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</front><body><![CDATA[ <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/brasil.jpg" /></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><font size="3"><b>BIOLOGIA DO AUTISMO</b></font></P>     <p><img src="/img/revistas/cic/v66n1/line_blk.jpg" /></p>     <P><font size="4">Pesquisadores j&aacute; trabalham com a perspectiva de cura e     de criar centro de refer&ecirc;ncia no Brasil</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">Nos Estados Unidos, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta uma em cada 88 crian&ccedil;as, sendo quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas &#150; a propor&ccedil;&atilde;o aumentou ap&oacute;s a redefini&ccedil;&atilde;o do espectro, com a inclus&atilde;o de sintomas mais leves. Estima&#45;se que na Europa, ou mesmo no Brasil, os &iacute;ndices sejam bem semelhantes. Apesar da alta incid&ecirc;ncia, o transtorno &eacute; ainda mal compreendido, e apenas entre 10 a 15% dos casos possuem causa gen&eacute;tica espec&iacute;fica. Mas tal s&iacute;ndrome, com mecanismos ainda t&atilde;o pouco compreendidos, desafia os pesquisadores, e os estimula a buscar n&atilde;o apenas tratamentos, mas solu&ccedil;&otilde;es definitivas. </font></P>     <P><font size="3">O bi&oacute;logo molecular Alysson Muotri &eacute; um deles. Em seu laborat&oacute;rio em San Diego (EUA), o brasileiro, formado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), faz parte de um grupo pioneiro que conseguiu reverter a condi&ccedil;&atilde;o de neur&ocirc;nios autistas. Sua equipe fez hist&oacute;ria ao transformar neur&ocirc;nios de portadores da s&iacute;ndrome de Rett em c&eacute;lulas saud&aacute;veis. Esta s&iacute;ndrome &eacute; bastante semelhante ao autismo, mas seu funcionamento j&aacute; est&aacute; mais bem definido. Em sua pesquisa, Muotri reprogramou c&eacute;lulas de pele em c&eacute;lulas de pluripot&ecirc;ncia induzida, que podem se especializar em qualquer outra (como as c&eacute;lulas&#45;tronco embrion&aacute;rias) e, usando duas subst&acirc;ncias (o fator de crescimento insul&iacute;nico tipo 1 e a gentamicina), observou que elas passaram a se comportar como se fossem saud&aacute;veis. Outros grupos tamb&eacute;m v&ecirc;m apresentando resultados incipientes que indicam breve possibilidade de cura no horizonte.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <P align="center"><img src="/img/revistas/cic/v66n1/a04img01.jpg" border="0" usemap="#Map2" /> <map name="Map2"><area shape="rect" coords="1,348,128,369" href="http://www.byercreative.com" target="_blank" /> </map></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P><font size="3">&Eacute; apenas o in&iacute;cio de um longo caminho &#150; que promete ser bastante promissor. E os investimentos devem crescer, pois se h&aacute; pouco tempo n&atilde;o havia sequer neur&ocirc;nios autistas para estudo, agora j&aacute; se fala na triagem de novas drogas que os alterem. A estimativa &eacute; que essa pesquisa se reverta em medica&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel no mercado em 10 anos, considerando a exist&ecirc;ncia de uma nova droga experimental nos pr&oacute;ximos 2 ou 3 anos. </font></P>     <P><font size="3">Se hoje ainda s&atilde;o poucas as pesquisas com enfoque de cura, parte disso &eacute; porque durante muito tempo imaginou&#45;se o transtorno como doen&ccedil;a incur&aacute;vel. "Por meio de modelos animais aprendemos que era poss&iacute;vel reverter aspectos da condi&ccedil;&atilde;o mesmo em indiv&iacute;duos adultos. Isso foi feito pela primeira vez em 2008 e atraiu a aten&ccedil;&atilde;o de muita gente. No entanto, como modelos animais n&atilde;o recapitulam completamente a condi&ccedil;&atilde;o autista, os resultados n&atilde;o tiveram o devido impacto. Por&eacute;m, em 2010 nosso grupo mostrou ser poss&iacute;vel fazer a revers&atilde;o fisiol&oacute;gica e funcional de neur&ocirc;nios autistas em laborat&oacute;rio. O impacto foi enorme, pois agora estamos falando de neur&ocirc;nios humanos", diz o pesquisador.