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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(ea).jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O papel da emerg&ecirc;ncia em simula&ccedil;&otilde;es de sociedades de agentes artificiais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nuno David    <br> Jaime Sim&atilde;o Sichman</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>N</b>&atilde;o h&aacute; disciplina cient&iacute;fica, a partir da segunda metade do s&eacute;culo XX, que tenha contribu&iacute;do de modo t&atilde;o profundo para o ressurgimento do interesse cient&iacute;fico e filos&oacute;fico pelo conceito de "emerg&ecirc;ncia" como a simula&ccedil;&atilde;o computacional de sistemas complexos. Os modelos de simula&ccedil;&atilde;o pertencem a uma classe de modelos distintos dos modelos te&oacute;ricos trat&aacute;veis atrav&eacute;s de m&eacute;todos anal&iacute;ticos. Embora possam ser baseados em modelos te&oacute;ricos, a sua implementa&ccedil;&atilde;o em um computador implica um rol de tratamentos formais e informais, atrav&eacute;s de uma cadeia de transforma&ccedil;&atilde;o em sucessivos outros modelos, que torna o produto final de alguma forma aut&ocirc;nomo da teoria ou do modelo que lhe deu origem. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos aspectos interessantes desses modelos consiste em analisar os resultados produzidos pelo processo de intera&ccedil;&atilde;o entre as entidades que os constituem, isto &eacute;, a emerg&ecirc;ncia de caracter&iacute;sticas observ&aacute;veis em um n&iacute;vel macro de an&aacute;lise, que n&atilde;o ter&atilde;o sido intencionalmente especificadas no modelo em um n&iacute;vel micro de an&aacute;lise. Tais observa&ccedil;&otilde;es devem ser confirmadas <i>a posteriori</i>, ap&oacute;s m&uacute;ltiplos testes da simula&ccedil;&atilde;o, sendo algumas delas dif&iacute;ceis de validar (1). O escrut&iacute;nio de resultados emergentes &eacute; um dos aspectos fulcrais para o entendimento da rela&ccedil;&atilde;o entre as propriedades globais do modelo e as propriedades das entidades que o constituem (2). Especialmente em estudo de sistemas complexos em ci&ecirc;ncias sociais (3), as rela&ccedil;&otilde;es encontradas entre os n&iacute;veis micro e macro de an&aacute;lise, bem como a sua correta valida&ccedil;&atilde;o, constituem o ingrediente mais apelativo para a utiliza&ccedil;&atilde;o de abordagens baseadas em simula&ccedil;&atilde;o computacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, e n&atilde;o obstante ao extenso uso de modelos de simula&ccedil;&atilde;o para o estudo da complexidade social, o conceito de emerg&ecirc;ncia n&atilde;o deixa de levantar interroga&ccedil;&otilde;es cient&iacute;fica e filosoficamente estimulantes, que t&ecirc;m merecido cont&iacute;nua an&aacute;lise (4; 5). Interroga&ccedil;&otilde;es que nas ci&ecirc;ncias sociais, com menos apetrechos do que as ci&ecirc;ncias naturais e as da computa&ccedil;&atilde;o para a pesquisa experimental, historicamente multiparadigm&aacute;ticas, surgem de forma mais vigorosa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo procurar&aacute; responder a quest&otilde;es fundamentais relativas &agrave; natureza e ao papel da emerg&ecirc;ncia em simula&ccedil;&otilde;es computacionais de fen&ocirc;menos e teorias sociais, em particular no caso das simula&ccedil;&otilde;es baseadas em agentes. Como explicar o conceito de emerg&ecirc;ncia no contexto do m&eacute;todo de desenvolvimento de simula&ccedil;&otilde;es, e como se enquadra esse conceito no reconhecimento de que o produto final de uma simula&ccedil;&atilde;o &eacute; o resultado de uma sucess&atilde;o de transforma&ccedil;&otilde;es de modelos em outros modelos. Para compreender o que verdadeiramente emerge de um modelo computacional, interessa pois, em primeiro lugar, compreender a natureza do processo de implementa&ccedil;&atilde;o de programas em computadores. O que poder&aacute; emergir de um programa em execu&ccedil;&atilde;o em um computador, que &eacute;, por defini&ccedil;&atilde;o, uma m&aacute;quina f&iacute;sica? Neste artigo, mostramos que a sucessiva transforma&ccedil;&atilde;o de modelos e os processos computacionais de infer&ecirc;ncia que lhe est&atilde;o subjacentes carregam um conjunto de pressupostos assumidos pelo pesquisador, que v&atilde;o al&eacute;m da capacidade que os computadores t&ecirc;m para os representar. Consequentemente, o processo de infer&ecirc;ncia que relaciona um estado emergente com a sua microdin&acirc;mica carrega, igualmente, um conjunto de pressupostos e conclus&otilde;es que v&atilde;o al&eacute;m da capacidade de infer&ecirc;ncia e expressividade dos m&eacute;todos formais utilizados para desenvolver simula&ccedil;&otilde;es. Daqui resulta ser algo ilusivo interpretar o conceito de emerg&ecirc;ncia como uma decorr&ecirc;ncia da intera&ccedil;&atilde;o entre as partes de um modelo. Nem as simula&ccedil;&otilde;es, nem os programas de computador que as constituem, devem ser entendidas como an&aacute;logos de teorias cient&iacute;ficas num sentido