oxig&ecirc;nio e hidrog&ecirc;nio. O fato da emerg&ecirc;ncia n&oacute;s conhecemos; e podemos estar seguros de que o que emerge &eacute; a express&atilde;o de suas condi&ccedil;&otilde;es" (2).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A posi&ccedil;&atilde;o de Lewes, como ele esclarece na sequ&ecirc;ncia do texto, se contrap&otilde;e &agrave; do espiritualista, que defende que a mente tem exist&ecirc;ncia independente do corpo. Sua postura &eacute; claramente materialista, ao escrever que as manifesta&ccedil;&otilde;es da consci&ecirc;ncia "s&atilde;o" as a&ccedil;&otilde;es do mecanismo nervoso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INTERL&Uacute;DIO FILOS&Oacute;FICO: &Ocirc;NTICO VERSUS EPISTEMOL&Oacute;GICO</b> Nesse trecho de Lewes, apresenta-se uma distin&ccedil;&atilde;o muito importante na filosofia, entre afirma&ccedil;&otilde;es "ontol&oacute;gicas" e "epistemol&oacute;gicas". Quando Lewes escreve que a &aacute;gua "&eacute;" a combina&ccedil;&atilde;o de hidrog&ecirc;nio e oxig&ecirc;nio, ele parece estar se referindo a como as coisas s&atilde;o na realidade, independente da presen&ccedil;a ou n&atilde;o de um observador, ou de mentes inteligentes. Esta &eacute; uma afirma&ccedil;&atilde;o <i>&ocirc;ntica</i>. Por outro lado, ao sugerir que o conceito de emerg&ecirc;ncia se aplica a situa&ccedil;&otilde;es em que "n&atilde;o sabemos" como fazer a redu&ccedil;&atilde;o, ele est&aacute; fazendo uma afirma&ccedil;&atilde;o <i>epistemol&oacute;gica</i>, relativa ao conhecimento da realidade, e n&atilde;o &agrave; realidade em si.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esta distin&ccedil;&atilde;o nem sempre &eacute; muito clara. Afinal, como seria poss&iacute;vel falar da realidade em si, sem que seja por meio de nosso conhecimento dela? Quem aceita esta tese, de que n&atilde;o faz sentido se referir a uma realidade independente de conceitos humanos, ou a uma realidade inobserv&aacute;vel, est&aacute; adotando uma postura <i>antirrealista</i> ou "fenomenalista" (no sentido de que s&oacute; temos acesso aos fen&ocirc;menos observ&aacute;veis, e n&atilde;o &agrave; coisa-em-si que presumivelmente estaria por tr&aacute;s dos fen&ocirc;menos). Esta postura &eacute; comum a v&aacute;rias correntes filos&oacute;ficas, como o positivismo, o construtivismo kantiano e o pragmatismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em contrapartida, aquele que de alguma forma aceita que se possa referir a entidades inobserv&aacute;veis, ou que concebe um limite que aponta para uma realidade que seja independente de conceitos humanos, adota uma postura <i>realista</i>. Esta &eacute; a postura de correntes como o materialismo e o espiritualismo, que especulam metafisicamente a respeito do que acontece conosco ap&oacute;s a morte. A verdade &eacute; concebida como uma correspond&ecirc;ncia entre linguagem e realidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao discutirmos a rela&ccedil;&atilde;o que h&aacute; entre duas teorias, como a mec&acirc;nica estat&iacute;stica e a termodin&acirc;mica, ou entre a mente e o corpo, ou entre a fisiologia animal e a biologia molecular, coloca-se a quest&atilde;o de se uma teoria &eacute; redut&iacute;vel &agrave; outra. Tal redu&ccedil;&atilde;o, ou sua nega&ccedil;&atilde;o (a ser chamada de emerg&ecirc;ncia), pode ser considerada em diferentes "variedades" ou "categorias". Cada autor prop&otilde;e sua pr&oacute;pria terminologia, mas adotaremos aqui uma divis&atilde;o em tr&ecirc;s variedades de redu&ccedil;&atilde;o (ou de sua nega&ccedil;&atilde;o):a <i>&ocirc;ntica</i> (metaf&iacute;sica), a <i>te&oacute;rica</i> (epistemol&oacute;gica)e a <i>metodol&oacute;gica</i> (3).Assim, por exemplo, um realista pode defender a redu&ccedil;&atilde;o &ocirc;ntica entre dois dom&iacute;nios, mas recusar a redu&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HOLISMO <i>VERSUS</i> SEPARABILISMO </b>As discuss&otilde;es de Mill, Bain e Lewes se encerraram em torno de 1880, e demoraria 40 anos para serem retomadas nas Ilhas Brit&acirc;nicas, em um novo contexto: o da evolu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica. Devemos