</font></P>     <P><font size="3"><B>CENTRO DE EXCEL&Ecirc;NCIA</b> Muotri, p&oacute;s&#45;doutor em neuroci&ecirc;ncia e c&eacute;lulas&#45;tronco no Instituto Salk de Pesquisas Biol&oacute;gicas e atualmente professor da Universidade da Calif&oacute;rnia, em San Diego, tem planos de retornar ao Brasil, encabe&ccedil;ando um projeto de um centro de excel&ecirc;ncia nacional para estudos do autismo. Com a ajuda de um grupo multidisciplinar formado por pais, m&eacute;dicos e empres&aacute;rios, o objetivo &eacute; criar uma estrutura &uacute;nica para pesquisa e atendimento. "Entendemos que a cura &eacute; fruto de um trabalho cient&iacute;fico s&eacute;rio, por isso o centro n&atilde;o deve ter uma postura assistencialista, mas sim cient&iacute;fica. A raz&atilde;o de ser desses centros baseia&#45;se no fato de que a ci&ecirc;ncia seria a forma mais r&aacute;pida e eficiente de atingir resultados promissores para tratamento de sintomas", diz. A proposta foi apresentada em 2013 aos ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e da Sa&uacute;de, Alexandre Padilha, mas ainda n&atilde;o houve uma resposta. Com apoio governamental, o cientista avalia que poderia come&ccedil;ar os ensaios cl&iacute;nicos para autismo no Brasil em um ou dois anos.</font></P>     <P><font size="3">A estrutura agruparia laborat&oacute;rios multidisciplinares em diversos n&iacute;veis: molecular, gen&eacute;tico, celular, anat&ocirc;mico e comportamental. "N&atilde;o tenho certeza se os laborat&oacute;rios deveriam ou n&atilde;o estar vinculados &agrave;s universidades. Estou inclinado a pensar que n&atilde;o, por causa dos conhecidos modelos arcaicos e corporativistas que ainda as regem. De qualquer forma, profissionais qualificados seriam bem&#45;vindos. Talvez o maior entrave esteja no pr&oacute;prio Brasil. Temo pela falta de ambi&ccedil;&atilde;o, inova&ccedil;&atilde;o e autoestima. Temo tamb&eacute;m pela busca da gratifica&ccedil;&atilde;o meramente acad&ecirc;mica ou financeira dos eventuais participantes desse projeto", completa o pesquisador.</font></P>     <P><font size="3"><B>FADA DO DENTE</b> Trabalhando em parceria com Muotri, Patr&iacute;cia Beltr&atilde;o Braga, bi&oacute;loga e professora da USP, &eacute; coordenadora do projeto "A fada do dente" em S&atilde;o Paulo, no qual neur&ocirc;nios autistas para pesquisas s&atilde;o produzidos a partir da polpa de dente de leite de crian&ccedil;as afetadas pela doen&ccedil;a. Com isso, ela pretende identificar as diferen&ccedil;as existentes entre esses neur&ocirc;nios e os saud&aacute;veis, estudar o funcionamento e testar novos medicamentos. Para ela, &eacute; essencial para o avan&ccedil;o r&aacute;pido das pesquisas a cria&ccedil;&atilde;o de um local que centralizasse as informa&ccedil;&otilde;es. "O Brasil tem excelentes pesquisadores, mas est&atilde;o muito dispersos pelo pa&iacute;s, o que n&atilde;o &eacute; bom para pesquisa. Quem trabalha com a parte biol&oacute;gica precisa da &aacute;rea cl&iacute;nica muito pr&oacute;xima, pois muitas vezes os pais e terapeutas ajudam a levantar hip&oacute;teses, d&atilde;o pistas importantes para o rumo do trabalho, e quando as pesquisas s&atilde;o casadas, ficam mais r&aacute;pidas e eficientes. Ter um centro de excel&ecirc;ncia aqui, nos moldes que conhecemos no exterior, seria ideal. E temos que pensar no n&uacute;mero de pessoas que seriam beneficiadas, pois se estima que 1% da popula&ccedil;&atilde;o mundial tenha autismo. N&atilde;o temos dados espec&iacute;ficos no Brasil, mas certamente estamos na mesma propor&ccedil;&atilde;o", aponta ela, que contabiliza em pelo menos US$ 70 milh&otilde;es o valor necess&aacute;rio para montagem do centro.</font></P>     <P>&nbsp;</P>     <p align="right"><font size="3"><i>Marina Gomes</i></font></p>      ]]></body>
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