cl&aacute;ssico. Raz&otilde;es existem que sugerem ver a simula&ccedil;&atilde;o computacional da complexidade atrav&eacute;s de uma perspectiva distinta. A simula&ccedil;&atilde;o computacional implica uma vis&atilde;o adicional sobre o que os programas de computador podem ser e representar no dom&iacute;nio do conhecimento cient&iacute;fico, e que ultrapassa a natureza formal e emp&iacute;rica da computa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. PRESSUPOSTOS DA EMERG&Ecirc;NCIA EM SIMULA&Ccedil;&Atilde;O </b>A simula&ccedil;&atilde;o computacional nas ci&ecirc;ncias sociais estuda teorias e fen&ocirc;menos sociais atrav&eacute;s da implementa&ccedil;&atilde;o de modelos cient&iacute;fico-sociais em computadores, normalmente especificados ou descritos atrav&eacute;s de sociedades de agentes computacionais. Para esse efeito, uma infraestrutura computacional &eacute; usada para simular as a&ccedil;&otilde;es e intera&ccedil;&otilde;es de agentes, definidos como entidades individuais ou coletivas, tais como organiza&ccedil;&otilde;es ou grupos, tendo em vista analisar os seus efeitos nos pr&oacute;prios agentes e na sociedade como um todo, desse modo recriando, descrevendo ou prevendo (6) o funcionamento de sistemas organizacionais e sociais, entendidos como sistemas complexos (8). Tal dom&iacute;nio de estudo &eacute; conhecido como Multi-Agent-Based Simulation (9-13). Neste contexto, &eacute; dada particular import&acirc;ncia ao comportamento do sistema em um n&iacute;vel de descri&ccedil;&atilde;o macro. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tomemos como exemplo o conhecido modelo de dissemina&ccedil;&atilde;o de cultura de Axelrod (14), cujo objetivo &eacute; analisar a problem&aacute;tica da influ&ecirc;ncia social. Em um n&iacute;vel micro de descri&ccedil;&atilde;o, o modelo original, a que chamamos modelo pr&eacute;-computadorizado, define (i) o conceito de atores, que se encontram espacialmente distribu&iacute;dos num reticulado de 10 x10 posi&ccedil;&otilde;es (ii) o conceito de cultura de cada ator, definido como um conjunto de caracter&iacute;sticas em n&uacute;mero vari&aacute;vel, e que podem tomar diversos valores; (iii) os mecanismos de intera&ccedil;&atilde;o entre culturas como um esquema do tipo <i>bit-flipping</i>, em que a probabilidade de intera&ccedil;&atilde;o entre dois atores &eacute; proporcional &agrave; medida de similitude entre as suas culturas, calculada por uma medida de proximidade entre os valores das caracter&iacute;sticas da cultura (15). Dentre os par&acirc;metros relevantes da simula&ccedil;&atilde;o, encontram-se o n&uacute;mero de caracter&iacute;sticas culturais permitidas por cada ator e o n&uacute;mero de valores que cada uma delas pode tomar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A simula&ccedil;&atilde;o &eacute; ent&atilde;o explorada, variando-se os valores dos par&acirc;metros, culminando na conceptualiza&ccedil;&atilde;o de novas categorias de objetos em um n&iacute;vel macro de observa&ccedil;&atilde;o do modelo, como resultado da intera&ccedil;&atilde;o entre culturas. A an&aacute;lise da simula&ccedil;&atilde;o consiste na observa&ccedil;&atilde;o das propriedades desses objetos e das condi&ccedil;&otilde;es em que se formam, tais como os conceitos emergentes de <i>regi&otilde;es</i> ou <i>zonas</i> de culturas similares. Assim, uma boa parte do objetivo da simula&ccedil;&atilde;o consiste em pesquisar anal&iacute;tica e matematicamente propriedades dessas regi&otilde;es de culturas similares, no contexto de um modelo conceptual que, nessa fase de an&aacute;lise, j&aacute; integra no&ccedil;&otilde;es p&oacute;s-computadorizadas, i.e., n&atilde;o representadas internamente no modelo inicial, tais como a rela&ccedil;&atilde;o observada entre o tamanho de uma regi&atilde;o emergente e a varia&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de caracter&iacute;sticas por cultura individual. Os resultados obtidos s&atilde;o depois interpretados em rela&ccedil;&atilde;o a uma teoria ou fen&ocirc;meno sobre a influ&ecirc;ncia social, a que podemos chamar de teoria ou fen&ocirc;meno alvo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos assim constatar que do desenvolvimento da simula&ccedil;&atilde;o emergem n&atilde;o apenas novos objetos, conceptualizados apenas por observa&ccedil;&atilde;o do comportamento da simula&ccedil;&atilde;o, como emergem, em bom rigor, uma sucess&atilde;o de novos modelos como extens&otilde;es do modelo original. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <a href="#fig1">Figura 1</a> ilustra o processo t&iacute;pico de desenvolvimento de uma simula&ccedil;&atilde;o. O processo envolve a constru&ccedil;&atilde;o de dois tipos distintos de modelos conceptuais: um antes da implementa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica dos programas de computador da simula&ccedil;&atilde;o - os modelos pr&eacute;-computadorizados - e outro ap&oacute;s a efetiva execu&ccedil;&atilde;o dos programas de computador que constituem a simula&ccedil;&atilde;o - os modelos p&oacute;s-computadorizados (1). Este fato leva-nos a reconhecer que existem dois objetos de pesquisa durante o desenvolvimento de uma simula&ccedil;&atilde;o: em primeiro lugar, a teoria ou fen&ocirc;meno alvo que se pretende estudar (e.g. a problem&aacute;tica da influ&ecirc;ncia social), e, num plano n&atilde;o menos importante, o modelo f&iacute;sico computacional propriamente dito que &eacute; executado. Em suma, entre esses dois objetos de pesquisa interp&otilde;em-se pelo menos dois modelos conceptuais.