<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252013000400018</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/S0009-67252013000400018</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação, comunicação e percepção de riscos associados a desastres naturais: uma contribuição aos estudos ambientais]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Di Giulio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gabriela Marques]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Figueiredo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Bernardino Ribeiro]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lúcia da Costa]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP.)  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Nepam-Unicamp  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2013</year>
</pub-date>
<volume>65</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>51</fpage>
<lpage>53</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252013000400018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252013000400018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252013000400018&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(a&e).jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Avalia&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e percep&ccedil;&atilde;o de riscos associados    a desastres naturais: uma contribui&ccedil;&atilde;o aos estudos ambientais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Gabriela Marques Di Giulio     <br>   Bernardino Ribeiro Figueiredo     <br>   L&uacute;cia da Costa Ferreira</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O terremoto registrado na regi&atilde;o de &Aacute;quila &agrave;s 3h30 do dia 06 de abril de 2009 atingiu 6,3 na escala Richter. Al&eacute;m da cidade de &Aacute;quila, outros 20 munic&iacute;pios vizinhos foram afetados pelo abalo s&iacute;smico, que matou 308 indiv&iacute;duos e feriu pelo menos 1.500. Entre 10 mil e 15 mil resid&ecirc;ncias foram danificadas ou destru&iacute;das e cerca de 80 mil habitantes tiveram de deixar, temporariamente ou n&atilde;o, suas casas (1).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alexander (2010), ao fazer uma an&aacute;lise sobre a pol&iacute;tica de governo e a resposta dada ao desastre, argumenta que o terremoto foi precedido por anomalias em ondas de r&aacute;dio, luzes de terremoto, irregularidades magn&eacute;ticas, fluxos de ur&acirc;nio nas &aacute;guas subterr&acirc;neas e mudan&ccedil;as ionosf&eacute;ricas. Todavia, nenhum desses eventos precursores teria permitido uma previs&atilde;o em curto prazo para ser emitida ao p&uacute;blico (2). O autor se refere &agrave; decis&atilde;o da Comiss&atilde;o Nacional de Grandes Riscos em manifestar publicamente, ap&oacute;s reuni&atilde;o realizada no dia 31 de mar&ccedil;o de 2009, que a ocorr&ecirc;ncia de um grande terremoto naquela regi&atilde;o era improv&aacute;vel. A reuni&atilde;o teria sido motivada pelo grande n&uacute;mero de pequenos terremotos que ocorreram perto de &Aacute;quila nas semanas anteriores e pela previs&atilde;o de um cientista amador que, ao observar os eventos ocorridos, teria divulgado que um terremoto de grandes propor&ccedil;&otilde;es ocorreria na regi&atilde;o. Como argumenta o autor, depois do terremoto, foram iniciados procedimentos legais para determinar se teria havido alguma falha por parte da Comiss&atilde;o na sua manifesta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste artigo, os autores tomam esses fatos como ponto de partida para uma reflex&atilde;o te&oacute;rica sobre (i) os aspectos que circundam o processo de avalia&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o e gerenciamento de risco; (ii) a necessidade de incorporar uma abordagem integrada de avalia&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o do risco na educa&ccedil;&atilde;o dos profissionais envolvidos em estudos ambientais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RISCO: FEN&Ocirc;MENO REAL E CONSTRU&Ccedil;&Atilde;O SOCIAL</b> Nas avalia&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas de risco, nos estudos de engenharia e de geoci&ecirc;ncias, por exemplo, o risco &eacute; entendido como um evento adverso, um atributo f&iacute;sico, com determinadas probabilidades objetivas de provocar danos, e pode ser estimado atrav&eacute;s de c&aacute;lculos quantitativos de n&iacute;veis de aceitabilidade que permitem estabelecer padr&otilde;es atrav&eacute;s de diversos m&eacute;todos, como predi&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas, estima&ccedil;&atilde;o probabil&iacute;stica do risco e compara&ccedil;&otilde;es de risco/benef&iacute;cio (3).