por&eacute;m ressaltar aqui que a discuss&atilde;o entre redu&ccedil;&atilde;o e emerg&ecirc;ncia j&aacute; fazia parte da tradi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica que remontava &agrave; Antiguidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Gr&eacute;cia e Roma Antigas, os atomistas (como Leucipo, Dem&oacute;crito, Epicuro, Lucr&eacute;cio e Asclep&iacute;ades) eram os reducionistas por excel&ecirc;ncia, concebendo que todos os corpos seriam compostos de &aacute;tomos indivis&iacute;veis, de diferentes tamanhos e formatos, que se enroscavam para compor os corpos do nosso cotidiano. Tais &aacute;tomos se moveriam no espa&ccedil;o vazio, espa&ccedil;o esse que era concebido como infinito em extens&atilde;o, e a &uacute;nica for&ccedil;a atuante seria o choque ou enroscamento entre &aacute;tomos, bem no esp&iacute;rito do mecanicismo do s&eacute;culo XVII. Mesmo os atributos da percep&ccedil;&atilde;o e da alma humana eram reduzidos a &aacute;tomos muito pequenos e esf&eacute;ricos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atribuiremos o nome de "reducionismo separabilista", ou simplesmente "separabilismo", para essa concep&ccedil;&atilde;o. Diversas correntes da Antiguidade se opunham a ela, como o estoicismo e o hilemorfismo de Arist&oacute;teles. Abordando os paradoxos do movimento, de Zen&atilde;o, referindo-se ao espa&ccedil;o e ao tempo, Arist&oacute;teles argumentou que estes n&atilde;o possuem partes <i>atuais</i>, mas apenas partes <i>potenciais</i>. Se houver uma divis&atilde;o de uma dist&acirc;ncia em duas metades, a&iacute; se pode falar em duas partes atuais, mas, antes desta divis&atilde;o, as partes s&atilde;o apenas potenciais. Ao passar essa ideia para a constitui&ccedil;&atilde;o dos corpos, pode-se dizer que um peda&ccedil;o de &acirc;mbar &eacute; antes de tudo um <i>todo</i>, sem partes atuais, mas apenas potenciais; s&oacute; ap&oacute;s se dividir o &acirc;mbar com uma faca &eacute; que as duas partes resultantes passam a existir de modo atual. Nesta concep&ccedil;&atilde;o <i>holista</i>, o todo &eacute; anterior &agrave;s partes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Concep&ccedil;&otilde;es "organicistas" na biologia opuseram-se tradicionalmente ao mecanicismo, postulando que seres vivos possuem uma unidade, uma forma, um arqu&eacute;tipo, uma organiza&ccedil;&atilde;o e/ou (dependendo do autor) uma finalidade, que existiria(m) como algo distinto das partes f&iacute;sicas componentes do organismo. Tais concep&ccedil;&otilde;es tornaram-se fortes no contexto do romantismo alem&atilde;o do s&eacute;culo XIX, tanto na filosofia quanto na biologia pr&eacute;-darwiniana. O organicista Claude Bernard era um destacado defensor do reducionismo metodol&oacute;gico, ou seja, do programa de se levar ao m&aacute;ximo a redu&ccedil;&atilde;o da fisiologia &agrave; qu&iacute;mica e f&iacute;sica, mas recusava o reducionismo te&oacute;rico e &ocirc;ntico: "Tudo isso prova que esses elementos, enquanto distintos e aut&ocirc;nomos, n&atilde;o desempenham o papel de simples associados, e que sua uni&atilde;o exprime mais do que a soma de suas propriedades separadas" (4).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A afirma&ccedil;&atilde;o de que "o todo &eacute; maior do que a soma das suas partes" caracteriza a vis&atilde;o holista, mas ela precisa ser qualificada com cuidado. Tomemos o exemplo de um modelo de pl&aacute;stico em escala de um avi&atilde;o, que pode ser adquirido em lojas de brinquedo. Pode-se dizer que o modelo montado por uma crian&ccedil;a &eacute; "maior" do que a soma de suas partes de pl&aacute;stico, soltas na caixa adquirida na loja? Bem, a crian&ccedil;a utilizou cola para grudar as partes do avi&atilde;o, mas essa cola tamb&eacute;m pode ser considerada uma das partes do modelo constru&iacute;do. Mas o ponto n&atilde;o &eacute; esse, e sim que no modelo montado as partes est&atilde;o <i>organizadas</i> de uma certa maneira, ao passo que na caixa estavam de outra. Pode-se ent&atilde;o dizer, como sugerem alguns autores, que o reducionismo separabilista fracassa porque ele deixa de fora a organiza&ccedil;&atilde;o das partes? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a quest&atilde;o fosse s&oacute; essa, ela seria trivial. Mesmo para os atomistas gregos, n&atilde;o faria sentido falar em redu&ccedil;&atilde;o dos corpos aos &aacute;tomos sem levar em conta o "arranjo" dos &aacute;tomos, ou seja, todas as rela&ccedil;&otilde;es entre as partes. As rela&ccedil;&otilde;es espaciais e cinem&aacute;ticas entre as partes s&atilde;o imprescind&iacute;veis na descri&ccedil;&atilde;o do reducionista separabilista, como pode ser ilustrado no exemplo da redu&ccedil;&atilde;o do sistema solar &agrave;s suas partes (3). A defini&ccedil;&atilde;o de sistema holista precisa ser dada com mais cuidado (5), sendo um conceito importante na discuss&atilde;o sobre emerg&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A EVOLU&Ccedil;&Atilde;O EMERGENTE </b>Na filosofia francesa, Henri Bergson, herdeiro da tradi&ccedil;&atilde;o espiritualista, exerceu bastante influ&ecirc;ncia em suas cr&iacute;ticas ao materialismo e ao reducionismo mecanicista. Em 1907 publicou sua <i>Evolu&ccedil;&atilde;o criadora</i>, defendendo a exist&ecirc;ncia de um "<i>&eacute;lan vital</i>" que guiaria a evolu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, introduzindo novas varia&ccedil;&otilde;es qualitativas e criatividade na evolu&ccedil;&atilde;o. No contexto brit&acirc;nico suas ideias foram bastante discutidas, consideradas irracionais por alguns, mas aceitas em boa medida por outros. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A figura central na elabora&ccedil;&atilde;o de uma teoria da emerg&ecirc;ncia em um contexto naturalista, levando em conta a consolida&ccedil;&atilde;o da teoria da evolu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, foi o cientista ingl&ecirc;s Conwy Lloyd Morgan. Ele travou contato com a obra de Bergson em 1912, quando passaram a se corresponder. Apesar de discordar da tese bergsoniana de que a intui&ccedil;&atilde;o seria superior &agrave; raz&atilde;o, abra&ccedil;ou a ideia de que a evolu&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica produz novidade genu&iacute;na. Sua concep&ccedil;&atilde;o madura foi publicada em 1923 no livro <i>Emergentevolution</i> (6). Assimilou a terminologia de Lewes de efeitos "resultantes" e "emergentes", considerando os primeiros como desenvolvimentos quantitativos que ocorrem de maneira cont&iacute;nua na evolu&ccedil;&atilde;o, ao passo que os segundos seriam novidades qualitativas que "co-ocorreriam" com as mudan&ccedil;as mecanicistas. O surgimento de um emergente seria imprevis&iacute;vel e quando surgisse, no "n&iacute;vel da vida", alteraria o curso dos eventos f&iacute;sicos no n&iacute;vel inferior. Essa atribui&ccedil;&atilde;o de poder causal aos emergentes, que escaparia do ordenamento mecanicista, &eacute; conhecida hoje como "causa&ccedil;&atilde;o descendente".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">David Blitz (7) tra&ccedil;a um panorama detalhado da obra de Lloyd Morgan e de outros autores de l&iacute;ngua inglesa que desenvolveram ideias semelhantes, no per&iacute;odo. V&aacute;rios outros autores com trabalhos relacionados &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o emergente e &agrave; estratifica&ccedil;&atilde;o do real em diferentes n&iacute;veis de emerg&ecirc;ncia s&atilde;o examinados por Blitz, assim como diversos cr&iacute;ticos, incluindo Bertrand Russell e Rudolf Carnap. Essas cr&iacute;ticas filos&oacute;ficas, aliadas &agrave; consolida&ccedil;&atilde;o do programa reducionista da gen&eacute;tica, levaram a um certo "eclipse do emergentismo" entre 1930 e meados da d&eacute;cada de 1950. Mas vis&otilde;es emergentistas permaneceram nas concep&ccedil;&otilde;es de bi&oacute;logos organicistas como Needham, Woodger e Novikoff, que salientavam a estratifica&ccedil;&atilde;o da realidade em diferentes n&iacute;veis hier&aacute;rquicos aut&ocirc;nomos, evitando assim a redu&ccedil;&atilde;o mecanicista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No campo da filosofia da ci&ecirc;ncia, a retomada do interesse nos conceitos de emerg&ecirc;ncia e de