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/a14fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos modelos pr&eacute;-computadorizados poder&aacute; ser uma representa&ccedil;&atilde;o presum&iacute;vel da teoria ou fen&ocirc;meno alvo, idealizada pelos pesquisadores. Tais modelos podem ser representados de formas arbitr&aacute;rias, podendo n&atilde;o estar representados numa forma computacional, nem sendo garantido que possam, sem perda de generalidade, ser transformados em modelos computacionais equivalentes. Contudo, esse modelo ter&aacute; que ser implementado como um modelo computacional f&iacute;sico, isto &eacute;, execut&aacute;vel em computador, atrav&eacute;s de cria&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero de outros modelos intermedi&aacute;rios, como os programas representados textualmente escritos numa linguagem de programa&ccedil;&atilde;o de computadores. A inspe&ccedil;&atilde;o do modelo computacional em execu&ccedil;&atilde;o leva &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de um ou mais modelos conceptuais, representados &agrave; esquerda na <a href="#fig1">Figura 1</a>, designados modelos p&oacute;s-computadorizados. Esses s&atilde;o constru&iacute;dos com base na observa&ccedil;&atilde;o do comportamento da execu&ccedil;&atilde;o dos programas de computador e dos seus dados de sa&iacute;da, tais como a visualiza&ccedil;&atilde;o de gr&aacute;ficos ou outros dados estat&iacute;sticos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No quadro do m&eacute;todo de desenvolvimento de uma simula&ccedil;&atilde;o &eacute; precisamente a constru&ccedil;&atilde;o de modelos p&oacute;s-computadorizados que d&aacute; origem &agrave; ideia de "emerg&ecirc;ncia", i.e., quando intera&ccedil;&otilde;es entre objetos especificados atrav&eacute;s de modelos pr&eacute;-computadorizados, num n&iacute;vel qualquer de descri&ccedil;&atilde;o, d&atilde;o origem a diferentes categorias de objetos em diferentes n&iacute;veis de descri&ccedil;&atilde;o, observados no modelo computacional em execu&ccedil;&atilde;o e descritos em conformidade atrav&eacute;s de modelos p&oacute;s-computadorizados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos assim afirmar que a no&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia n&atilde;o pode, no m&eacute;todo computacional, ser analisada sem o reconhecimento que o produto final de uma simula&ccedil;&atilde;o consiste em uma sucess&atilde;o de transforma&ccedil;&otilde;es e incorpora&ccedil;&otilde;es de modelos em outros modelos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A conhecida perspectiva de Mark Bedau (16), por exemplo, na tentativa de caracterizar a no&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia em sistemas complexos com grande sensibilidade &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es iniciais, define a no&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia do seguinte modo: um estado macrosc&oacute;pico &eacute; emergente se puder ser derivado do conhecimento da microdin&acirc;mica do sistema e das condi&ccedil;&otilde;es exteriores <i>apenas</i> atrav&eacute;s de simula&ccedil;&atilde;o. Contudo, e como adequadamente sublinhado por Baker (17), caso n&atilde;o haja uma clara distin&ccedil;&atilde;o entre t&eacute;cnicas baseadas e n&atilde;o baseadas em simula&ccedil;&atilde;o, a defini&ccedil;&atilde;o de Bedau arrisca desaguar em vacuidade. Se queremos compreender o uso de modelos e simula&ccedil;&otilde;es computacionais para o estudo da complexidade social, bem como a caracteriza&ccedil;&atilde;o da no&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia que lhe est&aacute; associada, interessa compreender os processos de sucessivas transforma&ccedil;&otilde;es de modelos que constituem o m&eacute;todo de desenvolvimento de uma simula&ccedil;&atilde;o. Edmonds (18, p.106), por exemplo, na tentativa de caracterizar o m&eacute;todo de simula&ccedil;&atilde;o computacional nas ci&ecirc;ncias sociais, define emerg&ecirc;ncia do seguinte modo: um resultado &eacute; "emergente" quando os resultados da simula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o facilmente <i>dedut&iacute;veis</i> das regras especificadas; por exemplo, no caso do modelo de Schelling (19), quando &eacute; dif&iacute;cil ver ou provar porque a forma&ccedil;&atilde;o de aglomerados de agentes da mesma etnia na simula&ccedil;&atilde;o ocorre para pequenos valores de um par&acirc;metro cr&iacute;tico. Mas se entendermos a simula&ccedil;&atilde;o como um processo de imita&ccedil;&atilde;o parcial do real e como um instrumento para estudar as rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre um estado emergente e a microdin&acirc;mica que lhe deu origem, as sucessivas transforma&ccedil;&otilde;es de modelos inerentes ao m&eacute;todo tornam-se incontorn&aacute;veis para se caracterizar a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de emerg&ecirc;ncia, bem como os processos de infer&ecirc;ncia utilizados pelo pesquisador para descobrir - ou deduzir, nas palavras de Edmonds - as rela&ccedil;&otilde;es entre um estado emergente e a microdin&acirc;mica. O que poder&aacute;, de fato, emergir de um programa em execu&ccedil;&atilde;o num computador, que &eacute;, por defini&ccedil;&atilde;o, uma m&aacute;quina f&iacute;sica?