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa perspectiva, atrelada &agrave; abordagem do objetivismo natural cient&iacute;fico sobre perigos (4), falha em reconhecer que os fatos cient&iacute;ficos s&atilde;o situados e interpretados em contextos culturais e pol&iacute;ticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para superar essas limita&ccedil;&otilde;es, a abordagem do relativismo cultural sobre perigos enfatiza o aspecto contextual das respostas ao risco, argumentando que os fatores socioculturais s&atilde;o significativos na compreens&atilde;o das resist&ecirc;ncias e controv&eacute;rsias existentes e nas percep&ccedil;&otilde;es que os indiv&iacute;duos e grupos sociais t&ecirc;m sobre os riscos (5).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para compreender e lidar com os riscos atuais, Beck prop&otilde;e a integra&ccedil;&atilde;o dessas duas abordagens, assumindo, assim, a ideia de que os riscos existem e s&atilde;o fen&ocirc;menos reais, mas que a natureza e as causas dos riscos s&atilde;o conceitualizadas e enfrentadas diferentemente pelas sociedades contempor&acirc;neas ocidentais, quando comparadas com per&iacute;odos anteriores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A abordagem proposta por Beck traz &agrave; tona os conflitos e contradi&ccedil;&otilde;es que marcam o processo de negocia&ccedil;&atilde;o sobre os riscos nas sociedades contempor&acirc;neas, inclusive os associados a desastres naturais - como o caso do terremoto de &Aacute;quila. Esses conflitos e controv&eacute;rsias est&atilde;o associados &agrave; pr&oacute;pria produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, ainda fragmentada entre as disciplinas, enquanto os riscos s&atilde;o complexos; e ao fato de que a ci&ecirc;ncia, ao sustentar e encobrir a produ&ccedil;&atilde;o de perigos e amea&ccedil;as, passa a ter sua autoridade questionada (4; 5). Evidencia tamb&eacute;m os elementos presentes no processo de avalia&ccedil;&atilde;o de risco: complexidade, incerteza e ambiguidade. Estes elementos n&atilde;o est&atilde;o relacionados &agrave;s caracter&iacute;sticas intr&iacute;nsecas dos perigos e dos riscos, mas ao estudo e &agrave; qualidade do conhecimento dispon&iacute;vel sobre os riscos e perigos (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O problema &eacute; que nem sempre esses elementos s&atilde;o de fato reconhecidos e tomados em considera&ccedil;&atilde;o pelos pr&oacute;prios cientistas, pelos tomadores de decis&atilde;o e pelo p&uacute;blico em geral. Os eventos que precederam o terremoto em &Aacute;quila, a decis&atilde;o da Comiss&atilde;o Nacional de Grandes Riscos em divulgar que, apesar daqueles acontecimentos, um terremoto de grandes propor&ccedil;&otilde;es era improv&aacute;vel na regi&atilde;o, os procedimentos legais para determinar se houve falha por parte da Comiss&atilde;o na sua manifesta&ccedil;&atilde;o, a cobran&ccedil;a por justi&ccedil;a e atribui&ccedil;&atilde;o de culpa por parte do p&uacute;blico e a pr&oacute;pria senten&ccedil;a condenat&oacute;ria revelam a dificuldade intr&iacute;nseca em lidar com essas tr&ecirc;s caracter&iacute;sticas b&aacute;sicas do pr&oacute;prio conhecimento cient&iacute;fico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerar esses elementos e tamb&eacute;m os fatores que influenciam as percep&ccedil;&otilde;es e atitudes coletivas e individuais frente aos riscos &eacute; fundamental para que os objetivos da avalia&ccedil;&atilde;o de risco, que incluem a prote&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de e ao ambiente atrav&eacute;s da gera&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e subs&iacute;dios &agrave; regula&ccedil;&atilde;o dos riscos e aos processos decis&oacute;rios, possam ser alcan&ccedil;ados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PERCEP&Ccedil;&Atilde;O E COMUNICA&Ccedil;&Atilde;O DE RISCO</b> Um estudo realizado por pesquisadores italianos buscou identificar as percep&ccedil;&otilde;es dos moradores de &Aacute;quila acerca dos riscos de ocorr&ecirc;ncia de terremotos na regi&atilde;o e a capacidade de preven&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos e da comunidade local (7). O estudo envolveu a realiza&ccedil;&atilde;o de uma pesquisa aplicada a 151 moradores feita logo ap&oacute;s o terremoto e apontou que, antes de 2009, os moradores de &Aacute;quila consideravam improv&aacute;vel a ocorr&ecirc;ncia de um terremoto de grande magnitude na cidade e se mostravam excessivamente otimistas sobre a capacidade de suas casas resistirem a um evento como este - mesmo considerando que boa parte das casas antigas fora constru&iacute;da com materiais impr&oacute;prios para suportar a ocorr&ecirc;ncia de um abalo s&iacute;smico de maior magnitude (7).