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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"></b><img src="/img/revistas/cic/v65n4/sessao(os100).jpg"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PrecisÃ£o e forÃ§a dos gestos delicados sobressaem-se nas imagens criadas pela artista</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Telas que ressoam as imagens das grandes nebulosas feitas por telesc&oacute;pios. Linhas, manchas, c&iacute;rculos e cores, em gravuras e pinturas, emergem da textura e for&ccedil;a das pinceladas. Com elas, adentramos o universo criado pela artista pl&aacute;stica Tomie Ohtake. Tamb&eacute;m pelos pain&eacute;is e esculturas de grandes dimens&otilde;es criados para espa&ccedil;os p&uacute;blicos: dezenas de obras integram a paisagem de algumas cidades brasileiras, com destaque para S&atilde;o Paulo - onde Ohtake vive e trabalha - e para os quatro grandes pain&eacute;is da Esta&ccedil;&atilde;o Consola&ccedil;&atilde;o do metr&ocirc;, na capital paulista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pintora japonesa naturalizada brasileira, Tomie Ohtake nasceu em Kyoto. Aos 23 anos, veio ao Brasil para visitar o irm&atilde;o e, por conta da Segunda Guerra Mundial, n&atilde;o regressou ao Jap&atilde;o. De sua chegada ao pa&iacute;s, costuma lembrar-se do impacto que a luminosidade lhe causou ao desembarcar no porto de Santos: as cores vivas da paisagem e do sol - que faziam, segundo ela, at&eacute; o pr&oacute;prio ar parecer amarelo - estariam, posteriormente, presentes em muitas de suas cria&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ohtake come&ccedil;ou a pintar aos 39 anos. Os primeiros trabalhos foram figurativos, mas a abstra&ccedil;&atilde;o logo ganhou predomin&acirc;ncia em sua obra. "Espa&ccedil;os crom&aacute;ticos e cores intensas s&atilde;o fortes caracter&iacute;sticas do estilo de Tomie Ohtake e est&atilde;o presentes na maioria dos seus trabalhos", destaca Tatiane Elias, historiadora da arte e pesquisadora da Stuttgart State Academy of Art and Design, na Alemanha.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Elias conta que entrou em contato com as pinturas de Tomie Ohtake ao estudar o abstracionismo brasileiro e a forma&ccedil;&atilde;o do chamado Grupo Seibi, nome formado pelas iniciais que, em japon&ecirc;s, significam Grupo de Artistas Pl&aacute;sticos de S&atilde;o Paulo.  Criado em 1935, reuniu artistas japoneses cuja forma&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica se deu inteiramente no Brasil. Fl&aacute;vio Shir&oacute; e Manabu Mabe tamb&eacute;m fizeram parte do grupo, artistas que, como Ohtake, aderiram mais tardiamente a ele, ap&oacute;s sua reorganiza&ccedil;&atilde;o e retomada de suas atividades - interrompidas por conta da guerra - a partir do final dos anos 1940.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A imigra&ccedil;&atilde;o de artistas japoneses ao Brasil contribuiu significativamente para o cen&aacute;rio da arte brasileira", afirma Elias ao lembrar a import&acirc;ncia do grupo Seibi e, ressaltar que, nas obras de Ohtake, h&aacute; um intenso di&aacute;logo entre o Brasil e o Jap&atilde;o, entre as diferen&ccedil;as est&eacute;ticas e culturais desses dois pa&iacute;ses: "Ao criar sua arte, Tomie Ohtake conjuga de maneira singular as duas culturas".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ohtake extrai a for&ccedil;a das cores da paisagem brasileira; inspira-se tamb&eacute;m na simplicidade e precis&atilde;o do <i>haikai</i> - poesia de intensa express&atilde;o atrav&eacute;s do uso de poucas palavras - e, ainda, valoriza os espa&ccedil;os vazios, presentes na arquitetura dos templos e jardins de Kyoto. Sua busca &eacute; por afetar o espectador num engajamento imediato com suas obras e com o pr&oacute;prio gesto de pintar. "As formas, os contrastes das cores intensas e prim&aacute;rias - o vermelho, principalmente - querem seduzir o espectador. Suas pinceladas e as esculturas curvas, abertas e soltas no espa&ccedil;o s&atilde;o elementos marcantes do estilo de Ohtake", lembra Elias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rigor e simplicidade Em sua economia de tra&ccedil;os e cores, a pincelada ganha evid&ecirc;ncia nos trabalhos da artista pl&aacute;stica. Ato pict&oacute;rico que se distingue da agita&ccedil;&atilde;o fren&eacute;tica e da veem&ecirc;ncia da <i>action painting</i> de Jackson Pollock, aproximando-se mais do gesto de Mark Rothko, pintor americano de origem russa que, juntamente com Pollock, &eacute; considerado um dos grandes nomes do expressionismo abstrato: "O gesto pict&oacute;rico de Rothko &eacute; o gesto pacato, uniforme, do caiador que pinta um muro; pouco a pouco, seguindo o ritmo regular do movimento que espalha a cor, percebe-se que a tinta altera a situa&ccedil;&atilde;o ambiental, e que est&aacute; nascendo um espa&ccedil;o onde n&atilde;o havia sen&atilde;o uma interrup&ccedil;&atilde;o na continuidade do espa&ccedil;o", escreve o cr&iacute;tico e historiador da arte Giulio Carlo Argan, em seu livro <i>Arte Moderna</i> (Companhia das Letras, 1992, p. 623).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal como em Rothko - a quem Ohtake se refere como um mestre -  a conten&ccedil;&atilde;o e o comedimento do gesto de pintar da artista, a varia&ccedil;&atilde;o e a suavidade do ritmo da m&atilde;o que vai criando texturas, manchas, linhas e cores nas telas, querem fazem chegar ao espectador sensa&ccedil;&otilde;es que afetam n&atilde;o somente o olhar, mas todo o corpo. A cria&ccedil;&atilde;o dessa sensibilidade, atrav&eacute;s da abstra&ccedil;&atilde;o que prescinde de referentes externos &agrave; obra - como a situa&ccedil;&atilde;o vivida pela artista ou alguma refer&ecirc;ncia a um contexto social ou realidade hist&oacute;rica - &eacute; alcan&ccedil;ada, por Ohtake, numa combina&ccedil;&atilde;o paradoxal entre o simples e o complexo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HOMENAGENS</b> Para comemorar o centen&aacute;rio da artista, o Instituto Tomie Ohtake - projetado por seu filho, o arquiteto Ruy Ohtake, programou a realiza&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s exposi&ccedil;&otilde;es ao longo de 2013. No primeiro semestre, a mostra "Correspond&ecirc;ncias" buscou tecer aproxima&ccedil;&otilde;es entre a obra de Ohtake e a de diversos artistas contempor&acirc;neos como Mira Schendel, Lia Chaia, Cildo Meireles e Nuno Ramos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De agosto ao final de setembro aconteceu, por sua vez, a exposi&ccedil;&atilde;o "Influxos das Formas" para a qual os curadores, Agnaldo Farias e Paulo Miyada - dentre os milhares de esbo&ccedil;os que a artista fez durante mais de seis d&eacute;cadas de trabalho e das centenas guardadas em seu ateli&ecirc; - selecionaram colagens, desenhos, cadernos, croquis e maquetes de esculturas. Em novembro, m&ecirc;s em que a artista completa 100 anos, o Instituto dever&aacute; inaugurar a exposi&ccedil;&atilde;o, "Gesto e Raz&atilde;o Geom&eacute;trica".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i> Carolina Cantarino</i></font></p>      ]]></body>
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