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EMERG&Ecirc;NCIA COMO PRODUTO DA IMPLEMENTA&Ccedil;&Atilde;O EM COMPUTADORES</b> Vimos anteriormente que o m&eacute;todo de desenvolvimento de uma simula&ccedil;&atilde;o envolve a formula&ccedil;&atilde;o de modelos pr&eacute;-computadorizados, tais como especifica&ccedil;&otilde;es e programas simb&oacute;licos escritos numa linguagem de programa&ccedil;&atilde;o. A simula&ccedil;&atilde;o envolve, assim, a interpreta&ccedil;&atilde;o da teoria ou fen&ocirc;meno alvo num programa de computador, uma estrutura formal simb&oacute;lica com um poder de expressividade bastante mais limitado do que a descri&ccedil;&atilde;o da teoria. Esse programa &eacute; implementado fisicamente no computador, que armazenar&aacute; um seu equivalente f&iacute;sico, um conjunto de bits. Esse processo de transforma&ccedil;&atilde;o de modelos abstratos em modelos f&iacute;sicos denomina-se <i>implementa&ccedil;&atilde;o</i>. A implementa&ccedil;&atilde;o da simula&ccedil;&atilde;o implica, por conseguinte, uma intera&ccedil;&atilde;o entre processos simb&oacute;licos e f&iacute;sicos que implementam uma rela&ccedil;&atilde;o de causalidade dos programas para o comportamento da simula&ccedil;&atilde;o. Vejamos como pode ser caracterizada a no&ccedil;&atilde;o de implementa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em ci&ecirc;ncias da computa&ccedil;&atilde;o, essa no&ccedil;&atilde;o tem-se mostrado dif&iacute;cil de definir. Na literatura de linguagens de programa&ccedil;&atilde;o, a implementa&ccedil;&atilde;o &eacute; descrita como "a realiza&ccedil;&atilde;o de uma linguagem de programa&ccedil;&atilde;o". Entretanto, o termo "realiza&ccedil;&atilde;o" n&atilde;o &eacute; definido. Tomado literalmente, significa "tornar real", onde "real" &eacute; oposto a "imagin&aacute;rio" ou talvez "abstrato", segundo Rapaport (20). Considere-se a rela&ccedil;&atilde;o entre algoritmos, programas e os computadores que os executam. Um algoritmo &eacute; um procedimento para computar uma fun&ccedil;&atilde;o. Um programa &eacute; uma express&atilde;o textual mais espec&iacute;fica e detalhada de um algoritmo, expressa numa linguagem de programa&ccedil;&atilde;o. Um processo de execu&ccedil;&atilde;o em computador &eacute; um comportamento correspondente &agrave; descri&ccedil;&atilde;o do programa num dispositivo f&iacute;sico; o dispositivo f&iacute;sico <i>implementa</i> o programa. Rapaport apresenta, nesse contexto, uma das poucas propostas para definir a no&ccedil;&atilde;o de implementa&ccedil;&atilde;o. O entendimento de Rapaport &eacute; que a implementa&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma forma de "interpreta&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica" de um dom&iacute;nio sint&aacute;tico para um dom&iacute;nio sem&acirc;ntico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Rapaport, a interpreta&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica requer dois dom&iacute;nios e uma rela&ccedil;&atilde;o: um dom&iacute;nio sint&aacute;tico, chamado de <i>abstra&ccedil;&atilde;o</i>, caracterizado por regras de manipula&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos; um dom&iacute;nio sem&acirc;ntico, caracterizado de forma similar; e uma interpreta&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica que mapeia o primeiro dom&iacute;nio no &uacute;ltimo. Posto desta forma, n&atilde;o existe uma diferencia&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca entre os dois dom&iacute;nios; o que torna um sint&aacute;tico e o outro sem&acirc;ntico &eacute; a assimetria do mapeamento interpretativo. Um dado dom&iacute;nio pode ent&atilde;o ser considerado sint&aacute;tico ou sem&acirc;ntico, dependendo do outro dom&iacute;nio, e.g. um processo computacional que implementa um programa exerce o papel de dom&iacute;nio sem&acirc;ntico para o programa como dom&iacute;nio sint&aacute;tico. O mesmo programa, implementando um algoritmo, exerce o papel de dom&iacute;nio sem&acirc;ntico enquanto o algoritmo exerce o papel de dom&iacute;nio sint&aacute;tico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As implementa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o, por conseguinte, realiza&ccedil;&otilde;es abstratas ou f&iacute;sicas de abstra&ccedil;&otilde;es. Para Rapaport, a explica&ccedil;&atilde;o dessa no&ccedil;&atilde;o requer ainda um terceiro termo, al&eacute;m da