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse estudo sinaliza que os residentes locais tinham uma baixa percep&ccedil;&atilde;o do risco, apesar de &Aacute;quila ter uma longa hist&oacute;ria s&iacute;smica e da pr&oacute;pria sequ&ecirc;ncia de leves abalos registrados na cidade desde dezembro de 2008. Indica tamb&eacute;m que a maioria n&atilde;o tinha um senso do imediatismo da amea&ccedil;a durante esses pequenos abalos que precederam o choque principal (7).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os autores do estudo argumentam ainda que a baixa percep&ccedil;&atilde;o dos moradores evidencia um discurso p&uacute;blico ineficiente sobre perigos e riscos s&iacute;smicos. Para esses autores, uma comunica&ccedil;&atilde;o simples e direta por parte das autoridades respons&aacute;veis pelo gerenciamento desses riscos sobre a impossibilidade de prever terremotos com precis&atilde;o e sobre os riscos apresentados por edif&iacute;cios antigos da cidade poderia ter provocado discuss&otilde;es na comunidade sobre estrat&eacute;gias de prepara&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o associadas &agrave; ocorr&ecirc;ncia de um evento futuro. Al&eacute;m disso, argumentam que deveria ter havido esfor&ccedil;os para educar e treinar as gera&ccedil;&otilde;es mais jovens sobre estrat&eacute;gias de gerenciamento de risco tanto nas escolas como em atividades organizadas pelas ag&ecirc;ncias respons&aacute;veis pela gest&atilde;o de risco e emerg&ecirc;ncia, uma vez que estudos anteriores j&aacute; indicavam uma "desatualiza&ccedil;&atilde;o" do conhecimento local - em particular dos mais jovens - sobre a ocorr&ecirc;ncia de terremotos na regi&atilde;o (7).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As conclus&otilde;es desse estudo constituem uma ponte interessante para uma breve reflex&atilde;o sobre comunica&ccedil;&atilde;o e percep&ccedil;&atilde;o de risco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A literatura mostra que os primeiros esfor&ccedil;os e a&ccedil;&otilde;es relacionados &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o de risco estavam associados apenas &agrave; pr&aacute;tica de convencer ou transmitir informa&ccedil;&otilde;es entre as partes interessadas sobre os riscos ao ambiente e &agrave; sa&uacute;de humana, a&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas implementadas para gerenciar ou control&aacute;-los. Essas estrat&eacute;gias estavam limitadas ao chamado modelo de d&eacute;ficit de conhecimento, no qual prevalece a vis&atilde;o de que o "p&uacute;blico leigo" &eacute; ignorante sobre ci&ecirc;ncia ambiental e sa&uacute;de; &eacute; irracional nas suas respostas aos riscos e, portanto, deve ser mais bem informado e convertido para uma vis&atilde;o mais objetiva (8). Esse modelo, ainda adotado em algumas situa&ccedil;&otilde;es como mostram por exemplo estudos conduzidos no Brasil (9), apresenta diversas limita&ccedil;&otilde;es, especialmente porque falha em considerar como as mensagens s&atilde;o compreendidas pelo receptor, subestima o contexto em que a comunica&ccedil;&atilde;o ocorre, n&atilde;o engaja o p&uacute;blico nos debates sobre riscos e n&atilde;o considera suas perspectivas no processo de tomada de decis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje, diversos autores defendem uma comunica&ccedil;&atilde;o de risco participativa, calcada na promo&ccedil;&atilde;o de um di&aacute;logo sens&iacute;vel &agrave;s necessidades da comunidade que vivencia situa&ccedil;&otilde;es de riscos, na integra&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico no processo de gerenciamento do risco e no estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a entre p&uacute;blico, pesquisadores e autoridades (6; 10; 11).