causa&ccedil;&atilde;o descendente se deu a partir da revis&atilde;o cr&iacute;tica feita em 1956 por Meehl e Sellars (8). A ideia de emerg&ecirc;ncia na filosofia da mente oferecia uma maneira de conciliar o materialismo (ou "fisicismo", <i>physicalism</i>, como se come&ccedil;ou a falar na d&eacute;cada de 1950) com o n&atilde;o reducionismo. O neurocientista Roger Sperry come&ccedil;ou a articular sua concep&ccedil;&atilde;o em 1952, a partir da no&ccedil;&atilde;o de que os fen&ocirc;menos mentais n&atilde;o se encontram no n&iacute;vel neuronal, mas constituem um n&iacute;vel holista mais elevado. Na d&eacute;cada de 1960, culminou seus esfor&ccedil;os de compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno ps&iacute;quico com a tese da causa&ccedil;&atilde;o descendente, a tese de que a consci&ecirc;ncia pode controlar, de maneira <i>top-down</i> (de cima para baixo), os caminhos seguidos pelo c&eacute;rebro (9). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A "re-emerg&ecirc;ncia" dos conceitos de emerg&ecirc;ncia, de estratifica&ccedil;&atilde;o da natureza e de causa&ccedil;&atilde;o descendente se consolidou, na filosofia da biologia, na d&eacute;cada de 1970, em autores como Ernst Mayr, Paul Weiss, Peter Medawar e Donald Campbell. Na filosofia da ci&ecirc;ncia, autores como Karl Popper e Mario Bunge exploraram o conceito no final da d&eacute;cada de 1970, e nos anos seguintes ele se tornou um t&oacute;pico central da filosofia da mente, associado ao fisicismo n&atilde;o-redutivo, e explorado em colet&acirc;neas, como Beckerman et al. (10) e Bedau e Humphreys (11). Na f&iacute;sica, a partir da d&eacute;cada de 1970, o conceito de emerg&ecirc;ncia se tornou central no debate entre f&iacute;sicos da mat&eacute;ria condensada e o reducionismo dos f&iacute;sicos de part&iacute;culas elementares (12).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A RELA&Ccedil;&Atilde;O DE SUPERVENI&Ecirc;NCIA </b>O debate entre emergentistas e reducionistas na ci&ecirc;ncia se refere ao estatuto da rela&ccedil;&atilde;o entre diferentes <i>n&iacute;veis</i> na natureza, como o mundo das mol&eacute;culas e o mundo dos organismos (na biologia), como a escala subat&ocirc;mica e a escala macrosc&oacute;pica (na f&iacute;sica e qu&iacute;mica) e como o dom&iacute;nio material e mental (na psicologia e neuroci&ecirc;ncia). Em cada par de n&iacute;veis mencionados, o primeiro ser&aacute; chamado n&iacute;vel "inferior", e o segundo de "superior". Evitaremos tratar aqui de sistemas abstratos, como os da matem&aacute;tica, pois, por serem constru&ccedil;&otilde;es mentais, parecem carregar dentro de si, de maneira impl&iacute;cita, os problemas n&atilde;o resolvidos da rela&ccedil;&atilde;o mente-corpo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ch&atilde;o comum aos dois lados do debate &eacute; que os acontecimentos do n&iacute;vel superior s&atilde;o "dependentes" daqueles do n&iacute;vel inferior, ou, no jarg&atilde;o filos&oacute;fico, os primeiros "superv&ecirc;m" a partir dos segundos. A rela&ccedil;&atilde;o de <i>superveni&ecirc;ncia</i> entre dois n&iacute;veis, conforme usada por Davidson (1970), equivale &agrave; situa&ccedil;&atilde;o em que, se fixarmos o estado do n&iacute;vel inferior, fixaremos de maneira un&iacute;voca o estado do n&iacute;vel superior. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por exemplo, dado um estado microsc&oacute;pico de um g&aacute;s, onde as massas, posi&ccedil;&otilde;es, velocidades etc de cada mol&eacute;cula s&atilde;o fixadas, tem-se uma previs&atilde;o un&iacute;voca a respeito de qual &eacute; a press&atilde;o <i>p</i><sub>1</sub>e a temperatura <i>T</i><sub>1</sub> a ser medida por um instrumento macrosc&oacute;pico naquele mesmo instante (supondo-se condi&ccedil;&otilde;es de contorno bem controladas). Nesse sentido, as macropropriedades (<i>p, T</i>) superv&ecirc;m &agrave;s micropropriedades (<i>m<sub>i</sub></i>, <i>r<sub>i</sub></i>, <i>v</i><sub><i>i</i></sub>, etc). Em contrapartida, se os valores das propriedades do n&iacute;vel superior forem fixadas, h&aacute; um imenso conjunto de microestados distintos que s&atilde;o consistentes com esses valores das macropropriedades: isso exemplifica que a rela&ccedil;&atilde;o de superveni&ecirc;ncia &eacute;, em geral, assim&eacute;trica. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No debate entre emergentistas e reducionistas, o ch&atilde;o comum &eacute; a aceita&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o de superveni&ecirc;ncia entre dom&iacute;nios dos dois n&iacute;veis em quest&atilde;o. Assim, no caso das filosofias materialistas da mente, quem aceita a rela&ccedil;&atilde;o de superveni&ecirc;ncia aceita que se fix&aacute;ssemos o estado corporal de uma pessoa, com um n&iacute;vel de precis&atilde;o molecular, fixar&iacute;amos a sua mente a um &uacute;nico estado subjetivo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VERS&Otilde;ES DE EMERG&Ecirc;NCIA </b>H&aacute;, assim, uma concord&acirc;ncia no debate entre emergentistas e reducionistas de que algum dom&iacute;nio do n&iacute;vel inferior fixa, univocamente, um dom&iacute;nio do n&iacute;vel superior. Por&eacute;m, "fixar" n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de "reduzir"; pelo menos, esta &eacute; a tese das posi&ccedil;&otilde;es emergentistas. Para estas, mesmo com a rela&ccedil;&atilde;o de superveni&ecirc;ncia, o n&iacute;vel superior preserva algum grau de "autonomia" em rela&ccedil;&atilde;o ao inferior. Para os reducionistas, esta autonomia &eacute; nula; para os emergentistas ela &eacute; significativa. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como os emergentistas explicam esta postulada autonomia? Olhando para a hist&oacute;ria do conceito, Stephan (13) identificou cinco "vers&otilde;es" de emerg&ecirc;ncia: 1)autores como Mill e Lewes enfocam a <i>n&atilde;o-aditividade</i>ou n&atilde;o-linearidade das causas que levam ao efeito emergente; 2)para Morgan e Alexander, na d&eacute;cada de 1920 e, mais recentemente, Bunge, a emerg&ecirc;ncia envolve o surgimento de <i>novidade</i>; 3) Morgan e Broad, al&eacute;m de Popper, salientam a <i>imprevisibilidade</i> dos entes ou das propriedades emergentes; 4)autores como Mill e Broad ressaltam a <i>n&atilde;o-dedutibilidade</i> das propriedades emergentes do n&iacute;vel superior a partir do n&iacute;vel inferior. Mais modernamente, fala-se em <i>inexplicabilidade</i>;5) e, por fim, alguns autores tomam a j&aacute; mencionada <i>causa&ccedil;&atilde;o descendente</i> como caracter&iacute;stica definidora da emerg&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra distin&ccedil;&atilde;o relevante &eacute; aquela entre uma rela&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia "sincr&ocirc;nica" e uma "diacr&ocirc;nica" (14). A rela&ccedil;&atilde;o sincr&ocirc;nica se daria em um &uacute;nico instante de tempo e, portanto, n&atilde;o envolve causalidade (entendida como uma rela&ccedil;&atilde;o entre eventos em diferentes instantes do tempo). Parece-me que este &eacute; o sentido mais interessante da rela&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia ou redu&ccedil;&atilde;o, que no caso das ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas envolveria diferentes escalas (nano, micro, macro). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rela&ccedil;&atilde;o diacr&ocirc;nica envolve a passagem do tempo entre um estado no n&iacute;vel inferior e outro no n&iacute;vel superior. Para Stephan (14), isso &eacute; caracter&iacute;stico da variedade de emergentismo baseada na no&ccedil;&atilde;o de imprevisibilidade ou de novidade, ou seja, quando uma propriedade emergente &eacute; imprevis&iacute;vel antes de seu primeiro surgimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EMERG&Ecirc;NCIA PRAGM&Aacute;TICA E REALISTA </b>Levando em conta a distin&ccedil;&atilde;o, feita anteriormente, entre redu&ccedil;&atilde;o &ocirc;ntica e te&oacute;rica (epistemol&oacute;gica), percebemos que as no&ccedil;&otilde;es de imprevisibilidade e inexplicabilidade tendem a ser epistemol&oacute;gicas, relativas &agrave; capacidade de previs&atilde;o ou explica&ccedil;&atilde;o dos seres humanos, n&atilde;o sendo uma propriedade da pr&oacute;pria realidade. Por&eacute;m, num contexto realista, essas