implementa&ccedil;&atilde;o e da abstra&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">I &eacute; uma implementa&ccedil;&atilde;o da abstra&ccedil;&atilde;o A no meio M</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">onde A &eacute; a abstra&ccedil;&atilde;o e M &eacute; o dom&iacute;nio sem&acirc;ntico que pode ser f&iacute;sico ou abstrato. Por exemplo, no estudo de estruturas de dados, pode falar-se sobre a implementa&ccedil;&atilde;o de uma estrutura abstrata - e.g. uma fila de registros de alunos - atrav&eacute;s de uma outra estrutura abstrata - e.g. uma lista ligada; implementar a lista numa linguagem de programa&ccedil;&atilde;o; implementar o programa numa linguagem de m&aacute;quina; e implementar uma linguagem de m&aacute;quina num computador. H&aacute;, portanto, dois tipos de implementa&ccedil;&atilde;o, abstratas e concretas, onde as &uacute;ltimas s&atilde;o realizadas em algum meio f&iacute;sico. Rapaport avan&ccedil;a no contexto dessa proposta, atrav&eacute;s do que ele chama do problema da <i>brecha sem&acirc;ntica</i>, representada pelas quatro rela&ccedil;&otilde;es ilustradas na <a href="#fig2">Figura 2</a>:</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/a14fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A.</b> Atrav&eacute;s de uma rela&ccedil;&atilde;o <i>A</i>, um programa <i>P</i> numa linguagem de programa&ccedil;&atilde;o de alto n&iacute;vel &eacute; interpretado semanticamente por objetos do mundo real. Presumivelmente, a interpreta&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica do programa consiste na rela&ccedil;&atilde;o entre, por exemplo, estruturas de dados (um registro representando um estudante, com o seu nome, classe, n&uacute;mero, m&eacute;dia das suas classifica&ccedil;&otilde;es) e um estudante arbitr&aacute;rio, imagin&aacute;rio ou no mundo real.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>B.</b> O programa <i>P</i> &eacute; compilado para uma implementa&ccedil;&atilde;o em linguagem de m&aacute;quina, por meio de uma rela&ccedil;&atilde;o <i>B</i>. A rela&ccedil;&atilde;o da compila&ccedil;&atilde;o inclui a rela&ccedil;&atilde;o entre o registro do estudante e determinadas constru&ccedil;&otilde;es com tipos de dados da linguagem de m&aacute;quina. Ambas <i>A</i> e <i>B</i> s&atilde;o rela&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>C.</b> A implementa&ccedil;&atilde;o em linguagem de m&aacute;quina - um programa <i>P</i> - &eacute;, por sua vez, interpretada semanticamente por <i>bits</i> num computador, por meio de uma rela&ccedil;&atilde;o <i>C</i>. Todas as rela&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas s&atilde;o correspond&ecirc;ncias. A rela&ccedil;&atilde;o entre o programa <i>P</i> e os <i>bits</i> &eacute; apenas mais uma correspond&ecirc;ncia. Afinal de contas, poder-se-ia mapear tamb&eacute;m o programa <i>P</i> nos <i>bits</i> do computador, representado por uma rela&ccedil;&atilde;o de implementa&ccedil;&atilde;o <i>E</i>, via <i>B</i> e <i>C</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>D.</b> A brecha sem&acirc;ntica refere-se &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre os objetos do mundo real referidos na rela&ccedil;&atilde;o <i>A</i> (o estudante) e os objetos do mundo real referidos em <i>C</i> (os <i>bits</i> do computador), pois s&atilde;o ambos interpreta&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas do programa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>E.</b> O que &eacute; ent&atilde;o a rela&ccedil;&atilde;o <i>D</i>? Segundo Rapaport, poderia ser o que ele chama de simula&ccedil;&atilde;o. "Os <i>bits</i> do computador simulam o estudante. Mas simula&ccedil;&atilde;o &eacute;, afinal de contas, uma forma de implementa&ccedil;&atilde;o. Os <i>bits</i> de computadores s&atilde;o uma implementa&ccedil;&atilde;o em computador do estudante" (20, p.112).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existe um aspecto na proposta de Rapaport que merece melhor an&aacute;lise. Considere-se a rela&ccedil;&atilde;o <i>A</i>. N&atilde;o parece question&aacute;vel afirmar que o programa <i>P</i> &eacute; interpretado semanticamente por objetos do mundo real, no exemplo dado, o mapeamento de uma estrutura de dados em um estudante. Mas na acep&ccedil;&atilde;o de Rapaport, isto &eacute; o mesmo que dizer que o programa <i>P</i> - o dom&iacute;nio sint&aacute;tico - &eacute; <i>implementado</i> em estudante - o dom&iacute;nio sem&acirc;ntico -, o que se afigura absurdo!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se entendermos o conceito de simula&ccedil;&atilde;o como a rela&ccedil;&atilde;o <i>D</i>, podemos v&ecirc;-la como um processo parcialmente representativo do estudante, que utiliza como meio uma m&aacute;quina f&iacute;sica, que se obt&eacute;m por sucessivas transforma&ccedil;&otilde;es de modelos em outros modelos. Mas &eacute; inquestion&aacute;vel que a natureza da transforma&ccedil;&atilde;o de modelos formais em outros modelos formais equivalentes, atrav&eacute;s das rela&ccedil;&otilde;es <i>B</i> e <i>C</i>, se distingue da natureza da interpreta&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica de <i>P</i> por objetos do mundo real, dada por <i>A</i>. A brecha sem&acirc;ntica acontece como o produto das limita&ccedil;&otilde;es de expressividade da linguagem formal do programa computacional <i>P</i> para representar o mundo real que se pretende descrever. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Edmonds (18), por exemplo, aflora a quest&atilde;o das dificuldades de representa&ccedil;&atilde;o do mundo social em computadores, aludindo a dois tipos distintos de complexidade, a que chama de complexidades sint&aacute;tica e sem&acirc;ntica. A primeira caracteriza as dificuldades em analisar o processo de infer&ecirc;ncia subjacente a uma simula&ccedil;&atilde;o, nomeadamente, analisar os antecedentes dos resultados de uma simula&ccedil;&atilde;o devido &agrave; complexidade das intera&ccedil;&otilde;es caracter&iacute;sticas de sistemas sociais. Uma forma de ver essa complexidade &eacute; que "a dist&acirc;ncia computacional do estado inicial do sistema para os resultados &eacute; t&atilde;o grande que &eacute; completamente impratic&aacute;vel, sen&atilde;o in&uacute;til, derivar analiticamente propriedades dos resultados do estado inicial." Por sua vez, a complexidade sem&acirc;ntica &eacute; caracterizada pela dificuldade dos sistemas formais em representarem descri&ccedil;&otilde;es com complexos conte&uacute;dos sem&acirc;nticos, como emo&ccedil;&otilde;es, objetivos, cren&ccedil;as e normas sociais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute;, contudo, um aspecto importante n&atilde;o frisado por Edmonds. As dificuldades sem&acirc;nticas de representa&ccedil;&atilde;o limitam em si mesmo a capacidade de infer&ecirc;ncia formal atrav&eacute;s da deriva&ccedil;&atilde;o sint&aacute;tica. A interpreta&ccedil;&atilde;o dos resultados de uma simula&ccedil;&atilde;o &eacute; afetada pela perda ou altera&ccedil;&atilde;o de significados durante os processos de infer&ecirc;ncia sint&aacute;tica e de transforma&ccedil;&atilde;o de modelos. Em (21; 22), mostramos que a brecha sem&acirc;ntica implica infundir significados nos programas de computador para al&eacute;m do que eles s&atilde;o, formalmente, capazes de representar, originando uma interpreta&ccedil;&atilde;o da computa&ccedil;&atilde;o que vai al&eacute;m da sua natureza formal e emp&iacute;rica, a que chamamos computa&ccedil;&atilde;o intencional. A sucessiva transforma&ccedil;&atilde;o de modelos e os processos de infer&ecirc;ncia que lhes est&atilde;o subjacentes transportam pressupostos assumidos pelo pesquisador que v&atilde;o al&eacute;m da capacidade de representa&ccedil;&atilde;o dos computadores. Consequentemente, o processo computacional de deriva&ccedil;&atilde;o sint&aacute;tica, que potencialmente relaciona um estado emergente com a sua microdin&acirc;mica, transporta, igualmente, um conjunto de pressupostos e conclus&otilde;es externas assumidos pelo pesquisador, que v&atilde;o al&eacute;m da capacidade dos m&eacute;todos formais subjacentes ao processo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DO CONCEITO ILUSIVO DE EMERG&Ecirc;NCIA AO ENRIQUECIMENTO SEM&Acirc;NTICO</b> Dos pressupostos enunciados anteriormente, resulta como algo ilusivo que o conceito de emerg&ecirc;ncia seja uma decorr&ecirc;ncia da microdin&acirc;mica de um modelo, quando n&atilde;o interpretado num quadro estrito e demonstr&aacute;vel de modo formal. Em boa parte, a interpreta&ccedil;&atilde;o de um estado emergente &eacute; sustentada por uma analogia sem&acirc;ntica com a teoria ou fen&ocirc;meno alvo que se pretende simular. A t&iacute;tulo de exemplo, comparam-se duas conclus&otilde;es distintas e de teor abundante na literatura, relativo &agrave; emerg&ecirc;ncia de agregados de agentes da mesma cor no conhecido modelo de Schelling:</font></p> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">    <blockquote>    <p>"Existe um valor cr&iacute;tico para o par&acirc;metro C (a propor&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de prefer&ecirc;ncia por vizinhos da mesma cor), a partir do qual a grelha se auto-organiza em &aacute;reas segregadas de localiza&ccedil;&otilde;es da mesma cor. Esse valor &eacute; menor que 0,5" (18, p.123).</p>     <p>"At&eacute; um <i>desejo</i> por uma pequena propor&ccedil;&atilde;o de vizinhos de <i>ra&ccedil;a</i> similar pode levar a <i>segrega&ccedil;&atilde;o</i> auto-organizada" (18, p.23, nosso it&aacute;lico).