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Indo al&eacute;m das estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o, o di&aacute;logo entre quem produz conhecimento cient&iacute;fico e quem usa esse conhecimento para tomar decis&otilde;es passa tamb&eacute;m pela compreens&atilde;o de como os indiv&iacute;duos percebem os riscos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O termo percep&ccedil;&atilde;o de risco denota o processamento de sinais f&iacute;sicos e/ou informa&ccedil;&otilde;es sobre eventos ou atividades potencialmente perigosos e a forma&ccedil;&atilde;o de julgamento sobre a seriedade, probabilidade e aceitabilidade de um respectivo evento ou atividade (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os fatores sociais e culturais que influenciam a percep&ccedil;&atilde;o de risco est&atilde;o, por exemplo, os julgamentos est&eacute;ticos, vari&aacute;veis contextuais, imagens sem&acirc;nticas, valores, efeitos da comunica&ccedil;&atilde;o (incluindo a comunica&ccedil;&atilde;o feita por autoridades e especialistas e as informa&ccedil;&otilde;es divulgadas pela m&iacute;dia) e confian&ccedil;a nas organiza&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es envolvidas nos seus diversos n&iacute;veis na regula&ccedil;&atilde;o, an&aacute;lise e gerenciamento do risco (6).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A estrat&eacute;gia da Comiss&atilde;o Nacional de Grandes Riscos em assegurar aos moradores que a ocorr&ecirc;ncia de um grande terremoto era improv&aacute;vel certamente teve efeitos nas percep&ccedil;&otilde;es de risco dos moradores e nas suas atitudes, como: (i) percep&ccedil;&otilde;es individuais e coletivas mais baixas sobre o risco de ocorr&ecirc;ncia de um terremoto de maior magnitude (refor&ccedil;adas pelas percep&ccedil;&otilde;es que os indiv&iacute;duos j&aacute; tinham mesmo antes de receberem essa informa&ccedil;&atilde;o); (ii) resist&ecirc;ncia dos moradores em sa&iacute;rem de suas resid&ecirc;ncias alegando que a informa&ccedil;&atilde;o recebida era tranquilizadora; (iii) falta de preparo dos moradores para enfrentarem uma situa&ccedil;&atilde;o de desastre (tamb&eacute;m associada &agrave;s falhas de comunica&ccedil;&atilde;o e de esfor&ccedil;os de educa&ccedil;&atilde;o e treinamento, por parte das autoridades respons&aacute;veis); (iv) a rela&ccedil;&atilde;o de desconfian&ccedil;a instaurada, a legitimidade da Comiss&atilde;o posta em cheque, a necessidade de atribui&ccedil;&atilde;o de culpa e responsabilidade pelo ocorrido e pela poss&iacute;vel falta de preparo dos moradores em virtude da informa&ccedil;&atilde;o divulgada anteriormente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses efeitos podem ser analisados &agrave; luz da abordagem da amplifica&ccedil;&atilde;o social do risco (6), que assume que a percep&ccedil;&atilde;o de risco &eacute;, sobretudo, determinada pela forma como o risco &eacute; comunicado atrav&eacute;s da m&iacute;dia e de outras fontes - incluindo cientistas e autoridades. A an&aacute;lise de como essas informa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o comunicadas pode explicar, assim, a amplifica&ccedil;&atilde;o ou a atenua&ccedil;&atilde;o das preocupa&ccedil;&otilde;es relacionadas a determinado risco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste caso o privil&eacute;gio do acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o (tranquilizadora) fornecida pela Comiss&atilde;o Nacional de Grandes Riscos pode ter contribu&iacute;do para a subestima&ccedil;&atilde;o do risco e diminui&ccedil;&atilde;o das preocupa&ccedil;&otilde;es relacionadas a esse risco. Essa atenua&ccedil;&atilde;o, os preju&iacute;zos advindos com o terremoto, que v&atilde;o muito al&eacute;m dos preju&iacute;zos ao ambiente e &agrave; sa&uacute;de humana, e a pr&oacute;pria press&atilde;o p&uacute;blica pela informa&ccedil;&atilde;o incorreta divulgada podem ser algumas das explica&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para que fossem iniciados procedimentos legais para determinar se houve alguma falha por parte da Comiss&atilde;o no seu trabalho e no comunicado feito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>POR UMA (NOVA) DISCIPLINA NOS CURSOS AMBIENTAIS</b> Ao refletir sobre o caso italiano &eacute; poss&iacute;vel pensar tamb&eacute;m em estudos conduzidos no Brasil sobre situa&ccedil;&otilde;es de risco associadas &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o ambiental e humana ao chumbo (9) e a mudan&ccedil;as ambientais e clim&aacute;ticas (12). Em comum, esses estudos mostram que a falta de uma compreens&atilde;o sobre como os indiv&iacute;duos percebem os riscos aos quais est&atilde;o