no&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas poderiam ser usadas para definir uma propriedade &ocirc;ntica, por exemplo, a de que &eacute; <i>imposs&iacute;vel</i> colocar o sistema complexo em uma rela&ccedil;&atilde;o de correspond&ecirc;ncia com qualquer sistema lingu&iacute;stico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; num contexto mais pragm&aacute;tico, em que o imprevis&iacute;vel e o inexplic&aacute;vel &eacute; sempre tomado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s limita&ccedil;&otilde;es humanas, torna-se bastante plaus&iacute;vel a defesa do emergentismo (15).Se o ser humano nunca conseguir prever em qual dire&ccedil;&atilde;o (esquerda ou direita) ir&aacute; vergar uma barra vertical sim&eacute;trica e flex&iacute;vel, sujeita a uma for&ccedil;a vertical, e nem explicar de maneira completa o ocorrido, ent&atilde;o o pragmatista est&aacute; justificado em dizer que esse vergamento ou "flambagem" da barra &eacute; uma propriedade emergente(12). J&aacute; o reducionista ter&aacute; que adotar uma postura realista, e dizer que "em princ&iacute;pio" tal flambagem seria previs&iacute;vel (por exemplo, por um dem&ocirc;nio de Laplace), ou que, "em princ&iacute;pio", se poderia dar uma explica&ccedil;&atilde;o completa, levando em conta <i>todas</i> as mol&eacute;culas da barra e de seu entorno. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este debate entre o pragmatismo e o realismo &eacute; uma compara&ccedil;&atilde;o entre posi&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas e n&atilde;o envolve nenhuma grande quest&atilde;o <i>cient&iacute;fica</i> a respeito da natureza do mundo real. Para tornar o debate mais significativo, &eacute; interessante articular uma posi&ccedil;&atilde;o <i>emergentista realista</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso das ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas, &eacute; comum o argumento de que a deriva&ccedil;&atilde;o de uma lei macrosc&oacute;pica (da mat&eacute;ria condensada ou da qu&iacute;mica) a partir da f&iacute;sica at&ocirc;mica envolve dados obtidos na &aacute;rea macrosc&oacute;pica e aproxima&ccedil;&otilde;es que s&oacute; s&atilde;o feitas porque se sabe qual &eacute; a lei que se quer derivar. Mas tais argumentos s&atilde;o epistemol&oacute;gicos, referentes a como n&oacute;s, seres humanos, estabelecemos uma deriva&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de redutibilidade entre dois n&iacute;veis. Para um emergentista realista, &eacute; preciso um argumento mais forte, que estabele&ccedil;a alguma impossibilidade real de se passar de um n&iacute;vel inferior para o superior. No caso das ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas, o melhor argumento nesse sentido &eacute; que h&aacute; diversos dom&iacute;nios ou "protetorados", como o estado cristalino ou a supercondutividade, que s&atilde;o regulados por princ&iacute;pios de simetria pr&oacute;prios e s&atilde;o insens&iacute;veis a detalhes mais microsc&oacute;picos (16).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso da rela&ccedil;&atilde;o mente-corpo, h&aacute; argumentos realistas adicionais a favor da emerg&ecirc;ncia, em especial o car&aacute;ter <i>sui generis</i> das qualidades fenom&ecirc;nicas subjetivas (<i>qualia</i>), que s&atilde;o de natureza totalmente diversa das grandezas quantitativas utilizadas pela descri&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica da natureza. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EMERG&Ecirc;NCIA FRACA, M&Eacute;DIA E FORTE </b>H&aacute; um sentido de emerg&ecirc;ncia que &eacute; bem aceito pelos reducionistas, e para esta acep&ccedil;&atilde;o Stephan (14) reserva o nome de "emerg&ecirc;ncia fraca", ao passo que Bedau (17) a chama de "emerg&ecirc;ncia nominal". Isso &eacute; exemplificado nas ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas, nas situa&ccedil;&otilde;es em que se fala de uma propriedade coletiva, como a liquidez, que n&atilde;o se aplica a uma mol&eacute;cula. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No polo oposto, h&aacute; o que ambos os autores chamam de "emerg&ecirc;ncia forte". Stephan a caracteriza simplesmente como n&atilde;o redutibilidade, sendo que o candidato mais plaus&iacute;vel est&aacute; na rela&ccedil;&atilde;o mente-corpo. J&aacute; Bedau considera que a emerg&ecirc;ncia forte &eacute; caracterizada pela causa&ccedil;&atilde;o descendente: entes emergentes no n&iacute;vel superior teriam "poderes causais" ausentes nos entes de n&iacute;vel inferior. No caso da rela&ccedil;&atilde;o mente-corpo, isso seria exemplificado por estados mentais de desejo, que causam estados mentais de decis&atilde;o; nossa intui&ccedil;&atilde;o parece sugerir que &eacute; o estado de desejo, e n&atilde;o seu substrato material, que causa a altera&ccedil;&atilde;o no substrato material que corresponde &agrave; decis&atilde;o. Argumentos semelhantes s&atilde;o feitos na biologia evolutiva, na teoria de sele&ccedil;&atilde;o em m&uacute;ltiplos n&iacute;veis (18). A cl&aacute;ssica cr&iacute;tica ao conceito de causa&ccedil;&atilde;o descendente, na filosofia da mente, foi feita por Kim (19). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os dois extremos, Bedau define a "emerg&ecirc;ncia fraca", em que o n&iacute;vel superior seria em princ&iacute;pio onticamente redut&iacute;vel ao n&iacute;vel inferior, como quer o reducionista, mas a explica&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel superior a partir do inferior seria "especialmente complexa" (20). Esta seria uma "explica&ccedil;&atilde;o gerativa incompress&iacute;vel", que explicaria corretamente como os eventos macrosc&oacute;picos se desdobram no tempo, tra&ccedil;ando cada detalhe da complexa rede de intera&ccedil;&otilde;es causais microsc&oacute;picas, e sem a possibilidade de uma explica&ccedil;&atilde;o mais sucinta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal defini&ccedil;&atilde;o se originou em seus estudos sobre sistemas computacionais, especificamente os aut&ocirc;matos celulares, onde padr&otilde;es complexos surgem de maneira surpreendente a partir de regras simples. Parece &oacute;bvio que em um computador digital n&atilde;o pode ocorrer emerg&ecirc;ncia forte, j&aacute; que tudo o que ocorre na tela do computador &eacute; redut&iacute;vel a pixels separados, codificados por registros de mem&oacute;ria individuais e separados. Emerg&ecirc;ncia fraca se refere, neste contexto artificial, &agrave;queles padr&otilde;es que n&atilde;o podem ser calculados por um programa menor do que aquele de simulou o pr&oacute;prio padr&atilde;o, segundo a defini&ccedil;&atilde;o de complexidade algor&iacute;tmica de Solomonoff-Kolmogorov-Chaitin (21).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para concluir, podemos dizer que h&aacute; um certo acordo entre reducionistas e emergentistas a respeito dos casos de emerg&ecirc;ncia fraca, havendo um esfor&ccedil;o cient&iacute;fico para descrever de maneira mais elegante e frut&iacute;fera a emerg&ecirc;ncia de padr&otilde;es complexos. A discord&acirc;ncia refere-se aos casos de emerg&ecirc;ncia forte, tanto nas ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas, quanto na biologia, quanto na neuroci&ecirc;ncia/psicologia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Osvaldo Pessoa Jr.</b> &eacute; professor de filosofia da ci&ecirc;ncia do Departamento de Filosofia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas (FFLCH) da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Email: </i><a href="mailto:opessoa@usp.br">opessoa@usp.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.  Mill, J.S. <i>A system of logic, ratiocinative  and inductive</i>. Londres: J.W. Parker,  livro III, cap. VI, pp. 425-36. 1843.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Lewes, G.H. <i>Problems  of life and mind</i>.  Vol. 2. Boston:  J. Osgood, p. 412.  1875.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.  Pessoa Jr., O. "Duas tradi&ccedil;&otilde;es na sist&ecirc;mica: holismo organicista e reducionismo separabilista".  A sair em: Gonzalez, M.E.Q.; Portela, J.C.; Vecchio,  A. (orgs.). <i>Informa&ccedil;&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o: estudos  interdisciplinares</i>. S&atilde;o Paulo:  Cultura Acad&ecirc;mica/Unesp. 