</p></blockquote></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o ser&aacute; dif&iacute;cil concordar que a &uacute;ltima conclus&atilde;o, uma mera interpreta&ccedil;&atilde;o da primeira, carrega, no &acirc;mbito estrito do modelo computacional que d&aacute; suporte &agrave; simula&ccedil;&atilde;o, um significado contra-factual. A analogia entre as duas conclus&otilde;es n&atilde;o se encontra sen&atilde;o por um enriquecimento sem&acirc;ntico da &uacute;ltima sobre a primeira, cuja sustenta&ccedil;&atilde;o s&oacute; pode ser encontrada em pressupostos exteriores &agrave; pr&oacute;pria simula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todavia, n&atilde;o restam d&uacute;vidas que o objetivo de uma simula&ccedil;&atilde;o consiste em estabelecer analogias entre o sistema alvo considerado e a simula&ccedil;&atilde;o. Como K&uuml;ppers e Lenhard (23) assinalam, mesmo nas ci&ecirc;ncias naturais, o sucesso de um modelo computacional &eacute; normalmente avaliado em fun&ccedil;&atilde;o da sua capacidade de imitar a teoria ou fen&ocirc;meno alvo, e n&atilde;o pelo realismo dos seus pressupostos ou pela sua redu&ccedil;&atilde;o a princ&iacute;pios gerais. Como caso paradigm&aacute;tico, K&uuml;ppers e Lenhard destacam o modelo global clim&aacute;tico de Philips, avaliado pela medida em que reproduz realisticamente caracter&iacute;sticas din&acirc;micas da atmosfera, em detrimento do realismo das equa&ccedil;&otilde;es diferenciais utilizadas para ger&aacute;-lo. Estas foram intencionalmente modificadas da sua forma original para reproduzir corretamente as caracter&iacute;sticas emergentes da atmosfera.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas a capacidade de uma simula&ccedil;&atilde;o imitar o fen&ocirc;meno ou teoria alvo no dom&iacute;nio das ci&ecirc;ncias sociais carrega interroga&ccedil;&otilde;es adicionais. As categorias de objetos emergentes num n&iacute;vel macro de observa&ccedil;&atilde;o em um modelo computacional n&atilde;o podem ser paralelizadas com categorias no mundo real sen&atilde;o por uma extens&atilde;o sem&acirc;ntica que n&atilde;o encontra sustenta&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica na pr&oacute;pria simula&ccedil;&atilde;o. Da mesma forma, a explica&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas emergentes de uma simula&ccedil;&atilde;o em um n&iacute;vel macro de descri&ccedil;&atilde;o, entendidas como o resultado da especifica&ccedil;&atilde;o da microdin&acirc;mica do modelo simulado, tampouco pode ser paralelizada com o mundo real sen&atilde;o por uma extens&atilde;o sem&acirc;ntica que, novamente, n&atilde;o encontra sustenta&ccedil;&atilde;o na pr&oacute;pria simula&ccedil;&atilde;o. No&ccedil;&otilde;es formais do conceito de emerg&ecirc;ncia, como, por exemplo, as de "emerg&ecirc;ncia fraca" de Mark Bedau, encontrar&atilde;o assim dificuldades que parecem incontorn&aacute;veis para situar o conceito de emerg&ecirc;ncia na simula&ccedil;&atilde;o computacional da complexidade social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; raz&otilde;es que sugerem considerar a simula&ccedil;&atilde;o computacional da complexidade social atrav&eacute;s de uma perspectiva distinta. No caso, a simula&ccedil;&atilde;o implica uma vis&atilde;o distintiva sobre o que os programas de computador podem ser, e representar, para o conhecimento cient&iacute;fico. Nem as simula&ccedil;&otilde;es nem os programas devem ser entendidos como an&aacute;logos de teorias cient&iacute;ficas num sentido cl&aacute;ssico, tal como hipotetizamos (21), tese tamb&eacute;m sugerida no mesmo encontro por K&uuml;ppers e Lenhard (23), entre outros. A&iacute; se sugere que qualquer abordagem para definir o car&aacute;ter epistemol&oacute;gico das simula&ccedil;&otilde;es deve levar em conta a especificidade das ci&ecirc;ncias sociais, pondo-as em contraste com a natureza formal e emp&iacute;rica de pesquisa em ci&ecirc;ncias da computa&ccedil;&atilde;o, e, principalmente, com aten&ccedil;&atilde;o ao estudo do contexto epistemol&oacute;gico da simula&ccedil;&atilde;o nas ci&ecirc;ncias sociais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Nuno David</b> &eacute; professor auxiliar e pesquisador do Dinamia, no Centro de Estudos Sobre a Mudan&ccedil;a Socioecon&ocirc;mica e o Territ&oacute;rio (CET), Departamento de Ci&ecirc;ncias e Tecnologias da Informa&ccedil;&atilde;o do Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (ISCTE/IUL), Portugal.    <br> <b>Jaime Sim&atilde;o Sichman</b> &eacute; professor associado e pesquisador do Laborat&oacute;rio de T&eacute;cnicas Inteligentes (LTI/PCS) da Escola Polit&eacute;cnica, Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), sendo parcialmente financiado pelo CNPq e Fapesp.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. David, N.. "Validation and verification in social simulation: patterns and clarification of terminology". In: Squazzoni, F. (Ed.) <i>Epistemological aspects of computer simulation in the social sciences</i>, EPOS 2006, Revised Selected and Invited Papers, Lecture Notes in Artificial Intelligence. Berlin, Germany, Springer-Verlag. Vol. 5466, p. 117-129. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. David, N.; Sichman, J. S.; Coelho, H.. "Towards an emergence-driven software process for agent-based-simulation". In: Sichman, J. S.; Bousquet, F.; Davidsson, P. (Eds.)<i> Multi-agent-based simulation II</i>. Lecture Notes in Artificial Intelligence. Berlin, Germany, Springer-Verlag. Vol. 2581, p. 89-104. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Edmonds, B.; Meyer, R.. <i>Simulating social complexity - a handbook, Understanding complex systems series</i>. Berlin, Germany, Springer-Verlag. 