potencialmente expostos e as perspectivas e estrat&eacute;gias ainda limitadas de comunica&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o e gerenciamento de risco, que reconhece aos t&eacute;cnicos a propriedade da verdade e o dever de encontrar as solu&ccedil;&otilde;es mais corretas para uma popula&ccedil;&atilde;o tida como cientificamente limitada e emocionalmente vulner&aacute;vel (13), interferem diretamente no di&aacute;logo e na pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o estabelecidos entre os atores sociais. Esses estudos revelam ainda a necessidade de incorporar uma abordagem integrada de avalia&ccedil;&atilde;o e caracteriza&ccedil;&atilde;o do risco na educa&ccedil;&atilde;o dos profissionais envolvidos em estudos ambientais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste artigo defende-se a proposta de cria&ccedil;&atilde;o de uma disciplina que contemple abordagens te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas de avalia&ccedil;&atilde;o, percep&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o de risco nos cursos ambientais e de geoci&ecirc;ncias, o que contribuiria para a forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais que t&ecirc;m de lidar com o papel da informa&ccedil;&atilde;o e dos demais elementos que moldam as percep&ccedil;&otilde;es de risco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como Liverman e Jaramillo (2011) argumentam, poucos cientistas - em particular os da &aacute;rea de geoci&ecirc;ncias - est&atilde;o aptos a lidar com quest&otilde;es da &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o, apesar da sua import&acirc;ncia. A educa&ccedil;&atilde;o nas "geoci&ecirc;ncias convencionais", como reconhecem esses autores, ainda prepara mal o cientista para a comunica&ccedil;&atilde;o com o p&uacute;blico e com a m&iacute;dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa disciplina poderia ajudar a melhor preparar esses profissionais a lidar com essa e outras atribui&ccedil;&otilde;es cada vez mais presentes e urgentes em suas pr&aacute;ticas cotidianas e que certamente extrapolam os laborat&oacute;rios e gabinetes de pesquisa. Dentro de uma perspectiva interdisciplinar, essa disciplina buscaria incorporar: (i) a amplia&ccedil;&atilde;o do debate te&oacute;rico sobre risco; ii) o entendimento de que estudos e estrat&eacute;gias de enfrentamento de situa&ccedil;&otilde;es de risco requerem abordagens que incorporem dimens&otilde;es subjetivas e objetivas; iii) a supera&ccedil;&atilde;o da perspectiva limitada de avalia&ccedil;&atilde;o do risco; iv) a discuss&atilde;o sobre m&eacute;todos para aferir percep&ccedil;&otilde;es de risco e sobre estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o de risco; v) a compreens&atilde;o de que as decis&otilde;es em situa&ccedil;&otilde;es de risco, por sua complexidade, controv&eacute;rsias, ambiguidades e incertezas, n&atilde;o podem ser baseadas apenas no conhecimento t&eacute;cnico e devem incluir a participa&ccedil;&atilde;o das comunidades afetadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse &uacute;ltimo item passa pela discuss&atilde;o das possibilidades, desafios e limita&ccedil;&otilde;es da pr&aacute;tica de um processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento mais participativo, no qual a ci&ecirc;ncia esteja aberta ao debate, as fronteiras entre especialistas e n&atilde;o especialistas sejam reduzidas e a legitimidade da decis&atilde;o venha do exerc&iacute;cio do debate aberto (14). Como argumenta Lindell (2011), envolver as comunidades locais no processo de avalia&ccedil;&atilde;o, gerenciamento e mitiga&ccedil;&atilde;o dos riscos &eacute; importante porque elas t&ecirc;m importantes informa&ccedil;&otilde;es sobre o ambiente em que vivem e suas atitudes e percep&ccedil;&otilde;es s&atilde;o fundamentais para identificar prioridades e medidas que podem ser aceit&aacute;veis e que podem contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas e promover uma conviv&ecirc;ncia mais sustent&aacute;vel entre elas e o ambiente natural.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Gabriela Marques Di Giulio</b> &eacute; jornalista e doutora em ambiente e sociedade, docente do Departamento de Sa&uacute;de Ambiental da Faculdade de Sa&uacute;de P&uacute;blica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP.)     <br>   <b>Bernardino Ribeiro Figueiredo</b> &eacute; ge&oacute;logo e doutor em geologia, professor titular do Instituto de Geoci&ecirc;ncias da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).     <br>   <b>L&uacute;cia da Costa Ferreira</b> &eacute; ec&oacute;loga e doutora em ci&ecirc;ncias sociais, pesquisadora do Nepam-Unicamp.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. 	Liel, A.B.; Eeri, M.; Corotis, R.B.; Camata, G.; Sutton, J.; Holtzman, R.; Spacone, E. "Perceptions of decision-making roles and priorities affecting rebuilding after disaster: the example of L'Aquila, Italy. 2012". Dispon&iacute;vel em: <a href="http://bechtel.colorado.edu/&#126;liel/publications_files/Lieletal_PerspectivesLAquila_Text_withFigures.pdf" target="_blank">http://bechtel.colorado.edu/~liel/publications_files/Lieletal_PerspectivesLAquila_Text_withFigures.pdf</a>, acessado em 23/01/2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. 	Alexander, D.E. "The L'Aquila Earthquake of 6 April 2009 and Italian Government Policy on Disaster Response". <i>Journal of Natural Resources Policy Research</i>, vol. 2, nº. 4, p. 325-342, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. 	Guivant, J.S. "A trajet&oacute;ria das an&aacute;lises de risco: da periferia ao centro da teoria social". <i>Revista Brasileira de Informa&ccedil;&otilde;es Bibliogr&aacute;ficas</i>, Anpocs, 46, p. 3-38. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. 	Beck,U. <i>Ecological politics in an age of risk</i>. Cambridge: Polity Press, 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. 	Zinn, J.O. (ed.). <i>Social theories of risk and uncertainty - an introduction</i>. Oxford: Blackwell Publishing, 2008.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. 	Renn, O. <i>Risk governance: coping with uncertainty in a complex world</i>. London: Earthscan, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. 	Marincioni, F.; Appiotti, F.; Ferretti, M.; Antinori, C.; Melonaro, P.; Pusceddu, A.; Oreficini-Rosib, R. "Perception and communication of seismic risk: The 6 April 2009 L'Aquila Earthqualie case study". <i>Earthquake Spectra</i>, vol. 28, nº.1, p. 159- 183, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. 	Owens, S. "Engaging the public: information and deliberation in environmental policy". <i>Environment and Planning A</i>, nº 32, p. 1141-1148, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. 	Di Giulio, G.M. <i>Risco, ambiente e sa&uacute;de: um debate sobre comunica&ccedil;&atilde;o e governan&ccedil;a do risco em &aacute;reas contaminadas</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. 	Boholm, A. Editorial: "New perspectives on risk communication: uncertainty in a complex society". <i>Journal of Risk Research</i>, vol. 11, nº 1-2, p. 1-3, 2008.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. 	Lundgren, R.; Mcmakin, A. <i>Risk communication: a handbook for communicating environmental, safety and health risks</i>. Ohio: Battelle Press, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. 	Di Giulio, G.M.; Viglio, J.E.; Ferreira, L.C. "Building dialogue between 'those who make science' and 'those who use science to make decisions': a Brazilian case study In: <i>Planet Under Pressure</i>, Londres, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. 	Lima, M.L. "Ci&ecirc;ncia e saber comum: introdu&ccedil;&atilde;o". In: Gon&ccedil;alves, M.E. (org). <i>Cultura cient&iacute;fica e participa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica</i>. Celta Editora, Oeiras, p. 103-107, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. 	Felt, U.; Wynne, B. "Science and governance: taking European knowledge society", 2007.    </font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Liel]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Eeri]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Corotis]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Camata]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sutton]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Holtzman]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Spacone]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["Perceptions of decision-making roles and priorities affecting rebuilding after disaster: the example of L'Aquila]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Italy ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Alexander]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["The L'Aquila Earthquake of 6 April 2009 and Italian Government Policy on Disaster Response"]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Natural Resources Policy Research]]></source>