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.  Bernard, C. <i>Introduction &agrave; l'&eacute;tude de  lam&eacute;decineexp&eacute;rimentale</i>. Paris: J.-B. Bailli&egrave;re, parte II, cap. II, &#167;  1, p. 158. 1865.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Healey, R. "Holism and  non-separability in physics".<i> Stanford Encyclopedia of  Philosophy</i>. Em:  <a href="http://plato.stanford.edu/entries/physics-holism/" target="_blank">http://plato.stanford.edu/entries/physics-holism/</a>. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Morgan, C.L. <i>Emergent  evolution</i>.Londres:  Williams &amp; Norgate. 1923.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Blitz, D. <i>Emergent  evolution</i>. Dordrecht: Kluwer. 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Meehl, P.E.; Sellars, W. "The  concept of emergence". In: Feigl, H.; Scriven, M. (orgs.). <i>The  foundations of science and the concepts of psychology and  psychoanalysis</i>.Minnesota  Studies in the Philosophy of Science, vol. 1. Minneapolis:  University of Minnesota Press, pp. 239-52. 1956.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.  Lestienne, R. "Emerg&ecirc;ncia e o problema mente-corpo nos estudos de Roger Sperry". Neste volume. 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Beckermann, A.; Flohr, H.; Kim,  J. (orgs.) <i>Emergence  or reduction?</i> Berlin: W. de Gruyter. 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Bedau, M.A.; Humphreys, P.  (orgs.). <i>Emergence:  contemporary readings in  philosophy of science</i>. Cambridge  (MA): MIT Press. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.  Gatti, F.G.; Pessoa Jr., O. "O debate entre as interpreta&ccedil;&otilde;es reducionista e  emergentista da f&iacute;sica". In: Silva, C.C.; Salvatico, L. (orgs.). <i>Filosofia e hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia no Cone Sul: sele&ccedil;&atilde;o de trabalhos  do 7º encontro da AFHIC</i>.  Porto Alegre: Entrementes, pp. 93-101. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Stephan, A. "Emergence: a  systematic view on its historical facets". In: Beckerman et al., op. cit. (nota  10), pp. 25-48. 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Stephan, A. "Varieties of  emergentism". <i>Evolution and cognition</i>, vol. 5, pp. 49-59. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. El-Hani, C.N.; Pihlstr&ouml;m, S. "Emergence  theories and pragmatic realism". <i>Essays in  Philosophy</i>, vol. 3, no 2,  artigo 3. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Laughlin, R.B.; Pines, D. (2000),  "The theory of everything". <i>Proceedings of the National Academy of Science</i>, vol. 97, p. 28-31. 2000. Republicado  em Bedau &amp; Humphreys, op. cit. (nota 11), pp. 259-68.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Bedau, M. "Downward causation and  autonomy in weak emergence". <i>Principia</i>, vol. 6,  p. 5-50. 2003. Republicado em Bedau &amp; Humphreys, op. cit. (nota 11), pp. 155-88.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Okasha, S. <i>Evolution  and the levels of selection</i>. Oxford: Oxford University Press. 2006.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Kim, J. "'Downward causation' in  emergentism and nonreductivephysicalism". In: Beckerman et al., op. cit. (nota  10), pp. 119-38. 1992.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Bedau, M. "Is weak emergence  just in the mind?". <i>Minds &amp; Machines</i>, vol.  18, pp. 443-59.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21.  Meu primeiro contato com o tema deste artigo ocorreu durante a orienta&ccedil;&atilde;o  da disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado de Marcos Antonio Ribeiro, feita  em co-orienta&ccedil;&atilde;o com Charbel El-Hani. Ver: Ribeiro, M.A. "Uma an&aacute;lise  hist&oacute;rico-filos&oacute;fica do conceito de emerg&ecirc;ncia". Disserta&ccedil;&atilde;o de  mestrado, &aacute;rea de ensino, filosofia e hist&oacute;ria das ci&ecirc;ncias. Salvador: UFBA/UEFS. 2003.</font></p>      ]]></body><back>
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