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Franck, U.; Troitzsch, K. "Epistemological perspectives on simulation". <i>Journal of Artificial Societies and Social Simulation,</i> 8(4), 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. David, N.; Caldas, J. C.; Coelho, H.. "Epistemological perspectives on simulation III". <i>Journal of Artificial Societies and Social Simulation,</i> 13(1), 2010.     </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. A real capacidade dos modelos computacionais preverem o comportamento ou o funcionamento dos fen&ocirc;menos que modelam &eacute; controversa, e varia de um dom&iacute;nio cient&iacute;fico para outro. Na realidade, e em particular no dom&iacute;nio das ci&ecirc;ncias sociais, raramente &eacute; esse o objetivo. Para uma discuss&atilde;o em profundidade, vide David (7).</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. David, N.. "Validating simulations". In: Edmonds, B.; Meyer, R.. <i>Simulating social complexity - a handbook</i>, Understanding Complex Systems Series. Berlin, Germany, Springer-Verlag. p. 135-171.  2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Conte, R.; Gilbert, N.; Sichman, J. S.. "MAS and social simulation: a suitable commitment". In: Sichman, J. S.; Conte, R.; Gilbert, N. (Eds.)<i> Multi-agent systems and agent-based simulation</i>. Lecture Notes in Artificial Intelligence. Berlin, Germany, Springer-Verlag. Vol. 1534, p. 1-9. 1998.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Sichman, J. S.; Bousquet, F.; Davidsson, P. (Eds.) <i>Multi-agent-based simulation II. </i>Lecture Notes in Artificial Intelligence. Berlin, Germany, Springer-Verlag. Vol. 2581. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Sichman, J. S.; Antunes, L. (Eds.) <i>Multi-agent-based simulation VI. </i>Lecture Notes in Artificial Intelligence. Berlin, Germany, Springer-Verlag. Vol. 3891. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Sichman, J. S.. "MABS celebrates its 10th. Anniversary!". In: Antunes, L.; Paolucci, M.; Norling, E. (Eds.)<i> Multi-agent-based simulation VIII</i>. Lecture Notes in Artificial Intelligence. Berlin, Germany, Springer-Verlag. Vol. 5003, p. 1-7. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. David, N.; Sichman, J. S. (Eds.) <i>Multi-agent-based simulation IX. </i>Lecture Notes in Artificial Intelligence. Berlin, Germany, Springer-Verlag. Vol. 5269. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Villatoro, D.; Sabater-Mir, J.; Sichman, J. S. (Eds.) <i>Multi-agent-based simulation XII. </i>Lecture Notes in Artificial Intelligence. Berlin, Germany, Springer-Verlag. Vol. 7124. 2012.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Axelrod, R.. "The dissemination of culture: a model with local convergence and global polarization". <i>Journal of Conflict Resolution</i>, 41(2), p. 203-226. 1997.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Uma vez que os atores interagem, o mecanismo de <i>bit-flipping</i> funciona da seguinte maneira: &eacute; selecionada uma caracter&iacute;stica na qual os seus valores diferem, resultando depois da intera&ccedil;&atilde;o em dois atores com o mesmo valor na mesma caracter&iacute;stica.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Bedau, M. A. "Weak emergence". In: James Tomberlin (Ed.) <i>Philosophical perspectives: mind, causation, and world</i>. Oxford, Blackwell Publishers. Vol. 11, p. 375-399. 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Baker, A.. "Simulation-based definitions of emergence". <i>Journal of Artificial Societies and Social Simulation,</i> 13 (1), 2010.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Edmonds, B.. "Towards an ideal social simulation language". In: Sichman, J. S.; Bousquet, F.; Davidsson, P. (Eds<i>.) Multi-agent-based simulation II</i>. Lecture Notes in Artificial Intelligence. Berlin, Germany, Springer-Verlag. Vol. 2581, p. 105-124. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Schelling, T.. <i>Micromotives and macrobehavior</i>. W. W. Norton &amp; Company. 1978.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Rapaport, W. J. "Implementation is semantic interpretation". <i>The Monist</i>, 82(1), p. 109-130. 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. David, N.; Sichman, J. S.; Coelho, H.. "The logic of the method of agent-based simulation in the social sciences: empirical and intentional adequacy of computer programs". <i>Journal of Artificial Societies and Social Simulation</i>, 8(4). 2005.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. David, N.; Sichman, J. S.; Coelho, H.. "Simulation as formal and generative social science: the very idea". In: Gershenson, C.; Aerts, D.; Edmonds, B. (Eds.) <i>Worldviews, science, and us: philosophy and complexity</i>. World Scientific Publishing. p. 266-284. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. K&uuml;ppers, G.; Lenhard, J. (2005). "Validation of simulation: patterns in the social and natural sciences". <i>Journal of Artificial Societies and Social Simulation,</i> 8(4),  2005.    </font></p>      ]]></body><back>
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