<year>2010</year>
<volume>2</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>325-342</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Guivant]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["A trajetória das análises de risco: da periferia ao centro da teoria social"]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Brasileira de Informações Bibliográficas]]></source>
<year>1998</year>
<volume>46</volume>
<page-range>3-38</page-range><publisher-name><![CDATA[Anpocs]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Beck]]></surname>
<given-names><![CDATA[U.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ecological politics in an age of risk]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Polity Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Zinn]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Social theories of risk and uncertainty - an introduction]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Blackwell Publishing]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Renn]]></surname>
<given-names><![CDATA[O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Risk governance: coping with uncertainty in a complex world]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Earthscan]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Marincioni]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Appiotti]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferretti]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Antinori]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Melonaro]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pusceddu]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oreficini-Rosib]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["Perception and communication of seismic risk: The 6 April 2009 L'Aquila Earthqualie case study"]]></article-title>
<source><![CDATA[Earthquake Spectra]]></source>
<year>2009</year>
<volume>28</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>159- 183</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Owens]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["Engaging the public: information and deliberation in environmental policy"]]></article-title>
<source><![CDATA[Environment and Planning A]]></source>
<year>2000</year>
<numero>32</numero>
<issue>32</issue>
<page-range>1141-1148</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Di Giulio]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Risco, ambiente e saúde: um debate sobre comunicação e governança do risco em áreas contaminadas]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Annablume]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Boholm]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Editorial: "New perspectives on risk communication: uncertainty in a complex society"]]></article-title>
<source><![CDATA[Journal of Risk Research]]></source>
<year>2008</year>
<volume>11</volume>
<numero>1-2</numero>
<issue>1-2</issue>
<page-range>1-3</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lundgren]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mcmakin]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Risk communication: a handbook for communicating environmental, safety and health risks]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Ohio ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Battelle Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Di Giulio]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Viglio]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA["Building dialogue between 'those who make science' and 'those who use science to make decisions': a Brazilian case study]]></article-title>
<source><![CDATA[Planet Under Pressure]]></source>
<year>2012</year>
<publisher-loc><![CDATA[Londres ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Ciência e saber comum: introdução"]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cultura científica e participação pública]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>103-107</page-range><publisher-loc><![CDATA[Oeiras ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Celta Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Felt]]></surname>
<given-names><![CDATA[U.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Wynne]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA["Science and governance: taking European knowledge society"]]></source>
<year>2007</year>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
